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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"Our love affair" (1957)


Será que alguém ainda se lembra deste esquecido filme que nos fez chorar e soluçar de tanta emoção numa época em que tudo, e talvez nós também, éramos mais "naïve", profundamente mais impressionáveis e definitivamente muito mais puros? Penso em épocas nas quais a palavra "terrorismo" ainda era inexistente...

Que épocas...


Reassistindo nos últimos tres dias uma antiga série inglesa chamada “A woman of substance” na qual a querida Deborah Kerr tem um dos papéis principais, fiquei pensando sobre esta “english rose” (na realidade nascida na Escócia) que nos fascinou durante décadas numa grande diversidade de papéis…

Esta “classe” nata parece ter desaparecido das telas. Ela não mais existe. Saudades destas «Ladies» do cinema, principalmente destas «english roses»: gentis, delicadas, de bom gosto, simples, discretas mas fortes como aço quando necessário. Sim... com aquela qualidade - que alguém colocou tão bem em palavras – que nos faz entender «o porque deles terem vencido a guerra». Saudades destas atrizes...


Vou dedicar minhas próximas semanas aos filmes de Kerr que já há muito não assisto… Começarei talvez hoje mesmo com “Narcisso Negro”.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

My fair Lady, the lost pictures...

Como fiquei feliz em reencontrar uma antiquíssima, pequena caixa cheia de recortes e fotos de teatro, cinema... tesouros que comecei a colecionar aos meus 10 anos de idade (é... minha paixao pelo cinema, pelo teatro, pelos musicais comecou muito cedo mesmo... e na época em que todos ouviam Janis Joplin, Pink Floyd, Alice Cooper e Rick Wakeman eu ouvia Fred, Judy, Julie e Cia.). As primeiras que quero publicar sao estas fotos quase esquecidas de My fair Lady (Broadway, 1955/56) e fotos de alguns Sketches do fantástico Cecil Beaton para o palco. Raridades excelentes!

Rex Harrison e Julie Andrews, Professor Higgins e Eliza, Pigmaliao e Galatéa... My fair Lady, uma das mais lindas estórias de amor aonde jamais a palavra amor é pronunciada...

Eliza contando de sua tia que morreu de pneumonia ("So they say, but it is my belief that them done the old woman in!") e antes de dar sua total gafe gritando "Come on Dover, Move your blooming arse!" (Ao seu lado a grande Cathleen Nesbitt, que um ano depois estrelaria com Deborah Kerr e Cary Grant em "Tarde demais para esquecer"/ An affair to remember - vide minha postagem de 30 de junho de 2008 - um filme muito amado no Brasil... Aliás uma postagem que quase nao foi lida... hi hi... pausa para publicidade!)

Sketches para a cena de Ascot aonde "Everyone who should be hiah is hiah... "

e mais alguns Sketches para os cenários!

God bless Lerner/Loewe, Moss Hart, Cecil Beaton , Julie Andrews, Rex Harrison, Cathleen Nesbitt and their talent and contribution!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

An affair to remember (1957)

“An affair to remember”/ “Tarde demais para esquecer” (1957) é um filme dirigido por Leo McCarey que também dirigiu a primeira versão, feita em 1939, e chamada “Love affair” que foi co-estrelada por Irene Dunne e Charles Boyer. Impressionante como as duas versões são práticamente idênticas – num plano realmente shot-by-shot – principalmente por McCarey ter usado em 1957 o mesmo roteiro que tinha usado em 1939. Uma pequena diferença existe no fato desta versão dos anos 50 ter ainda lançado a música “Our love affair”, não só interpretada por Vic Damone na abertura do filme como também pelo personagem de Kerr durante o filme, que se transformaria num grande sucesso.

Uma estória de amor com muito humor, êste filme desenvolve-se de uma forma bastante fluente; natural, fácil... até que um dêstes incidentes do destino cria complicações para os personagens centrais e para sua futura relação, colocando uma sombra de dúvida sobre o futuro dêles. Quando a estória está terminando, a importância da verdade, da comunicação e as artimanhas e armadilhas do destino vêm à tona, transformando a sequência final num diálogo bonito, de pêso e de imagens inesquecíveis.
“Affair” funciona por causa de seus diálogos, de sua simplicidade. Muitos críticos modernos torcem o nariz, zombam um pouco e amolam a faca do cinismo colocando o rótulo de “lacrimejante” nêste filme. A realidade porém é que nesta áurea época de Hollywood, dois atores como Deborah Kerr e Cary Grant, dominavam um filme do início ao fim, faziam o público suspirar, rir e chorar com a dose certa de carinho romântico e muito otimismo cego. Que simples. Que difícil seria esta tarefa hoje...

Um filme que possui um extremo bom-gôsto visual, bastante graça e muito charme. É muito bem escrito, bem atuado, carinhosamente dirigido e, sem dúvida, um filme que influenciou muito o gênero.

