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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mesas, Obras-de-Arte, Amigos queridos, Memórias e Rituais...

Adoro mesas... sim, elas nos reúnem ao redor da comida, nos levam para mundos distantes através de sabores exóticos ou caseiros, em longas conversas. São o lugar de maior comunicação e até de eloquencia numa casa… Aqui ainda nos reunimos muito para comer juntos. Sós ou com convidados. O “modernismo” dos jantares micro-ondas e de cada um comendo no seu “comodo” ou em frente a um computador ou à uma televisão ainda não se apoderou de nós… Lutamos com bravura contra certas "inovações" da sociedade atual... Estamos virando dinossauros mas como os amigos gostam...



As minhas mesas são na maioria das vezes muito simples, clássicas… “Brinco” um pouco mais com cores na época do Natal!



Detalhe, voces devem estar a se peguntar: por que laranjas à mesa? Meu pai, Fritz Leitner, me contava que durante sua infancia na Austria ele todo Natal recebia “laranjas da Espanha” – e o par obrigatório de skis – na época ainda de madeira… Colocar laranjas à mesa no dia de Natal é trazer de forma papai, a memória de um homem brilhante para perto da gente… Tudo tem uma história...



Adoro mesas bem postas… Elas revelam o carinho com que tratamos nossos convidados e nós mesmos. Transformam e apoiam essa comunicação acima mencionada ainda transformando-as mais num ritual. Como comer sempre deveria ser!
A “sensualidade” do “comer bem” que é tantas vezes esquecida.

Mesas de festa em dias especiais são importantes para mim…



Tenho uma grande fascinação por mesas brancas… como há pouco tempo aqui em casa decorei uma para um jantar com amigos. Adoro ver a comida em pratos ou brancos ou transparentes (Alguém já comeu creme de espinafre sobre um prato azul claro? Eu já… e não recomendo!)



A simplicidade deve se extender pelo “roteiro gastronomico” que oferemos – Não sou muito fã de muitas misturas… Principalmente desdes minhas viagens pela Asia nos anos 80 e 90... Jamais esquecerei o que um médico nutricionista em Singapore me disse... Muito me impressionou a forma dele descrever nossa alimentação "ocidental"... Desde então cozinho muito mais e amo apaixonadamente os melhores ingredientes, especiarias, cheiros e texturas, os selecionando com conhecimento, instinto, carinho e preocupação mas jamais exagerando em suas misturas… A simplicidade é saudável. Emocional-, gastronomica- e visualmente!

Adoro porém a "fartura emocional" de como nos são comunicadas as mesas do pintor suéco Carl Larsson como publicadas em seus livros de aquarela. O mais belo trabalho jamais feito sobre uma família, sua família… Vale realmente a pena ver, comprar seus livros! Retratam de forma sublime o dia-a-dia de sua família, as festas (como a de Santa Luzia no dia mais longo do verão, 21 de junho), as crianças crescendo, sua esposa cozinhando, sendo mãe, envelhecendo… um trabalho de altíssima sensibilidade e qualidade!

…e aquela "generosa fartura visual" tão típica dos dias de festa… Como me baseio nelas, nas mesas de Larsson, da Suécia as vezes...






Uma gostosa memória: uma das mesas mais lindas que vi foi na casa dos amigos Suely e Ricardo Stambowsky em setembro de 2008. Perfeita. Simplicidade, Finesse e boníssimo gosto em abundancia (pratos lindíssimos por sinal! Amo!).



Um jantar perfeito no qual eles reuniram alguns de seus mais queridos amigos ao meu redor. Um encontro tão agradável que durante ele fiz novos amigos com quem tenho o prazer de estar em contato até hoje!



Um momento muito querido e extremamente agradável. Eles são grandes anfitriões! Um dia vou copiar para eles umas „notas“ que li sobre Vivien Leigh e como preparava suas “Dinner-parties”. Semelhanças incríveis entre os livrinhos de anotações de Vivien e Suely...



