Num certo tempo dos anos 70 era, para a classe artística, quase um “símbolo de status” aparecer ou em “Sesame Street” ou em “The Muppets Show”.
Muito importante MESMO!
Como os tempos mudaram...
Julie Andrews, magnífica Julie, teve várias oportunidades já que – nestes anos – ainda tinha o “status” de “Superstar” (que para mim, particularmente, até hoje não perdeu!).
Aqui uma deliciosa “rendition” de “Big Spender” (a música das prostitutas de “Sweet Charity” num programa de crianças!) de uma Julie que queria libertar-se de qualquer forma da imagem “água com açúcar” que tinha adquirido em “Mary Poppins” e em “The Sound of Music”. Julie, musicalmente, "on top"!
P.S. lembro-me de ter assitido este programa em casa, no início de minha adolescencia, numa daquelas primeiras TVs à cores que tivemos no Brasil – um daqueles elefantes que ocupavam 3 metros cúbicos de qualquer sala…
Haja...
A nossa era uma “Telefunken”… tecnologia alemã sempre foi um "must" para meu pai.
E isso para alguém que trabalhou para a Philipps do Brasil, empresa holandesa...
Tempos de descobertas, de muitas descobertas: Broadway, Cinema, musicais abriam suas portas para mim…
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quinta-feira, 25 de agosto de 2016
sábado, 12 de março de 2016
Supercalifragilisticexpialidocious
Como ando „resgatando“ vários videos do passado (passando-os para DVDs, digitalizando-os e colocando-os no youtube para, por assim dizer, eternizá-los e mante-los para a „posteridade“, uma tarefa apaixonante)
nada mais adequado do que a obra de arte que é a dicção de Julie Andrews – sim , esta belíssima dicção, que conseguiu manter apesar dos muito anos nos E.U.A., este poema fonético,
este ingles belíssimo e puro (ainda mais agradável e até mais claro e límpido do que o “King’s English") adicionado ao seu fino trato, à sua inigualável classe, à sua imagem de “English rose”…
Sim, são esses curtos momentos que transformam-se em puras obras de arte! Como os amo!
Aqui Julie recebendo um “Life Achievement Award” da BAFTA (British Academy for Film and Television Arts) em 1989 de ninguém menos do que Princess Anne!
Sim, e como esta tão bem coloca em palvras: não há melhor palavra para descrever esta ocasião do que
SUPERCALIFRAGILISTICEXPIALIDOCIOUS!!!
Bravo, Juls!
sábado, 5 de dezembro de 2015
Poor little Pierrette... delicadeza...
Para os amantes das delicadezas que fazem tanto bem à nossa alma, aqui uma ceninha, que quase já esquecida, me trás vivas memórias… acho que eu tinha uns 11 anos de idade quando descobri esta pequena declaração de amor ao filme musical no (extinto) Metro Copacabana… A foto dos protagonistas (Twiggy & Christopher Gable) dançando sobre um disco (numa imensa eletrola) me chamou a atenção e pedi para ser levado a esse filme... Meu "caso de amor" com o cinema musical já havia começado sem eu me dar conta...
Mas só alguns poucos anos depois, numa daquelas maravilhosas sessões tardias das noites de sábado no Cine Paissandú (Rio de Janeiro, Flamengo), realmente “vi” este filme.
Ricas memórias de descobrir um diretor de Cinema “chamado” Ken Russell e sua maravilhosa linguagem cinematográfica…
Russell e os varios atores de sua “troupe” com quem várias vezes trabalharia: Glenda Jackson, Christopher Gable, Georgina Hale, Moyra Fraser, Max Adrian…
Todos, excepcionalmente talentosos, bem ensaiados e “pin pointed” nos mínimos detalhes dos seus papéis, contribuem definitivamente para esta pequena jóia do Cinema.




Tudo de excelente gosto: O guarda-roupa concebido pela esposa de Ken, a talentosíssima Shirley Russell, os cenários do fantástico Tony Walton que se adaptam ao “mood” de cada cena (No caso de “Pierrete”, quando ela vai rio abaixo, nos lembrando um fictício passeio por gravuras de Erté), o roteiro que transformou uma estorinha boba (que tinha sido estrelada por Julie Andrews em seu Debút Americano em 1954) dando asas à imaginação de Russell e fazendo com que esse a colocasse como uma peça (com toda uma intriga backstage que é deliciosamente louca, vezes hilária), que está sendo assistida por um produtor de Hollywood que imagina todas as cenas como números musicais de grande explendor... prato feito para as loucuras visuais de Ken!