É de filmes assim que a mitologia de Hollywood é composta e nao é à toa que êste filme é o precursor de comédias românticas como, por exemplo, “Sleepless in Seattle” (que também têm “An affair to remember” como parte do seu “plot”). Há alguns anos parecia que não mais haveria espaço para filmes como êste mas de certa forma a “renascença” dêste particular estilo está bastante en vogue. Eu gostei de uma frase que li há pouco tempo: “This is the stuff dreams are made of for us, hopeless romantics around the world”. Não é?
A linda (e incrívelmente talentosa) Deborah Kerr (uma futura postagem sobre ela já está sendo planejada), hoje em dia não muito conhecida para gerações mais novas, estava no auge de sua popularidade quando “Affair” estreiou. No ano anterior ela tinha feito "The King & I" (e sido nominada para um Oscar apesar de ter sido dublada nas cancoes por Marni Nixon, que também dublou Audrey Hepburn em "My fair Lady" que nao foi nominada para o Oscar por sua Eliza, de onde se tira conclusoes que... bem, já é assunto para uma próxima postagem!). Ela está “perfeita” como Terry McKay: bonita & charmosa, engraçada & eloquente, faladora & ponderada, otimista & realista, apaixonada & nada egoísta. Como a maioria dos personagens de Hollywood ela, a partir do momento em que se apaixona, esquece do resto da vida, de tudo e de tôdos ao seu redor – sendo seu único objetivo amar e ser amada (Que cena linda quando seu aviao está pousando em NY e a aeromoca lhe mostra o Empire State Building... Que rosto mais translúcido...). Um processo similar acontece com o Nick Ferrante de Cary Grant.
O único laço verdadeiro, forte e real que parecia os unir é desfeito com a morte de “Janou”, a avó de Nick que morava na Cote D’azur (Cathleen Nesbitt – a grande atriz de caráter. Vide minhas postagens “My fair Juls” e “So long at the fair – outro caso de “gaslightning”).
Muitas vêzes nos referimos a “Affair” como “aquêle filme em que os dois atores principais marcam um encontro no alto do Empire State Building e ela nao chega lá...” mas êle é mais do que isso: êle é “O” exemplo romance clássico de Hollywood dos anos 50.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

So long at the fair (1950) – outro caso de “gaslightning”

Uma coincidência do destino fez-me encontrar este incrível filme. Eu estava passando férias de verão em Marbella quando, visitando a FNAC num Shopping-Center, um DVD chamado (em castellano) “Extrano Suceso” literalmente caiu nas minhas mãos! Alguém havia tirado-o da estante e não recolocado no devido lugar... Quando vi que era uma produção inglêsa fiquei interessado. Quando vi nomes como Jean Simmons, Dirk Bogarde, David Tomlinson fiquei ainda mais interessado. Quando porém li “Cathleen Nesbitt” (uma das minhas atrizes de caráter preferidas de todos os tempos. Alguém se lembra de “Janou”? a avó de “Tarde demais para esquecer”/ “An affair to remember”?) decidi na hora levá-lo. Uma decisão muito sábia, já que comprei naquele instante um dos filmes que iria transformar-se num dos meus prediletos, com lugar de destaque na minha (vasta) coleção.
Baseado numa destas comuns “lendas urbanas” (ou quem sabe numa estória verdadeira?) êste filme não é só interpretado por um magnífico elenco inglês (How I miss the incredible British Film Industry of the 50’s... ) como também é genuínamente cheio de “suspense” e ainda apresenta uma conclusão que além de surpreender, possui uma extrema lógica.
Li uma vez que Hitchcock ficou muito impressionado com este “pequeno” filme/traballho, o que já indica a “atmosfera” criada neste caso de “gaslightning” (vide minha postagem “Gaslight – um drama vitoriano e claustrofóbico”) também soberbamente filmado em prêto-e-branco.

“Of course you don’t believe me. Nobody does! But I shall go on searching until I find him, do you hear me?”

Uma jovem dama inglesa (Jean Simmons) chega à Paris com seu irmão (David Tomlinson) para visitar a Exposição mundial de 1889. Ambos fazem o check-in num hotel dirigido por uma chamada Mme.Hervé (Cathleen Nesbitt) e depois saem para jantar no Moulin Rouge. Na manhã seguinte, depois de tomar seu “pequeno almoço” no quarto ela dirige-se ao quarto do irmao – só para constatar que não só ele sumiu como também o quarto...
Todos insistem que ela chegou só ao hotel. Nem a polícia nem o Consulado Britânico acreditam nela. Só um jovem estranho (Dirk Bogarde), a quem o irmão emprestou dinheiro na noite anterior. Neste ponto a intriga e o “suspense” estao começando...
Realmente muito recomendável!!!!!!

segunda-feira, 31 de março de 2008

My fair "Juls"...

Muita gente nao sabe, muita gente esqueceu que Audrey Hepburn nao canta na sua interpretacao de Eliza Doolitle em “My fair Lady“ (Minha bela dama, Warner 1964). Uma cantora chamada Marni Nixon emprestou-lhe a voz: Marni, aliás, já tinha emprestado sua voz várias vezes... entre elas para Deborah Kerr no “The King and I” (O rei e eu) e para Natalie Wood em “West Side Story” (Amor, sublime amor). Só uma única vez Marni apareceu nas telas... Como uma das freiras em “The Sound of Music” (A novica rebelde).