Elegancia perfeita – da comida à mesa, da decoração aos convidados:

Menos é sempre mais!

Mas como dizia o anúncio com Audrey Hepburn para Longines? Elegance is an attitude! (e eu adiciono: que não pode-se nem aprender nem comprar...)




Fotos publicadas com autorização de Ricardo Stambowsky (que repondeu ao meu pedido com uma generosa e expontanea exclamação, tão típica dele: "Com prazer! Use e abuse!". Como eu disse: Elegance is an attitude. MESMO!)

Nota (Dezembro 2011): o resto desta "Tertúlia" foi deninitivamente excluído pelo fato do autor não mais se identificar com o conteúdo e não mais ter contato com as pessoas nela citadas.

sábado, 1 de maio de 2010

REMEMBERING: Dolores Duran & "A Noite do meu Bem"

Realmente já fazia algum tempo desde que as Tertúlias se ocuparam d'um tema sómente nacional. Com grande prazer comento hoje um grande "ídolo" meu!
Dolores Duran
Este “mito” (que tinha o nome burgues de Adiléia Silva da Rocha) de quem não sabemos muito, é, de certa forma, um sinal de interrogação na música popular brasileira. Cantora de “boites” e depois do rádio, da televisão e de discos, parceira de Jobim em canções como «Por causa de voce» e «Estrada do Sol», ela foi uma da poucas brasileiras que chegou a fazer uma tournée pela antiga União Soviética em 1958. Depois em Paris, onde passou certo tempo, ela conheceu muitos “ícones” do panorama internacional (Ella Fitzgerald disse que a melhor interpretação que conhecia de “My funny Valentine” havia sido cantada por Duran).

Sua morte prematura (um ataque do coração supostamente causado por uma “overdose” de barbitúricos) nos privou de um talento que ainda teria muito o que contribuir e dar... Imaginar que outros caminhos a MPB teria tomado sob sua influencia é tarefa difícil para nossas mentes. Pouco se sabe sobre ela mas as “lendas urbanas” (como noitadas e bebedeiras com outros compositores e "artistas" no então famoso “Beco das Garrafas”) viraram folclore com o passar do tempo. A boemia de um Rio que se acabou... Esta sensível (e machucada?) mulher abandonou este mundo aos 29 anos, em 1959, e nos deixou um dos maiores “poemas” musicais jamais compostos no Brasil: A Noite do meu Bem. Que mestra das palavras… Quanta delicadeza de expressão! De certa forma Duran e «A noite do meu bem» serão eternos! Admiro talento assim. E muito.


Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem

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Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! eu quero o amor o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda ternura que eu quero lhe dar.

(Dolores Duran)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro (e a "Cidade Maravilhosa"): Quo vadis?


O nosso Theatro Municipal no Rio de Janeiro só completou 100 anos. Isto não é muito em termos de história. Principalmente aqui na Europa.
Mas ele, de qualquer forma simboliza e representa toda uma outra época e também a cultura internacional ainda tão prezada no Rio, muito da cidade "maravilhosa" e do pouco que restou dela… Penso como minha amiga Eliana Caminada: "Meu Rio de Janeiro começa no Centro da Cidade e vai até a Av. Niemeyer..." Nunca esquecerei o dia em ela disse isso - Estou de pleno acordo, o meu também!
Cartões postais maravilhosos estes mas ao mesmo tempo assustantes.

