“It all depends on you” foi cantada centenas de vezes, desde ter sido composta em 1926 por Brown/DeSylva/Henderson.
Redescobri uma linda gravação desta música no filme “Love me or leave me” (MGM 1955) no qual ela foi usada como veículo para enquadrar o início da carreira de Ruth Etting (Doris Day, num ótimo desempenho dramático!).
Quanto mais a ouço, mais aprecio a simplicidade de Doris Day ao cantá-la…
Interpretação daquelas que gosto… e muito: sem floriados, nada rebuscada, suave, simples…
A canção é a verdadeira estrela…
E a voz de Doris só um instrumento, como o piano que a acompanha (maravilhoso pianinho por sinal… ), que transporta a música no seu essencial, com sua dicção perfeita, inigualável…
Meu pai uma vez me chamou à atenção este detalhe : voces já repararam como se compreende perfeitamente toda e qualquer sílaba que Doris canta?
It all depends on you: mesmo que trate-se duma daquelas “canções de vítima dependente” que abomino (nas quais a mulher é a sofredora, a clássica “vítima” do amor infeliz e “dependente” de um homem!) tiro o chapéu para Doris… Bravo!
Belíssima interpretação!
I can be happy, I can be sad
I can be good or I can be bad
It all depends on you
I can be lonely out in a crowd
I can be humble or I can be proud
It all depends on you
I can save money or spend it
Go right on living or end it
You're to blame, honey, for what I do
I can be beggar, I can be king
I can be almost any old thing
It all depends on you
e, "de lambuja", quem sabe uma gravação na qual não necessitamos nos preocupar com a imagem... só com a voz e o piano... got it?
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quarta-feira, 31 de julho de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
O balanço "at Sundown"...

O balanço povoou muito o cinema dos anos 30, tendo tido uma curta „renascença“ nos anos 50...

(acima Joan Crawford e Gary Cooper, 1937, em "Today we live")
Relacionado à emoção e excitação do se balançar “até o alto” ele simbolizou, deu um “rosto” à muitas emoções nas telas cinematográficas: A luxúria de Marie Antoinette interpretada por Norma Shearer numa festa de jardim (Marie Antoinette, MGM 1939), a leviandade de Anne Rutherford e Heather Angel como as irmãs caçulas de Greer Garson em “Pride and Prejudice” (Orgulho e Preconceito, MGM 1940), o amor verdadeiro misturado com felicidade de Jeanette MacDonald em “Maytime” (MGM 1937) e até o ápice sexual de Joan Collins e Ray Milland em “The Girl in the red velvet Swing” (1955).

Meu preferido balanço do cinema é ainda uma curta cena de “Love me or leave me” (Ama-me ou esquece-me, MGM 1955) com Doris Day cantando "At Sundown" (canção que amo da trilha sonora de um filme que adoro! Que voz mais agradável tinha Doris... ), simplesmente balançando-se pelo puro prazer de se balançar… sem nenhuma outra conotação…

