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domingo, 10 de abril de 2016

Shall we dance?

A sunday afternoon...


Is there a more perfect time to watch this?

sexta-feira, 4 de março de 2016

Oscar: uma "Collage" dedicada ao Musical...

Para começar o fim-de-semana de forma leve, o que melhor do que uma pequena reverencia, homenagem ao filme musical?

Como a capa do (meu) livro mostra; all singing, all dancing...


Neste caso, aqui vai, um pedacinho da cerimonia do Oscar de 1989 – um dos videos que reencontrei por acaso aqui em casa (e transformei em DVD para “a posteridade”) e que andam me divertindo MUITO!

O foco, neste caso em particular, São está nas cenas dos filmes musicais e sim no corte desta “collage”: Magnífico trabalho, quase artesanal, que consegue em curto tempo nos prender a atenção, levar por um mundo de Technicolor, Cinemascope & Stereophonic Sound e motivar a ver outros filmes do genero…

Só assistindo à uma homenagem deste genero nos damos conta das centenas de talentos que povoavam o cinema, nas telas e atrás delas, nos anos 30,40, 50... que maravilha!

Sim, quero um fim-de-semana musicado (nada melhor do que uns filmes leves e descomplicados para acompanhar o belo resfriado pelo qual passo…), quero dois dias de Fred, Ginger e Judy...

Comentário: como o “Oscar” mudou nestes últimos 27 anos, não acham?

domingo, 17 de janeiro de 2016

Deborah Kerr: our love Affair (An Affair to remember, 1957)


Um eterno e lindo filme – por mais „schmalzy“ que seja – para nos fazer chorar de emoção... e de felicidade!

Sempre amei e sempre amarei Deborah Kerr.


Para mim ela simboliza a dignidade, a classe de muitas „britanicas“ (ela era escocesa) com seu maravilhoso porte, sua pele branca e uma elegancia discreta, quase em “understatement”…
Breeding… good breeding… very good indeed.
E tudo isto além de ser uma fortaleza, em relação ao seu trabalho, atrás desta fachada de “english rose”.

Já nao se "produzem" Ladies como essa... "saíram de moda"!

E que orgulhoso sou, neste caso, de ser démodé!

Como alguém disse um dia, sábiamente: ela possui “aquela qualidade” que nos faz entender porque “eles” (os britanicos) ganharam a Guerra.

Obrigado Miss Kerr por esta maravilhosa cena, que é, mais uma vez, mais do que bem-vinda nesta fase de minha vida - uma que está cheia de amor.

domingo, 27 de julho de 2014

Auntie Mame: Life is a banquet


“Um clássico perdido”, como hoje em dia este livro é mencionado…


Já há muito tempo penso em escrever sobre este tema… mas não conseguia me decidir COMO, já que ele se diversifica em tantos outros… “Auntie Mame”, o livro, o personagem, a peça de teatro, o filme, Rosalind Russell, Angela Lansbury, Bea Arthur, Lucille Ball e, acima de tudo, Patrick Dennis (Edward Everett Tanner III, 1921-1976, o maravilhoso, “flamboyant”, genial autor!).

Para ser muito sincero ainda não sei ao certo onde e como realmente começar…

Me ocorre porém que, ao redescobrir o livro “Auntie Mame” há alguns anos (Graças a Deus este título foi redescoberto e “tirado do fundo do baú” para ser mais uma vez publicado!) não só o “devorei” como também o presenteei a vários amigos.

