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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Our love is here to stay...

A última composição do fabuloso George Gershwin não poderia ter sido mais inspirada…

Our love is here to stay…


Ele deixou-a interminada quando partiu tão jovem deste mundo mas seu grande amigo e colaborador Oscar Levant terminou-a.

Um “hino” ao amor que consolidou-se nas últimas semanas dentro de mim.
Finalmente compreendi este texto ao mesmo tempo simples e extremamente rico!

Aqui Gene e minha querida, amada Leslie Caron num dos momentos de maior simplicidade do cinema musical… Fabulosos…

Its very clear, our love is here to stay
Not for a year, but forever and a day
The radio and the telephone,
And the movies that we know
May just be passing fancies
And in time may go



But, oh my dear
Our love is here to stay
Together we're going a long long way
In time the Rockies may crumble
Gibraltar may tumble
They're only made of clay
But our love is here to stay

...e para quem ainda tiver interesse: Bobby Short - inigualável!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

REMEMBERING: You were meant for me... Um "Happy Valentine" atrasado...

Existem momentos muito especiais no mundo do Cinema… E este é um deles! Saudades de quando o vi pela primeira vez nos anos 70… no „finado“ Cinema II na Raul Pompéia, no Rio de Janeiro, em companhia de amigos como Mari, Flávia, João, Mayr, Brigitte, Ana Valéria, Mauro…



Mas antes uma pequena explicação… Ontem, exatamente no Valentine’s day, recebi um e.mail desaforado de uma pessoa que já há muito tempo coloquei para fora da minha vida. Não há razão para ninguém ter que aturar uma pessoa agressiva, neurótica, invejosa, desaforada por toda uma vida… N'est ce pas?

Agora, eu pergunto: não é reação extremamente sintomática o fato dela me escrever exatamente no “Valentine’s day”? Não é que eu realmente ligue nem para esse dia, nem para todo o comércio que ele trás consigo… mas, logo ela, “psicóloga”, uma pessoa (em suas próprias palavras) “interiorizada”, dá a “bandeira” da sua insatisfação exatamente neste dia… “Physician, heal Thyself!”!

Fico assustado como uma pessoa pode tranformar-se nessa pessoa amargurada, frustrada, feia, mentirosa, cheia de raiva, possuída pela inveja que é… Fui advertido há alguns anos, quando ela esteve aqui me visitando. Chamaram-me a atenção ao fato dela, em mais de uma semana na minha casa, não ter aberto sua carteira nenhuma vez, nem para pagar um café ou uma passagem de bonde e ter-se aproveitado de mim, da minha hospitalidade, boa fé, generosidade…



Por isso aqui minha resposta ao seu e.Mail: Uma dedicaão atrasada de “Valentine” a todos os meus reais amigos! Um momento de amor no Cinema… bem, na realidade, bem mais do que só amor: um momento de paz, cheio de mágica, inventividade, imaginação, poesia… Sim, uma resposta com carinho e amor às pessoas que realmente significam muito e tem seu lugar bem definido na minha vida!

Gene Kelly, vindo do grande sucesso de “An American in Paris” (MGM, 1951) – estranhamente chamado “Sinfonia em Paris” no Brasil – jogou-se no grande projeto “Singin’ in the rain” (chamado “o melhor filme de todos os tempos” por François Truffaut) e arriscou mais uma vez o papel principal feminino com uma (práticamente) desconhecida: Debbie Reynolds (Debbie, ainda hoje viva, tinha feito uma pontinha como Helen Kane (Boo-boo-pi-doo) em “Three little Words” em 1950 e tido um pequeno papel como irmã caçula de Jane Powell em “Two weeks with Love” em 1951). Debbie que “sabia dar seus passinhos de dança” não era realmente uma “bailarina” e não, neste sentido, a do filme… Gene deu grande destaque à Cyd Charisse, que, depois de “Rain”, tornou-se uma estrela de maior magnitude… Detalhe: me referi acima com “mais uma desconhecida” à Leslie Caron, que em 1951, ao lado de Gene, fez seu début em “American in Paris”, o filme do ano, vencedos do Oscar de melhor filme de 1951, graças ao talento de Vincente Minnelli!



