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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mr. B's "Tarantella" (English & Portuguese)

Mr. B’s „Tarantella“. This pas de deux has been haunting me for quite a while…


This version is very special and dear to me:
I taped it sometime during the 80’s (does anyone still remember a big thing called video2000?), then had it transferred to a VHS (also for younger generations quite difficult to remember) until, many years ago, I managed at last to make a home-made DVD out of it. It is still playing quite well but I could never save it as a MP4 file… The so-called “navigation Structure” turned out to be an invalid one… At long last I found someone who helped me save it “for posterity” (Thanks!) and I immediately posted it in my Youtube account. I am glad about that. Very glad.

This pyrotechnical pas de deux was at the time the perfect vehicle for Patricia McBride’s and Edward Villela’s virtuosity – Even if filmed in the early 70’s (The choreography was completed in 1964) it is interesting to notice how Miss McBride’s figure is still very “up-to-date” to our nowaday’s feelings towards aesthetic (in the Ballet).

“Tarantella” is definitely one “pièce de résistance” for two dancers.

The music was described by Balanchine in his “Complete Stories of the great Ballets” this way: “It is a dazzling display piece, full of speed and high spirits. So, I hope, is the dance, which is ‘Neopolitan’ if you like and ‘demi-caractère.’

Balanchine much admired, for some reason, Louis Moreau Gottschalk’s music. The audacity and wit of his works, along with his brilliance at the keyboard, made his compositions immensely popular — perhaps too popular…He fell out of favor after his death, considered old-fashioned and clichéd.

But this pas de deux still lives today…


A “Tarantella” de Mr.B. Este pas de deux pirotécnico tem me perseguido já por algum tempo…

Esta versão é muito especial e querida para mim: Eu a gravei em alguma época dos anos 80 (alguém ainda se lembra de um trambolho chamado video2000?), então o transferi para um VHS (para jovens gerações também muito difícil de lembrar) até que, há muitos anos, eu consegui finalmente trasformá-lo num DVD “home-made”. Ele ainda toca mas jamais consegui salvá-lo como um arquivo MP4… A chamada “estrutura de navegação” resultou em ser invalida e eu jamais consegui passar por cima desta falha. Finalmente encontrei alguém que me ajudou a salvá-lo para “a posteridade” (Obrigado!) e imediatamente publiquei-o na minha conta do Youtube. Feliz com isso. Muito feliz.

Este pas de deux pirotécnico foi na época o perfeito veículo para o virtuosismo de Patricia McBride e Edward Villela – mesmo que filmado no início dos anos 70 (a coreografia foi acabada em 1964) é interessante notar-se como a figura de Miss McBride é ainda “moderna” para nossas percepções atuais em termos de estética (no Ballet).

“Tarantella” é definitivamente uma “pièce de résistance” para dois bailarinos.

A música foi descrita por Balanchine no seu livro ““Complete Stories of the great Ballets” desta forma:
“uma deslumbrante exibição , repleta de velocidade e de espírito leve. Da mesma, espero, é a dança, que é se voce quiser “napolitana” e “demi-caractère”.


Balanchine muito admirava, por alguma razão, a música de Louis Moreau Gottschalk. A audácia e sagacidade, junto com seu brilho no teclado, fizeram suas composições imensamente populares – talvez até demasiadamente populares… Ele saiu de moda depois de sua morte, sendo considerado antiquado e “cliché”.

Mas este pas de deux ainda vive hoje…

quinta-feira, 8 de maio de 2014

REMEMBERING: Marília Barbosa ("Os rouxinóis", Lamartine Babo,.. exatamente o que eu estava precisando ouvir...)


Já sonhando com verdes, matas, perfumes exóticos, cores definidas, flores e passáros tropicais que encontrarei “esperando por mim” nos próximos dias, descubro "por acaso" este número tão precioso de Lamartine Babo:

Lamartine, moleque, danado, humorado homem, que quando queria colocar poesia em notas, o conseguia mais que perfeitamente e se transformava num mestre de lirismo e seriedade... e isto de uma forma que, até hoje, nos tira a respiração e nos deixa simplesmente pensando: Porque estes talentos se foram tão jovens ?

