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domingo, 23 de março de 2014
Uma cena, um beijo...
São alguns destes poucos e arrebatadores momentos nas telas os que deram ao Cinema o nome de “A sétima Arte”.
Hitchcock, nos deixa aqui boquiabertos: está tudo aí… a maravilhosa camera, as cores difusas, a transformação da vulgar Judy (Kim Novak) na cultivada Madeleine (Kim Novak), a música que nos dá uma “surra” de tanta emoção, o olhar de loucura de Jimmy Stewart (não é suprema loucura uma pessoa querer transformar uma pessoa numa outra?), o cenário – que durante o beijo transforma-se nas cavalariças onde ele uma vez beijou Madeleine… ou Judy… Mas ele não sabe disso…
"Vertigo" descaradamente baseado em "As you desire me" (com Garbo, Melvyn Douglas & Erich von Stroheim) que por sua vez foi inspirado por uma peça teatral de Pirandello
Mas isto realmente importa? Não estou hoje aqui para discutir “Vertigo” como filme… queria só avaliar e reavaliar esta cena, para mim, magnífica, inesquecível, uma obra de arte!
Um daqueles momentos que nos arrebata completamente, que tira nossa respiração, que nos mostra uma "paixão" possessiva e descabida e que, no escuro do cinema, nos faz sonhar, voar longe com atores, atrizes, cores, trilhas musicais, luzes, truques… como eu gosto de deixar “me levar assim” por estes diretores que tão bem entendiam do seu ofício…
Thanks, Hitch!
Sentem-se, relaxem, put your feet up e enjoy! CINEMA no puro sentido da palavra…
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
REMEMBERING: Bing & Grace - TRUE LOVE...
Ahhh… Vozes…
Desde que, há algumas semanas, „redescobri“ Richard Burton cantando em “Camelot”, tenho me ocupado com estas “vozes“ que povoam a memória da minha infancia e que, de certa forma, ainda povoam minha vida – ou voces acham que eu não aproveito a ida e e volta do trabalho todos os dias para reescutar no carro músicas e vozes que há muito tempo não ouço e desta forma “relaxar”? Tenho a "obrigação" comigo de fazer o máximo para que a vida ao meu redor seja bonita...


O último filme de Grace Kelly em Hollywood foi „High Society“ (MGM, 1956).
Uma deliciosa comédia, que porém não pode ser comparada à maestria do original “The Philadelphia Story” (MGM, 1940).
Este, dirigido pelo magnífico George Cukor e com os talentosíssimos Katharine Hepburn, Cary Grant e Jimmy Stewart nos papéis que vieram ser interpretados (inclusive musicalmente pois o original não era um musical) pela própria Grace, Bing Crosby e Frank Sinatra.


Na versão de 1956, Grace e Bing, interpretam a eterna “True Love”. Música inesquecível, Cole Porter "at his very best", romantica, de uma melodia apaixonante, de um texto simples e – exatamente por este motivo – universal. Quem conhece o amor o compreende perfeitamente…
Texto daqueles que “nos levam numa viagem” (Penso em Tanja Blixen e sua descricao de um “Traveller of Mind”).
Poderia existir filmagem mais apropriada para este amor, para este verdadeiro amor do que esta “viagem” na qual ela vivencia o passado, ainda existente?
Linda a metáfora: eles deslizando pela vida, sendo levados pelo amor verdadeiro (que é também o nome do barco!).


Numa entrevista dos anos 70 Grace Kelly conta (quando já era Gracia Patricia do Monaco) que um dos premios pelo qual ela mais orgulho nutria era um disco de ouro que recebeu por sua interpretação ao lado de Bing Crosby, pois, ao contrário da lenda, ela mesmo cantou!
Também confessa ter tido “algumas aulinhas” de canto de sua carreira e de muito ter-se admirado ao receber tal premio pelo seus poucos segundos na tela cantando, por sua inexperiencia e “pequena voz”. Na minha opinião acho que ela muito se subestima: sua “segunda voz” é encantadora, de agradável sonoridade e de afinação precisa… Além do fato dela merecer o premio só pelo fato de - como "não-cantora" - ter tido a coragem de cantar com Bing... uma das maiores vozes da história!
Espero que voces desfrutem desta canção de amor e a compreendam assim como eu.
Sim, acreditem-me. É o que mais vale na vida: True Love…

