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domingo, 20 de dezembro de 2009

REMEMBERING: Jennifer Jones

No dia 17 de Dezembro o mundo perdeu mais uma vez uma querida atriz dos áureos tempos de Hollywood: Jennifer Jones ( 2.3.1919 - 17.12.2009).
Como o mundo virtual está „fervendo“ com matérias sobre ela, não vou preocupar-me muito em contar sua história ou ir a fundo nos detalhes de seus filmes.

Gostaria porém de colocar algumas fotos dos meus filmes prediletos com ela. Talvez alguns, que ainda não assisti como „Clunny Brown“, „Love Letters“ ou „Indiscretion of an american Housewife“ venham a entrar nesta lista.

Ela tinha feito em 1939 dois filmes como Phyllis Isley, seu nome verdadeiro, sem o menor exito… Isto antes de passar por um intenso período de „grooming“ no qual transformaram-a em „Star-Material“. Seu primeiro filme como Jennifer Jones trouxe-lhe o Oscar de melhor atriz em 1943 „The Song of Bernadette“. Quatro outras nominações seguiriam no futuro.

Em „Since you went away“ (1944) ao lado de Claudette Colbert, Joseph Cotten, Shirley Temple, Lionel Barrymore e Robert Walker (seu marido na época) entre outros, teve grande exito com público e crítica.
Duelo ao Sol (Duel in the Sun, 1946) como a afetadíssima Pearl Chavez.
No meu filme preferido com ela: o inspirado e sensível O Retrato de Jennie (The portrait of Jennie, 1948), um dos filmes preferidos também de Luís Buñuel (Vejam também minha longa postagem de 14.02.2009 sobre este filme) e um dos mais fascinantes estudos cinematográficos sobre o tempo, o passado, magia....

1949 foi uma ano que lhe trouxe um sucesso imenso em Madame Bovary

e um grande fracasso: A produção inglesa „Gone to Earth“, filme incompreendido na época com um dos finais mais assustantes da história do cinema.

Jennifer afastou-se por três anos das telas, só voltando em 1952 em „Carrie“ onde se presencia a total destruição social e moral de Laurence Olivier, no filme seu amante.

Em 1955 como a médica eurásia, Dr. Han Suyin, ao lado de Bill Holden (de novo sem camisa) em „Love is a many splendored Thing“ (Suplício de uma Saudade), talvez o filme pelo qual até hoje é mais lembrada.

A cena do cigarro é até hoje (como a cena de praia entre Burt Lancaster e Deborah Kerr em „From Here to Eternity“) considerada um momento „erótico“ clássico dos anos 50.
Em „The Barrets of Wimpole Street“ (1957) interpretou a poetisa Elizabeth Barret Browning e numa interessantíssima e forte cena com Sir John Gieguld conseguiu o quase impossível na época: Sem nunca tocar na palavra revela ao público o amor incestuoso que seu pai por ela sentia e abandona a casa para casar-se com Browning.
Mais uma vez se afasta por muitos anos do cinema, voltando em „Tender is the Night“ (Suave é a Noite, 1962) ao lado de Jason Robards, Joan Fontaine e Tom Ewell. Lembro-me de uma descrição uma vez no Jornal do Brasil: „Jennifer Jones que neste filme tem a boca das mulheres que sofrem“ (Como eram bons os tempos mais moldados por sentimentos e sensibilidade, antes desta era tão „cool“ na qual vivemos).
Seu último filme foi „Inferno na Torre“ (The Towering Inferno, 1974) que assisti no „Roxy“ em Copacabana antes de ser dividido em vários cineminhas. Mas sobre este filme nao vale muito a pena falar.
Ela adoeceu sériamente com Parkinson, viu seu segundo marido morrer (o famoso produtor de …e o Vento levou! David O.Selznick) e sua filha de 21 anos se matar.
Agora Jennifer descansou!

Porque sempre me sinto „viúvo“ e „órfão“ ao mesmo tempo quando certos atores/atrizes de Hollywood morrem?

