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domingo, 10 de abril de 2016

Shall we dance?

A sunday afternoon...


Is there a more perfect time to watch this?

domingo, 17 de janeiro de 2016

Deborah Kerr: our love Affair (An Affair to remember, 1957)


Um eterno e lindo filme – por mais „schmalzy“ que seja – para nos fazer chorar de emoção... e de felicidade!

Sempre amei e sempre amarei Deborah Kerr.


Para mim ela simboliza a dignidade, a classe de muitas „britanicas“ (ela era escocesa) com seu maravilhoso porte, sua pele branca e uma elegancia discreta, quase em “understatement”…
Breeding… good breeding… very good indeed.
E tudo isto além de ser uma fortaleza, em relação ao seu trabalho, atrás desta fachada de “english rose”.

Já nao se "produzem" Ladies como essa... "saíram de moda"!

E que orgulhoso sou, neste caso, de ser démodé!

Como alguém disse um dia, sábiamente: ela possui “aquela qualidade” que nos faz entender porque “eles” (os britanicos) ganharam a Guerra.

Obrigado Miss Kerr por esta maravilhosa cena, que é, mais uma vez, mais do que bem-vinda nesta fase de minha vida - uma que está cheia de amor.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"Our love affair" (1957)


Será que alguém ainda se lembra deste esquecido filme que nos fez chorar e soluçar de tanta emoção numa época em que tudo, e talvez nós também, éramos mais "naïve", profundamente mais impressionáveis e definitivamente muito mais puros? Penso em épocas nas quais a palavra "terrorismo" ainda era inexistente...

Que épocas...


Reassistindo nos últimos tres dias uma antiga série inglesa chamada “A woman of substance” na qual a querida Deborah Kerr tem um dos papéis principais, fiquei pensando sobre esta “english rose” (na realidade nascida na Escócia) que nos fascinou durante décadas numa grande diversidade de papéis…

Esta “classe” nata parece ter desaparecido das telas. Ela não mais existe. Saudades destas «Ladies» do cinema, principalmente destas «english roses»: gentis, delicadas, de bom gosto, simples, discretas mas fortes como aço quando necessário. Sim... com aquela qualidade - que alguém colocou tão bem em palavras – que nos faz entender «o porque deles terem vencido a guerra». Saudades destas atrizes...


Vou dedicar minhas próximas semanas aos filmes de Kerr que já há muito não assisto… Começarei talvez hoje mesmo com “Narcisso Negro”.

sábado, 8 de setembro de 2012

Julie, Audrey: TWO fair ladies... (e um maravilhoso agradecimento, repleto de classe, na noite do "Golden Globe")

My fair Lady... quando se pensa nas duas atrizes que criaram "Eliza" na Broadway e em Hollywood, este título não parece ser mero acaso...

Quando, na Warner em 1963, o projeto “My Fair lady” começou, começou ao mesmo tempo uma das maiores disputas da história do cinema pelo papel de “Eliza”, quase comparável a disputa pelo papel de “Scarlett O’Hara”.


Muitos nomes foram cogitados (inclusive Doris Day, Elizabeth Taylor, Shirley Maclaine…). A criadora do papel na Broadway foi logo tirada desta disputa por ser (nas palavras do próprio Mr. Warner) práticamente desconhecida fora dos U.S.A. e da Inglaterra, por “só ter feito” teatro (“só” Broadway e “West-End”) e televisão, por ser muito baixa, nada fotogenica, por ter um queixo descomunal e um nariz muito longo: Julie Andrews.

Como todos sabemos, a linda Audrey Hepburn recebeu o papel, foi dublada na maioria de suas canções por Marni Nixon (a voz de Natalie Wood em “West Side Story” e a de Deborah Kerr em “The King and I”, entre outras) e recebeu a difícil tarefa de transformar-se em Eliza, papel no qual Andrews foi durante anos, em N.Y. e Londres, elogidíssima!
Trocando em miúdos: "prato feito" para a imprensa... para intrigas... para compará-las...