De volta à esta simples cena (exatamente nesses momentos, nos quais Gene transforma sua dança numa plataforma simples e pura, ele me fascina ao máximo… precisamente como em “Our Love is here to stay” de “American”):

quando Gene (Don Lockwood) entra com Debbie (Kathy Selden) no studio deserto para lhe fazer uma declaração de amor, usa as luzes suaves para criar um efeito de luar, a escada como um balcão, mais luzes como um jardim florido e estrelas, ventiladores como uma suave brisa, névoa das montanhas distantes… criando aquele momento precioso em que o dia, ao por-do-sol, já não é mais dia mas ainda não é noite… Perfeito. O cenário está pronto para ele dizer o que quer…



Sim, atrasado mas de coração: um Happy Valentine… para voces!!! Cheio desta aconchegante simplicidade… desta criatividade que nos permite transformar tudo num momento especial, que faz com que o amor transforme todos os dias do ano num “Valentine”, independente da data…

(E quanto à gorda Senhora Ana LeRavia (anagrama), supere esta fase do “amor-próprio ferido” - no way, you are out of my life! - e fique feliz por inspirar-me com um personagem que algum dia usarei em algum conto ou livro: a gorda, amarga, invejosa “Mme. LeRavia”… LeRavia => la rabia “en castellano” => a raiva… ).

Muito, muito Obrigado pela inspiração para esta “tertúlia”!




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

REMEMBERING: "Michigan" e Judy Garland...

„Easter Parade“ (MGM 1948) é um filme realmente delicioso.


Pertence, dentro da minha memória afetiva, à uma fase da minha vida na qual – já um pouco mais livre dos cursos e cursos nos quais meus pais me colocavam – eu algumas vezes chegava em casa para almoçar e podia da-me ao luxo de assistir a “finada” “Sessão das Duas” da Globo (que invariávelmente, e de acordo à mentalidade do nosso país, começava bem depois do horário marcado…).
Amo recordar-me de filmes durante uma tarde chuvosa do Rio de Janeiro…


Foi nessa época que o meu grande vínculo (paixão, admiração, respeito, amor… ) pelo cinema musical realmente nasceu. Tudo isso acompanhado das “lições de cinema” que meus pais espontaneamente me davam… Tempos bons.


Intermission:
Foi assim que aos poucos vim descobrindo talentos e talentos… Músicas, coreógrafos, autores, diretores, figurinistas, atores e bailarinos não só principais como também muitos deles excelentes coadjuvantes do “stock” de vários estúdios cinematográficos.
A Metro, a 20th Century Fox, a Warner… todas tinham seus atores “da casa” baixo contrato (normalmente de 7 anos) e era uma diversão assistí-los em vários diferentes papéis. Como se os estúdios estivessem fazendo um constante teste com eles, até acertar seu “tipo” com o público.
Um exemplo: Don Ameche oportunista em “In old Chicago” lutando contra Tyrone Power ou cantando e bailando ao lado de Carmen Miranda e com Alice Faye em “That Night in Rio”. Assassino perigoso em “Sleep my love” com Claudette Colbert, comico e irônico ao lado de Gene Tierney em “Heaven can wait”, intrépido em “The three Musketeers”, romantico em “Lillian Russel” outra vez ao lado de Faye e por aí vai a lista… Viva sua versatilidade coroada por um Oscar (aos seus 78 anos de idade) pelo delicioso “Cocoon” – onde sua “namorada” era uma anciã chamada Gwen Verdon… maravilhosa Gwen!
A Fox nunca conseguiu encontrar o “tipo” de Ameche – por isso ele era tâo querido pelo estúdio: o público o aceitava em tudo o que fazia!


Bem, esta quase virou já uma nova "Tertúlia"... Bye-Bye 20th Century Fox!!!Voltemos a "Easter Parade" e à MGM!!!


Foi nessa época que descobri “Easter Parade” com Judy Garland, Fred Astaire, Ann Miller e Peter Lawford. Esse dia deveria ser um feriado na minha vida!


“Parade” tem uma razoável “estorinha”… ou seja um roteiro simples que dá à Judy muitas oportunidades para cantar, a Fred muitas para dancar e à Miller muitas para fazer incessáveis piruetas (estou sendo sarcástico… mas, sinceramente, “Anny” com toda sua simpatia, jamais pertenceu à minha lista de queridos…).
Na realidade o filme é uma sucessão de números musicais de Irving Berlin.