Sun-tanned, Wind-blown
Honeymooners at last alone.
Feeling far above par.
Oh, how lucky we are!
While I give to you and you give to me,
True love, true love.
So on and on it'll always be,
True love, true love.
For you and I
Have a guardian angel on high,
With nothin' to do.
But to give to you and to give to me,
Love forever true.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Entrando num Cinema... Uma boa lembrança... Uma gostosa lembrança...
Um dia desses fiz uma pergunta ao Antonio (do excelente Blog “O Falcão maltês”): „Voce se lembra da primeira vez em que entrou num cinema?”
Talvez para gerações mais novas seja um pouco “arcaico” e irrelevante o que quiz sugerir mas eu ainda me lembro muito bem do “acontecimento” de “ir-se ao cinema” e na minha cabeça passa um filme no qual vejo salas e saguões de cinemas como o “Roxy”, “Copacabana”, “Rian”, “Caruso”, “Bruni” mas principalmente o “Metro Copacabana”. Sim o meu querido Metro; aquele “templo” da sétima arte com seu tapete macio e alto, suas paredes de mogno, suas fotos das “estrelas” da Metro, seus espelhos, seu “baleiro” elegante e o melhor ar-condicionado do Rio de Janeiro. Nesse templo assisti “festivais” de Operetas, de Garbo… e nos primeiros domingos do mes o festival «Tom and Jerry» às dez da manhã.
Lá assisti pela primeira vez “O Mágico de Oz”, “Lili” (só esses dois já são dois "marcos" na minha vida), "A grande Valsa", "Oh! Marietta", "Rosemarie" (sendo filho de autríaco assisti, melhor, tive que assistir toda e qualquer Operetta já produzida nesse planeta!) e tantos, tantos outros... até “The Boyfriend” com Twiggy no início dos anos 70… Que templo…
O Metro não "cheirava" a Rio de Janeiro e sim a uma Hollywood enfeitada de sorrisos de Jeanette MacDonald, de olhares afetados de Miliza Korjus, de notas maravilhosas e bem cantadas de Ilona Massey (como p.e. em "Balalaika"), do mistério de Garbo, do glamour de Billie Burke como "Glinda" no "O Mágico de Oz", dos sons de Luis Gravet fazendo-se de Strauss na "A Grande Valsa" ao lado da austríaca Luise Rainer, da inocencia (no grande desempenho) de Caron em "Lili"... de "Cinema"....
Esta cena de “Radio Days” traduz em imagens tudo o que tento dizer: esta sensação maravilhosa e inesquecível de entrar num Cinema…
Estas imagens (do Radio City Music Hall, esta preciosidade do Art Deco) me fazem “voar” de volta a um tempo em que a vida parecia ser mais descomplicada, bem... para mim, pelo menos... Saudades!
Muito Obrigado, Woody Allen, por ter eternizado esta sensação, este momento aqui! No Radio City ou no Metro Copacabana a emoção era a mesma!
Eu e milhões de outras pessoas "com mais de quarenta" ainda podem se identificar com estes momentos preciosos... sim, o "Cinema", um templo...
Talvez para gerações mais novas seja um pouco “arcaico” e irrelevante o que quiz sugerir mas eu ainda me lembro muito bem do “acontecimento” de “ir-se ao cinema” e na minha cabeça passa um filme no qual vejo salas e saguões de cinemas como o “Roxy”, “Copacabana”, “Rian”, “Caruso”, “Bruni” mas principalmente o “Metro Copacabana”. Sim o meu querido Metro; aquele “templo” da sétima arte com seu tapete macio e alto, suas paredes de mogno, suas fotos das “estrelas” da Metro, seus espelhos, seu “baleiro” elegante e o melhor ar-condicionado do Rio de Janeiro. Nesse templo assisti “festivais” de Operetas, de Garbo… e nos primeiros domingos do mes o festival «Tom and Jerry» às dez da manhã.
Lá assisti pela primeira vez “O Mágico de Oz”, “Lili” (só esses dois já são dois "marcos" na minha vida), "A grande Valsa", "Oh! Marietta", "Rosemarie" (sendo filho de autríaco assisti, melhor, tive que assistir toda e qualquer Operetta já produzida nesse planeta!) e tantos, tantos outros... até “The Boyfriend” com Twiggy no início dos anos 70… Que templo…
O Metro não "cheirava" a Rio de Janeiro e sim a uma Hollywood enfeitada de sorrisos de Jeanette MacDonald, de olhares afetados de Miliza Korjus, de notas maravilhosas e bem cantadas de Ilona Massey (como p.e. em "Balalaika"), do mistério de Garbo, do glamour de Billie Burke como "Glinda" no "O Mágico de Oz", dos sons de Luis Gravet fazendo-se de Strauss na "A Grande Valsa" ao lado da austríaca Luise Rainer, da inocencia (no grande desempenho) de Caron em "Lili"... de "Cinema"....
Esta cena de “Radio Days” traduz em imagens tudo o que tento dizer: esta sensação maravilhosa e inesquecível de entrar num Cinema…
Estas imagens (do Radio City Music Hall, esta preciosidade do Art Deco) me fazem “voar” de volta a um tempo em que a vida parecia ser mais descomplicada, bem... para mim, pelo menos... Saudades!
Muito Obrigado, Woody Allen, por ter eternizado esta sensação, este momento aqui! No Radio City ou no Metro Copacabana a emoção era a mesma!
Eu e milhões de outras pessoas "com mais de quarenta" ainda podem se identificar com estes momentos preciosos... sim, o "Cinema", um templo...
quinta-feira, 9 de junho de 2011
The Shop around the Corner: Budapest, Chicago, New York…
Sou apaixonado por lojas antigas, lojas com “história”, com passado, com vida… Adoro esta atmosfera de um “estabelecimento” com “fundamentos”, sólido, estável… Luvarias, Chapelarias, Lojas de música, Livrarias...
„The Shop around the corner“ (MGM, 1940) com Margaret Sullavan (grande concorrente e alvo da cólera de Katharine Hepburn no início de sua carreira) e James Stewart, é um daqueles “filminhos” gostosos e simpáticos para se ver numa sessão da tarde de um dia de chuva.
Amo a atmosfera deste filme, da fotogtrafia, dos personagens, da “loja” de presentes no centro de Budapest. (o roteiro foi baseado numa peça de Miklós Lázló chamada “Parfumerie”).
