O que é a verdade? Todos nós, em alguma altura de nossas vidas, já fizemos esta mesma pergunta…
“Les Girls” (MGM, 1957) é práticamente um musical esquecido. Apesar de ter sido maravilhosamente recebido pela crítica e público em 1957, não conseguiu um “lugar ao sol” na história do musical de Hollywood. Assim como “Silk Stockings” (com Cyd Charisse e Fred Astaire, MGM 1957) o score foi composto por Cole Porter (em “Girls” no seu último trabalho para o Cinema, “Meias de Sêda” tinha sido feito para a Broadway e interpretado por Hildegard Kneff e Don Ameche). Os dois musicais representam o “Canto do Cisne” da MGM no que diria respeito à musicais. Gone were the “good ol’ days”… Muitos seriam ainda feitos em outras companhias (“South Pacific”, “The Music Man” etc.) mas nada pode se comparar aos musicais da era dourada da Metro – mesmo nos anos 50!
“Les Girls” é talvez o mais “filosófico” dos musicais da Metro já que se preocupa com uma pergunta eterna: “O que é a verdade?”.
Dirigido pelo “mestre” George Cukor (“A woman’s director”), que aqui simplesmente “arranca” fantásticas interpretações da “desconhecida” finlandesa Taina Elg (que anos depois arrasaria no musical “Irma la Douce” na Broadway), da “reinventada” Mitzi Gaynor (que até então só tinha feitos papéis “sexy” na Fox e que por causa de “Girls” ganharia no ano seguinte o cobiçado papel de Nellie em “South Pacific”) e da eterna Kay Kendall… Ah… Bonita, engraçada, sofisticada, amorosa, incandescente, hilária, trágica Kay… nos seus tres únicos filmes em Hollywood Kendall conquistaria todos nós… para sempre! Esposa de Rex Harrison, conhecida só na Inglaterra do clássico “Geneviéve” – uma maravilha MUITO recomendável de filme – ela faleceria de leucemia em 1959… Ela tinha um perfil “aristocrático ingles” que era muito difícil de ser fotografado. Ela “agradecia” este perfil a um acidente de carro e a um cirurgião plástico ingles. Ela disse para Dirk Bogarde: “The surgeon had only two noses in his repertoire, "this one and the other one…”. Mais sobre a fabulosa Kay outro dia aqui nas Tertúlias).
Além de várias outras distinções (inclusive ser o último «real» musical de Kelly) «Les Girls» é um dos poucos musicais de Hollywood que mostram um palco como um real palco… e não como um estúdio da Metro que “derepente” cabe num pequeno teatro de variedades. Me refiro à uma única cena: “Ladies in Waiting” – todas as tres versões dela inclusive aquela na qual Kay Kendall está completamente bebada (e tão hilária quanto na cena em que canta “La Habanera”) e nos conquista definitivamente…
A linha do roteiro de “Les Girls” pode parecer muito simples mas o filme tem um encanto. O “plot” é contado de tres pontos de vista diferentes num tribunal…
Um detalhe que amo: em frente ao prédio do Tribunal anda durante todo o filme um homem que leva um cartaz (aqueles que antigamente eram chamados de “Sandwich”) com as seguintes palavras: “What's Truth?”. E como sua presença “incomoda” a todos que acabaram de dar seu depoimentos deixando-os completamente constrangidos, aflitos… Um dos detalhes mais ignorados do filme e, para mim, de suma importancia na linha dramática da estória. Sensacional!
Esta linha dramática, este “contar uma estória” é óbviamente inspirada pelo filme "Rashômon" de Akiro Kurosawa, que tinha sido feito alguns anos antes. George Cukor, que danadinho!
Vamos ser sinceros: quem pode dizer se uma pessoa disse a completa verdade ou só em parte? Ou se imparcialmente só contou parte dela? Todos nós, em alguma altura de nossas vidas, fomos vítimas de uma “verdade mal contada”, não é? Ou foi só por representar outro ponto de vista, outro "enfoque" da "nossa" verdade?
