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sexta-feira, 4 de julho de 2014
“De Amor também se Morre” (“The Constant Nymph”, 1943): será?
Quando a autora de “De Amor também se Morre”, Margaret Kennedy, deixou no seu testamento o desejo que o filme baseado no seu livro fosse apenas exibido em Universidades e Museus (quando sua carreira comercial terminasse), fomos, em consequencia, privados de assistir esta obra por quase 70 anos...
O filme só recebeu a autorização de ser apresentado em público em 2011, para um festival do “Turner Classic Movies”. Incrível...
Semana passada tive a chance de ver este filme pela primeira vez e, apesar de ter achado certas partes meio lentas e sem dinamica, fiquei encantado com o resultado final...
Mais uma vez volto a repetir: que fascinante descobrir “novas” coisas que me motivam à pesquisas, novas leituras, novos horizontes...
O “plot” é bastante simples:
A família Sanger vive longe das convenções da sociedade da época.
O patriaca, músico, morre, deixando suas filhas, acostumadas à uma vida no campo, na Suiça, aos cuidados dos tios em Londres.
Tessa (Fontaine), uma das filhas é secretamente apaixonada por um amigo da família, Lewis (Charles Boyer); que também é músico. Ele porém pensa estar apaixonado por uma prima das meninas, a lindíssima Florence (interpretada pela fascinante e "alluring" Alexis Smith).
Tessa e a irmã são enviadas para Englaterra, para estudar num internato mas sentindo-se presas e infelizes, fogem para a casa de Lewis (e Florence).
Ele, encontrando-se numa crise criativa, transforma Tessa na sua fonte de inspiração para a completa insatisfação de sua esposa, que na realidade não é capaz de compreendê-lo como Tessa.
Como o título sugere, Kennedy usou a mitologia grega como fonte: ao contrário dos deuses, ninfas são mortais e, geralmente, possuem espíritos felizes, considerados divinos.
Fontaine dá vida à essa “ninfa” (como faria alguns anos mais tarde com “Lisa” de “Carta de uma desconhecida) uma menina de 14 anos, que “morre” de amor...
Joan Fontaine, uma atriz que nunca foi realmente bela, é a perfeita incarnação para esta menina que, segundo as palavras do diretor Edmund Goulding, deveria ser „consumptive, flat-chested, anemic and fourteen!“ (tísica, sem peito, anemica e quatorze!”) dando-lhe uma magnífica dinamica corporal, como uma verdadeira criança – mesmo em cenas nas quais a pobre Tessa fica sem ar ou se sente mal por causa de sua condição cardíaca...
Quando Goulding, durante um jantar privado mencionou à Joan suas dificuldades em encontrar uma atriz adequada para fazer "Tessa" (e como a "via" - tísica, sem peito, anemica e com quatorze anos) ela disse: "Como eu" e ganhou o papel...
Fontaine (que na época já tinha 26 anos) transforma-se diante dos nossos olhos nessa menina de 14: ela é travessa, brincalhona, desorientada e patéticamente apaixonada por “aquele” homem mais velho interpretado por Boyer!
Não consigo imaginar as atrizes que foram cogitadas para este papel como Merle Oberon, Margaret Sullavan, Olivia deHavilland (irmã e “Nemesis” de Joan) e Joan Leslie nos “enganando” tão descaradamente como Joan o faz... Transfromando-se assim...
Detalhe: a "glamourosa" Joan do poster do filme não existe no filme...
Boyer, não se encontra muito à vontade, o que é compreensível. Seu papel, extremamente unidimensional, não lhe dá possibilidades...
Já Alexis Smith (linda) perde as suas por não saber usá-las apropriadamente... Seu ciúme nos dá a impressão de uma neurose pior, não sómente causada pela relação, que nunca é cristalizada, entre Tessa e Lewis (em resposta à uma tentativa de beijo, ela diz a Lewis: “Não, esta é a casa da minha prima e tenho que respeitá-la!”).
