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sábado, 7 de novembro de 2015

Ballet: Quo Vadis?

Antes de tudo um grande Obrigado a Straccio Carlo e sua maravilhosa pesquisa que inspirou esta “Tertúlia”.

First of all a big Thank you to Straccio Carlo and his wonderful research that inspired this “Tertúlia”.


Don Quixote: Makarova & Zakharova


Sleeping Beauty: Fracci & Zakharova


Swan Lake: Makarova/Dowell & Kolegova/Korsuntev

Vezes me pego pensando com horror sobre a forma como o Ballet está sendo encarado por gerações mais jovens… só testemunho trabalho sendo feito no lado físico, não vejo mais trabalho artístico… Essa situação me enche de horror e me deixa triste, muito triste… e me dá medo!

Sometimes I catch myself thinking with fright about the way Ballet is being faced be younger generations… I just witness work being made on the physical side, I don’t see any artistic work anymore… This situation fills me with horror and makes me sad, very sad… and scares me!


Sleeping Beauty: Makarova/Baryshnikov & Ballet Nacional de Cuba - WHAT IS THAT?


Onegin: Haydée/Cragun & Ciravola/Moreau

Tive o prazer de assistir duas vezes uma Zakharova muito bem ensaiada (e contida) no “Lago”. Suas Odette/Odille foram deslumbrantes… como disse, muito bem ensaiada, “coached”. Porém quando vejo essas fotos, acho-a tristemente circense, uma mestra em ginástica sem respeito à estilo, história… Muito me chateou a foto de “Giselle” na qual toda a ideologia que eu sempre descrevi como “meu coração - não minha barriga - ao centro da terra, meu pé para as estrelas” foi perdida num ataque de malabarismo.

I had the pleasure of watching Zakharova very well-rehearsed (and restrained) on “Lake”. Her Odette/Odille were stunning … as I sad, very well-rehearsed and coached. But as I look at these pictures, I thing of her as terribly “circus-like”, a gymnastics master without any respect to style, history… I got very annoyed about the “Giselle” photo in which all the ideology that I always described as “my heart - not my tummy - towards the center of the earth, my foot to the stars” was lost in a juggling fit.


Giselle: Alonso & Zakharova


Don Quixote: Maxivoma & (for me) unknown - can anyone help me?


Carmen: Plissetskaya & Zakharova

Veja as fotos e construa sua própria opinião sobre o “ontem” e o “hoje”…

Look at the pictures and build your own opinion about “yesterday” and “today”…


Swan Lake: Makarova/Nureyev & Sodoleva/Xander Parish


Romeo and Juliet: Hayée/Cragun & Semionova/Vogel


Sleeping Beauty: Gregory & Zakharova


Sleeping Beauty: Kirkland & Zakharova

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

The Shape of Love e o dom da síntese: Kirkland & Dowell


Revendo uma cena que é importantíssima para mim e sem me importar que já uma vez a publiquei aqui, volto a tentar descrever (sim, é "tentar" mesmo) o que sinto quando a assisto... Espero que voces compartilhem esta emoção comigo...


Admiro demais as pessoas que possuem o poder, o dom da síntese.

Talento raro e por mim até “invejado” (no bom sentido) pois sou um daqueles que começam uma estória e aí se lembram de 25 outras, todas intercambiadas por algum banal motivo e aí “perdem o fio da meada” por nem saberem mais o porque de estar contando aquilo (e muito menos ainda o porque de terem começado este discurso… sim… sou também um daqueles "contadores cronicos" que, no caminho, se «perdem nos "entretantos" sem chegar aos "finalmentes"»)

Mas grandes artistas me fazem às vezes, raramente, adquirir o dom da síntese…
Porque talvez me inspirem já que eles o possuem... como nesta cena, na qual reúnem uma gama de emoções que vão de A a Z numa única palavra... amor.

No contexto da didática tradicional, a síntese é o ato de abordar as principais idéias e pontos de conexão de uma determinada lição. Ligá-los, por assim dizer...

Que outra palavra poderia descrever o que vejo e sinto quando assisto Gelsey Kirkland e Anthony Dowell na cena do balcão de “Romeo and Juliet” de MacMillan senão pura “PERFEIÇÃO”. Desde a perfeita música de Prokofieff, da coreografia à interpretação dos maravilhosos bailarinos...