Uma destas pessoas (uma alemã, daquelas "estacionadas” em 1968), que infelizmente tem aquele tipo de “postura” literária “cliché” que tenta se definir como “muito aproximada a um certo intelectualismo”, torceu o nariz e me deu a entender que não o tinha lido até o final… Uma pena – para ela - , pois perdeu uma das melhores oportunidades de ler “uma lição de vida” regada ao molho de bom-humor, positivismo, felicidade, diversão e “chic”. E isto por causa de seu preconceito. Exatamente uma das coisas que Mame Dennis mais detestava na vida…

Sim. Mas, porque este cliché que filosofia só pode ser pensada, respirada e articulada por caras lavadas como, por exemplo, Simone de Beauvoir? Ora… não machuca ninguém ser mais aberto para outras facetas da vida… E é esta a real filosofia de Mame Dennis: Life is a banquet and most poor sons-of-bitches are starving to death!!!!


Mame Dennis, “filha” da era da depressão, é um dos personagens mais deliciosos da literatura Americana – uma glamourosa, energética, incansável socialite (descrita por Patrick Dennis como “intoxicatingly perfumed”; ela considerava as 9:00 hs da manhã como “o meio da noite”), que luta batalhas não só pela felicidade mas também por justiça social e contra os preconceitos da chamada “classe média”… Uma delícia!

Patrick Dennis narra a estória e nos fala de imortais personagens como Vera Charles, Agnes Gooch, Ito, Mr. Babcock e Beauregard Jackson Pickett Burnside… Esta foi a razão do porque deste livro ter sido recusado por 19 editores… Não “se narrava” um livro… Depois de publicado em 1956 “Auntie Mame” esteve por dois anos na lista dos best-sellers do New York Times, junto com “Guestward, Ho!” e “The loving couple”, trasformando assim Dennis no primeiro autor a ter tres livros ao mesmo tempo nesta lista. Por sinal: a primeira edição de “Auntie Mame” vendeu mais de 2 milhões de exemplares transformando-o, da noite para o dia, num milionário!


Muitos sucessos vieram – inclusive “Little me” (uma deliciosa biografia sobre uma péssima atriz – de certa forma muito próxima à imagem de Zsa Zsa Gabor) que como “Mame” se transformaria num musical da Broadway. Mas, um dia Dennis saiu de moda, separou-se de sua família assumindo sua homossexualidade, perdeu toda sua mal-administrada fortuna, caiu na obscuridade e acabou sua vida trabalhando como mordomo, inclusive para a família Ray Kroc (fundador do McDonald’s). Dennis comentou uma vez sériamente: “I would rather serve these people than have to talk to them” (Prefiro servir estas pessoas do que ter que conversar com elas).

Dennis, que havia (mais uma vez) assumido um novo pseudonimo, Edwards, havia se desfeito de todos seus bens materiais, mantendo consigo sómente um original de “Vanity Fair” de Thackeray, um volume de “Etiquette” de Emily Post (!?!) e um dicionário para “Palavras-Cruzadas”. “Estou embarcando no que sera provávelmente a melhor carreira que já tive”, disse na época.

Hoje em dia Dennis, com esta “resurreição” dos últimos anos, é considerado como uma espécie de “Noël Coward Americano” (apesar de eu não gostar deste tipo de comparações).

O personagem Mame Dennis foi criado como um “espírito livre” que mostra ao seu sobrinho como viver a vida ao máximo… e neste processo ela inclúi lições nada ortodoxas (o próprio Dennis tirou um dia seus filhos da escola e levou-os para assistir o “Folies Bérgère” dizendo para sua professora: “Eles aprenderão mais comigo”). Por este e vários outros motivos é mais do que óbvio que, apesar de várias Senhoras da família de Dennis terem clamado ser “a inspiração para Mame Dennis”, a deliciosa tia não é ninguém menos ou mais do que o alter ego do próprio Patrick Dennis.


A (também) deliciosa Rosalind Russell deu vida à Mame no palco da Broadway em 1956 – e seguiu para Hollywood para mais uma vez entrar na alma da sua criação no filme que mais renda deu em 1958. Para mim Roz Russell é a eterna Mame, sua mais pura personificação.


