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terça-feira, 10 de abril de 2012
Salomé... Oscar Wilde e sua alusão à Lua!
Todos conhecemos a estória bíblica de Salomé, enteada de Herodes, filha de Herodias que (para a consternação do padrasto e deleite da mãe) pediu numa bandeja de prata a cabeça de Jokanaan (João Batista) como recompensa por ter dançado a erótica “Dança dos sete véus” para Herodes. O fabuloso e único Oscar Wilde escreveu sua versão teatral, em frances (fato até hoje não muito bem explicado) em 1891. Os ensaios para a primeira produção Londrina comecaram em 1892 mas foram parados quando a peça foi vetada por Lord Chamberlain “por uso ilegal de personagens bíblicos” e “imoralidade”. A peça foi publicada pela primeira vez em 1893 em Paris e um ano depois na Inglaterra com uma (pobre) tradução feita pelo amante de Wilde, Lord Alfred “Bosie” Douglas e ilustrações do magnífico Aubrey Beardsley. Estas ilustrações viriam a inspirar a “louquíssima” Alla Nazimova no seu filme de 1923… Até hoje é fascinante o uso do “preto e branco” no figurino deste filme… este baseado fielmente nos desenhos de Beardsley, os quais são, para mim as imagens DEFINTIVAS de Salomé… O traço e o tratamento extremamente erótico do material são qualidades únicas de Beardsley que poderia ter tido uma carreira magnífica não tivesse morrido aos 25 anos de idade! A primeira produção estreiou em França, mais precisamente em Paris, em 1896, época na qual Wilde já se encontrava na prisão… Apesar de algumas poucas apresentações em Londres (todas em caráter privado), “Salomé” só iria estreiar oficialmente para o publico em 1931 – a proibição da peça por Lord Chamberlain durando, na Inglaterra, quase 40 anos. Tanto tempo esperou esta Obra-prima, esta alusão à Lua, pelos palcos londrinos... “Salomé” inspirou muitas outras obras. Mais notávelmente a Ópera de Richard Strauss. Uma atriz chamada Maud Allan criou em Viena em 1906 uma produção chamada “Visão de Salomé”, baseada livre- e vagamente na “Salomé” de Wilde. Principalmente a dança dos sete véus transformou esta peça num evento “notório”, quase pornográfico, para a época. Um processo foi aberto contra Adams por “promover imoralidades sexuais” no palco. A diretora/atriz russa-americana de “vanguarda”, Alla Nazimova, atuou o papel feminino principal de “Salomé” num "delírio" de Art-Deco, Ballets Russes, Beardsley e Vanguarda. Seria sua última "aventura" Hollywoodiana depois de "Camille" (com Valentino). Dois fracassos consecutivos foram o suficiente para acabar com Alla, que só voltaria nos anos 40 como a mãe de Tyrone Power em "Sangue e Areia" às telas. Baseado fielmente no texto de Wilde, o filme foi uma espécie de homenagem a Oscar Wilde: todo o elenco era homosexual – o que, ampla- e abertamente mencionado pela “mídia” da época, transformou o filme num certo “escandalo”. Principalmente o fato de Alla ter querido usar Rudoph Valentino no papel de João Batista – o que “confirmou” de certa forma os boatos que circulavam sobre a sexualidade do jovem galã… Interessantemente um fato é sempre esquecido ou ignorado: na realidade a peça e a maioria das versões cinematográficas é dominada pelo personagem de Herodes, este sendo na realidade o “principal ator” da obra. Ken Russell dirigiu uma outra versão cinematográfica em 1988, chamada “Salome’s Last Dance” na qual uma apresentação de “Salomé” é feita especialmente para Oscar Wilde. Num bordel. Herodes dominando a apresentação. Mas com todo o respeito e carinho por Hollywood tenho que admitir que uma das coisas mais ridículas e absurdas da história do Cinema é a versão com Rita Hayworth, Charles Laughton como Herodes, Judith Anderson como Herodias, Stewart Granger como um soldado romano pelo qual Salomé se apaixona e Aland Badel como João Batista. Apesar de ser baseada no Novo Testamento o filme não segue de nenhuma forma o texto bíblico… João Batista acusa Herodias de adultério por ter-se casado com Herodes, irmão de seu ex-marido (!!!). Salomé apaixona-se por um soldado romano que se converteu ao Cristianismo (!!!). Exatamente por motivos completamente contrários aos citados na Bíblia Salomé dança para Herodes para SALVAR João Batista (!!!!) mas não se sucede e fica horrorizada… Ela renuncia sua mãe, Herodias, que planejou tudo e ordenou a execução de João, e transforma-se também numa cristã! A última cena nos mostra Salomé e o soldado ouvindo Cristo num sermão. Agora eu me e lhes pergunto: eu aguento um absurdo destes?????? Salomé uma moça boa, religiosa e comportada????? Esta, infelizmente, nem EU posso desculpar em Hollywood...
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Dorian Gray (2009): a alma, o juízo e Botox...

