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quinta-feira, 6 de junho de 2013

REMEMBERING: Bing & Grace - TRUE LOVE...



Ahhh… Vozes…

Desde que, há algumas semanas, „redescobri“ Richard Burton cantando em “Camelot”, tenho me ocupado com estas “vozes“ que povoam a memória da minha infancia e que, de certa forma, ainda povoam minha vida – ou voces acham que eu não aproveito a ida e e volta do trabalho todos os dias para reescutar no carro músicas e vozes que há muito tempo não ouço e desta forma “relaxar”? Tenho a "obrigação" comigo de fazer o máximo para que a vida ao meu redor seja bonita...



O último filme de Grace Kelly em Hollywood foi „High Society“ (MGM, 1956).

Uma deliciosa comédia, que porém não pode ser comparada à maestria do original “The Philadelphia Story” (MGM, 1940).
Este, dirigido pelo magnífico George Cukor e com os talentosíssimos Katharine Hepburn, Cary Grant e Jimmy Stewart nos papéis que vieram ser interpretados (inclusive musicalmente pois o original não era um musical) pela própria Grace, Bing Crosby e Frank Sinatra.



Na versão de 1956, Grace e Bing, interpretam a eterna “True Love”. Música inesquecível, Cole Porter "at his very best", romantica, de uma melodia apaixonante, de um texto simples e – exatamente por este motivo – universal. Quem conhece o amor o compreende perfeitamente…

Texto daqueles que “nos levam numa viagem” (Penso em Tanja Blixen e sua descricao de um “Traveller of Mind”).
Poderia existir filmagem mais apropriada para este amor, para este verdadeiro amor do que esta “viagem” na qual ela vivencia o passado, ainda existente?

Linda a metáfora: eles deslizando pela vida, sendo levados pelo amor verdadeiro (que é também o nome do barco!).



Numa entrevista dos anos 70 Grace Kelly conta (quando já era Gracia Patricia do Monaco) que um dos premios pelo qual ela mais orgulho nutria era um disco de ouro que recebeu por sua interpretação ao lado de Bing Crosby, pois, ao contrário da lenda, ela mesmo cantou!

Também confessa ter tido “algumas aulinhas” de canto de sua carreira e de muito ter-se admirado ao receber tal premio pelo seus poucos segundos na tela cantando, por sua inexperiencia e “pequena voz”. Na minha opinião acho que ela muito se subestima: sua “segunda voz” é encantadora, de agradável sonoridade e de afinação precisa… Além do fato dela merecer o premio só pelo fato de - como "não-cantora" - ter tido a coragem de cantar com Bing... uma das maiores vozes da história!

Espero que voces desfrutem desta canção de amor e a compreendam assim como eu.
Sim, acreditem-me. É o que mais vale na vida: True Love…



Sun-tanned, Wind-blown
Honeymooners at last alone.
Feeling far above par.
Oh, how lucky we are!

While I give to you and you give to me,
True love, true love.
So on and on it'll always be,
True love, true love.

For you and I
Have a guardian angel on high,
With nothin' to do.
But to give to you and to give to me,
Love forever true.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

301 Park Ave., N.Y., Waldorf=Astoria: não só um belo endereço mas uma jóia do Art-Deco... You're the Top!

Durante minha vida aprendi uma coisa muito importante: to let it go (deixar ir, largar, soltar).

Como posso me expressar mais precisamente? Bem, se algo “se acabou” como, por exemplo, um trabalho, uma amizade, uma fase da vida, um relacionamento... Eu “deixo ir”, sei "soltar".

Let it go…


Mas existem momentos - por que são muito positivos - nos quais é muito difícil "soltar"...

Não consigo no momento “deixar uma boa memória" ir, desaparecer:
a semana que passei em New York há pouco tempo.

Dias repletos de harmonia, de divertimento e até de (como sempre em N.Y. – por mais que um a conheça) descobertas…



Pela primeira vez fiquei hospedado no Waldorf=Astoria (sim, sim, o nome oficial é com um hífen – uma das raríssimas palavras em portugues que terminam com um “n” - este o porque da expressão "Meet me at the hifen").
E um novo mundo de descobertas se abriu para mim.

