A última composição do fabuloso George Gershwin não poderia ter sido mais inspirada…
Our love is here to stay…
Ele deixou-a interminada quando partiu tão jovem deste mundo mas seu grande amigo e colaborador Oscar Levant terminou-a.
Um “hino” ao amor que consolidou-se nas últimas semanas dentro de mim.
Finalmente compreendi este texto ao mesmo tempo simples e extremamente rico!
Aqui Gene e minha querida, amada Leslie Caron num dos momentos de maior simplicidade do cinema musical… Fabulosos…
Its very clear, our love is here to stay
Not for a year, but forever and a day
The radio and the telephone,
And the movies that we know
May just be passing fancies
And in time may go
But, oh my dear
Our love is here to stay
Together we're going a long long way
In time the Rockies may crumble
Gibraltar may tumble
They're only made of clay
But our love is here to stay
...e para quem ainda tiver interesse: Bobby Short - inigualável!
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segunda-feira, 6 de junho de 2016
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Rhapsody in Blue: Leung Pak yue (2009)
Não vou desperdiçar supérfluas palavras para dizer o que está aí, mais do que dito, na interpretação de
Leung Pak yue (com 9 anos de idade) no Harmonica Festival in Hangzhou, China 2009. Não é necessário…
“George Gershwin's Rhapsody in Blue" num maravilhoso, inesquecível momento…
Obrigado ao amigo Mauri por me apresentar esta maravilha!
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Le Boeuf sur le Toit & o magnífico Alexandre Tharaud
Lendo no momento „Les années folles / Os anos loucos” de William Wiser (presente dado com muito carinho por amigas muito queridas!) nada mais adequado do que compartilhar um pouco do que me vem "ocupando" há semanas e um pequeno conhecimento sobre “Le Boeuf sur le Toit” que se encorporou a mim… mais um daqueles conhecimentos "inúteis" que são extremamente essenciais para mim...
Sempre tive curiosidade em saber por que uma improvisação de Jazz, uma “Jam Session” é chamada em frances de “Faire le Boeuf”… Pois é: não existem coincidencias !
“Le Boeuf sur le Toit” (O boi no telhado) é o nome do famosíssimo café-bar-restaurante, fundado em 1921 que se encontrava originalmente na rue Boissy d’Anglas no oitavo “Arrondissement” parisiense. Curiosamente o compositor Darius Milhaud tinha estado no Brasil e ficou muito impressionado com uma música folclórica da época chamada “O boi no telhado” (!?! alguém conhece ?!?). De volta à França em 1919 ele fundou um grupo musical chamdo “Les Six”. Jean Cocteau era um informal membro do grupo e algum depois fez a coreografia (conheciam este lado de Cocteau?) para uma nova composição de Milhaud, chamada “Le Boeuf sur le Toit”. Esta, um ballet, tornou-se tão popular que podia-se ouví-la «muy amenudamente» tocada pelo próprio Milhaud e Georges Auris e (pasmem) Arthur Rubinstein à seis mãos num local chamado “La Gaya”. Foi então que a constante presença de Cocteau e seu círculo fizeram de La Gaya um local tão popular que em dezembro de 1921 o dono mudou seu bar para a rue Boissy d’Anglas e lhe deu o nome de «Le Bœuf sur le Toit». O bar-restaurante-café tornou-se tão popular que até hoje se acredita que o ballet recebeu seu nome por causa da fama do «bar». Exatamente o contrário foi o que aconteceu.