Como que numa questão de só 100 anos uma cidade pode mudar tanto? Como pode ter sido tão mutilada e destruída? E tudo isto em nome do chamado „progresso“? É realmente „progresso“ (e qualidade de vida) viver no alto de um prédio como num poleiro? É realmente „progresso“ cortar-se árvores e deixar de ver crianças brincando e rindo nas calçadas da cidade? Deixar de ver idosos nos bancos das praças? Ter que ir a um Shopping porque as casas de Chá, Leiterias, Confeitarias já não mais existem? Toda uma geração de engenheiros e arquitetos deve pensar assim. Vejam o que fizeram com nossas cidades. Vejam só que « cidades maravilhosas » temos hoje em dia no Brasil… Herdeiros do Sr. Niemeyer e seu amor pelo concreto? Infelizmente o trabalho de Niemeyer para mim (estudei também arquitetura) é como “Cinema-Novo”… Envelheceu rápido, antes do tempo, por ser muito vinculado à uma era e situação social muito especial... Se pensar-mos sériamente sobre Juscelino Kubitschek... Bem, meu pai amava o trabalho do Sr. Niemeyer. Este sempre foi um ponto sobre o qual discordávamos profundamente.
Admiro-me até que uma certa « elite » das cabeças « pensantes » do Rio de Janeiro (nota: esta não é minha opinião pessoal) ainda não quiz colocar nosso Theatro, este símbolo, o Museu Nacional de Belas-Artes, a Biblioteca Nacional abaixo como fez com o Palácio do Monroe (que „fechava“ perfeitamente a perspectiva da Cinelandia). Nossa, poderiam-se colocar tantos estacionamentos e Shoppings em todo aquele areal... ou será que pensam que o nosso Templo cultural deveria voltar a ser fechado para Bailes-de-Carnaval? A Ópera de Viena é fechada na mesma época para o Baile da Ópera... mas "Carnaval" como nos anos 60 (e 70?) no Rio, com as pessoas semi-nuas, suadas, bebadas ou vestidas de "hawaianos"? Pobre Theatro - os vexames pelos quais já passastes...

Outro assunto:

Aqui uma pequena e simples homenagem, não aos bailarinos, músicos, cantores, maestros, coréografos, estrelas que atuaram no nosso Theatro, mas sim aos que nunca são mencionados. Nunca. Em nenhum lugar. Todos aqueles que estão nos bastidores e fazem tudo possível. Todos aqueles talentos cheios de habilidades brasileiras.
Aqui, como um exemplo, um programa de 1978… só para citar alguns nomes! Cliquem na imagem para ampliá-la. MUITO OBRIGADO! Voces também fizeram TUDO tornar-se possível!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Te quiero (Mario Benedetti)

Neste lindo dia 22.05.2009 queria colocar aqui o texto de uma canção de amor... sim, só de uma canção de amor…
Canção e poema de Mario Benedetti, interpretados pela talentosíssima Nacha Guevara.
Nacha era uma mistura andrógina de David/ Angie Bowie, Brecht/Weil, Musicais e Lucille Ball. Uma figura "limpa", branca, alva no palco. Delicada, ousada, forte, fresquíssima... Linda, linda, linda...

Tive a grande sorte e a incrível de honra de assistir Nacha em sua única visita ao Rio de Janeiro, em 1976. Vi seu espetáculo no Teatro Casa Grande (ainda existe?) e no dia seguinte “esbarrei” literalmente com ela no “Canecão”antes de uma apresentação de “Deus lhe pague” com Marília Pêra (que devia estar bem nervosa nesta noite!).

Seu “Show” chamava-se “Nacha de Noche”. Que grande profissional!
Num minuto ela cantava « Bundas y tetas » (”Tits and Ass” do, na época, famosíssimo “A Chorus Line”) fazendo-nos chorar de rir para logo em seguida nos fazer realmente chorar de emoção ao “recitar” “Un Padre Nuestro Sulamericano » (« Padre Nuestro que estás en los cielos, junto a las golondrinas e a los missíles, no te olvides de nosotros que estamos aqui al Sur del Rio Grande… ») culminando, sorrateiramente, com uma canção de amor descabido como esta, « Te quiero », de Mario Benedetti, do poético ciclo « Canciones de Amor y Desamor ». Sim, de amor e desamor...
Esta é uma das poucas canções de amor que incluem moral, política, ativismo e até dever cívico… uma beleza ! Completa...

Justamente hoje quero colocar esta canção aqui. E mais do que nunca compreendo este maravilhoso texto e o porque de Nacha tê-lo cantado, cada vez com mais emoção durante todos estes anos… e tantas coisas aconteceram com/para ela... como por exemplo o exílio madrileno (Nacha teve que afastar-se da Argentina na segunda fase peronista do país!).

