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sábado, 8 de setembro de 2012

Julie, Audrey: TWO fair ladies... (e um maravilhoso agradecimento, repleto de classe, na noite do "Golden Globe")

My fair Lady... quando se pensa nas duas atrizes que criaram "Eliza" na Broadway e em Hollywood, este título não parece ser mero acaso...

Quando, na Warner em 1963, o projeto “My Fair lady” começou, começou ao mesmo tempo uma das maiores disputas da história do cinema pelo papel de “Eliza”, quase comparável a disputa pelo papel de “Scarlett O’Hara”.


Muitos nomes foram cogitados (inclusive Doris Day, Elizabeth Taylor, Shirley Maclaine…). A criadora do papel na Broadway foi logo tirada desta disputa por ser (nas palavras do próprio Mr. Warner) práticamente desconhecida fora dos U.S.A. e da Inglaterra, por “só ter feito” teatro (“só” Broadway e “West-End”) e televisão, por ser muito baixa, nada fotogenica, por ter um queixo descomunal e um nariz muito longo: Julie Andrews.

Como todos sabemos, a linda Audrey Hepburn recebeu o papel, foi dublada na maioria de suas canções por Marni Nixon (a voz de Natalie Wood em “West Side Story” e a de Deborah Kerr em “The King and I”, entre outras) e recebeu a difícil tarefa de transformar-se em Eliza, papel no qual Andrews foi durante anos, em N.Y. e Londres, elogidíssima!
Trocando em miúdos: "prato feito" para a imprensa... para intrigas... para compará-las...


Julie assinou um contrato com Walt Disney para um outro projeto chamado “Mary Poppins”.
E um dos mais interessantes capítulos da história do cinema começava.
Quando Julie, depois de assinar seu contrato, saiu dos estúdios de Disney, seu carro passou pelas portas da Warner, ela exclamou: “…and have a good day, Mr. Warner!”

Apesar de hoje em dia esquecermos que teria sido impossível para Julie trabalhar nos dois filmes (pois foram filmados na mesma época), parece ainda existir no ar uma certa interpretação de “disputa” entre as duas atrizes. Entre estas duas damas.
Não.
Acho que tudo foi criado pela cruel imprensa.


Quando ambos filmes estreiaram não só Audrey comentou para a imprensa que tinha assitido “Poppins” numa tarde em New York ao lado de Mel Ferrer e ambos estavam mais do que encantados com a atuação de Julie («Julie was simply wonderful»), como a própria Julie teceu grandes elogios para Audrey em "Lady". Quando jornalistas lhe perguntaram sobre a « dublagem » da voz de Audrey ela, como uma dama, respondeu que é uma coisa muito difícil, uma árdua tarefa mas totalmente «OK» se voce sabe dar conta do recado, como era o caso de Audrey, a grande profissional que foi!


Na noite do Golden Globe as duas estavam nominadas como melhores atrizes.

A veterana Audrey e a novata no Cinema, Julie.

Julie recebeu a estátua e, agradecendo, não resistiu à tentação a dar seus agradecimentos para “a man who made a great film and made all this possible for me: Mr. Jack Warner” (o homem que fez tudo isto ser possível par mim: Mr. Jack Warner). Momento sensacional, cheio de humor, sarcasmo e MUITA classe… nata em Julie (imagino também Audrey, outra dama, falando exatamente as mesmas palavras).
O público simplesmente delirou…



Semanas mais tarde, na cerimonia do «Oscar», Julie (nervosa) estava nominada como melhor atriz (Audrey não foi nominada) e concorria com Anne Bancroft, Sophia Loren, Debbie Reynolds e Kim Stanley. Páreo duro. Principalmente se se pensa que seu desempenho foi num filme musical… Bancroft, por exemplo, concorria num papel dificílimo, de uma mulher em alto grau de depressão e panico em «The Pumpkin Eater».
E Kim Stanley… a grande Kim Stanley


Rex Harrison
recebeu o Oscar como melhor ator por seu “Professor Higgins” em “Lady” das mãos de Audrey Hepburn, que desta forma estve presente na cerimonia e mostrou muita classe, apesar de não ter sido nominada no “filme do ano”.

No seu breve discurso ele disse: “Deep Love to TWO fair Ladies, I think…” (“meu profundo amor à DUAS belas damas, acho.. ») e Audrey comentou : “Oh, yes!”.