Quem pode se esquecer de «Eu sonhei que tu estavas tão linda… numa valsa de raro esplendor… teu vestido de baile, lembro ainda, era branco, todo branco, meu amor... » ???? (Sempre quis coreografar isso... teria sido um lindo pas de deux... ).


Neste valioso video não reencontro só a poesia de Lamartine mas também a poesia da linda voz de Marília Barbosa, amiga de muitos anos… num momento extremamente melódico, concentrado, sensível...
Maravilhosa; daquela forma brasileiríssima de ser... do bom, gostoso Brasil cheio de poesia e sentimento que talvez ainda exista dentro das nossas almas!

O que dizer?
Não existem coincidencias…

quinta-feira, 10 de abril de 2014

(I'm always) chasing Rainbows...


Encontrei esta ceninha de „Ziegfeld Girl“ (MGM, 1941). Sim, encontrei pois nunca havia assistido-a.
Judy (e sua transbordande sinceridade), Lana Turner e até Hedy Lamarr (linda!) me deram prazer…

Estranho como coisas certas aparecem na hora certa na nossa vida… Mas sempre repitimos: “Não existem coincidencias”, não é? Mais uma vez Judy e um „rainbow“ na minha vida…

Apesar de conhecer a música por "toda uma vida", a realmente "ouvi" ontem... aqueles fenomenos (lindos) de sensibilidade que a vida, o tempo e a idade trazem consigo...


Me dar realmente conta que eu também estou sempre «chasing rainbows» (apesar de não lutar ativamente para faze-lo), fez-me ontem bem, muito bem… e eu estava precisando!

De certa forma ainda acredito infantilmente que todos deveríamos ter o direito de ser felizes… Mas existem, infelizmente, tantas pessoas que adoram atacar os outros, transformar bons momentos em momentos negativos e tudo isso até «dando a bandeira» que estão apreciando suas “patifarias”.


Mas, pensando bem e "invertendo o jogo" (no sentido positivo da expressão): não deveríamos, na realidade, dar «Graças a Deus» por estas «criaturas» existirem? Sem sua «existencia», sem sua presença não daríamos o devido valor, não nos daríamos conta dos tantos amigos, das pessoas boas, honestas, carinhosas, sinceras que enchem nossa vida…

e "daquele" amigo que temos no nosso interior, dentro da nossa alma… nós mesmos!

Chasing Rainbows… always…

sábado, 8 de março de 2014

Take a feeling: sadness


Ando muito cansado de dizer "Adeus".

Sim.


Ev'ry time we say good-bye, I die a little...

Cole Porter & Ricardo in full understanding of each other...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

The man that got away...


Quantos talentos reunidos numa só cena.

Neste marco inesquecível do Cinema: A Star is born, 1954


Inolvidável Judy, grande James Mason, Tommy Noonan, Harold Arlen e sua fantástica música, a direção sublime de George Cukor, a camera de Al Green, a iluminação perfeita que da vida àquela atmosfera que só artistas realmente podem entender: depois de cantar uma noite inteira e vender sua alma, eles se encontram depois do show para CONTINUAR a cantar... e dar sua alma.

E para quem não me acredita: vá depois de qualquer show na Broadway ao Bar do “Algonquin” em N.Y.


Hoje só celebrando estes talentos, a voz de Judy Garland no seu apogeu… e sua interpretação… ah… maravilhosa, neurótica, viva, de carne e osso (e muitos nervos!), completamente exposta. Como Professor Higgins em “Lady” inteligentemente diria:

“As raw as meat in a butcher’s window”.

Bravo! How I like that!



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Schumann & Katharine Hepburn: Träumerei e a simplicidade...


Mesmo usada (e abusada) para fins comerciais, piegas, baratos (vezes até grotescos), esta "simples" melodia sobrevive...