Mas Smith ainda estava em sua fase de “treino” na Warner (junto à ninguém menos do que Eleanor Parker) que esperava ter nela uma de suas futuras estrelas, estrelas de uma geração “pós” Bette Davis...
Smith foi bastante conhecida mas nunca teve, ao contrário de Parker, esta indescritível “qualidade estelar”.
Charles Coburn e Peter Lorre (assim como Dame May Whitty) estão "bem", adequados aos seus papéis mas não criam personagens novos... senti-me como revendo-os em vários papéis que já haviam criado antes...
Belos cenários e figurinos, as eternas “escadas da Warner” (sinonimo de seus filmes, principalmente dos de Bette Davis), uma bela trilha sonora de Korngold (que, porém, evoca muitos outros filmes da Warner)e uma ótima, sútil fotografia em preto-e-branco são fatores que muito enriquecem este esquecido trabalho...
Joan Fontaine foi nominada para um "Oscar" (haveia recebido um no ano anterior) mas perdeu para a magnífica Jennifer Jones em "The song of Bernadette".
Mas uma única pergunta perdura:
por que este título em portugues? Tessa não morre de amor e sim de sua condição cardíaca...
Se morre de amor?
domingo, 13 de maio de 2012
REMEMBERING: Merle Oberon ("Am I really Merle Oberon?")
Por ser uma das personalidades da “sétima Arte” com perfil mais indefinido e confuso da história do Cinema, tenho uma relação meio “oblíqua” com Merle Oberon.
A atriz, que se passava por “100% inglesa” escondeu toda sua vida sua verdadeiras raízes. Metade indianas.
Estelle Merle Thompson nasceu em 1911 em Bombay, India. Algumas fontes falam que sua mãe era uma “Eurasian”, Charlotte Selby, do (antigo) Ceilão (hoje Sri-Lanka) e seu pai um ingles.
Outras fontes falam de uma descendencia chinesa ( ?!?!).
Uma terceira versão conta de uma filha que Charlotte teve aos 14 anos de idade no Ceilão, Constance, sendo esta a verdadeira mãe biológica de Merle. A verdade é que durante toda sua vida Merle negou-se a encontrar Constance e seu filho (que seria então seu “meio-irmão”?).
Merle, que levou uma vida bastante “atribulada” pelos “Night-Clubs” de Calcutta - muitos contaram “muitas coisas” sobre ela – teve ainda na India um “caso” sério com um ator ingles (estamos falando de uma menina de 17 anos, que de qualquer forma, queria subir na vida). Este porém ao conhecer sua mãe – que tinha uma pele muito escura – deu-se conta que ela era uma “mestiça” e acabou o romance – prometeu-lhe porém uma introdução aos estúdios de Cinema ingleses.
Fato é que, em companhia de Charlotte, Merle conseguiu “zarpar” para a Inglaterra. Seus primeiros tempos foram difíceis.
«Dizem as más línguas» que ela fez de tudo… Muitos contaram de uma certa «Queenie» (seu apelido em homenagem à Queen Victoria) que era uma famosa "Taxi-Dancer" em Londres do início dos anos 30 (Taxi-Dancer eram aquelas moças – de reputação questionável - que eram «alugadas» em estabelecimentos para dançar com os fregueses… o que faziam depois não era da conta do estabelecimento...).
Uma outra fonte – esta de natureza pessoal minha pois veio de uma senhora que trabalhava na casa de minha tia em Londres – conta que Merle foi até camareira num hotel de segunda classe…
Mas nestes tempos nunca ouvira-se ter falado de uma atriz mestiça.
Seu tom de pele era claro.
Ela queria ser atriz.
Simples: seu «passado» de eurasiana foi completamente ”apagado” do seu Curriculum Vitae.
Isso como se ninguém visse no seu rosto um certo “exotismo”… Como eram ingenuos aqueles tempos…
Merle, decidida a vencer, venceu.