Julie assinou um contrato com Walt Disney para um outro projeto chamado “Mary Poppins”.
E um dos mais interessantes capítulos da história do cinema começava.
Quando Julie, depois de assinar seu contrato, saiu dos estúdios de Disney, seu carro passou pelas portas da Warner, ela exclamou: “…and have a good day, Mr. Warner!”

Apesar de hoje em dia esquecermos que teria sido impossível para Julie trabalhar nos dois filmes (pois foram filmados na mesma época), parece ainda existir no ar uma certa interpretação de “disputa” entre as duas atrizes. Entre estas duas damas.
Não.
Acho que tudo foi criado pela cruel imprensa.


Quando ambos filmes estreiaram não só Audrey comentou para a imprensa que tinha assitido “Poppins” numa tarde em New York ao lado de Mel Ferrer e ambos estavam mais do que encantados com a atuação de Julie («Julie was simply wonderful»), como a própria Julie teceu grandes elogios para Audrey em "Lady". Quando jornalistas lhe perguntaram sobre a « dublagem » da voz de Audrey ela, como uma dama, respondeu que é uma coisa muito difícil, uma árdua tarefa mas totalmente «OK» se voce sabe dar conta do recado, como era o caso de Audrey, a grande profissional que foi!


Na noite do Golden Globe as duas estavam nominadas como melhores atrizes.

A veterana Audrey e a novata no Cinema, Julie.

Julie recebeu a estátua e, agradecendo, não resistiu à tentação a dar seus agradecimentos para “a man who made a great film and made all this possible for me: Mr. Jack Warner” (o homem que fez tudo isto ser possível par mim: Mr. Jack Warner). Momento sensacional, cheio de humor, sarcasmo e MUITA classe… nata em Julie (imagino também Audrey, outra dama, falando exatamente as mesmas palavras).
O público simplesmente delirou…



Semanas mais tarde, na cerimonia do «Oscar», Julie (nervosa) estava nominada como melhor atriz (Audrey não foi nominada) e concorria com Anne Bancroft, Sophia Loren, Debbie Reynolds e Kim Stanley. Páreo duro. Principalmente se se pensa que seu desempenho foi num filme musical… Bancroft, por exemplo, concorria num papel dificílimo, de uma mulher em alto grau de depressão e panico em «The Pumpkin Eater».
E Kim Stanley… a grande Kim Stanley


Rex Harrison
recebeu o Oscar como melhor ator por seu “Professor Higgins” em “Lady” das mãos de Audrey Hepburn, que desta forma estve presente na cerimonia e mostrou muita classe, apesar de não ter sido nominada no “filme do ano”.

No seu breve discurso ele disse: “Deep Love to TWO fair Ladies, I think…” (“meu profundo amor à DUAS belas damas, acho.. ») e Audrey comentou : “Oh, yes!”.

Que dama…



Julie recebeu o Oscar de melhor atriz e disse, com aquele ar britânico tão seu (que, como alguém uma vez sábiamente disse, nos faz «entender o porque de termos vencido a guerra»):
“You americans are famous for your hospitality, but this is ridiculous”.



Aqui cenas memoráveis destas duas noites… sublinhando porém a classe destas duas «Ladies» que manteram, durante toda esta época na qual a imprensa tentou jogá-las numa terrível intriga de “rivalidade", sua serenidade e, acima de tudo, sua classe!

Ahhh… hoje em dia parece que classe saiu da moda…



P.S. Marni Nixon conseguiu finalmente um papel no Cinema, como uma das freiras em “The Sound of Music” (A Noviça rebelde, 1965). Quando os ensaios começaram, ela estava muito apreensiva sobre a reação de Julie com ela… Assim com o oesto do "cast". A final de contas ela havia dublado Audrey em "Lady"… Como Julie reagiria à isso?

Quando a porta abriu e Julie entrou na sala de ensaios, olhou para Marni, correu em sua direção, abraçou-a e disse:
“Marni Nixon, I am such a great fan of yours!” (“Sou uma grande fã sua!”).

Classe.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Getting to know you: do "Petit Prince" à música de Rodgers e Hammerstein...

Voces se lembram como o pequeno Príncipe e a rapozinha se conheceram aos poucos?
Bem devagarzinho?