Obrigado aos dois por tal momento de arte eternizado em video e no relato no imortal livro “The Shape of Love” (que nome mais apropriado quando penso nesta cena), no qual Gelsey nos fala de suas idéias (quase loucas) sobre a interpretação de Julieta e de sua maneira (quase científica) de trabalhar, ensaiar...

Mas tudo isto talvez pouco importe... é o resultado que conta: “PERFEIÇÃO”!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Gelsey Kirkland & Baryshnikov: Themes and Variations (Balanchine)


Ohhh, Gelsey Kirkland... Gelsey e seus braços...


Como sempre palavras parecem supérfluas para tentar descrever o que Gelsey faz em cena.

O que vemos em Gelsey quando está em cena.

E o que sentimos.


Maravilhoso o fato que podemos rever estes poucos e raros vídeos de uma carreira que foi tão rica...e infelizmente tão curta!



E para quando voces tiverem 34 Minutos disponíveis...
aqui o Ballet completo ( e "de lambuja" uma interessante entrevista com Gelsey).
Mr.B. como sempre, danadinho!

Ladies and Gentlemen,
Gelsey & Baryshnikov, Americam Ballet Theatre, 1978.
Those sure were the good old days!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"O Quebra-Nozes" e meus votos de Feliz Natal a todos...

No dia 25 iremos à Ópera para assistir „A bela adormecida“.
Gostoso, tradicional programa de Natal…
Já me animo só em pensar em Aurora, em Carabosse, no Adágio da Rosa…


Mesmo assim eu teria preferido “O Quebra-Nozes” pelo fato do tema natalino…
Mas, o que fazer, este ano não está na programação de dezembro. Então será com a “Bela” mesmo que vamos nos divertir na Noite do dia 25.

Porém como “The Nutcracker” não saiu dos meus pensamentos, quiz rever há poucos dias algumas cenas da produção de Baryshnikov de 1977.


Já há muito não a assistia e, mais uma vez (como sempre), Gelsey Kirkland encantou-me, fascinou-me, hipnotizou-me com sua brilho único, com sua arte… Nunca encontro as palavras certas para descreve-la.
Talvez seja melhor assim… está tudo aí, dançado para nós… Palavras seriam supérfluas!
Só sei que adoro sua “Clara” ao lado de Baryshnikov!


Sim... é exatamente esta precisa e preciosa harmonia, esta paz, esta delicadeza, este "mimo" às nossas almas que desejo a todos voces e suas famílias nos dias de Festa.

Um feliz Natal a todos!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Baryshnikov nu...

Como, já há algum tempo atrás, coloquei aqui um “portrait” de Makarova chamado “Makarova nua”, continuo essa “fórmula” com o grande, queridíssimo Mikhail Baryshnikov, ídolo de todos os bailarinos da minha geração!


Misha (como ele é também carinhosamente chamado por toda esta geração) sempre teve uma grande identificação com o papel de Albrecht, em “Giselle”.
Sua interpretação porém mudou, amadureceu com o passar dos anos… Aquela coisa maravilhosa do contínuo movimento, da incessante mudança na arte…

Aquilo que a mantém viva.

E não “petrificada”.

Em sua juventude seu “Albrecht” pendia mais para um lado sonhador, com uma personalidade mais naïve que não viu as consequencias do que estava fazendo com Giselle...
Já na sua maturidade artística seu “Albrecht transformou-se num personagem que levava dentro de si uma pequena dose de cinismo, um “playboy” que, com seu oportunismo e egoísmo, (talvez) não viu as consequencias do que estava fazendo (com a pura Giselle). Estou, óbviamente, a falar do primeiro Ato...

Interpretações minhas talvez…

Mas para quem não sabe ao que me refiro ou não conhece o “enredo” de Giselle, recomendo http://en.wikipedia.org/wiki/Giselle, já que ao contrário de muitos Blogs não "conto", não descrevo aqui enredos de filmes, librettos de óperas ou estórias de ballets... gosto só de tertuliar sobre eles...