Sua simplicidade é o que a torna mais fascinante, inimitável, conquistadora e, ao meu ver, muito difícil!


Aquela "simplicidade" sobre as coisas essenciais da vida, extremamente presentes no trabalho de Robert Schumann: honestidade, calor humano, sorrisos, apego e amor. As coisas "pequenas" da vida, como alguém uma vez colocou muito inteligentemente (e ironicamente) em palavras.

Quantas vezes na minha vida já ouvi: "Ah, isso é muito fácil de tocar"
Sim, verdade, encarando-se só o lado técnico... mas fácil de "sentir" e "interpretar"? Jamais.
Para mim este "sentir" é parte essencial da própria técnica e sem ele, nem o mais técnico dos técnicos nos emocionaria.
Na música, no teatro, no Ballet, no Cinema, nas Artes plásticas, na literatura...

Gosto do momento deste video: aqui "dublado" (o magnífico Arthur Rubinstein tocou) por ninguém menos do que nossa maravilhosa, querida, eterna Katharine Hepburn (Song of love, MGM, 1949).

Ela saía finalmente da longa fase de trejeitos dos anos 30 & 40 e tranformava sua arte numa coisa mais simples, translúcida, transparente, universal.

Esta é a Kate que nos encanta até hoje. Poucas desenvolveram como Kate esta virtude, este talento infinito... até o final de sua vida... aprimorando-se a cada dia até chegar aos momentos nos quais bastavam sómente um olhar - sim, um único - para delatar toneladas e toneladas de sentimentos... e simplesmente nos "emocionar simplesmente".



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um final nada feliz...

Aqui uma postagem "reciclada" de 3 de dezembro de 2011...

Considero „Funny Girl“ uma pequena preciosidade.
Uma peça, um filme único sobre a vida de Fanny Brice que lançou um talento único: Streisand (em 1964, na data que estreiou "Funny Girl" Streisand ainda era uma "menina" de 21 anos de idade... )


(para quem não sabe: eu NÃO sou fã de Streisand… acho que com o passar dos anos ela deixou para trás a “menina Jiddish” para transformar-se numa persona “larger than life”, associadíssima à California e muito chata… mas a Streisand dos primeiros anos, dos primeiros discos, dos primeiros shows de televisão, dos primeiros filmes, era adorável… como em “Funny Girl”, uma biografia bem “criativa” sobre a vida de Fanny Brice, seu primeiro filme).


O final do filme deixa porém, para mim, algo a desejar e quando me refiro a um final nada feliz, não estou referindo-me à triste estória de amor entre Fanny e Nick
Na versão da Broadway o show terminava com uma repetição de “Don’t rain on my parade”, mostrando que esta mulher era forte, corajosa, cheia de energia…


Na versão para o Cinema esta música foi trocada por um velho sucesso de Fanny Brice: My Man… Para meu gosto, uma típica canção de “vítima”. Uma canção cantada por uma mulher dependente, burra (“Two or three girls has he, that he likes as well as me… But I love him” Ora, que absurdo… Oh, Nick, "vá plantar batatas!"), oprimida… O desempenho de Streisand neste número pode ser singular e espetacular mas esta canção transforma o personagem Fanny, no final do filme, numa mulher completamente oposta ao que tínhamos visto nas duas horas prévias… como se houvesse desaprendido tudo o que levava na sua "mala"...

Um final nada feliz para o filme…

Acho, porém, que uma outra mudança “da Broadway para Hollywood” foi ainda bem mais trágica. Ela está relacionada também ao final do filme, já que involve a troca da canção anterior a “My Man”. No filme Streisand canta um curto, sincero número chamado “Funny Girl”, que foi composto especialmente para o filme (para justificar o título do filme… como se isto fosse necessário… ). Gosto muito desta canção… mas é um monólogo que ela faz sobre si mesma. Não questionando o amor que sente por “Nick” e sim indagando se ela é realmente uma “funny girl”. Uma direção completamente oposta ao roteiro original faz com que o personagem perca totalmente sua “força”:

