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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

REMEMBERING: Ann Reinking (Part III)

Sem dúvida um dos grandes FILMES de todos os tempos é “All that Jazz“ (Bob Fosse, 1979).


Sublinho e escrevo em capitais a palavra FILME pois „All that Jazz“ está muito além de ser “só” um musical… Um grande FILME, que contém cenas musicais, quase encerrando a carreira de Bob Fosse no cinema (ele ainda escreveria o roteiro e dirigiria “Star 80”, filme que, ao contrário de “Jazz”, não alcançaria nenhum sucesso nem com o publico nem com a crítica).


Trabalho “auto-biográfico” muito sensível e brilhantemente dirigido e editado… Na minha “biblioteca de lembrancas” ficaram armazenadas várias cenas, vários detalhes da vida de Bob, alí tão nítidos, tão expostos… e seu “love affair” com Ann Reinking – no filme fazendo o papel dela mesma… que nos levou a um próprio “love affair” com ela… Grande Ann…


Ann, musa de gerações, bailarina “danadinha”, expressiva, cheia de personalidade e aquele raro “quoi” que destaca uma bailarina de uma estrela.

Na verdade a carreira de Ann no cinema foi muito limitada… Numa frustrada tentativa só “dramática” (sem dança) sua presença num esquecido filminho com Dudley Moore e Amy Irving foi quase patética… mas quando a vemos em “Annie”, e especialmente em “Jazz” , passamos a entender a fascinação de Fosse com esta bailarina – que começou seu trabalho com ele no coro de “Pippin” (Broadway, 1972) e coroou sua carreira na obra-prima de Bob, o inesquecível e revolucionário “Dancin’” (Broadway, 1978), que tive a sorte de ver, no qual fazia o papel principal.


Revolucionário? Sim… um musical só dançado… nada de cantorias e texto… só dança, pura dança no melhor sentido da palavra… É desta forma que gosto de lembrar-me dela. Uma rainha contando suas estórias, suas dores, seus amores, suas tristezas e felicidades através da dança…



Uma memória pessoal: aqui uma foto de um quadrinho, na realidade uma caricatura de Al Hirschfeld, que está pendurada no Bar do legendário Hotel Algonquin em N.Y.... exatamente sobre a mesa na qual da última vez me sentei para tomar um Martini-Dry... Lá "estávamos" eu e Ann (!) em grande companhia: Bebe Neuwirth e Joel Grey!


Hoje, terminado uma trilogia de postagens sobre Ann (as “REMEMBERING: Ann Reinking”),
recoloco-as todas aqui, juntas… destacando porém o video DESTA atual “tertúlia”:
como mencionei acima, ficaram armazenadas várias cenas deste filme na minha “biblioteca de lembranças” – mas minha predileta deixei para o final…

Ela não é a famosa cena da morte de Joe Gideon (o “alter-ego” de Fosse que foi interpretado no cinema pelo magnífico Roy Scheider),na qual Ann e Ben Vereen aparecem, mas uma cena que se passa quando ele está em coma por causa de um enfarte…

Sua vida, suas mulheres, sua filha… todas passam por ali… e destacadamente Ann Reinking, no “Top” de seu extremo magnetismo cenico e cinematográfico, rouba totalmente, para mim, o Show…

Grande "All that Jazz", grande Ann…




e mais um gostinho de "Jazz" e Reinking...






REMEMBERING: Ann Reinking (Part II) 29.JUN.2012



Reinking
é a criadora de uma passo de dança chamado “Raising the Roof” – eu juro que não sei qual é e morro de curiosidade para saber (se alguém souber, por favor me conte!).

Ela fez absoluta questão de incluir este passo na coreografia do número musical “We’ve got Annie” (do delicioso filme "Annie" de 1982 – infelizmente uma nova versão foi feita há poucos anos e não chega aos pés deste – pequeno - sucesso do cinema dos anos 80. Na Broadway porém havia sido o que se chama de um sucessão!)


Reinking
, bailarina de coreografias muito mais “exigentes”, bailarina suprema de Bob Fosse e de seu estilo, comentou o seguinte sobre esta:

“A expressão de puro contentamento” ("the expression of pure joy").

E eu lhe dou toda a razão…
Que coreografia feliz !
Bom fim-de-semana a todos !






