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domingo, 20 de dezembro de 2009

REMEMBERING: Jennifer Jones

No dia 17 de Dezembro o mundo perdeu mais uma vez uma querida atriz dos áureos tempos de Hollywood: Jennifer Jones ( 2.3.1919 - 17.12.2009).
Como o mundo virtual está „fervendo“ com matérias sobre ela, não vou preocupar-me muito em contar sua história ou ir a fundo nos detalhes de seus filmes.

Gostaria porém de colocar algumas fotos dos meus filmes prediletos com ela. Talvez alguns, que ainda não assisti como „Clunny Brown“, „Love Letters“ ou „Indiscretion of an american Housewife“ venham a entrar nesta lista.

Ela tinha feito em 1939 dois filmes como Phyllis Isley, seu nome verdadeiro, sem o menor exito… Isto antes de passar por um intenso período de „grooming“ no qual transformaram-a em „Star-Material“. Seu primeiro filme como Jennifer Jones trouxe-lhe o Oscar de melhor atriz em 1943 „The Song of Bernadette“. Quatro outras nominações seguiriam no futuro.

Em „Since you went away“ (1944) ao lado de Claudette Colbert, Joseph Cotten, Shirley Temple, Lionel Barrymore e Robert Walker (seu marido na época) entre outros, teve grande exito com público e crítica.
Duelo ao Sol (Duel in the Sun, 1946) como a afetadíssima Pearl Chavez.
No meu filme preferido com ela: o inspirado e sensível O Retrato de Jennie (The portrait of Jennie, 1948), um dos filmes preferidos também de Luís Buñuel (Vejam também minha longa postagem de 14.02.2009 sobre este filme) e um dos mais fascinantes estudos cinematográficos sobre o tempo, o passado, magia....

1949 foi uma ano que lhe trouxe um sucesso imenso em Madame Bovary

e um grande fracasso: A produção inglesa „Gone to Earth“, filme incompreendido na época com um dos finais mais assustantes da história do cinema.

Jennifer afastou-se por três anos das telas, só voltando em 1952 em „Carrie“ onde se presencia a total destruição social e moral de Laurence Olivier, no filme seu amante.

Em 1955 como a médica eurásia, Dr. Han Suyin, ao lado de Bill Holden (de novo sem camisa) em „Love is a many splendored Thing“ (Suplício de uma Saudade), talvez o filme pelo qual até hoje é mais lembrada.

A cena do cigarro é até hoje (como a cena de praia entre Burt Lancaster e Deborah Kerr em „From Here to Eternity“) considerada um momento „erótico“ clássico dos anos 50.
Em „The Barrets of Wimpole Street“ (1957) interpretou a poetisa Elizabeth Barret Browning e numa interessantíssima e forte cena com Sir John Gieguld conseguiu o quase impossível na época: Sem nunca tocar na palavra revela ao público o amor incestuoso que seu pai por ela sentia e abandona a casa para casar-se com Browning.
Mais uma vez se afasta por muitos anos do cinema, voltando em „Tender is the Night“ (Suave é a Noite, 1962) ao lado de Jason Robards, Joan Fontaine e Tom Ewell. Lembro-me de uma descrição uma vez no Jornal do Brasil: „Jennifer Jones que neste filme tem a boca das mulheres que sofrem“ (Como eram bons os tempos mais moldados por sentimentos e sensibilidade, antes desta era tão „cool“ na qual vivemos).
Seu último filme foi „Inferno na Torre“ (The Towering Inferno, 1974) que assisti no „Roxy“ em Copacabana antes de ser dividido em vários cineminhas. Mas sobre este filme nao vale muito a pena falar.
Ela adoeceu sériamente com Parkinson, viu seu segundo marido morrer (o famoso produtor de …e o Vento levou! David O.Selznick) e sua filha de 21 anos se matar.
Agora Jennifer descansou!

Porque sempre me sinto „viúvo“ e „órfão“ ao mesmo tempo quando certos atores/atrizes de Hollywood morrem?

Aqui a inesquecível cena do baile de Madame Bovary - grande trabalho de Vincente Minelli: reparem no "timing" desta cena, principalmente a "extaseante" valsa "brilhante", a partir do quinto minuto deste vídeo, com o jovem e belo Louis Jourdan. Quanto simbolismo... A valsa, a extase, o quase desmaio, o romper dos cristais das janelas... Cinema at its very best!
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quinta-feira, 9 de julho de 2009

I'll be seeing you...

Uma coisa leva à outra… quem pesquiza, divaga e "tertúlia" sabe disto...

Em 1944 William Dieterle produziu para David O.Selznick (...E o Vento levou!/Gone with the Wind) um filme chamado „I’ll be seeing You“ para a United Artists.

Ginger Rogers e Joseph Cotten tiveram a possibilidade de criar dois personagens nada típicos para eles e bem diferentes dos que estávamos acostumados a ver: Ela, livre por uns dias da prisão onde está por assasinato, para passar o Natal com sua família. Ele, um soldado extremamente traumatizado pela guerra, com problemas mentais, ou seja, „preso“ em si mesmo e só há poucos dias fora do departamento psiquiátrico de um hospital. Eles se apaixonam. Cada um guarda seu segredo.