Entrou no Cinema, transformou-se no “Talk of the Town” por sua estréia e aparição de pouquíssimos minutos como Ana Bolena (perdendo sua adorável cabeça) em “The private Life of Henry the VIII” de Alexander Korda, foi nominada para um “Oscar” em 1935, recebeu o cobiçado papel de “Cathy” em “O morro dos ventos uivantes” (Wuthering Heights, William Wyler, 1939), casou-se com “Korda”, virou “Lady Korda” quando este tornou-se “Lord Korda” em 1942, ficou rica, tornou-se uma figura do “Jet-Set” internacional com seu “Headquarter” numa mansão de Acapulco… Seu último marido foi o holandes Robert Wolders, que parece ter tido uma “queda” por Senhoras de mais idade… Ele também foi o último companheiro de Audrey Hepburn ( e namorou com Leslie Caron há alguns anos).
Merle foi escalada por Korda em 1937 para o papel de Messalina em “I, Claudius” ao lado de Charles Laughton. Este filme nunca foi finalizado. Uma pena!
Merle, durante a época das filmagens, sofreu um sério acidente de carro que a deixou com cicatrizes no rosto. Só com a ajuda dos grandes maquiadores do Cinema ela pode continuar sua carreira. Nos anos 40 ela ingressou numa clínica para um tratamento de beleza… um envenamento e reação alérgica aos produtos à base de algum sulfato obscuro, deixaram-a desfigurada (Agatha Christie descreve um caso parecido através da personagem “Linette” de “Death on the Nile”). Ela ficou por muito tempo afastada das telas e nunca pode deixar de usar maquiagem… Mais uma daquelas loucuras feitas «em nome da vaidade» e ainda por cima, por um “barbeiro”. Oberon divorciou-se de Korda em 1945 – para se casar com o cinematógrafo Lucien Ballard – que inventou uma luz especial para ela e para os sets de Cinema. Esta luz, hoje conhecida como “Obie” (!!!), eliminava todas as cicatrizes de Merle (Oberon) nas grandes telas…
Estes são todos fatos reais da vida de Miss Oberon.
A «gota de fel» são os fatos não explicáveis, inventados (certamente) por ela, que ao longo dos anos foram-se misturando a fatos reais. Entremeando-se com sua memória, pregando “peças” nas suas recordações… e na da Imprensa.
Eu tenho a vaga impressão que a propria Merle passou a acreditar neles…
Por exemplo… ela sempre disse ter nascido na Tasmania. De fato nunca foram descobertos nem certidão de Nascimento, nem registros, nem históricos escolares dela lá…
Uma vez disse que tinha abandonado a Tasmania quando seu “distinguido” pai morreu num acidente (caçando… très chic) e foi para a Índia, onde foi criada por padrinhos “aristocráticos”.
Ela também “criou” uma estória dizendo ter frequentado uma escola de modelos em Hobart (Australia). Nada sobre ela foi jamais encontrado nesta instituição…
Durante muitos anos, e para nao «trair» sua “criativa” biografia (e origens indianas), ela deixou que sua mãe morasse com ela, passando-se porém como empregada da própria filha. Que ironico estar escrevendo isso hoje… no dia das Mães!
Quando a mãe morreu, ela encomendou um quadro: neste a imagem de Charlotte era a de uma fictícia mulher branca, uma “lady”. Elegante e clara – vestida de forma ocidental e não com os “saris” que sempre usou.
Hoje em dia muito criticada por seu comportamento “políticamente incorreto”, temos que admitir, ela deixou grandes, memoráveis momentos no Cinema.