Além do „grandeur“, ótimo serviço, bom gosto, impecáveis quartos, objetos de arte (que estátuas Art-deco mais maravilhosas no Bar principal) e simpatissíssimo „Staff“, um novo mundo abriu-se para mim, não só em termos de Art-Deco como também de história.



Agradecemos a existencia do Waldorf=Astoria, à uma disputa familiar: William Waldorf-Astor concorreu ao Senado e não conseguiu votos suficientes. Para “vingar-se” não só de parte de sua família (a que não o apoiou) como também dos “Four hundred” de Nova York, ele resolveu mudar-se para a Inglaterra, de lá administrar seus bens e mandou colocar abaixo sua mansão da Quinta Avenida para construir um hotel! Deve-se chamar atenção ao fato de que a Quinta Avenida na altura da 34th Street era a zona mais fina e residencial de Manhattan no final do século XIX. Um hotel era inadmissível, um escandalo na realidade.
O “Waldorf” foi inaugurado em 1893 e tinha 13 andares de altura.



O detalhe mais “sarcástico” dessa estória é o fato de que vizinha à esta propriedade se encontrava a mansão de sua tia, Mrs. Astor, líder da alta sociedade nova-yorkina (mesmo que composta só de novos ricos do "novo-mundo". Sua residencia ficou mais do que oprimida ao lado desse imenso hotel. Mrs Astor mandou construir uma outra mansão “Uptown” e abandonou sua casa e sua famosa sala de bailes (o porque dos “New York-four hundred” é fácilmente explicável: o salão de baile de Mrs. Astor, só acomodava 400 convidados… então a “Upper-crust” ficou resumida à 400 pessoas – quem não era convidado para esses famosos bailes não era “in”) .
Seu filho John Jacob Astor IV colocou a mansão abaixo e construiu, ao lado do Hotel Waldorf, o Hotel Astoria, que abriu suas portas em 1897 e era quatro andares mais alto que o Waldorf.

Os hotéis foram construídos como duas unidades separadas mas o Astoria foi planejado de uma forma que uma “conexão” poderia ser feita na altura do “Peacock-Room”.
“Peacock” é um pavão… e na última década do século XIX, suas plumas estavam en vogue para adornar os chapéus das senhoras. Como a sociedade feminina nova-yorkyna tinha descoberto os “almoços fora”, esta sala vivia cheias de senhoras e, óbviamente, destas plumas (como diria Stephen Sondheim na sua canção: The ladies who lunch…). À elas agradece seu nome. No atual Waldorf=Astoria existe um Peackcock-Room... apesar de chapéus não existirem, quanto menos plumas de pavão... e pouca gente sabe o porque desse nome.



A “disputa” ou “briga familiar” de certa forma acabou; eles esqueceram o assunto e os dois hotéis foram conectados, usando uma única recepção e dando início ao que até hoje conhecemos como “um templo” em questões de hoteleria. Este novo Hotel uniu o nome dos dois hotéis existentes: The Waldorf =Astoria. Na época o maior hotel do mundo, foi o primeiro a promover eventos caritativos, bailes de sociedade (ao qual todo o “who’s who” nova-yorkino comparecia) e a ter “Room-Service”, coisa até então desconhecida!



No final dos anos 20 do século XX a zona “posh” de Manhattan já tinha se mudado ou para “Upper Midtown” ou para “Uptown”. Foi comprada uma grande parcela na Park Avenue entre as 49th e 50Th Street para um novo hotel e o “antigo” Waldof=Astoria foi demolido para dar lugar a um outro marco da skyline de Manhattan: o Empire State Building (que, junto ao Chrysler Building, utiliza, da forma mais bonita que conheço,o uso de mármore em sua portaria. Art-Deco pura.)

O contrato para a construção do “novo” Waldorf=Astoria foi fechado horas antes do “Crash”, da queda da bolsa de 1929. Por pouco não teríamos o que é hoje um grande legado arquitetonico e histórico para N.Y.. O Waldorf=Astoria definitivamente pertence ao patrimonio cultural de N.Y..