Alguns deles bastante necessários à narrativa da estória ( welll more or less), outros completamente descartáveis em termos dramáticos pois nada contribuem ao roteiro, à linha central da estória… mas se os cortássemos o filme ficaria resumido à uns 60 minutos… sim seis números musicais (de doze) não tem nada que haver com o filme em si. São só números musicais no palco!
Mesmo assim, Graças a Deus, não foram cortados.
12 números maravilhosos. Cada um por si uma pequena obra de arte!
(Só "Mr. Monotony" foi cortado… vide minha postagem de 4 de junho de 2010).


Terminando a primeira “trilogia” de “ceninhas sem importancia” tive que escolher um numerozinho de Judy: o esquecido e ignorado "Michigan" (e assim posso homenagear minha trinca predileta “Gene, Judy & Fred” – claro que ao falar de Gene e Fred estou referindo-me à duas postagens passadas!).


Judy está deliciosa em “Michigan”. Ainda numa (recente) fase “pós-Minnelli” ela mantinha uma certa magreza, o rosto fino e um bom visual (ainda não alterado pelos excessos que depois transformariam sua vida num inferno).
Liberada por Vincente dos “trejeitos de Garland” (desde 1944 quando fizeram “Meet me in St. Louis”) ela tem aqui uma transparencia especial e uma intimidade total com a camera. Judy está até em momentos bonita….


Ainda muito distante do seu ápice (cinematográfico) em termos vocais (que é para mim “A Star is born” de 1954) acho-a aqui encantadora e gosto particularmente de seu olhar distante, sonhador, longínquo quando nos “conta” de Michigan ao lad do trompetista… Reminicencias de “Over the Rainbow”?

De qualquer forma: VIVA a ingenuidade desses tempos!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

REMEMBERING: Niña e um diferente Gene Kelly...


Há alguns dias escrevi sobre uma «ceninha sem importancia», com roupas e cenários maravilhosos, Technicolor perfeito, música e arranjo excepcionais, “pseudo-latinismos”, Mar do Caribe e Fred Astaire… Hoje repito a dose: das roupas e cenários à musica e ao arranjo, do Technicolor aos “pseudo-latinismos”. Até o Caribe repetirei… a única diferença está na presença de Gene Kelly no lugar de Fred.


“Niña” é uma cançãozinha de Cole Porter feita para o (fracassado) filme “The Pirate” (MGM, 1948), trabalho de Vincente Minnelli que na época foi extremamente incompreendido.


Judy Garland tem algumas cenas e canções inesquecíveis como por exemplo sua “endemoniada” e "enlouquecida" versão de “Mack, the Black” durante a qual está hipnotizada ("pegando santo", bem "Caribeña"! I love it!)



assim como Gene no Ballet “The Pirate” – a única vez que Kelly colocou nas telas dos cinemas suas torneadas pernas à vista transformando-se numa figura extrememente erótica (Minnelli, que admirava muito Kelly, sabia muito bem o que fazia. Gene, na "prude" MGM nunca explorou este seu lado…). Gene era um rapaz bonito da época - com aquela cicatrizinha que depois deixou de ser retocada pelos maquiadores da MGM - perfeita. Mas isto não se "ve" devido à direções muito superficiais de triviais diretores que recebeu ao longo de sua carreira... e como ele adorava fazer umas caretas... Aí tornava-se "meio palhaço", chato... Um exemplo do mesmo vício é o chatérrimo Jim Carrey - na realidade um homem até bonito. Só que ninguém se dá conta disso.


Aqui ele está bem "dirigido", "contido" - talvez um dos poucos personagens de Kelly que não era a personificação do próprio Gene Kelly... Existem porém muitas diferenças de opinião sobre seu bigodinho... e sobre este filme... Uma coisa todavia é certa: seu personagem aqui e em "An American in Paris" (Jerry) são seus melhores trabalhos como "ator". Ambos dirigidos por Minnelli. Mestre.




As caretas ele pode fazer ao lado dos sensacionais Nicholas Brothers


e no "chatinho" número final ao lado de Judy: "Be a clown!" Tudo bem...


Mas, a razão desta postagem, “Niña”, ficou em segundo plano, bastante esquecida… Ao contrário de “I left my Hat in Haiti” (Astaire em “Royal Wedding”) ela é parte da “estória”, do roteiro do filme e serve perfeitamente para nos descrever e posicionar o personagem de Kelly: “a ladie’s man”.

