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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
REMEMBERING: Zsa Zsa Gabor... seu humor e (principalmente) "Moulin Rouge" (John Huston)
Nunca fui realmente “fã” de Zsa Zsa Gabor… porém, temos que admitir que, ela projeta uma imagem que é inesquecível…
Nunca foi atriz.
Nunca soube dançar ou cantar.
Falava com um horrível sotaque húngaro.
Nunca foi realmente bonita.
Nem particularmente simpática.
Mesmo assim, não esquecemos dela…
As “más linguas” chamam-a de “A última cortesã”…
Verdade é que, a caminho da Hungria para Hollywood, ela trabalhou como “soubrette” num estabelecimento em Viena chamado “Femina” (!?!) e com todas as mudanças cronológicas de sua auto-biografia ela hoje em dia pode ser considerada a primeira “Miss Hungria” que ganhou este título aos 6 anos de idade…
Mas esta é Zsa Zsa… A Zsa Zsa, que tornou-se socialite em N.Y., chegou a Hollywood como esposa de George Sanders e conseguiu uma “carreira” sua (além de vários outros maridos!).
2012: Fiquei bem revoltado quando a imprensa, com ajuda de seu atual marido, publicou algumas fotos de uma inválida, muito debilitada (inclusive com uma perna amputada) aos 95 anos…
US$-Problems?
Não acho que ela teria gostado disso, se houvesse se dado conta do que fizeram com ela…
Por isso resolvi lembrar de uma imagem que ela deixou em celulóide.
Uma imagem eterna.
A imagem de Jane Avril no (eterno) “Moulin Rouge” de John Huston (liderado com bravura por José Ferrer).
Sua “Jane” é de uma superficialidade tão magnífica, tão "desmiolada", tão encantadora, tão magnética e ao mesmo tempo tão patética que até pensamos por alguns momentos que Zsa Zsa, em seus diálogos com Ferrer (Lautrec),o seu querido "Henri", era atriz (!?!) e que não estava interpretando a si mesma...
E tudo isto apesar de na linda e eterna canção (Moulin Rouge) "dublar" erroneamente várias vogais... Nós "a perdoa-mos por este lapso".
O “legado” de cotações de Gabor é porém eterno, bem-humorado e na realidade bem mais revelador do que era “agradável” (ou “permitido”?) na época…
Por exemplo…
“I never hated a man enough to give him diamonds back”
ou
“He taught me housekeeping; when I divorce I keep the house”
ou
“I call everyone 'Darling' because I can't remember their names”
e
“You never really know a man until you have divorced him”
Porém a melhor cotação de todas ainda é:
"HOW MANY HUSBANDS HAVE I HAD???? YOU MEAN, APART OF MY OWN? "
Mas que rapariga mais assumida, hein ? Viva a danadinha Zsa Zsa!
P.S. Estava eu uma vez, nos anos 80, no aeroporto de Viena e já ouvia pela quarta ou quinta vez a chamada: “Passenger Zsa Zsa Gabor, you are delaying the flight to Budapest” quando, para minha surpresa, vi Zsa Zsa passar a poucos metros de mim, meio “altinha”, “trocando as pernas”, com marido, cachorrinho no braço e uma grande “entourage” atrás dela… Parei e fiquei olhando (e sentindo uma grande nuvem de Chanel Nr.5). Zsa Zsa, cuidadérrima, impecável, das "de antigamente" ainda empoadas, entalcadas, perfumadas... LINDA!
Divas que se criaram à si mesmas. Bravo!
(e um grande Obrigado a John Huston por esta eterna cena!)
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
Smoke gets in your eyes... que música, que dança...
Hoje pela manhã, a caminho do trabalho, ouvi por acaso esta melodia da qual tinha-me já quase esquecido… Há quanto tempo não pensava nela e no maravilhoso número musical com o qual estará para sempre (na minha cabeça) vinculada…
Um número inesquecível de um filme esquecível („Lovely to look at”, MGM 1952), um remake de “Roberta” - no qual Ginger & Fred tiveram uma participação práticamente como coadjuvantes ao lado de Irene Dunne e de um bonito Randolph Scott.
