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segunda-feira, 18 de março de 2013

Steppin' out... que delícia sorrir...


Why am I alone tonight
when I should be stepping out?




No ano de 1991 tivemos esta especial surpresinha…
Um filme delicioso com Liza e um monte de talentos da Broadway
como Jane Krakowsky, Julie Walters, Bill Irving só para citar alguns nomes…

Um filme despretensioso, simples mas cheio de momentos gostosos, felicidades inesperadas,
supreendentes emoções… Daquele tipo que te deixa sorrindo por horas… e voce só se dá conta quando por mero acaso ve alguém sorrindo para voce na rua e então, só então se dá conta do seu próprio reflexo numa vitrine qualquer da rua.



Gosto disso. Como é gostoso estar feliz. Descomplicadamente feliz.



Gosto também de talentos e como eles aqui despretensiosamente brincam uns com os outros.
Ah… e Liza… numa fase linda…
Saudades deste tempo…
Sim, no ano de 1991 tivemos esta especial surpresinha… e até hoje fico feliz ao rever esta cena…


Dedico esta Tertúlia à minha amiga Claudia Büthe-Gaiser, que hoje aniversaria e que nos trouxe muita felicidade e carinho com sua visita à Viena e com sua forma delicada, educada de ser!
Happy Birthday, querida Cláudia!!!




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

REMEMBERING: Look for the silver Lining - acordes de esperança?


Existe em Alemão uma expressão que é “Not macht erfinderisch” (A emergencia provoca a criatividade). Gosto disso… desde os “Old-Timers” que ainda são conduzidos pelas ruas de Cuba ao “jeitinho” brasileiro que é de uma criatividade impressionante… Mas não usamos dizer em portugues “emergencia criativa”?


Adoro uma canção de Jerome Kern que sobrevive a difícil prova que o tempo sempre coloca em qualquer obra de arte: “Look for the silver lining”. Ela foi composta em 1919 para um musical que foi um fracasso, chamado “Zip, Goes a Million”.

Só publicada no ano seguinte ela foi reusada num musical de Ziegfeld feito especialmente para Marilyn Miller, “Sally”, que a transformou num popular sucesso!


Talvez por falar de sonhos, fantasias… ou esperanças... talvez... Tento explicar: "silver lining" (na realidade o "forro" prateado) é uma expressão idiomática que significa tanto quanto "um sinal de esperança numa situação difícil, ameaçadora".

Como por exemplo em Every Cloud has a silver lining... Uma versão mais antiga de "Always look on the bright side of life!"

Usada em vários filmes ela deu o nome para um veículo de June Harver na 20th Century Fox em 1949; uma biografia da própria Marilyn Miller, estrela de grande magnitude de Florenz Ziegfeld: „Look for the silver Lining“.

Chat Baker transformou-a num número de Jazz em 1954 e, notávelmente, esta melodia é usada até hoje, como no caso da famosa série da atualidade “Downton Abbey” na qual foi cantada pelos personagens Lady Mary e Matthew Crawley. Infelizmente e por azar a cena se passou no Natal de 1918, ou seja, um ano antes de ter sido composta por Kern…


Talvez sua interpretação mais conhecida seja de Judy Garland, no palco, em “Till the clouds roll by”, biografia bem “livre e criativa” de Kern.


Neste filme ela também aparece como Marilyn Miller e canta não só “Silver Lining” como também a eterna “Who?”.


Judy
insistiu na época que seus numeros fossem dirigidos por seu então marido, Vincente Minnelli. A producão se atrazou um pouco e quando chegou finalmente a hora de se filmar “Silver Lining” a barriguinha de uma grávida Judy já estava mais protuberante do que poderia ser aceito pela MGM (Liza estava a caminho!).


Genialmente Minnelli mudou todo o conceito do número e o baseou 100% na atuação de Marilyn Miller dos anos 20. Estando atrás de uma pia cheia de pratos empilhados Judy não estaria totalmente exposta às cameras….
“A emergencia provoca a criatividade”.