"The artist is the creator of beautiful things. To reveal art and conceal the artist is art’s aim. The critic is he who can translate into another manner or a new material his impression of beautiful things." (“O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte. O crítico é aquele que pode traduzir para uma outra forma ou para um novo material, a sua impressão das coisas belas”)
Oscar Wilde, Prefácio de “O retrato de Dorian Gray”
Assisti no sábado passado a nova versão de „Dorian Gray“ de Oliver Parker, o jovem (1960) e muito britanico diretor de "Othelo" (1995), "An ideal Husband" (1999) e "The importance of being Earnest" (2002) - os dois últimos com o genial Rupert Everett.
Achei este novo trabalho interessante, bem feito e quase fiel à obra de Wilde. Diferente de versões já vistas… como por exemplo a com Hurd Hatfield

ou a com Helmut Berger.

O jovem Ben Barnes não nos encanta a partir do primeiro momento.

A célebre “Beleza” de Dorian “falta” de certa forma. Mas Barnes é um bom ator e com o passar do tempo acreditamos no seu personagem – principalmente pela forma como sua libertinagem e vida sexual dissoluta nos é mostrada – o que não teria sido possível na versão da MGM de 1945… apesar desta ter “acabado” com a carreira de Hurd Hatfield pelas sugestões sobre a bissexualidade de Dorian… Lembram-se quem foi seu primeiro amor, Sybill Vane? Angela Lansbury. Sim, ela também foi jovem um dia…

Muitos “erros” foram, em comparação às versões anteriores, “concertados”, retificados. Por exemplo sua «noiva» não é filha do pintor do retrato e sim de Lord Henry Wotton, que colocou toda uma noção hedonística na cabeça de Dorian (da qual ele nunca se libertou). Por outro lado o pintor, que na realidade é apaixonado por Dorian e por sua “beleza”, recebe até um “agradecimento” deste em forma sexual.
O filme porém falha terrívelmente no final. Não vemos um desesperado Doriam querendo se "redimir", querendo acabar com o quadro e enfiando-lhe uma faca – a fonte de todo seu sofrimento que provávelmente se tornaria eterno. Vemos porém Lord Henry incendiando-o… o que não tem nada que ver com a obra de Oscar Wilde e tira muito do "caráter" do personagem “Dorian”.
Um detalhe chamou-me demais a atenção (Achei-o por sinal magnífico): Muitas vezes se vê o sótão (onde o retrato de Dorian ficou escondido) do ponto de vista da pintura. Sim, a luz é mais clara, “branca” e ao mesmo tempo difusa – diferenciando assim a forma com que o quadro “vê” em comparação à forma com a qual os personagens “vêm”. Temos a sensação que o quadro “vive” e presencia toda a tragédia.

Outro ponto fascinante para mim é a forma como o “Millieu” baixo e sórdido, no qual Dorian circulava e “vivia” todas suas perversidades, “cheira” mal e lembra demais o ambiente sujo e vezes nojento criado por Wilde no seu romance pornográfico “Teleny” (ainda hoje discute-se se a Wilde é realmente o autor). Por falar-se em pervesidade… aqui uma definição do próprio Wilde:
"perversidade é um mito inventado por gente boa para explicar o que os outros têm de curiosamente atractivo".
Me resta só dizer que acho “Dorian” e sua estória, hoje em dia, em tempos de um enlouquecido “culto” à juventude e inconsiderada “cobiça de viver” cada vez mais rápida- e intensivamente, mais do que relevantes.
Hoje Botox & Plásticas apagam os rastros da vida de qualquer face – e suas «vítimas» não perdem suas «almas» como Dorian, mas talvez o juízo…