Como sempre as incomparáveis “lyrics” de Porter
«But since I’ve seen yah,
Niña, Niña, Niña…
I’ll be having schizophrenia…
Till I’ll make yah,
Till I’ll make yah,
Till I’ll make yah mine»


Outra "daquelas" ceninhas sem importancia e esquecidas…
mais uma "daquelas" simplesmente maravilhosas!!!!



P.S. Acabei de rever a cena – sim, os figurinos são realmente incrívelmente fotogenicos, perfeitos!
VIVA a MGM e suas impecáveis produções!!!!!!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cyd Charisse, Gene Kelly e amizades & decepções: It's always fair Weather...

Quem assistiu „On the Town“ (Um dia em Nova Iorque, MGM 1949) deve ter-se perguntado alguma vez: “E o que aconteceu com estes tres marujos durante e depois da Guerra?”
A Metro pensava em produzir “It’s always fair Weather” como uma continuação de “On the town”, inclusive pensando em usar os tres atores principais de “Town”: Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin.


Depois da Guerra tres “camaradas” fazem um pacto para reencontrarem-se dez anos depois…
Esta é a linha principal do roteiro de “Fair Weather”.

Um filme razoávelmente esquecido, ele reune os talentos de Kelly, Michael Kidd (numa rara aparição cinematográfica) e o veterano Dan Dailey (ainda em grande forma) como os tres “marujos”,


Dolores Gray (que não teve realmente a carreira que merecia pois a era dos musicais chegava ao final e o trabalho de uma “belter” não era, na época, requerido fora do cinema musical. Estávamos ainda “anos luz” de Streisand e Minnelli)


e a magnífica Cyd Charisse, aqui num papel relativamente pequeno com um único número de dança… Fato este que nunca realmente compreendi… (Charisse vinha na época de recentes aparições de muito sucesso em “The Band Wagon”, “Deep in my heart” e “Brigadoon”, tres filmes de 1954 nos quais ela mais uma vez provou seu grande talento! Charisse ainda tinha reservadas para seu futuro maravilhas, jóias cinematográficas como “Silk Stockings” com Fred Astaire, mas esta é uma outra estória)


Concebido pelos magníficos Betty Comden e Adolph Green (responsáveis por “On the Town”, “Singin’ in the rain” entre tantos outros) o filme não poderia ter melhores credenciais. Mais uma vez Kelly co-dirigiu um filme ao lado de Stanley Donen – que vindo de sucessos como “Seven Brides for seven brothers” não estava realmenre muito interessado em dividir os créditos do filme com Kelly).

“Fair Weather” é um filme que passa uma certa “desilusão” com a vida: os tres companheiros de “antes” se encontram dez anos depois só para perceber que nada mais tem em comum… sómente a desilusão com a vida.

É exatamente este o tema principal do filme: como o tempo transforma as amizades

Não estou 100% de acordo - tenho muitíssimos amigos, sinceros, queridos, de toda uma vida - mas tenho que admitir que às vezes isso acontece… semana passada percebi esse fato numa "ex-colega" do “científico”… pessoa que se chamava minha "amiga" - apesar de eu nunca te-la realmente considerado assim. Existem pessoas amarguradas, insatisfeitas – talvez até pelo próprio visual, pelas "personas" obesas e feias em que se transformaram – que só sabem ser invejosas e "esborrifar" veneno… Que falta de psicologia - rsrsrs (she'll understand that) levar a vida assim!!! Tenho pavor de inveja! Pois quem a tem destroe a si mesmo! Lembram de sallierei? Not necessary to say que a infeliz não mais faz parte do meu círculo de conhecidos... Cortei-a da minha vida. Destas pessoas me distancio! E tenho coragem de admití-lo!

Bem, de volta ao filme: uma cena fantásticamente desilusionada (sorry... correction: desiludida... desilusionada é castellano...) reune os tres amigos, que (no filme) já haviam cantado sobre serem amigos até a morte, numa canção que descreve a decepção de estarem juntos no presente…

O melhor porém é que cada um, reconhecendo que os dois outros não são o que ele esperava, percebe em si mesmo que ele também não se transformou na pessoa que um dia quiz ser… Decepções…
Esta agussada percepção cínica transforma este “musical entertainment” num filme bem mais “escuro”, bem mais “negro”, bem mais “desilusionado” (correction: desiludido) do que a maioria dos musicais da Metro.