Jamais esquecerei a delicadeza dos sentimentos expressados por Saint-Exupéry nesta passagem do famoso livro… « Cativa-me » disse a rapozinha… lembram?

Os grandes Richard Rodgers e Oscar Hammerstein usaram esse mesmo tema em dois de seus melhores trabalhos.

Em « The Sound of Music » (1959) eles colocaram este « cativar » e « se conhecer aos poucos » na cena em que Maria canta para as crianças “My favourite Things”. Nesta ela “se expõe” completamente para elas contado de suas preferências… Sejam elas « Schnitzel with Noodles » ou poéticamente os “silver white Winters that melt into Springs” .


Julie Andrews comentou uma vez num documentário que o filmar dessa cena (1965, A Noviça rebelde) foi o momento em que conheceu realmente pela primeira vez os meninos com quem iria trabalhar por muitos meses… E a própria canção ajudou a cementar o que se transformaria numa amizade para toda a vida…


Em “The King and I” (originalmente de 1951) Deborah Kerr (no filme de 1957) tem uma postura mais direta e coloca logo a sugestão de “Getting to know you” no ar; como uma expectativa para esta “aula”.


Ela resume toda esta “viagem do conhecer-se, cativar-se” em duas simples frases (musicais).

Getting to know you,
Getting to know all about you.
Getting to like you,
Getting to hope you like me

e em

Haven't you noticed
Suddenly I'm bright and breezy?
Because of all the beautiful and new
Things I'm learning about you
Day .. by ... day…



E foi um pouco assim durante nossas férias na Tailândia – principalmente no hotel de Koh Samui onde ficamos os últimos dez dias.

O Staff sempre gentil, atencioso e sorridente, mas corretamente “com uma certa distância”, foi nos conhecendo “day by day”, peu à peu... da mesma forma que fomos lhe conhecendo e nos abrindo aos poucos, eles foram cada vez mais se abrindo para nós…
até o ponto da nossa despedida ter sido triste – lágrimas inclusive.

Não é mais, hoje em dia, “normal” conhecer-se pessoas que em questão de dias se transformam, por causa de sua educação, meiguice, carinho e energia em amigos. ´
Mesmo se nunca mais nor ver-mos, somos amigos para a vida! Eles tem seu lugar nos nossos corações!

Estamos falando, queridos Tertulianos de pessoas não privilegiadas financeiramente, pessoas que nada possuem, que tem € 50 por mes de salário e que mesmo assim quizeram nos dar um presente de despedida… pode coisa mais querida? Sim isso ainda existe… e neste mundo que é cheio de maldades, fofocas, calúnias, como foi “refrescante” voltar à “minha” Tailandia este outono…

Estamos falando, amigos Tertulianos, de pessoas que levam dentro de si a filosofia do Budismo – não falo de religião e sim de filosofia… Filosofia esta enraizada e “cementada” dentro da alma tailandesa, Que beleza!
Ahhhh, voces nem imaginam como esta viagem, espiritualmente, me fez bem!

A vida pode realmente ser um Obra de Arte!

Ao "Silavadee Pool & Spa Resort" o nosso grande agradecimento (e realmente recomendo este Boutique Hotel)!

And our Thanks and love to our Friends Anny, Aon, A, Pui, Sao, Golf, Tum, Nong and Vorn!

Kop-Khun-Krap & Sawadee-Krap!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

o Rei e Eu... e uma Viagem...

Na correria e desgaste desta semana, não encontrei tempo para postar mais um "Quizz". Foi bom pois a postagem sobre "minhas tres bailarinas" ficou mais tempo "no ar".
Agora eu é que "sairei do ar" para voltar só dia 26.09.
As Tertúlias tiram, por assim dizer, férias!
Mas aqui uma postagem ainda antes delas!


Adoro quando „estórias são contadas dentro de estórias”, com o exemplo mais lindo sendo “Un bel di vedremo” de Madame Butterfly… Mas hoje não falaremos de Ópera e sim de um musical « clássico » : The King and I…



Li este livro há muitos e muitos anos, assisti o filme com Rex Harrison e Irene Dunne, também o com Jodie Foster. A gravação de Julie Andrews, Ben Kingsley e Roger Moore também já se tornou um clássico (Pena Julie nunca ter sido “Miss Anna” no palco, muita pena... Foi um papel que sempre lhe interessou...).