Acima de todos seus papéis «Cathy» de “Wuthering Heights” é uma criação de muita sensibilidade
Interessante porém é o fato de Merle, a mulher que viveu numa crise de personalidade toda sua vida, a mulher que passou a acreditar num outro “histórico”, num outro passado, brilhar exatamente aqui numa inesquecível cena (minha preferida de todo o filme) na qual ela mesmo duvida do seu “SER”, colocando em questão toda sua personalidade:
O momento no qual constata que “o meio cigano” Heathcliff é mais “ela do que ela mesma” ("And yet... He's more Myself than I am...") e – a grande Flora Robson a esta ouvindo – a grande constatação, que a fascina e aterroriza ao mesmo tempo… A verdade que tem que ser expressada : com olhos abertos – como que vendo a verdade em sua frente… dos seus lábios “jorra“ simplesmente “I AM HEATHCLIFF”
Momento sublime de Cinema. Obrigado William Wyler e „Queenie“! Penso no que passou-se na cabeça desta “Eurasiana” fazendo o papel de uma inglesa que reconhece neste momento que sua personalidade é a do “cigano” Heathcliff…
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Auf Wiedersehen... knowing no word like "Good-bye"...
Deep in my Heart...
Já há algumas semanas eu coloquei aqui um video maravilhoso que incluía uma mesma canção sendo «assassinada» por Tamara Toumanova e «glorifcada» pelo maravilhoso soprano Helen Traubel.
Esta semana conversando com uma amiga que vive nos U.S.A., Gloria Costa, "filosofamos" um pouco sobre a vida e as despedidas… aquelas que doem porque so definitivas, aquele «não mais se rever». Eu disse: «Nossa, Glorinha, parece que começamos a nos despedir no dia que nascemos…”.
Decidi hoje, em homenagem a todas às vezes que tivemos que dizer «Adeus» em nossas vidas, colocar aqui esta eterna “Lied” de Sigmund Romberg – que estava destinada à uma outra “Tertúlia”… Ela é mais do que perfeita para os pensamentos que compartinhamos ontem (Gloria e eu). Não por sua simples linha melódica (o que não é “um mero acaso” e sim fruto do grande talento de Romberg) mas por ela menciona e tem como título a palavra em alemão para o “Adeus” – Auf Wiedersehen – que significa nada mais nada menos do que “Até um rever”, “Até nos rever-mos”.
Nada definitivo.
Pensamento este que me aquece e conforta imensamente neste dia frio de primavera austríaca.
Para voces todo o talento e sensibilidade de Helen Traubel, o maravilhoso Jose Ferrer e a linda Merle Oberon aqui, se despedindo docemente, em “Deep in my Heart” (MGM 1954).
Um momento muito lindo – cheio de paz!
Para voce, Glorinha e para a querida amiga Danielle Crepaldi que,
como sempre "made it all possible"!!!!!
Thanks!
Ricardo
Já há algumas semanas eu coloquei aqui um video maravilhoso que incluía uma mesma canção sendo «assassinada» por Tamara Toumanova e «glorifcada» pelo maravilhoso soprano Helen Traubel.
Esta semana conversando com uma amiga que vive nos U.S.A., Gloria Costa, "filosofamos" um pouco sobre a vida e as despedidas… aquelas que doem porque so definitivas, aquele «não mais se rever». Eu disse: «Nossa, Glorinha, parece que começamos a nos despedir no dia que nascemos…”.
Decidi hoje, em homenagem a todas às vezes que tivemos que dizer «Adeus» em nossas vidas, colocar aqui esta eterna “Lied” de Sigmund Romberg – que estava destinada à uma outra “Tertúlia”… Ela é mais do que perfeita para os pensamentos que compartinhamos ontem (Gloria e eu). Não por sua simples linha melódica (o que não é “um mero acaso” e sim fruto do grande talento de Romberg) mas por ela menciona e tem como título a palavra em alemão para o “Adeus” – Auf Wiedersehen – que significa nada mais nada menos do que “Até um rever”, “Até nos rever-mos”.
Nada definitivo.
Pensamento este que me aquece e conforta imensamente neste dia frio de primavera austríaca.
Para voces todo o talento e sensibilidade de Helen Traubel, o maravilhoso Jose Ferrer e a linda Merle Oberon aqui, se despedindo docemente, em “Deep in my Heart” (MGM 1954).
Um momento muito lindo – cheio de paz!
Para voce, Glorinha e para a querida amiga Danielle Crepaldi que,
como sempre "made it all possible"!!!!!
