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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Time heals everything...


Uma das mais lindas canções compostas para um musical da Broadway, “Time heals everything” é, apesar de muito simples, de uma honestidade e emoção devastadoras.
“Mack and Mabel” (1974) de Michael Stewart e Jerry Herman (Hello Dolly!) conta a atribulada estória de amor entre o diretor de cinema (mudo) Mack Sennett e sua “descoberta”, a adorável Mabel Normand, que transformou-se numa de suas maiores estrelas.
O musical, que originalmente teve o magnífico Robert Preston (para uma geração mais nova conhecido de “Victor, Victoria”) como Sennett, a talentosíssima “Broadway’s Darling” Bernadette Peters como Normand e o brilhante Gower Champion como diretor, não foi realmente o que se possa chamar de um “sucesso”. Desde sua “revival” em 1995 no West End ele ganhou porém um outro “status” e, hoje em dia é realmente “compreendido”.




O “enredo” nos leva dos dias dos “two-reeler” da Keystone às “Bathing Beauties” de Sennett (Gloria Swanson, que esteve entre elas, aqui encima na primeira fila) e ao amor trágico dos dois, interrompido pela prematura morte de Normand, a primeira “rainha da comédia” de Hollywood, em 1930 de tuberculose.
Gostaria de chamar atenção às lyrics de “Times heals…". Ainda me emociono com elas. Impressionante como uma música pode captar nossa sensibilidade, incrível como a gente pode se identificar com uma canção...
Aqui, mais de 30 anos depois do show original, Bernadette Peters, em grande forma, dando sua “rendition” da talvez mais linda balada que lançou ao longo de sua rica carreira.

♪ ♫ Time heals everything
Tuesday, Thursday
Time heals everything
April, August
If I'm patient the break will mend
And one fine morning the hurt will end

">
So make the moments fly
Autumn, Winter
I'll forget you by
Next year, Some year
Tho' it's hell that I'm going through

Some Tuesday, Thursday
April, August
Autumn, Winter
Next year, Some year
Time heals everything
Time heals everything
But loving you… ♫ ♪

sábado, 24 de abril de 2010

Viúvas (menos e mais) alegres: revisitando uma Opereta.

Minha relação com „A viúva alegre“ (Die lustige Witwe) é muito especial, até sentimental…
Nos anos 80, quando dancei no Theater an der Wien, lembro-me muito bem de uma maravilhosa “Hannah” (a viúva): Mirjana Irosch, um soprano austríaco de origem jugoslava.
“Frau” Irosch estava perfeitamente no seu elemento nesta opereta e, por assim dizer, no ápice de sua carreira. Naquela curta fase em que uma artista “desabrocha” por completo, no momento em que a beleza chega à sua fase mais resplandecente (Ela foi uma mulher de singular beleza e charme) e que a voz e a técnica alcançam uma maturidade antes não ouvida… Um belo momento. Curto porém muito belo! Eu estava lá. Presenciando todas as noites este milagre que acontece no palco chamado magia.

Lembro-me de ficar parado na coxia, noite após noite, ouvindo-a cantar “Vilja” reticente, como que envolvida num sonho, como num pensamento, como no espaço entre duas virgulas. Eu sentia-me completamente fascinado com aquela voz, com aquela presença cenica… eu me “recolhia” no escuro da coxia e gozava aquele instante. Seis vezes por semana… Ficava exatamente como no texto de uma musiquinha antiguinha de Rita Lee: “No escurinho do cinema, chupando drops de anil, longe de qualquer problema. Perto de um final feliz…” (Desculpem-me esta mistura tao eclética entre Franz Lehár e Rita Lee… mas não resisti!).

