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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Big Spender na "Sesame Street"???? Julie Andrews em 1973...

Num certo tempo dos anos 70 era, para a classe artística, quase um “símbolo de status” aparecer ou em “Sesame Street” ou em “The Muppets Show”.
Muito importante MESMO!
Como os tempos mudaram...


Julie Andrews, magnífica Julie, teve várias oportunidades já que – nestes anos – ainda tinha o “status” de “Superstar” (que para mim, particularmente, até hoje não perdeu!).

Aqui uma deliciosa “rendition” de “Big Spender” (a música das prostitutas de “Sweet Charity” num programa de crianças!) de uma Julie que queria libertar-se de qualquer forma da imagem “água com açúcar” que tinha adquirido em “Mary Poppins” e em “The Sound of Music”. Julie, musicalmente, "on top"!

P.S. lembro-me de ter assitido este programa em casa, no início de minha adolescencia, numa daquelas primeiras TVs à cores que tivemos no Brasil – um daqueles elefantes que ocupavam 3 metros cúbicos de qualquer sala…
Haja...
A nossa era uma “Telefunken”… tecnologia alemã sempre foi um "must" para meu pai.
E isso para alguém que trabalhou para a Philipps do Brasil, empresa holandesa...

Tempos de descobertas, de muitas descobertas: Broadway, Cinema, musicais abriam suas portas para mim…




domingo, 10 de abril de 2016

Shall we dance?

A sunday afternoon...


Is there a more perfect time to watch this?

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sufocante e claustrofóbica: A Casa de Bonecas ("A doll's House", Ibsen, Patrick Garland, 1973)



A versão cinematográfica de “A casa de Bonecas” (A doll’s House) de 1973, dirigida por Patrick Garland e com roteiro de Christopher Hampton foi uma de minhas melhores e mais essenciais experiencias de Cinema dos últimos tempos – mesmo que ela tenha me feito alterar minha anterior admiração pela versão de Joseph Losey . Ironicamente também de 1973 essa versão concorreu com a de Garland e a de Losey pela atenção do público e transformou-se na mais conhecida, bem-sucedida das duas… algo que tem muito que ver com o perfil político e contestador de “Hanoi Jane” (Jane Fonda) mas esta é uma outra estória.


Hoje gostaria de tertuliar sobre a versão que assisti há pouco tempo, a versão com a maravilhosa Claire Bloom e um jovem Anthony Hopkins… Este filme teve suas origens na adaptação de Christopher Hampton, que foi dirigida por Patrick Garland e que foi estrelada por Miss Bloom na Broadway em 1971…

Acima: uma rara foto de Miss Bloom na Broadway em 1971 como "Nora".

Com exceção das raras excursões que nos levam para fora da casa dos “Helmer” –por razões únicamente cinematográficas - a produção se mantém fiel à precisão do texto e do timing original da peça.
O foco, o “núcleo” principal do filme se mantém no interior do sufocante e claustrofóbico lar (provávelmente super aquecido) dos Helmer. Dentro da casa de Torvard Helmer na qual ele brinca com sua boneca, Nora, da mesma forma que ela brinca com seus filhos…


Ibsen escreveu “Casa” em 1879. Sua primeira versão em ingles só em 1889. Quando George Bernard Shaw escreveu uma crítica sobre a “revival” de 1897 em Londres, ele inteligentemente chamou atenção à polemica que esta peça havia causado préviamente da seguinte forma: relatando que agora, já que o público havia aprendido a aceitar as idéias, outrora consideradas radicais, de Ibsen, ele se sentia na obrigação de chamar atenção à façanha e ao exito da peça em si, por si mesma, sem a adulada publicidade gratuita da notoriedade… Shaw, que chamava Ibsen de “um melhor dramaturgo que Shakespeare” não queria que o público negligenciasse a peça por não mais ser o “escandalo vergonhoso” que foi nos seus primeiros anos… O escandalo que havia sido tão grande que levou o próprio Ibsen a escrever um final feliz (para suas apresentações na Alemanha); o que contradizia totalmente o que intencionou “comunicar” como mensagem principal em “Casa”!

Shaw não precisava ter-se preocupado: “Casa” continua atualíssima no seu tema… até na burguesa e convencional Alemanha de hoje em dia. Penso que hoje em dia até bastante mais do que nos anos 70 do século passado. Quantos exemplos conhecemos de “bonecas” sem opinião que são sómente objetos para seus maridos? (Alguém se lembra do recente filme “Mona Lisa’s Smile” com Julia Roberts?) Quando olho ao meu redor… me assusto com esta "regressão"...



