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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Follies: subindo e descendo escadas...


Inspirações podem ser espontaneas...às vezes não… mas, a verdade é que podemos até esquecer do que as causou...

Adoro um video que foi feito do espetáculo em honra dos 80 anos de Stephen Sondheim em 2010… Sim, o “mestre” nasceu em 1930…


Tantos maravilhosos talentos reunidos numa única noite, num único palco…

Principalmente a cena de “Follies” (que começa com “Beautiful Girls”, grande número…) prendeu completamente minha atenção e abusou de toda minha concentração (e continua com o mesmo efeito, apesar de eu já te-la assistido várias vezes!): David Hyde Pierce canta e introduz as fantásticas, veteranas Patti LuPone, Marin Mazzie, Audra McDonald, Donna Murphy, Bernadette Peters e Elaine Stritch, que simplesmente “arrasam” (Mais sobre as cenas indiduais de cada uma delas em próximas postagens de “As Tertúlias”)!



Como “não existem coincidências” recebi um destes dias o DVD de “Ziegfeld Girl” (MGM, 1941) com Judy Garland, Heddy Lamarr e Lana Turner… será que um garotinho de 11 anos deixou-se inconscientemente inspirar com esta cena de LanaTurner “descendo” as escadas…


O filme, na realidade, possui todo um simbolismo cínico sobre o “descer” e “subir” em volta do personagem de Lana:
ela é descoberta como ascensorista subindo e descendo elevadores, ela sobe aos palcos para ser uma estrela de Florenz Ziegfeld, subindo e descendo escadas, no final do filme infeliz e “mantida” por um homem velho ela “desce” e se volta para o álcool…

O simbolismo das escadas…


Sim será que o garotinho Sondheim se inspirou aqui, inclusive musicalmente?



(Um dia teremos também que falar sobre Bette Davis subindo e descendo as escadas da Warner por 15 anos... ).

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Georges Seurat: "Un dimanche après-midi à l'Île de la Grande Jatte" & “Sunday in the Park with George”


Não é segredo que sou fascinado por (bons) shows da Broadway, também não que amo a música e a sensibilidade de Stephen Sondheim… e muito menos que sou um grande admirador da talentosíssima Bernadette Peters. That’s common knowledge para os Tertuliadores…


Obra teatral, que recebeu o Pullitzer Prize (categoria Drama) em 1985 “Sunday in the Park with George” é um musical incrívelmente “inspirado”, complexo e ao mesmo tempo transportador de uma estória extremamente bem definida e simples linguagem… Linguagem que arrebata o publico e toda sua atenção e concentração.


Este trabalho com música e letras de Stephen Sondheim e “livro” de James Lapine foi inspirado maravilhosamente no quadro de (Georges) Seurat “Uma tarde de domingo na I'lle de la Grand Jatte”… Realmente inspirador…


Obra complexa, que gira ao redor de um Seurat ficcional completamente imerso em seu processo de criação pintando as pessoas e emoções representadas nesta grande obra-prima neo-impressionista.


O trabalho de Seurat, grande representante técnica do “pointilismus”, serve, com sua luz, suas cores, suas nuances, como uma luva para esta delicada estória ficcional. …


A partir do momento em que somos apresentados a George (um jovem Mandy Patinkin, lembram de "Yentl"?), passando pelas fantasias e reclamações de sua amante analfabeta (gloriosamente interpretada por Bernadette Peters) até chegar a personagens dictícios que foram (na realidade) pintados e eternizados neste quadro, é literalmente impossível desprender a atenção da tela... do palco...




Incrível... Magnífico...


Aqui Bernadette como “Dot”, a amante de Seurat, num outro momento típicamente (não só musicalmente) “Sondheimiano”…



O show estreiou for a da Broadway em 1983 (com Patinkin e Peters) e só foi apresentado 25 vezes… Só possuía um ato e este mesmo ainda estava sendo desenvolvido… Sondheim, com louca, maníaca inspiração, perseverança e absurda rapidez, completou o Segundo ato que abriu para as tres últimas apresentações!!!!! Leonard Bernstein (amigo de Sondheim, com quem trabalhou em "West Side Story") lhe escreveu: “ brilliant, deeply conceived, magisterial and by far the most personal statement I’ve heard from you thus far. Bravo”.