As construções do “Waldorf-Astoria”, do “Empire State Building” e de parte do “Rockefeller Center” entre 1929 e 1933 foram grandes fatores de “ajuda” durante os anos da Depressão. Deram emprego a milhares de homens.
Se o Empire State foi construído num tempo “record” (14 meses), os 47 andares do Waldorf-Astoria demoraram um pouco mais .



Este só foi aberto ao público em 1933.



Na época ele transformou-se de novo no maior hotel do mundo (1508 quartos) e tinha um dos Night-Clubs mais interessantes de New York: o “Starlight Roof” (que infelizmente não mais funciona). Localizado no décimo-oitavo do edifício o seu teto era móvel, ou seja, em noites estreladas ou de lua, o teto se abria e os “customers” dançavam ao luar… isn't it romantic?



Aqui se apresentaram muitos nos anos 40 e 50: Frank Sinatra, a grande Rosemary Clooney (a tia de George, para quem não a conhece), Dinah Shore, Lena Horne...



É a “casa longe de casa” do presidente, onde, até hoje na suite presidencial, se encontra a cadeira de balanço de John F. Kennedy (Por falar em legados… Cole Porter e sua esposa, Linda, viveram nas “Towers” de 1934 a 1964. Seu piano, um maravilhoso “Steinway & Sons” está hoje em dia perto do Lobby da Park Ave. Eu o olhei com grande respeito, homenageando-o silenciosamente – Acho que Cole entendeu!)



Vale a pena pesquisar mais sobre a história deste maravilhoso hotel: só a cozinha é do tamanho do quarteirão e produz mais de 14.000 mil "meals" por dia! (O Waldorf=Astoria ocupa todo um quarteirão).

Não só Cole Porter mas também Marilyn Monroe, a colunista Elsa Maxwell (as duas, na próxima foto, na suite de Monroe), Bing Crosby viveram aqui (“Bing” teve que mudar-se das Towers para um andar mais baixo – sofria de medo de Alturas!). Assim como Frank Sinatra (que ficou com a suite 33a – a de Cole & Linda Porter!).



Ginger Rogers, Walter Pidgeon, Lana Turner e Van Johnson trabalharam em “Week-End at the Waldorf” (MGM, 1945), um remake de “Grand Hotel”, filmado on location no hotel!



Reis, rainhas, princípes e princesas – todos se hospedaram aqui. Grace Kelly e Rainier do Monaco celebraram aqui seu noivado.



O Hotel tem uma própria plataforma ferroviária subterranea (que pertence oficialmente à Grand Central Station na rua 42). Esta foi usada, entre outros, por Roosevelt – o elevador é imenso pois foi construído para o carro do presidente.
Todos os presidentes americanos, desde Roosevelt, viveram, quando em N.Y., no Waldorf=Astoria.

O Hotel criou a famosíssima “Waldorf Salad” (imortalizada num verso de “You’re the Top” de Porter: “You’re the Top, you’re a Waldorf salad…”)



E como sou um grande “eater” na hora do “Breakfast” estarei sempre grato ao Waldorf=Astoria pela criação de um dos maiores pecados culinários matinais: Eggs Benedict! God bless!!!!
Como meu pai os amava… Bem, filho de peixe, peixinho é…



Bem, como seja, não estou querendo deixar esses momentos passar… Aqueles momentos quando descia ao Lobby, tendo descansado dos passeios diários e arrumado, perfumado, tomava um Drink – às vezes só um copo de vinho tinto no Bar principal, antes de sair para jantar… Ouvindo os acordes do lindo relógio da Exposição Mundial… e o piano de “Sam” – uma maravilhosa pianista com quem fizemos amizade… Ela tocou para mim não só “Laura” como também “My melancholy Baby”… Ahhh, que vida boa!!! (E o Bartender, Tom, era amigo de Colin Donnel, que muito admirei em “Anything goes” – vide a postagem passada!)



P.S. uma dica: se voce tem alguma conta do Waldorf=Astoria… Se seus pais ou avós passaram a lua de mel lá ou alguém de sua família esteve lá… Não importa o ano: apresentando a conta original, o hotel ficará com a conta para o museu do hotel, mas lhe dará o mesmo preço pago na época…

P.S.2 Meu Lobby predileto: o da Park Ave.