A canção que estava neste “Spot” da peça é uma outra preciosidade que ficou, por assim dizer, “perdida”. Não fez parte de nenhum disco de Streisand (com exceção do disco da gravação do elenco original em 1964), do seu repertório…


Só depois de bem mais velha Streisand redescobiu este tesouro que havia perdido, há muito tempo… mas com sua (criada) afetação californiana não deu mais a “rendition” que dava, quando era ainda a “menina Jiddish” do início de sua carreira … Esta música é como uma moldura sobre o caráter de Fanny e seu (descabido) amor por Nick – mas em nenhum ponto ela transforma-se na vítima sofredora e dependente em que se transformou cantando “My Man”. Ela constata um amor ("in everyway, everyday I need less of myself, I need more him...") mas jamais ela é "a vítima".


Sim... um final nada feliz para o filme…

Procurando na Internet não consegui encontrar uma foto sequer deste número – que ela cantava no seu camarim de teatro… por isto, aqui o interior da capa do disco, escaneado hoje… a foto abaixo é a da mencionada cena:
“The Music that makes me dance”.


Como só existem videos mais recentes de Streisand cantando esta música (que nada me agradam), decidi colocar aqui uma outra “funny girl”: Liza Minneli (ao lado de Mikhail Baryshnikov) no empoeirado “Baryshnikov on Broadway”.
Liza sensacional dando vida à esta beleza de melodia (e texto):
(HIS IS THE ONLY) MUSIC THAT MAKES ME DANCE…



...e para quem ainda tiver a paciencia de "ouvir" (inclusive "introduction"), aqui a menina Streisand em 1964 cantando esta maravilha!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"Our love affair" (1957)


Será que alguém ainda se lembra deste esquecido filme que nos fez chorar e soluçar de tanta emoção numa época em que tudo, e talvez nós também, éramos mais "naïve", profundamente mais impressionáveis e definitivamente muito mais puros? Penso em épocas nas quais a palavra "terrorismo" ainda era inexistente...

Que épocas...


Reassistindo nos últimos tres dias uma antiga série inglesa chamada “A woman of substance” na qual a querida Deborah Kerr tem um dos papéis principais, fiquei pensando sobre esta “english rose” (na realidade nascida na Escócia) que nos fascinou durante décadas numa grande diversidade de papéis…

Esta “classe” nata parece ter desaparecido das telas. Ela não mais existe. Saudades destas «Ladies» do cinema, principalmente destas «english roses»: gentis, delicadas, de bom gosto, simples, discretas mas fortes como aço quando necessário. Sim... com aquela qualidade - que alguém colocou tão bem em palavras – que nos faz entender «o porque deles terem vencido a guerra». Saudades destas atrizes...


Vou dedicar minhas próximas semanas aos filmes de Kerr que já há muito não assisto… Começarei talvez hoje mesmo com “Narcisso Negro”.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Measha Brueggergosman: die zwei blauen Augen von meinem Schatz (Canções de um companheiro errante)



Lembranças, preciosas e emocionantes recordações dos tempos em que “descobri” (o austríaco) Gustav Mahler pela primeira vez, da forma como ele povoava o mundo do Ballet do XXíeme Siécle de Maurice Bejárt nos anos 70 e de como esta descoberta “arrebatou” e influenciou minha vida (musical) definitivamente…

Die zwei blauen Augen von meinem Schatz“(Os dois olhos azuis do meu tesouro) é provávelmente minha peça, minha “Lied” (canção) preferida de Mahler: amor & nostalgia mesclados à "despedida eterna" que sempre interessou-o e até obsecou-o em tantas fases de sua obra como compositor já que jamais poderems esquecer de sua fase como diretor da Ópera de Viena. Como em “Abschied” – Despedida - de “das Lied von der Erde” – “A canção da Terra”, esta canção que agora ouviremos é a ÚLTIMA do ciclo “Lieder eines fahrenden Gesellen” – Canções de um companheiro errante.