Precisa-se de mais incentivo do que isso?
O musical foi transferido para a Broadway em 1984, o segundo ato finalmente “congelado” dois dias antes da estréia… As críticas foram “mixtas”. O show não foi “estraçalhado” pela crítica mas também não foi reverenciado devidamente… porém não lhe faltou publico e ele só fechou em 1985, isto depois de 604 espetáculos! Um sucesso de bilheteria!

Apesar de receber o Pullitzer Prize e ser nominado para para dez “Tonys” (recebeu dois) “Sunday” não entrou para a lista dos “eternos Sucessos” da Broadway.

Por isto talvez, tento recuperar um pouco da história perdida e insisto em colocá-lo aqui, brilhando pelo que tem de mais profundo: Sensibilidade.


Mesmo que “Sunday”, hoje em dia, tenha finalmente tornado-se um clássico, a memória do público é curta, muito curta – Temos, como pudermos sempre ajudar a memória, nossa memória…

E na realidade acho que esta é a verdadeira função, o verdadeiro objetivo destas "Tertúlias" frequentes... não deixar que nos esqueçamos...

"Sunday"... Divirtam-se com todo o elenco neste emocionante, fascinante número...




domingo, 18 de março de 2012

My Broadway Babies: Baby # 2 Bernadette Peters

Jamais perderia tempo escrevendo sobre QUEM é Bernadetten Peters... PETERS é simplesmente "só" um ícone na Broadway (e de certa forma no cinema). Quem não sabe quem ela é… Sinto muito… não tenho tempo, nem paciencia para explicar :-)
Aqui mais um número do meu querido Stephen Sondheim!


Enjoy!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 9 de março de 2012

My Broadway Babies: Baby # 1 Marin Mazzie

De certa foma sou um „late Bloomer” no que diz respeito a Stephen Sondheim

Já bem adulto descobri mesmo o trabalho dele com todas suas nuances, pensamentos entre vírgulas (coisa aque só conheço em Richard Strauss), insinuações...

Não que não o conhecesse. Eu simplesmente nunca tinha lhe dado a devida, correta atenção…
Desde o início dos 90 estou neste interminável “love affair” com sua música…
"Follies", "Sunday in the Park with George", "Company", "A little Night Music" só para citar alguns...


Aqui, uma outra descoberta recente (para mim): a maravilhosa Marin Mazzie que inicia a minha nova “série” das Tertúlias”: MY BROADWAY BABIES!
(na foto acima Marin ao lado de Bernadette Peters , outra Broadway Baby, Mandy Patinkin e do próprio Stephen na comemoração do seu octagésimo aniversário em 2010 !!!).

Marin possui uma qualidade muito especial no palco... e como amo seu sorriso.
Consciente do perigo de que possam me chamar de piegas ou de "cafona", tenho que chamar o que vejo no final de sua performance pelo nome que me vem imediatamente à cabeça: ela é MEIGA!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

The ladies who lunch...


O talentosíssimo e sensível Stephen Sondheim escreveu esta maravilhosa e perspicaz canção para o seu „show“ de 1970 chamado „Company“… mas vamos dar antes um passeio por New York do início do século passado para sabermos quem são estas “ladies who lunch”


Quando o primeiro “Waldorf=Astoria” foi criado (no quarteirão onde hoje em dia se situa o Empire State Building) abriu-se uma nova “porta” para as Senhoras da sociedade nova-yorkina: finalmente um restaurante, um ambiente digno para senhoras que gostariam de almoçar, sem respectivos consortes, só “entre elas”.
Uma nova possibilidade, um novo horizonte, uma nova dimensão social foi fundada… e foi depois "extremamente bem" exportada...


Como a moda da época usava e abusava das “plumas de pavão” (como o “clothes-horse”, a divina Gloria Swanson “ditava”) em leques, chapéus etc., o salão de encontro das damas foi apelidado de “The peacock room”.
Nome este que foi levado para o atual Waldorf=Astoria.
De quantas fofocas, mentiras e intrigas este "salão" já deve ter sido testemunha...


Foi iniciada uma nova “cultura gastronomica” – desde a decoração até os Menús “for the ladies” (mais leves, mais frugais para manter “a linha” – a waste-line – tão apertada dentro de espartilhos… ).