Mas o filme tem momentos de puro “joy”. Gene Kelly sapateando sobre patins de roda (será motivo de uma futura "tertúlia”),


os tres marujos dançando desenfreadamente na rua e sapateando com tampas de latas de lixo presas nos seus pés e a magnífica Dolores Gray, numa incrível crítica à televisão, como uma apresentadora canastrona, exageradamente piegas e nada sincera do programa “Midnight with Madeline”: o cliché da televisão ao vivo, dos programas “verdade” da época… só que 57 anos depois a televisão ainda é a mesma coisa… pensem nos talk-shows, pensem da TV Globo aos U.S.A.!!! Incrível… Nada mudou!


Para mim porém o melhor momento musical do filme é quando Charisse sobe a um Ring de Box para dançar “Baby, you knock me out”.
Momento maravilhoso, apaixonante de um musical inesquecido.
Charisse hipnotiza com tanta classe, energia, técnica, talento…
Ela ainda é, e sempre sera, a minha “rainha” do musical…
Um real “Nocaute”, como se dizia no Brasil… (lembram no Brasil do “Telecatch patrocinado pelo rum Montilla????)


Charisse, you still knock me out!!!!!!!

(A cena é um pouco longa... à partir do terceiro minuto Cyd começa a dançar!!! Puxem a cena para o terceiro minuto!)

terça-feira, 28 de junho de 2011

"Les Girls" (MGM 1957) ou "A pergunta eterna: What's truth?"

O que é a verdade? Todos nós, em alguma altura de nossas vidas, já fizemos esta mesma pergunta…


“Les Girls” (MGM, 1957) é práticamente um musical esquecido. Apesar de ter sido maravilhosamente recebido pela crítica e público em 1957, não conseguiu um “lugar ao sol” na história do musical de Hollywood. Assim como “Silk Stockings” (com Cyd Charisse e Fred Astaire, MGM 1957) o score foi composto por Cole Porter (em “Girls” no seu último trabalho para o Cinema, “Meias de Sêda” tinha sido feito para a Broadway e interpretado por Hildegard Kneff e Don Ameche). Os dois musicais representam o “Canto do Cisne” da MGM no que diria respeito à musicais. Gone were the “good ol’ days”… Muitos seriam ainda feitos em outras companhias (“South Pacific”, “The Music Man” etc.) mas nada pode se comparar aos musicais da era dourada da Metro – mesmo nos anos 50!


“Les Girls” é talvez o mais “filosófico” dos musicais da Metro já que se preocupa com uma pergunta eterna: “O que é a verdade?”.


Dirigido pelo “mestre” George Cukor (“A woman’s director”), que aqui simplesmente “arranca” fantásticas interpretações da “desconhecida” finlandesa Taina Elg (que anos depois arrasaria no musical “Irma la Douce” na Broadway), da “reinventada” Mitzi Gaynor (que até então só tinha feitos papéis “sexy” na Fox e que por causa de “Girls” ganharia no ano seguinte o cobiçado papel de Nellie em “South Pacific”) e da eterna Kay Kendall… Ah… Bonita, engraçada, sofisticada, amorosa, incandescente, hilária, trágica Kay… nos seus tres únicos filmes em Hollywood Kendall conquistaria todos nós… para sempre! Esposa de Rex Harrison, conhecida só na Inglaterra do clássico “Geneviéve” – uma maravilha MUITO recomendável de filme – ela faleceria de leucemia em 1959… Ela tinha um perfil “aristocrático ingles” que era muito difícil de ser fotografado. Ela “agradecia” este perfil a um acidente de carro e a um cirurgião plástico ingles. Ela disse para Dirk Bogarde: “The surgeon had only two noses in his repertoire, "this one and the other one…”. Mais sobre a fabulosa Kay outro dia aqui nas Tertúlias).


Além de várias outras distinções (inclusive ser o último «real» musical de Kelly) «Les Girls» é um dos poucos musicais de Hollywood que mostram um palco como um real palco… e não como um estúdio da Metro que “derepente” cabe num pequeno teatro de variedades. Me refiro à uma única cena: “Ladies in Waiting” – todas as tres versões dela inclusive aquela na qual Kay Kendall está completamente bebada (e tão hilária quanto na cena em que canta “La Habanera”) e nos conquista definitivamente…



A linha do roteiro de “Les Girls” pode parecer muito simples mas o filme tem um encanto. O “plot” é contado de tres pontos de vista diferentes num tribunal…
Um detalhe que amo: em frente ao prédio do Tribunal anda durante todo o filme um homem que leva um cartaz (aqueles que antigamente eram chamados de “Sandwich”) com as seguintes palavras: “What's Truth?”. E como sua presença “incomoda” a todos que acabaram de dar seu depoimentos deixando-os completamente constrangidos, aflitos… Um dos detalhes mais ignorados do filme e, para mim, de suma importancia na linha dramática da estória. Sensacional!