Aqui a inesquecível cena do baile de Madame Bovary - grande trabalho de Vincente Minelli: reparem no "timing" desta cena, principalmente a "extaseante" valsa "brilhante", a partir do quinto minuto deste vídeo, com o jovem e belo Louis Jourdan. Quanto simbolismo... A valsa, a extase, o quase desmaio, o romper dos cristais das janelas... Cinema at its very best!
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

To like it or not to like it, this is… NO question! Só uma questão de gosto... Uma Tertúlia enlouquecida…

Curioso, como às vezes, por ter-se uma opinião diferente da opinião geral, o que é a coisa mais natural do mundo, pode-se chegar até a chocar e insultar uma pessoa.
Lembro-me de ter dito uma vez para amigos em Berlim : „Não suporto a música de Tchaikowsky e aquela repetição incansável e chata de temas melodramáticos“. Meus amigos ficaram boquiabertos: „Mas como? Não gostar de Tchaikowsky? Que absurdo!“. Senti-me por alguns momentos como um assassino, um bandido, um vilão terrível, vestido com uma capa preta, torcendo a ponta dos bigodes enquanto sorria malignamente… Talvez muitos deverão estar neste momento vendo-me assim mesmo...

Tudo bem. Tenho, por causa do Ballet e do „Lago“, também uma outra conexão com Tchaikowsky. O „Lago“ é para mim o „Lago“ por causa do Ballet, a música vem para mim em segundo plano. Mas considerando o resto da obra de Peter Iljitsch (das sinfonias aos seus concertos para piano, de „Pique Dame“, „Onegin“ ao „Quebra-Nozes“) acho-o chato, exageradamente sentimental, piegas e como disse acima, repetitivo ao extremo. Sua música, muitas as vezes, é infestada de uma simplicidade barata, de uma banalidade fora do comum. Pobre enfim. Quem realmente entende de música concordará comigo. Se eu penso na música e na inventividade de um Schumann, de um Liszt, de um Brahms, de um Rachmaninoff… Nossa, nao é óbvio? Mas isto, repito, É uma tertúlia... lugar onde podemos opinar sobre tudo!
Concordar e discordar!

Mas porque reagimos assim? Acho que as vezes não questionamos mais „racionalmente“ certas coisas que conhecemos já de toda uma vida. Aceitamos o fato porque „sempre foi assim“.
Feijoada é comida na quartas-feiras porque sempre foi assim, no Natal come-se Perú porque sempre foi assim, citar socialmente a arte de Nureyev e Fonteyn ou a linda (considerada por conhecedores como a mais feia „grande“ ) voz de Callas porque sempre foi assim… Sempre se fala isso...

Tudo uma questão de gosto. E falta de questionamentos. Quem lê este meu espaço, sabe que sou apaixonado loucamente por muitas coisas. Sou também muito criticado por opinar sincera- e livremente sobre temas que parecem estar „acima“ de qualquer crítica. Como se fosse um pecado não estar de acordo com a maioria. Por exemplo, quando refiro-me ao „Cinema-Novo“. Muitos falam da qualidade „artesanal“ desta época do cinema nacional. „Qualidade artesanal“ é „conversa mole para boi dormir“ e só serve para justificar a falta de técnica daqueles filmes que envelheceram rápidamente antes do tempo ("Casablanca" de 1943 envelheceu?). Cinema-Novo era uma chatura mesmo. Glauber Rocha também. Maria Bethania outra, Novelas da Globo ainda mais. Os musicais de Andrew Lloyd Weber me deixam irritado (talvez com exceção de „Sunset Boulevard“). Enjoei de Barbra Streisand, desta „Persona“ californiana que ela inventou, tão distante da encantadora judiazinha do Brooklyn que ela foi.
Sempre achei Dercy Goncalves um horror e considero Jo Soares um péssimo entrevistador (isto, só se voce tem uma opinião diferente da dele e não está dizendo o que ELE quer ouvir!). Muitas coisas de Chico Buarque me cansam pois são quase como cápsulas de vitamina – com todos os elementos corretos, certos e adequados na mais perfeita dosagem para conseguir o efeito desejado do sucesso – agradando muitas vezes Gregos e Troianos. Sim um outro que, apesar de ter coisas lindas, também é muito repetitivo.

Estes sao só alguns exemplos que tentei relacionar ao Rio/Brasil... existem muitos outros...