Sob a direção do “mestre” Ernst Lubitsch, os personagens se desenvolvem de uma forma cheia de “fluidez”: dois empregados da loja que se odeiam (e sem a menor idéia que se correspondem…): Klara Novak (Sullavan) e Alfred Kralik (Stewart). O dono da loja, Sr. Matuschek (Frank Morgan, o “Mágico de Oz”), um outro empregado ganancioso, Ferencz Vadas (o grande ator Joseph Schildkraut), a “caixa”, uma senhora apaixonada pelo Sr.Matuschek, por quem é secretamente amada, Flora Kaczek (Sara Haden) e o engraçado e espirituoso “entregador”, Pepi Katona (maravilhosamente desempenhado por William Tracy) que nos dá os momentos mais simpáticos do filme!
Óbviamente a MGM não poderia deixar um “roteiro desses”, tão “perfeito para o público familiar” (amado e venerado por Louis B-Mayer) empoeirar em prateleiras e em 1949 uma segunda versão, dessa vez musical, foi feita: “In the good old Summertime”.
Dirigido sábiamente por Robert Z.Leonard, nesse “remake” o “plot” foi transferido de Budapest para uma Chicago no início do século XX. O que dá uma qualidade “de época” (bem fotogenica por sinal) ao filme.
Contou não só com grandes canções (como o Hit de 1906 de Eva Tanguay, “I don’t care”), lindo colorido, cenários e figurinos “ao nível” da Metro como também a com a presença de Judy Garland e Van Johnson (nos papéis principais, desta vez chamados de Veronica Fischer e Andrew Larkin), do meu queridíssimo (austríaco) S.Z. Sakall (no papel do Sr. Oberkugen, o dono da loja), da simpatissíssima Spring Byington (como a caixa, Nellie) e até Buster Keaton como um empregado/sobrinho do Sr. Oberkugen.
A camera e as cores nos levam de volta aos tempos das lojas com balcões de mogno, cheiro de Madeira e de um estilo todo “parisiense” como um “Magazin” (alguém ainda se lembra da “Barbosa Freitas” em Copacabana? Tinha móveis como os que ainda se encontram nas “Galeries Laffayette” em Paris ou no “Saks” e no “Bergdorf & Goodman” – minha favorita – na 5th Avenue em N.Y., só para citar algumas… Porque tudo isso é “aniquilado” no Brasil? Porque esta falta de consideração ao “tradicional”?).
Nesta versão a loja do Sr. Oberkugen é uma loja de música… o que dá à talentosa Judy chance de se esbaldar em várias canções da época…
como em “Meet me tonight in Dreamland”:
Judy parece ter-se literalmente “esbaldado” com o material "tradicional americano" que foi-lhe dado para cantar – insistindo até que a canção “Last Night when we were young” fosse incluída no filme… Essa porém foi cortada dele na edição final. Apesar de muito conhecida pelo “Soundtrack” do filme e até por uma outra gravação de Garland, “Last Night” só foi vista nas telas finalmente em 2004 no documentário ”Judy Garland: By myself”.
A produção de “Summertime” foi coroada por um momento muito pessoal de Garland. Para a cena final do filme ela escolheu, para o papel de sua filhinha com Van Johnson. Uma criança que no futuro nos traria muitos momentos inesquecíveis: sua própria filha, Liza Minelli, aqui em seu "debut" cinematográfico!
Se sou sincero, tenho que admitir que esta segunda versão me agrada muito mais do que a primeira. Ainda é mais adequada para se assistir numa tarde chuvosa na “Sessão da tarde”.
Não quero porém de nenhuma forma tirar o crédito de “The Shop” pois é um filme maravilhoso e bem mais denso e “complexo” do que “Summertime” (e que aliás foi selecionado para preservação no Registro cinematográfico nacional dos U.S.A. na Biblioteca do Congresso por ser “culturalmente, históricamente ou estéticamente significante”). É simplesmente uma questão de gosto… Quando o reassisto, me transporto para minha adolescencia… de volta às épocas da “Sessão das Duas”…
O musical da Broadway “She loves me” foi também baseado na mesma estória… Nunca veremos a produção cinematográfica da MGM, pela qual Blake Edwards e Julie Andrews (ambos em fases tenebrosas e bem frustrantes de suas carreiras) foram pagos US$ 1 milhão para NÃO fazer o filme… humilhação esta jamais sofrida anterior- ou posteriormente por membros da profissão…
(como confirmado num artigo de 1973: "Blake Edwards and Julie Andrews are reportedly being paid 1 million dollars settlement by MGM not to shoot their previously committed film, She Loves Me").
O filme “You’ve got Mail" (1998) com Meg Ryan e Tom Hanks foi também baseado na mesma estória (alguém reparou que a loja nos quais os dois trabalham chama-se “The Shop around the corner”?). Não é realmente dos meus prediletos…
Mas porque hoje “lojas”? Na minha última estadia em N.Y. fiquei realmente decepcionado com a forma com a qual as livrarias lá estão desaparecendo…
Impressionante.
Triste!
No último dia porém tive uma grata supresa. Passeando na parte da manhã pelo Upper East Side entrei por acaso na rua 59 e entre a Lexington e a Park Avenue, ou seja, práticamente “just around the corner” do Waldorf Astoria, encontrei a “Shop” que estava buscando: Argosy Bookshop!!!!! A minha “Shop around the Corner”!
Um mundo fascinante de raros livros antigos, muitos assinados, autógrafos, "americana", fotos, gravuras, mapas…
Tudo isso “emoldurado” de madeiras, cultura (principalmente no atendimento), cantos de leitura, pilhas de livros, porão…
Consegui “Catalina” de W. Somerset Maugham (que buscava há anos)!
Caíram literalmente nas minhas mãos dois volumes com todas as “short-stories” de Maugham… Não foi o preço porém o peso dos dois livros que me “freiou” de comprá-los… já no avião tinha-me arrependido de ter tomado tal atitude… No dia seguinte à minha chegada à Viena já estava eu “on-line” em contato com um vendedor de “Argosy”, encomendando os livros… que chegaram na sexta-feira passada… Minha amiga Maurette já os viu "ao vivo" pelo Skype e vibrou... Lindos volumes de 1953 com capa de couro... como livros deveriam sempre ser!
Claro que eu adoraria muito ter um contato com uma livraria como Anne Bancroft o teve com Anthony Hopkins em “84 Charing Cross Road”, por cartas (Conhecem o filme?) mas os tempos de hoje nos permitem ser um pouco mais rápidos (e assim não correr o risco que de alguém comprar os volumes que me interessam).
