O video anterior à esta postagem (Raisa Gilko em “La mort du Cygne”) teve a única e exclusive função de mostrar um agradecimento do qual muito gostei.
Sua dança nada me emociona…
Um CISNE mesmo é a querida, eterna Evelyn Hart – que, aqui, não luta para parecer bonita e elegante todo o tempo (o que já é por sua elevada arte)
mas se concentra na execução e interpretação do único momento em que o cisne canta – em toda sua vida:
Palavras são neste caso, nesta postagem, realmente supérfluas….
Apanhem porém uma caixinha de “Kleenex” antes de ver o vídeo abaixo… Vão necessitar deles!
Evelyn Hart, brilhante bailarina canadense, grande ídolo meu...
Jamais uma bailarina que queria ser “só bonita” e até na “Morte do Cisne” - grande instrumento para realçar a beleza e graça de qualquer bailarina – ela não tem medo de nos mostrar nos seus movimentos momentos tristes de real feiúra: a morte…
E, ao mesmo tempo transforma-se, para mim, numa das mais lindas bailarinas que vi em minha vida…
Para talentos assim não existem palavras, não há motivos para que existam… Meu aplauso, Evelyn!
Relembrando o magnífico bailarino Jean Charles Gil (Na realidade Juan Carlos Gil, bailarino nascido na Espanha em 1959).
Um dos meus grandes ídolos nos anos 80, ele debutou em N.Y. numa Gala do ABT no Lincoln Center em 1988..
Alguns anos antes eu tive a grande sorte de poder assistí-lo em «As Quatro Estações» (Vivaldi), coreografia de Roland Petit na Praça da São Marcos, ao ar livre ao lado de Dominique Kalfouni, e Denys Ganio! Uma noite inesquecível para mim já que foi a primeira vez que «entendi» Vivaldi… Lembro-me de um suave vento e de não saber se estava sonhando tudo aquilo ou nâo…
Como Jean Charles me impressionou… Ele já então era um bailarino com um „huge following“. Impressionante!
Ele ainda me impressiona todas as vezs que o reassisto num DVD desta obra, feito, para minha grande felicidade exatamente naquela noite em que a assisti… Que bailarino!
Linhas masculinas como nunca mais voltei a ve-las.
Linhas de uma impressionante máscula suavidade… como se uma fina camada de espuma envolvesse seu corpo.
Jean Charles fez uma grande decisão aos 17 anos de idade: unir-se ao Ballet National de Marseilles onde Roland Petit, encantado por seu talento, nomeou-o “Etoile” e criou especialmente para ele ballets como Les Amours de Franz, Les Hauts de Hurlevents (O Morro dos Ventos uivantes – uma obra divina !) e Rosa…
Em 1983 ele foi honrado pela Imprenssa ameriana com o título de melhor Bailarino do ano. Debutando só em 1988 nos U.S.A. ele teve, depois de uma longa Tournee pelo país, a distinguida honra de dançar em Giselle na celebração dos 100 anos do “Met” a pedido pessoal de Baryshnikov!!!!!
Sua carreira, a meu ver hoje extremamente “esquecida”, levou-o do Canada para dançar com Evelyn Hart ao Scala para dividir o palco com Carla Fracci… e a incríveis trabalhos coreográficos com Joseph Lazzini, Karole Armitage, Uwe Scholz e até William Forsythe.
Ele foi solista do San Francisco Ballet de1985 a 1988, onde dançou uma outra “linha” de trabalhos como por exemplo coreografias de Balanchine e Jerome Robbins.
Muitos não esquecerão sua colabroração com Noëllla Pontois… Eu os imagino juntos... Noëllla era uma linda bailarina...
Nureyev convidou-o como “guest star” para a Opera de Paris para dançar na sua produção de “Romeu e Julieta” – o que causou um certo “frisson” de inveja e muitas intrigas nos bailarinos da casa… Maurice Béjart lhe deu “O pássaro de Fogo” para as apresentações no Grand Palais por ocasião da celebração dos 200 anos da Revolução Francesa… a última vez em que o vi no palco!
Ele foi “Etoile” dos Ballets de Monte-Carlo de1991 a 1997 e por aí vai seu imenso “Curriculum Vitae”.