Vamos ser sinceros, porque nao pode-se dizer que nao se gosta de certos personagens mesmo que sejam (como uma vez me disseram) ícones? O que sao "ícones" da música brasileira? Bethania? Buarque? E o que aconteceu a Villa-Lobos? Bidú Saiao? e a Paulo Forte, Dick Farney e Dolores Duran? Só para citar tres "bem diferentes"......

Acho as descrições de Dostojewskij longas, desnecessárias e cansativas (principalmente em "Crime e Castigo") e por falar em livros, sei que esta não vai agradar mesmo: Não suporto „O primo Basílio“ (1878) de Eça de Queirós. Um livro considerado um grande "clássico" e um dos meus grandes „desamores“ literários.

Acho os personagens, quase sem exceção, repugnantes, nojentos. Juliana, o montsro, foi concebida como uma pessoa repugnante. OK mas todo o resto? Eça de Queirós não foi nada gentil com a sociedade lisboeta. Luísa é um dos personagens por quem menos nutri qualquer tipo de simpatia, empatia ou afeição enquanto lia um livro. Pelo contrário. Ela é „vazia“, „oca“, sem sensibilidade e superficial. Sua relação com „o primo“ é enfocada sob uma luz que não deixa outra opção ao leitor a não ser considerá-la como mais um caso de „só“ sexo. Mas não foi a intenção de Eça de Queirós que ficássemos penalizados com dela, principalmente quando Juliana começa a transformá-la em sua própria empregada? Comigo seu „enfoque“ não funcionou, não me „tocou“. Luísa me irrita. Ela parece não ser feita de carne e sangue.

„Madame Bovary“ (Flaubert, 1857), outra „infiel“ da época, apesar de não brilhar por sua inteligencia e honestidade, nos atrai de certa forma. Ela quer sair do Millieu que habita e como uma grande sonhadora engana a si mesma com ilusões de amor. Notem, aqui falei de amor. Ela se mata por nao ver remédio para sua situação, para suas dívidas. Ela não se mata por amor porém.

„Anna Karenina“ (Tolstoi, 1877/78), mais uma traidora, que junto aos dois personagens citados anteriormente representa a essencia das amantes trágicas e infiéis do século XIX, era pelo menos (de certa forma) uma mulher mais inteligente e muito mais apaixonada – ela na realidade não se mata por sua situação ser irreversível e irreparável, porém por causa de ter sido abandonada pelo seu „amante“.
Na hora da sua morte Anna não pensou sobre seu filho, só pensou em si, no seu amor. Egoísta porém apaixonada. Apesar de eu achar particularmente que Tostoi nao muito entendia da complexa psicologia das mulheres: Anna e toda sua auto-estima, todo seu egoísmo e vaidade, jamais se lançaria à morte aniquilando radicalmente com aquilo quem mais tinha e que atraía todos: Beleza.
Mas, outra vez „amor“, desta vez relacionado a Anna, palavra que nunca posso usar nas relações de Luísa – nem com seu amante „o primo“, nem com seu marido.

Mas „tertuliar“ é realmente um exercício louco de „conexões“. Pelo menos comecei na Rússia com Tchaikowsky, de quem nao gosto, e terminei de novo lá com „Anna“, um livro que sempre me fascina.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Branco no Cinema


O branco no cinema também teve seus clássicos, eternos momentos... Pensem, por exemplo, em "Dancing in the dark" com Fred Astaire e Cyd Charisse (que abusava do direito de ser elegante!) de "The Band Wagon" (A Roda da Fortuna, MGM 1954).

Na linda produção de Max Reinhard em Hollywood, “ A Midsummer’s Night Dream” de Shakespeare (Sonho de uma Noite de Verão, Warner 1935) uma série de criaturas celestiais aparecem de branco. Titânia, interpretada pela cativante Anita Louise, nos impressiona com uma magia cinematográfica da qual o uso de um guarda-roupa branco é também muito responsável!
Como que uma criatura assim tão mágica, etérea e tão cheia de luz pode apaixonar-se por um asno?


