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sexta-feira, 27 de junho de 2008

So long at the fair (1950) – outro caso de “gaslightning”

Uma coincidência do destino fez-me encontrar este incrível filme. Eu estava passando férias de verão em Marbella quando, visitando a FNAC num Shopping-Center, um DVD chamado (em castellano) “Extrano Suceso” literalmente caiu nas minhas mãos! Alguém havia tirado-o da estante e não recolocado no devido lugar... Quando vi que era uma produção inglêsa fiquei interessado. Quando vi nomes como Jean Simmons, Dirk Bogarde, David Tomlinson fiquei ainda mais interessado. Quando porém li “Cathleen Nesbitt” (uma das minhas atrizes de caráter preferidas de todos os tempos. Alguém se lembra de “Janou”? a avó de “Tarde demais para esquecer”/ “An affair to remember”?) decidi na hora levá-lo. Uma decisão muito sábia, já que comprei naquele instante um dos filmes que iria transformar-se num dos meus prediletos, com lugar de destaque na minha (vasta) coleção.
Baseado numa destas comuns “lendas urbanas” (ou quem sabe numa estória verdadeira?) êste filme não é só interpretado por um magnífico elenco inglês (How I miss the incredible British Film Industry of the 50’s... ) como também é genuínamente cheio de “suspense” e ainda apresenta uma conclusão que além de surpreender, possui uma extrema lógica.
Li uma vez que Hitchcock ficou muito impressionado com este “pequeno” filme/traballho, o que já indica a “atmosfera” criada neste caso de “gaslightning” (vide minha postagem “Gaslight – um drama vitoriano e claustrofóbico”) também soberbamente filmado em prêto-e-branco.

Of course you don’t believe me. Nobody does! But I shall go on searching until I find him, do you hear me?”

Uma jovem dama inglesa (Jean Simmons) chega à Paris com seu irmão (David Tomlinson) para visitar a Exposição mundial de 1889. Ambos fazem o check-in num hotel dirigido por uma chamada Mme.Hervé (Cathleen Nesbitt) e depois saem para jantar no Moulin Rouge. Na manhã seguinte, depois de tomar seu “pequeno almoço” no quarto ela dirige-se ao quarto do irmao – só para constatar que não só ele sumiu como também o quarto...
Todos insistem que ela chegou só ao hotel. Nem a polícia nem o Consulado Britânico acreditam nela. Só um jovem estranho (Dirk Bogarde), a quem o irmão emprestou dinheiro na noite anterior. Neste ponto a intriga e o “suspense” estao começando...
Realmente muito recomendável!!!!!!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

The doctor's dilemma (1958)

Uma peça não muito popular de George Bernard Shaw que foi encenada pela primeira vez em 1906. Um tema muito revolucionário para a época e, hoje em dia, até nauseante: como pode alguém colocar-se na posição de “Deus” para decidir se vidas serão ou não salvas???? Um lado porém muito positivo deste trabalho é o fato de Shaw ter mostrado abertamente como dinheiro também “compra” a vida e o trabalho de cirurgiões... Na época Shaw baseou o médico da peça num exemplo da vida real, um otorrino-laringologista de Londres que “inventou” uma certa cirurgia para retirar a úvula (palatine uvula), que não ajudou ninguém; nenhum de seus pacientes, porém lhe trouxe uma pequena fortuna, apesar desta realmente nao ter nenhuma função ou uso, em termos de medicina. Shaw analiza a falta de sentido que pode existir na medicina em comparação à real necessidade desta que muito existe. Mas o dinheiro às vezes “fala mais alto”... Estamos muito distantes disto hoje em dia?

Mrs. Dubedat ama e idolatra seu marido Louis, um artista. Ele porém está morrendo de tuberculose. Ela consulta um médico e consegue convencê-lo de salvar sua vida...Êste médico não consegue mais atender tantos pacientes e têm que escolher entre as vidas que vai salvar (Êle decide entre a vida e a morte! Êle assumiu o papel de Deus... ). Ele está convencido de que a vida de Louis é “digna” de ser salva. Mas quando seus colegas de profissão conhecem Louis descobrem que ele é uma pessoa que só “brinca com a vida” – pegando emprestado dinheiro de todos, sendo desonesto, mentiroso e até bígamo (por uma coincidência do destino, sua primeira esposa é empregada na casa aonde estão todos reunidos nesta noite para um jantar). Entao o inevitável acontece e médico entra em seu dilema: deve ele deixar Louis morrer, deixando Mrs. Dubedat com a imagem positiva (e quase idolatrada) que faz dêle ou deve salvá-lo – junto com seus talentos artísticos – mas porém forçá-la a encarar seus defeitos, seu caráter, suas falhas desapreciáveis e sua bigamia??????? Êle opta por não operá-lo...

Vivien Leigh fez Mrs. Dubedat no palco inglês, aqui ela, uma hippie da época, é interpretada por uma sensível Leslie Caron, distante anos luz de An american in Paris (Sinfonia em Paris), Daddy long Legs (Papai Pernilongo), Lili, Gabi e Gigi (apesar dêste ter sido feito no mesmo ano que “The doctor’s dilemma”). Papéis maravilhosos ainda estavam para vir... como a filha da peixeira em “Fanny”, o grande “The L-shaped room” – filme pelo qual seria nominada ao Oscar de melhor atriz e a “louca” avant-gardista Ala Nazimova em “Valentino” de Ken Russel (vide minha postagem). “The brute” Louis é interpretado por Dirk Bogarde. Grandioso. Como sempre. Aqui a foto da hora da morte de Louis... ela se dá conta e pergunta quase secamente: "Was that it? was that death?" - um grande momento...
O Diretor foi Anthony Asquith. Uma produção inglêsa da MGM de 1958.