Ontem mesmo já entrei em contato com Argosy de novo… procurando mais livros que meinteressam… desta vez Paul Gallico… Ah, e as fotos e volumes autografados por Nureyev, Baryshnikov, Sybley e Dowell, Peter Martins, Fonteyn… e as primeiras edições de Fitzgerald… Um mundo…
Como disse anteriormente: uma loja antiga (de 1925, by the way), com “história”, com passado, com vida… com a atmosfera de um “estabelecimento” com “fundamentos”, sólido, estável… Que beleza!
Finalizando – como resisitir? Judy Garland, danadinha, eterna e elétrica em „I don’t care!”.
Viva o celulóide!
„The Shop around the corner“ (MGM, 1940) com Margaret Sullavan (grande concorrente e alvo da cólera de Katharine Hepburn no início de sua carreira) e James Stewart, é um daqueles “filminhos” gostosos e simpáticos para se ver numa sessão da tarde de um dia de chuva.
Amo a atmosfera deste filme, da fotogtrafia, dos personagens, da “loja” de presentes no centro de Budapest. (o roteiro foi baseado numa peça de Miklós Lázló chamada “Parfumerie”).
Sob a direção do “mestre” Ernst Lubitsch, os personagens se desenvolvem de uma forma cheia de “fluidez”: dois empregados da loja que se odeiam (e sem a menor idéia que se correspondem…): Klara Novak (Sullavan) e Alfred Kralik (Stewart). O dono da loja, Sr. Matuschek (Frank Morgan, o “Mágico de Oz”), um outro empregado ganancioso, Ferencz Vadas (o grande ator Joseph Schildkraut), a “caixa”, uma senhora apaixonada pelo Sr.Matuschek, por quem é secretamente amada, Flora Kaczek (Sara Haden) e o engraçado e espirituoso “entregador”, Pepi Katona (maravilhosamente desempenhado por William Tracy) que nos dá os momentos mais simpáticos do filme!
Óbviamente a MGM não poderia deixar um “roteiro desses”, tão “perfeito para o público familiar” (amado e venerado por Louis B-Mayer) empoeirar em prateleiras e em 1949 uma segunda versão, dessa vez musical, foi feita: “In the good old Summertime”.
Dirigido sábiamente por Robert Z.Leonard, nesse “remake” o “plot” foi transferido de Budapest para uma Chicago no início do século XX. O que dá uma qualidade “de época” (bem fotogenica por sinal) ao filme.
Contou não só com grandes canções (como o Hit de 1906 de Eva Tanguay, “I don’t care”), lindo colorido, cenários e figurinos “ao nível” da Metro como também a com a presença de Judy Garland e Van Johnson (nos papéis principais, desta vez chamados de Veronica Fischer e Andrew Larkin), do meu queridíssimo (austríaco) S.Z. Sakall (no papel do Sr. Oberkugen, o dono da loja), da simpatissíssima Spring Byington (como a caixa, Nellie) e até Buster Keaton como um empregado/sobrinho do Sr. Oberkugen.
A camera e as cores nos levam de volta aos tempos das lojas com balcões de mogno, cheiro de Madeira e de um estilo todo “parisiense” como um “Magazin” (alguém ainda se lembra da “Barbosa Freitas” em Copacabana? Tinha móveis como os que ainda se encontram nas “Galeries Laffayette” em Paris ou no “Saks” e no “Bergdorf & Goodman” – minha favorita – na 5th Avenue em N.Y., só para citar algumas… Porque tudo isso é “aniquilado” no Brasil? Porque esta falta de consideração ao “tradicional”?).
Nesta versão a loja do Sr. Oberkugen é uma loja de música… o que dá à talentosa Judy chance de se esbaldar em várias canções da época…
como em “Meet me tonight in Dreamland”:
Judy parece ter-se literalmente “esbaldado” com o material "tradicional americano" que foi-lhe dado para cantar – insistindo até que a canção “Last Night when we were young” fosse incluída no filme… Essa porém foi cortada dele na edição final. Apesar de muito conhecida pelo “Soundtrack” do filme e até por uma outra gravação de Garland, “Last Night” só foi vista nas telas finalmente em 2004 no documentário ”Judy Garland: By myself”.
A produção de “Summertime” foi coroada por um momento muito pessoal de Garland. Para a cena final do filme ela escolheu, para o papel de sua filhinha com Van Johnson. Uma criança que no futuro nos traria muitos momentos inesquecíveis: sua própria filha, Liza Minelli, aqui em seu "debut" cinematográfico!
Se sou sincero, tenho que admitir que esta segunda versão me agrada muito mais do que a primeira. Ainda é mais adequada para se assistir numa tarde chuvosa na “Sessão da tarde”.
Não quero porém de nenhuma forma tirar o crédito de “The Shop” pois é um filme maravilhoso e bem mais denso e “complexo” do que “Summertime” (e que aliás foi selecionado para preservação no Registro cinematográfico nacional dos U.S.A. na Biblioteca do Congresso por ser “culturalmente, históricamente ou estéticamente significante”). É simplesmente uma questão de gosto… Quando o reassisto, me transporto para minha adolescencia… de volta às épocas da “Sessão das Duas”…
O musical da Broadway “She loves me” foi também baseado na mesma estória… Nunca veremos a produção cinematográfica da MGM, pela qual Blake Edwards e Julie Andrews (ambos em fases tenebrosas e bem frustrantes de suas carreiras) foram pagos US$ 1 milhão para NÃO fazer o filme… humilhação esta jamais sofrida anterior- ou posteriormente por membros da profissão…
(como confirmado num artigo de 1973: "Blake Edwards and Julie Andrews are reportedly being paid 1 million dollars settlement by MGM not to shoot their previously committed film, She Loves Me").
O filme “You’ve got Mail" (1998) com Meg Ryan e Tom Hanks foi também baseado na mesma estória (alguém reparou que a loja nos quais os dois trabalham chama-se “The Shop around the corner”?). Não é realmente dos meus prediletos…
Mas porque hoje “lojas”? Na minha última estadia em N.Y. fiquei realmente decepcionado com a forma com a qual as livrarias lá estão desaparecendo…
Impressionante.
Triste!
No último dia porém tive uma grata supresa. Passeando na parte da manhã pelo Upper East Side entrei por acaso na rua 59 e entre a Lexington e a Park Avenue, ou seja, práticamente “just around the corner” do Waldorf Astoria, encontrei a “Shop” que estava buscando: Argosy Bookshop!!!!! A minha “Shop around the Corner”!