Bebidas foram criadas (como o famoso “Alexander” que contém um pouco de Brandy mas muito creme-de-leite doce e Crème-de-cacao), flores passaram a "entrar e sair de moda" (!!!???), arranjos para piano dos sucessos da época foram compostos de forma mais floriada e toda uma indumentária para o “lunch” foi idealizada… de mes a mes, de ano em ano... Na realidade o almoço “fora” oferecia às senhoras (como oferece até hoje) uma diferenciação (e um pretexto), em termos de guarda-roupa entre a tarde e a noite… Pensando em termos de economia… Wow!!! Quantos negócios lucraram (e lucram) das “ladies who lunch” até hoje…


The ladies who lunch…

Elaine Stritch cantou este número, que tão bem descreve a filosofia das “ladies who lunch”, na primeira produção de “Company” de 1970.
Sondheim captou perfeitamente a “essencia” destes almoços… fato que me foi confirmado quando uma queridíssima amiga de muitos e muitos anos, já há algum tempo atrás, comentou certos almoços de “ladies” com a seguinte frase:

“Não entendo… Elas falam mal umas das outras, brigam, fofocam, se odeiam, ficam de “mal” e depois saem para almoçar juntas… não dá para compreender…”.
Eu não compreendo.


Existe um esquecido filme, chamado de “Opposite Sex” (MGM 1956), um “remake” de “The Women” (MGM 1940) com June Allyson, Joan Collins, Agnes Moorehead, Ann Miller, Ann Sheridan, Dolores Gray e várias outras, que é cheio dessas cenas “ferinas”… que terminam, muitas vezes, "acabando" com a anfitriã!


Quando, às vezes, uma das atrizes sai de um determinado recinto, onde estão todas reunidas, e as restantes encontram imediatamente um motivo para falar, fofocar… Hilário… mas, pelo que já ouvi, bem verdadeiro…

A abertura de “The ladies who lunch” de Sondheim já diz tudo…

I'd like to propose a toast
Here's to the ladies who lunch
Everybody laugh
Lounging in their caftans
And planning a brunch
On their own behalf
Off to the gym, then to a fitting
Claiming they're fat
And looking grim, 'cause they've been sitting
Choosing a hat
Does anyone still wear a hat?
I'll drink to that


Aqui a fantástica Patti Lupone numa interpretação que ainda considero superior à de Stritch (Stritch, ótima atriz, não canta realmente e Patti tem uma voz, para musicais, abençoada por Terpsícore – não é à toa que foi a primeira “Evita”). Que voz!!!!!!

Meu “Brinde” pessoal para as “Ladies who lunch”! TOGETHER!!!!!!!!!!



Para quem tiver a curiosidade de ver/ouvir Stritch...


domingo, 25 de setembro de 2011

Liza & Billy Stritch: Back in Business... (e eu amanhã "back to business")

Não é que eu realmente esteja « back in business » (nunca saí dele) mas amanhã, depois de duas semanas e pouco fora da Austria, estarei “back to business” (apesar de minha cabeça ainda estar em algum lugar em Koh Samui… depois conto das férias!).


Bom “voltar” às Tertúlias... Acreditam que em todo esse tempo nem liguei algum computador? Isso sim que é descansar!

Divirtam-se com Liza – em grandíssima forma – com Billy Stritch por ocasião de uma homenagem a Stephen Sondheim… Genio…
Amo esta música, o piano glorioso de Stritch (ele tocou para Liza este ano aqui no festival de Jazz!) e a coreografia... Reparem com “que energia” as bailarinas saem do palco… que coisa animada! Que coisa mais gostosa e contagiante (em sua energia) este número!

Thank you, Liza! De certa forma, com este número, voce me ajuda a voltar "mais fácilmente" à rotina do trabalho...

domingo, 14 de agosto de 2011

I'm still here... Follies, Sondheim, Carlotta, Postcards, Shirley & Co.

Com o passar dos anos - Thank God - vamos compreendendo melhor certas coisas que, as vezes, até nem julgávamos tão triviais… Eu disse “certas coisas”. Outras não… Palavras que já eram densas tornam-se ainda mais fortes. Isso me aconteceu ouvindo um dias destes ♫ ♪ “I’m still here”! ♪ ♫


Já há alguns anos escrevi sobre o maravilhoso “Follies” de Stephen Sondheim, de como foi inspirado, do fracasso que foi, das atrizes “velhas” que usou… Uma verdadeira obra de arte. Uma obra muito densa de arte.
Vide minha postagem de agosto de 2008... Follies...
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Uma obra bastante incompreendida na época de sua estréia original…Agora “Follies” está de volta à Broadway de novo (com minha querida Bernadette Peters) e eu, que estive em maio em New York ( e perdi Peters em "A little Night Music"), estou aqui em Viena. Um triste caso – nada incomum comigo - de “bad-timing”! Ave.... struz!