O arranjo de Schönberg, adaptado em 1920, de “Canções” teve sue Premiere no Carnegie Hall sómente em 1987 – vários anos depois destas canções terem-se tornado parte inprecindível do meu gosto musical, da minha vida, de minh'alma…

Bom ouvir a linda Measha Brueggergosman aqui com uma belíssima orquestra que acentua toda a musicalidade do compositor e emoldura sua voz…


Não vou continuar escrevendo pois realmente não é necessário. Está tudo aí. Tudo de presente para nós que admiramos verdadeiro talento.

São estes os momentos de profunda arte que fazem da minha vida um paraíso aqui nesta Terra.

Obrigado Measha & Gustav!
Do fundo do coração!




P.S. como é incrível e quase inacreditável pensar no que cantoras como Elisabeth Schwarzkopf disseram: "Voce tem que ser alemão para poder sentir e cantar estas canções alemãs".
Que coisa mais preconceituosa e políticamente mais do que errada, como um "modelo ultrapassado" que saiu já há muito de moda...
Pouco me admira que pessoas que são capazes de fazer comentários assim, tão radicais, não mais puderam entrar na Alemanha pós-guerra pois teriam sido presas por conta do seu "passado político".
Infelizmente ela virou austríaca, criou uma "ponte" daqui para o Covent Garden e teve uma carreira brilhante... sim, ela era daquele tipo: fantástica artista mas como pessoa um "zero à esquerda"...
Mas esta é "another story"...

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

The Shape of Love e o dom da síntese: Kirkland & Dowell


Revendo uma cena que é importantíssima para mim e sem me importar que já uma vez a publiquei aqui, volto a tentar descrever (sim, é "tentar" mesmo) o que sinto quando a assisto... Espero que voces compartilhem esta emoção comigo...


Admiro demais as pessoas que possuem o poder, o dom da síntese.

Talento raro e por mim até “invejado” (no bom sentido) pois sou um daqueles que começam uma estória e aí se lembram de 25 outras, todas intercambiadas por algum banal motivo e aí “perdem o fio da meada” por nem saberem mais o porque de estar contando aquilo (e muito menos ainda o porque de terem começado este discurso… sim… sou também um daqueles "contadores cronicos" que, no caminho, se «perdem nos "entretantos" sem chegar aos "finalmentes"»)

Mas grandes artistas me fazem às vezes, raramente, adquirir o dom da síntese…
Porque talvez me inspirem já que eles o possuem... como nesta cena, na qual reúnem uma gama de emoções que vão de A a Z numa única palavra... amor.

No contexto da didática tradicional, a síntese é o ato de abordar as principais idéias e pontos de conexão de uma determinada lição. Ligá-los, por assim dizer...

Que outra palavra poderia descrever o que vejo e sinto quando assisto Gelsey Kirkland e Anthony Dowell na cena do balcão de “Romeo and Juliet” de MacMillan senão pura “PERFEIÇÃO”. Desde a perfeita música de Prokofieff, da coreografia à interpretação dos maravilhosos bailarinos...


Obrigado aos dois por tal momento de arte eternizado em video e no relato no imortal livro “The Shape of Love” (que nome mais apropriado quando penso nesta cena), no qual Gelsey nos fala de suas idéias (quase loucas) sobre a interpretação de Julieta e de sua maneira (quase científica) de trabalhar, ensaiar...

Mas tudo isto talvez pouco importe... é o resultado que conta: “PERFEIÇÃO”!

domingo, 22 de setembro de 2013

Fanny & Le parapluies de Cherbourg: Temas franceses vistos por dois pontos de vista…


Se existem dois filmes, que na semente de sua trama principal, tem um enredo/roteiro parecidíssimo estes são “Fanny” (Joshua Logan, 1961) e “Les parapluies de Cherbourg” (“Os guarda-chuvas do amor”, Jacques Demy, 1964): nos dois a “heroína” engravida do namorado que vai embora da cidade onde moram, deixando-a para que se case com um homem que não ama. O Namorado não sabe do nascimento do filho (Fanny) / filha (Parapluies).