Um mundo fascinante de raros livros antigos, muitos assinados, autógrafos, "americana", fotos, gravuras, mapas…
Tudo isso “emoldurado” de madeiras, cultura (principalmente no atendimento), cantos de leitura, pilhas de livros, porão…
Consegui “Catalina” de W. Somerset Maugham (que buscava há anos)!
Caíram literalmente nas minhas mãos dois volumes com todas as “short-stories” de Maugham… Não foi o preço porém o peso dos dois livros que me “freiou” de comprá-los… já no avião tinha-me arrependido de ter tomado tal atitude… No dia seguinte à minha chegada à Viena já estava eu “on-line” em contato com um vendedor de “Argosy”, encomendando os livros… que chegaram na sexta-feira passada… Minha amiga Maurette já os viu "ao vivo" pelo Skype e vibrou... Lindos volumes de 1953 com capa de couro... como livros deveriam sempre ser!
Claro que eu adoraria muito ter um contato com uma livraria como Anne Bancroft o teve com Anthony Hopkins em “84 Charing Cross Road”, por cartas (Conhecem o filme?) mas os tempos de hoje nos permitem ser um pouco mais rápidos (e assim não correr o risco que de alguém comprar os volumes que me interessam).
Ontem mesmo já entrei em contato com Argosy de novo… procurando mais livros que meinteressam… desta vez Paul Gallico… Ah, e as fotos e volumes autografados por Nureyev, Baryshnikov, Sybley e Dowell, Peter Martins, Fonteyn… e as primeiras edições de Fitzgerald… Um mundo…
Como disse anteriormente: uma loja antiga (de 1925, by the way), com “história”, com passado, com vida… com a atmosfera de um “estabelecimento” com “fundamentos”, sólido, estável… Que beleza!
Finalizando – como resisitir? Judy Garland, danadinha, eterna e elétrica em „I don’t care!”.
Viva o celulóide!
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Doris Day reinventada: "Ten Cents a Dance" - a much darker side...
Há algumas semanas coloquei aqui uma tertúlia sobre Doris Day dançando!
E como fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que não sabiam que Doris tinha tido anos de ballet antes de um acidente ter acabado com seus sonhos de bailarina e ter-nos dado uma cantora (e depois uma atriz) já que não sabiam nem que ela havia dançado nos seus filmes!
Fiquei refletindo e cheguei à conclusão que Doris só é lembrada pelas suas comédias com Rock Hudson & co. dos anos 60 (nas quais ela sempre dava a impressão de ser uma “eterna virgem”) e não pelos (muitos) bons filmes que fez nos anos 50, época anterior ao clichée em que foi colocada - e do qual parecemos nos lembrar mais vívidamente...
Doris apareceu em deliciosos musicaizinhos como “By the Light of the silvery Moon”, “No, No, Nanette” , “Lullaby of Broadway”, “April in Paris” no qual ela parece ainda “bem verde” mas ao mesmo tempo fez filmes sérios nos quais se constata que ela, com uma boa direção, funcionava – e muito bem por sinal! Lembro-me em especial de um bom filme com Ginger Rogers chamado “Storm Warning”… sobre o Ku-Klux-Kan - estamos falando de 1951!
Seguiram outros filmes com mais “conteúdo” como
“The Man who knew too much” (Hitchcock) com James Stewart,
“Julie” com Louis Jourdan,
o fantástico “Midnight Lace” (A Teia de Renda negra) de Stanley Donen ao lado de Rex Harrison
e o excelente “Ama-me ou Esqueça-me” (Love me or leave me, MGM 1955) de uma época em que estava "en vogue" filmar-se biografias de cantoras...
Neste Doris interpreta a carreira de Ruth Etting,
cantora americana, que despontou nos palcos da Broadway e depois foi levada para Hollywood – com certa “ajuda” de um gangster que se chamava Snyder (no filme interpretado por James Cagney) que, depois de estuprá-la, casou-se com ela.
Doris dá vida a um caráter real, sofrido, vezes amargo e cínico cantando vários números do repertório de Etting.
Gosto muito deste número, chamado ♫ ♪ “Ten Cents a Dance” ♪ ♫ (no filme o número é inspirado no próprio “passado” de Etting e este mesmo número, aliás, foi também brilhantemente cantado por Michelle Pfeiffer em "The fabulous Baker Boys") no qual dá vida à uma “Taxi-Dancer” (uma forma mais “leve” de prostituição), antes de ter entrado numa barata “revista”…
By the way: AMO esta foto!
Mais uma daquelas baladas que me fascinam: a música das mulheres que sofrem, das eternas vítimas, das dependentes ou de um amor ou de um homem…
Doris – bem diferente de suas interpretações à la “Que sera, será” ou "Tea for Two" - tem aqui a boca caída nos cantos das mulheres que sofrem, um olhar opaco, cansado e a postura, com pernas ligeiramente separadas (um pequeno “toque” de vulgaridade, bem sutil) daquelas que tinham “um passado”, das mulheres “da rua”.
Gosto de Doris aqui, este lado, quase nunca revelado… e nunca mais usado desde então. A dark side… interessante de se assistir... Penso em sua carreira e no que seu marido "produtor" nos privou de ver... Sim, sua carreira poderia ter-se desenvolvido de outra forma (sem o clichée dos filmes de "eterna virgindade").
Nota: A cena que sucede "Ten Cents" é quase como uma "moldura" e nos mostra mais do caráter de Etting
Nota 2: A maioria vai se dar conta, pela primeira vez na vida, que Doris tinha "curvas" e também um busto!
Nota 3: Uma pena Doris não cantar a introdução do número. Penso que a MGM achou que era "bandeira" demais sobre "Taxi-dancers" e detalhes de sua profissão...
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Profissão: Doméstica
Vivendo desde 1981 na Europa aprendi, no que diz respeito à „casa“, não só a fazer mil coisas que jamais teria aprendido no Rio de Janeiro mas também a dar um grande valor às empregadas, às domésticas, às "escravas" do século XXI, como bem documentado em „Profissão: Doméstica“, um fantástico documentário de 1993 de Sérgio Goldenberg, que recebeu o „North-South Award“ no Festival Nord-Sud em Genebra (Se alguém o tiver e tiver como fazer-me uma cópia… Um filme com muito humor e de uma sensibilidade fora do comum).

