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domingo, 17 de janeiro de 2016
Deborah Kerr: our love Affair (An Affair to remember, 1957)
Um eterno e lindo filme – por mais „schmalzy“ que seja – para nos fazer chorar de emoção... e de felicidade!
Sempre amei e sempre amarei Deborah Kerr.
Para mim ela simboliza a dignidade, a classe de muitas „britanicas“ (ela era escocesa) com seu maravilhoso porte, sua pele branca e uma elegancia discreta, quase em “understatement”…
Breeding… good breeding… very good indeed.
E tudo isto além de ser uma fortaleza, em relação ao seu trabalho, atrás desta fachada de “english rose”.
Já nao se "produzem" Ladies como essa... "saíram de moda"!
E que orgulhoso sou, neste caso, de ser démodé!
Como alguém disse um dia, sábiamente: ela possui “aquela qualidade” que nos faz entender porque “eles” (os britanicos) ganharam a Guerra.
Obrigado Miss Kerr por esta maravilhosa cena, que é, mais uma vez, mais do que bem-vinda nesta fase de minha vida - uma que está cheia de amor.
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
"Our love affair" (1957)
Será que alguém ainda se lembra deste esquecido filme que nos fez chorar e soluçar de tanta emoção numa época em que tudo, e talvez nós também, éramos mais "naïve", profundamente mais impressionáveis e definitivamente muito mais puros? Penso em épocas nas quais a palavra "terrorismo" ainda era inexistente...
Que épocas...
Reassistindo nos últimos tres dias uma antiga série inglesa chamada “A woman of substance” na qual a querida Deborah Kerr tem um dos papéis principais, fiquei pensando sobre esta “english rose” (na realidade nascida na Escócia) que nos fascinou durante décadas numa grande diversidade de papéis…
Esta “classe” nata parece ter desaparecido das telas. Ela não mais existe. Saudades destas «Ladies» do cinema, principalmente destas «english roses»: gentis, delicadas, de bom gosto, simples, discretas mas fortes como aço quando necessário. Sim... com aquela qualidade - que alguém colocou tão bem em palavras – que nos faz entender «o porque deles terem vencido a guerra». Saudades destas atrizes...
Vou dedicar minhas próximas semanas aos filmes de Kerr que já há muito não assisto… Começarei talvez hoje mesmo com “Narcisso Negro”.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
REMEMBERING: Bing & Grace - TRUE LOVE...
Ahhh… Vozes…
Desde que, há algumas semanas, „redescobri“ Richard Burton cantando em “Camelot”, tenho me ocupado com estas “vozes“ que povoam a memória da minha infancia e que, de certa forma, ainda povoam minha vida – ou voces acham que eu não aproveito a ida e e volta do trabalho todos os dias para reescutar no carro músicas e vozes que há muito tempo não ouço e desta forma “relaxar”? Tenho a "obrigação" comigo de fazer o máximo para que a vida ao meu redor seja bonita...


O último filme de Grace Kelly em Hollywood foi „High Society“ (MGM, 1956).
Uma deliciosa comédia, que porém não pode ser comparada à maestria do original “The Philadelphia Story” (MGM, 1940).
Este, dirigido pelo magnífico George Cukor e com os talentosíssimos Katharine Hepburn, Cary Grant e Jimmy Stewart nos papéis que vieram ser interpretados (inclusive musicalmente pois o original não era um musical) pela própria Grace, Bing Crosby e Frank Sinatra.


Na versão de 1956, Grace e Bing, interpretam a eterna “True Love”. Música inesquecível, Cole Porter "at his very best", romantica, de uma melodia apaixonante, de um texto simples e – exatamente por este motivo – universal. Quem conhece o amor o compreende perfeitamente…
Texto daqueles que “nos levam numa viagem” (Penso em Tanja Blixen e sua descricao de um “Traveller of Mind”).
Poderia existir filmagem mais apropriada para este amor, para este verdadeiro amor do que esta “viagem” na qual ela vivencia o passado, ainda existente?
Linda a metáfora: eles deslizando pela vida, sendo levados pelo amor verdadeiro (que é também o nome do barco!).