P.S.3 Thanks Cole!

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P.S.4 Obrigado Erich por este lindo presente!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

REMEMBERING: Frances Farmer (ou Frances, Hollywood, Lúcifer e o Inferno: de „Aura Lee“ a „Love me Tender“)



Uma das personalidades cinematográficas que mais me intriga até hoje é Frances Farmer (1913 – 1970).


Foi difícil escolher Frances como tema. Mais ainda fazer um relato sobre ela. Tanto já foi escrito, dito, interpretado sobre ela. E de certa forma é quase impossível encontrar material „neutro“ sobre sua vida. A maioria é influenciada por Hollywood e transforma-a numa espécie de Lúcifer cinematográfico, um anjo caído das grandes produções. Sua própria auto-biografia é de um „tom“ meio extra-terrestre. Lê-se nas entrelinhas que uma pessoa já não mais muito „normal“ (bem, o que é na realidade normal?) escreveu-a. E como poderia depois de todas as „surpresas“ que a vida lhe trouxe?
Muitos talvez ouviram seu nome, outros assistitam o filme que foi feito nos anos 80 sobre sua vida. Poucos ainda se lembram de sua imagem nas telas (minha mãe confessou lembrar-se bem do „nome“ Frances Farmer). Na realidade sua trajetória pelo cinema americano foi curta (1936-42) e foi, por motivos que leremos abaixo, práticamente „apagada“ da história. Não fosse pelo filme de 1936 (dirigido por Howard Hawks e William Wyler) que lançou-a ao estrelato (e no qual foi comparada pela crítica à uma „nova Garbo“), „Come and get it“, práticamente não teríamos um testemunho deste imenso talento.


Pergunto-me se algum dia seram redescobertos/relançados em DVD seus filmes com atores e partners famosos como Bing Crosby, Tyrone Power, John Hall, John Barrymore, Ray Milland, Fred MacMurray e Cary Grant (foto abaixo).
Mas Frances não é bem-vinda na memória de Hollywood: a história desesperada de Frances não é realmente uma que enfoque Hollywood pelo seu melhor e mais humano lado. Na opinião de muitos ela „traiu“ Hollywood ao, de certa forma, ter possibilitado uma visão mais „profunda“ sobre a fábrica de sonhos. Mas ela não foi a culpada, ela foi a vítima.
Frances havia sido descoberta pela Paramount em 1935. Foi muito bem sucedida nos seus primeiros anos no cinema mas sua incansável recusa em deixar-se fotografar em maillot (algumas indesejadas fotos existem) no que se chamaria „cheese cake“,
seu desejo de fazer teatro (Ela foi uma época para N.Y. onde trabalhou no sucesso „Golden Boy“ e tornou-se amante do autor, Clifford Odetts, que era na época casado com Luise Rainer)
e seus boicotes contra a Paramount logo a transformaram em „persona non grata“ no estúdio. Quando voltou, obrigada pelos advogados da Paramount, de N.Y., foi relegada à papeis secundários em produções „B“ como uma espécie de castigo.
Frances Elena Farmer, uma mulher inteligente e altamente crítica, incomodava Hollywood com seu jeito de ser e pensar. Acho que de certa forma até hoje incomoda já que não foi possível eliminar completamente todos os vestígios de sua existencia. Sua recusa a „cooperar“ (e a leve surra, ou tapa, que deu numa cabelereira durante a filmagem de „No escape“) transformaram-a num „outcast“ na Mecca do cinema. Ela foi presa por agressão física à cabelereira acima mencionada. Ela estava completamente bebada num quarto do "Knickerbocker Hotel", lugar decadente para o qual foi "mandada" quando o estúdio tomou-lhe a casa onde morava.

Sua fulminante e assustadoramente rápida caída em direção ao inferno havia começado


(Nota: Quando chegou à chefatura de polícia perguntaram-lhe seu nome, ela respondeu: „Voces arrombam meu quarto de hotel, me trazem para aqui à força no meio da noite e não sabem o meu nome?“. Em seguida perguntaram-lhe sua profissão. Ela ponderou por um curto instante e disse seca- e desafiadoramente: „Cocksucker“).
Que „coincidencia“ que repórters e cameras à esperavam na chefatura para retratar um grande escandalo.