E a questão é deixada em aberto: Quem realmente pode julgar o que é a Verdade? O que é a Verdade?
P.S. Um detalhe simpático. Originalmente as tres “girls” teriam sido Cyd Charisse, Leslie Caron e Carol Haney – teria sido um outro filme mas imaginem só os números de dança... pensem nisso...
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terça-feira, 28 de junho de 2011
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
The Forgotten III : Carol Haney
As vezes criar uma postagem transforma-se num trabalho quase artesanal... mas quanto prazer "trazer de volta" personalidades como Carol Haney... com tanta vida e talento...
Haney nasceu em finais de 1924. Aos 15 anos abriu sua própria escola de dança mas quando acabou a High School dirigiu-se a Hollywood.
Foi « descoberta » pelo legendário coreógrafo Jack Cole (“Gentlemen prefer Blondes” só para citar um filme), de quem tornou-se assistente e com quem trabalhou de 1946 a 1948, sendo depois substituída por outra “lenda” no mundo da dança, Gwen Verdon, - outra “esquecida” a quem um dia dedicarei uma postagem (Gwen foi quem ensinou à Marilyn Monroe a movimentar-se, a sorrir, a ser como Marilyn, durante “Os homens preferem as louras”, principalmente no número “Diamonds are a girl’s best friend”).
Carol tornou-se então a assistente de Gene Kelly, com bastante mais prestígio e melhor salário na Metro… Ela trabalhou com ele constantemente em alguns de seus melhores filmes, divididndo a criatividade deste incrível homem: “On The Town” (1949), “Summer Stock” (1950), “An American in Paris” (1951), “Singin’ in the Rain” (1952” e no seu “sonho”, o projeto “Invitation to dance” (1954). Todos da MGM.
Só isto já seria motivo suficiente para um grande currículo mas Carol continuava também a dançar na Metro ,como fez na cena de “sonho” de “On the Town”, como a menina de verde,
no coro “Summer Stock”, filme com Gene e Judy Garland e também na Warner no musical de Doris Day e Gene Nelson “Tea for Two” (1951) aonde nao só dançou em todos os “production numbers”
como também neste Charleston, abusando realmente do direito de roubar uma cena… Incrível. Vale a pena rever este chato Remake de “No, no, Nanette” só por esta cena!
Apesar do filme só ter estreiado em 1954 “Invitation do Dance” foi filmado muito antes. Na realidade antes de “An American in Paris”. Aqui Carol, na frente de um fundo azul, dando vida ao personagem da princesa, que depois, no filme acabado seria uma figura de animação. Que lindo trabalho dela e Gene… o filme fracassou na bilheteria.
Em 1953 lhe foi oferecida uma cena em “Kiss me Kate” (coreografia de Hermes Pan, o único coreógrafo com dois "Deuses" no nome...) que mudaria sua vida. Ela encontrou Bob Fosse, que estava fazendo para este filme seu “Debut” coreográfico em “From This Moment on”. Carol e Bob literalmente roubaram o filme e aquele estilo tão especial de Fosse nasceu. Acho que depois desta cena ninguém mais lembrou-se de Ann Miller, Bobby Van e Tommy Rall. Fosse na época já estava casado com Gwen Verdon. Aqui algumas fotos desta incrível cena em ordem cronológica.
Daí foi um pulo para a Broadway, por insistencia de Fosse, onde o papel de Gladys Notchkiss foi criado especialmente para ela.
Carol causou mais do que uma sensacao em „The Pajama Game“, parando o Show todas as noites com o fabuloso „Steam Heat“ – num estilo Fossiano já mais maduro, mas Chaplianesco... Do outro lado da rua trabalhava, também num Show coreografado por Fosse,"Damm Yankees", Gwen Verdon, sua mulher.
Em “Pajama” Carol também cantou “Hernando’s Hideaway” (que transformou-se na música predileta de Callas… pode?).