Twiggy no seu primeiro papel como atriz ("deliciosamente amadora" como uma crítica citou), todo o elenco dançando no Background (Antonia Ellis - que se transformaria na produtora de "Sex and the City", Tommy Tune, Georgina Hale, Barbara Windsor e vários outros) e a excelente Moyra Fraser (que cria a “louca” Madame Dubonet) cantando o número "Poor little Pierrette", exageradamente “francesa”, pitoresca, caricata e... maravilhosa!
Clichés e mais clichés.
Ahhh... Deliciosos clichés…
Delicadeza pura! Um mimo e uma carícia para nossas almas…
Neste dezembro de 2015 estamos precisando delas...
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
Do I Love You Because You're Beautiful? (or are you beautiful because I love you?)
Sem dúvida, uma das mais lindas canções de Rogers and Hammerstein e composta especialmente para o musical de televisão „Cinderella“ (1957).
Quando foi “ao ar”, os U.S.A. literalmente pararam por uma hora e meia…
Todo o país teve a chance de ver "a mocinha” que, desde o ano interior, tornara-se a “rainha da Broadway” em “My fair Lady”: Julie Andrews…
Tudo isso adiconado ao fato de que o mundo ainda estava em tempos nos quais certos espetáculos eram feitos “ao vivo” e justamente por esse motivo não só produziam a impressão de uma estréia como ERAM, na realidade, uma verdadeira estréia!
Um detalhe sobre esta música: quando Rogers e Hammerstein a apresentaram pela primeira vez ao “cast” muitos olhos ficaram húmidos tal a emoção causada pelo texto e música…
Aqui Julie e seu “prince charming”, Jon Cypher, no show original que só foi revisto 47 anos depois de sua estréia, em 2004, quando o DVD desta produção foi lançado… óbviamente para minha grande alegria!
(Photo Copyright: Sony Entertainment)
(Prince):
Do I love you because you're beautiful?
or are you beautiful because I love you?
Am I making believe I see in you a girl too lovely to be really true?
Do I want you because you're wonderful?
or are you wonderful because I want you?
Are you the sweet invention of a lover's dream?
or are you really as beautiful as you seem?
(Cinderella):
Am I making believe I see in you a man too perfect to be really true?
Do I want you because you're wonderful?
or are you wonderful because I want you?
(Both):
Are you the sweet invention of a lover's dream?
or are you really as wonderful as you seem?
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segunda-feira, 21 de abril de 2014
"Loverly": Julie Andrews e seu ar contemplativo como Eliza...
Desde a versão de George Cukor de „My fair Lady“ (Warner, 1964), com Audrey Hepburn, o primeiro número de Eliza (“Wouldn’t it be loverly?”) vem-se transformando erroneamente num número “feliz”, cheio de sorrisos, risadas, felicidade... mas não foi isso o que Alan Jay Lerner, Frederick Loewe e Moss Hart „visualizaram“ para Eliza...
Muito pelo contrário.
Na versão original ela canta „o que poderia ser” de um ponto de vista mais meditativo, contemplativo…
Esta sempre foi MINHA teoria – infelizmente não era nascido quando o original foi feito na Broadway na estação teatral de 1955/56 e por este motivo não tinha como provar minhas suposições...
Mas não é que a vida me proporciona certas felicidades????
Encontrei um video de Julie (Andrews) num programa de televisão de Ed Sullivan de 1960.
Maravilhosa descoberta: Julie já estava em «Camelot» ao lado de Richard Burton mas para este programa recria esta cena que tinha feito até o ano anterior (já em Londres, depois da Broadway) com a coreografia original…
...e notem, o “ar” contemplativo, meditativo…´nada de falsas felicidades e afetações. Uma "flower girl" sonhando com um mundo melhor. Só isso!
“Loverly”. Eu tinha razão!
E tudo isto adicionado à simplicidade da coreografia, da cenografia e do "staging": AMO!