Nesse mesmo ano Ginger e Joseph fariam separadamente „Gaslight“ (Vide minha postagem de 23.05.2008) e „Lady in the Dark“ (também uma postagem de 02.03.2008), filmes que são mais „lembrados“. Em „I’ll be… „ principalmente Ginger está muito bem: contida, bem dirigida, com um „very low profile“, senhora de um personagem bem estruturado, real, com muitas gamas. Se compreende porque ela ganhou seu Oscar de melhor atriz de 1940 em „Kitty Foyle“ – Ginger distante Anos Luz da dupla „Astaire & Rogers“. Mais um assunto para uma futura postagem.

Em papéis secundários uma (chatíssima) adolescente chamada Shirley Temple (que fez pouquíssimos filmes na adolescencia e que, para nossa sorte, „retirou-se“ pouco depois do cinema) e a simpatissíssima Spring Byington (que ia muito a negócios ao Brasil), conhecida de muitos filmes.

O filme teve um sucesso considerável mas o relançamento de uma canção, „I’ll be seing you“ – o tema do filme – um ainda muito maior!

Redescobri esta canção (que por sinal é lindíssima!), não faz muito tempo, numa gravação de Bing Crosby de 1944, ou seja, do ano do filme.

Ao pegar por acaso num CD de Rod Stewart, dei-me conta que ele também cantou esta música há poucos anos… Billie Holiday, Mama Cass, Frank Sinatra e até Liberace criaram suas próprias versões.

Frequentemente usada (até à atualidade) „I’ll be seeing You“ foi também fundo musical de „Star Trek“, „Crimes and Mesdemeanors“ (de Woody Allen) e até do final do assustante „Misery“ com Kathy Bates!!!! Imaginem aquele personagem (já morto) e o som de "I'll be seeing you". Deus...

Um longo caminho para uma canção composta por Irving Kahal e Sammy Fain em 1938 para um Show da Broadway („Right this way“) que fechou depois de 15 apresentações!

E por falar-se em Broadway, aqui uma interpretação emocionada e emocionante com ninguém mais nem menos do que um dos „Broadway’s Darlings“ do momento (e um dos meus "Darlings" também!): a talentosíssima Bernadette Peters (em grande forma e aqui já com seus “cinquenta e tantos”).

Uma gravação inspirada, na qual a profundidade do texto é interpretada de uma forma única. Coisa muito comum em Miss Peters, dona de tanto talento e capaz de dar este ar de "simplicidade" a certos momentos, fazendo-os parecer "fáceis" e íntimos... como se ela estivesse cantando só para nós, num palquinho de uma "Boite"...

I'll be seeing you
In all the old familiar places
That this heart of mine embraces
All day through.

In that small cafe;
The park across the way;
The children's carousel;
The chestnut trees;
The wishin' well.


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I'll be seeing you
In every lovely summer's day;
In every thing that's light and gay.
I'll always think of you that way.

I'll find you
In the morning sun
And when the night is new.
I'll be looking at the moon,
But I'll be seeing you.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

The portrait of Jennie (1948)

Um filme inesquecível... apesar de ter sido completamente esquecido... Quanta mágica, quanta poesia!

Como explicar o “jogo” com o tempo que este filme indica, sugere??? Difícil…
A estória de um pintor sem exito que um dia conhece uma menina, muito estranha, muito peculiar, no Central Park. É comeco de noite, inverno, neve , 1948, apesar da Novella ter sido escrita para 1934, e esta pequena, ínfima pessoa de uns treze anos de idade (a linda Jennifer Jones ao lado de um altíssimo Joseph Cotten, que óbviamente estava em outro plano para a camera, para parecer mais alto do que “Jennie”) aparece como uma surpresa na vida do pintor e desperta uma nova motivacao para o seu trabalho, para sua carreira.. . Sua “cancao” já revela um pouco do “mistério” de seu “caráter”: “Where I came from, nobody knows, and where I am going, everyone goes”. Jennie só conta estórias que aconteceram há muitos anos... no início do século.
Ele para de pintar imagens de natureza morta e comeca a trabalhar num quadro lindo, cheio de vida : o retrato de Jennie - Jennifer Jones. E é incentivado por uma
Marchand de tableaux, no caso Ethel Barrymore.

A menina transforma-se de encontro em encontro, rápidamente, numa linda, fascinante mulher... Mas nao durante anos, porém durante dias, horas,minutos.…

Sua curiosidade e amor o levam à uma busca louca… Ele visita um convento onde Jennie estudou ( a madre superiora, Lillian Gish, vide minha postagem “ Lillian Gish vs. Greta Garbo – Manipulacoes da MGM“ de 16 de Maio de 2008) conta-lhe que Jennie foi uma linda estudante etc. e tal mas que sua MORTE foi muito trágica… num farol, num verdadeiro maremoto… e o dia do maremoto chega… e Joseph Cotten tenta salvar Jennie do seu destino, pela segunda vez… a manipulacao do tempo, o jogo com o tempo... Oh, que filme lindo… Só a forma como a música de Debussy é usada… e a direcao de William Dieterle. e meus queridos atores: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Lillian Gish e a MARAVILHOSA Ethel Barrymore…
Este é também um filme que, no início, nao mostra o nome nem dos atores nem do diretor… Uma coisa muito “nova” para a época.
O quadro de Jennie, uma obra que, comprada por David O. Selznick, foi parte da decoracao do salao de Jennifer Jones durante o tempo em que foi casada com o famoso produtor (…e o vento levou)acabou nos leiloes da vida. O que entendo, pois é um lindo quadro realmente.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Gaslight - um drama vitoriano e claustrofóbico