As pobrezinhas que chegaram de algum lugarejo do interior (onde deveriam ter permanecido), com uma trouxa ou, na melhor das hipóteses, com uma malinha, os sonhos de Cinderella, de „cidade grande“ dentro da bolsa a tiracolo de matéria plástica ao lado da revista „Amiga“… Muitas querem ser „artista da Globo“ ou até "modelo", mas com o passar do tempo e com a perda dos dentes, passam a ter um orgulho das casas onde trabalham, como se fossem suas… Maravilhosos diálogos deste documentário nos mostram como estes anjos pensam. Sim, estes „anjos“ que estão alí, dia após dia, com uma folga talvez por quinzena, limpando, arrumando, lavando, passando, levando as crianças à escola, tomando conta delas, levando o cachorro para passear, indo buscar cigarro no bar da esquina, fazendo compras e às vezes até cozinhando. Por um salário de fome. Como uma coitadinha, chamada Selma, que conheci uma vez numa casa da Urca. Nessa casa de classe média alta falida, onde tudo é de „razoável“ bom-gosto, leva-se um choque no momento em que se sai da sala e entra na cozinha: à partir d’aí tem-se a impressão de estar numa „Senzala“. Assim moram muitas destas pobrezinhas. E mesmo assim sabem sorrir.
E as „empregadas“ do Cinema?
Fico pensando nas atrizes que ao longo dos anos foram as „domésticas“ da sétima arte.
Durante uma longuíssima época a cor da pele definia quem faria os papéis das empregadas.
Hattie McDaniel foi uma destas atrizes que (apesar do Oscar que recebeu em 1939 por sua „Mammy“ servindo Vivien Leigh em „Gone with the Wind“ „…e o Vento levou!“) foi sempre condenada aos papéis de doméstica.