Le Boeuf sur le Toit foi um grande sucesso a partir do dia de sua abertura. E tornou-se o centro da sociedade intelectual parisiense ao longo dos anos 20. Diz-se que na noite de sua estréia o pianista Jean Wiéner tocou Gershwin acompanhado de Cocteau e Milhaud na bateria… Nesta mesma noite estavam na platéia Pablo Picasso, René Clair, Sergei Diaghilev , Maurice Chevalier... e depois vieram os Fitzgeralds (Scott & Zelda), Hemingway, Dorothy Parker, Allan Campbell, Lillian Hellmann e todos os maravilhosos artistas de todos possíveis setores que habitavam – por causa da extrema desvalorização do Franco – a maravilhosa Paris…
Sim…
"Le Boeuf sur le Toit - Gala 1922"
Sim, artistas de todos os setores vinham para “Le Boeuf”. Pendurado numa parede estava o (agora) famoso quadro dadá “L’Oeil Cacodylate” de Picabia.. Mas a função básica do bar era ser “um templo” para a música: podia-se ouvir Wiéner tocando Bach, Marianne Oswald cantando canções de Kurt Weill. Lá se via Stravinsky, Francis Poulenc, Catherine Sauvage e Erik Satie! Músicos de Jazz apareciam por lá depois de terem feito suas próprias aparições em outros clubes e tocavam até altas horas da madrugada… Paris era a capital do jazz! E daí, de lá, vem a expressão “Faire un Boeuf” (na realidade uma alusão ao local) quando se trata de uma “Jam Session” – vamos agora procurar o por que da expressão “Jam Session”…
Mas não devemos esquecer do virtuosos pianista belga Clément Doucet tocando Cole Porter, Gershwin e seu trabalho, seu maravilhoso trabalho… Apesar de ter tido sua formação como pianista clássico ele esteve tres anos nos U.S.A. onde se aprofundou na técnica do jazz, principalmente no que diz respeito ao trabalho da mão esquerda no piano…
Foto da mao esquerda de Alexandre Tharaud (copyright Mathurin Bolze)
Quando retournou à Europa tornou-se pianista de «Le Bœuf», sucedendo Wiéner, com quem depois formou uma “dupla pianística” de 1924 a 1939. Juntos deram mais de 2000 concertos e fizeram mais de 100 discos de jazz, blues e música clássica, além de terem acompanhado grandes chansonniers como Piaf, Maurice Chevalier e o maravilhoso, esquecido, Jean Sablon!
Doucet teve a grande inventividade (e genialidade) de transformar em “Ragtime” duas obras… A primeira “Isoldina”, baseada em “Mild und Leise” (Liebestod/ A morte pelo amor), última parte de “Tristan und Isolde” de Wagner, que “acaba” literalmente com qualquer soprano que já está no palco cantando há cinco horas… Ouçam esta delícia…
A segunda, sua maior obra ao meu ver, é “Chopinata”, um tributo “ragtimesco” ao trabalho de Chopin!
Obra de genialidade única…
E é aqui que entra Alexandre Tharaud (nascido em 1968), magnífico pianista frances nesta postagem! Grande artista que começou seus estudos aos 5 anos de idade. Com 14 entrou no Conservatório de Paris. Desde os 17 tem uma belíssima carreira… Chopin, Scarlatti, Bach, Schubert…
Agora lançou um novo CD, sua mais "louca, desvairada aventura" pelo mundo da música , o maravilhoso «Le Bœuf sur le Toit – swinging Paris»b>, no qual toca no seu maravilhoso piano, sem nenhum outro acompanhamento, os grandes arranjos que foram feitos nos anos 20, neste incrível restaurante-café-bar com os trabalhos de Gershwin, Donaldson, Cole Porter, H.H. Brown, para citar só alguns, inclusive Doucet… Sim os maravilhosos arranjos de «Isoldina» e «Chopinata» estão aqui neste CD, preservados para futuras gerações, tocados pelo jovem mestre… Que maravilha!
Logo Tharaud, logo ele, não quer ter um piano em sua casa pois acha que se dedicaria mais ao trabalho da improvisação do que à ardua prática técnica diária… de que prazeres nos estará privando?
Posso ser muito sincero? Quando penso nos “Années folles” me pergunto: porque tive que nascer em 1960? Ou será que estava lá, em outra encarnação ?
Dedico esta postagem às amigas que me deram de presente este livro ao incrível, que me fizeram ficar com «as orelhas em pé» quando ouvi no meu querido programa de rádio «Pasticcio» (que ouço todo dia quando estou dirigindo para o trabalho) esta matéria sobre “Le boeuf sur le Toit”, “les Années folles », Doucet e Tharaud… Não existem realmente coincidencias, não é verdade??
P.S. (26.09.2013) : Por motivos que só eu poderia explicar, esta postagem só será colocada no ar no dia em que minha querida amiga – que também me presenteou o livro “Les années folles” – voltar para casa do hospital depois de um “sustinho que nos pregou”.
Prometi isso.
Bem-vinda em casa, minha querida, e muitos beijos!
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Tempos de emoção: The final Take... Thanks, George!
"Love Walked In" é uma canção de George e Ira Gershwin composta em 1930…
Ira, escreveu a letra sómente em 1937, para o musical de 1938 “The Goldwyn Follies”, filme “esquecível”, não tivesse duas obras-primas musicais, que contava com a participação de Vera Zorina, na época esposa de George Balanchine, o boneco Charlie MacCarthy que era o objeto do ventriloquista Edgar Bergen – pai da famosa Candice Bergen.