Ele, o branco, na minha opinião, não foi usado no cinema tão “pura- e etériamente” como o branco no Ballet mas ele também teve seu simbolismo: ele definitivamente definiu o perfil do “bem” em comparação ao “mal”, ele colocou “rafinesse” em certos personagens, assim como deu a entender que estes possuíam certas virtudes. Ele levantou das massas outros e deu classe a muitos. Ele “elevou” moças simples à outras atmosferas mais finas, como o imortal exemplo de Vincente Minelli: Madame Bovary. Ema que sempre sonhou com o explendor dos romances que lia, encontrou-se como uma princesa usando um vestido branco...
Sua cena bailando uma valsa com Louis Jourdan (Vincente Minelli com seus efeitos visuais), nos tira a respiração... O público fica estático, calado, só admirando a arte deste incrível diretor....


Este mesmo vestido acompanhará Ema a um sórdido hotel de terceira classe... mas a atmosfera é tão “baixa” que o vestido branco já não mais consegue criar sua magia.

Não é só o vestido, o branco que importa... Toda foto também tem que ter uma bela moldura... Pensem em um belo espelho de mão, com uma moldura de prata... It’s just a thought...

Penso também em Leslie Caron em Gigi, com uma elegancia digna de um quadro impressionista entrando no Maxim’s ao lado de Louis Jourdan (mais uma vez Jourdan aqui). Óbviamente a luz e direção de Vincente Minelli (mais uma vez Minelli e seus efeitos visuais aqui) só realçaram o guarda-roupa do magnífico e genial Cecil Beaton (sobre quem aliás quero um dia preparar uma série de postagens... que fotos ele fez!).

Mas o branco no cinema tem muitos lados: A freira interpretada por Deborah Kerr em “Heaven knows, Mr. Allyson” (1957) que manteve-se imaculadamente limpa durante todo o filme apesar de estar escondendo-se dos japoneses numa ilha no Pacífico (!!!???) é um exemplo. O Branco elevando o espírito.

De uma forma muito parecida o branco também deu à “Mrs Anna” de Kerr, a governante do lindo “The King and I” (1957) um ar ao mesmo tempo elevado, decente e honesto... e cheio de virtude!

Até Lucille Ball, anos antes de ter encontrado sua persona cômica, seu alter-ego ruivo chamado “Lucy”, também desfilou elegantemente (e loira!), como um manequim da época, em “Roberta” (um veículo de Fred Astaire e Ginger Rogers).

E por falar em Astaire & Rogers, aqui a primeira vez que Rogers usou “requinte” e não atuou ao lado de Fred como uma “Jazz-Babe” (acabando assim com o “slogan” que Katherine Hepburn tinha dado à dupla: “Fred gave Ginger class, Ginger gave Fred sex”). Aqui ela realmente usou sua própria classe e que cor usava? Branco naturalmente (Aliás um detalhe: o Branco era muito traiçoeiro nos filmes em prêto-e-branco do início dos anos 30, com uma iluminação ainda mais "básica" mais primitiva, que fazia-o refletir demais. Para conseguir-se o efeito de “branco” usava-se o azul claro. Este vestido, pelo qual Ginger lutou como uma leoa, já que todos na produção de “Top Hat” (O Piccolino, RKO 1935) estavam contra ele (e, irônicamente, é considerado, também pelo fato de ser feito com plumas de avestruz, como um dos mais “chiques” que ela usou) era na realidade azul claro !!!!!

Lamont & Lockwood, os astros do Cinema Mudo de “Singin’ in the rain” (Gene Kelly e Jean Hagen – vejam minha postagem sobre esta interessantíssima atriz de 08.11.2008) são práticamente “elevados” da multidão ao entrar na Premiére de seu filme pelo fato de estarem usando branco. Eles são “Stars”. Intocáveis, de branco...

Um dos espetáculos mais absurdamente “kitsch” (e dos mais maravilhosos!) da história do cinema foi o número “A Pretty Girl is like a Melody” – práticamente todo em branco e com uma atriz chamada Virginia Bruce (que também como Anita Louise – vide acima – sumiu!) – do filme “The great Ziegfeld” (MGM 1936). Este recebeu o Oscar de melhor filme do ano ( A MGM ganhou quatro por musicais: Broadway Melody (1929), The great Ziegfeld, An American in Paris (1951) e Gigi (1958). Os dois últimos dirigidos pelo mestre Minelli e estrelados por minha querida Leslie Caron...)

Leslie com Gene Kelly em m “An American in Paris” (Sinfonia em Paris, MGM 1951), de branco, anos antes de tornar-se uma beleza...