REMEMBERING: Ann Reinking (Part I) 07.JUN.2012


Reinking,
atriz, bailarina e coreografa, aqui numa cena que nao faz parte das mais famosas de “All that Jazz”, um relato quase auto-biográfico de Bob Fosse no qual a propria Ann Reinking tem um papel práticamente auto-biográfico como sua “amante”.



“Everything old is new again” foi um pequeno sucesso de Peter Allen que teve uma pequena carreira e que foi o primeiro marido de Liza Minelli (que contou que ela nao sabia que ele era gay humoradamente disse: "Let me put it this way: I'll never surprise anybody coming home again as long as I live."). Música divertidíssima, animadissíma que nos faz sorrir...

Amo este número… e como posso descreve-lo da forma mais adequada e simples?
Sim, por ser absolutamente simples e cheio de vida!
De fato ele "transborda" vida. Coisa boa!



Amo Reinking, brincando, bem-humorada, linda, simples…
com as pernas mais invejadas dos anos 70 e 80… que corpito!!!!
E quanto talento! Estas cenas fazem "bem" à minha alma...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mudanças: Liza & Bye Bye mein lieber Herr

Aos 12 anos de idade lembro-me de um certo dia na Biblioteca do I.B.E.U., um dos meus lugares favoritos, em Copacabana (adorava ficar horas lá, folheando livros americanos de Teatro, de Ballet, de Cinema… ) e ter tido minha atenção despertada por duas capas de Revista que me deixaram curioso… muito curioso.

As capas (naquela semana) do “Time” e de “Newsweek” mostravam a foto de um personagem que não era nada comum… Porque alguém apareceria na mesma semana na capa de duas (na época) tão ilustres revistas?


Apanhei as revistas e folheei-as com calma mas muita curiosidade como que querendo absorver cada palavra que lia…

Quem era? Ah, uma atriz? Num filme que fazia um “estrondo” nos U.S.A.? Foi meu primeiro encontro na vida com nomes como Kander & Ebb, Bob Fosse e esta figura que parecia ser extra-terrena: Liza.


Um Senhor reclamou o fato de "um menininho" estar com ambas revistas “principais” da semana e uma bibliotecária que era muito durona (mas também muito minha amiga, principalmente por não me cobrar multas quando eu me atrasava em devolver livros e Long-Plays) pediu-me para recolocar as duas revistas em sua devida prateleira já que eu as lia há mais de uma hora.


Cumpri comportadamente o que me foi pedido mas as “mensagens” das duas ficaram para sempre na minha memória:

“A Star is born” e “The new Miss Show Biz”.

Muitos anos passariam até eu poder assistir “Cabaret” (era proibido para menores de 18 anos… ) e conhecer Liza... Mas este “love-affair”dura até hoje… Quanto talento!


Reassisti esta cena, que nunca me cansa, há algumas semanas atrás… E como sempre, nada na vida acontece por mero acaso.

Interpretei “Bye-Bye, mein Lieber Herr” pela primeira vez não pelo seu lado “sensual” mas por sua sugestão de “Adeus”, “Mudança”, “Ir em frente”, “largar”, “Deixar ir” e tudo o que está relacionado ao movimento contínuo da “Tranformação”, da “Modificação”.

É com orgulho que conto que me encontro num momento de grandes mudanças… Uma gostosa possibilidade, uma incrível chance apareceu na minha vida e mais uma vez tenho a oportunidade de “mudar”, deixar para trás tantas coisas profissionais que já estavam muito maçantes e monótonas pelo fato de repetí-las há muitos anos…

Que bom poder reinventar-me de novo… e estar, de certa forma muito mais próximo de mim e do que gosto de fazer.

Começar de novo, como cantaria Simone…

Mesmo assim, prefiro o tom endiabrado, brincalhão, assanhado, apimentado (e extremamente talentoso) desta que nos dá tanto “entertaimment”.
Um brinde para a eterna “Miss Show Biz”! Hooray!



Bye-Bye mein lieber Herr.
Auf Wiedersen, mein Herr.
Es war sehr gut, mein Herr, und vorbei.
Du kennst mich wohl, mein Herr.
Ach, lebe wohl, mein Herr.
Du sollst mich nie mehr sehen mein Herr...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

REMEMBERING: Ann Reinking (Part II)





Reinking
é a criadora de uma passo de dança chamado “Raising the Roof” – eu juro que não sei qual é e morro de curiosidade para saber (se alguém souber, por favor me conte!).