Uma estória até hoje “meio proibida” na Tailândia (sabiam?), país onde se idolatra a realeza, por não expor o rei de forma nada positiva…

Esse musical estreiou nos anos 50 na Broadway… com Gertude Lawrence e Yul Brynner, um grande sucesso! Mas o cinema o eternizou num bom filme.


Porém com o passar dos anos, sendo sempre repetida no Teatro por Brynner (e por atrizes mais fracas) com seu grande carisma, sua grande reputação como “o Rei”, esta obra foi mutando gradativamente de “The king and I” para « THE KING and I ».
Coisas do mundo do Show-Business. Pobre Gertrude Lawrence, a primeira Anna e grande Dama do musical americano (e ingles) havia morrido…
Nao devemos jamais esquecer que o livro original (foto acima) foi escrito por Anna, uma mulher inteligente e crítica do século XIX, e não pelo monarca…

Deborah Kerr – sempre uma inspiração, uma das minhas atrizes predilteas – brilha no papel de Anna… Mais um de seus papéis de „English Rose » (imagem que tinha quebrado com « Daqui para a eternidade » e que só usou a partir de então quando quiz…)


Uma cena porém me é muito, muito querida.
A que “conta uma estória dentro da estória”.
A Narração e o Ballet sobre “A cabana do Pai Tomás” de forma (pseudo) tailândesa.
Apesar de extremamente estilizada para o Cinema gosto como esta cena está precisamente baseada nos movimentos da dança tailandesa, na postura das bailarinas com seus pés e cabeças especialíssimos. No uso vocal durante a dança.

AMO os efeitos (mesmo que Hollywoodisionados ao máximo) baseados nos efeitos cenicos do teatro Thai (e asiático em geral). Muito, muito bom!


Voces devem estar se perguntando o porque deste meu conhecimento. Estive muitas vezes na Tailândia no anos 80 e 90, pesquizei muito sua dança e (imaginem!) até fiz um curto curso de dança em Chiang-Mai! (Detalhe: ao mesmo tempo em que fiz um curso de cozinha Thai no qual me sucedi bem melhor! O que minha cozinha até hoje pode provar!).



Gosto imensamente da narração de Rita Moreno (uma "latina e tanto" que conhecemos e veneramos como a temperamental Anita de "West Side Story”... Alguém se lembrava que ela tinha estado neste filme?), especialmente pelo seu tom delicado (e meio “boring”) de voz nesse papel. Perfeita (como Thai… aliás, não!!! Ela é uma escrava burmesa!)

(A cena éum pouco longa mas vale a pena!)



E aqui um dos momentos "clássicos" da história do Cinema Musical! O eterno "Shall we dance?", uma linda polka... Mais uma daquelas declarações de amor na qual a palavra « amor » não é mencionada… Como com Eliza e Professor Higgins em “Lady”… Pensem nisso.


A pobrezinha de Deborah Kerr ao lado de Yul Brynner sofreu muito durante as filmagens desta cena... Diversos, intermináveis "Takes e Retakes” tiveram que ser feitos até camera, a luz, os atores, a coreografia em si (os dois não eram bailarinos) estarem "perfeitos".

O grande problema foi o vestido. Este pesava mais de 50 quilos... E ela tinha que ser às vezes colocada no soro depois das filmagens pela extrema perda de líquido pela qual estava passando…

Obrigado Deborah pela sua perseverança! Agradecemos de coração. Voce nos presenteou um momento realmente INESQUECÍVEL do Cinema!

Detalhe: Sabem para onde voo na sexta-feira de férias? I’ll you three guesses…

domingo, 20 de dezembro de 2009

REMEMBERING: Jennifer Jones

No dia 17 de Dezembro o mundo perdeu mais uma vez uma querida atriz dos áureos tempos de Hollywood: Jennifer Jones ( 2.3.1919 - 17.12.2009).
Como o mundo virtual está „fervendo“ com matérias sobre ela, não vou preocupar-me muito em contar sua história ou ir a fundo nos detalhes de seus filmes.