Ouçam com paciência esta obra-prima e leiam este texto emocionante… que densidade de emocoes...

Te quiero


Si te quiero és porque sós,
Mi amor, mi complice y todo,
en la calle codo a codo,
somos mucho más que dos,
somos mucho mas que dos…

Tus manos son mi carícia
Mis acordes cotidianos
Te quiero porque tus manos
Trabajam por la justícia

Si te quiero és porque sós,
Mi amor, mi complice y todo,
en la calle codo a codo,
somos mucho más que dos,
somos mucho mas que dos…

Tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
Te quiero por tu mirada
que mira y siembla futuro

tu boca que es tuya y mia
tu boca no se equivoca
te quiero por que tu boca
sabe gritar rebeldias

Si te quiero és porque sós,
Mi amor, mi complice y todo,
en la calle codo a codo,
somos mucho más que dos,
somos mucho mas que dos…


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Y por tu rostro sincero
Y tu paso vagabundo
Y tu llanto por el mundo
Porque sos pueblo
Te quiero

Y porque amor no es aureola
Ni candida morajela
Y por que somos pareja
Que sabe que no esta sola

Te quiero en mi paraíso,
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso

Si te quiero és porque sós,
Mi amor, mi complice y todo,
en la calle codo a codo,
somos mucho más que dos,

En la calle codo a codo,
somos mucho más que dos.


e aqui uma Nacha mais madura, mais velha (fará 70 anos no dia 3 de outubro de 2009), mas eternamente "touching":
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Sim, neste lindo dia!
Neste rico e abencoado 22.05.2009!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Av. Copacabana, Discos, TV, Produtos, Anúncios etc. e tal: memórias bem pessoais de uma infância em Copacabana nos anos 60.

Comentário da “redação”: Nossa, esta postagem saiu longa! Foram dias e dias do maior “brain-storming” para me lembrar de tantas coisas. E estou certo que esqueci de centenas de outras... Já estou curioso com os “inputs” e com as lembranças de todos!

Tantas coisas que vivemos e tivemos na nossa infancia são referenciais para o resto de nossas vidas. Passei minha unfancia em Copacabana, numa época em que não éramos tao massacrados pelo “consumo” como hoje em dia, mas mesmo assim existiam coisas que “tínhamos” que ter e que faziam parte do “status” que possuíamos ainda na escola primária (A coisa ficou anos depois mais séria e complicada quando na adolescência descobrimos “Marcas” e “Griffes”): Os brinquedos quando não importados ou enviados ou por meus avós da Austria ou por minha tia que morava em Londres, eram da “Estrêla”... Joguinhos (“Memória”), brinquedos mais básicos (“Bambolê”) e até invenções geniais (Quem se lembra do “Fio Mágico” que parecia uma pistola e na frente tinha uma espécie de fio de arame que esquentava e com este podíamos cortar isopor perfeitamente? Como eu gostaria que isto ainda existisse... logo na Europa onde as vezes necessitamos cortar isopor para fins de isolação...).
O mais engraçado era que todos nós tínhamos os mesmos brinquedos. Do velocípede ao Autorama e até aos bonequinhos de plástico de Walt Disney que acompanhavam as garrafinhas de Coca-Cola (ou as de Crush? De Grapette? Nao me lembro mais)


até aquele joguinho de “Varetas”... ou “Monopólio”...

Ser “igual” era um “Must”. Num ponto porém eu não era... Na minha casa a comida sempre foi meio diferente da casa dos meus amigos... Comíamos muito “Gulasch” com bolinhos de pão, assados diferentes, peixes defumados, Liptauer e queijo de primavera com pão preto e pepinos em conserva, muitas Panquecas bem fininhas com geléia ou açúcar e canela acompanhadas de um bom chocolate quente aos domingos e festejávamos a Páscoa em grande estilo comendo fillets de “Haddock” cozidos no leite, o que meus amiguinhos achavam estranho pois eles só ganhavam ovos de Páscoa e assistiam aqueles filmes deprimentes nos quais Jesus só aparecia de costas(!!!!!!).