Judy está um “mimo” neste número. Abusando do direito de ser talentosa, sonhadora, emocionada, afinada e fazendo muito amor com a camera que tanto bem lhe queria…


Por "coincidencia" a direção musical deste número, o arranjo em si, foi composto pela fabulosa Kay Thompson - atriz, cantora, bailarina, compositora, arranjadora, vocalizadora, professora - talvez por muitos lembrada só por sua participação em "Funny face" (1957) ao lado de Fred Astaire e Audrey Hepburn e no qual ela recebeu uma distinção única no Cinema: Ela roubou descaradamente uma cena na qual contracenava com Astaire.


Sempre penso em Kay quando ouço a expressão "She's bigger than Life". She was. Quer personalidade!

Amissíssima de Minnelli, tornou-se amiga íntima de Judy, virou madrinha de Liza que levou-a para morar com ela na velhice e que lhe dedicou um show, há poucos anos, no qual "cantarola" emotivamente "Silver Lining"... sim, este "cantarolar" era marca registrada da magnífica Thompson e Judy aqui cantarola triunfantemente! Reparem...


Além disto tudo e de uma longa carreira, Kay ainda criou um dos personagens um dos personagens mais simpáticos da história: Eloise! Mas como eu sempre digo: isto já uma outra estória que ficará reservada para uma futura Tertúlia!


Levantemos a cortina para Judy, sua voz, sua emoção, seu talento!

As I wash my dishes, I'll be following a plan,
Till I see the brightness in ev'ry pot and pan.
I am sure this point of view will ease the daily grind,
So I'll keep repeating in my mind.

Look for the silver lining
When e'er a cloud appears in the blue.
Remember some where the sun is shining,
And so the right thing to do,
Is make it shine for you.



A heart, full of joy and gladness,
Will always banish sadness and strife.
So always look for the silver lining,
And try to find the sunny side of life.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mudanças: Liza & Bye Bye mein lieber Herr

Aos 12 anos de idade lembro-me de um certo dia na Biblioteca do I.B.E.U., um dos meus lugares favoritos, em Copacabana (adorava ficar horas lá, folheando livros americanos de Teatro, de Ballet, de Cinema… ) e ter tido minha atenção despertada por duas capas de Revista que me deixaram curioso… muito curioso.

As capas (naquela semana) do “Time” e de “Newsweek” mostravam a foto de um personagem que não era nada comum… Porque alguém apareceria na mesma semana na capa de duas (na época) tão ilustres revistas?


Apanhei as revistas e folheei-as com calma mas muita curiosidade como que querendo absorver cada palavra que lia…

Quem era? Ah, uma atriz? Num filme que fazia um “estrondo” nos U.S.A.? Foi meu primeiro encontro na vida com nomes como Kander & Ebb, Bob Fosse e esta figura que parecia ser extra-terrena: Liza.


Um Senhor reclamou o fato de "um menininho" estar com ambas revistas “principais” da semana e uma bibliotecária que era muito durona (mas também muito minha amiga, principalmente por não me cobrar multas quando eu me atrasava em devolver livros e Long-Plays) pediu-me para recolocar as duas revistas em sua devida prateleira já que eu as lia há mais de uma hora.


Cumpri comportadamente o que me foi pedido mas as “mensagens” das duas ficaram para sempre na minha memória:

“A Star is born” e “The new Miss Show Biz”.

Muitos anos passariam até eu poder assistir “Cabaret” (era proibido para menores de 18 anos… ) e conhecer Liza... Mas este “love-affair”dura até hoje… Quanto talento!


Reassisti esta cena, que nunca me cansa, há algumas semanas atrás… E como sempre, nada na vida acontece por mero acaso.