Ela fez absoluta questão de incluir este passo na coreografia do número musical “We’ve got Annie” (do delicioso filme "Annie" de 1982 – infelizmente uma nova versão foi feita há poucos anos e não chega aos pés deste – pequeno - sucesso do cinema dos anos 80. Na Broadway porém havia sido o que se chama de um sucessão!)


Reinking
, bailarina de coreografias muito mais “exigentes”, bailarina suprema de Bob Fosse e de seu estilo, comentou o seguinte sobre esta:

“A expressão de puro contentamento” ("the expression of pure joy").

E eu lhe dou toda a razão…
Que coreografia feliz !
Bom fim-de-semana a todos !

quinta-feira, 7 de junho de 2012

REMEMBERING: Ann Reinking (Part I)


Reinking,
atriz, bailarina e coreografa, aqui numa cena que nao faz parte das mais famosas de “All that Jazz”, um relato quase auto-biográfico de Bob Fosse no qual a propria Ann Reinking tem um papel práticamente auto-biográfico como sua “amante”.



“Everything old is new again” foi um pequeno sucesso de Peter Allen que teve uma pequena carreira e que foi o primeiro marido de Liza Minelli (que contou que ela nao sabia que ele era gay humoradamente disse: "Let me put it this way: I'll never surprise anybody coming home again as long as I live."). Música divertidíssima, animadissíma que nos faz sorrir...

Amo este número… e como posso descreve-lo da forma mais adequada e simples?
Sim, por ser absolutamente simples e cheio de vida!
De fato ele "transborda" vida. Coisa boa!



Amo Reinking, brincando, bem-humorada, linda, simples…
com as pernas mais invejadas dos anos 70 e 80… que corpito!!!!
E quanto talento! Estas cenas fazem "bem" à minha alma...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Kathryn Grayson: 1922 - 2010

Zelma Hedrick poderia ter sido um nome passável para quem nasceu em Winston-Salem, North Carolina mas não era o nome que a MGM queria colocar nas marquises dos cinemas para promover seu maior soprano dos anos 40. Então Kathryn Grayson nasceu!

Hoje em dia não se fala mais deste nome – mas ela foi uma das rainhas da Metro e dos seus gloriosos musicais.

Como vários outros «da casa» (Lana Turner, Mickey Rooney, Ava Gardner, Judy Garland) ela passou por um longo período de preparação para debutar em «Andy Hardy’s private Secretary» - série com Mickey Rooney que era usada como « escada », ou seja como o lugar para o Debut de várias atrizes (por exemplo também Esther Williams) como uma espécie de “teste”. Logo seguiram outros filmes como “Rio Rita”, “Thousands Cheer” e seu primeiro grande sucesso “Anchors Aweigh” (1945) com Gene Kelly e Frank Sinatra.
O «cliche» do «soprano» (Kathryn tinha uma linda coloratura, por sinal) não lhe poupou terríveis filmes e ela foi muitas vezes uma grande vítima da arrogancia dos chamados “filmes de prestígio” da Metro. Lembro-me de uma terrível “Je suis Titania” de “Mignon” num filme esquecido (e esquecível) ao lado de Mario Lanza e David Niven
Seus tres últimos filmes, respectivamente de 1951, 52 e 53 foram seus melhores:




Como Magnolia em «Show Boat» ao lado de Howard Keel e Ava Gardner (detalhe, a esquecida Miss Grayson era o primeiro nome do elenco !) ela teve a incrível possibilidade de eternizar-se neste “Musical dos Musicais”, com a inolvidável musica de Jerome Kern!

Em «Lovely to look at» (com Red Skelton, Ann Miller, Zsa Zsa Gabor e mais uma vez Howard Keel), um “remake” de “Roberta”, ela teve não só um ótimo papel numa ótima produção mas eternizou uma linda música (Vejam o vídeo abaixo !).