O filme “Dancers” (ou às vezes chamado “Giselle”) de 1987 não é uma obra-prima em termos cinematográficos, muito pelo contrário: concebido também por Herbert Ross e sua esposa (ex-bailarina do American Ballet Theatre) Nora Kaye, “Dancers” tentou apoiar-se na bem sucedida fórmula de “The turning point” (Momento de Decisão, 1977) também idealizado por Ross e Kaye e não funcionou. Na realidade falhou completamente e foi um grande fracasso.

Senão fosse por toda uma geração de bailarinos “fiéis” aos seus ídolos (à qual me incluo), acho até provável que este filme não teria “dado o salto” para a digitalização (e se transformado em VHS/DVD). Para esta geração de bailarinos, a importancia de ver este “outro” Albrecht, mais amadurecido, de Misha é muito mais do que interessante, é quase essencial.
Nesta época ele já se encontrava num "pulo" em termos de carreira na dança. Bem mais magro, bem mais vulnerável do que nos anos de seu apogeu técnico (num dos quais “The turning point” foi filmado) ele aqui apresenta muita, muita sensibilidade… Ele literalmente se “despe” em frente da camera e nos mostra uma faceta – que é as vezes interpretada como a sua verdadeira – muito interessante para este personagem.

Baryshnikov nu.


Sua Giselle aqui é Alessandra Ferri (os “pés” mais lindos da história do ballet) e os dois criam uma “química” maravilhosa.
Alessandra, que já se retirou, era para mim a única bailarina capaz de bailar “Marguerite” em “La Dame aux Camelias” de John Neumeier, depois da fantástica Marcia Haydée – e qual foi minha surpresa ao saber que ela a interpretaria… Voei para Milão para vê-la ao lado de Roberto Bolle. Sua Marguerite, mulher "mais madura”, ao lado de um jovenzíssimo Armand de Bolle, foi suprema. Pergunto-me se um dia bailarinos como o lindíssimo Bolle terão esta perspicácia, como Misha teve, de “amadurecer” inteligentemente seus papéis… seus personagens… para ve-los, enfocá-los de um outro lado do "prisma".


Ferri sempre deu vida à uma Giselle muito singular… em alguns momentos minha respiração para.
Ela me fascina.
A capacidade, também em termos de estilo (históricamente vistos, Ballet romantico), que Ferri aqui demonstra é uma coisa única, rica... uma bailarina italiana,
uma bailarina dramática ( e "lírica" termo sempre dirigido a um soprano porém esta bailarina o merece), ela teve uma carreira única… em Milão, no American Ballet Theatre, no mundo… e, depois de muitos anos de carreira, despediu-se graciosamente dos palcos. Um acontecimento...
Gosto quando vejo uma carreira maravilhosa tornar-se numa longa carreira, cheia de harmonia e elegancia… jamais esquecerei-a em “Romeu e Julieta” e em “A streetcar named desire” (Um bonde chamado desejo), ballet inspirado na peça de Tenessee Williams, no qual ela deu vida à vulnerabilíssima, triste e doente Blanche Dubois


Sua despedida dos palcos foi emocionante (voces a encontram fácilmente em “Youtube”) e inolvidável… Um daqueles tributos à grandes artistas que foram sempre amadas – também por seus « colegas » de trabalho… Penso no que minha vó dizia: “Sempre colhemos o que plantamos”. Linda Alessandra Ferri!

Mas voltando a “Dancers”… visto de certa forma como uma “provável” sequencia de “The turning point” (filme que aliás divide com “A cor púrpura” de Steven Spielberg a “honra” de ter sido nominado para 11 Oscars – sem ter ganhado um sequer… ), um dos poucos fatos interessantes deste filme é a continuação que é dada ao personagem de Lesley Browne (bailarina cuja carreira com o ABT foi amaldiçoada pelo sucesso de “Momento de decisão”), que havia se apaixonado pelo de Baryshnikov… aqui, ela é uma mulher amarga, uma das “ex” dele… e ele a coloca como Myrtha – a líder das “Willis”, dos espíritos das “virgens” – e ela dá uma incrível performance, bem forte por sinal, dura, cheia de ódio aos homens… bem “retrato de uma mulher mal-amada” e frustrada… mais um "arquétipo" tratado dentro de Giselle...

Aqui os dois em “Dom Quixote” em “The turning point” dez anos antes de “Dancers”… Penso como teria sido a carreira de Browne se houvesse escapado "The turning point" e o que teria acontecido à Gelsey Kirkland se o tivesse aceitado...