E, mais uma vez nesta postagem, em Gigi. A partir deste momento Leslie foi transformando-se numa mulher muito atraente...


Não podemos esquecê-la de branco, como um triste e absurdo pierrot no Carnaval do Rio de Janeiro, num número chamado “Paris, Hong-Kong, Rio” de um filme “esquecível”, chamado “Daddy Long Legs” (Papai Pernilongo, Fox 1955).

Como escrevo sobre Leslie Caron, não? Ainda há muito sobre ela “nas gavetas da memória”... Longos caminhos desde “An American” e “Lili” até “The L-shaped room” e “The Doctor’s Dilemma” (Veja minha postagem de 06.06.2008). Uma linda mulher!

Bergman dominou o filme (e ganhou um Oscar) como Paula, usando em algumas cenas branco. “Gaslight” (MGM 1944) - Vide minha postagem de 23.05.2008. Um grande filme com toda a sensibilidade de George Cukor... melhor dito, uma Obra-prima!

Mas um dos usos mais “suntuosos” do branco aconteceu no filme “Marie Antoinette” (MGM 1938). Neste Baile Antoinette, “L’Autrichienne”, irá encontrar Madame DuBarry, que estará usando negro, diferenciando assim o “bem” do “mal” (isto tudo num diálogo que só aconteceu em Hollywood... Antoinette durante sua vida inteira só dirigiu 6 - sim seis! - palavras à DuBarry. E isto porque Louis XV a obrigou!). Norma Shearer – também uma rainha da Metro – esquecida hoje em dia... Outra linda mulher!

Ah... e ainda faltam tantos de branco... lindas mulheres, charmosos galãs usando seus ternos e “Panamás”, números musicais, cenas inteiras, decórs... Tantos como Leigh, Garbo, Dietrich (muito interessante de branco no deserto do Sahara, no primeiro filme em Technicolor da história: The Garden of Allah, de 1936), Astaire, Tyrone Power, Shirley Temple e... Bem, outra vez continuamos... quem sabe...

Para finalizar esta postagem porém uma foto que junta de certa forma o Cinema à Danca: Vanessa Redgrave como Isadora Duncan em “Isadora” (1968). Uma bela aparição em branco... Eterna. Linda como é até hoje aos 70 e tantos anos...

A pequenina, a primeira da fila ao lado esquerdo (de boquinha aberta) é Natascha Richardson, bela atriz e filha de Redgrave, que faleceu num acidente de Ski há poucas semanas no Canadá... Aqui ela como Deirdre, filha de Isadora, que morreu num desastre que fez o carro (junto com seu irmãozinho e o Chauffeur) cair no Sena...

O branco deveria transformar-se de novo na cor também do luto (Vejam a postagem anterior à esta). O luto, a perda, a tristeza... Sentimentos puros como o amor...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

The portrait of Jennie (1948)

Um filme inesquecível... apesar de ter sido completamente esquecido... Quanta mágica, quanta poesia!

Como explicar o “jogo” com o tempo que este filme indica, sugere??? Difícil…
A estória de um pintor sem exito que um dia conhece uma menina, muito estranha, muito peculiar, no Central Park. É comeco de noite, inverno, neve , 1948, apesar da Novella ter sido escrita para 1934, e esta pequena, ínfima pessoa de uns treze anos de idade (a linda Jennifer Jones ao lado de um altíssimo Joseph Cotten, que óbviamente estava em outro plano para a camera, para parecer mais alto do que “Jennie”) aparece como uma surpresa na vida do pintor e desperta uma nova motivacao para o seu trabalho, para sua carreira.. . Sua “cancao” já revela um pouco do “mistério” de seu “caráter”: “Where I came from, nobody knows, and where I am going, everyone goes”. Jennie só conta estórias que aconteceram há muitos anos... no início do século.
Ele para de pintar imagens de natureza morta e comeca a trabalhar num quadro lindo, cheio de vida : o retrato de Jennie - Jennifer Jones. E é incentivado por uma
Marchand de tableaux, no caso Ethel Barrymore.