Mas esta, às vezes maravilhosa, influência européia vinda do meu pai, deixou-me adorando coisas que eu só via nas casas 100% brasileiras. Casas onde na hora do lanche eram servidos biscoitinhos Maria com Manteiga, onde se tomava suco de Cajú “Maguary”, onde se comia pastéizinhos feitos de Massa “Nápoli”. Casas onde o lanche de domingo tinha Guaraná, Q-Suco (ou Ki-Suco?),


e Pão doce com aquele creme amarelo (e perigosíssimo) de qualquer padaria.

Casas nas quais as sobrêmesas eram “Gelatina Royal” (e não pudim de Sêmola com suco de groselha quente ou “Apfelstrudel”, que hoje em dia amo!).

Meu pai orgulhava-se de uma geléia que comíamos em casa (“Homemade”) e dos frios da “Santo Amaro” de São Paulo, na melhor tradição alemã/austríaca... Eu achava o máximo quando era convidado para comer fora de casa e comia geléia (ou era marmelada) da “Cica” (terrível!) e aquelas salsichinhas em lata (estas nem mencionar!). Bem, certas coisas eu realmente não voltaria a comer mas outras, Uhmmm! Na nossa casa nunca entrou nem “Pão frances” nem coentro... Tudo o que hoje “amo”!

Acho que meu pai nunca tocou num livro de Jorge Amado, apesar de amar “Stanislaw Ponte Prêta” (o fabuloso Sérgio Porto... lembram do “Samba do crioulo doido”??? Hoje em dia título políticamente meio incorreto, nao?) e seu “Febeapá”... lembram? O FEstival de BEsteira que Assola o PAís! Sérgio Porto também tinha suas "Certinhas do Lalau" - lista esta na qual apareceram nomes como Carmen Veronica, Iris Bruzzi, Elisabeth Gasper, Neide Aparecida e tantas outras... Mas, tirando a parte “gastronômica” e “literária” éramos na maioria das vezes todos parecidos...

Todos tínhamos uma Televisão (Acho que a nossa era uma “Philco”) com aquele seletor de canais rotativo – e todos nós tínhamos que nos levantar para trocar de canal. No Rio "pegávamos" a TV Excelsior (2) com suas boas novelas... "Os quatro filhos", "A megera domada", "Redencao",

a “TV Globo” (4) ainda com as novelas de Glória Magadan – durante o “reinado” dew Ioná Magalhães - com o seu “Padrão Globo de Qualidade” ainda sendo desenvolvido por Walter Clark) , a “TV Tupi” lá na Urca (6)

onde Neide Aparecida fazia anúncios dos brinquedos nos intervalos do “Teatrinho Trol” (mas a querida da garotada era "Norminha Blum" que sempre era a heroina, a "boazinha"!),

a “TV Continental” (9) e a “TV Rio” (13), que era lá no posto seis de Copacabana.

Existiam muitos progamas de música e cantores como Doris Monteiro, Lenny Everson, Lana Bittencourt, Carlos José, Ivon Cury, entre outros, tinham sua fama...

Vimos o anúncio da Danone, revolucionar a publicidade no Brasil...

E nossos pais fumavam - era chic, nao? - os mesmos cigarros. O meu fumava “Minister”.

Todos colocavam “Um Tigre no seu carro”...

mas, morando em Copacabana, ir ao centro, tomar lanche na “Mesbla” era “longe” assim como a Sorveteria do “Moraes” no Leblon... Só no fim-de semana!