Apesar de um bom elenco (Red Skelton, Kathrin Grayson, Howard Keel, Ann Miller e – pela primeira vez nas telas – a canastroníssima e encantadora Zsa Zsa Gabor), lindos figurinos, maravilhosa música e uma produção impecável, daquelas “ao nível” da Metro, o filme não “acontece”…
Marge & Gower Champion porém roubam o filme.
Ela nunca teve realmente uma carreira “considerada” (físico nada propício à uma bailarina e pernas muito curtas). Ele, como seu contemporaneo Bob Fosse, nunca alcançou sucesso na grande tela. Apesar de muito mais brilho (e técnica) do que Fosse, ele viveria para transformar-se num dos mais prestigiados diretores e coreógrafos da Broadway.
De qualquer forma:
Viva este inspiradíssimo “Smoke gets in your eyes”.
Viva o eterno Jerome Kern e sua música.
Viva a magia do departamento técnico da Metro para fazer desaparecer todos esses cenários.
Viva o figurino, as cores, a orquestração, a camera e a coreografia.
Mas, acima de tudo, Viva Marge & Gower Champion por esta perfeita harmonia que aqui nos presenteiam !!!!!!!!!
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
Kathryn Grayson: 1922 - 2010
Zelma Hedrick poderia ter sido um nome passável para quem nasceu em Winston-Salem, North Carolina mas não era o nome que a MGM queria colocar nas marquises dos cinemas para promover seu maior soprano dos anos 40. Então Kathryn Grayson nasceu!
Hoje em dia não se fala mais deste nome – mas ela foi uma das rainhas da Metro e dos seus gloriosos musicais.
Como vários outros «da casa» (Lana Turner, Mickey Rooney, Ava Gardner, Judy Garland) ela passou por um longo período de preparação para debutar em «Andy Hardy’s private Secretary» - série com Mickey Rooney que era usada como « escada », ou seja como o lugar para o Debut de várias atrizes (por exemplo também Esther Williams) como uma espécie de “teste”. Logo seguiram outros filmes como “Rio Rita”, “Thousands Cheer” e seu primeiro grande sucesso “Anchors Aweigh” (1945) com Gene Kelly e Frank Sinatra.
O «cliche» do «soprano» (Kathryn tinha uma linda coloratura, por sinal) não lhe poupou terríveis filmes e ela foi muitas vezes uma grande vítima da arrogancia dos chamados “filmes de prestígio” da Metro. Lembro-me de uma terrível “Je suis Titania” de “Mignon” num filme esquecido (e esquecível) ao lado de Mario Lanza e David Niven…
Seus tres últimos filmes, respectivamente de 1951, 52 e 53 foram seus melhores:
Como Magnolia em «Show Boat» ao lado de Howard Keel e Ava Gardner (detalhe, a esquecida Miss Grayson era o primeiro nome do elenco !) ela teve a incrível possibilidade de eternizar-se neste “Musical dos Musicais”, com a inolvidável musica de Jerome Kern!
Em «Lovely to look at» (com Red Skelton, Ann Miller, Zsa Zsa Gabor e mais uma vez Howard Keel), um “remake” de “Roberta”, ela teve não só um ótimo papel numa ótima produção mas eternizou uma linda música (Vejam o vídeo abaixo !).
Sua tempestuosa «Lilli Vanessi/Catarina” de “Kiss me Kate” (com Ann Miller, Bob Fosse, Tommy Rall e pela última vez Howard Keel, que provou ter, como Petruchio, um “corpo” neste filme!) acabou com o cliché de soprano, atriz comportada. Kathryn Grayson está simplesmente maravilhosa neste papel. Enfezada, agressiva, "felina"... Outra Kathryn!