Depois de mais de 20 anos dançando ao redor do Globo, Gil comeæou sua carreira como coreografo em “Electre” para o Ballet of the Grand Théâtre de Bordeaux.
Criou em 1999 o “Ballet des Jeunes d’Europe” e depois em 2003 o “BALLET D’EUROPE” . Esta companhia, onde ainda está, foi estabelecida em Allauch (perto de Marseilles).
Toda uma vida dedicada ao Ballet…
Como disse no início desta “Tertúlia”:
Relembrando o magnífico bailarino Jean Charles Gil .
Um dos meus grandes ídolos nos anos 80, ele debutou em N.Y. numa Gala do ABT no Lincoln Center em 1988..
Aqui um registro de uma noite histórica!!!!
Saudades de talentos assim… que parecem estar tão esquecidos hoje em dia pelo público…
Se existissem palavras possíveis de descrever completamente Natalia Makarova eu as usaria… todas... mas na realidade não as encontro…
Passam na minha cabeça adjetivos que só representam uma pequena parte desta grande artista. Ela, na realidade, é um “Melange” deles:
Natalia brilhante, emocionante, emocional.
Voadora, desafiadora, elegante. Ousada, musical, conservadora e inovadora.
Natalia lírica, poética, agressiva. Exótica, erótica, neurótica, real, inteligente.
Natalia forte, sensual. Natalia frágil, sensual. Natalia grande artista. Natalia mulher.
Natalia risonha, trágica, brincalhona, doce...
Natalia e suas visoes, seus sonhos,
seus mil demonios.
Natalia mil mulheres.
Makarova nasceu em 1940. Eu às vezes não consigo acreditar que no próximo ano completará 70 anos. Penso que foi „ontem“ que a vi dançando pela última vez. Foi no célebre „Lago“ com Anthony Dowell no Covent Garden em 1982. Que maravilha. Uma noite e uma performance inesquecíveis. Lembro-me de não poder adormecer no meu quarto de hotel e de ter saído para passear no meio da noite por Mayfair!
Eu sempre achei impressionante como ela conseguia projetar-se no espaço, como se fosse muito maior do que realmente era. A primeira vez que percebi isto foi quando a assisti em „Le Sacre du Printemps“ de Glen Tetley em N.Y., ainda com o ABT.
Durante os anos 70 e 80 os „dissidentes“ estavam „in“: Natascha anunciou, durante uma Tournée do Kirov em Londres, sua intenção de permanecer no mundo Ocidental por necessidade de liberdade artística. Isto aconteceu em Londres em 1970.
Nureyev tinha ficado no Ocidente em 1961, Baryshnikov só viria em 1974, Goudonov (para quem as coisas nao „funcionaram“ tão bem) em 1975. Apesar da imprensa internacional citar muito mais os passos e peripécias de seus companheiros masculinos (as vezes também por razões de nenhuma forma relacionadas à danca) Natascha era A BAILARINA dos anos 70.
Uma outra „lenda“ para mim, Gelsey Kirkland (Vide minha postagem de 29.06.2009) admitiu em sua biografia, „Dancing on my Grave“, sempre ter copiado „descaradamente“ Natascha. Também na magreza.
Natascha influenciou toda uma geração de bailarinas. Infelizmente não é todo corpo que é tão „magro“ como o de Natascha. Muitas bailarinas do ABT, New York City Ballet etc. tiveram grandes distúrbios relacionados à bulemia e à anorexia – inclusive Gelsey (que hoje em dia prega o „Thin, in Ballet, is not „in“!).
Não devemos esquecer de sua remontagem de „La Bayadére“ ainda nos anos 70 e – bem depois de ter parado de dançar - seu „coaching“ com a maravilhosa canadense Evelyn Hart que „reinventou“ completamente suas Odette/Odille com um „empurrãozinho“ de Natascha.
Um de seus poucos „empreendimentos“, que realmente não me agradou, foi sua „excursão“ ao teatro Musical em „On your Toes“. Até hoje não compreendo como ela recebeu um „Tony“ em 1983, por sua atuação na Broadway. Achei-a terrível. Também seu discurso de agradecimento foi meio „embarassing“. Mas esta é uma opinião minha.