Numa entrevista dos anos 70 Grace Kelly conta (quando já era Gracia Patricia do Monaco) que um dos premios pelo qual ela mais orgulho nutria era um disco de ouro que recebeu por sua interpretação ao lado de Bing Crosby, pois, ao contrário da lenda, ela mesmo cantou!
Também confessa ter tido “algumas aulinhas” de canto de sua carreira e de muito ter-se admirado ao receber tal premio pelo seus poucos segundos na tela cantando, por sua inexperiencia e “pequena voz”. Na minha opinião acho que ela muito se subestima: sua “segunda voz” é encantadora, de agradável sonoridade e de afinação precisa… Além do fato dela merecer o premio só pelo fato de - como "não-cantora" - ter tido a coragem de cantar com Bing... uma das maiores vozes da história!
Espero que voces desfrutem desta canção de amor e a compreendam assim como eu.
Sim, acreditem-me. É o que mais vale na vida: True Love…

Sun-tanned, Wind-blown
Honeymooners at last alone.
Feeling far above par.
Oh, how lucky we are!
While I give to you and you give to me,
True love, true love.
So on and on it'll always be,
True love, true love.
For you and I
Have a guardian angel on high,
With nothin' to do.
But to give to you and to give to me,
Love forever true.
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
REMEMBERING: Frances Farmer (ou Frances, Hollywood, Lúcifer e o Inferno: de „Aura Lee“ a „Love me Tender“)
Uma das personalidades cinematográficas que mais me intriga até hoje é Frances Farmer (1913 – 1970).
Foi difícil escolher Frances como tema. Mais ainda fazer um relato sobre ela. Tanto já foi escrito, dito, interpretado sobre ela. E de certa forma é quase impossível encontrar material „neutro“ sobre sua vida. A maioria é influenciada por Hollywood e transforma-a numa espécie de Lúcifer cinematográfico, um anjo caído das grandes produções. Sua própria auto-biografia é de um „tom“ meio extra-terrestre. Lê-se nas entrelinhas que uma pessoa já não mais muito „normal“ (bem, o que é na realidade normal?) escreveu-a. E como poderia depois de todas as „surpresas“ que a vida lhe trouxe?
Muitos talvez ouviram seu nome, outros assistitam o filme que foi feito nos anos 80 sobre sua vida. Poucos ainda se lembram de sua imagem nas telas (minha mãe confessou lembrar-se bem do „nome“ Frances Farmer). Na realidade sua trajetória pelo cinema americano foi curta (1936-42) e foi, por motivos que leremos abaixo, práticamente „apagada“ da história. Não fosse pelo filme de 1936 (dirigido por Howard Hawks e William Wyler) que lançou-a ao estrelato (e no qual foi comparada pela crítica à uma „nova Garbo“), „Come and get it“, práticamente não teríamos um testemunho deste imenso talento.
Pergunto-me se algum dia seram redescobertos/relançados em DVD seus filmes com atores e partners famosos como Bing Crosby, Tyrone Power, John Hall, John Barrymore, Ray Milland, Fred MacMurray e Cary Grant (foto abaixo).
Mas Frances não é bem-vinda na memória de Hollywood: a história desesperada de Frances não é realmente uma que enfoque Hollywood pelo seu melhor e mais humano lado. Na opinião de muitos ela „traiu“ Hollywood ao, de certa forma, ter possibilitado uma visão mais „profunda“ sobre a fábrica de sonhos. Mas ela não foi a culpada, ela foi a vítima.
Frances havia sido descoberta pela Paramount em 1935. Foi muito bem sucedida nos seus primeiros anos no cinema mas sua incansável recusa em deixar-se fotografar em maillot (algumas indesejadas fotos existem) no que se chamaria „cheese cake“,
seu desejo de fazer teatro (Ela foi uma época para N.Y. onde trabalhou no sucesso „Golden Boy“ e tornou-se amante do autor, Clifford Odetts, que era na época casado com Luise Rainer)
e seus boicotes contra a Paramount logo a transformaram em „persona non grata“ no estúdio. Quando voltou, obrigada pelos advogados da Paramount, de N.Y., foi relegada à papeis secundários em produções „B“ como uma espécie de castigo.
Frances Elena Farmer, uma mulher inteligente e altamente crítica, incomodava Hollywood com seu jeito de ser e pensar. Acho que de certa forma até hoje incomoda já que não foi possível eliminar completamente todos os vestígios de sua existencia. Sua recusa a „cooperar“ (e a leve surra, ou tapa, que deu numa cabelereira durante a filmagem de „No escape“) transformaram-a num „outcast“ na Mecca do cinema. Ela foi presa por agressão física à cabelereira acima mencionada. Ela estava completamente bebada num quarto do "Knickerbocker Hotel", lugar decadente para o qual foi "mandada" quando o estúdio tomou-lhe a casa onde morava.