Interpretei “Bye-Bye, mein Lieber Herr” pela primeira vez não pelo seu lado “sensual” mas por sua sugestão de “Adeus”, “Mudança”, “Ir em frente”, “largar”, “Deixar ir” e tudo o que está relacionado ao movimento contínuo da “Tranformação”, da “Modificação”.

É com orgulho que conto que me encontro num momento de grandes mudanças… Uma gostosa possibilidade, uma incrível chance apareceu na minha vida e mais uma vez tenho a oportunidade de “mudar”, deixar para trás tantas coisas profissionais que já estavam muito maçantes e monótonas pelo fato de repetí-las há muitos anos…

Que bom poder reinventar-me de novo… e estar, de certa forma muito mais próximo de mim e do que gosto de fazer.

Começar de novo, como cantaria Simone…

Mesmo assim, prefiro o tom endiabrado, brincalhão, assanhado, apimentado (e extremamente talentoso) desta que nos dá tanto “entertaimment”.
Um brinde para a eterna “Miss Show Biz”! Hooray!



Bye-Bye mein lieber Herr.
Auf Wiedersen, mein Herr.
Es war sehr gut, mein Herr, und vorbei.
Du kennst mich wohl, mein Herr.
Ach, lebe wohl, mein Herr.
Du sollst mich nie mehr sehen mein Herr...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Quaresma & Jejum (com Sara Lee & Liza!)

O Carnaval acaba na terça-feira, 47 dias antes da Páscoa…
A Quaresma começa na quarta-feira… e não é muito raro nesta época do ano fazer-se um “jejum”.

Jejum
…

Este termo é hoje em dia, até por modismos, muito amplo, "amplíssimo" na verdade… Alguns consideram “jejuar” não entrar no facebook ou não escrever no Blog, outros não sair com amigos ou várias outras abstinencias pessoais, de nenhuma forma “gastronomicas”.

Para mim o “jejum” é um só… Quaresma é tempo de reflexão… Dizem, n’est ce pas ?
E como reflexionar melhor sem o peso no estomago de muita comida?
Deixando o corpo livre de tarefas exaustantes como a digestão e alcançando assim uma clareza maior na mente…
Todo Yogi que jejua (completamente) fala e relata desta clareza de pensamento quando o corpo se limpa de todas as toxinas… e a mente se abre, se libera, “voa”.


Depois de muito anos resolvi jejuar neste 47 dias… Não é que eu não coma, a diferença está NO QUE como… evito totamente carnes vermelhas, alcóol, gorduras, produtos lácteos com muita gordura (como creme de leite, queijos amarelos, Creme-Fraiche etc.) e doces… Sopas, arroz, legumes e verduras, frutas, às vezes um filet de frango ou peixe, enchem meus pratos... e água, muita água...

Mas não estou jejuando por motivos religiosos… Nein, Nein… Considero esta etapa do ano como uma etapa muito saudável… e se “de sobra” ainda alimento-me espiritualmente… Ora, VIVA a Quaresma então! Vamos investir na nossa saúde!


Mas, como se era de esperar, nos primeiros dias a coisa torna-se um pouco dfícil… Os ataques fortes de fome por falta de açúcar… Logo euque já sofro de açúcar baixo... O corpo necessita de algum tempo para se acostumar à nova rotina... Paciencia, Ricardo...

Eu vivo numa cidade conhecidíssima mundialmente não só por sua música mas também pelos seus divinos doces… mas não penso nestes daqui, penso em todas aquelas imensas, até nojentas, bombas de calorias americanas da “Sara Lee”.


Para quem não conhece , Sara Lee é uma fábrica de doces americana.
Gostaria de sublinhar a palavra FÁBRICA.
Sara Lee faz os doces mais doces (páreo duro com os doces portugueses), mais horrorosos e "engordativos" do mundo.
Gostaria de sublinhar a palavra DOCE.
“Cherry Danish”, “Finger Roles”, “Broches”, “Cup Cakes”, “Banana Cakes” e por aí vai a lista.
Tudo docíssimo e cheio de creme.
Gostaria de sublinhar DOCÍSSIMO E CHEIO DE CREME.