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Tap, Tap... Tapioca (Julie Andrews & Thoroughly Modern Millie, 1967)
Tapioca não é nada mais nada menos do que fécula de Mandioca… proveniente do Nordeste do Brasil, ela foi levada para toda a América do Sul e mundo afora pelos portugueses e espanhóis, principalmente para a Asia e Africa…
Muitas vezes confundida com o Sago (sagú), que é original da Nova Guinea, a tapioca também é usada em sopas, doces, taças frias de sobremesas e Pudins… Nas ilhas britanicas e nos U.S.A. a Tapioca é constantemente usada nos maravilhosos pudins feitos com leite e Arrowroot… no Brasil deliciosamente chamada de araruta… proveniente das Américas, estudos arqueológicos nos deram evidencia do cultivo da araruta há mais de 7000 anos… ah… se as baianas e seus tabuleiros soubessem disso…
Semana passada encontrei num supermercado asiático Tapioca e resolvi fazer um “Tapioca pudding” na mais pura tradição inglesa (preparo-me psicológicamente para o meu anual “Plum Pudding” natalino!). As bolinhas de fécula sugaram tanto o leite morno na qual ficaram de molho que acabei com DOIS imensos pudins!
Mas se voces acham que esta é uma tertúlia culinária, muito se enganam…
Em “Thoroughly Modern Millie” (Positivamente Millie, 1967, George Roy Hill), um dos filmes mais deliciosos que conheço e “precursor” de uma onda de “nostalgia” que povoou as telas dos Cinemas dos anos 70, existe uma animadíssima cena dedicada à Tapioca…
“Jimmy” (interpretado pelo seríssimo ator britanico James Fox) quer dar um nome para uma nova dança que está querendo criar numa festinha dum pensionato de moças… pergunta a Millie (positivamente darling, Julie Andrews, maravilhosa na última chance que teve de fazer uma “ingénue”) o que comeu de jantar…
Não ficando muito contente com a perspectiva de chamar sua dança nem de "Franks" e nem de “Sauerkraut”(por razões bem óbvias… ) pergunta a Millie “O que mais?”. Com sua resposta “Tapioca pudding” sua inspiração é aguçada e se completa... Viva!!!!
Ele transforma esta fécula de Mandioca num delicioso, divertido, animadíssimo número de sapateado… “de lambuja” em papéis secundários Mary Tyler Moore e a maravilhosa, legendária Beatrice Lillie como Mrs. Meers... a dona do hotel que vende suas hóspedes como escravas brancas – mais sobre Bea Lillie outra vez!
Tap, Tap, Tapioca everybody!
I simply adore it!
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sábado, 2 de fevereiro de 2013
A ingenua noção de Hollywood sobre psicanálise… Tres filmes e um final feliz...
Um destes dias revi „Spellbound“ de Hitchcock apesar de não ter boas memórias desse filme… E estas foram mais uma vez reconfirmadas.
O filme realmente não é do meu agrado.
Nele acho Ingrid Bergman extremamente inexpressiva ao mesmo tempo em que considero Gregory Peck um tanto exagerado, “overplaying” seu papel…
Durante o filme comecei a pensar em outros filmes de Hollywood que trataram do mesmo tema – Psicanálise – nos anos 40.
Este fato revela totalmente a extensão do meu interesse no trabalho de Hitchcock em “Spellbound”… Fiquei sonhando com outros coisas enquanto assistia o filme...
Fui levado por pensamentos, lembranças de outros filmes e até por idéias de como poderia resumir tanta informação para uma “tertúlia”…
Mas como era realmente a psicanálise tratada em Hollywood nos anos 40? Como se tentava enfocar o trabalho daquele “professor Vienense” (Freud) e aquela “ciencia” ainda tão nova e desconhecida?
“Lady in the Dark” (no Brasil “Senhora Escuro”), musical de 1944 estrelado por Ginger Rogers e Ray Milland, trata de Liza Elliot, uma bem sucedida editora de uma revista de moda. Apesar de Liza ser considerada no filme como uma mulher “masculinizada” (pois usa seu cabelo preso e veste sérios blazers clássicos e bem cortados) ela, para o standard atual, está linda. E com muita classe, tenho que adicionar (“Dizem as má línguas” que Ginger estava muito descontente com seu figurino – totalmente necessário para o papel de Eliza – de forma análoga à Kim Novak em “Vertigo” que quase causou uma úlcera a Hitchcock de tanto reclamar de seu figurino –"Vertigo" aliás é um filme que de certa forma lida também com um caso que muito necessitava de severa ajuda psiquiátrica.