Não é necessário estar-mos sempre interpretando, vendo coisas onde elas não existem… não é?
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sábado, 8 de setembro de 2012
Julie, Audrey: TWO fair ladies... (e um maravilhoso agradecimento, repleto de classe, na noite do "Golden Globe")
My fair Lady... quando se pensa nas duas atrizes que criaram "Eliza" na Broadway e em Hollywood, este título não parece ser mero acaso...
Quando, na Warner em 1963, o projeto “My Fair lady” começou, começou ao mesmo tempo uma das maiores disputas da história do cinema pelo papel de “Eliza”, quase comparável a disputa pelo papel de “Scarlett O’Hara”.
Muitos nomes foram cogitados (inclusive Doris Day, Elizabeth Taylor, Shirley Maclaine…). A criadora do papel na Broadway foi logo tirada desta disputa por ser (nas palavras do próprio Mr. Warner) práticamente desconhecida fora dos U.S.A. e da Inglaterra, por “só ter feito” teatro (“só” Broadway e “West-End”) e televisão, por ser muito baixa, nada fotogenica, por ter um queixo descomunal e um nariz muito longo: Julie Andrews.
Como todos sabemos, a linda Audrey Hepburn recebeu o papel, foi dublada na maioria de suas canções por Marni Nixon (a voz de Natalie Wood em “West Side Story” e a de Deborah Kerr em “The King and I”, entre outras) e recebeu a difícil tarefa de transformar-se em Eliza, papel no qual Andrews foi durante anos, em N.Y. e Londres, elogidíssima!
Trocando em miúdos: "prato feito" para a imprensa... para intrigas... para compará-las...
Julie assinou um contrato com Walt Disney para um outro projeto chamado “Mary Poppins”.
E um dos mais interessantes capítulos da história do cinema começava.
Quando Julie, depois de assinar seu contrato, saiu dos estúdios de Disney, seu carro passou pelas portas da Warner, ela exclamou: “…and have a good day, Mr. Warner!”
Apesar de hoje em dia esquecermos que teria sido impossível para Julie trabalhar nos dois filmes (pois foram filmados na mesma época), parece ainda existir no ar uma certa interpretação de “disputa” entre as duas atrizes. Entre estas duas damas.
Não.
Acho que tudo foi criado pela cruel imprensa.
Quando ambos filmes estreiaram não só Audrey comentou para a imprensa que tinha assitido “Poppins” numa tarde em New York ao lado de Mel Ferrer e ambos estavam mais do que encantados com a atuação de Julie («Julie was simply wonderful»), como a própria Julie teceu grandes elogios para Audrey em "Lady". Quando jornalistas lhe perguntaram sobre a « dublagem » da voz de Audrey ela, como uma dama, respondeu que é uma coisa muito difícil, uma árdua tarefa mas totalmente «OK» se voce sabe dar conta do recado, como era o caso de Audrey, a grande profissional que foi!
Na noite do Golden Globe as duas estavam nominadas como melhores atrizes.
A veterana Audrey e a novata no Cinema, Julie.
Julie recebeu a estátua e, agradecendo, não resistiu à tentação a dar seus agradecimentos para “a man who made a great film and made all this possible for me: Mr. Jack Warner” (o homem que fez tudo isto ser possível par mim: Mr. Jack Warner). Momento sensacional, cheio de humor, sarcasmo e MUITA classe… nata em Julie (imagino também Audrey, outra dama, falando exatamente as mesmas palavras).
O público simplesmente delirou…
Semanas mais tarde, na cerimonia do «Oscar», Julie (nervosa) estava nominada como melhor atriz (Audrey não foi nominada) e concorria com Anne Bancroft, Sophia Loren, Debbie Reynolds e Kim Stanley. Páreo duro. Principalmente se se pensa que seu desempenho foi num filme musical… Bancroft, por exemplo, concorria num papel dificílimo, de uma mulher em alto grau de depressão e panico em «The Pumpkin Eater».
E Kim Stanley… a grande Kim Stanley…
Rex Harrison recebeu o Oscar como melhor ator por seu “Professor Higgins” em “Lady” das mãos de Audrey Hepburn, que desta forma estve presente na cerimonia e mostrou muita classe, apesar de não ter sido nominada no “filme do ano”.
No seu breve discurso ele disse: “Deep Love to TWO fair Ladies, I think…” (“meu profundo amor à DUAS belas damas, acho.. ») e Audrey comentou : “Oh, yes!”.
Que dama…
Julie recebeu o Oscar de melhor atriz e disse, com aquele ar britânico tão seu (que, como alguém uma vez sábiamente disse, nos faz «entender o porque de termos vencido a guerra»):
“You americans are famous for your hospitality, but this is ridiculous”.
Aqui cenas memoráveis destas duas noites… sublinhando porém a classe destas duas «Ladies» que manteram, durante toda esta época na qual a imprensa tentou jogá-las numa terrível intriga de “rivalidade", sua serenidade e, acima de tudo, sua classe!
Ahhh… hoje em dia parece que classe saiu da moda…
P.S. Marni Nixon conseguiu finalmente um papel no Cinema, como uma das freiras em “The Sound of Music” (A Noviça rebelde, 1965). Quando os ensaios começaram, ela estava muito apreensiva sobre a reação de Julie com ela… Assim com o oesto do "cast". A final de contas ela havia dublado Audrey em "Lady"… Como Julie reagiria à isso?
Quando a porta abriu e Julie entrou na sala de ensaios, olhou para Marni, correu em sua direção, abraçou-a e disse:
“Marni Nixon, I am such a great fan of yours!” (“Sou uma grande fã sua!”).
Classe.
Quando, na Warner em 1963, o projeto “My Fair lady” começou, começou ao mesmo tempo uma das maiores disputas da história do cinema pelo papel de “Eliza”, quase comparável a disputa pelo papel de “Scarlett O’Hara”.
Muitos nomes foram cogitados (inclusive Doris Day, Elizabeth Taylor, Shirley Maclaine…). A criadora do papel na Broadway foi logo tirada desta disputa por ser (nas palavras do próprio Mr. Warner) práticamente desconhecida fora dos U.S.A. e da Inglaterra, por “só ter feito” teatro (“só” Broadway e “West-End”) e televisão, por ser muito baixa, nada fotogenica, por ter um queixo descomunal e um nariz muito longo: Julie Andrews.
Como todos sabemos, a linda Audrey Hepburn recebeu o papel, foi dublada na maioria de suas canções por Marni Nixon (a voz de Natalie Wood em “West Side Story” e a de Deborah Kerr em “The King and I”, entre outras) e recebeu a difícil tarefa de transformar-se em Eliza, papel no qual Andrews foi durante anos, em N.Y. e Londres, elogidíssima!
Trocando em miúdos: "prato feito" para a imprensa... para intrigas... para compará-las...
Julie assinou um contrato com Walt Disney para um outro projeto chamado “Mary Poppins”.
E um dos mais interessantes capítulos da história do cinema começava.
Quando Julie, depois de assinar seu contrato, saiu dos estúdios de Disney, seu carro passou pelas portas da Warner, ela exclamou: “…and have a good day, Mr. Warner!”
