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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Fred & Ginger: I'll be hard to handle! (RKO, 1935)

Para ser extremamente franco... só duas palavras...

To be extremely honest... just two words...


QUE MARAVILHA!

HOW MARVELOUS!




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

REMEMBERING: Look for the silver Lining - acordes de esperança?


Existe em Alemão uma expressão que é “Not macht erfinderisch” (A emergencia provoca a criatividade). Gosto disso… desde os “Old-Timers” que ainda são conduzidos pelas ruas de Cuba ao “jeitinho” brasileiro que é de uma criatividade impressionante… Mas não usamos dizer em portugues “emergencia criativa”?


Adoro uma canção de Jerome Kern que sobrevive a difícil prova que o tempo sempre coloca em qualquer obra de arte: “Look for the silver lining”. Ela foi composta em 1919 para um musical que foi um fracasso, chamado “Zip, Goes a Million”.

Só publicada no ano seguinte ela foi reusada num musical de Ziegfeld feito especialmente para Marilyn Miller, “Sally”, que a transformou num popular sucesso!


Talvez por falar de sonhos, fantasias… ou esperanças... talvez... Tento explicar: "silver lining" (na realidade o "forro" prateado) é uma expressão idiomática que significa tanto quanto "um sinal de esperança numa situação difícil, ameaçadora".

Como por exemplo em Every Cloud has a silver lining... Uma versão mais antiga de "Always look on the bright side of life!"

Usada em vários filmes ela deu o nome para um veículo de June Harver na 20th Century Fox em 1949; uma biografia da própria Marilyn Miller, estrela de grande magnitude de Florenz Ziegfeld: „Look for the silver Lining“.

Chat Baker transformou-a num número de Jazz em 1954 e, notávelmente, esta melodia é usada até hoje, como no caso da famosa série da atualidade “Downton Abbey” na qual foi cantada pelos personagens Lady Mary e Matthew Crawley. Infelizmente e por azar a cena se passou no Natal de 1918, ou seja, um ano antes de ter sido composta por Kern…


Talvez sua interpretação mais conhecida seja de Judy Garland, no palco, em “Till the clouds roll by”, biografia bem “livre e criativa” de Kern.


Neste filme ela também aparece como Marilyn Miller e canta não só “Silver Lining” como também a eterna “Who?”.


Judy
insistiu na época que seus numeros fossem dirigidos por seu então marido, Vincente Minnelli. A producão se atrazou um pouco e quando chegou finalmente a hora de se filmar “Silver Lining” a barriguinha de uma grávida Judy já estava mais protuberante do que poderia ser aceito pela MGM (Liza estava a caminho!).


Genialmente Minnelli mudou todo o conceito do número e o baseou 100% na atuação de Marilyn Miller dos anos 20. Estando atrás de uma pia cheia de pratos empilhados Judy não estaria totalmente exposta às cameras….
“A emergencia provoca a criatividade”.


Judy está um “mimo” neste número. Abusando do direito de ser talentosa, sonhadora, emocionada, afinada e fazendo muito amor com a camera que tanto bem lhe queria…


Por "coincidencia" a direção musical deste número, o arranjo em si, foi composto pela fabulosa Kay Thompson - atriz, cantora, bailarina, compositora, arranjadora, vocalizadora, professora - talvez por muitos lembrada só por sua participação em "Funny face" (1957) ao lado de Fred Astaire e Audrey Hepburn e no qual ela recebeu uma distinção única no Cinema: Ela roubou descaradamente uma cena na qual contracenava com Astaire.


Sempre penso em Kay quando ouço a expressão "She's bigger than Life". She was. Quer personalidade!

Amissíssima de Minnelli, tornou-se amiga íntima de Judy, virou madrinha de Liza que levou-a para morar com ela na velhice e que lhe dedicou um show, há poucos anos, no qual "cantarola" emotivamente "Silver Lining"... sim, este "cantarolar" era marca registrada da magnífica Thompson e Judy aqui cantarola triunfantemente! Reparem...


Além disto tudo e de uma longa carreira, Kay ainda criou um dos personagens um dos personagens mais simpáticos da história: Eloise! Mas como eu sempre digo: isto já uma outra estória que ficará reservada para uma futura Tertúlia!