A versão com Claire Bloom é brindada com uma interpretação tão clássica quanto possível, tratando-se de “Cinema”, que “ruge ferozmente” como teatro de melhor qualidade!

Note-se, como mencionado acima, que, ao invés da versão de Losey, esta se mantém completamente fiel ao texto original de Ibsen… Tive que comparar o diálogo final entre Claire Bloom e Anthony Hopkins com o de Jane Fonda e Edward Fox na outra versão de 1973… O segundo dura menos do que a metade do tempo do original… Já era de madrugada mas eu me manti colado nas duas versões… analisando-as, comparando-as e revendo-as várias vezes… como adoro esses momentos de fertilidade intelectual, de análise! (mesmo com a "catástrofe do acordar" no dia seguinte para trabalhar... ).

O que mais me encanta é o fato de Mr. Garland e Mr. Hampton óbviamente pensarem que Ibsen sabia o que fazia. Respeito.
Admiro a forma como fizeram seu “emprego”: sem alterar, atualizar ou rearranjar drásticamente a peça e sim dando a melhor “leitura” possível desta obra que o (pouco) dinheiro da produção tornava possível… Não existem intenções em transformar Nora numa feminista contemporanea. E, entre nós, este é um dos motivos do qual mais suspeito, que levou Jane Fonda a aceitar o papel…


Mesmo com as curtas excursões (também mencionadas acima) que nos levam para fora da casa dos Helmer. Nós, como público “vivenciamos”, ao lado à Nora, um forte confinamento, enclausuramento físico… algo que é muito fácil de atingir numa peça de um só cenário (no palco) mas que é extremamente fácil de se perder quando este cenário é aberto e outros aparecem (na sétima arte) e o que é nosso caso neste filme! Este mesmo confinamento físico é condicio-sine-qua-non para acreditar-mos na progressão teatral, na realidade da avalanche emocional que toma conta de Nora – a esposa brinquedo do sábado que se torna uma mulher liberada ao chegar da segunda-feira.

Claire Bloom domina a cena majestosamente (como a grande atriz que é) e compreende muito bem os motivos, as "entranhas" de Nora. Sua construção do personagem é fascinante em sua sutilidade. Ela começa bastante vagarosa, sómente uma bobinha fútil, nos dando poucas chances de “ver” Nora, seu interior… só para depois alcançar na sua confrontação final com o marido, Torvald (Anthony Hopkins) um desempenho tão completo e forte, repleto de “bravura”, não exitando por um segundo em nos dar mais… e mais …e mais!
Numa espécie de ininterrupto Zenith. Sim, fascinante e impressionante!

Claire já havia na época passado da idade de Nora (Eu “vejo” Nora, que tem dois filhinhos pequenos, como uma jovem matrona de 25, 26 anos. Claire já tinha 42) mas isto não importa. Sua fundamentada e sólida interpretação transcende estas simples perguntas dos mortais sobre idade cronológica...



Impossível olvidar o maravilhoso cast que a „sustenta“: O desonrado chantagista Krogstad (Denholm Elliott), Sir Ralph Richardson (Dr. Rank), amigo íntimo da família, secretamente atraído sexualmente por Nora, que está morrendo de sífilis, Anna Massey (Kristine Linde), simplesmente maravilhosa no quase “impossível e ingrato” papel da confidente de Nora e Dame Edith Evans (Anne-Marie), presenteando esta produção não só com sua presença mas com seu carisma, é da mesma forma um símbolo do teatro ingles como aqui o único símbolo de amor e establidade e carinho na árida vida emocional de Nora.

Anthony Hopkins, um jovem Anthony Hopkins, já nos mostra porque se transformaria no “monstro-sagrado” no qual se transformou hoje em dia. Seu Torvald não é só um tirano e prisioneiro do seu próprio conservadorismo mas um homem também feito de carne e sangue, que quase nos dá pena quando Norma decide abandoná-lo… e também os filhos… Muitos “Torvalds” são só figuras de um extremo antagonismo.
Seu Torvald é um ser humano, corrompido por valores burgueses e idéias pré-concebidas sobre dinheiro, posição, poder e… sobre os papéis "definidos" do homem e da mulher num caamento... Mas "lemos" que óbviamente esta não é só SUA culpa. Ibsen sabia o quanto a vida pode nos transformar, corromper.