Sua tempestuosa «Lilli Vanessi/Catarina” de “Kiss me Kate” (com Ann Miller, Bob Fosse, Tommy Rall e pela última vez Howard Keel, que provou ter, como Petruchio, um “corpo” neste filme!) acabou com o cliché de soprano, atriz comportada. Kathryn Grayson está simplesmente maravilhosa neste papel. Enfezada, agressiva, "felina"... Outra Kathryn!

Seu “I hate Men” é um dos momentos mais divertidos do cinema musical – e quanta técnica… Uma “megera realmente ainda nada domada”! (vejam minha postagem de 18.02.2009)
Mas a partir de 53 os musicais estavam começando a entrar em declínio, acabar. Seu contrato com a MGM também acabou. Ela ainda fez dois filmes em outros estúdios mas sua carreira havia realmente terminado. Uma pena este "timing" - exatamente quando teve seus melhores papéis!
Há alguns anos revi-a na TV, bem “Senhora” e gorda num episódio the “Murder, she wrote” com Angela Lansbury que sempre primou em trazer “antigas colegas” do cinema de volta às telas!

Kathryn Grayson morreu tranquilamente, dormindo aos 88 anos na noite de 17 de fevereiro passado.
Mais uma estrela para iluminar o céu…

Como disse na ocasião do falecimento de Cyd Charisse – sinto-me meio “viúvo” quando estas lendas do cinema morrem! Obrigado por tudo, Miss Grayson!
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Londres & Chicago & meu amigo Antonio

Passar um prolongado fim-de-semana em Londres é uma coisa muito gostosa que já não fazia há mais de 10 anos apesar do voo ser realmente curtíssimo. Ter tempo para passear e fazer compras no „Harrods“ ou (para mim melhor) no „Selfridges“ é uma delícia. Encontrar um amigo querido e do coração como o bailarino Antonio Negreiros e passar o tempo conversando, „fofocando“, passeando, jantando, matando as saudades e rindo é um presente ainda maior. É como estar em casa fora de casa. Amizade sincera é assim.
Para dar uma „nota especial“ extra ao fim-de-semana assisti pela primeira vez (pasmem, 34 anos depois da estréia!) „Chicago“ – espetáculo musical original de 1975 que, nesta nova versão „supervisionada“ por Ann Reinking (100% a coreografia original de Fosse), voltou às luzes da Broadway e desde 1997 está no West-End!
Eu, já nos anos 70, tinha o disco, sabia as músicas, as falas de cor e salteado mas NUNCA tinha tido a oportunidade de ve-lo completo, ao vivo. A coreografia de Bob Fosse foi, é e sempre será um dos meus elementos preferidos num Show. Talvez este tenha sido um dos motivos de não ter gostado da versão cinematográfica. Não foi baseada no original de Fosse.

Fiquei deslumbrado com a „diversão e animação“, com o „tempo“, com o „pique“ que este Show tem. O tempo literalmente „voou“ e quando me dei conta o Show tinha acabado. Tudo perfeito com uma maravilhosa orquestra, elenco secundário e bailarinos/cantores (apesar de achar os bailarinos no West-End muito musculosos, muito "body-builders". Mas esta parece ser agora a „moda“. Todos porém com extensoes incríveis… Que pernas!).

Descobri uma nova „Roxie Hart“ e me apaixonei por ela. Linzi Hateley. Sensacional. Lembrem-se deste nome. Uma ótima cantora., ótima bailarina, ótima atriz e por cima de tudo engraçadíssima! Ela de certa forma (além do fato de ser mignon e ter a cabeça um pouco grande para o corpo), tem aquela qualidade elétrica e energética, quase neurótica que Judy Garland tinha. Como se tivesse acabado de tomar uma xícara de chocolate com anfetaminas… Uma daquelas pessoas que nos faz pensar: Tanto talento e energia dentro de um tão pequeno corpo!

Eu saí do teatro em „extase“ (apesar da cena final com Roxie e Velma ter sido "fraca"): como faz bem ver-se tanto talento, tanta inventividade, tanta disciplina numa só noite – e isto num pequeno espaço de 2 horas e meia, durante as quais nem por um segundo perdi a atenção ou me desprendi do palco, de cada detalhe, de cada passo, de cada nota… Que noite maravilhosa. Batemos papos até as altas horas num restaurante italiano no West-End… „digerindo“ o Show (Antonio veio da nova produção de „La Cage“ e nos encontramos para jantar).