Uma coisa porém sempre me deixou curioso… A forma como Joshua Logan teve um “olhar tão frances” através da camera e de sua direção, da mesma forma como Demy teve um “olhar extremamente Americano” no seu filme…

Ambos filmes práticamente “esquecidos” hoje em dia… Mesmo assim quero colocar aqui dois (tres na verdade) curtos videos destes dois trabalhos, pedindo que comparem o olhar frances de um diretor Americano ao olhar Americano do diretor frances quando tratando o mesmo tema… Amor frustrado... Muito interessante…


“Fanny” surpreende pelo desempenho (e beleza) de Leslie Caron, numa fase muito “atriz”, vinda do precioso filme ingles “The doctor’s dilemma” (1958) e indo para o aclamadíssimo “The L-shaped room” (1962) no qual não só ganharia um troféu da BAFTA (British Academy of Fim and Television Arts), como melhor atriz, como também seria nominada para um merecido Oscar…


Uma cena que me fascina... Marseille, Notre Dame de la Garde, as vendedoras de peixe no porto vistas pelos olhos de Josh Logan... (Perdoem-me, foi impossível fazer um upload desta maravilhosa cena entre - as atrizes - mãe e filha em ingles, idioma original do filme...)



E aqui algumas outras cenas, em original... um filme tão precioso... uma jóia esquecida!



“Les parapluies de Cherbourg” é talvez hoje só lembrado pela (lacrimogenica) música de Michel Legrand e por ter sido um dos primeiros filmes (o terceiro na verdade) de Catherine Deneuve.

Apesar da primeira parte do filme (que é na íntegra cantado) agradar muito, principalmente pelo seu uso de cores (muitas delas quentes), ele perde em “ritmo” na sua segunda parte e tende a tornar-se muito “piegas” pelo tratamento que dá à gravidez indesejada de Geneviéve (Deneuve).


Aqui a cena final do filme, no posto de gasolina "americano", com uma árvore de natal "americana" e com o penteado "americano" de Catherine: Amor frustrado, incapacidade de expressar-se, dois estranhos sem saber o que dizer... triste momento porém muito verdadeiro.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Tempos de emoção: The final Take... Thanks, George!

"Love Walked In" é uma canção de George e Ira Gershwin composta em 1930…


Ira, escreveu a letra sómente em 1937, para o musical de 1938 “The Goldwyn Follies”, filme “esquecível”, não tivesse duas obras-primas musicais, que contava com a participação de Vera Zorina, na época esposa de George Balanchine, o boneco Charlie MacCarthy que era o objeto do ventriloquista Edgar Bergen – pai da famosa Candice Bergen.


…e as maravilhosas “Goldwyn Girls”, que durante os anos de sua existencia como “coro fixo” para Goldwyn incluíram nomes (que na, cinematográfica, mas pura tradição “Zeigfeldiana”, iam e vinham) como Lucille Ball, Virginia Bruce, Paulette Goddard, Betty Grable, Virginia Grey, Virginia Mayo, Marjorie Reynolds, Ann Sothern e Jane Wyman.

“Love walked in” foi instrumento de muita veneração para muitos cantores e “Band-leaders”. De Bing Crosby à Ella Fitzgerald, de Dinah Shore à incrível Maureen MacGovern, de Sarah Vaughan a Louis Armstrong, de Artie Shaw a Tommy Dorsey…


Hoje, para encerrar a série “Tempos de emoção”, o início da parte final de “ ‘s wonderful” com todo o cast (Maureen MacGovern, Greg Burgge, Madeline Kahn, Julia Migenes, Leonard Bernstein, Christopher Walken – só para citar alguns), que nos presenteia com toda a emoção de uma maravilhosa homenagem aos 50 anos de morte de George Gershwin.