Se uma reserva que muitos tem com o filme é sua forma de ter sido fotografado, gostaria de adicionar aqui que não podemos esquecer por um momento que este filme consiste de um trabalho teatral, de uma peça de teatro fotografada.
Mesmo assim, vezes, a camera se move um pouco “demais” para meu gosto… como na cena final, pulando de um close-up médio de Nora para outro de Torvald constantemente. Numa espécie de ping-pong. Como teria sido o resultado se esta mesma camera tivesse ficado à uma certa distancia nos permitindo olhar para o que decidimos, para o que mais nos atrai ou chama a atenção? Alguém já deu conta de como podemos ler uma peça teatral de várias maneiras diferentes dependendo do nosso estado emocional e físico quando a assistimos várias vezes?

Mas isto é só um pensamento e lá estou eu de novo à „voar“ nele, saíndo do conteúdo, da essencia desta „Tertúlia“.
Vejam, se puderem o diálogo final... abaixo!


Apenas umas últimas palavras antes de finalizar: as tramas de Ibsen são tão maravilhosamente idealizadas, suas cenas tão precisamente construídas e seus personagens tão bem esculpidos que o menor manipulação, interferencia com eles poderia despedaçá-los.

Por isso meu respeito e admiração a Christopher Hampton e Patrick Garland por este magnífico trabalho. Chapeau!

P.S. E nem falamos sobre um dos tabús que existe sobre „Nora“ desde sua premiere 1879: O fato de não só abandonar o marido, o lar e sim também os filhos…

No diálogo final Nora responde a Torvald, quando confrontada sobre “sua obrigação com ele, com os filhos e com a casa“ que sua maior obrigação é com ela mesma… Pano para manga…

domingo, 27 de julho de 2014

Auntie Mame: Life is a banquet


“Um clássico perdido”, como hoje em dia este livro é mencionado…


Já há muito tempo penso em escrever sobre este tema… mas não conseguia me decidir COMO, já que ele se diversifica em tantos outros… “Auntie Mame”, o livro, o personagem, a peça de teatro, o filme, Rosalind Russell, Angela Lansbury, Bea Arthur, Lucille Ball e, acima de tudo, Patrick Dennis (Edward Everett Tanner III, 1921-1976, o maravilhoso, “flamboyant”, genial autor!).

Para ser muito sincero ainda não sei ao certo onde e como realmente começar…

Me ocorre porém que, ao redescobrir o livro “Auntie Mame” há alguns anos (Graças a Deus este título foi redescoberto e “tirado do fundo do baú” para ser mais uma vez publicado!) não só o “devorei” como também o presenteei a vários amigos.

Uma destas pessoas (uma alemã, daquelas "estacionadas” em 1968), que infelizmente tem aquele tipo de “postura” literária “cliché” que tenta se definir como “muito aproximada a um certo intelectualismo”, torceu o nariz e me deu a entender que não o tinha lido até o final… Uma pena – para ela - , pois perdeu uma das melhores oportunidades de ler “uma lição de vida” regada ao molho de bom-humor, positivismo, felicidade, diversão e “chic”. E isto por causa de seu preconceito. Exatamente uma das coisas que Mame Dennis mais detestava na vida…

Sim. Mas, porque este cliché que filosofia só pode ser pensada, respirada e articulada por caras lavadas como, por exemplo, Simone de Beauvoir? Ora… não machuca ninguém ser mais aberto para outras facetas da vida… E é esta a real filosofia de Mame Dennis: Life is a banquet and most poor sons-of-bitches are starving to death!!!!


Mame Dennis, “filha” da era da depressão, é um dos personagens mais deliciosos da literatura Americana – uma glamourosa, energética, incansável socialite (descrita por Patrick Dennis como “intoxicatingly perfumed”; ela considerava as 9:00 hs da manhã como “o meio da noite”), que luta batalhas não só pela felicidade mas também por justiça social e contra os preconceitos da chamada “classe média”… Uma delícia!

Patrick Dennis narra a estória e nos fala de imortais personagens como Vera Charles, Agnes Gooch, Ito, Mr. Babcock e Beauregard Jackson Pickett Burnside… Esta foi a razão do porque deste livro ter sido recusado por 19 editores… Não “se narrava” um livro… Depois de publicado em 1956 “Auntie Mame” esteve por dois anos na lista dos best-sellers do New York Times, junto com “Guestward, Ho!” e “The loving couple”, trasformando assim Dennis no primeiro autor a ter tres livros ao mesmo tempo nesta lista. Por sinal: a primeira edição de “Auntie Mame” vendeu mais de 2 milhões de exemplares transformando-o, da noite para o dia, num milionário!