Mas o tapa dado na cabelereira durante as filmagens da produção B „No Escape“ seria muito mais fatal do que um processo por uma pura agressão física.

Paramount, Hollywood (e, detalhe, sua mãe) usaram o „famoso“ tapa para „tirá-la de circulação“ durante algum tempo. Sendo porém a razão principal sua ideologia política. Frances era comunista e muito radical em suas idéias, o que nada agradava os chefes do estúdio.

Ela foi colocada num hospício. Primeiro em boas instituições mas com o passar do tempo e à medida que SEU dinheiro foi acabando (Hollywood não lhe oferecia papéis), sua mãe foi obrigada a colocá-la num manicomio do estado. Nestas instituições ela passou os próximos 11 anos de sua vida. É até cogitado que ela foi um dos primeiros pacientes a sofrer uma „Lobotomia“ (operação já há muitos anos proibida).

Sim, o inferno tinha definitivamente aberto suas portas para Lúcifer.

Frances não era de nenhuma forma „louca“; era uma „angry woman“ que tudo questionava, uma mulher angustiada que tinha encontrado a tequilla como substituta ao amor, como ombro para chorar suas mágoas. Uma vez ela pode ir para casa. Quando disse à sua mãe que jamais voltaria a Hollywood e que não mais queria ser atriz, foi mais uma vez internada. Foi considerada louca por recusar Hollywood.

O filme com Jessica Lange (abaixo) sobre sua vida („Frances“, 1982) é um ótimo trabalho. Principalmente por só contar com um „trunfo“ nas suas mãos: Um bom diretor com bons atores.


Ele é porém, apesar de ser MUITO forte, quase um „conto de fadas“ em comparação aos fatos de sua auto-biografia „Will there really be a morning?“ que conta sua luta para sobreviver aos maltratos, humilhações e sofrimentos num manicomio (isto sem contar os estrupos quase diários. Sim, ela era „vendida“ pelo "staff" para soldados por ser uma „Hollywood Star“ e para se afastar, pelo menos em espírito da sórdida situação, recitava em voz alta as poesias de Walt Withman enquanto era estrupada, muitas vezes por vários soldados em questão de uma hora).

Nos anos 50 ela saiu finalmente do manicomio: Frances viveu o resto de sua vida práticamente bebada, nunca tendo „resolvido“ seus 11 anos nos manicomios (Alguém se admira?). Ela fez durante anos um programa de TV em Indianapolis durante o dia (durante as noites ela bebia) e tentou até, sem sucesso, voltar ao cinema. Ela, que tinha crescido odiando Deus (vejam minha postagem de 03.06.2009 na qual traduzi um trabalho seu ainda durante sua época de estudante), acabou sua vida como uma fervorosa católica (!?).
Nossa!!!! Como me distanciei do caminho que estava „traçado“ para esta postagem. Comecei a „tertuliar“ comigo mesmo e uma coisa leva à outra…
O título desta postagem de certa forma „revela“ o que queria contar: „Aura Lee“ (ou às vezes „Lea“), uma canção original da Guerra Civil americana, foi interpretada por Frances em „Come and get it“ em 1936. Seu personagem, a mulher „com um passado“, Lotta Morgan canta-a num Saloon. Lotta, um dos personagens que Frances interpreta neste filme (ela também é a outra „Lotta“, a filha de Lotta Morgan) não é como as estereotipadas „mulheres da vida“ da época (Pensem em Mae West) mas sim uma mulher de voz grave, olhar intenso e de carne e osso. Detalhe: estamos falando de 1937!
A fotografia é um ponto fascinante desta produção. Só o efeito à la „venetian Blind“ que a sombra do parasol (ou sombrinha?) causa sobre seu rosto, já é em si magnífico. Técnica artesanal no cinema. Sim, deste material é que se criava estrelas.
A música virou realmente um sucesso só 20 anos depois, com outro texto e cantada por Elvis. Voces reconhecerão!

Aqui, Ladies and Gentlemen, uma bela e talentosa atriz: a esquecida Frances Farmer.