Ginger e Kim estavam mais preocupadas com suas imagens do que com os papéis que desempenhavam… E as duas, «entre nous», nunca foram realmente conhecidas por classe e sim, bem mais, pelas suas tendencias à uma certa vulgaridade no setor de figurinos… Mas isto já é tema para uma tertúlia futura).
Baseado num musical da Broadway que foi dirigido por Moss Hart (que dirigiria no futuro Julie Andrews em “My Fair Lady”) e estrelado por Gertrude Lawrence (que seria interpretada por Julie Andrews em “Star!”, filme de 1968), “Lady” foi um grande sucesso.
Sua “fórmula” inovativa encontrou bastante aceitação com o publico da "East coast": quando Liza deitava-se no “divan” para ser analizada, as sequencias musicais começavam…
Nelas tomavam parte todos os personagens que trabalhavam com Liza na Editora e com os quais ela, de uma certa forma, estava envolvida…
O original na Broadway foi um grande sucesso, o filme ao contrário não fez nenhum sucesso... talvez pelo fato da maioria das canções de Kurt Weill (no seu primeiro trabalho nos U.S.A.) terem sido cortadas pelo director: Mitchell Leisen simplesmente odiava o trabalho de Weill… Não é também um prato feito para uma severa análise? Se ele tanto odiava a música de Weill, porque aceitou a direção de um filme que tinha as canções do compositor como tema central na sua estória?
“Spellbound” (1945, no Brasil “Quando fala o coração”) é um trabalho de “Hitch” que levou mais fama pela sequencia dos sonhos (e da análise destes pelo personagem de Bergman) do que pelo seu roteiro, valor e arte cinematográfica! O cenário do “sonho” foi “designed” por ninguém menos do que Salvador Dali (Dali no seu, pelo que me consta, único trabalho em Hollywood). Para quem gosta dele - I don’t - um prato cheio…
(Nota: para quem também gostou do fundo musical de “Rebecca” (Miklos Rozsa) uma ótima dica: o filme práticamente reusou, só 5 anos depois de “Rebecca”, a mesma trilha sonora… Estaria Mr. Selznick poupando?)
O filme começa com as seguintes palavras – certamente bem inovativas para a época:
“Our story deals with psychoanalysis, the method by which modern science treats the emotional problems of the sane. The analyst seeks only to endure the patient to talk about the hidden problems, to open the locker doors of his mind.
Once the complexes that have been disturbing the patient are uncovered and interpreted, the illness and confusion disappear… and the devils of unreason are driven from the human soul”
(Nossa estória trata de psicanálse, o método pelo qual a ciencia moderna trata dos problemas emocionais dos sãos. O analista procura sómente apoiar o paciente a falar dos seus problemas escondidos, a abrir as portas dos armários de sua mente.
Uma vez que os complexos que vem incomodando o paciente são descobertos e interpretados, a doença e a confusão desaparecem… e os demonios da falta de razão são dirigidos para fora da alma humana”) (tradução livre do autor deste Blog)
Não soa isto fácil e extremamente descomplicado? Além de parecer ser coisa rápida… (nos filmes dos anos 40 são rapidíssimas as recuperações… No momento em que o problema é reconhecido, Tcham-Tcham, o paciente está curado!).
Esta introdução de «Spellbound» parece traduzir perfeitamente o que todo o material cinematográfico dos anos 40 de Hollywood pretendia fazer da psicanálise…
Nossos “vizinhos” do hemisfério norte não são realmente conhecidos pela profundeza com as qual deveriam abordar certos temas… Ainda por cima a manipulação de Hollywood “criou” (históricamente provado) idéias e mudanças de comportamento… já escrevi uma vez aqui sobre isso.
“The Snake pit” (no Brasil “A cova da Serpente”, 1948), tem uma “tensão à mais” do que os filmes préviamente citados, já que nos dá a chance de estar com os pensamentos da “doente”, escutando tudo o que pensa, as vozes que ouve… Olivia de Havilland deu um bom desempenho para os padrões da época (pelo menos ela não é uma “paciente” glamourosa e produzida… o que não ficaria nada bem num hospício… mesmo assim: Hollywood sempre surpreendeu nestes casos… ).
Sua personagem é perseguida por fantasmas e interminávies, inexplicáveis torturas, perguntas...
Mas o final, como nos dois prévios filmes, é feliz!
A cura é supreendemente rápida e o final realmente feliz, até bem humorado…
E aí minha pergunta: porque nos tres casos acima citados são os tres finais iguais?