Muitos sucessos vieram – inclusive “Little me” (uma deliciosa biografia sobre uma péssima atriz – de certa forma muito próxima à imagem de Zsa Zsa Gabor) que como “Mame” se transformaria num musical da Broadway. Mas, um dia Dennis saiu de moda, separou-se de sua família assumindo sua homossexualidade, perdeu toda sua mal-administrada fortuna, caiu na obscuridade e acabou sua vida trabalhando como mordomo, inclusive para a família Ray Kroc (fundador do McDonald’s). Dennis comentou uma vez sériamente: “I would rather serve these people than have to talk to them” (Prefiro servir estas pessoas do que ter que conversar com elas).

Dennis, que havia (mais uma vez) assumido um novo pseudonimo, Edwards, havia se desfeito de todos seus bens materiais, mantendo consigo sómente um original de “Vanity Fair” de Thackeray, um volume de “Etiquette” de Emily Post (!?!) e um dicionário para “Palavras-Cruzadas”. “Estou embarcando no que sera provávelmente a melhor carreira que já tive”, disse na época.

Hoje em dia Dennis, com esta “resurreição” dos últimos anos, é considerado como uma espécie de “Noël Coward Americano” (apesar de eu não gostar deste tipo de comparações).

O personagem Mame Dennis foi criado como um “espírito livre” que mostra ao seu sobrinho como viver a vida ao máximo… e neste processo ela inclúi lições nada ortodoxas (o próprio Dennis tirou um dia seus filhos da escola e levou-os para assistir o “Folies Bérgère” dizendo para sua professora: “Eles aprenderão mais comigo”). Por este e vários outros motivos é mais do que óbvio que, apesar de várias Senhoras da família de Dennis terem clamado ser “a inspiração para Mame Dennis”, a deliciosa tia não é ninguém menos ou mais do que o alter ego do próprio Patrick Dennis.


A (também) deliciosa Rosalind Russell deu vida à Mame no palco da Broadway em 1956 – e seguiu para Hollywood para mais uma vez entrar na alma da sua criação no filme que mais renda deu em 1958. Para mim Roz Russell é a eterna Mame, sua mais pura personificação.


Em 1966 o musical “Mame” foi criado para Angela Lansbury que teve que ceder seu lugar para Lucille Ball no homonimo filme de 1974. O início dos anos 70 não era realmente o solo mais fecundo para a personalidade de Mame Dennis, não depois de “Hair”e Woodstock – mesmo assim “Mame” foi um grande sucesso de bilheteria… apesar da crítica não ter sido nada gentil com “Lucy”.

Comparando porém as “Mames” de Russell e Ball (em celulóide) nota-se uma diferença crucial: Russell é “Comédia sotisficada” até debaixo das unhas do pé, Ball é mais “Pastelão”… Mesmo assim, cada filme tem suas virtudes e em ambos a mensagem principal existe: LIVE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Abaixo Roz no palco e num still publicitário do filme. Abusando do direito de ser charmosa...


Finalizo esta “Tertúlia” com duas exclamações feitas sobre Dennis. A primeira de Matteo Codignola da Editora italiana “Adelphi”: “Uma das razões do seu (“Auntie Mame”) sucesso é a sua clara mensagem – Não tem que se viver como ovelhas de um rebanho. Voce pode reinventar sua vida. Ela pode ser bizarra e livre, e um pouco mais aprazível“.

A segunda de seu filho Michael Tanner (1956): „Ele (Dennis) queria ser uma pessoa convencional… e ele simplesmente não era“.

Assim como Auntie Mame… Life is a Banquet!


segunda-feira, 21 de abril de 2014

"Loverly": Julie Andrews e seu ar contemplativo como Eliza...


Desde a versão de George Cukor de „My fair Lady“ (Warner, 1964), com Audrey Hepburn, o primeiro número de Eliza (“Wouldn’t it be loverly?”) vem-se transformando erroneamente num número “feliz”, cheio de sorrisos, risadas, felicidade... mas não foi isso o que Alan Jay Lerner, Frederick Loewe e Moss Hart „visualizaram“ para Eliza...
Muito pelo contrário.

Na versão original ela canta „o que poderia ser” de um ponto de vista mais meditativo, contemplativo…

Esta sempre foi MINHA teoria – infelizmente não era nascido quando o original foi feito na Broadway na estação teatral de 1955/56 e por este motivo não tinha como provar minhas suposições...


Mas não é que a vida me proporciona certas felicidades????