As revistas mais lidas eram “Manchete”, “Fatos e Fotos” e “O Cruzeiro” (Não era aqui que aparecia o “Amigo da Onça” na última página?). Os jornais eram “O Jornal do Brasil”, “O Globo”, ambos como até hoje, mas existiam também “O Correio da Manha”, “A última Hora” e até o sensacionalista “O Dia”. As “nossas” revistinhas eram “O Pato Donald”, “Mickey”, “Tio Patinhas”, “Luluzinha”, “Super Homem”, “Super Boy”, “Ferdinando” – Mônica e Cebolinha ainda não haviam sido criados. Amávamos na TV “Os Fintstones”, “Pepe Legal”, “Zé Colméia” e “Os Jetsons”. Eu comprava minhas revistinhas aos sábados na “Banca” do “Seu Atílio” (Esquina de Av.Copacabana e Rua Dias da Rocha). Todos frenquentávamos os lindos Cinemas de Copacabana. As primeiras televisões a cores (monstros imensos de uma profundidade assustadora) apareceram só nos anos 70. Como meus amiguinhos íam lá para casa ver nossos desenhos-animados...

Comprava-se Pipoca e “picolé” da Kibon nas carrocinhas da esquinas (E aqueles Senhores de branco que vendiam uns espetinhos de uvas carameladas? Nunca provei). Mandava-se amolar as facas com o amolador, que tinha uma máquina barulhentíssima. Na praia uns coitadinhos vendiam “Mate-Limão” debaixo daquele sol sem piedade! Os taxis não tinham ar-condicionado e os chauffeurs usavam gravata!!!!! Os açougues eram um horrores cheios de sangue e vacas inteiras ficavam de cabeça para baixo, penduradas (Admiro-me que não viramos todos vegetarianos!). Na Rua Barata Ribeiro havia uma loja que vendia galinhas e frangos vivos. Todos passavam pelo outro lado da rua – o cheiro era insuportável!

Todas as empregadas tinham um “radinho” (as vezes de pilha) na cozinha. O leite era em garrafa (depois era vendido em sacos, que furavam por qualquer coisa... ). Todo mundo foi ver as obras do “Calçadão” da praia de Copacabana, a Abertura do Corte do Cantagalo e a Rainha Elizabeth com Prince Philipp quando passearam de carro-aberto pela Avenida Atlântica durante sua visita ao Rio... O terrorismo ainda não tinha sida descoberto...

Haviam assaltos e roubos mas não como hoje. O Rio de Janeiro vivia cheio de turistas e a “Garôta de Ipanema” (..é ela menina que vem e que passa!) tinha acabado de “passar”.

Todos ficamos em casa, assustados com as notícias do desabamento do elevado Paulo de Frontin no Rio Comprido ou, numa outra ocasião, com o incêndio do Edifício Andraus em São Paulo. Todos assistimos “Miss Guanabara”, “Miss Brasil” e “Miss Universo”. E a todos os festivais de “Canção” no Maracanãzinho pela televisão... O FIC (Festival internacional da Canção) assim como os concursos de fantasia durante o carnaval! Clóvis Bornay, Evandro Castro Lima e Wilza Carla pareciam ganhar todo ano!

E como faltava água no Rio de Janeiro...

E a Av. Copacabana?

Toda criança que “se prezasse” era apanhada na porta de casa pelo Onibus da escola particular e usava “Japona” de la (azul marinho, por favor!) comprada no Pavilhão (onde fui visitar o “Capitao Furacão”) na Avenida Copacabana, alí, bem ao lado do “Bicho-da-Sêda” que está na esquina da Constante Ramos. Sim, o Pavilhão se encontrava entre uma loja de brinquedos (que depois transformou-se na “Entrelivros”) e o “Bicho-da-Seda”. Atravessando a “Constante” se chegava à “Ducal” (uma loja de Roupa masculina) e passando para o outro lado da “Av.Copacabana” estava a “Polar” (loja de calçados). Fazendo a volta completa, ou seja, cruzando-se a Constante Ramos de novo, chegáva-se ao Supermercado “Gaio Marti” e ao lado deste existia uma casa de lanches (da qual eu adorava a “Pizza”): “A Brasiliana”. Seguindo-se em direção à Rua Santa Clara passava-se pelo “Helio Barki” (boa loja de cama-e-mêsa, com vários andares e com uma filial do lado oposto da Av.Copacabana), pelo “Cinema Copacabana”, pelo “Mercadinho Azul” (onde comprei muitos disquinhos compactos para a minha vitrolinha portátil, inclusive “Satisfaction” dos Rolling Stones que eu cantava aos berros aos 5 – sim, cinco – anos de idade em 1965! A loja, lembrei-me, chama-se “Copadisco”... a “Modern Sound” também nao existia... foi criada no final dos anos 60 e era uma “lojinha” só). Passando pelo Cinema Arte-Palácio, via-se já a linda “Sloper” e as “Lojas Brasileiras” (onde eu comprava moedinhas de chocolate, Balas Soft - que eram duras! - e Drops Dulcora!) do outro lado da Avenida