…e as maravilhosas “Goldwyn Girls”, que durante os anos de sua existencia como “coro fixo” para Goldwyn incluíram nomes (que na, cinematográfica, mas pura tradição “Zeigfeldiana”, iam e vinham) como Lucille Ball, Virginia Bruce, Paulette Goddard, Betty Grable, Virginia Grey, Virginia Mayo, Marjorie Reynolds, Ann Sothern e Jane Wyman.
“Love walked in” foi instrumento de muita veneração para muitos cantores e “Band-leaders”. De Bing Crosby à Ella Fitzgerald, de Dinah Shore à incrível Maureen MacGovern, de Sarah Vaughan a Louis Armstrong, de Artie Shaw a Tommy Dorsey…
Hoje, para encerrar a série “Tempos de emoção”, o início da parte final de “ ‘s wonderful” com todo o cast (Maureen MacGovern, Greg Burgge, Madeline Kahn, Julia Migenes, Leonard Bernstein, Christopher Walken – só para citar alguns), que nos presenteia com toda a emoção de uma maravilhosa homenagem aos 50 anos de morte de George Gershwin.
“Love is here to stay”, o último trabalho conjunto de George e Ira Gershwin, foi também composto para “The Goldywn Follies”. George terminou a música para morrer logo depois. Seu irmão, Ira, escreveu a letra póstumamente o que deu um toque de tristeza e de extrema eternidade a esta canção… Diz "a lenda" que Oscar Levant, grande pianista e amigo pessoal ds Gershwin desde a infancia, terminou a parte musical pois George não a teria terminado...
Originalmente chamada “Our love is here to stay” ela foi patenteada como “Love is here to stay”. Ira pensou durante anos em mudar seu nome de volta mas acabou desistindo pois a canção já tinha transformado-se num Standard do “American Songbook”.
O mais ironico de tudo isso é que para nós a canção é hoje conhecida como “Our Love is here to stay”, como no seu título original.
Eternizada por Gene Kelly e Leslie Caron às margens do Sena em “An american in Paris” (1951) e por muitos outros intérpretes, ela é composta de profunda, direta sentimentalidade:
Musicalmente uma obra-prima sincera, sensível , de extrema simplicidade, ela contém um dos textos mais inspirados e ricos de Ira Gershwin…
It's very clear
Our love is here to stay ;
Not for a year
But ever and a day.
The radio and the telephone
And the movies that we know
May just be passing fancies,
And in time may go !
But, oh my dear,
Our love is here to stay.
Together we're
Going a long, long way
In time the Rockies may crumble,
Gibraltar may tumble,
There're only made of clay,
But our love is here to stay.
Aqui, o fabuloso Bobby Short num (também inspirado) momento em “ ‘s wonderful”, Show de 1987 do qual já mostrei várias partes aqui…
Porém…
…antes de acabar, gostaria de citar algumas palavras de George, que não costumava fazer grandes “statements” sobre seu trabalho – já que sua verdadeira linguagem era a música:
"True music … must reflect the thought and aspirations of the people and time. My people are Americans. My time is today."
Nos resta sómente dizer a George um “Obrigado” por todas estas maravilhas, todos estes “Tempos de emoção", que compos durante sua tão curta vida.
Não houvesse voce existido, que profunda falta sua música faria em nossas vidas, em nossas existencias.
Voce É fundamental e essencial!
Do fundo do coração, George: Our love is here to stay!
Ira, escreveu a letra sómente em 1937, para o musical de 1938 “The Goldwyn Follies”, filme “esquecível”, não tivesse duas obras-primas musicais, que contava com a participação de Vera Zorina, na época esposa de George Balanchine, o boneco Charlie MacCarthy que era o objeto do ventriloquista Edgar Bergen – pai da famosa Candice Bergen.
…e as maravilhosas “Goldwyn Girls”, que durante os anos de sua existencia como “coro fixo” para Goldwyn incluíram nomes (que na, cinematográfica, mas pura tradição “Zeigfeldiana”, iam e vinham) como Lucille Ball, Virginia Bruce, Paulette Goddard, Betty Grable, Virginia Grey, Virginia Mayo, Marjorie Reynolds, Ann Sothern e Jane Wyman.