É exatamente esta qualidade que hoje em dia falta em “Witwe”. Novas produções aparecem contínuamente mas, apesar desta viúva ter passado a ser residente dos palcos “de Ópera”, o que ela realmente necessita são menores “salas”. A produção de 2000 no Metropolitan foi um fracasso. O tamanho do palco “comeu” a Opereta. Esta Viúva foi e é ainda uma criatura para palcos mais populares, na essencia da tradição da Opereta (A “mãe” dos Musicais)

Composta pelo austríaco Franz Lehár ,“Witwe” (A Viúva) estreiou em 1905 no “meu” Theater an der Wien aqui em Viena (Cliquem no arquivo aqui à direita e vejam minhas postagens de 09.04.2010 e de 28.08.2009 – que sorte tive de aparecer na “Viúva” no teatro onde estreiou mundialmente! ) e sua primeira “Hannah” foi um soprano chamado Mizzi Günther! Logo a obra foi traduzida para o ingles e estreiou em Londres com Lily Elsie (adoro este nome!).
De lá foi só um “pulo” para a Broadway. E em pouco tempo “A viúva” se alastrou pelo mundo (conta-se que em Buenos Aires em 1907 cinco produções em 5 diferentes idiomas estiveram em cartaz ao mesmo tempo!). Foram feitas certas adaptações (inclusive em Londres foram adicionadas duas novas músicas) mas a versão original ainda é a da língua alemã!

“Witwe” não tinha uma Ouverture. Lehár a compos 35 anos depois da estréia para a Filarmonica de Viena tocar no seu próprio aniversário de 70 anos em 1940!

As tres versões cinematográficas (todas da Metro) foram só muito longínquamente baseadas no original…
A primeira de 1925 (Imaginem um Opereta como filme mudo !) foi dirigida pelo genial, intelectual, complicado, temperamental e neurótico (austríaco) Erich von Stroheim (lembram do Chauffeur de Norma Desmond em “Sunset Boulevard”? Voilá !).

Ele transformou « Hannah » (que tinha um passado pobre, de camponesa) numa « bailarina » chamada Sally O’Hara ( !?!) e ex-prostituta (muito para o desgosto do produtor, o menino prodígio da Metro, Irving Thalberg e para a ex-atriz da Broadway, Mae Murray, aqui no seu único trabalho cinematográfico que foi relacionado à palavra “Arte”). As cenas de orgia são até hoje bastante fortes visualmente. Diz-se que Franz Lehár « was not amused ».
Mesmo assim o público adorou a “Valsa” e esta foi a única razão deste filme ter tido uma boa bilheteria… A orquestra tocando alguns pedaços da partitura original! O filme consolidou porém a fama de John Gilbert – que interpretava “Danilo” – como símbolo sexual!
A segunda versão, só alguns anos mais tarde (1934) com Jeanette MacDonald e Maurice Chevalier também tem pouco que ver com a estória original e (apesar de todo meu respeito por Miss MacDonald) é na realidade chatérrima (interessante notar-se que o personagem pivot de « Valencienne » simplesmente sumiu nas tres versões !), possui porém um “Grandeur” e uma fotografia de dar inveja a jovens cineastas. Sim, o “segredo” do preto-e-branco e de inventivos truqes que foram completamente perdidos depois dos anos 40… Aqui Jeanette numa foto que considero simplesmente linda! Uma de suas melhores! A direção desta vez foi mais “clássica”: Ernst Lubitsch.
A terceira (MGM, 1952) é a pior das tres. Lana Turner (um “desafeto” cinematográfico meu) não cantava, seus (reduzidos) números foram dublados…

Esta produção só teve dois pontos positivos: Fernando Lamas provou que podia cantar (e muito bem por sinal) e na cena de Can-Can no “Maxim’s” (no original existe uma réplica do Maxim’s na casa de Hannah) o grupo de bailarinas é liderado por ninguém mais nem menos do que a fabulosa Gwen Verdon (Vide minha postagem de 23.04.2009) dançando loucamente! Quanta energia! Uma maravilha!

E falando-se em dança, devemos comentar que vários Ballets foram feitos sobre “A viúva alegre” e, senão me engano, o primeiro foi coreografado para Alicia Markova e chamou-se “Vilia”.

Lembro-me de Fonteyn dançando “The merry Widow”, que foi coreografado em 1975 por Robert Hellpman para o Australian Ballet, mas nunca ouvi nem detalhes nem críticas sobre ele!
Até Maurice Bejárt fez uma versão em 1963 que desapareceu e a linda Patricia MacBride e Peter Martins dançaram numa esquecida versão feita para a televisão em 1982.

Em 1980 falou-se muito de um projeto, precisamente de um filme, sobre “A Viúva” com Julie Andrews e Placido Domingo. Que pena este projeto nunca ter-se concretizado!