e aí era só um pulinho para passar pelo Metro Copacabana, a sorveteria “Zero”, o “Cirandinha” (que existe até hoje, graças a Deus, com seus cajuzinhos, olhos-de-sogra, brigadeiros e um “divertissement” de salgadinhos bem engordativos!) e a “Barbosa Freitas”, uma loja de departamentos linda, que lembrava, com suas escadarias, boas vendedoras e bom serviço de atendimento, a um magazin em Paris... Bem, se continuássemos pela Av.Copacabana (uhmmm... o sanwich “angélico” do “Gordon”!) e a atravessásse-mos chegaríamos na “Galeria Menescal” (uma jóia arquitetonica dos anos 40) – e qual era a criança que não ficava encantada com aquela loja de flores que tinha “água escorrendo” pela vitrine?????

Antes de ir para escola se assistia no canal 4 “Unidinitê” com a Tia Fernanda e um pouquinho do National Kid em suas inesquecíveis aventuras e lutas contra os “Inca-Venuzianos” que gritavam “Auíka!” (Sei cantar a canção de abertura até hoje, num “japones” inventado...) .


Os tempos passaram, tudo mudou, a infância se foi e Copacabana transformou-se quase num outro bairro sem seus cinemas, sem sua linda Confeitaria Colombo e boas Lojas.

Mas uma coisa aconteceu durante uma estadia no Rio que foi extremamente interessante. Foi supreendente constatar que na maioria de casas de pessoas, que não se desfizeram dos seus “discos”, ainda são encontrados muitos discos que “Todos” compravam (e que “tinha-se” que ter!).
Comprava-se na época muitos discos com trilhas sonoras de filmes... e esta foi a real “inspiração” para esta postagem que ficou um pouco mais longa do que o previsto já que nao consegui freiar as memórias que estas capas de disco trouxeram...

A Volta ao mundo em 80 dias – que produção mais incrível...

A Noviça Rebelde – quem nao viu na época? Eu assisti não sei quantas vezes!

Glen Miller Story – com James Stewart & June Allyson,

My Fair Lady – nao faltava em nenhum lar. Já a versão com Bibi Ferreira e Paulo Autran não vi muito,

Mary Poppins – que não podia faltar em casas com criança! Este filme foi meu primeiro encontro com Julie Andrews, que transformaria-se numa paixao para a vida toda.

Candelabro ItalianoSuzanne Pleshette (oh, que linda!) e “Aldi lá”,

Born Free com a orquestra de Percy Faith (“Livre”, que também era cantada em portugues por Agnaldo Rayol... )

E para os mais modernos, principalmente para a minha prima:
Chubby Checker – que também foi muito tocado quando meus pais davam festas para dançar o « Twist «,

Rita Pavone, juventude "transviada",

a « terrível » Gigiola Cinquetti,

Tijuana Brass,

Sergio Mendes

e para finalizar esta seleta lista : Trini Lopez

Tudo isto para não mencionar os compactos : Quem se lembra do sucesso «Pata-Pata » da sulafricana, já falecida Miriam Makeba?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Lili (MGM 1953)