Que dama…



Julie recebeu o Oscar de melhor atriz e disse, com aquele ar britânico tão seu (que, como alguém uma vez sábiamente disse, nos faz «entender o porque de termos vencido a guerra»):
“You americans are famous for your hospitality, but this is ridiculous”.



Aqui cenas memoráveis destas duas noites… sublinhando porém a classe destas duas «Ladies» que manteram, durante toda esta época na qual a imprensa tentou jogá-las numa terrível intriga de “rivalidade", sua serenidade e, acima de tudo, sua classe!

Ahhh… hoje em dia parece que classe saiu da moda…



P.S. Marni Nixon conseguiu finalmente um papel no Cinema, como uma das freiras em “The Sound of Music” (A Noviça rebelde, 1965). Quando os ensaios começaram, ela estava muito apreensiva sobre a reação de Julie com ela… Assim com o oesto do "cast". A final de contas ela havia dublado Audrey em "Lady"… Como Julie reagiria à isso?

Quando a porta abriu e Julie entrou na sala de ensaios, olhou para Marni, correu em sua direção, abraçou-a e disse:
“Marni Nixon, I am such a great fan of yours!” (“Sou uma grande fã sua!”).

Classe.


domingo, 13 de novembro de 2011

O "Apache": Shirley MacLaine at her very best....


O „Apache“ como descrito na Wikipedia é
“uma dança altamente dramática associada com a cultura de rua e submundo parisiense do início do século XX. A dança é as vezes interpretada como uma violenta discussão entre uma prostituta e seu cafetão… “

Bem, um “combate” para o qual se requer muita disciplina teatral e técnica…

Shirley MacLaine – surpreendente para aqueles que não a conhecem como «bailarina» - dá aqui em “Can Can” (um ótimo porém esquecido filme de Walter Lang de 1960) um show em termos de coragem. Essa “mocinha” de 25 anos não conhece uma palavra: MEDO. Cai no chão, bate, combate, luta, não teme manchas roxas e dá uma maravilhosa performance neste Apache nada comum… ela luta com 4 homens… que danadinha… que maravilhosa!
(Adoro quando Jourdan lhe pergunta se faz isso todas noites e ela lhe responde francamente: "Nao, fechamos aos domingos")


Mesmo que os conhecedores do Ballet possam sorrir ironicamente sobre seu «attitude» e como cai dele na meia ponta… Não importa: Shirley está aqui, mais uma vez fenomenal!

P.S. Ohhh... e a coreografia de Michael Kidd é mais uma vez mais do que excelente... reparem como até o "rabo de cavalo" dela é incluído nela...

domingo, 14 de agosto de 2011

I'm still here... Follies, Sondheim, Carlotta, Postcards, Shirley & Co.

Com o passar dos anos - Thank God - vamos compreendendo melhor certas coisas que, as vezes, até nem julgávamos tão triviais… Eu disse “certas coisas”. Outras não… Palavras que já eram densas tornam-se ainda mais fortes. Isso me aconteceu ouvindo um dias destes ♫ ♪ “I’m still here”! ♪ ♫


Já há alguns anos escrevi sobre o maravilhoso “Follies” de Stephen Sondheim, de como foi inspirado, do fracasso que foi, das atrizes “velhas” que usou… Uma verdadeira obra de arte. Uma obra muito densa de arte.
Vide minha postagem de agosto de 2008... Follies...
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Uma obra bastante incompreendida na época de sua estréia original…Agora “Follies” está de volta à Broadway de novo (com minha querida Bernadette Peters) e eu, que estive em maio em New York ( e perdi Peters em "A little Night Music"), estou aqui em Viena. Um triste caso – nada incomum comigo - de “bad-timing”! Ave.... struz!