Encontrei um video de Julie (Andrews) num programa de televisão de Ed Sullivan de 1960.

Maravilhosa descoberta: Julie já estava em «Camelot» ao lado de Richard Burton mas para este programa recria esta cena que tinha feito até o ano anterior (já em Londres, depois da Broadway) com a coreografia original…

...e notem, o “ar” contemplativo, meditativo…´nada de falsas felicidades e afetações. Uma "flower girl" sonhando com um mundo melhor. Só isso!

“Loverly”. Eu tinha razão!

E tudo isto adicionado à simplicidade da coreografia, da cenografia e do "staging": AMO!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

The american Dream?


O talentosíssimo ingles Jonathan Pryce... Sim, talento que muito admiro. Assisti-o uma vez "live" como Prof. Higgins em "My fair Lady" no West End.

Aqui, ele, num número de “Miss Saigon” (que ele criou no West End em 1989) e numa da melhores Galas que até hoje assisti:
Hey, Mr. Producer (dedicada a Sir Cameron Mackintosh, grande "producer"), London 1998…


Claro que sente-se falta da maquiagem que fazia dele um vietnamita... but who cares? O interessante personagem, sujo, indecente, imoral e amoral, esta aí...

Brilliant…

P.S. No original (Broadway & West End) baixava do teto um Cadillac - um símbolo e tanto do American Dream. Esta "Miss Liberty" vietnamita aqui foi uma criatividade (muito inventiva por sinal) para um show que tinha tantos números musicais e jamais poderia acomodar um carro "só" para um número...

♫♪♫♫♪
Girls can buy tits by the pair…
The American dream.

Bald people think they’ll grow hair…
The American dream.

Cars that have bars take you there…
The American dream.

On stage each night Fred Astaire…
The American dream.

It’s time we all entertain MY American dream!!!!!

♫♪♪♪♫♪

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um final nada feliz...

Aqui uma postagem "reciclada" de 3 de dezembro de 2011...

Considero „Funny Girl“ uma pequena preciosidade.
Uma peça, um filme único sobre a vida de Fanny Brice que lançou um talento único: Streisand (em 1964, na data que estreiou "Funny Girl" Streisand ainda era uma "menina" de 21 anos de idade... )


(para quem não sabe: eu NÃO sou fã de Streisand… acho que com o passar dos anos ela deixou para trás a “menina Jiddish” para transformar-se numa persona “larger than life”, associadíssima à California e muito chata… mas a Streisand dos primeiros anos, dos primeiros discos, dos primeiros shows de televisão, dos primeiros filmes, era adorável… como em “Funny Girl”, uma biografia bem “criativa” sobre a vida de Fanny Brice, seu primeiro filme).


O final do filme deixa porém, para mim, algo a desejar e quando me refiro a um final nada feliz, não estou referindo-me à triste estória de amor entre Fanny e Nick
Na versão da Broadway o show terminava com uma repetição de “Don’t rain on my parade”, mostrando que esta mulher era forte, corajosa, cheia de energia…


Na versão para o Cinema esta música foi trocada por um velho sucesso de Fanny Brice: My Man… Para meu gosto, uma típica canção de “vítima”. Uma canção cantada por uma mulher dependente, burra (“Two or three girls has he, that he likes as well as me… But I love him” Ora, que absurdo… Oh, Nick, "vá plantar batatas!"), oprimida… O desempenho de Streisand neste número pode ser singular e espetacular mas esta canção transforma o personagem Fanny, no final do filme, numa mulher completamente oposta ao que tínhamos visto nas duas horas prévias… como se houvesse desaprendido tudo o que levava na sua "mala"...

Um final nada feliz para o filme…

Acho, porém, que uma outra mudança “da Broadway para Hollywood” foi ainda bem mais trágica. Ela está relacionada também ao final do filme, já que involve a troca da canção anterior a “My Man”. No filme Streisand canta um curto, sincero número chamado “Funny Girl”, que foi composto especialmente para o filme (para justificar o título do filme… como se isto fosse necessário… ). Gosto muito desta canção… mas é um monólogo que ela faz sobre si mesma. Não questionando o amor que sente por “Nick” e sim indagando se ela é realmente uma “funny girl”. Uma direção completamente oposta ao roteiro original faz com que o personagem perca totalmente sua “força”:

A canção que estava neste “Spot” da peça é uma outra preciosidade que ficou, por assim dizer, “perdida”. Não fez parte de nenhum disco de Streisand (com exceção do disco da gravação do elenco original em 1964), do seu repertório…


Só depois de bem mais velha Streisand redescobiu este tesouro que havia perdido, há muito tempo… mas com sua (criada) afetação californiana não deu mais a “rendition” que dava, quando era ainda a “menina Jiddish” do início de sua carreira … Esta música é como uma moldura sobre o caráter de Fanny e seu (descabido) amor por Nick – mas em nenhum ponto ela transforma-se na vítima sofredora e dependente em que se transformou cantando “My Man”. Ela constata um amor ("in everyway, everyday I need less of myself, I need more him...") mas jamais ela é "a vítima".