Assistam alguns trechos do filme, do ballet…
Ah, para quem ainda não sabe: Giselle é o meu ballet preferido…


E aqui um trecho de um Blog chamado www.adancersprism.com, com maravilhosas notícias para os amantes do Ballet:

Legendary ballet dancer, Mikhail Baryshnikov, has donated 35 boxes containing his personal archives — video recordings, photos, documents and letters — to the New York Public Library for the Performing Arts. The incredible archives include some rare gems, such as videos where Baryshnikov can be seen practicing in Riga, Latvia (where he was born) as a young boy of 11 or 12 , doing exercises at the Vaganova School and working with such greats as Balanchine, Cunningham, Robbins and Graham. There is so much material that cataloging and digitizing is estimated to take at least three years, at which point it should be searchable by year, performance, dancer or choreographer. Baryshnikov has said that this archive represents his whole life. Considering that the 63-year-old is still working as a dancer, actor and founder of the Baryshnikov Arts Center in Manhattan, we are certain there is much more to come in his life.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Saudades de Gelsey Kirkland...



Saudades imensas de Gelsey e de todo este imenso talento para o qual as palavras nao bastam...



Saudades... E, admito, sou egoísta: gostaria tanto que, para ela, o tempo tivesse parado para ainda poder nos dar tantos momentos mágicos como estes aqui com Baryshnikov... momentos simplesmente inesquecíveis! Como faz bem reve-los...

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Gelsey Kirkland & Mikhail Baryshnikov durante uma tarde no Rio de Janeiro...

Com duas queridas amigas passei no Rio uma tarde de domingo informal e gostosa, daquelas que a gente só passa com amigos íntimos… batendo papo, vendo fotos, relembrando mil coisas, abrindo a alma, fofocando, discutindo arte, sentados no chão e assistindo alguns DVDs. Coisa de irmão. Momentos deliciosos e preciosos para mim que moro tão longe delas...



Entre esses DVDs se encontrava uma gravação da Coda de “D.Quixote” (Ballet que amo!) com o fantástico e genial madrileño Angel Corella (que gira, faz tudo para a esquerda… e é de uma naturalidade impressionante! Incrível!) e com a argentina Paloma Herrera. Paloma é ótima técnicamente mas não me “toca” emocionalmente. Sua dança transforma-se, de tanto exibicionismo técnico, num “Circo”. Tivemos que rir um pouco dos « cacos » que ela implementa às suas variações. Num determinado e difícil momento ela ainda teve coragem de fazer umas mãozinhas (lembrou-me demais às « Hermanas Miranda ») e eu não resisti à tentacao de dizer « Olha só, uns quindins-de Iaiá » !!! Juro, parecia mesmo ! Tipo « olha só o que consigo fazer e ainda faço umas mãozinhas brejeiras extras para mostrar que não estou me segurando, que estou sózinha aqui”. Voces tem que ver as supérfluas mãozinhas: exatamente aos 4:25 minutos deste vídeo (A postagem continua depois...).

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Repito, Paloma é ótima mas vou parando com meu comentário senão vão « ralhar » de novo comigo por estar falando “mal” de um bailarino (no caso refiro-me ao que falei de Isabel Seabra, que não me agrada como artista). Particularmente amo a opinião de minha amiga Danielle: “Se eles levam uma vida pública, tem que contar com o fato de serem criticados”. No que ela tem, aliás, toda a razão. Mas hoje estou “pacífico» e quero paz!


Pois é, tudo isto, deu-me uma saudade imensa da mesma Coda interpretada porém com a limpeza, sinceridade, dignidade, "noblesse" e simplicidade de Gelsey Kirkland e Mikhail Baryschnikov – meus dois queridos de sempre e para sempre! Áureos tempos do ABT... Resolvi enfeitar estas Tertúlias com estes momentos… Simplesmente AMO os braços e mãos de Gelsey aqui !!!! Sem « cacos » e “quindins-de-Iaiá"… Sei, e vejo sempre, que Gelsey não estava num "bom dia" como Kitri (Dançou na mesma noite anteriormente a Coda de "Coppélia" (Postagem de 29.01.2010), na qual esteve maravilhosa, com um "Balance" incomparável) mas mesmo assim considero-a uma artista de tão maravilhosa fragilidade e delicadeza, tão incomum que só posso dizer: "Chapeau"! (No final do vídeo uma mensagem pessoal dela sobre a Anorexia no Mundo do Ballet... Quando me lembro que "professoras" no Rio de janeiro criticavam os alunos quando engordavam 1/2 quilo depois das férias... não serão elas as causadoras de tantos disturbios alimentares na vida de ex-bailarinos?)