Carol foi responsável pela carreira de Shirley MacLaine – que era a substituta de Carol mas que, já sem esperanças de entrar em cena, chegou um dia atrasada no teatro, para pedir demissão: Carol tinha quebrado o pé e abaixo de vaias Shirley entrou em cena – bem a carreira dela dura até hoje… e que maravilhosa carreira (apesar do fracasso de “Sweet Charity” – também com Fosse como diretor e coreógrafo – no papel de Charity Valentine que tinha sido imortalizado na Broadway por ninguém mais nem menos do que Gwen Verdon nesta versão musical de “As noites de Cabíria”).
Carol recebeu o “Tony” de melhor atriz coadjuvante num musical de 1955.
Havia “chegado”.
Ele voltou a Hollywood para a versão cinematográfica de “The Pajama Game”, trabalhando desta vez num outro “Status” com Doris Day.
O seu projeto seguinte seria “Les Girls” (MGM 1957) com Cyd Charisse e Leslie Caron. Mas Cyd quebrou o pé, Caron engravidou e uma terrível diabete foi constatada em Carol. O projeto foi em frente com a incrível Kay Kendall, Mitzi Gaynor e Taina Elg (e Gene).
Ela foi aos poucos engordando, inchando e depois de poucas aparições na Televisão (como aqui ensaiando com Neil Sedaka) dedicou-se à coreografia. Fez na Broadway “Bravo Giovanni”, “Flower Drum Song” e, com uma novata chamada Barbra Streisand, um musical que já em 1964 transformaria-se numa lenda: “Funny Girl”.
Um mes depois da estréia de „Girl“ na Broadway, Carol morreu, aos 39 anos de uma pneumonia que foi agravada pela sua diabete e por um terrível caso de alcoolismo, que a acompanhava já há mutos anos devidos ao seu corpo torturado pela fatiga da dança (Muitos disseram que Carol era uma pessoa muito auto-destrutiva, usando seu corpo até à fatiga completa) e à grandes frustrações devido à uma carreira que, assim como comecou, de um momento para o outro, acabou. Ela, na realidade poderia ter feito mais… mas o tempo nao foi amável com ela.
Carol, “Steam Heat” SEMPRE será seu… vejam "Steam-Heat" (eu nao disse acima "Chaplianesco"?) e "From this moment on" (em homenagem a minha querida amiga Cristina Martinelli) que acabei de copiar do Youtube!!!! Nao era ela também uma bailarina maravilhosa???? Qual sua cena preferida? ">">
Haney nasceu em finais de 1924. Aos 15 anos abriu sua própria escola de dança mas quando acabou a High School dirigiu-se a Hollywood.
Foi « descoberta » pelo legendário coreógrafo Jack Cole (“Gentlemen prefer Blondes” só para citar um filme), de quem tornou-se assistente e com quem trabalhou de 1946 a 1948, sendo depois substituída por outra “lenda” no mundo da dança, Gwen Verdon, - outra “esquecida” a quem um dia dedicarei uma postagem (Gwen foi quem ensinou à Marilyn Monroe a movimentar-se, a sorrir, a ser como Marilyn, durante “Os homens preferem as louras”, principalmente no número “Diamonds are a girl’s best friend”).
Carol tornou-se então a assistente de Gene Kelly, com bastante mais prestígio e melhor salário na Metro… Ela trabalhou com ele constantemente em alguns de seus melhores filmes, divididndo a criatividade deste incrível homem: “On The Town” (1949), “Summer Stock” (1950), “An American in Paris” (1951), “Singin’ in the Rain” (1952” e no seu “sonho”, o projeto “Invitation to dance” (1954). Todos da MGM.
Só isto já seria motivo suficiente para um grande currículo mas Carol continuava também a dançar na Metro ,como fez na cena de “sonho” de “On the Town”, como a menina de verde,
no coro “Summer Stock”, filme com Gene e Judy Garland e também na Warner no musical de Doris Day e Gene Nelson “Tea for Two” (1951) aonde nao só dançou em todos os “production numbers”
como também neste Charleston, abusando realmente do direito de roubar uma cena… Incrível. Vale a pena rever este chato Remake de “No, no, Nanette” só por esta cena!