Elizabeth Schwarzkopf , uma das mais lindas "pequenas vozes" do século passado, nunca deu vida à „Hannah“ nos palcos. Gravou porém uma maravilhosa “Witwe” que é até hoje vendida. Aqui uma interpretação concertante de « Vilja », minha parte favorita… Recostem-se, coloquem os pés para cima e deixem-se levar… com Schwarzkopf, com a melodia… Lehár at his very best!
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Danielle querida, para voce! Sua sugestão desenvolveu-se e virou esta postagem! Obrigado!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

The forgotten II : Jackie Coogan

Jackie Coogan foi a primeira „estrêla infantil“ da história do cinema. Ele conquistou o coração do mundo depois de sua aparição em “O garoto” (The Kid, 1921), escrito e dirigido por Charles Chaplin. Um filme de uma linda poesia e simplicidade e de um encanto quase inigualável.

Jackie ganhou durante sua infância mais de $ 4.000.000 e esta quantia deveria ter sido-lhe entregue ao completar 18 anos. Sua mâe vivia separada do pai mas nunca se divorciou dele… O pai morreu poucos meses antes de Coogan cumprir 18 anos e ela herdou todo o dinheiro do “Garoto”. Bem, to make a long story short, Coogan processou a mãe mas acabou “a ver navios” pois o dinheiro tinha-se já acabado . Como tudo é efêmero, não? Por causa deste episódio foi criada nos U.S.A. a “Coogan Law” que protege o capital de menores de idade que trabalham em "show-business" (bem, pelo menos 15%).

Coogan continuou trabalhando sem o menor êxito até voltar nos anos 60 à televisão como o Uncle Fester (Tio Funéreo) na maravilhosa série “The Adams Family” (1964-1966). Como tudo é efêmero, hein ????

Coogan morreu em 1984 aos 69 anos de idade (Oh my... quando ele fez o Tio Funéreo em 1964 ele tinha a minha idade... Help!).

P.S. Quem me ajuda a lembrar do nome de todos os personagens???? Lembro-me bem de “Covas” ( no original “Gomez”), Mortiça (Morticia) – a maravilhosa, charmosíssima e inesquecível Carolyn Jones, Venenilda (Wednesday), Seu Coisa (“The thing”) mas não lembro-me mais do nome nem do filho, nem da tia ou do Mordomo (Sinfrônio?). A planta carnívora era “Cleopatra”, não?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

The Forgotten I : Alla Nazimova

Quero começar esta nova série, "The Forgotten", com uma personalidade nada corriqueira e muito interessante… Nazimova!

Quem se lembra de Leslie Caron interpretando Alla em “Valentino” de Ken Russel? (Vide minha postagem de 22.04.2008, uma das menos lidas...). Alla realmente deve ter sido uma grande diversão para Leslie que parece estar se divertindo, se esbaldando com seu papel... Caricata, genial, louca, com sotaque, dramática, diva... Mas realmente existiu uma Alla assim tão louca?

Adelaida Leventon nasceu na Crimeia (então parte do império russo, hoje parte da Ucrânia) em 1879, parte de uma família judia bem “disfuncional”. Sua infância e juventude foram instáveis: o divórcio dos pais, estadias em colégios internos, em instituições educacionais e em casas de parentes. Parece que sua instabilidade emocional transformou-a ainda bem cedo numa rebelde, que lutava contra qualquer tipo de autoridade; na maioria das vezes porém para obter atenção... Uma criança muito precoce, ela aprendeu a tocar o violino aos sete anos de idade. Como adolescente ela demonstrou um interesse pelo teatro e começou a tomar aulas, para logo depois unir-se ao “Teatro de Arte” de Stanislavsky em Moscou como “Alla Nazimova” (prenome adaptado do seu próprio e “Nazimova” o nome de uma heroína de uma novella russa que muito apreciava). Durante essa época ela manteve-se financeiramente como uma “kept woman”, “ajudada” por homens mais velhos... Por voltas de 1903 a sua carreira tomou um rumo distinguido em Moscou e St.Petersburg. Ela então conheceu Pavel Orlenev, amigo íntimo de Anton Chekhov e Maxim Gorky e ingressou nao só numa relação pessoal com ele mas numa também a nível profissional. Juntos fizeram tournées com muito sucesso pela Europa. Em 1905 mudaram-se para Nova York e fundaram um Teatro russo no Lower East Side (uma parte “russa” da Manhattan da época). O projeto transformou-se num fracasso. Orlenev retornou à Rússia. Nazimova ficou em Nova York.