Todas as tres curas são relacionadas aos sentimentos de culpa que os personagens carregavam em si – dois deles (Ginger e Olivia) por terem brigado com “Papai” e este ter morrido brevemente em seguida do desentendimento, fazendo com que a crianca levasse esta «culpa» pela via… O teceiro (Gregory Peck) matou o irmãozinho acidentalente quando criança… um processo de culpa análogo aos dois outros casos.
O mesmo final é a “desvenda” dos problemas dos tres personagens, dos tres filmes.
Complexos de culpa provocados na infancia…
Falta de inventividade Hollywoodiana?
Ou simplesmente o reflexo de nossa sociedade que nos ensina desde a mais tenra idade a sentirmo-nos culpados?
Em casa (“se voce não come não vai crescer” ou “se voce não faz isto-ou-aquilo a mamãe vai ficar triste”… e por aí vai a lista das cobranças), na religião cristã (esta nos faz sentir culpa de tudo, quem faz "arte" não "vai para o céu"!), na escola (quem não “estuda” é “mau-aluno” e tem que sentar-se na última fila) e na sociedade em geral…
E além de tudo isso, a indústria cinematográfica, Hollywood ditando como deveríamos nos sentir?
Como deveríamos nos comportar?
Vamos ser sinceros… não é assim no Cinema até hoje?
Ando tão cansado de ver as pessoas assumindo “valores” para si porque os assistiram no Cinema ou na televisão…
Que bom prato também para umas sessões de análise…
Quo Vadis, personalidade?
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
FELIZ NATAL: The Sound of Christmas.
O Natal de 1987 nos trouxe um lindo Show na Televisão: Julie Andrews, Placido Domingo e John Denver nos encantaram em „The Sound of Christmas“, show americano filmado inteiramente na Austria na frente do cenário natural de Salzburg com suas montanhas e arredores…
Quero colocar aqui para voces sómente o “Medley” do final; medley este que nos tira espiritualmente por alguns minutos do Stress, do Panico “pré-Natalino”… Coisas que estão muito longe do real Espírito do Natal.
Há poucos dias escrevi o seguinte no Facebook:
"As ruas frias estão cheias e em vez de paz, harmonia e Espírito de Natal estarem presentes, mais uma vez o "panico e o stress de Natal" atacaram a Plebe ignara (como diria Stanislaw Pontepreta)... Todos nervosos, agressivos, desesperados, afobados e querendo comprar o que não querem e o que (às vezes) nem podem...
MEU Natal em casa corre tranquilo... adoramos passar o dia cozinhando, ouvindo músicas, conversando, bebericando um vinho... juntos simplesmente!
…e se nos damos presentes, estes foram comprados durante o ano, quando também pensamos uns nos outros. A gente não pode deixar isso só para o dia 24.12., não é? Natal é como Aniversário: a gente não deseja felicidade, amor e saúde para os que queremos bem só num dia do ano, estão de acordo?
ABAIXO O PANICO E STRESS DO NATAL!
Peace on Earth!"
Aqui o “Medley Natalino” de "Sound" cantado com divina seriedade na Igreja do “Mondsee” (Lago da Lua) – a mesma igreja na qual Julie havia casado-se 23 anos antes em “The Sound of Music” (“A Noviça rebelde”) com o Baron von Trapp – para um público local que foi convidado como “figuração” (Gosto das Senhoras dos arredores de Salzburg com seus trajes típicos e chapéus altos, concentradas, principalmente na voz de Domingo - minha avó, Klara, tinha um chapéu parecido... apesar de ser de outro estado: Ober-Österreich, lugar no qual sempre me sinto "em casa").
Linda apresentação que me emociona de forma simples, aquece minha alma e sempre enriquece algum dia anterior ao Natal na nossa casa! God bless!
Bem, neste sentido, quero desejar a todos um lindo Natal, cheio de Luz, Harmonia, Amor, Aconchego, Pureza e Sorrisos. Que Tudo isto se prolongue durante todo o Ano para voces e para os Seus! Estes são meus votos para um Feliz Natal 2012!
Sinceramente
Ricardo Leitner
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Show Boat & Cabaret: Anna Kendrick & The Kit Kat Girls divinamente decadentes...