Esta linha dramática, este “contar uma estória” é óbviamente inspirada pelo filme "Rashômon" de Akiro Kurosawa, que tinha sido feito alguns anos antes. George Cukor, que danadinho!
Vamos ser sinceros: quem pode dizer se uma pessoa disse a completa verdade ou só em parte? Ou se imparcialmente só contou parte dela? Todos nós, em alguma altura de nossas vidas, fomos vítimas de uma “verdade mal contada”, não é? Ou foi só por representar outro ponto de vista, outro "enfoque" da "nossa" verdade?

E a questão é deixada em aberto: Quem realmente pode julgar o que é a Verdade? O que é a Verdade?


P.S. Um detalhe simpático. Originalmente as tres “girls” teriam sido Cyd Charisse, Leslie Caron e Carol Haney – teria sido um outro filme mas imaginem só os números de dança... pensem nisso...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Get Happy, Mr.Monotony "ou uma curta estória sobre um terno, dois filmes, duas cenas e um pouco da música americana"

Muitas lendas existem sobre uma inesquecível cena de um „esquecível“ filme chamado „Summer Stock“ (MGM 1950 e no Brasil estranhamente chamado "Casa, comida e carinho”... deveria um dia fazer uma postagem sobre títulos de filmes em portugues... ) na qual Judy Garland interpreta “Get Happy”, outra das inesquecíveis canções de Harold Arlen que ela eternizou nas telas (entre elas “Over the Rainbow” e “The Man that got away”).

Durante toda a filmagem de “Summer Stock” a camera teve que ser muito gentil com Judy. Quando ela entrou no primeiro dia para os ensaios, toda a crew “perdeu a fala”: Nunca Judy havia estado tão gorda!
O diretor (Charles Walters, grande veterano dos musicais) decidiu-se rápidamente. Não tendo à sua disposição nem um bom “script” nem grandes canções ele realmente necessitava de seus dois Astros principais para o sucesso do filme: Judy e Gene Kelly (aqui no seu terceiro filme com ela e irresistívelmente jovem e dinamico, ainda antes de "An american in Paris" e "Singin' in the rain").

Como Judy faria o papel de uma “fazendeira” não importou muito o fato de estar gorda. A produção continuou.
Quando esta foi terminada, passaram-se umas seis semanas até Charles, já editando o filme, notar que uma cena adicional seria necessária para “completar” a trama. Esta cena seria “Get happy”, o seu “canto do cisne” na MGM, ou seja a última que Judy rodaria neste estúdio (ela seria despedida durante seu próximo filme).

Judy foi chamada de volta ao estúdio. E para a surpresa geral ela tinha, no meio tempo, perdido uns 20 quilos!

Este fato não passou desapercebido nem ao público nem aos críticos da época e, por uma "coincidencia", que em breve descobrirão, cogitou-se que esta cena teria sido uma cena não utilizada de um filme anterior - lembrem-se, ela estava magra...

Todos estes interessantes ingredientes misturaram-se à “súbita” despedida de Judy da Metro (seu “lar” por 15 anos) e uma “lenda” nasceu. Na verdade a explicação deste "mistério" é bem simples:
“Get Happy” foi realmente filmada 6 ou 7 semanas depois da produção de “Summer Stock” ter acabado. Como Judy estava de novo magérrima (como esteve durante a época de seu casamento com Minelli) foi decidido rápidamente que ela usaria algo que já havia usado num filme anterior e que havia lhe caído bastante bem. Algo com um "toque especial", algo intemporal, distante da atmosfera do filme. Este “terno” de “Easter Parade” (MGM 1948, “Desfile de Páscoa” com Fred Astaire, Judy, Ann Miller e Peter Lawford) que usara no número “Mr.Monotony” do magnífico Irving Berlin.

O resultado é um magnífico número... que é tão diferente do resto que, mesmo que Judy estivesse gorda, pareceria não pertencer ao filme.