♫ ♪ “Ainda estou aqui” (“I'm Still Here”) é mais do que uma canção para parar um show e provocar aplausos (apesar de ter este efeito sobre a platéia). Contada por um personagem (Carlotta) que “esteve lá”, que “viu tudo” e cantada por uma atriz, já não mais tão jovem, que adiciona seus anos reais de “show-business” aos do personagem, ela “mexe” com todos os membros do público… ♪♪ ♫

♪ ♫ Aqueles que “estiveram lá” podem se identificar profundamente com Carlotta e com a constatação que ainda “estão aqui”. Aqueles que ainda são muito jovens podem admirar a coragem e determinação de alguém que viveu e viveu para poder contar – e cantar - esta estória com uma paixão eletrificante! ♫ ♪


♫ ♪ Originalmente escrita para o personagem “Carlotta” (na produção original desempenhada pela deliciosa Yvonne de Carlo, para muitos conhecida “só” como Lilly Munster de “Os Monstros”) esta canção foi reescrita por Sondheim para adaptar-se ao personagem de Shirley MacLaine em “Postcards from the Edge” (1990, baseado no livro escrito em 1987 por Carrie Fischer), aqui interpretando uma des suas melhores amigas, Debbie Reynolds, a verdadeira mãe de Miss Fischer. ♫ ♪


Parece-me porém que com o decorrer dos anos, menos e menos pessoas entendem as referencias do texto – uma decorrencia idiomática e cultural bem comum… Infelizmente… Quem era “Zanuck”? O que é “Stock”? E “Camp” e “true blue Tramp”??? (e este é o texto “fácil”, o que foi reescrito para o filme… o “original” é bem mais complexo… )

Já há alguns anos escrevi sobre o maravilhoso “Follies” de Stephen Sondheim, de como foi inspitrado, do fracasso que foi, das atrizes “velhas” que usou… Uma verdadeira obra de arte. Uma obra muito densa de arte. Uma obra bastante incompreendida na época de sua estréia original…Agora “Follies” está na Broadway de novo com minha querida Bernadette Peters) e eu, que estive em maio em New York, estou aqui em Viena. Um triste caso – nada incomum - de “bad-timing”!


♫ ♪ “Ainda estou aqui” (“I'm Still Here”
) é mais do que uma canção para parar um show e provocar aplausos (apesar de ter este efeito sobre a platéia). Contada por um personagem (Carlotta) que “esteve lá”, que “viu tudo” e cantada por uma atriz, já não mais tão jovem, que adiciona seus anos reais de “show-business” aos do personagem, ela “mexe” com todos os membros do público… E MacLaine aqui, entre nous, está sensacional! ♪♪ ♫


Mesmo assim, para todos aqueles que podem compreender toda a complexidade do contexto, ela vale muito. No meu caso até acho que a compreendo mais e mais a cada dia… Bem, eu também “Ainda estou aqui”… E (como Streisand uma vez disse), uma das coisas positivas em se ficar velho é constatar que se pode sobreviver às decepções da vida...



I`M FEELING TRANSCENDENTAL
AM I HERE?

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

301 Park Ave., N.Y., Waldorf=Astoria: não só um belo endereço mas uma jóia do Art-Deco... You're the Top!

Durante minha vida aprendi uma coisa muito importante: to let it go (deixar ir, largar, soltar).

Como posso me expressar mais precisamente? Bem, se algo “se acabou” como, por exemplo, um trabalho, uma amizade, uma fase da vida, um relacionamento... Eu “deixo ir”, sei "soltar".

Let it go…


Mas existem momentos - por que são muito positivos - nos quais é muito difícil "soltar"...

Não consigo no momento “deixar uma boa memória" ir, desaparecer:
a semana que passei em New York há pouco tempo.