“Love is here to stay”,
o último trabalho conjunto de George e Ira Gershwin, foi também composto para “The Goldywn Follies”. George terminou a música para morrer logo depois. Seu irmão, Ira, escreveu a letra póstumamente o que deu um toque de tristeza e de extrema eternidade a esta canção… Diz "a lenda" que Oscar Levant, grande pianista e amigo pessoal ds Gershwin desde a infancia, terminou a parte musical pois George não a teria terminado...


Originalmente chamada “Our love is here to stay” ela foi patenteada como “Love is here to stay”. Ira pensou durante anos em mudar seu nome de volta mas acabou desistindo pois a canção já tinha transformado-se num Standard do “American Songbook”.

O mais ironico de tudo isso é que para nós a canção é hoje conhecida como “Our Love is here to stay”, como no seu título original.


Eternizada por Gene Kelly e Leslie Caron às margens do Sena em “An american in Paris” (1951) e por muitos outros intérpretes, ela é composta de profunda, direta sentimentalidade:
Musicalmente uma obra-prima sincera, sensível , de extrema simplicidade, ela contém um dos textos mais inspirados e ricos de Ira Gershwin…

It's very clear
Our love is here to stay ;
Not for a year
But ever and a day.

The radio and the telephone
And the movies that we know
May just be passing fancies,
And in time may go !

But, oh my dear,
Our love is here to stay.
Together we're
Going a long, long way

In time the Rockies may crumble,
Gibraltar may tumble,
There're only made of clay,
But our love is here to stay.


Aqui, o fabuloso Bobby Short num (também inspirado) momento em “ ‘s wonderful”, Show de 1987 do qual já mostrei várias partes aqui…

Porém…

…antes de acabar, gostaria de citar algumas palavras de George, que não costumava fazer grandes “statements” sobre seu trabalho – já que sua verdadeira linguagem era a música:

"True music … must reflect the thought and aspirations of the people and time. My people are Americans. My time is today."

Nos resta sómente dizer a George um “Obrigado” por todas estas maravilhas, todos estes “Tempos de emoção", que compos durante sua tão curta vida.


Não houvesse voce existido, que profunda falta sua música faria em nossas vidas, em nossas existencias.

Voce É fundamental e essencial!

Do fundo do coração, George: Our love is here to stay!


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Uma canção de amor: It all depends on you

“It all depends on you” foi cantada centenas de vezes, desde ter sido composta em 1926 por Brown/DeSylva/Henderson.

Redescobri uma linda gravação desta música no filme “Love me or leave me” (MGM 1955) no qual ela foi usada como veículo para enquadrar o início da carreira de Ruth Etting (Doris Day, num ótimo desempenho dramático!).

Quanto mais a ouço, mais aprecio a simplicidade de Doris Day ao cantá-la…


Interpretação daquelas que gosto… e muito: sem floriados, nada rebuscada, suave, simples…

A canção é a verdadeira estrela…

E a voz de Doris só um instrumento, como o piano que a acompanha (maravilhoso pianinho por sinal… ), que transporta a música no seu essencial, com sua dicção perfeita, inigualável…

Meu pai uma vez me chamou à atenção este detalhe : voces já repararam como se compreende perfeitamente toda e qualquer sílaba que Doris canta?

It all depends on you
: mesmo que trate-se duma daquelas “canções de vítima dependente” que abomino (nas quais a mulher é a sofredora, a clássica “vítima” do amor infeliz e “dependente” de um homem!) tiro o chapéu para Doris… Bravo!

Belíssima interpretação!

I can be happy, I can be sad
I can be good or I can be bad
It all depends on you

I can be lonely out in a crowd
I can be humble or I can be proud
It all depends on you




I can save money or spend it
Go right on living or end it
You're to blame, honey, for what I do

I can be beggar, I can be king
I can be almost any old thing
It all depends on you


e, "de lambuja", quem sabe uma gravação na qual não necessitamos nos preocupar com a imagem... só com a voz e o piano... got it?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Tonight at 8:30

Relendo „Tonight at 8:30“ de Noël Coward, voltei a ficar encantado com o conceito usado e com o árduo exercício teatral que ele compos e impos para Gertrude Lawrence e para si próprio… Incrível!