Existe em DVD um péssimo programa de televisão, do final dos anos 80, chamado „Natascha“ (a direção e a camera são reamente péssimas!) no qual uma curta cena de „On your Toes“ foi colocada. Nao acho que ela „falando“ esteja à vontade, „no seu elemento“ como na Dança. Uma bailarina tão maravilhosa… o que importa sua voz? Mas pelo que li Natascha tem trabalhado desde os anos 90 como atriz. Também em russo.
Existem dúzias de vídeos seus no Youtube… Odette, Odille, aulas, ensaios, Kitri, Julieta, Manon, Aurora, A Morte do Cisne… uma maravilha depois da outra. Quiz porém colocá-la aqui em Raymonda. Uma das minhas preferidas variações! Acho-a musicalmente de uma exatidão maravilhosa… perfectly pin-pointed (o que para mim significa nunca adiantar-se, nem que seja por um milésimo de segundo). Perfeita!
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Ninguém soube usar o branco como Maurice Bejárt em seus ballets... Que inspirado! Aqui Jorge Donn e (acho, nao estou com ceteza) Suzanne Farrell...
O branco é uma cor, que no palco pode ser linda… por outro lado ela é meio, não, extremamente perigosa se indevidamente usada. Aqui outros exemplos...
Anna Pavlova na "Morte do Cisne"
...e a notória Isadora Duncan!
A “cor da pureza” usada pelas noivas foi “reinventada” para os vestidos de casamento por ninguém mais, ninguém menos do que a rainha Vitória para seu casamento em 1840. Até então o branco era a cor do luto para a nobreza no mundo ocidental (interessante pensar-se que o branco, até hoje, ainda é a cor do luto em muitos países orientais). Alguns séculos antes o branco realmente tinha sido usado num casamento nobre: o da menina Mary Stuart com o Dauphin da Franca. Só que com uma pequena diferença: ela realmente queria mostrar sua tristeza em casar-se com ele... Ele que morreria dois anos depois ao 16 anos de idade depois deixando-a uma viúva e ex-rainha da França aos 18 anos (com um destino bem complicado para resolver...). Bem, mas esta é outra estória para o futuro.
Mas também as "Ziegfeld Girls" nao prescindiam de um "branco" junto a um ocasional trabalho de pontas... que foto mais deliciosa, nao?
E "La Sylphide"...
Aqui uma jovem, linda e talentosíssima Natália Makarova no "Lago": Odette o cisne branco - ainda minha preferida!
Bem, de volta a 1840... Depois do casamento de rainha Vitória o branco tornou-se a cor mais usada em casamentos. O seu lado simbólico (“o verde é a esperança, o vermelho o ciúme e aí por diante!) foi tao “misturado” com a pureza e com a virgindade que já em 1841, ou seja um ano depois do casamento de Vitória, o branco entrou em cena no seu mais rico esplendor em termos de inspiração: em Giselle. O branco misturado com a líder das Willis, Myrtha ( a flor é o símbolo da pureza... Na "Ópera dos tres vinténs" de Brecht/ Weil ela é mencionada: "Und gibt's keine Myrthe im Haar" / "e nao existe nenhuma myrtha no cabelo", um comentário sobre um casamento que "nao foi bonito" pois, entre outros motivos, faltavam as myrthas no cabelo da noiva... ), transformou-se para sempre no símbolo da “castidade” (apesar da myrtha, a planta, na velha Roma ter sido considerada como o símbolo da fertilidade! Estranho paradoxo...).
De qualquer forma - Viva os efeitos visuais que o branco alcança no palco!
Tres "Giselles" sendo a última minha querida Evelyn Hart!
Aqui um dos exemplos mais tristes do mal emprego do branco: um "Monstro Branco", um Pavão horrendo! Coitada! Mas... o que é isto???????
Baryshnikov que algumas vezes, mais jovem (ainda mais "soviético"), deveria ter optado por outra cor, aqui em "Dom Quixote".
no clássico "Lago dos Cisnes",
... e mais recentemente na incrível versao do “Lago” de Matthew Bourne com os cisnes masculinos! Um trabalho genial!