A engracadíssima Butterfly McQueen (Prissy, que também servia Vivien Leigh em GWTW)
foi outra que nunca conseguiu libertar-se deste tipo de papel. Aqui em „Mildred Pierce“ (Warner, 1944) filme no qual servia Joan Crawford.
E até Billie Holiday (em 1947 em seu único papel cinematográfico no esquecido „New Orleans“, junto a Louis Armstrong) deu vida à uma empregada: neste filme a tristeza de Billie é quase palpável. Ela estava completamente indignada com seu papel…
Em 1944 Marjorie Main servia a família de Judy Garland em „Meet me in St. Louis“ – uma engraçada, decidida e meio mal-humorada doméstica…
Mas foi a magnífica atriz Judith Anderson que elevou um „papel de doméstica“ a um papel secundário de vital importancia – mesmo que maléfico – em „Rebecca“ (1940), servindo (e odiando) Joan Fontaine.
Alguem ainda se lembra da eficiente "Rosinha" dos Jetsons?

e da Anastácia (Jacira Sampaio)de Monteiro Lobato no "Sítio do Picapau Amarelo"?

Para mim a doméstica eterna sempre será Thelma Ritter que deu vida à várias... Sempre engraçadas, espirituosas.
Como em „All about Eve“ (A Malvada, 1950) servindo Bette Davis