Muita gente nao sabe, muita gente se esqueceu que Julie Andrews criou o papel de Eliza Doolitle na Broadway.
Para a estacao de 1955/56 na Broadway, Julie fez uma audicao para Richard Rodgers para o musical “The pipe dream” . Mr. Rodgers perguntou à jovem cantora/atriz, que tinha alcancado um status à la “Broadway’s darling” por sua interpretacao de Polly na peca “The boyfriend” (vide minha postagem “The boyfriend”), se ela tinha já audicionado também para outros compositores ou produtores. Ela foi muito sincera e disse: “Sim, sim, eu audicionei para Mr. Lerner e Mr. Loewe. Ambos estao preparando um musical baseado em Pygmalion de George Bernard Shaw”. Mr.Rodgers refletiu por alguns segundos e respondeu: “Se eles lhe pedirem para fazer Pygmalion, aceite. Senao, volte aqui e o emprego é seu!”. Como Julie disse anos depois: “It was very good advise – Thank you, Mr. Rodgers”.

Ela imortalizou Eliza com seu desempenho. Virou a rainha da Broadway... Uma tia minha assistiu-a na Broadway e nunca parou de elogiá-la (No época da estréia brasileira foi dito que Bibi Ferreira foi a melhor Eliza do mundo... ooops, desculpem, estou só citando o que me foi dito!). Em alemao se diz: Nao compare macas com peras...
Por falar nisto, Minha bela Dama estreiou em 1963 no teatro Joao Caetano no Rio com Ferreira e Autran ... Por estas alturas, Julie, depois de sua temporada na Broadway (1955/56 e 1957), já tinha feito à partir de 1958 uma temporada de 18 meses em Londres, estreiado em 3 de dezembro de 1960 em "Camelot" com Richard Burton e por voltas de 1963 estava ensaiando e depois filmando “Mary Poppins”, que lhe daria o Oscar de melhor atriz de 1964 – isto só para acabar com a lenda de que tanta gente “viu” Julie na Broadway em My fair Lady durante os anos 60, uma coisa que seria físicamente impossível...
A cerimonia do Oscar de 1964 foi interessantíssima: Julie ganhou a famosa estatueta por sua "Poppins"e no mesmo ano Audrey Hepburn nao chegou nem à ser nominada por sua Eliza, papel criado no teatro por Julie. Realmente um triunfo particular para Julie que ao receber seu premio disse: “You americans are known for your hospitality, but this is ridiculous!!!! “. Pode-se bem imaginar o que Mr. Warner deveria estar pensando depois de recusá-la por ser muito baixa, ter um queixo muito comprido e "só" ser conhecida na televisao e no teatro dos U.S.A...
De volta ao teatro:
As estórias sobre a criacao de My fair Lady sao interessantíssimas. Principalmente as estórias sobre as músicas que foram cortadas do show. Houve um grande cuidado em nao usar a palavra “amor” em nenhuma das cancoes de Eliza e Higgings. Muito inteligente decisao, já que a relacao de Mr.Higgins e Eliza é, de certa forma, superior à uma forma “tradicional” de amor, principalmente a nocao que era usada no meio dos anos 50 na Broadway. Vide “Caroussel”, “South Pacific”, “Oklahoma” entre tantos outros...

Um porém engracado: a inglesíssima Julie aprendeu seu “cockney” com um professor de fonética americano...

Uma das cancoes que foi cortada foi parar em 1958 no filme “Gigi” (Também de Lerner & Loewe) interpretada por Leslie Caron (ou melhor, pela cantora que lhe emprestou a voz) : Say a prayer for me tonight... uma cancao que em My fair Lady tinha seu lugar antes de uma insegura Eliza vestir-se para o baile (a cena foi totalmente cortada), foi encaixada na cena em que uma insegura Gigi está para vestir-se para sair com Gaston para o seu primeiro “Rendevouz” no Maxime’s.

O elenco era maravilhoso. Julie, Rex Harrison, Stanley Holloway, Robert Coote... E uma das atrizes coadjuvantes mais versáteis do cinema e do teatro interpretando Mrs. Higgins, a mae do professor: Cathleen Nesbitt. Esta atriz é muito conhecida no Brasil por causa de um filme que virou um clássico aqui: "An affair to remember" (Tarde demais para esquecer, 1957) com Cary Grant e Deborah Kerr. Ela é “Janou” a vovó querida de Cary Grant neste filme lacrimejante (Para os mais jovens: alguém viu “Sleepless in Seattle”? Voilá!).
O papel de Mrs. Higgins foi feito nas telas por uma outra inglesa versatilíssima: Glady Cooper, sobre quem desejo um dia escrever uma postagen muito especial!

Bem, estou só comecando com todas estas estórias... Como diria a própria Eliza:
“Just you wait!”