Um horror…
Tudo com sabor de grande fábrica, produção em massa e química… e, detalhe, ou empacotado ou congelado...


Mesmo assim, é com estes doces que sonho no momento…
Sonho em passear por alguma rua do Upper East Side, entrar numa Deli qualquer da vida e sair de lá me lambusando com uma “Apple pie” pingando de tanto creme…


Trocando em miúdos: compartilho com Liza, neste momento, estes pensamentos...

“There’s a lady living somewhere,
where it is I do not know…
But I long to write and tell her
that I love her so…

I migh destroy myself
if I ever find her missing from Grocer’s shelf!”


Ohhhh, Sara Lee...



Liza, obrigado por tanta energia!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Liza Minnelli: Quiet Love (Charles Aznavour)

Reecontrei este – para mim – já há muito esquecido video de Liza.
Milhões de memórias voltaram instantaneamente.
Me lembrei do tempo em que descobri este show e esta maravilhosa interpretação.
Do jovem que eu era.
Do emocionado que fiquei ao ouví-la pela primeira vez.
De quem eu era então…


Amo quando Minnelli nos “conta” essas estórias.
Ela tem essa capacidade fenomenal de transformar qualquer canção numa narrativa, interpretando-a, contando-a, vivendo-a…
E nos leva com ela, nessa maravilhosa jornada de fantasia, emoção, vida…
Sempre relatando e contando ela cria um mundo imaginário onde conseguimos ver pessoas, salas, esquinas, casas o tempo passando…
Tudo palpável apesar de abstrato.
Gosto desta Liza...
A cantora atriz, atriz cantora… sensível, vulnerável... profunda, meditativa...

“Quiet Love” de Charles Aznavour.
O mistério do amor… Inexplicável, espontaneo, puro, imprevisível, lindo…


(Nos anos 80 eu tinha um sonho: queria passar uma tarde na casa de Montserrat Caballé, mais precisamente em sua cozinha, conversando todo tempo ela, enquanto ela preparasse um prato maravilhoso… Tenho que admitir que a atmosfera da cozinha, os pratos de pasta e a simpatia de Monserrat eram a atração...


Hoje eu gostaria de me sentar na sala de Minnelli e ouví-la por horas. Não me importaria o tema… Como os visitantes de Tanja Blixen em “Out of Africa”, adoro uma estória bem contada… E Liza sabe como contá-las e cantá-las… e vive-las... A atração hoje em dia é a união da emoção, da delicadeza de alma à experiencia de vida...
)

Aqui para voces "Quiet Love", uma canção ao mesmo tempo emocionada e contida. Lindo trabalho...



Detalhe interessante: Minnelli em épocas mais recentes no Actor's Studio com "Quiet Love".

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cyd Charisse, Gene Kelly e amizades & decepções: It's always fair Weather...

Quem assistiu „On the Town“ (Um dia em Nova Iorque, MGM 1949) deve ter-se perguntado alguma vez: “E o que aconteceu com estes tres marujos durante e depois da Guerra?”
A Metro pensava em produzir “It’s always fair Weather” como uma continuação de “On the town”, inclusive pensando em usar os tres atores principais de “Town”: Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin.


Depois da Guerra tres “camaradas” fazem um pacto para reencontrarem-se dez anos depois…
Esta é a linha principal do roteiro de “Fair Weather”.