Apesar de hoje em dia esquecermos que teria sido impossível para Julie trabalhar nos dois filmes (pois foram filmados na mesma época), parece ainda existir no ar uma certa interpretação de “disputa” entre as duas atrizes. Entre estas duas damas.
Não.
Acho que tudo foi criado pela cruel imprensa.
Quando ambos filmes estreiaram não só Audrey comentou para a imprensa que tinha assitido “Poppins” numa tarde em New York ao lado de Mel Ferrer e ambos estavam mais do que encantados com a atuação de Julie («Julie was simply wonderful»), como a própria Julie teceu grandes elogios para Audrey em "Lady". Quando jornalistas lhe perguntaram sobre a « dublagem » da voz de Audrey ela, como uma dama, respondeu que é uma coisa muito difícil, uma árdua tarefa mas totalmente «OK» se voce sabe dar conta do recado, como era o caso de Audrey, a grande profissional que foi!
Na noite do Golden Globe as duas estavam nominadas como melhores atrizes.
A veterana Audrey e a novata no Cinema, Julie.
Julie recebeu a estátua e, agradecendo, não resistiu à tentação a dar seus agradecimentos para “a man who made a great film and made all this possible for me: Mr. Jack Warner” (o homem que fez tudo isto ser possível par mim: Mr. Jack Warner). Momento sensacional, cheio de humor, sarcasmo e MUITA classe… nata em Julie (imagino também Audrey, outra dama, falando exatamente as mesmas palavras).
O público simplesmente delirou…
Semanas mais tarde, na cerimonia do «Oscar», Julie (nervosa) estava nominada como melhor atriz (Audrey não foi nominada) e concorria com Anne Bancroft, Sophia Loren, Debbie Reynolds e Kim Stanley. Páreo duro. Principalmente se se pensa que seu desempenho foi num filme musical… Bancroft, por exemplo, concorria num papel dificílimo, de uma mulher em alto grau de depressão e panico em «The Pumpkin Eater».
E Kim Stanley… a grande Kim Stanley…
Rex Harrison recebeu o Oscar como melhor ator por seu “Professor Higgins” em “Lady” das mãos de Audrey Hepburn, que desta forma estve presente na cerimonia e mostrou muita classe, apesar de não ter sido nominada no “filme do ano”.
No seu breve discurso ele disse: “Deep Love to TWO fair Ladies, I think…” (“meu profundo amor à DUAS belas damas, acho.. ») e Audrey comentou : “Oh, yes!”.
Que dama…
Julie recebeu o Oscar de melhor atriz e disse, com aquele ar britânico tão seu (que, como alguém uma vez sábiamente disse, nos faz «entender o porque de termos vencido a guerra»):
“You americans are famous for your hospitality, but this is ridiculous”.
Aqui cenas memoráveis destas duas noites… sublinhando porém a classe destas duas «Ladies» que manteram, durante toda esta época na qual a imprensa tentou jogá-las numa terrível intriga de “rivalidade", sua serenidade e, acima de tudo, sua classe!
Ahhh… hoje em dia parece que classe saiu da moda…
P.S. Marni Nixon conseguiu finalmente um papel no Cinema, como uma das freiras em “The Sound of Music” (A Noviça rebelde, 1965). Quando os ensaios começaram, ela estava muito apreensiva sobre a reação de Julie com ela… Assim com o oesto do "cast". A final de contas ela havia dublado Audrey em "Lady"… Como Julie reagiria à isso?
Quando a porta abriu e Julie entrou na sala de ensaios, olhou para Marni, correu em sua direção, abraçou-a e disse:
“Marni Nixon, I am such a great fan of yours!” (“Sou uma grande fã sua!”).
Classe.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
REMEMBERING: duas vezes "Lullaby of Broadway"
Doris Day, sua longuíssima saia (impressionante não tropeçar nela ao subir e descer essas escadas SEM olhar para os degraus) e o fantástico e hoje esquecido Gene Nelson, um dos melhores bailarinos que o cinema já teve, aos sons de “Lullaby of Broadway” do filme homonimo (e também esquecido, no Brasil chamado estranhamente de "O Rouxinol da Broadway") da Warner de 1951. Sensacional número musical bem ao sabor do início dos anos 50. Gostei de reencontrar este filme, esta cena… Nada existe como um filminho assim para a tarde de um sábado chuvoso…
Música escrita por Harry Warren e Al Dubin em 1935 e maravilhosamente usada no filme “As cavadoras de ouro” (“The gold diggers", 1935).
E porque não um pouco do genial sapateado de “The gold diggers”???? Ainda não é sábado… mas… divirtam-se!!! Muita arte neste "preto-e-branco"!
Deliciosas "folias" musicais... e quanto ensaio por trás de tudo isso... Viva o filme e o talento musical!
Música escrita por Harry Warren e Al Dubin em 1935 e maravilhosamente usada no filme “As cavadoras de ouro” (“The gold diggers", 1935).
E porque não um pouco do genial sapateado de “The gold diggers”???? Ainda não é sábado… mas… divirtam-se!!! Muita arte neste "preto-e-branco"!
Deliciosas "folias" musicais... e quanto ensaio por trás de tudo isso... Viva o filme e o talento musical!
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Doris Day reinventada: "Ten Cents a Dance" - a much darker side...
Há algumas semanas coloquei aqui uma tertúlia sobre Doris Day dançando!
E como fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que não sabiam que Doris tinha tido anos de ballet antes de um acidente ter acabado com seus sonhos de bailarina e ter-nos dado uma cantora (e depois uma atriz) já que não sabiam nem que ela havia dançado nos seus filmes!
Fiquei refletindo e cheguei à conclusão que Doris só é lembrada pelas suas comédias com Rock Hudson & co. dos anos 60 (nas quais ela sempre dava a impressão de ser uma “eterna virgem”) e não pelos (muitos) bons filmes que fez nos anos 50, época anterior ao clichée em que foi colocada - e do qual parecemos nos lembrar mais vívidamente...
Doris apareceu em deliciosos musicaizinhos como “By the Light of the silvery Moon”, “No, No, Nanette” , “Lullaby of Broadway”, “April in Paris” no qual ela parece ainda “bem verde” mas ao mesmo tempo fez filmes sérios nos quais se constata que ela, com uma boa direção, funcionava – e muito bem por sinal! Lembro-me em especial de um bom filme com Ginger Rogers chamado “Storm Warning”… sobre o Ku-Klux-Kan - estamos falando de 1951!
Seguiram outros filmes com mais “conteúdo” como
“The Man who knew too much” (Hitchcock) com James Stewart,
“Julie” com Louis Jourdan,
o fantástico “Midnight Lace” (A Teia de Renda negra) de Stanley Donen ao lado de Rex Harrison
e o excelente “Ama-me ou Esqueça-me” (Love me or leave me, MGM 1955) de uma época em que estava "en vogue" filmar-se biografias de cantoras...
Neste Doris interpreta a carreira de Ruth Etting,
cantora americana, que despontou nos palcos da Broadway e depois foi levada para Hollywood – com certa “ajuda” de um gangster que se chamava Snyder (no filme interpretado por James Cagney) que, depois de estuprá-la, casou-se com ela.