Thanks!
Ricardo
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sexta-feira, 23 de março de 2012
Tamara Toumanova, Helen Traubel e a música de Sigmund Romberg...
LeighToumanova e Traubel... Duas artistas tão diferentes… e mesmo assim, por terem participado do mesmo filme (Deep in my Heart, MGM 1954) , são a razão desta “Tertúlia”.
Tamara Toumanova era conhecida como “A pérola Negra do Ballet Russo” (eu uma vez me enganei e pensando nas palavras de Selznick sobre Vivien Legh "that scarlett dark horse", chamei Toumanova de cavalo negro... Tatiana Leskova, num momento de humor, me disse: "Cuidado, olhe que o espírito dela volta para se vingar!").
Nasceu em 1919 na Sibéria, de descendencia polonesa e armenia… Não vou colocar aqui o curso que sua vida e carreira tomaram quando fez 9 anos e debutou na Ópera de Paris pois voces poderiam encontrar estas informações em qualquer “Wikipedia”. George Balanchine (Mr.B. – vejam a postagem que fiz no dia 20 passado inclusive com uma Charge sua ao seu lado assim como com Leskova e Igor Stravinsky), reconheceu muito cedo seu talento e muito lhe incentivou…
Sua mae deve ter sido uma pessoa “à parte”: ao que hoje em dia nos referiríamos como “Show Business Mom”… Ela acompanhava a filha em todas as Tournées com os “Les Ballets Russes” e, muito religiosa, ela levava pobre Tamara para o palco, exatamente para o lugar onde naquela noite dançaria seus 32 fouetees… e ali, ajoelhadas, elas rezavam todo um rosário, para que Tamara se sucedesse bem… Desperdício de religião… Pobre também de quem “caísse mal" com mamãe (Sra. Tumanishvili). Numa memorável passagem de sua biografia Tatiana Leskova nos conta de uma surra que quase levou desta meiga Senhora por ter esbarrado (ou coisa do genero) em Tamara durante uma apresentação.
Um fato pouco conhecido: Toumanova trabalhou em vários filmes, sempre em minúsculos papéis que estavam de acordo com o tamanho de seu talento dramático. O que porém todos esqueceram é que ela foi lançada com muita divulgação a até certo alarde em 1944 num esquecido filme chamado “Days of Glory” que tem a única distinção histórica por ser o primeiro filme de Gregory Peck... Este não foi esquecido como ator!
Em “Deep in my Heart” – uma adorável biografia da Metro sobre o austríaco Sigmund Romberg, grande compositor que fez sua carreira no palco musical americano, - Tamara “interpreta” Gaby Deslys, bailarina, cantora, atriz e sensação francesa que conseguiu arrasar com uma das composições mais etéreas de Sigmund Romberg (no filme o fantástico Jose Ferrer) – “Softly, as in the morning sunrise”. Bem, pelo menos assim o filme nos conta… Não posso confirmar este fato…
Li alguma vez que Stanley Donen não conseguiu realmente “dirigir” Tamara e a deixou interpretar de sua forma natural, muito exagerada e afetada, a canção na qual estava sendo dublada.
Propositalmente ele deixou-a transformar o número num hula-hula vulgar, o que coube como uma luva na sua intenção como diretor… O contraste conseguido entre Gaby Deslys e, a amiga do compositor, a dona de um "Café" vienense, Anna Müller, quando esta canta “Softly” é fenomenal.
Mais uma vez Tamara provou a canastrice que a impediu de ter sua “tão cogitada” carreira de atriz…
Li também que Tamara "was not amused" na Première do filme quando viu que Donen tinha feito dela um objeto de "chacota". Apesar de um corpo escultural ela foi motivo de muitos risos. Na época ela só tinha 35 anos e só faria mais uns papéizinhos no Cinema.