Ela teve seu “début” na Broadway em 1906 com grande sucesso de crítica e público e transformou-se numa personalidade popular (um teatro levou até seu nome!) no teatro. Continuou na Broadway por muitos anos, muitas vezes com peças de Ibsen e Chekhov (de quem ela, na época, era considerada a maior intérprete). Agora ela só chamava-se “Nazimova”.

Nazimova fez seu primeiro filme em 1916. Tinha feito muito sucesso na peça “War Brides” de 1915 e quando esta foi transformada num filme de 35 minutos, ela recebeu o papel principal. A partir daí ela passou a fazer contínuamente filmes, que lhe trouxeram não só fama mas muito dinheiro. Em 1917 ela já ganhava $ 30.000 por filme, com um bonus de $ 1.000 por cada dia de filmagem. Brevemente passou a receber $ 13.000 por semana – uma quantia absurdamente alta para a época. Imaginem só que a “Namoradinha da América”, Mary Pickford, ganhava na época $ 3.000 por semana...

Em 1918, aos 39 anos, ela decidiu passar a produzir seus filmes e escrever seus próprios roteiros. É sobre esta época, sobre seu valor avant-gardista e sobre o riquíssimo valor visual de seus filmes que queria dissertar um pouco aqui...

Em 1922 “A Doll’s House” (“Casa de Bonecas”), no meio de sua fase mais criativa, foi uma produção de certa forma clássica, formal. Porém seu uso ousado da camera inspirou muitos cineastas.

.....................(Pobre "Nora" bailando a Tarantella)....................

Seus trabalhos mais “apaixonados” e “enlouquecidos” da época foram “Camille” (1921) e “Salomé” (1923). Cercada de grandes talentos, Alla deu realmente “asas” à sua imaginação e embarcou numa louquíssima, alucinada viagem “avant-garde” construíndo (ao seu redor) “sets” que nunca tinham sido vistos, usando guarda-roupas que nunca haviam existido, criando efeitos que nunca foram cogitados...


Em “Camille” ela contracenou com um jovem talento que acabava de chegar ao estrelato depois de “dançar um erótico tango” em “Os quatro cavaleiros do Apocalipse” (“The four horsemen of the Apocalyse”, 1921): Rudolph Valentino. Rudolph foi o “Armand” para a sua “Camille”. A responsável pela “produção artística”, ou seja, pelos sets art-decó e pelos excepcionais guarda-roupas era Natacha Rambova, que havia nascido como Winifred Shaughnessy e que era a amante de Alla na época. Ela ainda faria a produção de “Salomé” para Nazimova mas logo casaria-se com Valentino para abandoná-lo logo depois. Mas isto já é assunto para uma outra postagem!

Detalhe: a magreza quase anoréxica de Nazimova para interpretar a tuberculosa Marguerite e toda sua fragilidade exterior e interior...

Alla – que sabia reconhecer um talento (como tinha feito com Valentino, contratando-o para “Camille”) e também um “scene-stealer”, não titubeou duas vezes, reduziu o número de cenas de Valentino e transformou o final “a dois” de “Camille” (quando Armand volta finalmente aos braços de Marguerite para perdê-la para a morte) num “solo”. Ela morre sózinha, Armand tendo sido substituido pelo livro (!!!) “Manon Lescaut”, e fica com o final lacrimejante do filme só para ela. Nao sei o que Dumas Jr. teria pensado disto...

...lindo "take" que deve ter inspirado Cukor na sua versao de "Camille" com Garbo...

Aqui mais algumas fotos que mostram a linda fotografia e o decór do filme, que só por este motivo já é uma obra interessante.


“Salomé”, sua produção mais ousada, que lhe custaria sua carreira em Hollywood, foi uma homenagem a Oscar Wilde. Por este fato Alla fez questão que a publicidade divulgasse o fato de que sua produção era uma “all homossexual-production of Salome”. Fato este que também sacrificou a carreira de muitos atores e atrizes do filme...