Sua fulminante e assustadoramente rápida caída em direção ao inferno havia começado
(Nota: Quando chegou à chefatura de polícia perguntaram-lhe seu nome, ela respondeu: „Voces arrombam meu quarto de hotel, me trazem para aqui à força no meio da noite e não sabem o meu nome?“. Em seguida perguntaram-lhe sua profissão. Ela ponderou por um curto instante e disse seca- e desafiadoramente: „Cocksucker“).
Que „coincidencia“ que repórters e cameras à esperavam na chefatura para retratar um grande escandalo.
Mas o tapa dado na cabelereira durante as filmagens da produção B „No Escape“ seria muito mais fatal do que um processo por uma pura agressão física.
Paramount, Hollywood (e, detalhe, sua mãe) usaram o „famoso“ tapa para „tirá-la de circulação“ durante algum tempo. Sendo porém a razão principal sua ideologia política. Frances era comunista e muito radical em suas idéias, o que nada agradava os chefes do estúdio.
Ela foi colocada num hospício. Primeiro em boas instituições mas com o passar do tempo e à medida que SEU dinheiro foi acabando (Hollywood não lhe oferecia papéis), sua mãe foi obrigada a colocá-la num manicomio do estado. Nestas instituições ela passou os próximos 11 anos de sua vida. É até cogitado que ela foi um dos primeiros pacientes a sofrer uma „Lobotomia“ (operação já há muitos anos proibida).
Sim, o inferno tinha definitivamente aberto suas portas para Lúcifer.
Frances não era de nenhuma forma „louca“; era uma „angry woman“ que tudo questionava, uma mulher angustiada que tinha encontrado a tequilla como substituta ao amor, como ombro para chorar suas mágoas. Uma vez ela pode ir para casa. Quando disse à sua mãe que jamais voltaria a Hollywood e que não mais queria ser atriz, foi mais uma vez internada. Foi considerada louca por recusar Hollywood.
O filme com Jessica Lange (abaixo) sobre sua vida („Frances“, 1982) é um ótimo trabalho. Principalmente por só contar com um „trunfo“ nas suas mãos: Um bom diretor com bons atores.
Ele é porém, apesar de ser MUITO forte, quase um „conto de fadas“ em comparação aos fatos de sua auto-biografia „Will there really be a morning?“ que conta sua luta para sobreviver aos maltratos, humilhações e sofrimentos num manicomio (isto sem contar os estrupos quase diários. Sim, ela era „vendida“ pelo "staff" para soldados por ser uma „Hollywood Star“ e para se afastar, pelo menos em espírito da sórdida situação, recitava em voz alta as poesias de Walt Withman enquanto era estrupada, muitas vezes por vários soldados em questão de uma hora).
Nos anos 50 ela saiu finalmente do manicomio: Frances viveu o resto de sua vida práticamente bebada, nunca tendo „resolvido“ seus 11 anos nos manicomios (Alguém se admira?). Ela fez durante anos um programa de TV em Indianapolis durante o dia (durante as noites ela bebia) e tentou até, sem sucesso, voltar ao cinema. Ela, que tinha crescido odiando Deus (vejam minha postagem de 03.06.2009 na qual traduzi um trabalho seu ainda durante sua época de estudante), acabou sua vida como uma fervorosa católica (!?).
Nossa!!!! Como me distanciei do caminho que estava „traçado“ para esta postagem. Comecei a „tertuliar“ comigo mesmo e uma coisa leva à outra…
O título desta postagem de certa forma „revela“ o que queria contar: „Aura Lee“ (ou às vezes „Lea“), uma canção original da Guerra Civil americana, foi interpretada por Frances em „Come and get it“ em 1936. Seu personagem, a mulher „com um passado“, Lotta Morgan canta-a num Saloon. Lotta, um dos personagens que Frances interpreta neste filme (ela também é a outra „Lotta“, a filha de Lotta Morgan) não é como as estereotipadas „mulheres da vida“ da época (Pensem em Mae West) mas sim uma mulher de voz grave, olhar intenso e de carne e osso. Detalhe: estamos falando de 1937!
A fotografia é um ponto fascinante desta produção. Só o efeito à la „venetian Blind“ que a sombra do parasol (ou sombrinha?) causa sobre seu rosto, já é em si magnífico. Técnica artesanal no cinema. Sim, deste material é que se criava estrelas.
A música virou realmente um sucesso só 20 anos depois, com outro texto e cantada por Elvis. Voces reconhecerão!
Aqui, Ladies and Gentlemen, uma bela e talentosa atriz: a esquecida Frances Farmer.
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REMEMBERING
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
As loucas e geniais inventividades de Marlene Dietrich
Nao é à toa que esta mulher transformou-se num mito ainda durante a vida.