“Love walked in” foi instrumento de muita veneração para muitos cantores e “Band-leaders”. De Bing Crosby à Ella Fitzgerald, de Dinah Shore à incrível Maureen MacGovern, de Sarah Vaughan a Louis Armstrong, de Artie Shaw a Tommy Dorsey…
Hoje, para encerrar a série “Tempos de emoção”, o início da parte final de “ ‘s wonderful” com todo o cast (Maureen MacGovern, Greg Burgge, Madeline Kahn, Julia Migenes, Leonard Bernstein, Christopher Walken – só para citar alguns), que nos presenteia com toda a emoção de uma maravilhosa homenagem aos 50 anos de morte de George Gershwin.
“Love is here to stay”, o último trabalho conjunto de George e Ira Gershwin, foi também composto para “The Goldywn Follies”. George terminou a música para morrer logo depois. Seu irmão, Ira, escreveu a letra póstumamente o que deu um toque de tristeza e de extrema eternidade a esta canção… Diz "a lenda" que Oscar Levant, grande pianista e amigo pessoal ds Gershwin desde a infancia, terminou a parte musical pois George não a teria terminado...
Originalmente chamada “Our love is here to stay” ela foi patenteada como “Love is here to stay”. Ira pensou durante anos em mudar seu nome de volta mas acabou desistindo pois a canção já tinha transformado-se num Standard do “American Songbook”.
O mais ironico de tudo isso é que para nós a canção é hoje conhecida como “Our Love is here to stay”, como no seu título original.
Eternizada por Gene Kelly e Leslie Caron às margens do Sena em “An american in Paris” (1951) e por muitos outros intérpretes, ela é composta de profunda, direta sentimentalidade:
Musicalmente uma obra-prima sincera, sensível , de extrema simplicidade, ela contém um dos textos mais inspirados e ricos de Ira Gershwin…
It's very clear
Our love is here to stay ;
Not for a year
But ever and a day.
The radio and the telephone
And the movies that we know
May just be passing fancies,
And in time may go !
But, oh my dear,
Our love is here to stay.
Together we're
Going a long, long way
In time the Rockies may crumble,
Gibraltar may tumble,
There're only made of clay,
But our love is here to stay.
Aqui, o fabuloso Bobby Short num (também inspirado) momento em “ ‘s wonderful”, Show de 1987 do qual já mostrei várias partes aqui…
Porém…
…antes de acabar, gostaria de citar algumas palavras de George, que não costumava fazer grandes “statements” sobre seu trabalho – já que sua verdadeira linguagem era a música:
"True music … must reflect the thought and aspirations of the people and time. My people are Americans. My time is today."
Nos resta sómente dizer a George um “Obrigado” por todas estas maravilhas, todos estes “Tempos de emoção", que compos durante sua tão curta vida.
Não houvesse voce existido, que profunda falta sua música faria em nossas vidas, em nossas existencias.
Voce É fundamental e essencial!
Do fundo do coração, George: Our love is here to stay!
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Tonight at 8:30
Relendo „Tonight at 8:30“ de Noël Coward, voltei a ficar encantado com o conceito usado e com o árduo exercício teatral que ele compos e impos para Gertrude Lawrence e para si próprio… Incrível!
“Tonight at 8:30” é uma série de dez peças de um só ato (muitas delas com várias cenas) escritas em 1935. Dramas, comédias, até uma comédia musicada etc. que eram apresentadas de tres em tres todas as noites, primeiro no West End, depois em 1936 na Broadway (Na realidade o publico só descobria quais peças iria assistir quando já estava dentro do teatro!). A partir deste momento um fato foi definitivamente constatado: O público queria ver Gertie e Noël juntos no palco...
Hoje em dia seria muito trabalhoso ter-se num teatro dez cenários distintos, dez guarda-roupas completos diferentes, música orquestrada em algumas noites sim, em outras não e acima de tudo: dois atores que “dessem conta” de fio a pavio de dez diferentes personagens variados… dominando a escala de comédias romanticas à musicais, de dramas à peças de caráter mais realista… e tudo isso ao sabor das linhas extremamente ironicas e inteligentes de Coward, que exigem uma precisão milimétrica dos atores…
Noël, genio do teatro e cinema ingleses, rapaz de família de trabalhadores rudes e muito pobres que foi literalmente adotado pela “Upper Crust” Londrina em tenra juventude e que assimilou muito bem a maneira de pensar e agir dela ("I'll go through life either first class or third, but never in second")
E Gertie… Oh, Gertie! (que havia debutado na Broadway em 1924 e que em 1925 conquistou definitivamente o mundo em "Oh, Kay!" cantando "Someone to watch over me" de Gershwin - que épocas!).
Gertie em 1928 uando e abusando do seu (realmente) inimitável "chic".