Um filme razoávelmente esquecido, ele reune os talentos de Kelly, Michael Kidd (numa rara aparição cinematográfica) e o veterano Dan Dailey (ainda em grande forma) como os tres “marujos”,


Dolores Gray (que não teve realmente a carreira que merecia pois a era dos musicais chegava ao final e o trabalho de uma “belter” não era, na época, requerido fora do cinema musical. Estávamos ainda “anos luz” de Streisand e Minnelli)


e a magnífica Cyd Charisse, aqui num papel relativamente pequeno com um único número de dança… Fato este que nunca realmente compreendi… (Charisse vinha na época de recentes aparições de muito sucesso em “The Band Wagon”, “Deep in my heart” e “Brigadoon”, tres filmes de 1954 nos quais ela mais uma vez provou seu grande talento! Charisse ainda tinha reservadas para seu futuro maravilhas, jóias cinematográficas como “Silk Stockings” com Fred Astaire, mas esta é uma outra estória)


Concebido pelos magníficos Betty Comden e Adolph Green (responsáveis por “On the Town”, “Singin’ in the rain” entre tantos outros) o filme não poderia ter melhores credenciais. Mais uma vez Kelly co-dirigiu um filme ao lado de Stanley Donen – que vindo de sucessos como “Seven Brides for seven brothers” não estava realmenre muito interessado em dividir os créditos do filme com Kelly).

“Fair Weather” é um filme que passa uma certa “desilusão” com a vida: os tres companheiros de “antes” se encontram dez anos depois só para perceber que nada mais tem em comum… sómente a desilusão com a vida.

É exatamente este o tema principal do filme: como o tempo transforma as amizades

Não estou 100% de acordo - tenho muitíssimos amigos, sinceros, queridos, de toda uma vida - mas tenho que admitir que às vezes isso acontece… semana passada percebi esse fato numa "ex-colega" do “científico”… pessoa que se chamava minha "amiga" - apesar de eu nunca te-la realmente considerado assim. Existem pessoas amarguradas, insatisfeitas – talvez até pelo próprio visual, pelas "personas" obesas e feias em que se transformaram – que só sabem ser invejosas e "esborrifar" veneno… Que falta de psicologia - rsrsrs (she'll understand that) levar a vida assim!!! Tenho pavor de inveja! Pois quem a tem destroe a si mesmo! Lembram de sallierei? Not necessary to say que a infeliz não mais faz parte do meu círculo de conhecidos... Cortei-a da minha vida. Destas pessoas me distancio! E tenho coragem de admití-lo!

Bem, de volta ao filme: uma cena fantásticamente desilusionada (sorry... correction: desiludida... desilusionada é castellano...) reune os tres amigos, que (no filme) já haviam cantado sobre serem amigos até a morte, numa canção que descreve a decepção de estarem juntos no presente…

O melhor porém é que cada um, reconhecendo que os dois outros não são o que ele esperava, percebe em si mesmo que ele também não se transformou na pessoa que um dia quiz ser… Decepções…
Esta agussada percepção cínica transforma este “musical entertainment” num filme bem mais “escuro”, bem mais “negro”, bem mais “desilusionado” (correction: desiludido) do que a maioria dos musicais da Metro.

Mas o filme tem momentos de puro “joy”. Gene Kelly sapateando sobre patins de roda (será motivo de uma futura "tertúlia”),


os tres marujos dançando desenfreadamente na rua e sapateando com tampas de latas de lixo presas nos seus pés e a magnífica Dolores Gray, numa incrível crítica à televisão, como uma apresentadora canastrona, exageradamente piegas e nada sincera do programa “Midnight with Madeline”: o cliché da televisão ao vivo, dos programas “verdade” da época… só que 57 anos depois a televisão ainda é a mesma coisa… pensem nos talk-shows, pensem da TV Globo aos U.S.A.!!! Incrível… Nada mudou!


Para mim porém o melhor momento musical do filme é quando Charisse sobe a um Ring de Box para dançar “Baby, you knock me out”.
Momento maravilhoso, apaixonante de um musical inesquecido.
Charisse hipnotiza com tanta classe, energia, técnica, talento…
Ela ainda é, e sempre sera, a minha “rainha” do musical…
Um real “Nocaute”, como se dizia no Brasil… (lembram no Brasil do “Telecatch patrocinado pelo rum Montilla????)


