terça-feira, 26 de março de 2013

Therpsicore & Apollo


"Apollo" (originalmente "Apollon musagète") é um ballet em dois tableaux composto entre 1927 e 1928 por Igor Stravinsky.
Foi coreografado em 1928 por Mr.B. (George Balanchine), o cenário e o figurino originais feitos por André Bauchant.
O figurino foi porém substituído em 1929 pelo trabalho de Coco Chanel.



“Apollon musagète” foi apresentado pela primeira em Paris no dia 12 de junho de 1928 pelo “Ballets Russes de Diaghilev” no Théâtre Sarah Bernhardt.
É o ballet mais antigo de Balachine a ter sobrevivido e começou a sua significante colaboração com Igor Stravinsky.
Pela primeira apresentou-se num palco o que viria a ser chamado de “estilo neoclássico”, marca registrada de Mr.B.



Em “Apollo” ele enfoca o Deus num “momento de mudança” em sua vida.
Transição…
Símbolo do que a magia de Balanchine fazia com o universo da Dança…

Encontrando através do argumento (e da técnica) uma maneira de fundir a tradição clássica do Ballet russo com uma economica austeridade do modernismo, ele cria uma nova “Mistura” e esta é exatamente a que o levaria à base da evolução deste “novo classicismo” que transformaria-se na base, na marca pessoal de Balanchine e do New York City Ballet. Um novo mundo!

No Pas de Deux com Therpsicore, a musa da música e da dança, vemos Peter Martins ao lado da magnífica Suzanne Farrell.



Nunca me havia dado conta do quanto a dança de Martins, sua técnica, dotes físicos (pés acima de tudo) não mais se identificam com padrões atuais, do quanto envelheceram... Como reassistir "La dolce Vitta" de Fellini, envelhecido.
Estranho isso, exatamente por se reconhecer que um contemporâneo seu, Mikhail Baryshnikov ainda tem uma presença atualíssima… mesmo em videos que datam desta época.
(Como com que "Casablanca": eterno filme que não envelhece!).
Engraçado como (bem colocado por uma pessoa daepoca) naqueles anos "Everyone, women and men, was in love with Peter Martins!". Como os tempos mudam...




E Farrell… como gostava dela...

Como dói ve-la assim, tão jovem, antes da artrose, que acabou com sua carreira, ter corroído seu corpo, sua dança…

sexta-feira, 22 de março de 2013

Pentimento: Lillian Hellmann



"Old paint on canvas, as it ages, sometimes becomes transparent. When that happens it is possible, in some pictures, to see the original lines: a tree will show through a woman's dress, a child makes way for a dog, a boat is no longer on an open sea. That is called pentimento because the painter "repented", changed his mind"

"Pintura velha sobre uma tela, à medida que envelhece, às vezes torna-se transparente. Quando isso ocorre, é possível, em algumas imagens, ver-se as linhas originais: uma árvore se mostrará através de um vestido de mulher, uma criança cede espaço a um cachorro, um barco não mais estará num mar aberto. Isto chama-se "pentimento" porque o pintor, "arrependeu-se", mudou de idéia"



"Perhaps it would be as well to say that the old conception, replaced by a later choice, is a way of seeing and then seeing again"

"Talvez seria tanto quanto dizer que o velho conceito, substituído por uma escolha posterior, é uma forma ver e então de ver de novo"

Lillian Hellman, 1973.
(Tradução livre para o portugues por Ricardo Leitner)

BRAVO Lillian! Como sempre suas preciosas linhas, simplesmente tiradas da vida e da experiencia que deveríamos tirar todos os dias dela.
BRAVO, esquecida Lillian!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Steppin' out... que delícia sorrir...


Why am I alone tonight
when I should be stepping out?




No ano de 1991 tivemos esta especial surpresinha…
Um filme delicioso com Liza e um monte de talentos da Broadway
como Jane Krakowsky, Julie Walters, Bill Irving só para citar alguns nomes…

Um filme despretensioso, simples mas cheio de momentos gostosos, felicidades inesperadas,
supreendentes emoções… Daquele tipo que te deixa sorrindo por horas… e voce só se dá conta quando por mero acaso ve alguém sorrindo para voce na rua e então, só então se dá conta do seu próprio reflexo numa vitrine qualquer da rua.



Gosto disso. Como é gostoso estar feliz. Descomplicadamente feliz.