Muitos contaram que, em seus dias, existiram mulheres muito mais bonitas, melhores atrizes, melhores cantoras, melhores dançarinas do que ela mas a combinação de seus talentos e extremos, fascinante charme foi o que tranformou Gertrude Lawrence no epítome do glamour e do «chic» de seus dias. Muitos dizem que ela simbolizava completamente o termo „Star“.
Gertie & Noël foram amigos de toda uma vida… desde a infancia até sua trágica morte quando foi afastada em 1952 do elenco de “The King and I” (ela descobriu Yul Brinner) na Broadway para morrer sómente dias depois.
Cancer.
Noël escreveu um comovente e emocionado «Obituário» para o Times…
Uma época de muito “chic” havia terminado para sempre e o início desde mundo no qual habitamos, mundo desta incansável jornada rumo à vulgaridade, começou… Coincidencia?
Aqui, algumas fotos de algumas das peças de „Tonight at 8:30“.
„Family Album“
Ensaiando „Red Peppers“
„Red Peppers“
„Shadow Play“
mais uma de “Shadow Play” (magnífica, por sinal!)
“Ways and Means”
e, minha predileta, a biruta, aloprada “We were dancing”.
Para finalizar esta Tertúlia seria mais que perfeito colocar aqui a cena inicial de "We were dancing" (na qual ela entra em cena num estado de extase, jurando amor eterno, beijando, acariciando, fazendo amor com um jovem, lindo rapaz... para ser interrompida por um homem que pigarra e a chama pelo nome. Ela se afasta do rapaz e pergunta "Qual é seu nome?" para logo completar bem "as a matter of fact": "Querido, este é meu marido.")
Infelizmente só encontrei cenas destes lindos trabalhos de Coward com Joan Collins (Ave-Maria!!! Of all people!!!!). Seria dar um banho de vulgaridade e maquiagem à memória deste charme de pessoa que se chamou Gertrude Lawrence.
Mas existem ainda gravações de suas músicas... que juntas às imagens que youtube nos proporciona, darão a voces certamente uma idéia do que Gertie simbolizou nos seus dias... como, por exemplo "Someone to watch over me" que ouvimos aqui juntos, há poucas semanas numa Gala para Gershwin. Bem; técnicas e tempos mudaram, mas elegancia ainda é "a state of mind".
Enjoy!
“Tonight at 8:30” é uma série de dez peças de um só ato (muitas delas com várias cenas) escritas em 1935. Dramas, comédias, até uma comédia musicada etc. que eram apresentadas de tres em tres todas as noites, primeiro no West End, depois em 1936 na Broadway (Na realidade o publico só descobria quais peças iria assistir quando já estava dentro do teatro!). A partir deste momento um fato foi definitivamente constatado: O público queria ver Gertie e Noël juntos no palco...
Hoje em dia seria muito trabalhoso ter-se num teatro dez cenários distintos, dez guarda-roupas completos diferentes, música orquestrada em algumas noites sim, em outras não e acima de tudo: dois atores que “dessem conta” de fio a pavio de dez diferentes personagens variados… dominando a escala de comédias romanticas à musicais, de dramas à peças de caráter mais realista… e tudo isso ao sabor das linhas extremamente ironicas e inteligentes de Coward, que exigem uma precisão milimétrica dos atores…
Noël, genio do teatro e cinema ingleses, rapaz de família de trabalhadores rudes e muito pobres que foi literalmente adotado pela “Upper Crust” Londrina em tenra juventude e que assimilou muito bem a maneira de pensar e agir dela ("I'll go through life either first class or third, but never in second")
E Gertie… Oh, Gertie! (que havia debutado na Broadway em 1924 e que em 1925 conquistou definitivamente o mundo em "Oh, Kay!" cantando "Someone to watch over me" de Gershwin - que épocas!).
Gertie em 1928 uando e abusando do seu (realmente) inimitável "chic".
Muitos contaram que, em seus dias, existiram mulheres muito mais bonitas, melhores atrizes, melhores cantoras, melhores dançarinas do que ela mas a combinação de seus talentos e extremos, fascinante charme foi o que tranformou Gertrude Lawrence no epítome do glamour e do «chic» de seus dias. Muitos dizem que ela simbolizava completamente o termo „Star“.
Gertie & Noël foram amigos de toda uma vida… desde a infancia até sua trágica morte quando foi afastada em 1952 do elenco de “The King and I” (ela descobriu Yul Brinner) na Broadway para morrer sómente dias depois.