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P.S. Sei que não tem nada que ver mas adoro pensar que « Gelse », em dialeto austríaco, é a palavra para “Mosquito”. Olhem só este lindo mosquitinho!!!!!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Gelsey e Misha: Swanilda e Franz... Coppélia


A gente „viaja“ por tantos mundos e acaba esquecendo aquilo de bom que estava no “nosso quintal”: Nossa! Soei agora como Dorothy do “O Mágico de Oz” depois de ter viajado por “OZ” e ter-se dado conta que poderia ser feliz no seu próprio “backyard”.

Falando sério: Este conhecido “vídeo” tenho ainda em VHS. E agora encontreio-o no youtube.

SEI que Silvinha, Rodolfo, Eliana, Eric, Antonio, Fernando, Aurea, Rosangela, Claudia, César e tantos outros vão gostar de se relembrar de Gelsey e Misha em “Coppélia”.

Além de sua perfeita performance, fico emocionado com a exatidão da musicalidade de Gelsey. Chama-me porém muito a atencão a precisão do “Balance” de Gelsey na primeira "diagonal" (apesar dela ter confessado que nestas épocas estava com problemas terríveis de bulemia - ou era anorexia ? - e não tinha forca para bailar) Em alguns momentos parece que ela poderia “ficar ali” para sempre. O que, aliás, me lembra um episódio, que ouvi do bailarino (meu querido amigo) Antonio Negreiros sobre (minha querida amiga) Cristina Martinelli. Episódio esse que um dia contarei aqui – o que falta é encontrar a “tal pessoa” para fazer o comentário… Bem, aqui Gelsey e Misha… Divirtam-se!
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cruel World: Pas-de-Deux


Julie Kent não é destas bailarinas que me „eletrificam“ com qualquer um de seus trabalhos. Uma linda figura, uma linda técnica, muita emoção… Mas alguma coisa “falta”, na minha opinião, em papéis totalmente clássicos como Odette/Odille, Giselle e até em Le Corsaire.
Alguma coisa, em termos históricos do Ballet parece não estar presente, parece “faltar”.
Difícil expressar um ponto tão subjetivo. Se ela tivesse vindo do New York City Ballet seria mais fácil ter-se uma explicação (A própria Gelsey Kirkland descreveu seus longos estudos e suas lutas para poder dançar papéis clássicos depois de anos de aprendizado com Mr.B.). Mas não. Ela “cresceu” como artista no ABT.
Porém neste Pas-de-Deux de Cruel World ela (e Robert Hill – o Ballet foi criado para ambos) está para mim mais do que maravilhosa! Sim, James Kudelka e seu inspirado « Cruel World ». Que coreografia. Que «soluções» dentro deste Pas-de-Deux (como as inspiradas «soluções» de John Cranko nos seus próprios trabalhos). Há muito, muitos anos recebi este vídeo de N.Y. Hoje o reencontrei no Youttube e espero, caso voces não o conheçam, apresentar mais uma pequena e rara jóia em termos de Dança! Nao vou continuar escrevendo… Estou curioso mesmo é sobre as opinioes de Voces! (Nao deixem-se porém influenciar pela voz de Julie na curta entrevista que procede o Pas-de-Deux. Como voces verão : ela É uma bailarina)
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Dedico esta postagem à minha querida amiga Cristina Martinelli.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um vídeo amador: Gelsey Kirkland (Giselle, ABT)

Uma destas afortunadas descobertas que às vezes se faz no Youtube. Nada comparável ao momento mágico que vivenciamos assistindo "Romeu e Julieta" (Kirkland & Dowell), que encontrei há alguns meses, mas de certa forma "imperdível"!