Ela transformou-se.
Sim, ninguém mais, ninguém menos do que « Marlene » (o nome com o qual Maria Magdalena praticava sua caligrafia, como descoberto em vários cadernos de escola, como se ela já soubesse no que se transformaria) transformou “Marlene” em "Marlene". Da gordota mãe, nao mais tao jovem para a época, à Lola-Lola, que causou um grande furor (já um pouco mais magra) na época em “O Anjo azul” /Der Blaue Engel, 1930, do austríaco Josef von Sternberg (que transformaria-se numa espécie de seu “Pigmalião”. Bem, ela deixou-o acreditar nisto). Até hoje se comenta que Sternberg colocou "actrizes" mais gordas, mais velhas do que ela no palco para, de certa forma "rejuvenece-la".

Dietrich entendia muito de iluminação (normalmente do alto para realçar mais suas maçãs facias), de guarda-roupas, de Maquiagem, de perucas (foi ela que recomendou a Vivien Leigh, outra perseguida pelo problema da calvície um manufator de perucas em Paris), de trejeitos (como aqueles olhos semi-abertos), de truques (a voz que transformou-se de um soprano “gasguito” numa das vozes mais graves femininas das telas de cinema). Não sabia muito sobre a arte de representar… mas para que ? Ela, em sua concepção “estelar” estava acima disto… Sua filha fala uma coisa muito interessante na seu livro “Meine Mutter Marlene”: ela conta o fato muito abertamente que sua mãe jamais acreditou que iria morrer… e lendas morrem? A lenda bebeu muito café e fumou loucamente para emagrecer... emagrecer...
Aqui tres exemplos (só tres, existem mais!) das loucas inventividades, das geniais loucuras desta mulher que, como contado por Billy Wilder, passava HORAS olhando-se na frente de um espelho… estudando-se… para alcançar efeitos desejados no mundo do celulóide! Claro que uma certa dose de narcisismo contribuiu muito...
Na sua estréia americana ela, logo em sua primeita cena com “Chanteuse” não mostra o que as audiências americanas estavam esperando. As famosas pernas de “Lola-Lola”. Como Amy em « Morocco » (1930) ela aparece de calças compridas, vestida de homem (e ainda dá um beijo na boca de uma figurante).


Em “A Venus Loura” ( The Blonde Venus, 1932) ela teve um outro "acesso de loucura" para o número “Hot Voodoo”. Além de sair de dentro de um gorila, coloca esta cabeleira loura e uma das roupas mais ousadas em termos de loucura/ demencia que o cinema viu até hoje… em frente ao público e com um olhar de extrema arrogancia. Diva. E muito louca.


Também neste filme ela troca, vestida de homem mas desta vez de branco, umas carícias com uma corista no palco! Sempre estas "sugestoes" sexuais, ainda aceitas numa época anterior ao código de censura que logo colocaria Hollywood em panico. Aqui ela com um jovem Cary Grant.