Gostaria porém de colocar algumas fotos dos meus filmes prediletos com ela. Talvez alguns, que ainda não assisti como „Clunny Brown“, „Love Letters“ ou „Indiscretion of an american Housewife“ venham a entrar nesta lista.

Ela tinha feito em 1939 dois filmes como Phyllis Isley, seu nome verdadeiro, sem o menor exito… Isto antes de passar por um intenso período de „grooming“ no qual transformaram-a em „Star-Material“. Seu primeiro filme como Jennifer Jones trouxe-lhe o Oscar de melhor atriz em 1943 „The Song of Bernadette“. Quatro outras nominações seguiriam no futuro.

Em „Since you went away“ (1944) ao lado de Claudette Colbert, Joseph Cotten, Shirley Temple, Lionel Barrymore e Robert Walker (seu marido na época) entre outros, teve grande exito com público e crítica.
Duelo ao Sol (Duel in the Sun, 1946) como a afetadíssima Pearl Chavez.
No meu filme preferido com ela: o inspirado e sensível O Retrato de Jennie (The portrait of Jennie, 1948), um dos filmes preferidos também de Luís Buñuel (Vejam também minha longa postagem de 14.02.2009 sobre este filme) e um dos mais fascinantes estudos cinematográficos sobre o tempo, o passado, magia....

1949 foi uma ano que lhe trouxe um sucesso imenso em Madame Bovary

e um grande fracasso: A produção inglesa „Gone to Earth“, filme incompreendido na época com um dos finais mais assustantes da história do cinema.

Jennifer afastou-se por três anos das telas, só voltando em 1952 em „Carrie“ onde se presencia a total destruição social e moral de Laurence Olivier, no filme seu amante.

Em 1955 como a médica eurásia, Dr. Han Suyin, ao lado de Bill Holden (de novo sem camisa) em „Love is a many splendored Thing“ (Suplício de uma Saudade), talvez o filme pelo qual até hoje é mais lembrada.

A cena do cigarro é até hoje (como a cena de praia entre Burt Lancaster e Deborah Kerr em „From Here to Eternity“) considerada um momento „erótico“ clássico dos anos 50.
Em „The Barrets of Wimpole Street“ (1957) interpretou a poetisa Elizabeth Barret Browning e numa interessantíssima e forte cena com Sir John Gieguld conseguiu o quase impossível na época: Sem nunca tocar na palavra revela ao público o amor incestuoso que seu pai por ela sentia e abandona a casa para casar-se com Browning.
Mais uma vez se afasta por muitos anos do cinema, voltando em „Tender is the Night“ (Suave é a Noite, 1962) ao lado de Jason Robards, Joan Fontaine e Tom Ewell. Lembro-me de uma descrição uma vez no Jornal do Brasil: „Jennifer Jones que neste filme tem a boca das mulheres que sofrem“ (Como eram bons os tempos mais moldados por sentimentos e sensibilidade, antes desta era tão „cool“ na qual vivemos).
Seu último filme foi „Inferno na Torre“ (The Towering Inferno, 1974) que assisti no „Roxy“ em Copacabana antes de ser dividido em vários cineminhas. Mas sobre este filme nao vale muito a pena falar.
Ela adoeceu sériamente com Parkinson, viu seu segundo marido morrer (o famoso produtor de …e o Vento levou! David O.Selznick) e sua filha de 21 anos se matar.
Agora Jennifer descansou!

Porque sempre me sinto „viúvo“ e „órfão“ ao mesmo tempo quando certos atores/atrizes de Hollywood morrem?

Aqui a inesquecível cena do baile de Madame Bovary - grande trabalho de Vincente Minelli: reparem no "timing" desta cena, principalmente a "extaseante" valsa "brilhante", a partir do quinto minuto deste vídeo, com o jovem e belo Louis Jourdan. Quanto simbolismo... A valsa, a extase, o quase desmaio, o romper dos cristais das janelas... Cinema at its very best!
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quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Branco no Cinema


O branco no cinema também teve seus clássicos, eternos momentos... Pensem, por exemplo, em "Dancing in the dark" com Fred Astaire e Cyd Charisse (que abusava do direito de ser elegante!) de "The Band Wagon" (A Roda da Fortuna, MGM 1954).