Uma dos seus últimos foi no mal sucedido “Hitchcock” de 1966, “Torn Curtain” (A cortina rasgada) ao lado de Julie Andrews e Paul Newman. Toumanova na altura da filmagens só com 46 anos parecia uma pessoa bem mais velha do que era… Ela perdeu muito cedo aquela coisa valiosa, que se chama o "Viço da juventude". Uma pena.
Sobre a bailarina Toumanova nada posso dizer. O material cinematográfico que deixou foi muito pouco para se tirar conclusões. Relatos "verbais", que ouvi de pessoas que a viram no palco, como meu pai ou a atriz bahiana Isabella, não são realmente de muito valor por virem de pessoas que não entendiam realmente de Ballet...
A intérprete que faz o papel de Anna Müller é o soprano americano Helen Traubel.
Traubel, apesar do nome e do visual germanico (seus pais eram alemães) foi uma cantora americana, nascida em 1899 em Missouri…
Traubel era uma magnífica interpréte... mesmo assim, não irei falar dela…
A "Wikipedia" revelaria mais do que eu.
O que qualquer outro dicionário porém não revelaria é este talento supremo, este domínio musical, esta simpatia... tudo isto acompanhado daquelo jeito das "senhoras empoadas" que povoaram nossas juventudes e infancias e hoje não mais existem... Estas memórias me fazem lembrar de uma Senhora, Marianita, alta funcionária do Instituto Rio Branco... amiga, querida, culta, empoada, chique, cheirosa... Traubel me traz estas lembranças!
Só quero pedir uma coisa: TODA a atenção de voces para o momento divino no qual ela canta “Softly, as in the morning Sunrise”.
Um momento de poesia, calor, simpatia, abandono… Ela se transforma numa das mais lindas pessoas que a tela jamais apresentou…
Arte.
Verdadeira, etérea…
Como se Helen estivesse em nossas almas bailando o que Toumanova deixou de fazer!
Como se estivesse transformando em algo divino o que foi tão profanamente abusado nas mãos de «Gaby Deslys» (não nas de Toumanova).
Obrigado, Mrs. Traubel…
Mais sobre esta fantástica cantora numa futura “Tertúlia”.
Obrigado à querida Danielle Crepaldi por ter-me ajudado a conseguir estes raros momentos cinematográficos!!!!! Querida... Voce é um amor!!!!!
Tamara Toumanova era conhecida como “A pérola Negra do Ballet Russo” (eu uma vez me enganei e pensando nas palavras de Selznick sobre Vivien Legh "that scarlett dark horse", chamei Toumanova de cavalo negro... Tatiana Leskova, num momento de humor, me disse: "Cuidado, olhe que o espírito dela volta para se vingar!").
Nasceu em 1919 na Sibéria, de descendencia polonesa e armenia… Não vou colocar aqui o curso que sua vida e carreira tomaram quando fez 9 anos e debutou na Ópera de Paris pois voces poderiam encontrar estas informações em qualquer “Wikipedia”. George Balanchine (Mr.B. – vejam a postagem que fiz no dia 20 passado inclusive com uma Charge sua ao seu lado assim como com Leskova e Igor Stravinsky), reconheceu muito cedo seu talento e muito lhe incentivou…
Sua mae deve ter sido uma pessoa “à parte”: ao que hoje em dia nos referiríamos como “Show Business Mom”… Ela acompanhava a filha em todas as Tournées com os “Les Ballets Russes” e, muito religiosa, ela levava pobre Tamara para o palco, exatamente para o lugar onde naquela noite dançaria seus 32 fouetees… e ali, ajoelhadas, elas rezavam todo um rosário, para que Tamara se sucedesse bem… Desperdício de religião… Pobre também de quem “caísse mal" com mamãe (Sra. Tumanishvili). Numa memorável passagem de sua biografia Tatiana Leskova nos conta de uma surra que quase levou desta meiga Senhora por ter esbarrado (ou coisa do genero) em Tamara durante uma apresentação.