Cancer.
Noël escreveu um comovente e emocionado «Obituário» para o Times…
Uma época de muito “chic” havia terminado para sempre e o início desde mundo no qual habitamos, mundo desta incansável jornada rumo à vulgaridade, começou… Coincidencia?
Aqui, algumas fotos de algumas das peças de „Tonight at 8:30“.
„Family Album“
Ensaiando „Red Peppers“
„Red Peppers“
„Shadow Play“
mais uma de “Shadow Play” (magnífica, por sinal!)
“Ways and Means”
e, minha predileta, a biruta, aloprada “We were dancing”.
Para finalizar esta Tertúlia seria mais que perfeito colocar aqui a cena inicial de "We were dancing" (na qual ela entra em cena num estado de extase, jurando amor eterno, beijando, acariciando, fazendo amor com um jovem, lindo rapaz... para ser interrompida por um homem que pigarra e a chama pelo nome. Ela se afasta do rapaz e pergunta "Qual é seu nome?" para logo completar bem "as a matter of fact": "Querido, este é meu marido.")
Infelizmente só encontrei cenas destes lindos trabalhos de Coward com Joan Collins (Ave-Maria!!! Of all people!!!!). Seria dar um banho de vulgaridade e maquiagem à memória deste charme de pessoa que se chamou Gertrude Lawrence.
Mas existem ainda gravações de suas músicas... que juntas às imagens que youtube nos proporciona, darão a voces certamente uma idéia do que Gertie simbolizou nos seus dias... como, por exemplo "Someone to watch over me" que ouvimos aqui juntos, há poucas semanas numa Gala para Gershwin. Bem; técnicas e tempos mudaram, mas elegancia ainda é "a state of mind".
Enjoy!
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sábado, 6 de julho de 2013
Tempos de emoção III: Come to the Moon
Um número, uma canção de Gershwin que foi, por anos, práticamente esquecida... Sim, um dos seus primeiros números a serem apresentados no teatro profissional, “Come to the Moon” foi parte da “Capitol Revue” de 1919.
Por razões que só o destino poderia explicar, uma outra composição de Gershwin foi colocada neste mesmo Show (no Teatro Capitol).
Esta canção tinha sido originalmente composta para uma Revue chamada “Demi-Tasse” mas não teve grande impacto.
Gershwin e seu partner, Irving Caesar, alegavam te-la composto em mais ou menos 10 minutos enquanto estavam num onibus em Manhattan, terminando-a no apartamento de George (que na época tinha 20 anos!). Só uma “brincadeira” que parodiava um sucesso da época, chamado “Old folks at Home” (palavras que, por sinal, fazem parte da letra da música).
Na “Capitol Revue” ela foi mais uma vez usada usada, como um “big production number”, com 60 coristas dançando com luzes nas suas sapatilhas num palco escurecido, transformando-se num grande sucesso.
Ah!!! O nome da canção?
“Swanee” – o primeiro grande sucesso de George, que até hoje, é lembrada, tocada… tendo sido eternizada por Al Jolson, que a cantou nu Show seu em 1920 pela primeira vez, depois de ouvir George tocando-a numa festa e depois Judy Garland em "A Star is born", vários discos e Shows.
Não é necessário dizer que “Swanee” ofuscou todos os outros números do Show e que a sensível balada “Come to the Moon” práticamente desapareceu por completo do Mundo do Entertaimment, da memória do público e nunca era mencionada quando se falava do “acervo musical” de Gershwin.
Por este motivo tenho orgulho em reapresenta-lá aqui, neste Show (que como muitos de voces sabem, reencontrei há pouco tempo) em homenagem aos 50 anos do falecimento de Gershwin, para qual ela foi apresentada, sendo práticamente “redescobeta” pelo público. Como o próprio nome do Show diz: “‘s wonderful"
Mas voces estarão se perguntando: Porque um momento de emoção?
Desta vez “Come to the Moon” recebeu o tratamento merecido e transformou-se num (small) “production number” mas com todo trato e carinho merecido. Uma pequena jóia em si, com um “timing” preciso.
Esta “jóia”, à qual acima me refiro, é maravilhosamente interpretada vocalmente pelos tres cantores do (infelizmente desaparecido) “Manhattan Rythim Kings” (que pena, eles eram MARAVILHOSOS!) e por um pequeno corps de ballet que está 100% afinado ao “estilo” e "charme" de então (Sim, aquele maravilhoso momento dos palcos americanos no final da primeira década do século passado, ainda antes do Charleston…).