Em 1966 o musical “Mame” foi criado para Angela Lansbury que teve que ceder seu lugar para Lucille Ball no homonimo filme de 1974. O início dos anos 70 não era realmente o solo mais fecundo para a personalidade de Mame Dennis, não depois de “Hair”e Woodstock – mesmo assim “Mame” foi um grande sucesso de bilheteria… apesar da crítica não ter sido nada gentil com “Lucy”.

Comparando porém as “Mames” de Russell e Ball (em celulóide) nota-se uma diferença crucial: Russell é “Comédia sotisficada” até debaixo das unhas do pé, Ball é mais “Pastelão”… Mesmo assim, cada filme tem suas virtudes e em ambos a mensagem principal existe: LIVE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Abaixo Roz no palco e num still publicitário do filme. Abusando do direito de ser charmosa...


Finalizo esta “Tertúlia” com duas exclamações feitas sobre Dennis. A primeira de Matteo Codignola da Editora italiana “Adelphi”: “Uma das razões do seu (“Auntie Mame”) sucesso é a sua clara mensagem – Não tem que se viver como ovelhas de um rebanho. Voce pode reinventar sua vida. Ela pode ser bizarra e livre, e um pouco mais aprazível“.

A segunda de seu filho Michael Tanner (1956): „Ele (Dennis) queria ser uma pessoa convencional… e ele simplesmente não era“.

Assim como Auntie Mame… Life is a Banquet!


quinta-feira, 10 de abril de 2014

(I'm always) chasing Rainbows...


Encontrei esta ceninha de „Ziegfeld Girl“ (MGM, 1941). Sim, encontrei pois nunca havia assistido-a.
Judy (e sua transbordande sinceridade), Lana Turner e até Hedy Lamarr (linda!) me deram prazer…

Estranho como coisas certas aparecem na hora certa na nossa vida… Mas sempre repitimos: “Não existem coincidencias”, não é? Mais uma vez Judy e um „rainbow“ na minha vida…

Apesar de conhecer a música por "toda uma vida", a realmente "ouvi" ontem... aqueles fenomenos (lindos) de sensibilidade que a vida, o tempo e a idade trazem consigo...


Me dar realmente conta que eu também estou sempre «chasing rainbows» (apesar de não lutar ativamente para faze-lo), fez-me ontem bem, muito bem… e eu estava precisando!

De certa forma ainda acredito infantilmente que todos deveríamos ter o direito de ser felizes… Mas existem, infelizmente, tantas pessoas que adoram atacar os outros, transformar bons momentos em momentos negativos e tudo isso até «dando a bandeira» que estão apreciando suas “patifarias”.


Mas, pensando bem e "invertendo o jogo" (no sentido positivo da expressão): não deveríamos, na realidade, dar «Graças a Deus» por estas «criaturas» existirem? Sem sua «existencia», sem sua presença não daríamos o devido valor, não nos daríamos conta dos tantos amigos, das pessoas boas, honestas, carinhosas, sinceras que enchem nossa vida…

e "daquele" amigo que temos no nosso interior, dentro da nossa alma… nós mesmos!

Chasing Rainbows… always…

domingo, 23 de março de 2014

Uma cena, um beijo...


São alguns destes poucos e arrebatadores momentos nas telas os que deram ao Cinema o nome de “A sétima Arte”.


Hitchcock, nos deixa aqui boquiabertos: está tudo aí… a maravilhosa camera, as cores difusas, a transformação da vulgar Judy (Kim Novak) na cultivada Madeleine (Kim Novak), a música que nos dá uma “surra” de tanta emoção, o olhar de loucura de Jimmy Stewart (não é suprema loucura uma pessoa querer transformar uma pessoa numa outra?), o cenário – que durante o beijo transforma-se nas cavalariças onde ele uma vez beijou Madeleine… ou Judy… Mas ele não sabe disso…

"Vertigo" descaradamente baseado em "As you desire me" (com Garbo, Melvyn Douglas & Erich von Stroheim) que por sua vez foi inspirado por uma peça teatral de Pirandello

Mas isto realmente importa? Não estou hoje aqui para discutir “Vertigo” como filme… queria só avaliar e reavaliar esta cena, para mim, magnífica, inesquecível, uma obra de arte!