Na linda produção de Max Reinhard em Hollywood, “ A Midsummer’s Night Dream” de Shakespeare (Sonho de uma Noite de Verão, Warner 1935) uma série de criaturas celestiais aparecem de branco. Titânia, interpretada pela cativante Anita Louise, nos impressiona com uma magia cinematográfica da qual o uso de um guarda-roupa branco é também muito responsável!
Como que uma criatura assim tão mágica, etérea e tão cheia de luz pode apaixonar-se por um asno?


Ele, o branco, na minha opinião, não foi usado no cinema tão “pura- e etériamente” como o branco no Ballet mas ele também teve seu simbolismo: ele definitivamente definiu o perfil do “bem” em comparação ao “mal”, ele colocou “rafinesse” em certos personagens, assim como deu a entender que estes possuíam certas virtudes. Ele levantou das massas outros e deu classe a muitos. Ele “elevou” moças simples à outras atmosferas mais finas, como o imortal exemplo de Vincente Minelli: Madame Bovary. Ema que sempre sonhou com o explendor dos romances que lia, encontrou-se como uma princesa usando um vestido branco...
Sua cena bailando uma valsa com Louis Jourdan (Vincente Minelli com seus efeitos visuais), nos tira a respiração... O público fica estático, calado, só admirando a arte deste incrível diretor....


Este mesmo vestido acompanhará Ema a um sórdido hotel de terceira classe... mas a atmosfera é tão “baixa” que o vestido branco já não mais consegue criar sua magia.

Não é só o vestido, o branco que importa... Toda foto também tem que ter uma bela moldura... Pensem em um belo espelho de mão, com uma moldura de prata... It’s just a thought...

Penso também em Leslie Caron em Gigi, com uma elegancia digna de um quadro impressionista entrando no Maxim’s ao lado de Louis Jourdan (mais uma vez Jourdan aqui). Óbviamente a luz e direção de Vincente Minelli (mais uma vez Minelli e seus efeitos visuais aqui) só realçaram o guarda-roupa do magnífico e genial Cecil Beaton (sobre quem aliás quero um dia preparar uma série de postagens... que fotos ele fez!).

Mas o branco no cinema tem muitos lados: A freira interpretada por Deborah Kerr em “Heaven knows, Mr. Allyson” (1957) que manteve-se imaculadamente limpa durante todo o filme apesar de estar escondendo-se dos japoneses numa ilha no Pacífico (!!!???) é um exemplo. O Branco elevando o espírito.

De uma forma muito parecida o branco também deu à “Mrs Anna” de Kerr, a governante do lindo “The King and I” (1957) um ar ao mesmo tempo elevado, decente e honesto... e cheio de virtude!

Até Lucille Ball, anos antes de ter encontrado sua persona cômica, seu alter-ego ruivo chamado “Lucy”, também desfilou elegantemente (e loira!), como um manequim da época, em “Roberta” (um veículo de Fred Astaire e Ginger Rogers).

E por falar em Astaire & Rogers, aqui a primeira vez que Rogers usou “requinte” e não atuou ao lado de Fred como uma “Jazz-Babe” (acabando assim com o “slogan” que Katherine Hepburn tinha dado à dupla: “Fred gave Ginger class, Ginger gave Fred sex”). Aqui ela realmente usou sua própria classe e que cor usava? Branco naturalmente (Aliás um detalhe: o Branco era muito traiçoeiro nos filmes em prêto-e-branco do início dos anos 30, com uma iluminação ainda mais "básica" mais primitiva, que fazia-o refletir demais. Para conseguir-se o efeito de “branco” usava-se o azul claro. Este vestido, pelo qual Ginger lutou como uma leoa, já que todos na produção de “Top Hat” (O Piccolino, RKO 1935) estavam contra ele (e, irônicamente, é considerado, também pelo fato de ser feito com plumas de avestruz, como um dos mais “chiques” que ela usou) era na realidade azul claro !!!!!