Gosto também de talentos e como eles aqui despretensiosamente brincam uns com os outros.
Ah… e Liza… numa fase linda…
Saudades deste tempo…
Sim, no ano de 1991 tivemos esta especial surpresinha… e até hoje fico feliz ao rever esta cena…


Dedico esta Tertúlia à minha amiga Claudia Büthe-Gaiser, que hoje aniversaria e que nos trouxe muita felicidade e carinho com sua visita à Viena e com sua forma delicada, educada de ser!
Happy Birthday, querida Cláudia!!!




domingo, 10 de março de 2013

Um Divertissement: o Bolshoi no "Arts Chanell" (1986)


Hoje uma tertúlia „fora da norma“. Só para mostrar alguns videos...

Hoje o dia está nublado, com cara de chuva (ou neve),frio... nenhum dia é tão perfeito assim para se "cascavilhar" velhos pertences, ler cartas que estão guardadas dentro de uma caixinha ou de baús, rever desenhos esquecidos, fotos amareladas, recados colocados num livro, flores secas entre páginas de escritos que estavam destinados a "mudar o mundo"... adoro esses dias... cheios de memórias empoeiradas!

Reorganizando velhos videos antes de passá-los para DVDs, catalogando coisas, me desfazendo de muitas, encontrei por acaso esta gravação de uma apresentação do Bolshoi, pela primeira vez depois de 12 anos, na Inglaterra em 1986!



Já que se trata mesmo de uma raridade (daquelas que a gente gravava ao vivo da televisão) e neste caso até de um canal extinto de televisão “The Arts Chanell” (que senão me engano fazia parte do “Sky Chanell” e não existe mais na Austria desde os anos 90... para voces verem que não é só no Brasil que se "nega" Arte), resolvi colocar aqui uma boa parte do video… que eu mesmo coloquei no Youtube… Não especialmente por conter momentos “imperdíveis” de Ballet mas só por seu valor histórico… Memórias minhas...



Ah, que tempos… Acho que comprei meu primeiro video em 1985… e que maravilha era poder gravar tantas coisas, ter tantas coisas! Isto era "novo" e eu me esbaldava com tantas coisas! Hoje, se somos sinceros, nos falta espaço e organização para sabermos de tudo que temos gravado… e TEMPO para poder rever certas coisas com mais frequencia! Mas olhem só... Nina Ananiashvili, que eu tinha visto naquele ano no palco só há poucos meses, estava ali... no pas de deux de Aurora!!!!

Divirtam-se com uma curta parta deste “Divertissement” – esta espécie de Noite de Gala que era tão popular nos anos 70 e 80. Fórmula esta usada e reusada pelo Bolshoi até público ter-se cansado totalmente desta espécie de “entertaimment” (Engraçado o fato de há poucas semanas atrás o “Royal” ter dado uma noite destas, cheia de curtos pas de deux etc. no Theatro Municipal do Rio de Janeiro… que coisa mais «passé»).
Aqui um curto «Spring Waters» (que eu possuo também com NOSSA maravilhosa Cristina Martinelli), o (para mim abominável) "Spartacus" e "A bela adormecida", "La Bayadére", "Lago dos Cisnes"... Tudo...
You'll get your money's worth tonight!





sexta-feira, 1 de março de 2013

Lizzie Borden: Assassinatos que inspiraram o Cinema & o Ballet?


O CASO “LIZZIE BORDEN” - 1892

No dia 4 de agosto do ano acima mencionado, Andrew Borden tinha ido ao centro de Fall River, cidadezinha de Massachusetts, para resolver coisas no banco e no correio. Ele voltou à sua casa mais ou menos às 10:45 hs… Lizzie Borden, sua filha, encontrou seu corpo mutilado meia hora depois!



Lizzie, solteirona de 32 anos de idade foi acusada de homicídio. Durante o processo, a empregadinha dos Borden, Bridget Sullivan testemunhou que ela estava deitada, descansando no seu quarto no terceiro andar da casa depois de ter limpado janelas, quando ouviu logo depois das 11:00 hs Lizzie chamando-a e dizendo que alguém tinha assassinado seu pai! Seu corpo foi encontrado na sala de estar, deitado num sofá. Ele tinha sido morto à machadadas…

Logo depois, enquanto a nervosa Lizzie estava sendo acudida por seus vizinhos e pelo medico da família, a mesma empregada descobriu o também mutilado corpo de Abby Borden, a madrasta das irmãs Borden no chão do quarto de hóspedes (sim, Lizzie tinha uma irmã mais velha, Emma Borden, que não estava em casa durante estes acontecimentos!). Ela também tinha sido assassinada. Fortes machadadas deformavam seu cranio, como acontecera com Andrew (o globo ocular deste tinha sido partido em dois!).