Um daqueles momentos que nos arrebata completamente, que tira nossa respiração, que nos mostra uma "paixão" possessiva e descabida e que, no escuro do cinema, nos faz sonhar, voar longe com atores, atrizes, cores, trilhas musicais, luzes, truques… como eu gosto de deixar “me levar assim” por estes diretores que tão bem entendiam do seu ofício…

Thanks, Hitch!

Sentem-se, relaxem, put your feet up e enjoy! CINEMA no puro sentido da palavra…

segunda-feira, 10 de março de 2014

Take a feeling: Monotony...


Eu sei que já publiquei esta canção aqui uma vez... há muito...


Mas sei também que é um dos meus números prediletos do grande acervo da MGM…
e apesar de ter sido cortado do fabuloso “Easter Parade” (Desfile de Páscoa, 1948), ele nos mostra uma Judy que, nas palavras de Mickey Rooney, estava «at her very best, at the top of her career». Concordo.


E com toda a simplicidade dos momentos eternos, Judy, num trajezinho que viraria sua “marca registrada”, sem cenários, sem grande mis-en-scene, cantando sem “floreados” e repetindo propositalmente os monótonos acordes escritos por Irving Berlin, nos diz "tudo". Sai das telas e conquista a sala do cinema para nos encher de calor com sua interpretação.

Résumé: um daqueles curtos momentos que nos esclarece o porque deste imenso talento ter sido uma estrela tão única em seu magnetismo...


Que maravilha… uma eterna jóia musical e cinematográfica!
Viva os acervos das grandes Companhias da « Fábrica dos Sonhos ». Como gostaria de ter um trabalho lá… pesquisando… Imaginem só o que eu faria... sim, seriam as reais "Adventures of Ricardo in Wonderland"!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

The man that got away...


Quantos talentos reunidos numa só cena.

Neste marco inesquecível do Cinema: A Star is born, 1954


Inolvidável Judy, grande James Mason, Tommy Noonan, Harold Arlen e sua fantástica música, a direção sublime de George Cukor, a camera de Al Green, a iluminação perfeita que da vida àquela atmosfera que só artistas realmente podem entender: depois de cantar uma noite inteira e vender sua alma, eles se encontram depois do show para CONTINUAR a cantar... e dar sua alma.

E para quem não me acredita: vá depois de qualquer show na Broadway ao Bar do “Algonquin” em N.Y.


Hoje só celebrando estes talentos, a voz de Judy Garland no seu apogeu… e sua interpretação… ah… maravilhosa, neurótica, viva, de carne e osso (e muitos nervos!), completamente exposta. Como Professor Higgins em “Lady” inteligentemente diria:

“As raw as meat in a butcher’s window”.

Bravo! How I like that!



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Schumann & Katharine Hepburn: Träumerei e a simplicidade...


Mesmo usada (e abusada) para fins comerciais, piegas, baratos (vezes até grotescos), esta "simples" melodia sobrevive...

Sua simplicidade é o que a torna mais fascinante, inimitável, conquistadora e, ao meu ver, muito difícil!


Aquela "simplicidade" sobre as coisas essenciais da vida, extremamente presentes no trabalho de Robert Schumann: honestidade, calor humano, sorrisos, apego e amor. As coisas "pequenas" da vida, como alguém uma vez colocou muito inteligentemente (e ironicamente) em palavras.

Quantas vezes na minha vida já ouvi: "Ah, isso é muito fácil de tocar"
Sim, verdade, encarando-se só o lado técnico... mas fácil de "sentir" e "interpretar"? Jamais.
Para mim este "sentir" é parte essencial da própria técnica e sem ele, nem o mais técnico dos técnicos nos emocionaria.
Na música, no teatro, no Ballet, no Cinema, nas Artes plásticas, na literatura...