Uma preciosa Raridade!
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segunda-feira, 6 de julho de 2009

REMEMBERING: Natalia Makarova

Se existissem palavras possíveis de descrever completamente Natalia Makarova eu as usaria… todas... mas na realidade não as encontro…

Passam na minha cabeça adjetivos que só representam uma pequena parte desta grande artista. Ela, na realidade, é um “Melange” deles:

Natalia brilhante, emocionante, emocional.
Voadora, desafiadora, elegante.


Ousada, musical, conservadora e inovadora.
Natalia lírica, poética, agressiva.


Exótica, erótica, neurótica, real, inteligente.
Natalia forte, sensual. Natalia frágil, sensual.


Natalia grande artista. Natalia mulher.
Natalia risonha, trágica, brincalhona, doce...
Natalia e suas visoes, seus sonhos,
seus mil demonios.
Natalia mil mulheres.



Makarova nasceu em 1940. Eu às vezes não consigo acreditar que no próximo ano completará 70 anos. Penso que foi „ontem“ que a vi dançando pela última vez. Foi no célebre „Lago“ com Anthony Dowell no Covent Garden em 1982. Que maravilha. Uma noite e uma performance inesquecíveis. Lembro-me de não poder adormecer no meu quarto de hotel e de ter saído para passear no meio da noite por Mayfair!

Eu sempre achei impressionante como ela conseguia projetar-se no espaço, como se fosse muito maior do que realmente era. A primeira vez que percebi isto foi quando a assisti em „Le Sacre du Printemps“ de Glen Tetley em N.Y., ainda com o ABT.

Durante os anos 70 e 80 os „dissidentes“ estavam „in“: Natascha anunciou, durante uma Tournée do Kirov em Londres, sua intenção de permanecer no mundo Ocidental por necessidade de liberdade artística. Isto aconteceu em Londres em 1970.

Nureyev tinha ficado no Ocidente em 1961, Baryshnikov só viria em 1974, Goudonov (para quem as coisas nao „funcionaram“ tão bem) em 1975. Apesar da imprensa internacional citar muito mais os passos e peripécias de seus companheiros masculinos (as vezes também por razões de nenhuma forma relacionadas à danca) Natascha era A BAILARINA dos anos 70.


Uma outra „lenda“ para mim, Gelsey Kirkland (Vide minha postagem de 29.06.2009) admitiu em sua biografia, „Dancing on my Grave“, sempre ter copiado „descaradamente“ Natascha. Também na magreza.


Natascha influenciou toda uma geração de bailarinas. Infelizmente não é todo corpo que é tão „magro“ como o de Natascha. Muitas bailarinas do ABT, New York City Ballet etc. tiveram grandes distúrbios relacionados à bulemia e à anorexia – inclusive Gelsey (que hoje em dia prega o „Thin, in Ballet, is not „in“!).

Não devemos esquecer de sua remontagem de „La Bayadére“ ainda nos anos 70 e – bem depois de ter parado de dançar - seu „coaching“ com a maravilhosa canadense Evelyn Hart que „reinventou“ completamente suas Odette/Odille com um „empurrãozinho“ de Natascha.

Um de seus poucos „empreendimentos“, que realmente não me agradou, foi sua „excursão“ ao teatro Musical em „On your Toes“. Até hoje não compreendo como ela recebeu um „Tony“ em 1983, por sua atuação na Broadway. Achei-a terrível. Também seu discurso de agradecimento foi meio „embarassing“. Mas esta é uma opinião minha.

Existe em DVD um péssimo programa de televisão, do final dos anos 80, chamado „Natascha“ (a direção e a camera são reamente péssimas!) no qual uma curta cena de „On your Toes“ foi colocada. Nao acho que ela „falando“ esteja à vontade, „no seu elemento“ como na Dança. Uma bailarina tão maravilhosa… o que importa sua voz? Mas pelo que li Natascha tem trabalhado desde os anos 90 como atriz. Também em russo.


Existem dúzias de vídeos seus no Youtube… Odette, Odille, aulas, ensaios, Kitri, Julieta, Manon, Aurora, A Morte do Cisne… uma maravilha depois da outra. Quiz porém colocá-la aqui em Raymonda. Uma das minhas preferidas variações! Acho-a musicalmente de uma exatidão maravilhosa… perfectly pin-pointed (o que para mim significa nunca adiantar-se, nem que seja por um milésimo de segundo). Perfeita!
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