Sim... um final nada feliz para o filme…

Procurando na Internet não consegui encontrar uma foto sequer deste número – que ela cantava no seu camarim de teatro… por isto, aqui o interior da capa do disco, escaneado hoje… a foto abaixo é a da mencionada cena:
“The Music that makes me dance”.


Como só existem videos mais recentes de Streisand cantando esta música (que nada me agradam), decidi colocar aqui uma outra “funny girl”: Liza Minneli (ao lado de Mikhail Baryshnikov) no empoeirado “Baryshnikov on Broadway”.
Liza sensacional dando vida à esta beleza de melodia (e texto):
(HIS IS THE ONLY) MUSIC THAT MAKES ME DANCE…



...e para quem ainda tiver a paciencia de "ouvir" (inclusive "introduction"), aqui a menina Streisand em 1964 cantando esta maravilha!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Josephine Baker: original e cópia...


É muito difícil ter-se uma exata imagem de quem foi Josephine Baker, da pessoa atrás da máscara que usou toda a vida. Todas suas biografias são contraditórias... Difícil entender os seus motivos, os seus porques, aqueles que não tinham o que ver com o preconceito contra sua cor de pele – este motivo, sim, era mais do que óbvio: pura sobrevivencia e desejo de ser respeitada…


Josephine criou um furor em Paris quando dançou práticamente nua na «La Revue Nègre» de Paul Colin em 1925.


Mas esta forma de sucesso imediato era baseado no puro «escandalo» de estar com os peitos nús no palco… Seguiram outros “pequenos” escandalos (mínimas tangas de bananas por exemplo) mas quando estes passaram a ser parte do dia-a-dia parisiense e perderam seu inicial “impacto”, ela teve que fazer um tournée pela Europa para poder manter-se pagando as contas: na Suécia virou um ídolo, em Viena chamaram-a de «bruxa» e os cartazes, nas demonstrações na frente do teatro onde se apresentava, mandavam-a de “volta para a África”.


De volta a Paris percebeu que não era suficiente ser uma dançarina escandalosa e exótica que pintava as unhas de dourado e passeava seu leopardo na coleira (trocada todo dia para estar de acordo com sua roupa) pelos Champs Elysées… Não.
Os “Anées folles” chegavam ao fim…


Aprendeu a cantar, tomou aulas sérias de dança, foi ensinada a se vestir, falar, se comportar e criou assim uma nova imagem que nada tinha o que ver com a primitiva, nua, selvagem "africana" (que na realidade degradava extremamente o status de sua propria raça!).



Voltou aos U.S.A. pela primeira vez em 10 anos, para trabalhar num Show do «Ziegfeld Follies» em 1935.


Foi literalmente estraçalhada pela crítica (e público) que não aceitava que ela estivesse fazendo coisas “de branco” (talvez até melhor do que muitos) como cantar textos maravilhosos de Cole Porter e ser o centro do show - bem vestida, bem arrumada, penteada, reluzindo limpeza, glamour e perfume. Isto nos U.S.A. não era coisa de "Negrinha", como foi até chamada no jornal...


Exatamente o que aconteceu com Lena Horne no cinema… uma cena sua tomando banho de espuma foi considerada “risqué” – não era coisa para uma “negra”. E isto, toda esta ignorancia e preconceito “só” há 70 anos atrás…
Que puro absurdo!
(Josephine recebeu propostas de Hollywood… porém para fazer papéis de empregada. Logo ela que era casada com um Conde e tinha seus próprios serventes… ).

Nesta época, apesar de, mesmo com muita crítica negativa, ser uma estrela da Broadway, era obrigada a entrar no seu hotel pela cozinha pois “alguns Gentlemen do Sul que estavam no hotel não estariam de acordo, se incomodariam com sua presença no Lobby, no Restaurante do Hotel”. Seu marido, o Conde, óbviamente podia circular pelo Hotel como bem quisesse.