Gosto do momento deste video: aqui "dublado" (o magnífico Arthur Rubinstein tocou) por ninguém menos do que nossa maravilhosa, querida, eterna Katharine Hepburn (Song of love, MGM, 1949).

Ela saía finalmente da longa fase de trejeitos dos anos 30 & 40 e tranformava sua arte numa coisa mais simples, translúcida, transparente, universal.

Esta é a Kate que nos encanta até hoje. Poucas desenvolveram como Kate esta virtude, este talento infinito... até o final de sua vida... aprimorando-se a cada dia até chegar aos momentos nos quais bastavam sómente um olhar - sim, um único - para delatar toneladas e toneladas de sentimentos... e simplesmente nos "emocionar simplesmente".



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um final nada feliz...

Aqui uma postagem "reciclada" de 3 de dezembro de 2011...

Considero „Funny Girl“ uma pequena preciosidade.
Uma peça, um filme único sobre a vida de Fanny Brice que lançou um talento único: Streisand (em 1964, na data que estreiou "Funny Girl" Streisand ainda era uma "menina" de 21 anos de idade... )


(para quem não sabe: eu NÃO sou fã de Streisand… acho que com o passar dos anos ela deixou para trás a “menina Jiddish” para transformar-se numa persona “larger than life”, associadíssima à California e muito chata… mas a Streisand dos primeiros anos, dos primeiros discos, dos primeiros shows de televisão, dos primeiros filmes, era adorável… como em “Funny Girl”, uma biografia bem “criativa” sobre a vida de Fanny Brice, seu primeiro filme).


O final do filme deixa porém, para mim, algo a desejar e quando me refiro a um final nada feliz, não estou referindo-me à triste estória de amor entre Fanny e Nick
Na versão da Broadway o show terminava com uma repetição de “Don’t rain on my parade”, mostrando que esta mulher era forte, corajosa, cheia de energia…


Na versão para o Cinema esta música foi trocada por um velho sucesso de Fanny Brice: My Man… Para meu gosto, uma típica canção de “vítima”. Uma canção cantada por uma mulher dependente, burra (“Two or three girls has he, that he likes as well as me… But I love him” Ora, que absurdo… Oh, Nick, "vá plantar batatas!"), oprimida… O desempenho de Streisand neste número pode ser singular e espetacular mas esta canção transforma o personagem Fanny, no final do filme, numa mulher completamente oposta ao que tínhamos visto nas duas horas prévias… como se houvesse desaprendido tudo o que levava na sua "mala"...

Um final nada feliz para o filme…

Acho, porém, que uma outra mudança “da Broadway para Hollywood” foi ainda bem mais trágica. Ela está relacionada também ao final do filme, já que involve a troca da canção anterior a “My Man”. No filme Streisand canta um curto, sincero número chamado “Funny Girl”, que foi composto especialmente para o filme (para justificar o título do filme… como se isto fosse necessário… ). Gosto muito desta canção… mas é um monólogo que ela faz sobre si mesma. Não questionando o amor que sente por “Nick” e sim indagando se ela é realmente uma “funny girl”. Uma direção completamente oposta ao roteiro original faz com que o personagem perca totalmente sua “força”:

A canção que estava neste “Spot” da peça é uma outra preciosidade que ficou, por assim dizer, “perdida”. Não fez parte de nenhum disco de Streisand (com exceção do disco da gravação do elenco original em 1964), do seu repertório…


Só depois de bem mais velha Streisand redescobiu este tesouro que havia perdido, há muito tempo… mas com sua (criada) afetação californiana não deu mais a “rendition” que dava, quando era ainda a “menina Jiddish” do início de sua carreira … Esta música é como uma moldura sobre o caráter de Fanny e seu (descabido) amor por Nick – mas em nenhum ponto ela transforma-se na vítima sofredora e dependente em que se transformou cantando “My Man”. Ela constata um amor ("in everyway, everyday I need less of myself, I need more him...") mas jamais ela é "a vítima".