Muitas fatos continuam até hoje inexplicados… Um machado sem cabo foi encontrado no porão. Sem nenhuma mancha de sangue. Mas teria sido o cabo retirado por estar ensanguentado?

Nenhuma roupa ensanguentada foi encontrada. Mas porque Lizzie queimou um vestido numa fornalha alguns dias depois do assassinato? Ou haveria cometido os crimes completamente nua como foi sugerido durate alguma fase do processo? Sugestão esta que chocou os U.S.A. na época…

Por algum desconehecido motivo não foi mencionado o fato que Lizzie tentara comprar numa farmácia um frasco de cianeto de hidrogenio (poderoso veneno) para supostamente limpar uma capa de pele de foca um dia antes dos assassinatos. Porque?

Alguns dias antes todos os moradores da casa “Borden” estiveram misteriosamente doentes (restos de comida deixados sobre um fogao estavam deteriorados… disse-se na época…). Todos os moradores da casa foram porém examinados, inclusive os estomagos de Andrew e Abby foram retirados dos cadáveres, para esta investigação. Teria Lizzie tentado envenená-os? Nenhum vestígio de veneno foi encontrado...



Por falta de provas concretas Lizzie foi absolvida e enviada da prisão para casa… Ela continuou morando em Fall River apesar do ostracismo com o qual foi tratada pela população local até sua morte… As irmãs dexaram a casa "do pai (abaixo) e mudaram-se para uma melhor vizihança.



Até hoje ainda existem especulações sobre as mortes de Andrew e Abby Borden… Muitas sugestões sobre desavenças entre os familiares, por motivos financeiros, são até hoje cogitadas.

De qualquer forma. Julgamento ou não, assassinato premeditado por Lizzie ou não, este caso transformou-se numa “cause célèbre americaine” e inspirou uma rima até hoje cantada por criancinhas (que coisa mais mórbida!):


Lizzie Borden took an axe,
gave her mother forty whacks.
When the job was neatly done,
(ou “When she saw what she had done”)
she gave her father forty-one.


Lendas urbanas… na verdade sua madastra "só" sofreu 18 ou 19 machadadas e seu pai 11!

Lenda porém não é o fato que os cranios de Andrew e Abby foram separados dos corpos, para serem usados como prova durante o processo (Lizzie desmaiou ao ve-los) para depois serem enterrados junto aos corpos, mas não perto dos ombros senão ao pé da cova perto dos pés dos cadáveres!)

FALL RIVER LEGEND – o Ballet (1948)

Eu assisti só uma vez a alguns pedaços do Ballet “Fall River Legend” baseado na vida de Lizzie Andrew Borden.
Um dos trabalhos mais conhecidos do “ícone” da dança Americana, Agnes de Mille, ele tem a distinção de ainda ter a assinatura de Morton Gould na parte musical.



O ballet teve sua Premiere com o American Ballet Theatre e com Alicia Alonso no papel de Lizzie (simplesmente chamada na obra “a acusada”) em 1948. Outras “Lizzies” seguiram seus passos como por exemplo Nora Kaye (esposa do diretor de Cinema Herbert Ross e, mais tarde, diretora do ABT)



e mais recentemente Julie Kent



e Gillian Murphy na temporada de 2007 no New York City Center!



Os pedaços que assisti há alguns anos atrás eram porém com o Dance Theatre of Harlem com a magnífica Virginia Johnson no papel principal…
"Legend" é um trabalho para uma bailarina/atriz de grande personalidade, assim como que Blanche em "Um bonde chamado desejo", Lizzie é um personagem complexo, de muitas nuances, muit difícil de ser interpretado... Personagem digno de um Ferri, de uma jovem Haydée e no Brasil de uma Martinelli... sim trabalho para uma bailarina/atriz de grande personalidade!



(Coincidencia que neste curto "pot-pourri" da dramática Johnson, grande bailarina do Dance Theatre of Harlem, estejam incluídos, ao lado de Lizzie, papéis como Desdemona e Blanche DuBois?)

Um Ballet forte, doído, emocional, visceral… mas com um erro histórico tão fatal para a verissidade da estória, que me deixa desagradavelmente incomodado… De Mille alterou o curso histórico dos fatos quando deixou Lizzie ser declarada culpada das mortes pelo tribunal… Certas liberdades são “un peu trop”. Não acham?