Dias repletos de harmonia, de divertimento e até de (como sempre em N.Y. – por mais que um a conheça) descobertas…



Pela primeira vez fiquei hospedado no Waldorf=Astoria (sim, sim, o nome oficial é com um hífen – uma das raríssimas palavras em portugues que terminam com um “n” - este o porque da expressão "Meet me at the hifen").
E um novo mundo de descobertas se abriu para mim.

Além do „grandeur“, ótimo serviço, bom gosto, impecáveis quartos, objetos de arte (que estátuas Art-deco mais maravilhosas no Bar principal) e simpatissíssimo „Staff“, um novo mundo abriu-se para mim, não só em termos de Art-Deco como também de história.



Agradecemos a existencia do Waldorf=Astoria, à uma disputa familiar: William Waldorf-Astor concorreu ao Senado e não conseguiu votos suficientes. Para “vingar-se” não só de parte de sua família (a que não o apoiou) como também dos “Four hundred” de Nova York, ele resolveu mudar-se para a Inglaterra, de lá administrar seus bens e mandou colocar abaixo sua mansão da Quinta Avenida para construir um hotel! Deve-se chamar atenção ao fato de que a Quinta Avenida na altura da 34th Street era a zona mais fina e residencial de Manhattan no final do século XIX. Um hotel era inadmissível, um escandalo na realidade.
O “Waldorf” foi inaugurado em 1893 e tinha 13 andares de altura.



O detalhe mais “sarcástico” dessa estória é o fato de que vizinha à esta propriedade se encontrava a mansão de sua tia, Mrs. Astor, líder da alta sociedade nova-yorkina (mesmo que composta só de novos ricos do "novo-mundo". Sua residencia ficou mais do que oprimida ao lado desse imenso hotel. Mrs Astor mandou construir uma outra mansão “Uptown” e abandonou sua casa e sua famosa sala de bailes (o porque dos “New York-four hundred” é fácilmente explicável: o salão de baile de Mrs. Astor, só acomodava 400 convidados… então a “Upper-crust” ficou resumida à 400 pessoas – quem não era convidado para esses famosos bailes não era “in”) .
Seu filho John Jacob Astor IV colocou a mansão abaixo e construiu, ao lado do Hotel Waldorf, o Hotel Astoria, que abriu suas portas em 1897 e era quatro andares mais alto que o Waldorf.

Os hotéis foram construídos como duas unidades separadas mas o Astoria foi planejado de uma forma que uma “conexão” poderia ser feita na altura do “Peacock-Room”.
“Peacock” é um pavão… e na última década do século XIX, suas plumas estavam en vogue para adornar os chapéus das senhoras. Como a sociedade feminina nova-yorkyna tinha descoberto os “almoços fora”, esta sala vivia cheias de senhoras e, óbviamente, destas plumas (como diria Stephen Sondheim na sua canção: The ladies who lunch…). À elas agradece seu nome. No atual Waldorf=Astoria existe um Peackcock-Room... apesar de chapéus não existirem, quanto menos plumas de pavão... e pouca gente sabe o porque desse nome.



A “disputa” ou “briga familiar” de certa forma acabou; eles esqueceram o assunto e os dois hotéis foram conectados, usando uma única recepção e dando início ao que até hoje conhecemos como “um templo” em questões de hoteleria. Este novo Hotel uniu o nome dos dois hotéis existentes: The Waldorf =Astoria. Na época o maior hotel do mundo, foi o primeiro a promover eventos caritativos, bailes de sociedade (ao qual todo o “who’s who” nova-yorkino comparecia) e a ter “Room-Service”, coisa até então desconhecida!



No final dos anos 20 do século XX a zona “posh” de Manhattan já tinha se mudado ou para “Upper Midtown” ou para “Uptown”. Foi comprada uma grande parcela na Park Avenue entre as 49th e 50Th Street para um novo hotel e o “antigo” Waldof=Astoria foi demolido para dar lugar a um outro marco da skyline de Manhattan: o Empire State Building (que, junto ao Chrysler Building, utiliza, da forma mais bonita que conheço,o uso de mármore em sua portaria. Art-Deco pura.)

O contrato para a construção do “novo” Waldorf=Astoria foi fechado horas antes do “Crash”, da queda da bolsa de 1929. Por pouco não teríamos o que é hoje um grande legado arquitetonico e histórico para N.Y.. O Waldorf=Astoria definitivamente pertence ao patrimonio cultural de N.Y..