A menina transforma-se de encontro em encontro, rápidamente, numa linda, fascinante mulher... Mas nao durante anos, porém durante dias, horas,minutos.…

Sua curiosidade e amor o levam à uma busca louca… Ele visita um convento onde Jennie estudou ( a madre superiora, Lillian Gish, vide minha postagem “ Lillian Gish vs. Greta Garbo – Manipulacoes da MGM“ de 16 de Maio de 2008) conta-lhe que Jennie foi uma linda estudante etc. e tal mas que sua MORTE foi muito trágica… num farol, num verdadeiro maremoto… e o dia do maremoto chega… e Joseph Cotten tenta salvar Jennie do seu destino, pela segunda vez… a manipulacao do tempo, o jogo com o tempo... Oh, que filme lindo… Só a forma como a música de Debussy é usada… e a direcao de William Dieterle. e meus queridos atores: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Lillian Gish e a MARAVILHOSA Ethel Barrymore…
Este é também um filme que, no início, nao mostra o nome nem dos atores nem do diretor… Uma coisa muito “nova” para a época.
O quadro de Jennie, uma obra que, comprada por David O. Selznick, foi parte da decoracao do salao de Jennifer Jones durante o tempo em que foi casada com o famoso produtor (…e o vento levou)acabou nos leiloes da vida. O que entendo, pois é um lindo quadro realmente.

domingo, 12 de outubro de 2008

Luise Rainer, O-Lan e "A boa terra" (The good earth, 1937)

Luise Rainer pertence à categoria das atrizes que foram completamente esquecidas: como é a canção “I’m still here” (de Follies – vide minha postagem de 6 de agosto de 2008) de Stephen Sondheim? “TOP BILLING MONDAY, TUESDAY YOU`RE TOURING IN STOCK“.

Uma “diva” com dois Oscars, contemporânea de Garbo, Dietrich, Shearer, Leigh, Crawford, Hepburn, Loy, Bergman, Harlow e também de Gable, Tracy, Powell, Muni, Bogart entre tantos, ela é a única que ainda está viva... vivendo em Londres e com 98 anos!Luise é até hoje considerada “vienense” (nao só porque começou sua carreira teatral em Viena como atriz de Max Reinhard mas também porque o tiranico, despótico L.B.Mayer optou por fazer a publicidade em tôrno desta “nova Garbo” como uma vienens), Luise na realidade nasceu em Düsseldorf em 1910 mas - desculpem-me os alemaes - ser vienense sempre foi, é e sempre será mais "chic" do que ser alemão... Em muitas biografias suas ela é citada como austríaca e acho que os alemães também esqueceram que ela nasceu em solo alemão... pois na realidade é a ínica atriz alemã até hoje a ter recebido um “Oscar” e ainda por cima a primeira atriz da história que ganhou dois Oscars sucessivamente (1936 e 1937) e ninguém na Europa se lembra disso: O primeiro pelo seu papel relativamente curto como Anna Held (no magnífico “The great Ziegfeld” com William Powell e Mirna Loy, também vencedor do Oscar de melhor filme de 1936) e o segundo por sua legendária O-Lan em “A boa terra” (The good earth, 1937) do romance homonimo de Pearl Buck (vencedor do Pullitzer Prize de 1932).



Ambos filmes da MGM. Rainer tinha chegado a Hollywood em 1935. De família judia, esta ida para os E.U.A. foi muito bem-vinda numa época em que a perseguição dos judeus já começara.O Oscar que recebeu por Anna Held causou muita polêmica na época... principalmente porque o papel era muito curto (estávamos aqui ainda a anos luz da revolução que aconteceria em Hollywood com o Oscar que Jane Wyman recebeu em 1948 por "Johny Belinda", no qual seu personagem era mudo!). Sua cena principal, a hoje antológica “cena do telefone” na qual ela, falando com “Flo” (Florenz Ziegfeld), recebe a notícia do seu casamento com Billie Burke (a linda Glinda, the good witch of the North de “O mágico de Oz”). Uma daquelas cenas bem típicas da época e que eu chamo de “Oscar winning scenes”; ela, atrás do seu sorriso escondendo suas lágrimas, com o queixo alto... A segunda razão da polêmica foi o fato de sua interpretação nao ter sido muito bem recebida em Hollywood. Eu, particularmente, acho-a muito exagerada como Anna.