THE LEGEND OF LIZZIE BORDEN – o Filme (1975)

O (interessante) filme para a televisão de 1975 nos dá um “insight” mais preciso e amplo do caráter de Lizzie – mas esta Lizzie do filme também é uma culpada, uma assassina sem pudor ou moral (No filme foi usada a “suposta” nudez enquanto matava suas duas vítimas a machadadas!). Mas, fielmente à história e aos fatos, ela permanece porém livre. O final do filme nos faz crer que Lizzie era uma fria e calculista assassina… mas se ela não foi assim na realidade?



Quase tão interessante como a própria “lenda” sobre Lizzie é o fato de Elizabeth Montgomery, conhecida de “A feiticeira” (Bewitched) ter sido usada no papel de Lizzie (que alguns anos depois do processo, passou a chamar-se “Lizbeth A. Borden” para evitar a atenção sobre sua pessoa, já que ao longo de sua vida vários livros com teorias sobre o crime foram escritos.

Elizabeth Montgomery (Liz? Lizzie?) encontrou mais uma forma de liberar-se como atriz definitivamente das algemas de “Samantha Stevens”.




Por algum motivo, o filme foi considerado "chocante" na época em que apareceu na televisão. Eu lembro-me de te-lo assistido atentamente. Revendo-o depois de mais de 35 anos há pouco tempo não fiquei nada desapontado: a direção é boa, precisa, com a correta porção de “suspense”, sarcasmo, morbidez… e Elizabeth Montgomery magnífica como a solteirona Lizzie.



Mas de volta à Lizzie Borden… o fascinante mistério continua até hoje não resolvido…
E se Lizzie foi na realidade inocente dos crimes dos quai foi acusada...
Tanta suposição a troco de nada?

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Tchaikovsky's PDD

Anna Sobeshchanskaya, prima Ballerina do Bolshoi que foi escalada para a quarta apresentação de “O Lago dos Cisnes” em Moscou em 1877, pediu a Tchaikovsky material adicional para o terceiro ato… ou melhor, para “enriquecer” sua Odille (O cisne negro). Pjotr Iljitsch rápidamente compos um novo „número“...



Mas esta é só uma versão da estória… Nada é realmente tão fácil na vida…

Conta-se de forma mais complexa e apurada que Mme. Sobeshchanskaya estava muito insegura com a crítica que a coreografia original (de Julius Reisinger) havia recebido… (“As danças de Monsieur Reisinger são extremamente fracas… Incoerentes oscilações e balanços que continuam ao longo de quatro horas… isto não é uma tortura ? O corpo de baile fica todo o tempo saltitando no mesmo lugar, acenando os braços como as ventoinhas de um moinho enquanto os solistas pulam pelo palco usando passos dignos de ginástica”) e para “salvar” o Ballet foi para St. Petersburg pedir ajuda do ilustre coreógrafo Marius Petipa.

Ela pediu que cria-se um novo pas de Deux para o terceiro ato, o que Petipa fez.
Porém com música de Ludwig Minkus, o que deixou Tchaikovsky mais do que furioso.
Ele finalmente concordou em compor o pas de Deux, mas teve que se limitar e usar barra por barra, segur nota por nota como no original de Minkus para que a coreografia de Petipa pudesse ser preservada…

Sobeshchanskaya ficou tão encantada com o resultado que pediu a Pjotr Iljitsch que criasse ainda mais uma variação adicional e é esta a versão completa que conhecemos hoje em dia…

Como a composicão não era parte original do “Lago” e não foi publicada com o resto da partitura, foi esquecida por mais de 70 anos… sendo reencontrada nos arquivos do Bolshoi sómente em 1953.

Uma pena, de certa forma... porém…

Do outro lado do oceano mas informadíssimo sobre tudo o que se passava no mundo do Ballet na União soviética, Mr. B. (George Balanchine) pediu (e conseguiu) a permissão de usá-lo para sua própria coreografia para o New York City Ballet, que estreiou no City Center of Music and Drama em 29 de Março de 1960.



Tchaikovsky’s Pas de Deux foi descrito na época de sua Premiére como "an eight-minute display of ballet bravura and technique" (uma exibição de oito minutos de coragem e técnica de Ballet).

Aqui a eterna Patricia MacBride (apesar de muito esquecida hoje em dia por gerações mais jovens, um grande exemplo da bailarina “Balanchineana” em épocas nas quais não só a técnica contava... uma bela bailarina, de muita personalidade!) e Mikhail Baryshnikov num video que, até então, me era completamente desconhecido. Que grande prazer encontrá-lo! (apesar de TPDD não pertencer aos meus prediletos... )

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

REMEMBERING: You were meant for me... Um "Happy Valentine" atrasado...