(Para finalizar o fim-de-semana, antes do embarque no aeroporto de Heathrow, sentou-se ao meu lado na Sala VIP ninguém mais nem menos do que Susan Boyle, que há alguns meses atrás comoveu o mundo inteiro quando apareceu naquele programa ingles de „calouros“ chamado „Britain’s got Talent“.

Uma pessoas simpática e faladora – falava simplesmente com todo mundo! E como sorria... Adoro pessoas que sorriem...)

Aqui Linzi em 2003, num vídeo amador, no West-End como Roxie... nestes seis anos ela mudou: Sua Roxie ficou loira e ainda melhor!
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

The forgotten IV: A foreign Affair (1948)


Um destes filmes, que apesar de serem “imperdíveis”, foram práticamente esquecidos. Quando se fala na carreira do austríaco Billy Wilder em Hollywood, práticamente não são mencionados seus filmes anteriores a “Sunset Blvd.” (O título original tem “Boulevard” de forma abreviada. No Brasil chamou-se "Crepúsculo dos Deuses", apesar de nao ter nada em comum com a ópera de Wagner!), apesar de ter dirigido obras-primas anteriormente como “The major and the Minor” (1942), “Double Idemnity” (1944) e “The lost Week-End” (1945). “A foreign Affair” é uma destas obras “esquecidas”... Junto com “One, Two, Three” este filme constitue a filmografia “berlinense” de Wilder. Dois dos melhores filmes já feitos sobre Berlin – junto a “Cabaret” de Bob Fosse.

A estória, o “plot” do filme é na realidade bem simples: Um comitê de designados do congresso americano voa, depois da guerra, para Berlin. Entre estes designados encontra-se uma mulher, bem conservadora e chata, chamada Phoebe Frost (Jean Arthur) de Iowa. Ela quer “checar” a moral dos GIs, das tropas. Quando por uma casualidade ela vai a um Nightclub chamado “Lorelei”, assiste quase em estado de choque à cantora Erika von Schlütow (Marlene Dietrich) cantando “Black Market” e vendendo por qualquer preço sua moral, suas convicções... ( ♫ ♪ “For you for your K-ration, compassion and maybe an inkling, a twinkling of real simpathy, I’m selling out, Take all I’ve got: Ambitions, Convictions, the Works... Why not? Enjoy these goods, for boy these goods, are hot!” ♪ ♫).
Um texto bem próximo das atividades dos “Black Markets” da época...

Aliás, neste texto há uma peculiaridade. Referindo-se à primeira edicao de um livro, ela canta: "A simple definition; you take art, I take Spam". Voces sabem ao que ela se refere como Spam? à uma espécia de carne enlatada que os americanos distribuíam pela Europa para todos os famintos aqui, que comiam qualquer coisa. Dizem que era como comida de cachorro ou até pior pois cheirava malíssimo... esta é a razao dos "Spams" que se recebe hoje em dia por e.mail serem chamados assim... lixo!

Erika é a “ex-mulher” de um grande nazista que ainda é procurado... e, descobre-se, que ela é a “ protegida” de “grande peixe” do exército americano – apesar de ter tido um “passado” nazista e ter pertencido oficialmente a este partido (durante o decorrer do filme são descobertos filmes que mostram Erika ao lado de Hitler, flertando com ele, durante uma apresentação de Lohengrin). Quem “protege” Erika? O capitão John Pringle. E foi exatamente para ele que Phoebe trouxe uma torta que sua namorada fez (em Iowa). Não preciso dizer que Phoebe se apaixonará por John, criando o conflito central do filme (Erika não quer abdicar de tudo que Capitao Pringle traz para ela: café, cigarros, chocolates, meias de sêda, pasta de dente... artigos de “luxo” nos anos depois da guerra).

A razão desta postagem é porém outra: a extrema inteligência de Billy Wilder.
Numa época em que ainda existia uma certa animosidade contra os americanos, um certo “rancor” depois das guerra (temos que pensar no povo... sim naqueles que tiveram suas casas, lares e cidades completamente bombardeados!), Billy conseguiu fazer uma obra-prima que agradou a “Gregos e Troianos”. Sim. Nunca vi uma dualidade funcionar tão bem no cinema! Quanto cinismo – muito bem usado por sinal!