Sua idéia mais incrível nesta época (e descrita em seis páginas de livro) é a busca pelo tecido que teria que ser usado como um véu para seu chapéu em “Shanghai Express” (1932) no qual ela interpreta “Shanghai Lily”, uma prostituta com diálogos do mais absurdos da história do cinema (mas com dois pointes bem interessantes… Ela chama-se na realidade “Magdalen” e fala irresistívelmente “It took more than one man to change my name to Shanghai Lily”:
Depois de semanas buscando uma idéia, um tecido, ela encontrou-o por acaso em cima de uma mesa de uma costureira da Paramount e apesar de só ter uns 30 centímetros dele, ela soube: este seria perfeito! É! Levou-o e costurou ela mesma o véu em sua boina/chapéu… E como eu disse… seis páginas de livro para descrever esta busca, este problema… como eu adoraria se meus problemas fossem assim, tao fáceis... (tenho que rir… sorry!).
Mas olhem o efeito… Dietrich, the self-made Goddess… Ela sabia o que estava fazendo. Gosto destas pessoas com "visoes" claras, objetivas sobre si mesmas. Acho que jamais teria-me encontrado com Dietrich para um chá, para bater papo (como teria adorada com Gladys Cooper, Estelle Winwood... ou ficar sentado na cozinha de Montserrat Caballé por horas se ela cozinhasse uma boa paella... quem sabe um dia...), mas admiro este seu "feeling" única- e exclusivamente visual... Nisto ela era simplesmente genial!


Eu visitei seu túmulo em Berlim. Pois é, lá está Maria Magdalena Sieber enterrada entre uma Frau Müller e uns Senhores Mayer da vida… O mito, a lenda… como se não acabássemos todos iguais…

Ela transformou-se.
Sim, ninguém mais, ninguém menos do que « Marlene » (o nome com o qual Maria Magdalena praticava sua caligrafia, como descoberto em vários cadernos de escola, como se ela já soubesse no que se transformaria) transformou “Marlene” em "Marlene". Da gordota mãe, nao mais tao jovem para a época, à Lola-Lola, que causou um grande furor (já um pouco mais magra) na época em “O Anjo azul” /Der Blaue Engel, 1930, do austríaco Josef von Sternberg (que transformaria-se numa espécie de seu “Pigmalião”. Bem, ela deixou-o acreditar nisto). Até hoje se comenta que Sternberg colocou "actrizes" mais gordas, mais velhas do que ela no palco para, de certa forma "rejuvenece-la".

Dietrich entendia muito de iluminação (normalmente do alto para realçar mais suas maçãs facias), de guarda-roupas, de Maquiagem, de perucas (foi ela que recomendou a Vivien Leigh, outra perseguida pelo problema da calvície um manufator de perucas em Paris), de trejeitos (como aqueles olhos semi-abertos), de truques (a voz que transformou-se de um soprano “gasguito” numa das vozes mais graves femininas das telas de cinema). Não sabia muito sobre a arte de representar… mas para que ? Ela, em sua concepção “estelar” estava acima disto… Sua filha fala uma coisa muito interessante na seu livro “Meine Mutter Marlene”: ela conta o fato muito abertamente que sua mãe jamais acreditou que iria morrer… e lendas morrem? A lenda bebeu muito café e fumou loucamente para emagrecer... emagrecer...
Aqui tres exemplos (só tres, existem mais!) das loucas inventividades, das geniais loucuras desta mulher que, como contado por Billy Wilder, passava HORAS olhando-se na frente de um espelho… estudando-se… para alcançar efeitos desejados no mundo do celulóide! Claro que uma certa dose de narcisismo contribuiu muito...
Na sua estréia americana ela, logo em sua primeita cena com “Chanteuse” não mostra o que as audiências americanas estavam esperando. As famosas pernas de “Lola-Lola”. Como Amy em « Morocco » (1930) ela aparece de calças compridas, vestida de homem (e ainda dá um beijo na boca de uma figurante).


Em “A Venus Loura” ( The Blonde Venus, 1932) ela teve um outro "acesso de loucura" para o número “Hot Voodoo”. Além de sair de dentro de um gorila, coloca esta cabeleira loura e uma das roupas mais ousadas em termos de loucura/ demencia que o cinema viu até hoje… em frente ao público e com um olhar de extrema arrogancia. Diva. E muito louca.