Acabou seu casamento com ele e voltou arrasada e deprimida à Paris onde era tratada como ser humano de primeira classe (Contava Josephine que ao chegar pela primeira vez em Franca e ser servida por um garçon branco que chamou-a de “Madame”, ela soube imediatamente que esta seria sua futura pátria). Virou cidadã francesa.

O exército alemão invadiu Paris.

Servindo sua nova e amada pátria espionou alemães (ao ser “descoberta” teve que pular de uma janela para se salvar: um envenenamento quase lhe custou a vida e lhe causou a perda dos cabelos), foi enviada pela “Resistance” para a África e trabalhou muito para os aliados.


Continuou sua carreira depois da guerra, voltou à América para uma tournée desastrosa, foi rejeitada em 63 hotéis em N.Y., o espetáclo acabou sendo cancelado depois dela ter processado o Stork’s Club de N.Y. por racismo (ela e seu grupo não foram servidos sob a alegação de que não havia mais comida - Outros que chegaram mais tarde foram servidos!). Tudo isto causou uma campanha negativa, contra Baker que mais uma vez retornou à Paris deprimida e arrasada. Nunca mais voltaria ao seu país de nascimento.


Então adotou várias crianças de várias nações, recebendo assim muita publicidade, acabou seu segundo casamento, perdeu todo seu dinheiro, foi despejada, recebeu um convite de Grace Kelly para viver no Monaco, voltou ao palco num show de notável mau-gosto que foi notávelmente financiado pelo Princípe Rainier, sua esposa Grace Kelly e Jacquie Kennedy Onassis!!!!
Na estréia estavam na platéia Sophia Loren, Mick Jagger, Shirley Bassey, Diana Ross e Liza Minnelli.

Quatro dias após a premiére ela sofreu uma hemorragia cerebral e entrou em coma para falecer pouco depois.

Foi a única “americana” (de nascimento) a receber as honras de um ceremonial de enterro de estado – seu corpo se encontra hoje no cemitério do Monaco!

Mas porque escrevo tudo isso?


A “persona” no palco que Josephine representava nunca me agradou. Muito pelo contrário! Não dou menor valor à provocação do exibicionismo barato (e talvez gratuito?) de suas épocas da “La Revue Nègre” e das tangas de bananas, sua voz era mínima e comum, sua dança sempre foi envolta numa capa de óbvio amadorismo, sua evolução para “Rainha” do Follies Bérgere (ou de seu estilo) é para mim um dos piores casos de mau gosto da história do show-Business, aquela coisa , tão passada, chamada “Plumas e paetês”. Terrível… como se ela de ano em ano se transformasse numa feia caricatura de si mesma.

E isto sem nem mencionar a cafonice de suas últimas apresentações na qual parecia uma espécie de Elvis Presley travestido ou uma mutação amassada de Liberace…


Em 1991 uma biografia de TV de Baker chamada "The Josephine Baker Story" (que nem é mencionada na Wikipedia) foi feita para a televisão: um filme com muitos erros biográficos, muita “água com açúcar” e muita “criatividade” no que diz respeito à vida de Baker.

Josephine
na realidade nunca venceu grandes batalhas no que dizia relação ao ativismo contra o problema racial americano. Perdeu a maioria delas e se refugiou numa posição confortável num país onde era muito amada, por ser um ícone.


Nesta cena, que veremos, Lynn Whitfeld (que interpreta Baker) está no Norte da Africa durante a guerra, recuperou-se duma pneumonia e várias outras infecções e decidiu cantar para os soldados, entreter as tropas…
Ela porém para de cantar quando nota que os soldados negros estão “lá atrás” e os brancos sentados nos bancos da frente… Ao som de «J´ai deux Amours» ela transforma esta simples (e linda) chanson num conto de fadas de ativismo de direitos civis (os dois países «dentro dela» não são mais os U.S.A. e a França e sim o seu lado negro e seu lado branco… Note-se que esta música foi composta nos "Anées folles”, nos quais Paris havia-se tornado capital mundial do Jazz, nos quais músicos negros eram « amados » e nos quais problems raciais aind não existiam como hoje ! ).


Bem, final feliz, todos felizes…
os soldados negros vem sentar-se na frente ao lado dos brancos que os recebem com toda a amabilidade e carinho que só existe entre irmãos… como acontece todos os dias (!?!), principalmente nos U.S.A.... esta forma aberta, simpática, aconchegante de ser em relação à cor de pele, tão típica do povo norte-americano... stou sendo cínico? Perdão, mas só a TV americana pode criar cena de tal banalidade e irrealismo!