Charisse, you still knock me out!!!!!!!

(A cena é um pouco longa... à partir do terceiro minuto Cyd começa a dançar!!! Puxem a cena para o terceiro minuto!)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um bonde chamado alegria...

Não,não... Não me equivoquei com o título da peça de Tenessee William (Um bonde chamado desejo) não... este realmente chama-se Alegria!

Liza contou um dia que ouviu esta estória de sua mãe, Judy Garland :

Vincente Minnelli revelou confidencialmente à Judy, que ainda não era sua esposa durante as filmagens de «Meet Me in St-Louis» (MGM 1944), que os produtores do filme que rodavam, tinham-lhe entregado (imposto) uma novidade «obrigatória» para o filme: uma canção sobre um «bonde»…


O que ?
Um bonde ???
Meu Deus, o que fazer de uma canção sobre um bonde ?
Como encaixá-la no roteiro ?
Como fazer, por favor, algo viável de um material tão básico?

Este foi um trabalho em conjunto de Judy e Vincente, um trabalho do qual tinham um profundo orgulho… Estas coisas aproximam seres humanos… e como...


Eu simplesmente ADORO esta atmosfera feliz:
das luvinhas azuis, girls and boys of the chorus, Technicolor
aos olhares, voz, risadinhas e sorrisos inconfundíveis de Judy…
Ela irradia felicidade...

Como seria bom se esta atmosfera de alegria dominasse o nosso ano novo…

sábado, 3 de dezembro de 2011

Um final nada feliz..

Considero „Funny Girl“ uma pequena preciosidade.
Uma peça, um filme único sobre a vida de Fanny Brice que lançou um talento único: Streisand (em 1964, na data que estreiou "Funny Girl" Streisand ainda era uma "menina" de 21 anos de idade... )


(para quem não sabe: eu NÃO sou fã de Streisand… acho que com o passar dos anos ela deixou para trás a “menina Jiddish” para transformar-se numa persona “larger than life”, associadíssima à California e muito chata… mas a Streisand dos primeiros anos, dos primeiros discos, dos primeiros shows de televisão, dos primeiros filmes, era adorável… como em “Funny Girl”, uma biografia bem “criativa” sobre a vida de Fanny Brice, seu primeiro filme).


O final do filme deixa porém, para mim, algo a desejar e quando me refiro a um final nada feliz, não estou referindo-me à triste estória de amor entre Fanny e Nick…
Na versão da Broadway o show terminava com uma repetição de “Don’t rain on my parade”, mostrando que esta mulher era forte, corajosa, cheia de energia…


Na versão para o Cinema esta música foi trocada por um velho sucesso de Fanny Brice: My Man… Para meu gosto, uma típica canção de “vítima”. Uma canção cantada por uma mulher dependente, burra (“Two or three girls has he, that he likes as well as me… But I love him” Ora, que absurdo… Oh, Nick, "vá plantar batatas!"), oprimida… O desempenho de Streisand neste número pode ser singular e espetacular mas esta canção transforma o personagem Fanny, no final do filme, numa mulher completamente oposta ao que tinhamos visto nas duas horas prévias…

Um final nada feliz para o filme…

Acho, porém, que uma outra mudança “da Broadway para Hollywood” foi ainda bem mais trágica. Ela está relacionada também ao final do filme, já que involve a troca da canção anterior a “My Man”. No filme Streisand canta um curto, sincero número chamado “Funny Girl”, que foi composto especialmente para o filme (para justificar o título do filme… como se isto fosse necessário… ). Gosto muito desta canção… mas é um monólogo que ela faz sobre si mesma. Não questionando o amor que sente por “Nick” e sim indagando se ela é realmente uma “funny girl”. Uma direção completamente oposta ao roteiro original faz com que o personagem perca totalmente sua “força”:

A canção que estava neste “Spot” da peça é uma outra preciosidade que ficou, por assim dizer, “perdida”. Não fez parte de nenhum disco de Streisand (com exceção do disco da gravação do elenco original em 1964), do seu repertório…


Só depois de bem mais velha Streisand redescobiu este tesouro que havia perdido, há muito tempo… mas com sua (criada) afetação californiana não deu mais a “rendition” que dava, quando era ainda a “menina Jiddish” do início de sua carreira … Esta música é como uma moldura sobre o caráter de Fanny e seu (descabido) amor por Nick – mas em nenhum ponto ela transforma-se na vítima sofredora e dependente em que se transformou cantando “My Man”.