Existem momentos muito especiais no mundo do Cinema… E este é um deles! Saudades de quando o vi pela primeira vez nos anos 70… no „finado“ Cinema II na Raul Pompéia, no Rio de Janeiro, em companhia de amigos como Mari, Flávia, João, Mayr, Brigitte, Ana Valéria, Mauro…



Mas antes uma pequena explicação… Ontem, exatamente no Valentine’s day, recebi um e.mail desaforado de uma pessoa que já há muito tempo coloquei para fora da minha vida. Não há razão para ninguém ter que aturar uma pessoa agressiva, neurótica, invejosa, desaforada por toda uma vida… N'est ce pas?

Agora, eu pergunto: não é reação extremamente sintomática o fato dela me escrever exatamente no “Valentine’s day”? Não é que eu realmente ligue nem para esse dia, nem para todo o comércio que ele trás consigo… mas, logo ela, “psicóloga”, uma pessoa (em suas próprias palavras) “interiorizada”, dá a “bandeira” da sua insatisfação exatamente neste dia… “Physician, heal Thyself!”!

Fico assustado como uma pessoa pode tranformar-se nessa pessoa amargurada, frustrada, feia, mentirosa, cheia de raiva, possuída pela inveja que é… Fui advertido há alguns anos, quando ela esteve aqui me visitando. Chamaram-me a atenção ao fato dela, em mais de uma semana na minha casa, não ter aberto sua carteira nenhuma vez, nem para pagar um café ou uma passagem de bonde e ter-se aproveitado de mim, da minha hospitalidade, boa fé, generosidade…



Por isso aqui minha resposta ao seu e.Mail: Uma dedicaão atrasada de “Valentine” a todos os meus reais amigos! Um momento de amor no Cinema… bem, na realidade, bem mais do que só amor: um momento de paz, cheio de mágica, inventividade, imaginação, poesia… Sim, uma resposta com carinho e amor às pessoas que realmente significam muito e tem seu lugar bem definido na minha vida!

Gene Kelly, vindo do grande sucesso de “An American in Paris” (MGM, 1951) – estranhamente chamado “Sinfonia em Paris” no Brasil – jogou-se no grande projeto “Singin’ in the rain” (chamado “o melhor filme de todos os tempos” por François Truffaut) e arriscou mais uma vez o papel principal feminino com uma (práticamente) desconhecida: Debbie Reynolds (Debbie, ainda hoje viva, tinha feito uma pontinha como Helen Kane (Boo-boo-pi-doo) em “Three little Words” em 1950 e tido um pequeno papel como irmã caçula de Jane Powell em “Two weeks with Love” em 1951). Debbie que “sabia dar seus passinhos de dança” não era realmente uma “bailarina” e não, neste sentido, a do filme… Gene deu grande destaque à Cyd Charisse, que, depois de “Rain”, tornou-se uma estrela de maior magnitude… Detalhe: me referi acima com “mais uma desconhecida” à Leslie Caron, que em 1951, ao lado de Gene, fez seu début em “American in Paris”, o filme do ano, vencedos do Oscar de melhor filme de 1951, graças ao talento de Vincente Minnelli!



De volta à esta simples cena (exatamente nesses momentos, nos quais Gene transforma sua dança numa plataforma simples e pura, ele me fascina ao máximo… precisamente como em “Our Love is here to stay” de “American”):

quando Gene (Don Lockwood) entra com Debbie (Kathy Selden) no studio deserto para lhe fazer uma declaração de amor, usa as luzes suaves para criar um efeito de luar, a escada como um balcão, mais luzes como um jardim florido e estrelas, ventiladores como uma suave brisa, névoa das montanhas distantes… criando aquele momento precioso em que o dia, ao por-do-sol, já não é mais dia mas ainda não é noite… Perfeito. O cenário está pronto para ele dizer o que quer…



Sim, atrasado mas de coração: um Happy Valentine… para voces!!! Cheio desta aconchegante simplicidade… desta criatividade que nos permite transformar tudo num momento especial, que faz com que o amor transforme todos os dias do ano num “Valentine”, independente da data…

(E quanto à gorda Senhora Ana LeRavia (anagrama), supere esta fase do “amor-próprio ferido” - no way, you are out of my life! - e fique feliz por inspirar-me com um personagem que algum dia usarei em algum conto ou livro: a gorda, amarga, invejosa “Mme. LeRavia”… LeRavia => la rabia “en castellano” => a raiva… ).