Pelo menos tudo isso acontece ao som da linda canção e de um (sincronizado) desempenho vocal simplesmente maravilhoso… Uma das razões porque prefiro a sincronizada Lynn (muito linda)ao “original” Josephine com sua "vozinha"…

No final de tudo, pela música, quase vale a pena assistir esta cena lacrimogenia…

Mas temos admitir “entre nous”: se a vida fosse realmente assim…

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Tonight at 8:30

Relendo „Tonight at 8:30“ de Noël Coward, voltei a ficar encantado com o conceito usado e com o árduo exercício teatral que ele compos e impos para Gertrude Lawrence e para si próprio… Incrível!


“Tonight at 8:30” é uma série de dez peças de um só ato (muitas delas com várias cenas) escritas em 1935. Dramas, comédias, até uma comédia musicada etc. que eram apresentadas de tres em tres todas as noites, primeiro no West End, depois em 1936 na Broadway (Na realidade o publico só descobria quais peças iria assistir quando já estava dentro do teatro!). A partir deste momento um fato foi definitivamente constatado: O público queria ver Gertie e Noël juntos no palco...

Hoje em dia seria muito trabalhoso ter-se num teatro dez cenários distintos, dez guarda-roupas completos diferentes, música orquestrada em algumas noites sim, em outras não e acima de tudo: dois atores que “dessem conta” de fio a pavio de dez diferentes personagens variados… dominando a escala de comédias romanticas à musicais, de dramas à peças de caráter mais realista… e tudo isso ao sabor das linhas extremamente ironicas e inteligentes de Coward, que exigem uma precisão milimétrica dos atores…


Noël, genio do teatro e cinema ingleses, rapaz de família de trabalhadores rudes e muito pobres que foi literalmente adotado pela “Upper Crust” Londrina em tenra juventude e que assimilou muito bem a maneira de pensar e agir dela ("I'll go through life either first class or third, but never in second")

E GertieOh, Gertie! (que havia debutado na Broadway em 1924 e que em 1925 conquistou definitivamente o mundo em "Oh, Kay!" cantando "Someone to watch over me" de Gershwin - que épocas!).

Gertie em 1928 uando e abusando do seu (realmente) inimitável "chic".

Muitos contaram que, em seus dias, existiram mulheres muito mais bonitas, melhores atrizes, melhores cantoras, melhores dançarinas do que ela mas a combinação de seus talentos e extremos, fascinante charme foi o que tranformou Gertrude Lawrence no epítome do glamour e do «chic» de seus dias. Muitos dizem que ela simbolizava completamente o termo „Star“.

Gertie & Noël foram amigos de toda uma vida… desde a infancia até sua trágica morte quando foi afastada em 1952 do elenco de “The King and I” (ela descobriu Yul Brinner) na Broadway para morrer sómente dias depois.
Cancer.

Noël escreveu um comovente e emocionado «Obituário» para o Times
Uma época de muito “chic” havia terminado para sempre e o início desde mundo no qual habitamos, mundo desta incansável jornada rumo à vulgaridade, começou… Coincidencia?

Aqui, algumas fotos de algumas das peças de „Tonight at 8:30“.

„Family Album“

Ensaiando „Red Peppers“

„Red Peppers“

„Shadow Play“

mais uma de “Shadow Play” (magnífica, por sinal!)

“Ways and Means”

e, minha predileta, a biruta, aloprada “We were dancing”.

Para finalizar esta Tertúlia seria mais que perfeito colocar aqui a cena inicial de "We were dancing" (na qual ela entra em cena num estado de extase, jurando amor eterno, beijando, acariciando, fazendo amor com um jovem, lindo rapaz... para ser interrompida por um homem que pigarra e a chama pelo nome. Ela se afasta do rapaz e pergunta "Qual é seu nome?" para logo completar bem "as a matter of fact": "Querido, este é meu marido.")

Infelizmente só encontrei cenas destes lindos trabalhos de Coward com Joan Collins (Ave-Maria!!! Of all people!!!!). Seria dar um banho de vulgaridade e maquiagem à memória deste charme de pessoa que se chamou Gertrude Lawrence.

Mas existem ainda gravações de suas músicas... que juntas às imagens que youtube nos proporciona, darão a voces certamente uma idéia do que Gertie simbolizou nos seus dias... como, por exemplo "Someone to watch over me" que ouvimos aqui juntos, há poucas semanas numa Gala para Gershwin. Bem; técnicas e tempos mudaram, mas elegancia ainda é "a state of mind".

Enjoy!