Pensemos, por exemplo, na cena de abertura do filme: um pequeno avião, que leva o dito comitê do congresso, para Berlin, “sobrevoa” a cidade. Imagens (reais) de uma Berlin completamente bombardeada e acabada são impressionantes. De valor até documental.


O diálogo se desenvolve e ouvimos como os designados encaram sua “missão” na Alemanha: eles vão a Berlin para levar um pouco de “cultura” e “civilização” a estes “Bárbaros” (isto vendo-se ao fundo uma Berlin arrasada, aniquilada). O público europeu morreu de rir desta ironia – pois entendeu a crítica de Wilder sobre os americanos (uma nação “jovem” vai levar “civilização” à pátria de Goethe? de Schumann?). Já o público americano ficou orgulhosíssimo deste enfoque e levou-o completamente a sério. Como seria de esperar. Dos dois lados do oceano este filme e sua linguagem fizeram sucesso – e este é só um pequeno detalhe. Na realidade Billy Wilder conseguiu escrever dois filmes ao mesmo tempo, com um único roteiro. Dependendo de que lado do oceano voce estivesse, voce o entenderia diferentemente.

Mas talvez tenha sido esta a razão do “esquecimento” deste filme... Nao sei se os americanos prezam a imagem que é feita deles neste filme...

Nos U.S.A. durante a cena na qual Phoebe canta para a tropas o hino de “Iowa” (que foi o último estado a entrar na “União”) o público vibrou, como vibra com as Cheer-Leaders dos jogos de Baseball... O Europeu morreu mais uma vez de rir pois a cena beira o ridículo e o patético (para a mentalidade européia).

Quando Erika diz a Phoebe que está muito decepcionada com o “Look” da mulher americana (para insultá-la), a designada do congresso assume um papel de vítima para o público americano. As vítimas porém para o Europeu foram as “Erikas da vida” (as sem passado nazista, diga-se de passagem) que perderam seus maridos e famílias. As que foram bombardeadas para fora de suas casas e cidades (como Erika mesmo diz ao decorrer do filme: “Do you know what it meant to be a woman in this city when the russians came?” ou “We cannot afford to be generous, we’re very poor!”). Como se ve, tudo uma questão de enfoque... de ponto de vista. Mas agradar a Gregos e Troianos... só Billy Wilder, principalmente nesta temática difícil que ainda estava tao recente, tao “à flor da pele” em 1948... que inteligente Billy era...


Ele teve problemas durante as filmagens com suas atrizes. Ele comentou ironicamente sobre as dificuldades que teve com Jean Arthur e Marlene: “ I have one dame who’s afraid to look at herself in a mirror and another who won’t stop looking!”.

As canções “(Want to buy Some) Illusions?”, “Black Market” (Magnífica!) e “Amidst the ruins of Berlin” foram compostas por Friedrich Hollaender (que tinha composto a música de “The Blue Angel” – “Der Blaue Engel” eternizadas em 1930 por Marlene). Junto a Dietrich, que por sinal está muito bem neste filme – é ele mesmo ao piano, acompanhando-a com o seu inimitável “som”.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

REMEMBERING: Gwen Verdon



Bom, poder escrever hoje sobre um talento tao grande...

Gwyneth Evelyn Verdon ou melhor, Gwen Verdon , filha de imigrantes inglêses, nasceu na Califórnia em 1925. Seu pai era um eletricista da MGM e sua mãe tinha dançado no Vaudeville com Denishawn (o legendário grupo de “Miss” Ruth St. Dennis e Ted Shawn).
Durante a infância ela sofreu muito pelas consequências de um fortíssimo raquitismo que deixou suas pernas completamente deformadas. Tendo que passar toda sua infância usando botas ortopédicas e muletas, sua mãe inscreveu-a para tomar aulas de dança – o que realmente ajudou-a em sua recuperação. Quem diria que aquela menina que puxava a perna e que era, maldosamente, chamada de “Gimpy” por seus coleguinhas de escola, transformaria-se numa das mais famosas bailarinas da Broadway?