Também neste filme ela troca, vestida de homem mas desta vez de branco, umas carícias com uma corista no palco! Sempre estas "sugestoes" sexuais, ainda aceitas numa época anterior ao código de censura que logo colocaria Hollywood em panico. Aqui ela com um jovem Cary Grant.

Sua idéia mais incrível nesta época (e descrita em seis páginas de livro) é a busca pelo tecido que teria que ser usado como um véu para seu chapéu em “Shanghai Express” (1932) no qual ela interpreta “Shanghai Lily”, uma prostituta com diálogos do mais absurdos da história do cinema (mas com dois pointes bem interessantes… Ela chama-se na realidade “Magdalen” e fala irresistívelmente “It took more than one man to change my name to Shanghai Lily”:
Depois de semanas buscando uma idéia, um tecido, ela encontrou-o por acaso em cima de uma mesa de uma costureira da Paramount e apesar de só ter uns 30 centímetros dele, ela soube: este seria perfeito! É! Levou-o e costurou ela mesma o véu em sua boina/chapéu… E como eu disse… seis páginas de livro para descrever esta busca, este problema… como eu adoraria se meus problemas fossem assim, tao fáceis... (tenho que rir… sorry!).
Mas olhem o efeito… Dietrich, the self-made Goddess… Ela sabia o que estava fazendo. Gosto destas pessoas com "visoes" claras, objetivas sobre si mesmas. Acho que jamais teria-me encontrado com Dietrich para um chá, para bater papo (como teria adorada com Gladys Cooper, Estelle Winwood... ou ficar sentado na cozinha de Montserrat Caballé por horas se ela cozinhasse uma boa paella... quem sabe um dia...), mas admiro este seu "feeling" única- e exclusivamente visual... Nisto ela era simplesmente genial!


Eu visitei seu túmulo em Berlim. Pois é, lá está Maria Magdalena Sieber enterrada entre uma Frau Müller e uns Senhores Mayer da vida… O mito, a lenda… como se não acabássemos todos iguais…
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008
My fair Lady, the lost pictures...
Como fiquei feliz em reencontrar uma antiquíssima, pequena caixa cheia de recortes e fotos de teatro, cinema... tesouros que comecei a colecionar aos meus 10 anos de idade (é... minha paixao pelo cinema, pelo teatro, pelos musicais comecou muito cedo mesmo... e na época em que todos ouviam Janis Joplin, Pink Floyd, Alice Cooper e Rick Wakeman eu ouvia Fred, Judy, Julie e Cia.). As primeiras que quero publicar sao estas fotos quase esquecidas de My fair Lady (Broadway, 1955/56) e fotos de alguns Sketches do fantástico Cecil Beaton para o palco. Raridades excelentes!
Rex Harrison e Julie Andrews, Professor Higgins e Eliza, Pigmaliao e Galatéa... My fair Lady, uma das mais lindas estórias de amor aonde jamais a palavra amor é pronunciada...
Eliza contando de sua tia que morreu de pneumonia ("So they say, but it is my belief that them done the old woman in!") e antes de dar sua total gafe gritando "Come on Dover, Move your blooming arse!" (Ao seu lado a grande Cathleen Nesbitt, que um ano depois estrelaria com Deborah Kerr e Cary Grant em "Tarde demais para esquecer"/ An affair to remember - vide minha postagem de 30 de junho de 2008 - um filme muito amado no Brasil... Aliás uma postagem que quase nao foi lida... hi hi... pausa para publicidade!)
Rex Harrison e Julie Andrews, Professor Higgins e Eliza, Pigmaliao e Galatéa... My fair Lady, uma das mais lindas estórias de amor aonde jamais a palavra amor é pronunciada...
Eliza contando de sua tia que morreu de pneumonia ("So they say, but it is my belief that them done the old woman in!") e antes de dar sua total gafe gritando "Come on Dover, Move your blooming arse!" (Ao seu lado a grande Cathleen Nesbitt, que um ano depois estrelaria com Deborah Kerr e Cary Grant em "Tarde demais para esquecer"/ An affair to remember - vide minha postagem de 30 de junho de 2008 - um filme muito amado no Brasil... Aliás uma postagem que quase nao foi lida... hi hi... pausa para publicidade!)
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