Gostaria de acrescentar que é um prazer ouvir o som de Gershwin, em sua primeira fase musical (da qual também “Somebody loves me” é originária e que em breve veremos aqui nas "Tertúlias"), na qual ainda usava, adicionalmente aos (novos) ritmos americanos (notem que o número, ao final, tranforma-se quase num “ragtime”), muitas influencias folclóricas judáicas e também o trabalho clássico de Rubinstein…
Ouçam com atenção. Entenderão com certeza o que digo…
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domingo, 16 de junho de 2013
Baryshnikov: Nocturnes (Gershwin)
Redescobri há pouco tempo, como já relatei na postagem passada, uma antiquíssima fita VHS... agora, passada completa para um DVD, e sabendo "salvos" todos estes momentos magníficos que aconteceram em março de 1987 (para uma única e, por mim bastante invejada platéia), começo a, relaxadamente, passar esses videos, que representam momentos únicos, separadamente para o youtube.
Bom sabe-los preservados.
Bom este sentimento de "missão cumprida". (pois esta é uma das razões da existencia das "Tertúlias": não permitir que momentos, artistas assim sejam esquecidos...)
Estes próximos 14 minutos podem até ser uma surpresa para muitos admiradores (como eu) de Misha (bailarino ao qual meu amigo Antonio Negreiros e eu nos referimos como "O" bailarino da nossa geração!):
Sei que o mundo da Internet trouxe muitas coisas, muitos videos antigos, muitos momentos esquecidos e até desaparecidos "de volta", mas pelo que vi, pesquisei até agora, acho que a "memória" sobre esta gala estava muito fraca... práticamente foi esquecida... também não me consta que esta Gala tenha sido transmitida no Brasil...
Belíssima homenagem a George (e também a Ira) Gershwin!
Curioso sobre as suas opiniões...
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Julie Andrews... Medley...
Uma postagenzinha curta e leve para o dia 26 de dezembro... aqui feriado...
Gostei imensamente de encontrar por puro acaso este video de Julie... Coisa gostosa na época de Natal… um presente…
Que delícia ouvi-la (e ve-la) em “Wouldn’t it be loverly?” na época em que aparecia na Broadway como Eliza no famoso “My Fair Lady”…
Me impressionou principalmente o fato de ouví-la em “Someone to watch over me”, de Gershwin, música que recantaria anos depois no mal sucedido “Star!” de 1968…
Adoro o seu “fraseado”, que delicado, preciso… e que dicção…
Gostei imensamente de encontrar por puro acaso este video de Julie... Coisa gostosa na época de Natal… um presente…
Que delícia ouvi-la (e ve-la) em “Wouldn’t it be loverly?” na época em que aparecia na Broadway como Eliza no famoso “My Fair Lady”…
Me impressionou principalmente o fato de ouví-la em “Someone to watch over me”, de Gershwin, música que recantaria anos depois no mal sucedido “Star!” de 1968…
Adoro o seu “fraseado”, que delicado, preciso… e que dicção…
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Summertime (1955): Hepburn e seu rosto translúcido...
Que falta nos faz o verão este ano… o verão que ainda não se fez presente na Austria.
Desde ontem ando “doentinho” em casa e ouvi não só “Summertime” de Gershwin como também assisti o sincero, poético “Summertime” de David Lean (1955), filme que considero e amo muito… Deve ser pela falta que o verão me faz…
Estranho iniciar uma postagem exatamente com a cena final de um filme... Mas sinto que Hepburn despediu-se de muitos maneirismos à partir deste filme... como que dando início à uma nova fase de sua carreira... quantas obras primas ainda estariam por vir...
Hepburn num desempenho de “olhar translúcido”. Sim, refiro-me aos olhares profundos, transparentes que dá, durante os quais todo seu rosto se ilumina, como que translúcido mostrando todos seus sentimentos, toda a beleza interior e extremo talento que esta grande atriz carregava consigo. Quanta aura.
Os primeiros olhares assim que pude constatar nela foram em «Song of Love» e depois em «The African Queen”… Mas "sombras" ainda destes olhares... ainda muito distante da magnitude destes e de muitos outros... Como se "ve" o desenvolvimento interior desta atriz - como ser humano - com o passar dos anos... Que beleza!
Mas aqui estou eu de novo, com dificuldades para escrever sobre ela.
Kate sempre me deixou boquiaberto demais, sem palavras para poder sequer sugerir o que vejo e sinto na sua arte… Acho dificílimo expressar o que sinto com seu desempenho… Um bloqueio gramatical completo.