Quando eu era menininho existiam ainda nos (muitos) cinemas de Copacabana as chamadas “Sessões infantis”.
O Metro Copacabana fazia muitas (além dos seus “festivais”: Greta Garbo, Operetas de Jeanette MacDonald e Nelson Eddy etc.). Esse cinema era uma maravilha e amávamos não só os filmes maravilhosos (Assisti “O mágico de Oz” pela primeira na minha vida, lá!) como também toda a atmosfera daquele “templo”: O tapete alto e fofo, o Foyer com retratos de artistas da Metro e lindos espelhos, as paredes revestidas de mogno e – indescritível – o melhor ar-condicionado que conheci (até hoje...) em toda minha vida! Era tudo tão “Radio City Music Hall” e ainda por cima “bem na esquina de nossa casa”. Quem não conheceu esses cinemas não conheceu o Rio, a cidade maravilhosa que foi, numa época que parece estar distante “anos luz” de 2009...

“Lili” (MGM 1953) foi um desses filmes que deixou em todos nós profundas lembranças e esperanças... da mesma forma como também para gerações anteriores e posteriores à minha. Claro que depois eu comecei a admirá-lo pela produção, danças, atores (Mel Ferrer também incrível neste filme, seu último papel principal em Hollywood... Inexplicável, principalmente porque este filme foi um grande sucesso de crítica e bilheteria!), roteiro... e até por seu valor literário (o livro original é do maravilhoso, inteligentíssimo Paul Gallico, um homem cheio de fantasia – vide minha postagem de 10 de junho de 2008 sobre ele, onde Lili também é mencionada) mas o rostinho, a sinceridade, a fantasia da orfã Lili jamais desaparecerá de dentro de mim. Graças a Deus!

Eu me lembro muito bem do texto da musiquinha de Lili em português. Este disquinho (compacto, transparente e azul!!!! ) era constantemente tocado na minha vitrolinha portátil de plástico cinza que eu levava para cima e para baixo (funcionava com pilhas!) em todos os passeios e de férias para Penedo:


“ Um passarinho me ensinou
uma canção feliz.
E quando solitária estou,
Mais triste do que triste sou,
Recordo o que ele me ensinou...
Uma canção feliz...

Eu vivo a vida cantando,
Hi Lili, Hi Lili, Hi lo…
Por isto sempre contente estou,
O que passou, passou…
O mundo gira de pressa
E nestas voltas eu vou.
Cantando a canção tão feliz que diz,
Hi Lili, Hi Lili, Hi Lo...
Cantando a canção tão feliz que diz,
Hi Lili, Hi Lili, Hi Lo... ”


Para quem quizer lembrar-se de Leslie Caron e de sua maravilhosa Lili (Caron foi indicada para o Oscar em 1953 por este filme, como seria anos depois no seríssimo “The L-shaped Room”), aqui o texto original e uma ceninha que vive de certa forma nos corações daqueles que ainda são jovens...

“On every tree there sits a bird
Singing a song of love
On every tree there sits a bird
And every one I ever heard
Could break my heart
Without a word
Singing a song of love

A song of love is a sad song
Hi-li Hi-lili Hi-lo
A song of love is a song of woe
Don't ask me how I know
A song of love is a sad song
For I have loved and it's so

Hi-lili Hi-lili Hi-lo Hi-lo
Hi-lili Hi-lili Hi-lo
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A song of love is a sad song
Hi-lili Hi-lili Hi-lo
A song of love is a song of woe
Don't ask me how I know
A song of love is a sad song
For I have loved and it's so

Hi-lili Hi-lili Hi-lo Hi-lo
Hi-lili Hi-lili Hi-lo"

Uma pena este filme nao existir em DVD... Gostaria tanto que voces revissem todas as quatro marionetes... as quatro personalidades de Mel... (existem outras versoes mais longas no Youtube...). Mas o que eu queria fazer aqui foi feito. Trazer do passado a carinha, a inocencia, os olhinhos cheios de luz e a sinceridade da linda Leslie/Lili...