Muito, muito Obrigado pela inspiração para esta “tertúlia”!




sábado, 2 de fevereiro de 2013

A ingenua noção de Hollywood sobre psicanálise… Tres filmes e um final feliz...


Um destes dias revi „Spellbound“ de Hitchcock apesar de não ter boas memórias desse filme… E estas foram mais uma vez reconfirmadas.
O filme realmente não é do meu agrado.
Nele acho Ingrid Bergman extremamente inexpressiva ao mesmo tempo em que considero Gregory Peck um tanto exagerado, “overplaying” seu papel…


Durante o filme comecei a pensar em outros filmes de Hollywood que trataram do mesmo tema – Psicanálise – nos anos 40.
Este fato revela totalmente a extensão do meu interesse no trabalho de Hitchcock em “Spellbound”… Fiquei sonhando com outros coisas enquanto assistia o filme...
Fui levado por pensamentos, lembranças de outros filmes e até por idéias de como poderia resumir tanta informação para uma “tertúlia”…

Mas como era realmente a psicanálise tratada em Hollywood nos anos 40? Como se tentava enfocar o trabalho daquele “professor Vienense” (Freud) e aquela “ciencia” ainda tão nova e desconhecida?


“Lady in the Dark” (no Brasil “Senhora Escuro”), musical de 1944 estrelado por Ginger Rogers e Ray Milland, trata de Liza Elliot, uma bem sucedida editora de uma revista de moda. Apesar de Liza ser considerada no filme como uma mulher “masculinizada” (pois usa seu cabelo preso e veste sérios blazers clássicos e bem cortados) ela, para o standard atual, está linda. E com muita classe, tenho que adicionar (“Dizem as má línguas” que Ginger estava muito descontente com seu figurino – totalmente necessário para o papel de Eliza – de forma análoga à Kim Novak em “Vertigo” que quase causou uma úlcera a Hitchcock de tanto reclamar de seu figurino –"Vertigo" aliás é um filme que de certa forma lida também com um caso que muito necessitava de severa ajuda psiquiátrica.
Ginger e Kim estavam mais preocupadas com suas imagens do que com os papéis que desempenhavam… E as duas, «entre nous», nunca foram realmente conhecidas por classe e sim, bem mais, pelas suas tendencias à uma certa vulgaridade no setor de figurinos… Mas isto já é tema para uma tertúlia futura).


Baseado num musical da Broadway que foi dirigido por Moss Hart (que dirigiria no futuro Julie Andrews em “My Fair Lady”) e estrelado por Gertrude Lawrence (que seria interpretada por Julie Andrews em “Star!”, filme de 1968), “Lady” foi um grande sucesso.
Sua “fórmula” inovativa encontrou bastante aceitação com o publico da "East coast": quando Liza deitava-se no “divan” para ser analizada, as sequencias musicais começavam…
Nelas tomavam parte todos os personagens que trabalhavam com Liza na Editora e com os quais ela, de uma certa forma, estava envolvida…


O original na Broadway foi um grande sucesso, o filme ao contrário não fez nenhum sucesso... talvez pelo fato da maioria das canções de Kurt Weill (no seu primeiro trabalho nos U.S.A.) terem sido cortadas pelo director: Mitchell Leisen simplesmente odiava o trabalho de Weill… Não é também um prato feito para uma severa análise? Se ele tanto odiava a música de Weill, porque aceitou a direção de um filme que tinha as canções do compositor como tema central na sua estória?


“Spellbound” (1945, no Brasil “Quando fala o coração”) é um trabalho de “Hitch” que levou mais fama pela sequencia dos sonhos (e da análise destes pelo personagem de Bergman) do que pelo seu roteiro, valor e arte cinematográfica! O cenário do “sonho” foi “designed” por ninguém menos do que Salvador Dali (Dali no seu, pelo que me consta, único trabalho em Hollywood). Para quem gosta dele - I don’t - um prato cheio…

(Nota: para quem também gostou do fundo musical de “Rebecca” (Miklos Rozsa) uma ótima dica: o filme práticamente reusou, só 5 anos depois de “Rebecca”, a mesma trilha sonora… Estaria Mr. Selznick poupando?)