Apesar do filme só ter estreiado em 1954 “Invitation do Dance” foi filmado muito antes. Na realidade antes de “An American in Paris”. Aqui Carol, na frente de um fundo azul, dando vida ao personagem da princesa, que depois, no filme acabado seria uma figura de animação. Que lindo trabalho dela e Gene… o filme fracassou na bilheteria.
Em 1953 lhe foi oferecida uma cena em “Kiss me Kate” (coreografia de Hermes Pan, o único coreógrafo com dois "Deuses" no nome...) que mudaria sua vida. Ela encontrou Bob Fosse, que estava fazendo para este filme seu “Debut” coreográfico em “From This Moment on”. Carol e Bob literalmente roubaram o filme e aquele estilo tão especial de Fosse nasceu. Acho que depois desta cena ninguém mais lembrou-se de Ann Miller, Bobby Van e Tommy Rall. Fosse na época já estava casado com Gwen Verdon. Aqui algumas fotos desta incrível cena em ordem cronológica.
Daí foi um pulo para a Broadway, por insistencia de Fosse, onde o papel de Gladys Notchkiss foi criado especialmente para ela.
Carol causou mais do que uma sensacao em „The Pajama Game“, parando o Show todas as noites com o fabuloso „Steam Heat“ – num estilo Fossiano já mais maduro, mas Chaplianesco... Do outro lado da rua trabalhava, também num Show coreografado por Fosse,"Damm Yankees", Gwen Verdon, sua mulher.
Em “Pajama” Carol também cantou “Hernando’s Hideaway” (que transformou-se na música predileta de Callas… pode?).
Carol foi responsável pela carreira de Shirley MacLaine – que era a substituta de Carol mas que, já sem esperanças de entrar em cena, chegou um dia atrasada no teatro, para pedir demissão: Carol tinha quebrado o pé e abaixo de vaias Shirley entrou em cena – bem a carreira dela dura até hoje… e que maravilhosa carreira (apesar do fracasso de “Sweet Charity” – também com Fosse como diretor e coreógrafo – no papel de Charity Valentine que tinha sido imortalizado na Broadway por ninguém mais nem menos do que Gwen Verdon nesta versão musical de “As noites de Cabíria”).
Carol recebeu o “Tony” de melhor atriz coadjuvante num musical de 1955.
Havia “chegado”.
Ele voltou a Hollywood para a versão cinematográfica de “The Pajama Game”, trabalhando desta vez num outro “Status” com Doris Day.
O seu projeto seguinte seria “Les Girls” (MGM 1957) com Cyd Charisse e Leslie Caron. Mas Cyd quebrou o pé, Caron engravidou e uma terrível diabete foi constatada em Carol. O projeto foi em frente com a incrível Kay Kendall, Mitzi Gaynor e Taina Elg (e Gene).
Ela foi aos poucos engordando, inchando e depois de poucas aparições na Televisão (como aqui ensaiando com Neil Sedaka) dedicou-se à coreografia. Fez na Broadway “Bravo Giovanni”, “Flower Drum Song” e, com uma novata chamada Barbra Streisand, um musical que já em 1964 transformaria-se numa lenda: “Funny Girl”.
Um mes depois da estréia de „Girl“ na Broadway, Carol morreu, aos 39 anos de uma pneumonia que foi agravada pela sua diabete e por um terrível caso de alcoolismo, que a acompanhava já há mutos anos devidos ao seu corpo torturado pela fatiga da dança (Muitos disseram que Carol era uma pessoa muito auto-destrutiva, usando seu corpo até à fatiga completa) e à grandes frustrações devido à uma carreira que, assim como comecou, de um momento para o outro, acabou. Ela, na realidade poderia ter feito mais… mas o tempo nao foi amável com ela.
Carol, “Steam Heat” SEMPRE será seu… vejam "Steam-Heat" (eu nao disse acima "Chaplianesco"?) e "From this moment on" (em homenagem a minha querida amiga Cristina Martinelli) que acabei de copiar do Youtube!!!! Nao era ela também uma bailarina maravilhosa???? Qual sua cena preferida? ">">
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