Ela apaixonou-se pelo mundo da dança e comecou a aprender, além do Ballet, Jazz, Sapateado, Dança de Salão, Flameco, Danças Balinêsas e até Malabarismo!!!! Aos 11 anos estreiou como bailarina num filme dirigido por Josef von Sternberg (“The Blue Angel”) no qual tinha seu próprio solo. Seu nome não foi mencionado nos créditos do filme.
Em 1942 ela chocou seus pais. Abandonou de um dia para o outro sua carreira e fugiu, aos 17 anos, para casar-se. Ela voltou a trabalhar em 1945 aparecendo no filme “A Blonde from Brooklyn”. Depois do seu divórcio ela deixou seu filho (que nascera em 1943) para ser criado por seus pais. Foi então que ela conseguiu um emprêgo como assistente de coreografia para o notório Jack Cole (vide minha postagem de 18.02.2009 sobre Carol Haney, que também foi assistente de Cole). Nesta época ela apareceu como bailarina em muitos filmes (devemos mencionar aqui que todas suas aparições no cinema até 1953, como specialty dancer, foram “uncredited”, ou seja, seu nome nunca apareceu !). Uma de suas mais brilhantes aparições foi em “A viúva Alegre” (The Merry Widow, MGM 1952) num incrível, rápido, dinâmico, alucinante Can-Can. Esta dança ainda lhe traria muita sorte...

Durante este período com Jack Cole ela deu muitas aulas para atores e atrizes, sendo até responsável pelo primeiro grande sucesso de Marilyn Monroe em “Gentlemen prefer Blondes” (20th Century Fox, 1953) já que ela “criou” a forma de Marilyn movimentar-se (que era a forma instintiva de Gwen movimentar-se! Peculiaridade esta contada por muitos de seus amigos... Gwen era realmente a verdadeira “Marilyn”. Marilyn “estudou” e copiou Gwen ). Ela trabalhou no Show “Alive and Kicking” de Jack Cole. Um fracasso. Ela dirigiu então suas atenções à Broadway onde trabalhou como uma “gypsy”, trocando de “chorus line” para “chorus line”. Entao a grande chance: Seu primeiro grande sucesso foi no musical de Cole Porter “Can-Can” (1953) no qual ela conseguiu o segundo papel principal: “Mademoiselle Pistache” ou “Môme Pistache” (O papel principal era interpretado por uma cantora francêsa chamada Lilo). A coreografia foi feita pelo legendário Michael Kidd. Já nas pré-estréias fora de Nova Iorque ficou óbvio para todos que o número de dança “Jardim do Eden” realmente era um “Show-stopper” e “roubava o show”.

Lilo ficou preocupadíssima e exigiu que o papel de Gwen fosse todo cortado – só suas danças permaneceram no Show (também um “Apache” e o “Can-Can” do título). Na estréia em N.Y. a platéia ficou tão enlouquecida depois do “Jardim de Eden”, gritando seu nome, que Gwen, que já tinha ido para seu guarda-roupa, foi levada de volta ao palco – de roupão!!!! – para agradecer.

Vernon não só recebeu a partir deste momento um melhor salário como um Tony Award pela sua interpretação. Anyways... Who the hell is Lilo? Na versão cinematográfica de 1960 os papéis de Gwen e Lilo foram “unidos” e Shirley MacLaine deu vida à “Simone Pistache”.

A partir d’aí, até sua morte, tornou-se THE “Broadway’s Darling”. Seu próximo projeto deu-lhe ainda mais fama e um marido. “Damm Yankees” (1955) . Bob Fosse dirigiu e coreografou o Show. Este marcou para sempre a imagem de Gwen: “Lola”, a sensual “assistente” do Diabo.

No início da temporada o Show, apesar das boníssimas e acaloradas críticas, não estava tendo bilheteria. Quando o poster, que mostrava Gwen vestida de jogador de baseball, foi trocado por um que mostrava-a em “dessous” no final do primeiro ato (quando faz uma espécie de strip-tease no vestiário, cantando “Whatever Lola wants, Lola gets”), a reação do público foi enorme e o Show ficou em cartaz por 1019 apresentações.


Ela estrelou o filme de 1958 com Tab Hunter e, adivinhem que foto foi usada no poster do filme... e ainda é usada até hoje...

Com Fosse ela trabalhou em “New Girl in Town” e em “Redhead” (um musical de mistério...).