Levantemos a cortina para Judy, sua voz, sua emoção, seu talento!

As I wash my dishes, I'll be following a plan,
Till I see the brightness in ev'ry pot and pan.
I am sure this point of view will ease the daily grind,
So I'll keep repeating in my mind.

Look for the silver lining
When e'er a cloud appears in the blue.
Remember some where the sun is shining,
And so the right thing to do,
Is make it shine for you.



A heart, full of joy and gladness,
Will always banish sadness and strife.
So always look for the silver lining,
And try to find the sunny side of life.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Show Boat & Cabaret: Anna Kendrick & The Kit Kat Girls divinamente decadentes...

Quando Jerome Kern escreveu o eterno „Show Boat“, para mim a maior obra do teatro Musical Americano (que estreiou em 1927 na Broadway), jamais pensou que um dia sua divertida canção “Life upon the wicked stage” (“A vida sobre o palco perverso”) seria um dia apresentada assim…


Originalmente o personagem, Ellie, cantava este leve número para suas fãs, contando as os perigos e as “árduas” tarefas e obrigações de uma jovem na vida artística”… Nas duas primeiras versões cinematográficas de “Showboat” (1929 e 1936) ele foi retirado, na versão de 1951 (MGM) colocado numa outra parte da estória como número “estelar” para Marge & Gower Champion.


Alguns anos antes a MGM filmou “Till the clouds roll by” (1946), uma “bem criativa” biografia de Kern, que começava com o “Opening” de Show-Boat” na Broadway: nesta cena a maravilhosa Virginia O’Brien – que jamais sorriu nas telas – cantou “Wicked Stage”…


Bem... um pouco longe do “feeling” original mas pelo menos a canção não foi esquecida…


Realmente recomendo ver este video com O'Brien para uma "comparação" no final da postagem.



Em 1998, houve um grande acontecimento na Broadway: The leading Ladies, show moderado por Julie Andrews, que apresentava várias das Leading Ladies que naquele ano se apresentavam na Broadway em diversos Shows.



Nesta versão de 1998 Anna Kendrick (na época com uns 12 ou 13 anos) canta o número numa versão “compartida” com as Kit Kat Girls (para quem não se lembra as Kit Kat Girls são as dançarinas de “Cabaret” que depois de dançar exercem uma outra profissão no "Kit Kat Club"), que na produção daquele ano na Broadway estavam mais decadentes do que nunca: sujas, com marcas roxas nos corpos; umas indicando pancadas, outras indicando práticas sexuais mais brutais, roupas rasgadas, arranhões, cabelos despenteados e sujos, axilas não depiladas… Deliciosos horrores. Ótimas bailarinas e atrizes!


No meio delas esta “menininha”, esta criaturinha meiga e pueril, que tem como linhas de entrada:”Mama thinks I’m living in a convent” (A primeira linha da canção de Sally Bowles (“Don’t tell Mama”) em “Cabaret”, que no filme seria substituída por “Bye Bye, mein lieber Herr”, motivo há pouco tempo de uma outra “Tertúlia”.

O resto do número, o único que reúne dois números de diferentes obras, deve ser assistido. Só assim é possível apreciá-lo:
idéia genial e endiabrada.
Inspirada.



P.S. os acordes iniciais e (práticamente) finais (normalmente usados enquanto as bailarinas andam ou movem suas cadeiras… assim como foram usados para Liza no filme, em “Bye Bye, mein lieber Herr”) são extremamente associados aos compositores de “Cabaret”: Kander & Ebb… Um dia destes revendo “Lola Montez” (de Max Ophüls) filme de 1955 (ou seja bem anterior à obra teatral “Cabaret” de 1966) fui confrontado com os mesmos acordes, enquanto Lola anda “pelo circo de sua vida” – mas esta “inspiração” para a dupla Kander & Ebb já uma outra estória…

sábado, 19 de maio de 2012

REMEMBERING: (Remember) “my forgotten Man”... & Joan Blondell…


Muitas vezes já me referi aqui ao que chamo de canções «de vítima». Aquelas canções sobre a mulher eternamente sofredora, dependente de um só homem e fiel a ele mesmo que ele bata nela, a traia com outras e tire seu dinheiro deixando-a com fome… Um dos cúmulos desta série de canções é «My Man», hoje conhecida pela interpretação de Barbra Streisand, mas originária da Broadway na voz de Fanny Brice… e cantada até por Sarita Montiel!!!!