Quando Jerome Kern escreveu o eterno „Show Boat“, para mim a maior obra do teatro Musical Americano (que estreiou em 1927 na Broadway), jamais pensou que um dia sua divertida canção “Life upon the wicked stage” (“A vida sobre o palco perverso”) seria um dia apresentada assim…
Originalmente o personagem, Ellie, cantava este leve número para suas fãs, contando as os perigos e as “árduas” tarefas e obrigações de uma jovem na vida artística”… Nas duas primeiras versões cinematográficas de “Showboat” (1929 e 1936) ele foi retirado, na versão de 1951 (MGM) colocado numa outra parte da estória como número “estelar” para Marge & Gower Champion.
Alguns anos antes a MGM filmou “Till the clouds roll by” (1946), uma “bem criativa” biografia de Kern, que começava com o “Opening” de Show-Boat” na Broadway: nesta cena a maravilhosa Virginia O’Brien – que jamais sorriu nas telas – cantou “Wicked Stage”…
Bem... um pouco longe do “feeling” original mas pelo menos a canção não foi esquecida…
Realmente recomendo ver este video com O'Brien para uma "comparação" no final da postagem.
Em 1998, houve um grande acontecimento na Broadway: The leading Ladies, show moderado por Julie Andrews, que apresentava várias das Leading Ladies que naquele ano se apresentavam na Broadway em diversos Shows.
Nesta versão de 1998 Anna Kendrick (na época com uns 12 ou 13 anos) canta o número numa versão “compartida” com as Kit Kat Girls (para quem não se lembra as Kit Kat Girls são as dançarinas de “Cabaret” que depois de dançar exercem uma outra profissão no "Kit Kat Club"), que na produção daquele ano na Broadway estavam mais decadentes do que nunca: sujas, com marcas roxas nos corpos; umas indicando pancadas, outras indicando práticas sexuais mais brutais, roupas rasgadas, arranhões, cabelos despenteados e sujos, axilas não depiladas… Deliciosos horrores. Ótimas bailarinas e atrizes!
No meio delas esta “menininha”, esta criaturinha meiga e pueril, que tem como linhas de entrada:”Mama thinks I’m living in a convent” (A primeira linha da canção de Sally Bowles (“Don’t tell Mama”) em “Cabaret”, que no filme seria substituída por “Bye Bye, mein lieber Herr”, motivo há pouco tempo de uma outra “Tertúlia”.
O resto do número, o único que reúne dois números de diferentes obras, deve ser assistido. Só assim é possível apreciá-lo:
idéia genial e endiabrada.
Inspirada.
P.S. os acordes iniciais e (práticamente) finais (normalmente usados enquanto as bailarinas andam ou movem suas cadeiras… assim como foram usados para Liza no filme, em “Bye Bye, mein lieber Herr”) são extremamente associados aos compositores de “Cabaret”: Kander & Ebb… Um dia destes revendo “Lola Montez” (de Max Ophüls) filme de 1955 (ou seja bem anterior à obra teatral “Cabaret” de 1966) fui confrontado com os mesmos acordes, enquanto Lola anda “pelo circo de sua vida” – mas esta “inspiração” para a dupla Kander & Ebb já uma outra estória…
Originalmente o personagem, Ellie, cantava este leve número para suas fãs, contando as os perigos e as “árduas” tarefas e obrigações de uma jovem na vida artística”… Nas duas primeiras versões cinematográficas de “Showboat” (1929 e 1936) ele foi retirado, na versão de 1951 (MGM) colocado numa outra parte da estória como número “estelar” para Marge & Gower Champion.
Alguns anos antes a MGM filmou “Till the clouds roll by” (1946), uma “bem criativa” biografia de Kern, que começava com o “Opening” de Show-Boat” na Broadway: nesta cena a maravilhosa Virginia O’Brien – que jamais sorriu nas telas – cantou “Wicked Stage”…
Bem... um pouco longe do “feeling” original mas pelo menos a canção não foi esquecida…
Realmente recomendo ver este video com O'Brien para uma "comparação" no final da postagem.
Em 1998, houve um grande acontecimento na Broadway: The leading Ladies, show moderado por Julie Andrews, que apresentava várias das Leading Ladies que naquele ano se apresentavam na Broadway em diversos Shows.