♫ ♪ “Ainda estou aqui” (“I'm Still Here”) é mais do que uma canção para parar um show e provocar aplausos (apesar de ter este efeito sobre a platéia). Contada por um personagem (Carlotta) que “esteve lá”, que “viu tudo” e cantada por uma atriz, já não mais tão jovem, que adiciona seus anos reais de “show-business” aos do personagem, ela “mexe” com todos os membros do público… ♪♪ ♫

♪ ♫ Aqueles que “estiveram lá” podem se identificar profundamente com Carlotta e com a constatação que ainda “estão aqui”. Aqueles que ainda são muito jovens podem admirar a coragem e determinação de alguém que viveu e viveu para poder contar – e cantar - esta estória com uma paixão eletrificante! ♫ ♪


♫ ♪ Originalmente escrita para o personagem “Carlotta” (na produção original desempenhada pela deliciosa Yvonne de Carlo, para muitos conhecida “só” como Lilly Munster de “Os Monstros”) esta canção foi reescrita por Sondheim para adaptar-se ao personagem de Shirley MacLaine em “Postcards from the Edge” (1990, baseado no livro escrito em 1987 por Carrie Fischer), aqui interpretando uma des suas melhores amigas, Debbie Reynolds, a verdadeira mãe de Miss Fischer. ♫ ♪


Parece-me porém que com o decorrer dos anos, menos e menos pessoas entendem as referencias do texto – uma decorrencia idiomática e cultural bem comum… Infelizmente… Quem era “Zanuck”? O que é “Stock”? E “Camp” e “true blue Tramp”??? (e este é o texto “fácil”, o que foi reescrito para o filme… o “original” é bem mais complexo… )

Já há alguns anos escrevi sobre o maravilhoso “Follies” de Stephen Sondheim, de como foi inspitrado, do fracasso que foi, das atrizes “velhas” que usou… Uma verdadeira obra de arte. Uma obra muito densa de arte. Uma obra bastante incompreendida na época de sua estréia original…Agora “Follies” está na Broadway de novo com minha querida Bernadette Peters) e eu, que estive em maio em New York, estou aqui em Viena. Um triste caso – nada incomum - de “bad-timing”!


♫ ♪ “Ainda estou aqui” (“I'm Still Here”
) é mais do que uma canção para parar um show e provocar aplausos (apesar de ter este efeito sobre a platéia). Contada por um personagem (Carlotta) que “esteve lá”, que “viu tudo” e cantada por uma atriz, já não mais tão jovem, que adiciona seus anos reais de “show-business” aos do personagem, ela “mexe” com todos os membros do público… E MacLaine aqui, entre nous, está sensacional! ♪♪ ♫


Mesmo assim, para todos aqueles que podem compreender toda a complexidade do contexto, ela vale muito. No meu caso até acho que a compreendo mais e mais a cada dia… Bem, eu também “Ainda estou aqui”… E (como Streisand uma vez disse), uma das coisas positivas em se ficar velho é constatar que se pode sobreviver às decepções da vida...



I`M FEELING TRANSCENDENTAL
AM I HERE?

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Baryshnikov, Giselle, 1977 e um amor descabido...

Eu jamais encontrarei as palavras corretas para sequer tentar descrever Baryshnikov e sua Arte...



Aqui um curto clip de “Giselle” no mesmo ano em que «The turning Point» foi filmado (1977). Notem a exatidão de sua performance comparada à versão filmada (Na qual executa a mesma variação). A princípios pensei que era a mesma cena, filmada de outro angulo, mas depois de reve-la várias vezes posso afirmar com toda certeza que não se trata do mesmo take…

Misha at his best!


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E aqui o Trailer de “The turning Point”, filme de célebre sensibilidade que acaba com o seguinte diálogo entre Dee-Dee (MacLaine) e Emma (Bancroft), comentando sua filha/ afilhada, Amelia. Diálogo que tão bem descreve este amor descabido que um bailarino sente por sua arte...

Dee-Dee: Oh Emma, if only she knew everything we know…
Emma: It wouldn’t matter a damm!

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Shirley MacLaine, her looks, lives and kicks...


MacLaine sempre me fascinou – como atriz, como „maluca“ (não só a “persona kookie” que encarnou nos anos 50 e 60 mas também a escritora de livros sobre reencarnação dos anos 80 e 90…) e como uma beleza singular. Não estou falando de uma beleza do tipo “Garbo”, “Lamarr” ou “Leigh” porém de uma menina que era uma gracinha ! Que carinha…

E mesmo já aos 40 (em tempos nos quais não era “políticamente incorreto” fazer-se reclames para peles - Ave... pagará Shirley em várias vidas por isto?) Shirley sabia que, mesmo não tendo sido uma boa bailarina, tinha umas das pernocas “show-business” mais encantadoras do planeta!!!!! I love this picture!!!!!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

"I love Paris" (ou "Um Ballet sobre o Pecado")

Por causa de minha volta de Paris? Pode ser...