Sim... um final nada feliz para o filme…

Procurando na Internet não consegui encontrar uma foto sequer deste número – que ela cantava no seu camarim de teatro… por isto, aqui o interior da capa do disco, escaneado hoje… a foto abaixo é a da mencionada cena:
“The Music that makes me dance”.


Como só existem videos mais recentes de Streisand cantando esta música (que nada me agradam), decidi colocar aqui uma outra “funny girl”: Liza Minneli (ao lado de Mikhail Baryshnikov) no empoeirado “Baryshnikov on Broadway”.
Liza sensacional dando vida à esta beleza de melodia (e texto):
(HIS IS THE ONLY) MUSIC THAT MAKES ME DANCE…



...e para quem ainda tiver a paciencia de "ouvir" (inclusive "introduction"), aqui a menina Streisand em 1964 cantando esta maravilha!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"Our love affair" (1957)


Será que alguém ainda se lembra deste esquecido filme que nos fez chorar e soluçar de tanta emoção numa época em que tudo, e talvez nós também, éramos mais "naïve", profundamente mais impressionáveis e definitivamente muito mais puros? Penso em épocas nas quais a palavra "terrorismo" ainda era inexistente...

Que épocas...


Reassistindo nos últimos tres dias uma antiga série inglesa chamada “A woman of substance” na qual a querida Deborah Kerr tem um dos papéis principais, fiquei pensando sobre esta “english rose” (na realidade nascida na Escócia) que nos fascinou durante décadas numa grande diversidade de papéis…

Esta “classe” nata parece ter desaparecido das telas. Ela não mais existe. Saudades destas «Ladies» do cinema, principalmente destas «english roses»: gentis, delicadas, de bom gosto, simples, discretas mas fortes como aço quando necessário. Sim... com aquela qualidade - que alguém colocou tão bem em palavras – que nos faz entender «o porque deles terem vencido a guerra». Saudades destas atrizes...


Vou dedicar minhas próximas semanas aos filmes de Kerr que já há muito não assisto… Começarei talvez hoje mesmo com “Narcisso Negro”.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Fred & Ginger: I'll be hard to handle! (RKO, 1935)

Para ser extremamente franco... só duas palavras...

To be extremely honest... just two words...


QUE MARAVILHA!

HOW MARVELOUS!




sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tap, Tap... Tapioca (Julie Andrews & Thoroughly Modern Millie, 1967)



Tapioca não é nada mais nada menos do que fécula de Mandioca… proveniente do Nordeste do Brasil, ela foi levada para toda a América do Sul e mundo afora pelos portugueses e espanhóis, principalmente para a Asia e Africa…

Muitas vezes confundida com o Sago (sagú), que é original da Nova Guinea, a tapioca também é usada em sopas, doces, taças frias de sobremesas e Pudins… Nas ilhas britanicas e nos U.S.A. a Tapioca é constantemente usada nos maravilhosos pudins feitos com leite e Arrowroot… no Brasil deliciosamente chamada de araruta… proveniente das Américas, estudos arqueológicos nos deram evidencia do cultivo da araruta há mais de 7000 anos… ah… se as baianas e seus tabuleiros soubessem disso…


Semana passada encontrei num supermercado asiático Tapioca e resolvi fazer um “Tapioca pudding” na mais pura tradição inglesa (preparo-me psicológicamente para o meu anual “Plum Pudding” natalino!). As bolinhas de fécula sugaram tanto o leite morno na qual ficaram de molho que acabei com DOIS imensos pudins!