O filme começa com as seguintes palavras – certamente bem inovativas para a época:

“Our story deals with psychoanalysis, the method by which modern science treats the emotional problems of the sane. The analyst seeks only to endure the patient to talk about the hidden problems, to open the locker doors of his mind.
Once the complexes that have been disturbing the patient are uncovered and interpreted, the illness and confusion disappear… and the devils of unreason are driven from the human soul”

(Nossa estória trata de psicanálse, o método pelo qual a ciencia moderna trata dos problemas emocionais dos sãos. O analista procura sómente apoiar o paciente a falar dos seus problemas escondidos, a abrir as portas dos armários de sua mente.
Uma vez que os complexos que vem incomodando o paciente são descobertos e interpretados, a doença e a confusão desaparecem… e os demonios da falta de razão são dirigidos para fora da alma humana”) (tradução livre do autor deste Blog)

Não soa isto fácil e extremamente descomplicado? Além de parecer ser coisa rápida… (nos filmes dos anos 40 são rapidíssimas as recuperações… No momento em que o problema é reconhecido, Tcham-Tcham, o paciente está curado!).


Esta introdução de «Spellbound» parece traduzir perfeitamente o que todo o material cinematográfico dos anos 40 de Hollywood pretendia fazer da psicanálise…

Nossos “vizinhos” do hemisfério norte não são realmente conhecidos pela profundeza com as qual deveriam abordar certos temas… Ainda por cima a manipulação de Hollywood “criou” (históricamente provado) idéias e mudanças de comportamento… já escrevi uma vez aqui sobre isso.


“The Snake pit” (no Brasil “A cova da Serpente”, 1948), tem uma “tensão à mais” do que os filmes préviamente citados, já que nos dá a chance de estar com os pensamentos da “doente”, escutando tudo o que pensa, as vozes que ouve… Olivia de Havilland deu um bom desempenho para os padrões da época (pelo menos ela não é uma “paciente” glamourosa e produzida… o que não ficaria nada bem num hospício… mesmo assim: Hollywood sempre surpreendeu nestes casos… ).
Sua personagem é perseguida por fantasmas e interminávies, inexplicáveis torturas, perguntas...


Mas o final, como nos dois prévios filmes, é feliz!
A cura é supreendemente rápida e o final realmente feliz, até bem humorado…

E aí minha pergunta: porque nos tres casos acima citados são os tres finais iguais?
Todas as tres curas são relacionadas aos sentimentos de culpa que os personagens carregavam em si – dois deles (Ginger e Olivia) por terem brigado com “Papai” e este ter morrido brevemente em seguida do desentendimento, fazendo com que a crianca levasse esta «culpa» pela via… O teceiro (Gregory Peck) matou o irmãozinho acidentalente quando criança… um processo de culpa análogo aos dois outros casos.

O mesmo final é a “desvenda” dos problemas dos tres personagens, dos tres filmes.
Complexos de culpa provocados na infancia…

Falta de inventividade Hollywoodiana?
Ou simplesmente o reflexo de nossa sociedade que nos ensina desde a mais tenra idade a sentirmo-nos culpados?
Em casa (“se voce não come não vai crescer” ou “se voce não faz isto-ou-aquilo a mamãe vai ficar triste”… e por aí vai a lista das cobranças), na religião cristã (esta nos faz sentir culpa de tudo, quem faz "arte" não "vai para o céu"!), na escola (quem não “estuda” é “mau-aluno” e tem que sentar-se na última fila) e na sociedade em geral…


E além de tudo isso, a indústria cinematográfica, Hollywood ditando como deveríamos nos sentir?
Como deveríamos nos comportar?
Vamos ser sinceros… não é assim no Cinema até hoje?
Ando tão cansado de ver as pessoas assumindo “valores” para si porque os assistiram no Cinema ou na televisão…
Que bom prato também para umas sessões de análise…

Quo Vadis, personalidade?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

REMEMBERING: Ann Reinking (Part III)

Sem dúvida um dos grandes FILMES de todos os tempos é “All that Jazz“ (Bob Fosse, 1979).


Sublinho e escrevo em capitais a palavra FILME pois „All that Jazz“ está muito além de ser “só” um musical… Um grande FILME, que contém cenas musicais, quase encerrando a carreira de Bob Fosse no cinema (ele ainda escreveria o roteiro e dirigiria “Star 80”, filme que, ao contrário de “Jazz”, não alcançaria nenhum sucesso nem com o publico nem com a crítica).