De qualquer forma mais uma vez uma cena de „Can-Can“, continuando a tertúlia de 15.05.2010.
Aqui, sem muitas cerimonias, o Ballet de “I love Paris” ( ou "O Jardim do Eden"), uma pequena “obra-prima” com MacLaine (Eva), Prowse (irresistível como a “Serpente”) e o talentoso Marc Wilder, como Adão, cujo nome nem sequer foi mencionado nos “Credits” do filme!
Lembrando as “sábias” palavras de “Simone Pistache”: Este Ballet prova que o pecado não foi criado em Montmartre, só aperfeiçoado lá!

sábado, 15 de maio de 2010

"Can-Can" (1960): uma dança desenfreiadamente contagiante (mas óbviamente não para Nikita Kruschev!)


„Can-Can“ (1960), um maravilhoso e divertidíssimo musical (Cole Porter) que em 1953 não só fez de Gwen Verdon uma estrela (ela roubou o show de uma cantora chamada “Lilo”) como foi o grande causador do seu longo “love affair” com a Broadway (vide a tertúlia de 23.04.2009).

O personagem de Lilo “La Mome” foi “fundido” com a dançarina (personagem de Verdon) dando vida à “Simone Pistache” (um nome hilário, que adoro), interpretada no filme por Shirley MacLaine (apesar de “Claudine” uma outra bailarina, interpretada por Juliet Prowse, na época a “noiva” de Sinatra, ter sido mantida no Script). Mais um “amálgama” hollywoodiano… do qual Shirley bastante lucrou!

A 20th Century Fox começou a vasta produção em 1959 e as expectativas eram grandes.
Shirley chegava de um grande sucesso chamado “Some came running” (na MGM, de Vincente Minnelli e pelo qual recebeu sua primeira nominação – foram cinco ao total – para um Oscar por sua "primeira prostituta" nas telas – foram mais de cinco!) e lutou para voltar “à forma” para este musical (Na foto abaixo uma visívelmente cansada e esbaforida Shirley - o figurino, de veludo, não era só quentíssimo como também pesadíssimo - recebendo uma visita de seu irmão Warren Beatty e de sua namorada da época: ninguém menos do que uma elegante Joan Collins!).

Mas uma outra visita foi bem mais divulgada e trouxe grande publicidade para o filme: no auge da "guerra fria", o presidente da antiga U.D.S.S.R., Nikita Kruschev não só visitou os U.S.A. (acompanhado de Mme.Kruschev “himself”) como “deu um pulinho” a Hollywood e aos estúdios da Fox.

Neste dia Sinatra fez-se de “Emcee” e cantou para o casal Kruschev (que foi bem acomodado num “camarote”). Eles assistiram alguns ensaios com Jourdan e Chevalier e a “performance” de Shirley e Prowse dançando o endiabrado “Can-Can”, que é o real motivo desta postagem.


Numa entrevista depois, foi perguntado a Kruschev o que achara do “Can-Can”. No jornal do dia seguinte foi publicada sua lacônica e ao mesmo tempo reticente resposta em letras garrafais: "The face of humanity is prettier than its backside". A imprensa perguntou imediatamente a Shirley o que opinava e ela disse espontaneamente (sera que ela é áries como eu?): “Ora, ele está chateado porque estávamos usando calcinhas!”

Nota: Kruschev deve ter nutrido uma extrema antipatia por Shirley… Um ano depois, numa outra visita aos U.S.A., os dois estiveram, por coincidencia, ao mesmo tempo no mesmo restaurante (o famoso “Sardi’s”). Ela tinha acabado de filmar “The Appartment” (Se meu apartamento falasse) de Billy Wilder e se encontrava numa fase muito produtiva como atriz, sendo aclamada pela crítica e pelo público. Kruschev enviou-lhe uma mensagem: “Assisti “The appartment”. Voce melhorou.”