Estudos começam a provar que Botox não só paraliza a “mímica” do rosto com também o cérebro…
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terça-feira, 22 de julho de 2008
The Nightingale and the rose (Oscar Wilde)
Os anos passam e às vezes nos lembramos com muito prazer e afeto de alguma coisa que, em alguma época de nossas vidas, disfrutamos muito... Ontem olhando meus livros encontrei um volume de contos e estórias curtas de Oscar Wilde e folheando este reecontrei, com muito prazer e muito afeto, "The nightingale and the rose". Trinta anos depois de ter lido este conto pela primeira vez, fiquei ainda mais emocionado com sua simplicidade, com sua fantasia e real desfecho (e com toda aquela eloquencia tao wildiana, aqui usada simplesmente para narrar as desventuras deste pequeno e preocupado rouxinol). Coloquei aqui este link para quem quizer le-lo... Vale a pena. Eu recomendo muito!terça-feira, 22 de abril de 2008
Valentino (1977)
Valentino foi, na época, o filme mais caro de Ken Russell, apesar do fato que os $5 milhoes que custou em 1977 parecem ser absurdamente baratos comparados aos orcamentos dos filmes da atualidade. Um fracasso total na época, este filme causou um grande set-back na carreira de Russell, do qual ele realmente nunca recuperou-se.Na verdade, NINGUÉM gostou de Valentino quando ele foi lancado em 1977 – bem, acho que “ninguém” é um pouco exagerado... eu gostei muito, vários amigos meus gostaram muito (!!!???). Mas isto é de uma certa forma explicável. Nós tínhamos amado “The boyfriend” (vide minha postagem) e um ou outro filme de Ken como “Tchaikowsky”ou “Women in love”. Ken vinha nos anos 70 desenvolvendo aos poucos uma outra linguagem cinematográfica em filmes como “Mahler”, “Tommy” e “Liztomania”, que nao foram realmente nossos preferidos. Com “Valentino” ele retornou à uma linguagem ligeiramente mais academica (apesar de que Ken Russell e a palavra “academica” jamais vao “rimar”) porém muito ousada. Os fas de Russell citicaram “Valentino” por achá-lo muito pouco experimental e talvez um pouco convencional, a outra metade do mundo achou-o porém demasiadamente experimental, muito inconvencional e “muito louco”. A campanha publicitária nao ajudou nada, especialmente quando foi divulgado que este filme vinha “from the producers who gave you Rocky” !!!!!!! Um filme mais distante do trabalho, da linguagem cinematográfica de Ken Russell nao poderia ser encontrado ou mencionado.
Mas o tempo foi amável com “Valentino”, que parece agora ser muito mais experimental do que na época de sua estréia. E ele ainda é “muito louco”, o que é um grande elogio quando se constata que este filme foi feito há 31 anos!
Ken Russell mistura ousadamente fatos, fantasias e lendas de/sobre/com Valentino e sucede com um “cast” maravilhoso, principalmente com os atores coadjuvantes: uma sincera Felicity Kendal aparece como June Mathis, Leslie Caron “dá um banho” com sua egoísta, neurótica, glamourosa (e quase beirando à loucura) Alla Nazimova (a primeira diretora avant-garde de Hollywood que chocou o mundo com sua “all homosexual” producao de “Salomé” em homenagem à Oscar Wilde), a incrível Carol Kane como a primeira mulher de Valentino, uma mistura de “glamour”, oportunismo, “french fries & ketchup” e sotaque texano é uma delícia - principalmente “dancando” com Valentino, Leland Palmer (que anos mais tarde teria um papel bem destacado em “All tha jazz”) como uma dancarina bebada merece mais do que nosso respeito por um grande, patético momento cinematográfico (com muita técnica além de muita emocao), o grande bailarino britanico Anthony Dowell aparece como Nijinsky numa inspirada (porém completamente fictícia) cena, na qual Valentino lhe ensina “how to tango”...
Apesar de Nureyev e Michelle Phillips (como Natascha Rambova) nao estarem perfeitos nos papéis principais, suas performances nao se desgastaram com o tempo.Visualmente este filme é uma festa, talvez ópticamente o filme mais lindo de Ken Russell, emanando um ar de “riqueza” cinematográfica raramente visto nos anos 70 e desde entao. Como sempre a colaboracao com Shirley Russell é uma coisa fascinante – cada detalhe de vestuário é pura perfeicao!
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