“Tonight at 8:30” é uma série de dez peças de um só ato (muitas delas com várias cenas) escritas em 1935. Dramas, comédias, até uma comédia musicada etc. que eram apresentadas de tres em tres todas as noites, primeiro no West End, depois em 1936 na Broadway (Na realidade o publico só descobria quais peças iria assistir quando já estava dentro do teatro!). A partir deste momento um fato foi definitivamente constatado: O público queria ver Gertie e Noël juntos no palco...

Hoje em dia seria muito trabalhoso ter-se num teatro dez cenários distintos, dez guarda-roupas completos diferentes, música orquestrada em algumas noites sim, em outras não e acima de tudo: dois atores que “dessem conta” de fio a pavio de dez diferentes personagens variados… dominando a escala de comédias romanticas à musicais, de dramas à peças de caráter mais realista… e tudo isso ao sabor das linhas extremamente ironicas e inteligentes de Coward, que exigem uma precisão milimétrica dos atores…


Noël, genio do teatro e cinema ingleses, rapaz de família de trabalhadores rudes e muito pobres que foi literalmente adotado pela “Upper Crust” Londrina em tenra juventude e que assimilou muito bem a maneira de pensar e agir dela ("I'll go through life either first class or third, but never in second")

E GertieOh, Gertie! (que havia debutado na Broadway em 1924 e que em 1925 conquistou definitivamente o mundo em "Oh, Kay!" cantando "Someone to watch over me" de Gershwin - que épocas!).

Gertie em 1928 uando e abusando do seu (realmente) inimitável "chic".

Muitos contaram que, em seus dias, existiram mulheres muito mais bonitas, melhores atrizes, melhores cantoras, melhores dançarinas do que ela mas a combinação de seus talentos e extremos, fascinante charme foi o que tranformou Gertrude Lawrence no epítome do glamour e do «chic» de seus dias. Muitos dizem que ela simbolizava completamente o termo „Star“.

Gertie & Noël foram amigos de toda uma vida… desde a infancia até sua trágica morte quando foi afastada em 1952 do elenco de “The King and I” (ela descobriu Yul Brinner) na Broadway para morrer sómente dias depois.
Cancer.

Noël escreveu um comovente e emocionado «Obituário» para o Times
Uma época de muito “chic” havia terminado para sempre e o início desde mundo no qual habitamos, mundo desta incansável jornada rumo à vulgaridade, começou… Coincidencia?

Aqui, algumas fotos de algumas das peças de „Tonight at 8:30“.

„Family Album“

Ensaiando „Red Peppers“

„Red Peppers“

„Shadow Play“

mais uma de “Shadow Play” (magnífica, por sinal!)

“Ways and Means”

e, minha predileta, a biruta, aloprada “We were dancing”.

Para finalizar esta Tertúlia seria mais que perfeito colocar aqui a cena inicial de "We were dancing" (na qual ela entra em cena num estado de extase, jurando amor eterno, beijando, acariciando, fazendo amor com um jovem, lindo rapaz... para ser interrompida por um homem que pigarra e a chama pelo nome. Ela se afasta do rapaz e pergunta "Qual é seu nome?" para logo completar bem "as a matter of fact": "Querido, este é meu marido.")

Infelizmente só encontrei cenas destes lindos trabalhos de Coward com Joan Collins (Ave-Maria!!! Of all people!!!!). Seria dar um banho de vulgaridade e maquiagem à memória deste charme de pessoa que se chamou Gertrude Lawrence.

Mas existem ainda gravações de suas músicas... que juntas às imagens que youtube nos proporciona, darão a voces certamente uma idéia do que Gertie simbolizou nos seus dias... como, por exemplo "Someone to watch over me" que ouvimos aqui juntos, há poucas semanas numa Gala para Gershwin. Bem; técnicas e tempos mudaram, mas elegancia ainda é "a state of mind".

Enjoy!