A menina raquítica de Culver City que fora ridicularizada por seus defeitos físiscos já tinha feito um longo caminho e nao é todo bailarino que aparece em capas do Time magazine, do Life magazine...



Quando casou-se com Bob e engravidou, deixou o teatro para cuidar da filhinha Nicole, nascida em 1963. Cuidado este que aos 18 anos de idade, em 1943, não teve com seu primeiro filho. Só voltou à Broadway em 1966 para interpretar a cativante prostituta “Charity Hope Valentine” de “Sweet Charity” – uma obra-prima do teatro musical, baseada no filme “As noites de Cabíria” de Fellini e dirigida e coreografada por Bob Fosse.


Foi mais ou menos nesta época que ela separou-se de Bob Fosse por suas infidelidades (apesar de terem-se mantido casados e amigos até a morte dêle em 1987). Para ter uma idéia do porque desta separação só é necessário dar uma olhada no incrível (e autobiográfico) “All that Jazz” (1979) de Fosse. “Ela”, no filme, foi interpretada por Leland Palmer... What happend to her? Talentosa...

Em 1975, mais uma vez sob a direção de Fosse, ela interpretou a assassina “Roxie Hart” em "Chicago" ao lado da “Velma Kelly” de Chita Rivera (que em 1953 tinha sido uma “gypsy” na “chorus line” de “Can-Can”: Conchita Del Rivero). Duas grandes personalidades com muita coragem no palco... mulheres “bem mais para lá dos 40” (Gwen na realidade já estava com 50), corajosas nas suas interpretações, propositalmente pouco “vestidas”, mostrando como transitória é a beleza... Vejam minha postagem de 10.04.2008). Mais um grande sucesso – infelizmente seu último na Broadway.



Incansável, talentosa, cheia de energia Gwen fez, notávelmente, muitos filmes, sendo “The Cotton Club” (1984), “Cocoon” (1985) – uma notável aparição ao lado de Don Ameche, “Cocoon: The return” (1988) e “Alice” (de Woody Allen, 1990) alguns de seus últimos. Além disto trabalhou muito ao lado de Fosse em suas coreografias e também no cinema: ela não só foi o “Coach” de Shirley MacLaine quando esta recriou o papel de “Charity” (Este foi o segundo papel que Gwen criou originalmente na Broadway e que Shirley interpretou no cinema em 1969) como também trabalhou muito próxima de Bob nas coreografias (e no roteiro) de “All that Jazz”.

Em 1987 Gwen acompanhava Bob Fosse para uma Revival de “Sweet Charity” com Donna McKechnie em Washington quando ele teve um ataque cardíaco fatal e morreu nos seus braços.

Gwen transformou-se numa grande amiga de Ann Reinking, que viveu muitos anos com Fosse. Anos depois Ann dedicaria à memória de Gwen sua montagem do incrível musical “Fosse”. Nenhuma bailarina foi tão íntimamente associada com o estilo de dança de Fosse. Talvez por Gwen ter estado lá, no início da carreira coreográfica de Fosse, ajudando, compartilhando, dando idéias. Ela transformou-se no perfeito instrumento para ele. Uma perfeita encarnacao de sua danca e de eu famoso estilo. Em outra dimensão acho que só Ann Reinking chegou perto da importância que Gwen teve no trabalho de Fosse. Um ano antes de sua morte, em 1999 Gwen, Nicole Fosse e Ann Reinking foram juntas à festa da premiére de “Fosse”.

Na realidade Gwen fez pouquíssimos Shows na Broadway (Ao todo sete de 1953 a 1975, ganhando um total de quatro “Tonys”, tendo sido nominada por seis musicais! Seis nominacoes por sete Shows!), mesmo assim transformou-se numa lenda...

Em 2000 Gwen morreu calmamente, dormindo. Também um ataque do coração levou-a aos 75 anos de idade. Nada mais daquela linda risada, daquela voz rouca de menina... No dia 18 de outubro de 2000 as luzes na Broadway ficaram às escuras: homenageando uma de suas mais luminosas estrêlas.

Chita Rivera disse no seu funeral: “She was even a better person than a dancer!”

Aqui dois números de "Damm Yankees": "A little brains, a little talent" e o inesquecível "Whatever Lola wants, Lola gets" - principalmente o segundo é puro "Fosse" dos anos 50!
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