Sim... um final nada feliz para o filme…

Procurando na Internet não consegui encontrar uma foto sequer deste número – que ela cantava no seu camarim de teatro… por isto, aqui o interior da capa do disco, escaneado hoje… a foto abaixo é a da mencionada cena:
“The Music that makes me dance”.


Como só existem videos mais recentes de Streisand cantando esta música (que nada me agradam), decidi colocar aqui uma outra “funny girl”: Liza Minneli (ao lado de Mikhail Baryshnikov) no empoeirado “Baryshnikov on Broadway”.
Liza sensacional dando vida à esta beleza de melodia (e texto):
(HIS IS THE ONLY) MUSIC THAT MAKES ME DANCE…



...e para quem ainda tiver a paciencia de "ouvir" (inclusive "introduction"), aqui a menina Streisand em 1964 cantando esta maravilha!

domingo, 25 de setembro de 2011

Liza & Billy Stritch: Back in Business... (e eu amanhã "back to business")

Não é que eu realmente esteja « back in business » (nunca saí dele) mas amanhã, depois de duas semanas e pouco fora da Austria, estarei “back to business” (apesar de minha cabeça ainda estar em algum lugar em Koh Samui… depois conto das férias!).


Bom “voltar” às Tertúlias... Acreditam que em todo esse tempo nem liguei algum computador? Isso sim que é descansar!

Divirtam-se com Liza – em grandíssima forma – com Billy Stritch por ocasião de uma homenagem a Stephen Sondheim… Genio…
Amo esta música, o piano glorioso de Stritch (ele tocou para Liza este ano aqui no festival de Jazz!) e a coreografia... Reparem com “que energia” as bailarinas saem do palco… que coisa animada! Que coisa mais gostosa e contagiante (em sua energia) este número!

Thank you, Liza! De certa forma, com este número, voce me ajuda a voltar "mais fácilmente" à rotina do trabalho...

sábado, 18 de junho de 2011

REMEMBERING: On such a night as this... de Jeanette MacDonald e Liza Minelli a Michael Feinstein e Greta Keller...

Sabendo que minha amiga Danielle Crepaldi gosta muito de Jeanette MacDonald, dedico-lhe com muito carinho esta postagem que, acho, vai dar-lhe uma nova informação sobre uma não mais tão jovem Jeanette!

Na semana passada estava ouvindo no carro o último CD de Liza Minelli que chama-se “Confessions” – um “relato” bem honesto sobres suas canções preferidas, aquelas que ela costumava cantar depois dos shows, junto aos seus companheiros de teatro – aqueles momentos íntimos nos quais a classe artística “entertain” a classe artística… momentos que existem até hoje no bar do “Algonquin” na 44th Street em N.Y..


Este “álbum” parece ter sido feito em momentos de grande dificuldade na vida de Liza – antes e depois de uma operação que fez. Tudo acompanhado do sabor amargo de “dor” e “recuperação”. Chapeau para esta artista que não só escolheu material musical perfeito para sua voz e técnica momentaneas, como também por ter passado “por cima” da dor…

Entre as canções que interpreta, uma se destacou imensamente para mim: “On such a night as this”. Quanto mais a ouvia, mais parecia-me já conhece-la… seu texto melancólico “conta” de Julieta, Gershwin, Wagner, Robert Taylor, Garbo, Judy Garland e Jeanette Mac Donald!
Sua melodia ficou gravada na minha cabeça e eu me “peguei” cantarolando-a durante dias…

Ontem me lembrei de onde a conhecia… e loucamente comecei a mexer em tres gavetões lotados de cassetes que não são tocados há anos !