Seu “I hate Men” é um dos momentos mais divertidos do cinema musical – e quanta técnica… Uma “megera realmente ainda nada domada”! (vejam minha postagem de 18.02.2009)
Mas a partir de 53 os musicais estavam começando a entrar em declínio, acabar. Seu contrato com a MGM também acabou. Ela ainda fez dois filmes em outros estúdios mas sua carreira havia realmente terminado. Uma pena este "timing" - exatamente quando teve seus melhores papéis!
Há alguns anos revi-a na TV, bem “Senhora” e gorda num episódio the “Murder, she wrote” com Angela Lansbury que sempre primou em trazer “antigas colegas” do cinema de volta às telas!
Kathryn Grayson morreu tranquilamente, dormindo aos 88 anos na noite de 17 de fevereiro passado.
Mais uma estrela para iluminar o céu…
Como disse na ocasião do falecimento de Cyd Charisse – sinto-me meio “viúvo” quando estas lendas do cinema morrem! Obrigado por tudo, Miss Grayson!
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Hoje em dia não se fala mais deste nome – mas ela foi uma das rainhas da Metro e dos seus gloriosos musicais.
Como vários outros «da casa» (Lana Turner, Mickey Rooney, Ava Gardner, Judy Garland) ela passou por um longo período de preparação para debutar em «Andy Hardy’s private Secretary» - série com Mickey Rooney que era usada como « escada », ou seja como o lugar para o Debut de várias atrizes (por exemplo também Esther Williams) como uma espécie de “teste”. Logo seguiram outros filmes como “Rio Rita”, “Thousands Cheer” e seu primeiro grande sucesso “Anchors Aweigh” (1945) com Gene Kelly e Frank Sinatra.
O «cliche» do «soprano» (Kathryn tinha uma linda coloratura, por sinal) não lhe poupou terríveis filmes e ela foi muitas vezes uma grande vítima da arrogancia dos chamados “filmes de prestígio” da Metro. Lembro-me de uma terrível “Je suis Titania” de “Mignon” num filme esquecido (e esquecível) ao lado de Mario Lanza e David Niven…
Seus tres últimos filmes, respectivamente de 1951, 52 e 53 foram seus melhores:
Como Magnolia em «Show Boat» ao lado de Howard Keel e Ava Gardner (detalhe, a esquecida Miss Grayson era o primeiro nome do elenco !) ela teve a incrível possibilidade de eternizar-se neste “Musical dos Musicais”, com a inolvidável musica de Jerome Kern!
Em «Lovely to look at» (com Red Skelton, Ann Miller, Zsa Zsa Gabor e mais uma vez Howard Keel), um “remake” de “Roberta”, ela teve não só um ótimo papel numa ótima produção mas eternizou uma linda música (Vejam o vídeo abaixo !).
Sua tempestuosa «Lilli Vanessi/Catarina” de “Kiss me Kate” (com Ann Miller, Bob Fosse, Tommy Rall e pela última vez Howard Keel, que provou ter, como Petruchio, um “corpo” neste filme!) acabou com o cliché de soprano, atriz comportada. Kathryn Grayson está simplesmente maravilhosa neste papel. Enfezada, agressiva, "felina"... Outra Kathryn!
Seu “I hate Men” é um dos momentos mais divertidos do cinema musical – e quanta técnica… Uma “megera realmente ainda nada domada”! (vejam minha postagem de 18.02.2009)
Mas a partir de 53 os musicais estavam começando a entrar em declínio, acabar. Seu contrato com a MGM também acabou. Ela ainda fez dois filmes em outros estúdios mas sua carreira havia realmente terminado. Uma pena este "timing" - exatamente quando teve seus melhores papéis!
Há alguns anos revi-a na TV, bem “Senhora” e gorda num episódio the “Murder, she wrote” com Angela Lansbury que sempre primou em trazer “antigas colegas” do cinema de volta às telas!
Kathryn Grayson morreu tranquilamente, dormindo aos 88 anos na noite de 17 de fevereiro passado.
Mais uma estrela para iluminar o céu…
Como disse na ocasião do falecimento de Cyd Charisse – sinto-me meio “viúvo” quando estas lendas do cinema morrem! Obrigado por tudo, Miss Grayson!
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