Uma grande adaptação da peca homônima de 1938 de Patrick Hamilton. Este filme de 1944 foi a segunda versão cinematográfica; a primeira sido feita no Reino Unido quatro anos antes, dirigida por Thorold Dickinson e estrelada pelo muito sinistro Anton Walbrook e Diana Wynyard (Quando a MGM comprou os direitos para na realidade, fazer um “remake” do filme inglês, comprou também os direitos sobre o filme de Dickinson e além de tirá-lo imediatamente de circulação tentou, sem sucesso, destruir todas as cópias existentes do filme). A versão de Hollywood, dirigida pelo artesão e “woman’s director” George Cukor, é um magnífico filme de “supense”, definitivamente muito psicológico. Cukor já havia dirigido filmes “de época” como “Little women” (1933), “David Copperfield”(1935) e “Camille” (1936) mas nenhuma destas produções pode comparar-se ao pêso do decór vitoriano de “Gaslight”. Suntuoso e ao mesmo tempo tao simbólico que nao só os personagens, ou melhor, Paula, a personagem central da trama, sofre com a opressão desta casa mas todos nós, pobres expectadores, passamos a sentir e sofrer como ela sob a mesma pressão claustrofóbica que este/s set/s da mansão vitoriana na “lúgubre” Thorton Square nos causa...
O mesmo melodrama “gótico” da mulher martirizada e ameaçada entre suas quatro paredes sempre foi muito eficaz e popular no cinema. Esta “fórmula” foi repetida várias vezes (algumas vezes até sem um “happy-end”): “Rebecca”, “Suspeita”, “Sombra de uma dúvida” (todos os três de Hitchcock... coincidência?), “Jane Eyre”, “Laura”, “The conspirator” e o inesquecível “Sorry, wrong number” de Anatole Litvak com a antipatissíssima, porém incrível, Barbara Stanwick, só para citar alguns exemplos.

A peça de Patrick Hamilton, chamada “Gas light” foi publicada pela primeira vez em 1939. Quando foi produzida na Broadway em 1941, foi retitulada “Angel Street” - e ficou três anos em cartaz com um elenco de muito pêso, liderado na primeira temporada por Vincent Price e por uma magnífica Judith Anderson – quem poderá jamais esquecer-se da maníaca, apaixonada (por Rebecca), perversa e louca “Miss Danvers” de “Rebecca”? E da espôsa de “Big Daddy” em “Cat on a hot tin roof”??? O mesmo Hamilton, tinha escrito a peça de suspense “Rope” em 1929 que em 1948 foi filmada por Hitchcock e que no Brasil chamou-se “Festim diabólico”.

Um detalhe muito interessante de como a arte realmente influência a vida é que uma expressão “nova”, na língua inglêsa, surgiu com esta peça/filme: “to gaslight someone” significa “deliberadamente levar alguém à loucura por psicológicamente manipular seu meio-ambiente e também fazer uma pessoa acreditar, por meio de truques, que está insã”.

Charles Boyer (nominado para o Oscar de melhor ator), Ingrid Bergman (Oscar de melhor atriz de 1944) e Joseph Cotten lideram o elenco (os dois últimos ainda com muita publicidade extra por aparecerem “por cortesia de David O. Selznick”, com quem tinham um contrato na época). Dame May Whitty é uma maravilhosa vizinha bisbilhoteira e uma “menina” de 18 anos chamada Angela Lansbury, fazendo seu debut no cinema, rouba várias cenas como uma antipática empregadinha doméstica que “maltrata” a (quase louca) Paula (Lansbury foi indicada também para um Oscar de melhor atriz coadjuvante, como seria novamente no ano seguinte por seu desempenho como Sybill em “The picture of Dorian Gray”. Lansbury foi nominada uma terceira vez mas nunca recebeu o Oscar. O pior porém foi ter sido nominada 18 vezes para um Emmy e nunca ter vencido...).
Eu particularmente acho que Boyer está fantástico como “Gregory Anton/Sergius Bauer”. Nenhuma menção é porém feita à nacionalidade de Paula (no original 100% inglêsa) deixando assim Ingrid Bergman mais cômoda com seu sotaque suéco (e sem nenhum vestígio de um sotaque britânico). O mesmo sucede com Joseph Cotten.
Mas estas são pequenas liberdades que Hollywood, ao meu ver, pode tirar. Triste mesmo é ver Salomé casada com João Batista no final daquele terrível filme com Rita Hayworth... Mas esta é uma outra estória que, aliás, deveremos um dia abordar aqui... Nossa, ainda há muito pano para manga!