Mas se voces acham que esta é uma tertúlia culinária, muito se enganam…


Em “Thoroughly Modern Millie” (Positivamente Millie, 1967, George Roy Hill), um dos filmes mais deliciosos que conheço e “precursor” de uma onda de “nostalgia” que povoou as telas dos Cinemas dos anos 70, existe uma animadíssima cena dedicada à Tapioca…


“Jimmy” (interpretado pelo seríssimo ator britanico James Fox) quer dar um nome para uma nova dança que está querendo criar numa festinha dum pensionato de moças… pergunta a Millie (positivamente darling, Julie Andrews, maravilhosa na última chance que teve de fazer uma “ingénue”) o que comeu de jantar…

Não ficando muito contente com a perspectiva de chamar sua dança nem de "Franks" e nem de “Sauerkraut”(por razões bem óbvias… ) pergunta a Millie “O que mais?”. Com sua resposta “Tapioca pudding” sua inspiração é aguçada e se completa... Viva!!!!


Ele transforma esta fécula de Mandioca num delicioso, divertido, animadíssimo número de sapateado… “de lambuja” em papéis secundários Mary Tyler Moore e a maravilhosa, legendária Beatrice Lillie como Mrs. Meers... a dona do hotel que vende suas hóspedes como escravas brancas – mais sobre Bea Lillie outra vez!


Tap, Tap, Tapioca everybody!


I simply adore it!


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Judy Garland: the great Lady has an Interview (1946)



The Great Lady Has An Interview
, número do filme da MGM de 1946 “Ziegfeld Follies”, tem toda uma excitante história de criação, inventividade, espontainedade e "daquelas" casualidades... daquelas que fazem de uma obra de arte algo indiscutívelmente eterno!


Kay Thompson, uma das mais fortes personalidades que já trabalharam em Hollywood teve em 1945 a idéia para “The great Lady”: uma paródia sobre uma “atriz de peso”, uma “Lady” da sétima Arte na melhor tradição de uma Bette Davis ou de uma Greer Garson. Ela idealizou, escreveu, compos e fez o arranjo musical e vocal do número…

“The great Lady” conta a estória de uma “atriz de peso” que está cansada de ter papéis monumentais em filmes monumentais… Filmes e papéis destinados a ganhar “Oscars”.

Ela literalmente "sonha" por papéis mais “sexy” no qual ela possa mostrar mais pernas, atuar mais com seu “torso”… Ela sonha e se compara à Betty Grable, à Ginger Rogers


Mas seu próximo filme já está fixo e marcado, uma biografia sobre “Madame Crematante” (Gretchen Crematante, entre nous...), a inventora do alfinete de seguranca!!!! E é isso o que ela relata ao senhores da imprenssa, aos “members of the fourth state”.


Na realidade Kay, com o imenso humor que possuía, havia composto o número especialmente para Greer Garson – atriz “de peso” da época conhecida dos grandes dramas e (também) por filmes “biográficos” como “Madame Curie”.

Quando Kay apresentou porém o projeto e o número para Greer, acompanhada sómente por um piano, esta, que não era realmente conhecida pelo seu humor e não era particularmente amiga de comédias, recusou o número na hora!

Não são todos os seres humanos que tem o dom de saber rir de si mesmos…

Vincente Minnelli
, amissíssimo de Kay e que na época namorava Judy Garland teve a espontanea (e genial) idéia de colocar sua futura esposa neste papel.
Ele havia colocado Judy no seu primeiro papel adulto em “The clock” (1945) que porém ainda não havia estreiado… Apesar da relutancia da MGM em colocá-la neste papel, Minnelli “matou dois coelhos de uma cajadada”: não só conseguiu este genial pedaço de “casting” como também conseguiu ser ele mesmo escalado para dirigir o número (Charles Walters, que haveria dirigido , recebeu um outro número no filme, ficou porém como coreógrafo de “Lady”.