Este “Tuxedo” tornaria-se uma des suas “marcas registradas” no palco (aliás inspirando muita gente… até Dietrich)
e como a cena (vide fotos acima e abaixo) havia sido cortada de “Easter Parade” não haveria problema.

"Mr.Monotony" de "Easter Parade" foi reencontrada há alguns anos nos arquivos da Metro (como eu gostaria de trabalhar lá... ) e usada como um dos mais famosos “Outtakes” da história do Cinema em “That’s Entertaimment III”. "Mr.Monotony", uma canção “propositalmente monótona” de Berlin, que aqui tem uma brilhante, inspirada e elétrica interpretação de Garland. Não sabe-se realmente se o número teria sido editado assim. Quando resolveram cortar o número completo do filme, os cortes estavam definidos, a escolha das cenas não. Se alguém um dia tiver a paciencia recomendo o DVD de “Entertaimment”. Lá, nos "Special features", estão mais ou menos 40 versões da CADA curta sequencia. Impressionante.
Que maravilha reencontrar-se uma jóia assim. Divirtam-se. Como um outro grande talento, Mickey Rooney, disse há pouco tempo: "Judy at the top of her career!" (e falando-se de talento assim: uma vez perguntaram a Fred Astaire que “lugar” ele daria a Mr. Irving Berlin na música Americana… ele respondeu simplesmente: Mr. Berlin É a música Americana!)
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Gershwin: Our Love is here to stay

Após minha volta de Paris, depois do meu aniversário, aconteceu um fato curioso… era como se eu quizesse a qualquer preço segurar o tempo, não deixar que passassem aqueles bons momentos, aquelas quentes recordações… O que mais natural do que recomeçar a ver filmes “passados” em Paris? Qualquer imagem do Arco do Triunfo ou da Praça da Concórdia me prendia… Vieram “Sabrina”, “Charade”, “Love in the afternoon”, “Funny Face”, “Paris when it sizzles” (pareceu-me até que Audrey Hepburn só fazia filmes passados em Paris!), “The last Time I saw Paris”, "O Arco do Triunfo",“Gigi” e finalmente “An american in Paris” (curiosamente chamado no Brasil de “Sinfonia em Paris”!).
Num devido momento voltaram memórias ainda muito mais antigas… que andavam em algum lugar, esquecidas... Tempos da dança… Conhecidos reunidos em frente à uma daquelas imensas (e profundas) televisões à cor dos anos 70 que ocupavam um enorme espaço, assistindo o filme. Por um único motivo: O Ballet final! Alguns pela primeira vez. Eu já tinha-o descoberto muitos anos antes no extinto “Cinema I” de Copacabana. Muitos maravilhados com as pernas e extensões de Caron, outros com a forma viril, dinamica de Kelly, outros com o sapateado.

“Minha” cena preferida apareceu então na tela… Filmada num estúdio da MGM, simbolizando a margem esquerda, a "rive gauche", do Sena na altura entre Notre Dame ae a Isle St.Louis, e com aquela simplicidade absoluta dos grandes trabalhos, Leslie e Gene dançaram apaixonadamente ao som de “Our Love is here to stay” (por sinal última composição inacabada de George Gershwin: seu irmão Ira Gershwin escreveu o texto e um de seus melhores amigos, o pianista Oscar Levant- que também aparece neste filme – acabou a composição de “Our Love”. Que sorte a nossa!).

Um trabalho magnífico com aquela simplicidade dos sentimentos delicados, vulneráveis. A coreografia de Gene transmite precisamente isso e mostra mais uma vez o fenomeno da economia dos gestos para alcançar um efeito profundo, um "insight".
Estes conhecidos do Ballet da época admiraram-se com meu gosto simples.
Será que admirariam-se ainda hoje ao saber que este número está entre os meus cinco prediletos de Hollywood ?

Resumindo: um daqueles números inspiradíssimos, no qual a música, o texto, a coreografia, o cenário, as cores, a camera e os intérpretes se "casam" perfeitamente!

E, ainda por cima, o texto diz tudo…

Ah, a simplicidade de AMAR!

It's very clear, our love is here to stay
Not for a year but ever and a day
The radio and the telephone and the movies that we know
May just be passing fancies and in time may go

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But oh, my dear, our love is here to stay
Together we're going a long, long way
In time the Rockies may crumble, Gibraltar may tumble
They're only made of clay
But our love is here to stay