Finalmente encontrei um de Michael Feinstein chamado „Live at the Algonquin“ (mais uma vez o Algonquin… e os shows dados no famoso “Oak Room” que foi gerenciado muitos anos por uma cantora austríaca que nao só cantava como também cozinhava (no “Oak Room” do Algonquin pode-se jantar muito bem) em sete línguas: Greta Keller


(para quem não a conhece basta ouvir na trilha sonora de “Cabaret” a canção “Heiraten”).


De volta a Michael Feinstein. Sim, foi ele que ressucitou esta esquecida canção de Hugh Martin (compositor entre outras de grandes sucessos de Garland como «The trolley Song », «Have yourself a merry little Christmas “, “The boy next door” e de cinco musicais da Broadway!).

Mas porque “esquecida”?
Em 1962 Marshall Barer e Hugh Martin estavam escrevendo o « score » de um novo musical para a Broadway. Este deveria ser chamado “A little Night Music” (título que não tem nenhuma relação com o musical de Stephen Sondheim composto mais tarde).

O show estava sendo escrito especialmente para duas pessoas: a veterana do cinema (e de recitais) Jeanette MacDonald e uma jovem menina que começava a “despontar”, Liza Minelli.
MacDonald, já uma “quase sessentona”, estava bem longe dos seus dias “glamourosos” na Metro e de sua muito especial, singular beleza…


Este número, um dueto cantado por MacDonald e Minelli, deveria “se passar” com as duas índo de set a set no velho Backlot da MGM!

Que fantástica idéia – ouvir a própria Jeanette cantando sobre ela mesma e Liza sobre sua mae!

There’s something in the air that you can sense
Elusive but unbearably intense
The Stars are hanging there in bright suspense
As they prepare to light immense events

On such a night as this
did young Lorenzo swear
he’d gladly swim a thousand seas
to please his lady fair?

On such night
did Wagner write
“The evening star”?
‘Neath such a moon
stood Lorna done
and Lochinvar?

On such a night as this
Did gentle Juliet cry
“Forget that I’m a Capulet
and set me by thy side”?

Hurry, my sweet
Wings on your feet
You musn’t miss
The sheer delight
On such a night
as this


‘Twas such a night as this
when Judy Garland swore
“I just adore him
How I can ignore the boy next door”?

On such a night
Did Gershwin write
His Rhapsody ?


On such a set
did young Jeanette
sing, “Lover come back to me”?

On such a night as this
Did Robert Taylor sigh
As Garbo gave a little cough
And wandered off to die?

Lately I find
I’m disinclined
To reminisce
Except, perhaps
On such a night as this…


Aqui Tod Hall num momento "romantico" com "On such a night as this"!



Outro detalhe da produção – ao meu ver também muito interessante – foi uma outra composição chamada “Wasn’t it romantic?”.

Jeanette tinha cantado em “Love me tonight” (com Maurice Chevalier) a canção intitulada “Isn’t it romantic?”.


Uma cena pedia que uma MacDonald mais velha cantasse “Wasn’t it romantic?” simultaneamente a imagem de uma jovem MacDonald, numa tela, na cena de “Love me tonight” cantando “Isn’t it romantic?”.
Que idéia sensacional…

Mas MacDonald adoeceu gravemente com um problema coronário do qual já sofria desde os anos 50 e que seria para ela fatal. O projeto foi esquecido, Liza estreiou em “Flora, the red Menace” e estas canções caíram no “limbo” do esquecimento. Agora foram ressucitadas.

Uma pena o mundo não ter visto “A little Night Music”.

Agora nos resta a memória destas melodias e muita imaginação…