Nazimova e Rambova não pouparam em detalhes – do seu penteado de “pom-pons” (um clássico, imitado por Leslie Caron em “Valentino”) ao robe que era quase a réplica de uma ilustração de Beardsley para a edição original de “Salomé” – e a produção foi caríssima.


Ela com certeza desenvolveu uma técnica própria em suas produções mas estas, apesar de terem sido elogiadas pela crítica, foram consideradas muito “ousadas” pelo público da época. E olhem que estamos ainda dez anos antes do “Hays Code” (censura), numa Hollywood muito “aberta”. Pensem nos filmes (e cenas de orgia) de Cecil B. deMille !!! Ela perdeu práticamente todo seu capital, vendeu sua mansão que havia construído em 1919 e que tinha sido cenário das maiores “debauched parties” da era dourada do cinema mudo (o famoso “Garden of Alla” que em 1927 transformou-se num hotel de Bungalows chamado “Garden of Allah”, onde ela mesmo alugou um pequeno quarto para si).

Por voltas de 1925 ela não tinha dinheiro para investir em filmes, perdeu todo o seu suporte financeiro, não conseguiu levantar um empréstimo e voltou para Nova York para trabalhar no teatro, na Broadway (como por exemplo para estrelar como Natalya Petrovna na versão dirigida em 1930 por Rouben Mamoulian de “A Month in the Country”).

Alla teve uma vida amorosa muito atribulada... Diz-se que seu casamento com o ator Charles Bryant era um “lavender marriage”. O que pode ser, já que ele era assumidamente gay e ela, durante o passar dos anos, teve casos de amor com Jean Acker e Natacha Rambova (AMBAS esposas de Valentino), com a atriz Eva Le Gallienne, com a assumidíssima diretora Dorothy Azner, com a escritora Mercedes de Acosta (amissíssima de Garbo e Dietrich) e com a sobrinha de Oscar Wilde, Dolly Wilde, entre outras.

Nazimova voltou a Hollywood no início dos anos 40 para trabalhar como coadjuvante em filmes como “Escape” (1940, como a mãe de Robert Taylor), “Blood and Sand” (“Sangue e areia”, 1941 como a mãe de Tyrone Power), The Bridge of San Luis Rey (1944) e “Since you went away” (1944, com Claudette Colbert, Jennifer Jones e Shirley Temple!). Mas ela mesmo disse que o único motivo para fazer estes filmes era realmente a necessidade de dinheiro.

Alla sobreviveu a um cancêr de mama mas sucumbiu a uma trombose coronária em 1945 aos 66 anos de idade. Sua contribuição ao cinema, mesmo que desesperadamente avant-gardista e, hoje em dia, nada fácil de ser “catalogada”,"classificada" (e se voce hoje em dia sai da "norma", está perdido... ) foi reconhecida e ela recebeu uma estrêla no “Hollywood Walk of Fame”.

Famosíssima em seus dias, sua fama hoje em dia não chega perto de nomes como Chaplin, Swanson, Keaton, Gish, Pickford, Fairbanks, Lloyd mas esta ilustração da época mostra que Alla esteve lá, e em grande companhia por sinal!!!!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Lillian Gish vs. Greta Garbo - Manipulacoes da MGM

Uma das estórias mais impiedosas e mesquinhas do "star-system" de Hollywood foi o processo contínuo (e caríssimo) com o qual a Metro-Goldwyn-Mayer aniquilou propositalmente a (grande) carreira de Lilian Gish para colocar uma outra estrela em ascencao como a deusa do estúdio: Garbo, o MITO.
Lillian, a ATRIZ e eterna e inesquecível heroína de Griffith no período de auge do cinema mudo(Nascimento de uma nacao, Intolerancia, Broken blossons, Way down east, Orphans of the storm) que estava no cinema desde 1912 foi chamada para a Metro em 1925. Lá ela fez filmes de "prestígio" na mesma época em que Garbo, a "temptress destruidora de lares", "abria a boca" para beijar seu gala (pela primeira vez na estória do cinema) em "The flesh and the devil".
Lillian e sua imagem etérea estavam saindo de moda.
As sedutoras vamps que Garbo interpretava (e que quase sempre eram castigadas no final do filme e morriam) encontravam mais empatia e simpatia com o público.
A MGM queria sómente UMA estrela no firmamento do cinema e estava conseguindo alcancar seu objetivo. Trazendo Gish para o estúdio o management da Metro ficou com sua carreira nas maos, para aniquilar com a única carreira que poderia ter sido capaz de ameacar o "fenomeno" Garbo.