As construções do “Waldorf-Astoria”, do “Empire State Building” e de parte do “Rockefeller Center” entre 1929 e 1933 foram grandes fatores de “ajuda” durante os anos da Depressão. Deram emprego a milhares de homens.
Se o Empire State foi construído num tempo “record” (14 meses), os 47 andares do Waldorf-Astoria demoraram um pouco mais .



Este só foi aberto ao público em 1933.



Na época ele transformou-se de novo no maior hotel do mundo (1508 quartos) e tinha um dos Night-Clubs mais interessantes de New York: o “Starlight Roof” (que infelizmente não mais funciona). Localizado no décimo-oitavo do edifício o seu teto era móvel, ou seja, em noites estreladas ou de lua, o teto se abria e os “customers” dançavam ao luar… isn't it romantic?



Aqui se apresentaram muitos nos anos 40 e 50: Frank Sinatra, a grande Rosemary Clooney (a tia de George, para quem não a conhece), Dinah Shore, Lena Horne...



É a “casa longe de casa” do presidente, onde, até hoje na suite presidencial, se encontra a cadeira de balanço de John F. Kennedy (Por falar em legados… Cole Porter e sua esposa, Linda, viveram nas “Towers” de 1934 a 1964. Seu piano, um maravilhoso “Steinway & Sons” está hoje em dia perto do Lobby da Park Ave. Eu o olhei com grande respeito, homenageando-o silenciosamente – Acho que Cole entendeu!)



Vale a pena pesquisar mais sobre a história deste maravilhoso hotel: só a cozinha é do tamanho do quarteirão e produz mais de 14.000 mil "meals" por dia! (O Waldorf=Astoria ocupa todo um quarteirão).

Não só Cole Porter mas também Marilyn Monroe, a colunista Elsa Maxwell (as duas, na próxima foto, na suite de Monroe), Bing Crosby viveram aqui (“Bing” teve que mudar-se das Towers para um andar mais baixo – sofria de medo de Alturas!). Assim como Frank Sinatra (que ficou com a suite 33a – a de Cole & Linda Porter!).



Ginger Rogers, Walter Pidgeon, Lana Turner e Van Johnson trabalharam em “Week-End at the Waldorf” (MGM, 1945), um remake de “Grand Hotel”, filmado on location no hotel!



Reis, rainhas, princípes e princesas – todos se hospedaram aqui. Grace Kelly e Rainier do Monaco celebraram aqui seu noivado.



O Hotel tem uma própria plataforma ferroviária subterranea (que pertence oficialmente à Grand Central Station na rua 42). Esta foi usada, entre outros, por Roosevelt – o elevador é imenso pois foi construído para o carro do presidente.
Todos os presidentes americanos, desde Roosevelt, viveram, quando em N.Y., no Waldorf=Astoria.

O Hotel criou a famosíssima “Waldorf Salad” (imortalizada num verso de “You’re the Top” de Porter: “You’re the Top, you’re a Waldorf salad…”)



E como sou um grande “eater” na hora do “Breakfast” estarei sempre grato ao Waldorf=Astoria pela criação de um dos maiores pecados culinários matinais: Eggs Benedict! God bless!!!!
Como meu pai os amava… Bem, filho de peixe, peixinho é…



Bem, como seja, não estou querendo deixar esses momentos passar… Aqueles momentos quando descia ao Lobby, tendo descansado dos passeios diários e arrumado, perfumado, tomava um Drink – às vezes só um copo de vinho tinto no Bar principal, antes de sair para jantar… Ouvindo os acordes do lindo relógio da Exposição Mundial… e o piano de “Sam” – uma maravilhosa pianista com quem fizemos amizade… Ela tocou para mim não só “Laura” como também “My melancholy Baby”… Ahhh, que vida boa!!! (E o Bartender, Tom, era amigo de Colin Donnel, que muito admirei em “Anything goes” – vide a postagem passada!)



P.S. uma dica: se voce tem alguma conta do Waldorf=Astoria… Se seus pais ou avós passaram a lua de mel lá ou alguém de sua família esteve lá… Não importa o ano: apresentando a conta original, o hotel ficará com a conta para o museu do hotel, mas lhe dará o mesmo preço pago na época…

P.S.2 Meu Lobby predileto: o da Park Ave.



P.S.3 Thanks Cole!

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P.S.4 Obrigado Erich por este lindo presente!