Doris dá vida a um caráter real, sofrido, vezes amargo e cínico cantando vários números do repertório de Etting.
Gosto muito deste número, chamado ♫ ♪ “Ten Cents a Dance” ♪ ♫ (no filme o número é inspirado no próprio “passado” de Etting e este mesmo número, aliás, foi também brilhantemente cantado por Michelle Pfeiffer em "The fabulous Baker Boys") no qual dá vida à uma “Taxi-Dancer” (uma forma mais “leve” de prostituição), antes de ter entrado numa barata “revista”…
By the way: AMO esta foto!
Mais uma daquelas baladas que me fascinam: a música das mulheres que sofrem, das eternas vítimas, das dependentes ou de um amor ou de um homem…
Doris – bem diferente de suas interpretações à la “Que sera, será” ou "Tea for Two" - tem aqui a boca caída nos cantos das mulheres que sofrem, um olhar opaco, cansado e a postura, com pernas ligeiramente separadas (um pequeno “toque” de vulgaridade, bem sutil) daquelas que tinham “um passado”, das mulheres “da rua”.
Gosto de Doris aqui, este lado, quase nunca revelado… e nunca mais usado desde então. A dark side… interessante de se assistir... Penso em sua carreira e no que seu marido "produtor" nos privou de ver... Sim, sua carreira poderia ter-se desenvolvido de outra forma (sem o clichée dos filmes de "eterna virgindade").
Nota: A cena que sucede "Ten Cents" é quase como uma "moldura" e nos mostra mais do caráter de Etting
Nota 2: A maioria vai se dar conta, pela primeira vez na vida, que Doris tinha "curvas" e também um busto!
Nota 3: Uma pena Doris não cantar a introdução do número. Penso que a MGM achou que era "bandeira" demais sobre "Taxi-dancers" e detalhes de sua profissão...
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domingo, 18 de julho de 2010
Do Ballet aos Musicais: Doris dances...
Aos 14 anos de idade Doris Kappelhoff, filha de imigrantes alemães, teve um sério acidente que deixou-a impossibilitada de mover-se por 18 meses e também acabou com o sonho no qual já há muito investia: ser uma bailarina.
O mundo perdeu uma bailarina mas ganhou uma cantora (e depois atriz): Doris Day.
Durante o princípio dos anos 50 Doris teve muitas oportunidades de provar que poderia ter sido uma boa bailarina.
Principalmente nos seus primeiros musicais.
Aqui uma das minhas cenas prediletas… Ao lado do fabuloso Gene Nelson no (quase) esquecido (porém delicioso) «Lullaby of Broadway» (No Brasil estranhamente chamado de "O Rouxinol da Broadway", 1951). Prestem bastante atenção à “limpeza” dos seus movimentos durante a parte em “slow-motion”… Quem teve boa escola não desaprende...
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O mundo perdeu uma bailarina mas ganhou uma cantora (e depois atriz): Doris Day.
Durante o princípio dos anos 50 Doris teve muitas oportunidades de provar que poderia ter sido uma boa bailarina.
Principalmente nos seus primeiros musicais.
Aqui uma das minhas cenas prediletas… Ao lado do fabuloso Gene Nelson no (quase) esquecido (porém delicioso) «Lullaby of Broadway» (No Brasil estranhamente chamado de "O Rouxinol da Broadway", 1951). Prestem bastante atenção à “limpeza” dos seus movimentos durante a parte em “slow-motion”… Quem teve boa escola não desaprende...
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sábado, 3 de abril de 2010
April in Paris... Ella Fitzgerald e eu... Um dia especial...
Já que hoje é meu aniversário, estou "fugindo de Viena", fazendo as malas, indo para Paris para celebrar uma data que não sei se é para celebrar! Mas, what the hell... vamos celebrar sim... Hoje eu quero celebrar... Já não o faço há anos! As 14.30 hs deveremos estar lá...
Penso num esquecido filme de Doris Day (que aliás faz também aniversário hoje como faria Marlon Brando se estivesse vivo... ).
Penso em quadros com mercados e flores.
E em Leslie Caron e Gene Kelly num deles em "An american in Paris".
Hoje à noite jantaremos num Bateau Mouche. Uma surpresa da qual ninguém ainda sabe... Mal posso esperar pelas luzes da cidade nos involvendo... A música nos levando... e pelo Foie gras!!!!
Sim... Estar em Paris, esta cidade que é em si uma obra de arte, com pessoas que amo, dias livres para passear e ficar observando "la vie parisienne" e NENHUM compromisso... só tempo para conversar, beber intermináveis cafés (au-lait?), comer croissants e marron-glacé naquela confeitaria da Place de la Madeleine, fazer umas compras, curtir museus, parques e o "Rive gauche" (onde nosso hotel está situado e quem sabe ver Mlle. Caron que mora por lá? Ía no domingo de páscoa comer no seu Aubérge 100 km ao sul de Paris mas ela colocou-o à venda... está fechado... que pena) e, por que não, curtir um pouco esta cidade "à la americaine". Numa boa tradição dos anos 50! Para isto preciso porém de Ella Fitzgerald. Ella, minha Deusa, o palco é seu... Cante para mim, para nós hoje!
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Penso num esquecido filme de Doris Day (que aliás faz também aniversário hoje como faria Marlon Brando se estivesse vivo... ).
Penso em quadros com mercados e flores.
E em Leslie Caron e Gene Kelly num deles em "An american in Paris".
Hoje à noite jantaremos num Bateau Mouche. Uma surpresa da qual ninguém ainda sabe... Mal posso esperar pelas luzes da cidade nos involvendo... A música nos levando... e pelo Foie gras!!!!
Sim... Estar em Paris, esta cidade que é em si uma obra de arte, com pessoas que amo, dias livres para passear e ficar observando "la vie parisienne" e NENHUM compromisso... só tempo para conversar, beber intermináveis cafés (au-lait?), comer croissants e marron-glacé naquela confeitaria da Place de la Madeleine, fazer umas compras, curtir museus, parques e o "Rive gauche" (onde nosso hotel está situado e quem sabe ver Mlle. Caron que mora por lá? Ía no domingo de páscoa comer no seu Aubérge 100 km ao sul de Paris mas ela colocou-o à venda... está fechado... que pena) e, por que não, curtir um pouco esta cidade "à la americaine". Numa boa tradição dos anos 50! Para isto preciso porém de Ella Fitzgerald. Ella, minha Deusa, o palco é seu... Cante para mim, para nós hoje!
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Profissão: Doméstica
Vivendo desde 1981 na Europa aprendi, no que diz respeito à „casa“, não só a fazer mil coisas que jamais teria aprendido no Rio de Janeiro mas também a dar um grande valor às empregadas, às domésticas, às "escravas" do século XXI, como bem documentado em „Profissão: Doméstica“, um fantástico documentário de 1993 de Sérgio Goldenberg, que recebeu o „North-South Award“ no Festival Nord-Sud em Genebra (Se alguém o tiver e tiver como fazer-me uma cópia… Um filme com muito humor e de uma sensibilidade fora do comum).