Se Garbo seduziu John Gilbert em "The flesh and the devil" (no qual ela, além do "beijo pecador", até transforma um cálice de comunhao na igreja num intrumento profano... Haja!) e as cenas de amor deixaram o público suando, a dupla Gish/Gilbert em "La Bohéme" nao deixou o público nem tépido...

Os filmes de prestígio de Gish (entre eles o maravilhoso "The scarlett letter") foram fracassos totais de bilheteria. Mas este foi um investimento da Metro que foi totalmente calculado: a grande perda de dinheiro que os filmes de Gish causou (porque foram producoes de prestígio) seria ínfima comparada às futuras cifras que Garbo traria como lucro para este estúdio... Um investimento caríssimo e extremamente cruel.

A última aventura cinematográfica desta atriz, antes do filme falado, foi o belíssimo e ao mesmo tempo assustante "The wind" de Victor Seastrom (Um filme mudo no qual a sensacao de se ouvir um ensurdecedor e ameacador barulho de vento é impressionante - levando a heroína à loucura - uma linguagem cinematográfica de muita classe!). À partir desta época, e junto com o advento do cinema falado, Lillian Gish passou à simbolizar para o público de cinema uma representante de um tempo passado (como, entre outras, também Gloria Swanson ). A hierarquia do estúdio mudou e Garbo passaria uma década reinando mas nao realmente mais com o público dos Estados Unidos. O público europeu era o público de Garbo e seus filmes faziam sucesso e ganhavam dinheiro na Europa, nao nos Estados Unidos. Quando a guerra comecou e, de certa forma, uma grande parte do mercado europeu ficou fechado para a industria cinematográfica americana, a MGM desesperadamente ainda tentou mudar a imagem de Garbo, transformando-a numa americana de cabelos no permanente que (até) dancava "rumba" em "Two faced woman" de George Cukor. O resultado nao poderia ter sido mais forcado e vexaminoso... e Garbo despediu-se das telas... ou seja nada de "I want to be alone!"
Gish continuou no teatro, trabalhou durante os anos 30, 40, 50 e 60 contínuamente no cinema ( Em 1947 sob a direcao de King Vidor, ela seria nominada para um "Oscar" de melhor atriz coadjuvante por "Um duelo ao sol"). Em 1978 ela fez uma aparicao fantástica no faladíssimo "Um casamento" de Robert Altman (ao lado de Mia Farrow, Geraldine Chaplin, Carol Burnett).

Em 1971 recebeu um "Oscar" especial por sua contribuicao ao cinema, em 1978 um "Life achievement award" pelo mesmo motivo. Que homenagns mais adequadas!

Seu canto de cisne no cinema aconteceu no sensibilíssimo "The whales of august" ao lado de Bette Davis, Ann Sothern e Vincent Price. Aos 94 anos de idade (sim, que fenomeno, nao? ela morreu em 1993 com 99 anos!) ela nao só deu uma magnífica interpretacao como ainda mostrou porque seu rosto foi considerado um dos mais bonitos e fotogenicos do cinema, pois, apesar de toda a idade ela ainda está linda - e eu recomendo este filme, muito...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Lulu in hell


Louise Brooks is still a great cult figure in europe.

A Denishawn dancer who turned into a follies glamour girl, than later an ingenue in silent movies who cemented her well deserved place in movie history with her explicit performance of "Lulu" in "Pandora's box".
I don't think America was quite prepared for such a woman... (is it now? ) much too open about her sexuality... beside her Madonna looks like a pensionist nun... but the "industry" punished her for her freedom... Can you imagine a movie star ending as a sales girl in Bloomingdales? or (as some biographers mentioned) as an "escort"?
Her essays are among the most intelligent ones ever written about Hollywood.
The documentary “Looking for Lulu” is superbly well researched. One is introduced to this girl and becomes fascinated by the woman she turned into... rare scenes from an elderly Brooks are a treasure and at the same time “ugly” to watch. There are even some "talkie" scenes from "The canary murder case"...
Definitely a "must" for every cinema lover...