Ou em „Janela Indiscreta“ (The rear Window, 1954) servindo James Stewart e investigando ao lado de Grace Kelly
Ou até como uma doméstica bebada inveterada (ela sempre chegava pela manha de ressaca) em „Pillow Talk“ (Confidencias à meia-noite, 1959) ao lado de Rock Hudson e servindo Doris Day (que sempre lhe servia um Bloody Mary de manha!)

E para finalizar duas „domésticas“ de uma outra categoria: Glenda Jackson e Susannah York (duas das minhas atrizes preferidas) como Solange e Claire, no mórbido porém grande filme „The Maids“ (1974) baseado na peça de Jean Genet. Duas empregadas irmãs, completamente alucinadas que acabaram matando a patroa, Vivien Merchant…
Admiro-me como isto não acontece com mais frequencia…

As pobrezinhas que chegaram de algum lugarejo do interior (onde deveriam ter permanecido), com uma trouxa ou, na melhor das hipóteses, com uma malinha, os sonhos de Cinderella, de „cidade grande“ dentro da bolsa a tiracolo de matéria plástica ao lado da revista „Amiga“… Muitas querem ser „artista da Globo“ ou até "modelo", mas com o passar do tempo e com a perda dos dentes, passam a ter um orgulho das casas onde trabalham, como se fossem suas… Maravilhosos diálogos deste documentário nos mostram como estes anjos pensam. Sim, estes „anjos“ que estão alí, dia após dia, com uma folga talvez por quinzena, limpando, arrumando, lavando, passando, levando as crianças à escola, tomando conta delas, levando o cachorro para passear, indo buscar cigarro no bar da esquina, fazendo compras e às vezes até cozinhando. Por um salário de fome. Como uma coitadinha, chamada Selma, que conheci uma vez numa casa da Urca. Nessa casa de classe média alta falida, onde tudo é de „razoável“ bom-gosto, leva-se um choque no momento em que se sai da sala e entra na cozinha: à partir d’aí tem-se a impressão de estar numa „Senzala“. Assim moram muitas destas pobrezinhas. E mesmo assim sabem sorrir.
E as „empregadas“ do Cinema?
Fico pensando nas atrizes que ao longo dos anos foram as „domésticas“ da sétima arte.
Durante uma longuíssima época a cor da pele definia quem faria os papéis das empregadas.
Hattie McDaniel foi uma destas atrizes que (apesar do Oscar que recebeu em 1939 por sua „Mammy“ servindo Vivien Leigh em „Gone with the Wind“ „…e o Vento levou!“) foi sempre condenada aos papéis de doméstica.

A engracadíssima Butterfly McQueen (Prissy, que também servia Vivien Leigh em GWTW)

foi outra que nunca conseguiu libertar-se deste tipo de papel. Aqui em „Mildred Pierce“ (Warner, 1944) filme no qual servia Joan Crawford.

E até Billie Holiday (em 1947 em seu único papel cinematográfico no esquecido „New Orleans“, junto a Louis Armstrong) deu vida à uma empregada: neste filme a tristeza de Billie é quase palpável. Ela estava completamente indignada com seu papel…

Em 1944 Marjorie Main servia a família de Judy Garland em „Meet me in St. Louis“ – uma engraçada, decidida e meio mal-humorada doméstica…

Mas foi a magnífica atriz Judith Anderson que elevou um „papel de doméstica“ a um papel secundário de vital importancia – mesmo que maléfico – em „Rebecca“ (1940), servindo (e odiando) Joan Fontaine.

Alguem ainda se lembra da eficiente "Rosinha" dos Jetsons?

e da Anastácia (Jacira Sampaio)de Monteiro Lobato no "Sítio do Picapau Amarelo"?

Para mim a doméstica eterna sempre será Thelma Ritter que deu vida à várias... Sempre engraçadas, espirituosas.
Como em „All about Eve“ (A Malvada, 1950) servindo Bette Davis

Ou em „Janela Indiscreta“ (The rear Window, 1954) servindo James Stewart e investigando ao lado de Grace Kelly

Ou até como uma doméstica bebada inveterada (ela sempre chegava pela manha de ressaca) em „Pillow Talk“ (Confidencias à meia-noite, 1959) ao lado de Rock Hudson e servindo Doris Day (que sempre lhe servia um Bloody Mary de manha!)


E para finalizar duas „domésticas“ de uma outra categoria: Glenda Jackson e Susannah York (duas das minhas atrizes preferidas) como Solange e Claire, no mórbido porém grande filme „The Maids“ (1974) baseado na peça de Jean Genet. Duas empregadas irmãs, completamente alucinadas que acabaram matando a patroa, Vivien Merchant…

Admiro-me como isto não acontece com mais frequencia…
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