As pobrezinhas que chegaram de algum lugarejo do interior (onde deveriam ter permanecido), com uma trouxa ou, na melhor das hipóteses, com uma malinha, os sonhos de Cinderella, de „cidade grande“ dentro da bolsa a tiracolo de matéria plástica ao lado da revista „Amiga“… Muitas querem ser „artista da Globo“ ou até "modelo", mas com o passar do tempo e com a perda dos dentes, passam a ter um orgulho das casas onde trabalham, como se fossem suas… Maravilhosos diálogos deste documentário nos mostram como estes anjos pensam. Sim, estes „anjos“ que estão alí, dia após dia, com uma folga talvez por quinzena, limpando, arrumando, lavando, passando, levando as crianças à escola, tomando conta delas, levando o cachorro para passear, indo buscar cigarro no bar da esquina, fazendo compras e às vezes até cozinhando. Por um salário de fome. Como uma coitadinha, chamada Selma, que conheci uma vez numa casa da Urca. Nessa casa de classe média alta falida, onde tudo é de „razoável“ bom-gosto, leva-se um choque no momento em que se sai da sala e entra na cozinha: à partir d’aí tem-se a impressão de estar numa „Senzala“. Assim moram muitas destas pobrezinhas. E mesmo assim sabem sorrir.
E as „empregadas“ do Cinema?
Fico pensando nas atrizes que ao longo dos anos foram as „domésticas“ da sétima arte.
Durante uma longuíssima época a cor da pele definia quem faria os papéis das empregadas.
Hattie McDaniel foi uma destas atrizes que (apesar do Oscar que recebeu em 1939 por sua „Mammy“ servindo Vivien Leigh em „Gone with the Wind“ „…e o Vento levou!“) foi sempre condenada aos papéis de doméstica.