O teatro musical ofereceu ao seu público muitas destas “renditions” como a famosa “Bill” de “Show Boat”, lançada pela problemática Helen Morgan (que na vida real era uma destas “vítimas”) e depois interpretada por Ava Gardner no cinema.
No disco da trilha sonora do filme da Metro voces poderão ouvir a verdadeira voz de Ava – esplendida – que posteriormente foi dublada no filme. Ava, que muito lutou pelo papel da trágica “Julie” havia se dedicado muito à interpretação das canções de Jerome Kern e ficou decepcionadíssima ao descobrir que a Metro havia substituído sua voz… Coisas inexplicáveis do Cinema…


Mas um dia destes me lembrei de uma “canção de vítima” na qual a cantora (e relatadora dos fatos) não é uma vítima de “seu homem”, porém de uma situação social sob a qual seu homem está sendo humilhado… Os soldados que voltam da guerra e não mais encontram seu lugar na sociedade. Nem emprego, nem reconhecimento…


“Remember my forgotten Man” é (incrívelmente) o número final de “Cavadoras de Ouro de 1933” (Gold Diggers of 1933) e, sim, voces estão certos: eu me lembrei deste número pois na postagem passada mencionei as mesmas “Cavadoras” (mas no filme de 1935).


"Remember My Forgotten Man" é cantado por Joan Blondell , bem no genero de Fanny Brice...

O número tem uns sets interessantíssimos, principalmente por que são óbviamente influenciados pelo Expressionismo alemão (coisa particularmente rara na história de Hollywood) evocando óbviamente a triste atmosfera de pobreza e frustração da Era da Depressão (coisa particularmente ainda mais rara nos musicais, que eram exatamente veículos de extremo escapismo nestes anos).

Impressionante a decisão de Darryl Zanuck de colocá-la como número final do filme, deslocando um outro número (ingenuo, leve, escapista…) “Pettin’ in the park” para um outro trecho do filme… Ousadias corajosas… (Gosto de coragem e de “Faro” cinematográfico misturados... Gosto muito... ).


Mas, assistam ao número… e digam-me o que acham…

Depois do video, um pouquinho sobre Joan Blondell, que é, na realidade, motivo para uma outra ”Tertúlia”, mas não resisti…



Nota "Tertuliana": Joan Blondell, grande nome do Cinema dos anos 30 (e na época casada com o “astro”, Dick Powell), “roubou” o filme (inclusive da coadjuvante Ginger Rogers que teve seu principal número – “I’ve got to sing a torch song” - cortado)!

Será que alguém ainda se lembra dela?


Blondell, ao meu ver, hoje em dia totalmente esquecida teve um carreira muito interessante, bastante rica na realidade… mais de 60 filmes, fotos “censuradas” pelo “Hayes-Code” como esta (bem "risquèe"),


E papéis de caráter como em “The opposite sex” ao lado de June Allyson, a segunda esposa de Dick Powelll. Voces a reconhecem entre June Allyson, Joan Collins, Ann Miller, Dolores Gray e Ann Sheridan? Gordinha...


Joan Blondell foi também casada com o produtor Mike Todd, antes deste se apaixonar por Elizabeth Taylor e morrer num trágico desastre aéreo…

Nos anos 70 ela publicou um delicioso livro, que tenho aqui em casa, chamado “Centre Door Fancy”, uma auto-biografia “disfarçada” (pois ela fala de si mesma na terceira pessoa) com detalhes extremamente interessantes, picantes, frustrantes, trágicos e até dolorosos (sem revelar nenhum nome real) de toda uma vida no “Show Business” – do “Vaudeville” a Hollywood. Provou que uma atriz PODE escrever... e como!


Muito recomendável!


Mais sobre Joan brevemente!