Talvez esse seja o real motivo de escrever tão pouco sobre ela…
Que rosto… eterno...
Não vou falar muito sobre esta obra-prima sobre esta “declaração de amor” de Lean à Itália. Admiro demais a atmosfera frágil, de profundo amor, de realização desta pequena obra-prima (que parece ser meio esquecida!) que foi totalmente filmada em Veneza.
Reassistam, assistam… Eu prometo: Vale a pena!!!
Tres detalhes:
O primeiro se refere ao nome do personagem de Kate… Jane Hudson. Jane a solteirona, querendo realizar, viver um grande amor… Tão predestinada e disposta a amar, tão diferente de outra Jane (Hudson) do Cinema… estão todos ainda lembrados de Bette Davis em «Whatever happened to Baby Jane ?” Sim… a outra Jane Hudson… tão diferente desta!
O segundo reúne toda a elegancia do Cinema… O simbolismo de fogos de artifício explodindo e de um sapato esquecido num pequeno balcão enquanto os dois amantes desaparecem pela primeira vez para dentro de um quarto…
O terceiro: “Graças” à cena em que cai num Canal, Hepburn ficou com uma infecção cronica nos olhos… Fato que deve ter sido bem deconfortável até o final de sua vida mas que em futuros anos lhe daria um certo olhar “aguado”, “choroso” que foi muito bem utilizado por ela...
Bem, se Kate conseguiu até encorporar seu “Parkinson” e tremor de cabeça aos seus personangens…
O que poderia se esperar desse genio?
Desde ontem ando “doentinho” em casa e ouvi não só “Summertime” de Gershwin como também assisti o sincero, poético “Summertime” de David Lean (1955), filme que considero e amo muito… Deve ser pela falta que o verão me faz…
Estranho iniciar uma postagem exatamente com a cena final de um filme... Mas sinto que Hepburn despediu-se de muitos maneirismos à partir deste filme... como que dando início à uma nova fase de sua carreira... quantas obras primas ainda estariam por vir...
Hepburn num desempenho de “olhar translúcido”. Sim, refiro-me aos olhares profundos, transparentes que dá, durante os quais todo seu rosto se ilumina, como que translúcido mostrando todos seus sentimentos, toda a beleza interior e extremo talento que esta grande atriz carregava consigo. Quanta aura.
Os primeiros olhares assim que pude constatar nela foram em «Song of Love» e depois em «The African Queen”… Mas "sombras" ainda destes olhares... ainda muito distante da magnitude destes e de muitos outros... Como se "ve" o desenvolvimento interior desta atriz - como ser humano - com o passar dos anos... Que beleza!
Mas aqui estou eu de novo, com dificuldades para escrever sobre ela.
Kate sempre me deixou boquiaberto demais, sem palavras para poder sequer sugerir o que vejo e sinto na sua arte… Acho dificílimo expressar o que sinto com seu desempenho… Um bloqueio gramatical completo.
Talvez esse seja o real motivo de escrever tão pouco sobre ela…
Que rosto… eterno...
Não vou falar muito sobre esta obra-prima sobre esta “declaração de amor” de Lean à Itália. Admiro demais a atmosfera frágil, de profundo amor, de realização desta pequena obra-prima (que parece ser meio esquecida!) que foi totalmente filmada em Veneza.
Reassistam, assistam… Eu prometo: Vale a pena!!!
Tres detalhes:
O primeiro se refere ao nome do personagem de Kate… Jane Hudson. Jane a solteirona, querendo realizar, viver um grande amor… Tão predestinada e disposta a amar, tão diferente de outra Jane (Hudson) do Cinema… estão todos ainda lembrados de Bette Davis em «Whatever happened to Baby Jane ?” Sim… a outra Jane Hudson… tão diferente desta!
O segundo reúne toda a elegancia do Cinema… O simbolismo de fogos de artifício explodindo e de um sapato esquecido num pequeno balcão enquanto os dois amantes desaparecem pela primeira vez para dentro de um quarto…
O terceiro: “Graças” à cena em que cai num Canal, Hepburn ficou com uma infecção cronica nos olhos… Fato que deve ter sido bem deconfortável até o final de sua vida mas que em futuros anos lhe daria um certo olhar “aguado”, “choroso” que foi muito bem utilizado por ela...
Bem, se Kate conseguiu até encorporar seu “Parkinson” e tremor de cabeça aos seus personangens…
O que poderia se esperar desse genio?
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