A engracadíssima Butterfly McQueen (Prissy, que também servia Vivien Leigh em GWTW)
foi outra que nunca conseguiu libertar-se deste tipo de papel. Aqui em „Mildred Pierce“ (Warner, 1944) filme no qual servia Joan Crawford.
E até Billie Holiday (em 1947 em seu único papel cinematográfico no esquecido „New Orleans“, junto a Louis Armstrong) deu vida à uma empregada: neste filme a tristeza de Billie é quase palpável. Ela estava completamente indignada com seu papel…
Em 1944 Marjorie Main servia a família de Judy Garland em „Meet me in St. Louis“ – uma engraçada, decidida e meio mal-humorada doméstica…
Mas foi a magnífica atriz Judith Anderson que elevou um „papel de doméstica“ a um papel secundário de vital importancia – mesmo que maléfico – em „Rebecca“ (1940), servindo (e odiando) Joan Fontaine.
Alguem ainda se lembra da eficiente "Rosinha" dos Jetsons?

e da Anastácia (Jacira Sampaio)de Monteiro Lobato no "Sítio do Picapau Amarelo"?

Para mim a doméstica eterna sempre será Thelma Ritter que deu vida à várias... Sempre engraçadas, espirituosas.
Como em „All about Eve“ (A Malvada, 1950) servindo Bette Davis

Ou em „Janela Indiscreta“ (The rear Window, 1954) servindo James Stewart e investigando ao lado de Grace Kelly
Ou até como uma doméstica bebada inveterada (ela sempre chegava pela manha de ressaca) em „Pillow Talk“ (Confidencias à meia-noite, 1959) ao lado de Rock Hudson e servindo Doris Day (que sempre lhe servia um Bloody Mary de manha!)

E para finalizar duas „domésticas“ de uma outra categoria: Glenda Jackson e Susannah York (duas das minhas atrizes preferidas) como Solange e Claire, no mórbido porém grande filme „The Maids“ (1974) baseado na peça de Jean Genet. Duas empregadas irmãs, completamente alucinadas que acabaram matando a patroa, Vivien Merchant…
Admiro-me como isto não acontece com mais frequencia…

As pobrezinhas que chegaram de algum lugarejo do interior (onde deveriam ter permanecido), com uma trouxa ou, na melhor das hipóteses, com uma malinha, os sonhos de Cinderella, de „cidade grande“ dentro da bolsa a tiracolo de matéria plástica ao lado da revista „Amiga“… Muitas querem ser „artista da Globo“ ou até "modelo", mas com o passar do tempo e com a perda dos dentes, passam a ter um orgulho das casas onde trabalham, como se fossem suas… Maravilhosos diálogos deste documentário nos mostram como estes anjos pensam. Sim, estes „anjos“ que estão alí, dia após dia, com uma folga talvez por quinzena, limpando, arrumando, lavando, passando, levando as crianças à escola, tomando conta delas, levando o cachorro para passear, indo buscar cigarro no bar da esquina, fazendo compras e às vezes até cozinhando. Por um salário de fome. Como uma coitadinha, chamada Selma, que conheci uma vez numa casa da Urca. Nessa casa de classe média alta falida, onde tudo é de „razoável“ bom-gosto, leva-se um choque no momento em que se sai da sala e entra na cozinha: à partir d’aí tem-se a impressão de estar numa „Senzala“. Assim moram muitas destas pobrezinhas. E mesmo assim sabem sorrir.
E as „empregadas“ do Cinema?
Fico pensando nas atrizes que ao longo dos anos foram as „domésticas“ da sétima arte.
Durante uma longuíssima época a cor da pele definia quem faria os papéis das empregadas.
Hattie McDaniel foi uma destas atrizes que (apesar do Oscar que recebeu em 1939 por sua „Mammy“ servindo Vivien Leigh em „Gone with the Wind“ „…e o Vento levou!“) foi sempre condenada aos papéis de doméstica.

A engracadíssima Butterfly McQueen (Prissy, que também servia Vivien Leigh em GWTW)

foi outra que nunca conseguiu libertar-se deste tipo de papel. Aqui em „Mildred Pierce“ (Warner, 1944) filme no qual servia Joan Crawford.

E até Billie Holiday (em 1947 em seu único papel cinematográfico no esquecido „New Orleans“, junto a Louis Armstrong) deu vida à uma empregada: neste filme a tristeza de Billie é quase palpável. Ela estava completamente indignada com seu papel…

Em 1944 Marjorie Main servia a família de Judy Garland em „Meet me in St. Louis“ – uma engraçada, decidida e meio mal-humorada doméstica…

Mas foi a magnífica atriz Judith Anderson que elevou um „papel de doméstica“ a um papel secundário de vital importancia – mesmo que maléfico – em „Rebecca“ (1940), servindo (e odiando) Joan Fontaine.

Alguem ainda se lembra da eficiente "Rosinha" dos Jetsons?

e da Anastácia (Jacira Sampaio)de Monteiro Lobato no "Sítio do Picapau Amarelo"?

Para mim a doméstica eterna sempre será Thelma Ritter que deu vida à várias... Sempre engraçadas, espirituosas.
Como em „All about Eve“ (A Malvada, 1950) servindo Bette Davis

Ou em „Janela Indiscreta“ (The rear Window, 1954) servindo James Stewart e investigando ao lado de Grace Kelly

Ou até como uma doméstica bebada inveterada (ela sempre chegava pela manha de ressaca) em „Pillow Talk“ (Confidencias à meia-noite, 1959) ao lado de Rock Hudson e servindo Doris Day (que sempre lhe servia um Bloody Mary de manha!)


E para finalizar duas „domésticas“ de uma outra categoria: Glenda Jackson e Susannah York (duas das minhas atrizes preferidas) como Solange e Claire, no mórbido porém grande filme „The Maids“ (1974) baseado na peça de Jean Genet. Duas empregadas irmãs, completamente alucinadas que acabaram matando a patroa, Vivien Merchant…

Admiro-me como isto não acontece com mais frequencia…
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A „Folhinha“, a „Sessão das Duas“ e vários filmes esquecidos.
Gostei muito quando a querida Márcia (a "Paçoca") comentou que tinha gostado da postagem „tipo Sessão da Tarde“ (Judy e Mickey dançando a „Conga“). Esta sua exclamação espontânea trouxe-me, como um presente, boas lembranças.
Remexendo em recortes velhos de jornal, artigos de revistas, programas de teatro, fotos de cinema e muitas recordações dos anos 60, 70 da „famosa caixinha“ encontrei este recorte (acho que do „Jornal do Brasil“) que, creio eu, é dos anos 70: „Star!“ com Julie Andrews foi/ é um filme que adoro – apesar de ter sido um dos maiores fracassos da história do cinema e ter catapultado a carreira de Andrews para um poço de esquecimento durante muitos anos. Um dia falaremos sobre ele.