No ano seguinte todas as opiniões a seu respeito em Hollywood mudariam com “A boa terra”. Primeiro ela recebeu o New York Film Critics Circle Award. Depois seu segundo Oscar. O-Lang, a camponêsa chinesa, ex escrava, que luta ao lado do seu marido (Paul Muni, êste realmente austríaco) tôda uma vida para acabar vendo-o casar com uma segunda esposa, Lotus (Tilly Losch, outra austríaca que tinha dancado com Fred Astaire na Broadway– porque tantos austríacos fazendo papel de chineses? Peter Lorre também em alguma época virou chinês... Nunca entenderei...) e perder tôda a fortuna de uma vida para uma praga de gafanhotos. Um desempenho não só para a época mas até hoje que só pode ser descrito com uma única palavra: MAGNÍFICO ! Eu, particularmente, considero-a fantástica neste filme e como O-Lan.
O filme demorou quase um ano para ser filmado, fato que abalou o casamento de Rainer com o (assumido) comunista Clifford Odets que, na época, estava montando sua peça “The golden Boy” na Broadway e tendo um caso amoroso com Frances Farmer. Para uma jovem geração ela é conhecida através de Jessica Lange, que a interpretou e também foi nominada para um Oscar de melhor atriz no genial “Frances” de 1982 (no mesmo ano em que recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu mais simples trabalho em “Tootsie”). Mas esta já é outra estória para uma postagem própria.

Há alguns anos assisti uma entrevista com Rainer no qual ela descrevia a forma como criou O-Lan. Ela estava com muitos problemas e nao conseguia entender e entrar na personagem. Um dia no estúdio, dia no qual muitos figurantes chineses e asiáticos estavam sendo testados, ela saiu do seu guarda-roupa e esbarrou com uma jovem chinesa, seu script caiu ao chão e as duas se abaixaram ao mesmo tempo para apanhá-lo. Bateram uma na outra com a cabeça. Ela se levantou e olhou para a chinesa, que ainda abaixada tinha um olhar de apreensão em sua direção. Ela sorriu para a chinesa que naquele momento nao só abriu-lhe um sorriso doce, terno como também “arrulhou” de prazer, felicidade, alívio... Como uma pombinha, uma rolinha feliz mas cheia de humildade. Naquêle momento O-Lan nasceu ou como disse Rainer lindamente: “Naquêle momento ela me presenteou com O-Lan”. Sempre que, por alguma razão, insegura com sua interpretação ela pensaria naquela chinêsa e O-Lan voltava a estar presente!



Depois dêste segundo Oscar um brilhante futuro cinematográfico parecia estar assegurado para Luise Rainer. Mas não... Durante 1937 e 1938 ela fêz filmes triviais, no qual não se destacou de nenhuma forma. Sómente em “A grande valsa” (The great waltz, 1938) ela conseguiu dar vida a um caráter de mais “carne e osso”: Poldi, a padeirinha vienense, a traída esposa de Strauss. Mais uma vez o “carma” de ser vienense.
Ela se afastou do cinema em 38. Sua carreira nos E.U.A. que tinha comecado em 1935 e tinha-lhe trazido dois Oscars (e muito dinheiro para a MGM), acabou tres anos depois. Uma tentativa frustrada de um “come-back” em 1943 (The hostages) foi quase “embarassing”. Ela mudou-se para Londres aonde vive até hoje.
Mais uma vez a pergunta: como é a canção “I’m still here” de Stephen Sondheim? “TOP BILLING MONDAY, TUESDAY YOU`RE TOURING IN STOCK“. Nem esta sorte têve.

Ainda fez alguns trabalhos para a televisão e respectivamente em 1988, 1997 e 2003 (aos 93 anos) fez aparições no cinema (a última, lendo um poema, pela primeira vêz em alemão dêsde 1933!).Na cerimônia do Oscar em 2004 apareceu como a vencedora “Senior”, sentadinha ao lado de Julia Roberts (nunca tinha percebido que neste dia todos os ganhadores do Oscar estavam sentados em ordem alfabética quando a cortina abriu... atrás dela Jennifer Jones, Shirley Jones, ao seu lado Roberts e Cliff Robertson assim como na frente John Voight e Christopher Walken).


E ainda uma terceira vez: "Top billing monday, Tuesday you're touring in stock! But I'm here!!!! E Luise definitivamente ainda está aqui para contar sua história e sua/s estória/s.