Um fato pouco conhecido: Toumanova trabalhou em vários filmes, sempre em minúsculos papéis que estavam de acordo com o tamanho de seu talento dramático. O que porém todos esqueceram é que ela foi lançada com muita divulgação a até certo alarde em 1944 num esquecido filme chamado “Days of Glory” que tem a única distinção histórica por ser o primeiro filme de Gregory Peck... Este não foi esquecido como ator!
Em “Deep in my Heart” – uma adorável biografia da Metro sobre o austríaco Sigmund Romberg, grande compositor que fez sua carreira no palco musical americano, - Tamara “interpreta” Gaby Deslys, bailarina, cantora, atriz e sensação francesa que conseguiu arrasar com uma das composições mais etéreas de Sigmund Romberg (no filme o fantástico Jose Ferrer) – “Softly, as in the morning sunrise”. Bem, pelo menos assim o filme nos conta… Não posso confirmar este fato…
Li alguma vez que Stanley Donen não conseguiu realmente “dirigir” Tamara e a deixou interpretar de sua forma natural, muito exagerada e afetada, a canção na qual estava sendo dublada.
Propositalmente ele deixou-a transformar o número num hula-hula vulgar, o que coube como uma luva na sua intenção como diretor… O contraste conseguido entre Gaby Deslys e, a amiga do compositor, a dona de um "Café" vienense, Anna Müller, quando esta canta “Softly” é fenomenal.
Mais uma vez Tamara provou a canastrice que a impediu de ter sua “tão cogitada” carreira de atriz…
Li também que Tamara "was not amused" na Première do filme quando viu que Donen tinha feito dela um objeto de "chacota". Apesar de um corpo escultural ela foi motivo de muitos risos. Na época ela só tinha 35 anos e só faria mais uns papéizinhos no Cinema.
Uma dos seus últimos foi no mal sucedido “Hitchcock” de 1966, “Torn Curtain” (A cortina rasgada) ao lado de Julie Andrews e Paul Newman. Toumanova na altura da filmagens só com 46 anos parecia uma pessoa bem mais velha do que era… Ela perdeu muito cedo aquela coisa valiosa, que se chama o "Viço da juventude". Uma pena.
Sobre a bailarina Toumanova nada posso dizer. O material cinematográfico que deixou foi muito pouco para se tirar conclusões. Relatos "verbais", que ouvi de pessoas que a viram no palco, como meu pai ou a atriz bahiana Isabella, não são realmente de muito valor por virem de pessoas que não entendiam realmente de Ballet...
A intérprete que faz o papel de Anna Müller é o soprano americano Helen Traubel.
Traubel, apesar do nome e do visual germanico (seus pais eram alemães) foi uma cantora americana, nascida em 1899 em Missouri…
Traubel era uma magnífica interpréte... mesmo assim, não irei falar dela…
A "Wikipedia" revelaria mais do que eu.
O que qualquer outro dicionário porém não revelaria é este talento supremo, este domínio musical, esta simpatia... tudo isto acompanhado daquelo jeito das "senhoras empoadas" que povoaram nossas juventudes e infancias e hoje não mais existem... Estas memórias me fazem lembrar de uma Senhora, Marianita, alta funcionária do Instituto Rio Branco... amiga, querida, culta, empoada, chique, cheirosa... Traubel me traz estas lembranças!
Só quero pedir uma coisa: TODA a atenção de voces para o momento divino no qual ela canta “Softly, as in the morning Sunrise”.
Um momento de poesia, calor, simpatia, abandono… Ela se transforma numa das mais lindas pessoas que a tela jamais apresentou…
Arte.
Verdadeira, etérea…
Como se Helen estivesse em nossas almas bailando o que Toumanova deixou de fazer!
Como se estivesse transformando em algo divino o que foi tão profanamente abusado nas mãos de «Gaby Deslys» (não nas de Toumanova).
Obrigado, Mrs. Traubel…
Mais sobre esta fantástica cantora numa futura “Tertúlia”.
Obrigado à querida Danielle Crepaldi por ter-me ajudado a conseguir estes raros momentos cinematográficos!!!!! Querida... Voce é um amor!!!!!
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