Deixando tantas recordações passarem por minhas mãos, lembrei-me de um fato gostoso: já nos anos 60 – digamos que com uns 8, 9 anos de idade – eu „colecionava“ estes „quadradinhos“ do jornal sobre os filmes que assistia e gostava. Cliquem no recorte de jornal para ve-los. Naquela época minha principal fonte de informação cinematográfica eram os maravilhosos cinemas do Rio (vide minha postagem de 17.12.2008) e a „Sessão das Duas“ (que sempre começava atrasada) muitos anos antes de ter-se transformado na „Sessão da Tarde“. Lembro-me de uma folhinha de papel (sim só uma) na qual eu colecionava e colava (dos dois lados) estes quadradinhos com o nome do filme (muitas vezes o título original em ingles estava mal escrito, com erros), elenco, a data e uma pequena descrição da estória. Eu colava aqueles recortezinhos de jornal com todo cuidado para nem sujar nem lambusar minha preciosa folhinha importante (usando cola „Polar“, lembram? Era branca, nada parecida à „Goma arábica“ ou „Araldite“ – tirei esta agora do fundo do baú, hein?). Se penso bem, há quarenta anos atrás, aquela folhinha foi o início da minha vida de colecionador, catalogador de coisas em referencia a cinema. Meu primeiro real „Arquivo“. Naquela idade eu já era descaradamente um amante do cinema! Não mudei muito... Este "state of mind", melhor, este "Love Affair" existe até hoje. Raras vezes quando revejo um filme que não "leio" alguma coisa nova nele.

Hoje em dia tenhos meus filmes, meus DVDs (alguns vídeos ainda), CDs (Long-Plays e compactos também; nunca me desfiz deles) e ainda recortes, programas, fotos etc.etc. minuciosamente organizados e catalogados. Encontro tudo.
Mas, aqui entre nós, fiquei com saudades daquela folhinha que foi perdida. Como seria bom te-la ainda… Saudades daquela simplicidade e ingenuidade de criança. Saudades do orgulho que tinha em ter uma folhinha dos MEUS filmes prediletos. Saudades dos tempos em que cada filme de Fred & Ginger era uma emocionante surpresa e descoberta. Saudades do dia em que descobri que já tinha assitido 9 dos 10 filmes que esta dupla tinha feito e de como fiquei orgulhoso. Saudades de chegar em casa do colégio e as vezes almoçar vendo um filme (na TV „Philco“, ainda em preto-e-branco). Saudades de não entender porque todos meus amiguinhos gostavam mais de Ié-ié-ié do que das baladas de Nat „King“ Cole, das Chansons de Jacqueline François, da música de Gershwin, Cole Porter e Irving Berlin ou dos sucessos mais populares de Doris Day. Ou porque preferiam assistir „Se meu Fusca falasse“ em vez de „Cantando na Chuva“…
Lembro-me ainda de alguns recortes que enchiam aquela folhinha:
Filmes antiquíssimos - quase que invariavelmente da RKO (porque?) – alguns dos quais nunca voltei a rever, como por exemplo:
„Em Pessoa“ (In Person, RKO 1935) com Ginger Rogers - foi dificílimo encontrar uma foto deste filme,

„O Corcunda de Notre Dame“ (RKO, 1939) com Charles Laughton e Maureen O’Hara como „Esmeralda“,
„O céu é o limite“ (The Sky’s the Limit, Columbia, 1943) com Fred Astaire e Joan Leslie,
„No Teatro da Vida“ (Stage Door, RKO, 1937) um „clássico“ de Gregory LaCava com Ginger, Katherine, Ann Miller, Eve Arden, Lucille Ball entre várias outras,
„Espelho d’alma“ (Dark Mirror, 1946) no qual Olivia de Havilland interpretava gêmeas. Um bom film-noir,
„O Covil das Serpentes“ (The Snake Pit, 1948) mais uma vez Olivia, desta vez num hospício (aqui na foto com a adorável Celeste Holm),
„A Mestiça“ (Spitfire, RKO 1934) – um dos mais ridículos títulos em português para um péssimo filme – com Katherine Hepburn,
„Dance, Girl, Dance“ (RKO, 1940) com O’Hara e Ball. Ótimo filme sobre Stripers... (veja minha postagem de 02.06.2008
e „Cleopatra“ (RKO, 1934), com a deliciosa Claudette Colbert no mesmo ano de "Aconteceu naquela Noite" (It happened one Night) e com muita „ousadia“ de Cecil B. de Mille (numa era anterior ao Hays-Code de censura – e isto na „Sessão das Duas“!).