Trabalho “auto-biográfico” muito sensível e brilhantemente dirigido e editado… Na minha “biblioteca de lembrancas” ficaram armazenadas várias cenas, vários detalhes da vida de Bob, alí tão nítidos, tão expostos… e seu “love affair” com Ann Reinking – no filme fazendo o papel dela mesma… que nos levou a um próprio “love affair” com ela… Grande Ann…


Ann, musa de gerações, bailarina “danadinha”, expressiva, cheia de personalidade e aquele raro “quoi” que destaca uma bailarina de uma estrela.

Na verdade a carreira de Ann no cinema foi muito limitada… Numa frustrada tentativa só “dramática” (sem dança) sua presença num esquecido filminho com Dudley Moore e Amy Irving foi quase patética… mas quando a vemos em “Annie”, e especialmente em “Jazz” , passamos a entender a fascinação de Fosse com esta bailarina – que começou seu trabalho com ele no coro de “Pippin” (Broadway, 1972) e coroou sua carreira na obra-prima de Bob, o inesquecível e revolucionário “Dancin’” (Broadway, 1978), que tive a sorte de ver, no qual fazia o papel principal.


Revolucionário? Sim… um musical só dançado… nada de cantorias e texto… só dança, pura dança no melhor sentido da palavra… É desta forma que gosto de lembrar-me dela. Uma rainha contando suas estórias, suas dores, seus amores, suas tristezas e felicidades através da dança…



Uma memória pessoal: aqui uma foto de um quadrinho, na realidade uma caricatura de Al Hirschfeld, que está pendurada no Bar do legendário Hotel Algonquin em N.Y.... exatamente sobre a mesa na qual da última vez me sentei para tomar um Martini-Dry... Lá "estávamos" eu e Ann (!) em grande companhia: Bebe Neuwirth e Joel Grey!


Hoje, terminado uma trilogia de postagens sobre Ann (as “REMEMBERING: Ann Reinking”),
recoloco-as todas aqui, juntas… destacando porém o video DESTA atual “tertúlia”:
como mencionei acima, ficaram armazenadas várias cenas deste filme na minha “biblioteca de lembranças” – mas minha predileta deixei para o final…

Ela não é a famosa cena da morte de Joe Gideon (o “alter-ego” de Fosse que foi interpretado no cinema pelo magnífico Roy Scheider),na qual Ann e Ben Vereen aparecem, mas uma cena que se passa quando ele está em coma por causa de um enfarte…

Sua vida, suas mulheres, sua filha… todas passam por ali… e destacadamente Ann Reinking, no “Top” de seu extremo magnetismo cenico e cinematográfico, rouba totalmente, para mim, o Show…

Grande "All that Jazz", grande Ann…




e mais um gostinho de "Jazz" e Reinking...






REMEMBERING: Ann Reinking (Part II) 29.JUN.2012



Reinking
é a criadora de uma passo de dança chamado “Raising the Roof” – eu juro que não sei qual é e morro de curiosidade para saber (se alguém souber, por favor me conte!).

Ela fez absoluta questão de incluir este passo na coreografia do número musical “We’ve got Annie” (do delicioso filme "Annie" de 1982 – infelizmente uma nova versão foi feita há poucos anos e não chega aos pés deste – pequeno - sucesso do cinema dos anos 80. Na Broadway porém havia sido o que se chama de um sucessão!)


Reinking
, bailarina de coreografias muito mais “exigentes”, bailarina suprema de Bob Fosse e de seu estilo, comentou o seguinte sobre esta:

“A expressão de puro contentamento” ("the expression of pure joy").

E eu lhe dou toda a razão…
Que coreografia feliz !
Bom fim-de-semana a todos !






REMEMBERING: Ann Reinking (Part I) 07.JUN.2012


Reinking,
atriz, bailarina e coreografa, aqui numa cena que nao faz parte das mais famosas de “All that Jazz”, um relato quase auto-biográfico de Bob Fosse no qual a propria Ann Reinking tem um papel práticamente auto-biográfico como sua “amante”.



“Everything old is new again” foi um pequeno sucesso de Peter Allen que teve uma pequena carreira e que foi o primeiro marido de Liza Minelli (que contou que ela nao sabia que ele era gay humoradamente disse: "Let me put it this way: I'll never surprise anybody coming home again as long as I live."). Música divertidíssima, animadissíma que nos faz sorrir...

Amo este número… e como posso descreve-lo da forma mais adequada e simples?
Sim, por ser absolutamente simples e cheio de vida!
De fato ele "transborda" vida. Coisa boa!



Amo Reinking, brincando, bem-humorada, linda, simples…
com as pernas mais invejadas dos anos 70 e 80… que corpito!!!!
E quanto talento! Estas cenas fazem "bem" à minha alma...