Nascia um trabalho de puro genio: a combinação Garland-Thompson-Minnelli-Walters criou um dos mais originais números musicais jamais feitos na Metro. Sim trabalho de puro genio…

Thompson, que tornou-se a melhor amiga de Garland e madrinha de Liza (com quem morou até sua morte) faria, como atriz, o famoso “Funnny Face” (1957) ao lado de Fred Astaire e Audrey Hepburn e teria a rara distinção de ser talvez a única atriz que roubou descaradamente a cena enquanto contracenava com Fred em “Ring them bells” – mas esta é uma outra estória… ).


Kay Thompson trabalharia muito no futuro vocalmente com Garland, alcançando talvez o ápice da sensibilidade de um trabalho em conjunto no número “Look for the silver lining” (Veja a “tertúlia” de 04.12.2012).

Além disso tudo “The great Lady” tem outra distinção: décadas antes de “Rap” existir, Judy nos dá aqui, com o arranjo e direção vocal de Thompson um “show de Rap”.


Confiram!

Judy: afetadérrima, pseudo-dramática, pseudo-britanica, histérica, empostadíssima, diferentíssima de seus papéis juvenis, cheia de ares, de caras e bocas e divinamente louca! Uma danadinha!!!!!
Quanto talento! Admiro, Adoro!

domingo, 22 de setembro de 2013

Fanny & Le parapluies de Cherbourg: Temas franceses vistos por dois pontos de vista…


Se existem dois filmes, que na semente de sua trama principal, tem um enredo/roteiro parecidíssimo estes são “Fanny” (Joshua Logan, 1961) e “Les parapluies de Cherbourg” (“Os guarda-chuvas do amor”, Jacques Demy, 1964): nos dois a “heroína” engravida do namorado que vai embora da cidade onde moram, deixando-a para que se case com um homem que não ama. O Namorado não sabe do nascimento do filho (Fanny) / filha (Parapluies).

Uma coisa porém sempre me deixou curioso… A forma como Joshua Logan teve um “olhar tão frances” através da camera e de sua direção, da mesma forma como Demy teve um “olhar extremamente Americano” no seu filme…

Ambos filmes práticamente “esquecidos” hoje em dia… Mesmo assim quero colocar aqui dois (tres na verdade) curtos videos destes dois trabalhos, pedindo que comparem o olhar frances de um diretor Americano ao olhar Americano do diretor frances quando tratando o mesmo tema… Amor frustrado... Muito interessante…


“Fanny” surpreende pelo desempenho (e beleza) de Leslie Caron, numa fase muito “atriz”, vinda do precioso filme ingles “The doctor’s dilemma” (1958) e indo para o aclamadíssimo “The L-shaped room” (1962) no qual não só ganharia um troféu da BAFTA (British Academy of Fim and Television Arts), como melhor atriz, como também seria nominada para um merecido Oscar…


Uma cena que me fascina... Marseille, Notre Dame de la Garde, as vendedoras de peixe no porto vistas pelos olhos de Josh Logan... (Perdoem-me, foi impossível fazer um upload desta maravilhosa cena entre - as atrizes - mãe e filha em ingles, idioma original do filme...)



E aqui algumas outras cenas, em original... um filme tão precioso... uma jóia esquecida!



“Les parapluies de Cherbourg” é talvez hoje só lembrado pela (lacrimogenica) música de Michel Legrand e por ter sido um dos primeiros filmes (o terceiro na verdade) de Catherine Deneuve.

Apesar da primeira parte do filme (que é na íntegra cantado) agradar muito, principalmente pelo seu uso de cores (muitas delas quentes), ele perde em “ritmo” na sua segunda parte e tende a tornar-se muito “piegas” pelo tratamento que dá à gravidez indesejada de Geneviéve (Deneuve).


Aqui a cena final do filme, no posto de gasolina "americano", com uma árvore de natal "americana" e com o penteado "americano" de Catherine: Amor frustrado, incapacidade de expressar-se, dois estranhos sem saber o que dizer... triste momento porém muito verdadeiro.