Nesta versão de 1998 Anna Kendrick (na época com uns 12 ou 13 anos) canta o número numa versão “compartida” com as Kit Kat Girls (para quem não se lembra as Kit Kat Girls são as dançarinas de “Cabaret” que depois de dançar exercem uma outra profissão no "Kit Kat Club"), que na produção daquele ano na Broadway estavam mais decadentes do que nunca: sujas, com marcas roxas nos corpos; umas indicando pancadas, outras indicando práticas sexuais mais brutais, roupas rasgadas, arranhões, cabelos despenteados e sujos, axilas não depiladas… Deliciosos horrores. Ótimas bailarinas e atrizes!
No meio delas esta “menininha”, esta criaturinha meiga e pueril, que tem como linhas de entrada:”Mama thinks I’m living in a convent” (A primeira linha da canção de Sally Bowles (“Don’t tell Mama”) em “Cabaret”, que no filme seria substituída por “Bye Bye, mein lieber Herr”, motivo há pouco tempo de uma outra “Tertúlia”.
O resto do número, o único que reúne dois números de diferentes obras, deve ser assistido. Só assim é possível apreciá-lo:
idéia genial e endiabrada.
Inspirada.
P.S. os acordes iniciais e (práticamente) finais (normalmente usados enquanto as bailarinas andam ou movem suas cadeiras… assim como foram usados para Liza no filme, em “Bye Bye, mein lieber Herr”) são extremamente associados aos compositores de “Cabaret”: Kander & Ebb… Um dia destes revendo “Lola Montez” (de Max Ophüls) filme de 1955 (ou seja bem anterior à obra teatral “Cabaret” de 1966) fui confrontado com os mesmos acordes, enquanto Lola anda “pelo circo de sua vida” – mas esta “inspiração” para a dupla Kander & Ebb já uma outra estória…
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Music Hall: Burlington Bertie from Bow...
Um dos meus números prediletos do “Music Hall” ingles, "Burlington Bertie from Bow" (1915) é uma paródia sobre uma outra canção, também de “Music Hall”, de 1900: “Burlington Bertie” (número sobre um jovem aristocrata que levava uma vida de prazeres no West End de Londers).
“Burlington Bertie from Bow” foi apresentada pela primeira vez em 1915 por uma cantora chamada Ella Shields, vestida em roupas masculinas! Ao contrário da canção original este Bertie, um vagabundo, morava no “Bow”, parte pobre do East End de Londres, o que contradiz totalmente todas suas ambições de requinte!
Esta canção tornou-se um clássico: foi cantado por Betty Grable no filme “Mother wore tights” (1947),
por Bertie Muppet no “Muppet Show”
e notávelmente na Royal Variety Performance de 1981 por Anita Harris. Ainda acho engraçado e peculiar como tudo parecia fazer sentido naquela noite...
I'm Burlington Bertie, I rise at ten thirty
and Buckingham Palace I view.
I stand in the yard while they're changing the guard
and the queen shouts across "Toodle loo"!
The Prince of Wales' brother along with some other
slaps me on the back and says "Come and see Mother"
A rainha… o Príncipe de Gales… seu irmão…
(existe o "rumor" que na linha 'The Prince of Wales brother along with some other' o "some other" se refere a Jack the Ripper. Mas isto é uma "lenda" do teatro)
Anita porém “trouxe a casa abaixo” quando cantou a linha “I’ve just had a Banana with Lady Diana”… Apesar de originalmente a “Diana” mencionada ter sido a Socialite Lady Diana Cooper (que morreu no “Titanic”), Príncipe Charles tinha-se casado naquele ano com Lady Diana Spencer que esta estava presente no público…
Minha versão predileta ainda é a de Julie Andrews no fracassado “Star!” de Robert Wise (1968) - como não poderia ser?
Julie, que já havia cantado “Bertie” num esquecido disco de 1962 chamado “Heartrending Ballads & Raucous Ditties”, parece esbaldar-se neste número…
Detalhe: Maravilhoso trabalho de corpo que Michael Kidd fez com ela neste filme... ela está precisa, soltinha...
It is simply SO English e ela está brilhante! Julie, Star!
Aqui um video que, sei, acharão interessantíssimo!
Observação: para quem conhece o filme “Easter Parade” é interessante saber que “Burlington Bertie from Bow” foi predecessora à canção “A couple of Swells” de Irving Berlin (interpretada no filme maravilhosamente por Judy Garland e Fred Astaire) que também trata de dois vagabundos com ambições de requinte…
Coincidencia? Ou foi Berlin inspirado por “Bow”? We’ll never know…
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