De volta a “Can-Can”:

Além de números maravilhosos e eternos de Cole Porter como “I love Paris”, “C’est Magnifique”, “Montmartre”, “Let’s do it!”, o filme ainda conta com um cast maravilhoso e harmonioso: Sinatra, MacLaine, Louis Jourdan, Chevalier e a incrível Juliet Prowse numa de suas poucas aparições cinematográficas. A direção de Walter Lang é impecável com um “ritmo” gostoso, vezes surpreendente, muito dinamico. Mas a coreografia do mestre Hermes Pan e a execução dos números musicais literalmente “roubaram” o filme e são um grande motivo de sua popularidade até hoje:

- O “Apache”, com esta “garota” de 25 anos (MacLaine), solta, sem medo de cair, de se bater e de se machucar, é hilariante e prende nossa atenção.

- “I love Paris” (o “Ballet” no “Jardim do Eden”) é uma pequena obra prima (Shirley é Eva, Juliet “a Serpente”) – a iluminação é sútilmente fascinante já que as “cores” trazem à tona a “Mood interior” dos personagens (e a “picante descoberta” que estão fazendo por causa da serpente e da Maçã…). Mais sobre este número numa próxima postagem.

- Finalmente o “Can-Can”, o tema título que finaliza o filme (ao contrário de um “Hello Dolly”, com coreografia de outro mestre, Michael Kidd, no qual a canção título é interpretada no meio do filme e faz que nosso interesse diminua a partir deste ponto) que simplesmente vem encontrar todas nossas expectativas e até mais: um número maravilhoso, divertido, dinamico, fervilhante, endiabrado e contagiosamente, desenfreiadamente animado! Contrário à “tradição” do Can-Can, ele “usa” também também bailarinos, o que dá um ar mais universal à Dança, além de criar boas “figuras”. Muito boa idéia!

Nunca vi ou voltei a ver um Can-Can como este! Tenho sempre um certo receio em dar opiniões muito “temporalmente decisivas” , finais mas hoje, não podendo resistir, farei uma exceção: este certamente é o melhor Can-Can que já assisti até hoje! (aumentem um pouco o som...)

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

The Trolley Song - A arte de transformar banalidades em momentos eternos!


Judy Garland conheceu seu futuro marido, o grande diretor Vincente Minelli, durante as filmagens de Meet me in St.Louis („Ainda seremos felizes", MGM 1944 – aliás, uma boa dica para a época do Natal!).
Minelli, num de seus primeiros trabalhos cinematográficos (Ele vinha da direção dos Shows no Radio City Music Hall, onde criava também os cenários e os figurinos e este era seu terceiro filme, seu primeiro em cores) com uma linguagem cinematográfica toda especial, usava angulos até então desconhecidos na „sétima arte“ (vide minha postagem de 14.10.2009).

Seu uso dos cenários era fenomenal e único – os tetos dos aposentos eram vistos (em Hollywood só usados anteriormente em „Citizen Kane“ de Orson Welles), os atores (e a camera) passavam de sala para sala. Enfim, uma linguagem dinamica, cheia de um „Grandeur“ visual, cheia de „visões“, sofisticada e natural ao mesmo tempo.
E „Meet me in St.Louis“ foi só o começo.

Seu uso da cor tornaria-se inesquecível como em „O Pirata“ (MGM, 1948), „An Americam in Paris“ (Sinfonia em Paris, MGM 1951), em „Gigi“ (MGM, 1958), alcançando porém sua melhor e mais densa expressão em „Some came Running“ (1958) durante a cena em que Shirley MacLaine, mais uma vez como uma prostituta, é assassinada enquanto defende Frank Sinatra, num parque de diversões! Uma festa visual que „joga“ com nossos nervos!

Judy contou que uma vez, durante as filmagens de „Meet me…“, a MGM entregou-lhes uma música muito boba sobre um Bonde. Ela e Minelli ficaram desanimadíssimos pensando: „Um Bonde? Um Bonde????? O que vamos fazer com uma canção boba sobre um Bonde? Como transformar uma coisa tão banal como um Bonde em „Cinema“? E logo com estas letras, que não tem o mínimo que ver com a estória, com o roteiro do filme?“

Final da estória – ter talento é realmente uma dádiva:
aqui uma das mais brilhantes cenas musicais deste filme, e talvez da história da grande MGM e do cinema, pela qual Judy e Minelli nutriam um imenso e profundo orgulho! Também não é para menos!

Falando das cores e de como dinamica era sua direção… e sobre uma boba canção sobre um Bonde.
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