Lamont & Lockwood, os astros do Cinema Mudo de “Singin’ in the rain” (Gene Kelly e Jean Hagen – vejam minha postagem sobre esta interessantíssima atriz de 08.11.2008) são práticamente “elevados” da multidão ao entrar na Premiére de seu filme pelo fato de estarem usando branco. Eles são “Stars”. Intocáveis, de branco...

Um dos espetáculos mais absurdamente “kitsch” (e dos mais maravilhosos!) da história do cinema foi o número “A Pretty Girl is like a Melody” – práticamente todo em branco e com uma atriz chamada Virginia Bruce (que também como Anita Louise – vide acima – sumiu!) – do filme “The great Ziegfeld” (MGM 1936). Este recebeu o Oscar de melhor filme do ano ( A MGM ganhou quatro por musicais: Broadway Melody (1929), The great Ziegfeld, An American in Paris (1951) e Gigi (1958). Os dois últimos dirigidos pelo mestre Minelli e estrelados por minha querida Leslie Caron...)

Leslie com Gene Kelly em m “An American in Paris” (Sinfonia em Paris, MGM 1951), de branco, anos antes de tornar-se uma beleza...

E, mais uma vez nesta postagem, em Gigi. A partir deste momento Leslie foi transformando-se numa mulher muito atraente...


Não podemos esquecê-la de branco, como um triste e absurdo pierrot no Carnaval do Rio de Janeiro, num número chamado “Paris, Hong-Kong, Rio” de um filme “esquecível”, chamado “Daddy Long Legs” (Papai Pernilongo, Fox 1955).

Como escrevo sobre Leslie Caron, não? Ainda há muito sobre ela “nas gavetas da memória”... Longos caminhos desde “An American” e “Lili” até “The L-shaped room” e “The Doctor’s Dilemma” (Veja minha postagem de 06.06.2008). Uma linda mulher!

Bergman dominou o filme (e ganhou um Oscar) como Paula, usando em algumas cenas branco. “Gaslight” (MGM 1944) - Vide minha postagem de 23.05.2008. Um grande filme com toda a sensibilidade de George Cukor... melhor dito, uma Obra-prima!

Mas um dos usos mais “suntuosos” do branco aconteceu no filme “Marie Antoinette” (MGM 1938). Neste Baile Antoinette, “L’Autrichienne”, irá encontrar Madame DuBarry, que estará usando negro, diferenciando assim o “bem” do “mal” (isto tudo num diálogo que só aconteceu em Hollywood... Antoinette durante sua vida inteira só dirigiu 6 - sim seis! - palavras à DuBarry. E isto porque Louis XV a obrigou!). Norma Shearer – também uma rainha da Metro – esquecida hoje em dia... Outra linda mulher!

Ah... e ainda faltam tantos de branco... lindas mulheres, charmosos galãs usando seus ternos e “Panamás”, números musicais, cenas inteiras, decórs... Tantos como Leigh, Garbo, Dietrich (muito interessante de branco no deserto do Sahara, no primeiro filme em Technicolor da história: The Garden of Allah, de 1936), Astaire, Tyrone Power, Shirley Temple e... Bem, outra vez continuamos... quem sabe...

Para finalizar esta postagem porém uma foto que junta de certa forma o Cinema à Danca: Vanessa Redgrave como Isadora Duncan em “Isadora” (1968). Uma bela aparição em branco... Eterna. Linda como é até hoje aos 70 e tantos anos...

A pequenina, a primeira da fila ao lado esquerdo (de boquinha aberta) é Natascha Richardson, bela atriz e filha de Redgrave, que faleceu num acidente de Ski há poucas semanas no Canadá... Aqui ela como Deirdre, filha de Isadora, que morreu num desastre que fez o carro (junto com seu irmãozinho e o Chauffeur) cair no Sena...

O branco deveria transformar-se de novo na cor também do luto (Vejam a postagem anterior à esta). O luto, a perda, a tristeza... Sentimentos puros como o amor...