Pena eu não lembrar-me de outros títulos... Sim havia um filme chamado "Stella", sobre uma mulher que foi presa... Do resto nao me lembro... quem eram os atores? Quando foi feito? Nenhuma idéia mais...
- Será que voces conhecem ou lembram-se de algum destes filmes acima?
Remexendo em recortes velhos de jornal, artigos de revistas, programas de teatro, fotos de cinema e muitas recordações dos anos 60, 70 da „famosa caixinha“ encontrei este recorte (acho que do „Jornal do Brasil“) que, creio eu, é dos anos 70: „Star!“ com Julie Andrews foi/ é um filme que adoro – apesar de ter sido um dos maiores fracassos da história do cinema e ter catapultado a carreira de Andrews para um poço de esquecimento durante muitos anos. Um dia falaremos sobre ele.

Deixando tantas recordações passarem por minhas mãos, lembrei-me de um fato gostoso: já nos anos 60 – digamos que com uns 8, 9 anos de idade – eu „colecionava“ estes „quadradinhos“ do jornal sobre os filmes que assistia e gostava. Cliquem no recorte de jornal para ve-los. Naquela época minha principal fonte de informação cinematográfica eram os maravilhosos cinemas do Rio (vide minha postagem de 17.12.2008) e a „Sessão das Duas“ (que sempre começava atrasada) muitos anos antes de ter-se transformado na „Sessão da Tarde“. Lembro-me de uma folhinha de papel (sim só uma) na qual eu colecionava e colava (dos dois lados) estes quadradinhos com o nome do filme (muitas vezes o título original em ingles estava mal escrito, com erros), elenco, a data e uma pequena descrição da estória. Eu colava aqueles recortezinhos de jornal com todo cuidado para nem sujar nem lambusar minha preciosa folhinha importante (usando cola „Polar“, lembram? Era branca, nada parecida à „Goma arábica“ ou „Araldite“ – tirei esta agora do fundo do baú, hein?). Se penso bem, há quarenta anos atrás, aquela folhinha foi o início da minha vida de colecionador, catalogador de coisas em referencia a cinema. Meu primeiro real „Arquivo“. Naquela idade eu já era descaradamente um amante do cinema! Não mudei muito... Este "state of mind", melhor, este "Love Affair" existe até hoje. Raras vezes quando revejo um filme que não "leio" alguma coisa nova nele.

Hoje em dia tenhos meus filmes, meus DVDs (alguns vídeos ainda), CDs (Long-Plays e compactos também; nunca me desfiz deles) e ainda recortes, programas, fotos etc.etc. minuciosamente organizados e catalogados. Encontro tudo.
Mas, aqui entre nós, fiquei com saudades daquela folhinha que foi perdida. Como seria bom te-la ainda… Saudades daquela simplicidade e ingenuidade de criança. Saudades do orgulho que tinha em ter uma folhinha dos MEUS filmes prediletos. Saudades dos tempos em que cada filme de Fred & Ginger era uma emocionante surpresa e descoberta. Saudades do dia em que descobri que já tinha assitido 9 dos 10 filmes que esta dupla tinha feito e de como fiquei orgulhoso. Saudades de chegar em casa do colégio e as vezes almoçar vendo um filme (na TV „Philco“, ainda em preto-e-branco). Saudades de não entender porque todos meus amiguinhos gostavam mais de Ié-ié-ié do que das baladas de Nat „King“ Cole, das Chansons de Jacqueline François, da música de Gershwin, Cole Porter e Irving Berlin ou dos sucessos mais populares de Doris Day. Ou porque preferiam assistir „Se meu Fusca falasse“ em vez de „Cantando na Chuva“…
Lembro-me ainda de alguns recortes que enchiam aquela folhinha:
Filmes antiquíssimos - quase que invariavelmente da RKO (porque?) – alguns dos quais nunca voltei a rever, como por exemplo:
„Em Pessoa“ (In Person, RKO 1935) com Ginger Rogers - foi dificílimo encontrar uma foto deste filme,

„O Corcunda de Notre Dame“ (RKO, 1939) com Charles Laughton e Maureen O’Hara como „Esmeralda“,

„O céu é o limite“ (The Sky’s the Limit, Columbia, 1943) com Fred Astaire e Joan Leslie,

„No Teatro da Vida“ (Stage Door, RKO, 1937) um „clássico“ de Gregory LaCava com Ginger, Katherine, Ann Miller, Eve Arden, Lucille Ball entre várias outras,

„Espelho d’alma“ (Dark Mirror, 1946) no qual Olivia de Havilland interpretava gêmeas. Um bom film-noir,

„O Covil das Serpentes“ (The Snake Pit, 1948) mais uma vez Olivia, desta vez num hospício (aqui na foto com a adorável Celeste Holm),

„A Mestiça“ (Spitfire, RKO 1934) – um dos mais ridículos títulos em português para um péssimo filme – com Katherine Hepburn,

„Dance, Girl, Dance“ (RKO, 1940) com O’Hara e Ball. Ótimo filme sobre Stripers... (veja minha postagem de 02.06.2008

e „Cleopatra“ (RKO, 1934), com a deliciosa Claudette Colbert no mesmo ano de "Aconteceu naquela Noite" (It happened one Night) e com muita „ousadia“ de Cecil B. de Mille (numa era anterior ao Hays-Code de censura – e isto na „Sessão das Duas“!).


Pena eu não lembrar-me de outros títulos... Sim havia um filme chamado "Stella", sobre uma mulher que foi presa... Do resto nao me lembro... quem eram os atores? Quando foi feito? Nenhuma idéia mais...
- Será que voces conhecem ou lembram-se de algum destes filmes acima?
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