Lembrando-me um dia desses da falecida atriz bahiana Isabela (A “Capitú” de 1967 de Sarraceni) , recordei-me que ela uma vez contou-me que tinha sido a criadora da expressão “Caras e Bocas”. Só que na época, ainda em Salvador, ela se referia à “carinhas e boquinhas”… Bem, não é relevante se isto é verdade ou não. Tenho porém que confessar este pensamento me levou a vários pensamentos e de volta à uma maravilhosa, eterna capa do “Vogue” dos anos 50.
Do ícone de um “Chic” que hoje em dia quase não mais existe…
…à forma como ele influenciou Hollywood.
Como por exemplo neste memorável «Still» de Judy Garland em «A Star is born» (1954), no qual ela mesma, simbólicamente, exclui o resto do seu rosto para "O" Close-Up da cena que está "atuando" para James Mason...
ou até neste “Portrait” de Lucille Ball, nossa queridíssima «Lucy Ricardo».
Isto tudo sem pensar nas capas de CDs de Callas (um apanhado geral de sua carreira) e livro de receitas criados há poucos anos…
Mas este “ícone da Arte gráfica” talvez tenha sido imortalizado de forma mais decisiva no filme “Funny Face” (20th Century Fox, 1957) com a ajuda fotográfica de um verdadeiro “ícone da fotografia” Richard Avedon…
…o que não só diz respeito à cena na qual Fred fotografa Audrey e sua “Funny face”. Assistam a abertura do filme…
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sábado, 3 de março de 2012
domingo, 5 de dezembro de 2010
Prima Donna, Paris & um bom cliché...
Se sou muito sincero, tenho que admitir que sou “bem chegado” a um cliché,
Adoros mesas de Natal cheias de opulencia, considero o Egito o cliché de um país para uma clássica viagem cultural assim como Paris em abril perfeita (foi o que fiz no meu último aniversário !), fazer compras pré-Natalinas em Londres no Harrods, ir a Portugal e comer bacalhau, assistir «O quebra-nozes» na época do Natal…
Da mesma forma adoro “personas” como Cauby e Angela Maria, o cliché dos “cantores do povo”, malandro de sapatos brancos, cartão postal com vista do Pão-de-Açúcar, prato de borboleta, a janela de minha cozinha no inverno com a vista (cartão postal) de árvores nevadas, “Orfeu Negro” com as mulheres levando latas d’água na cabeça para a favela, Ovo de Páscoa… Clichés…
No mundo das artes adoro o eterno cliché das divas:
Callas, Tebaldi, Schwarzkopf, Pavlova, Duncan, Garbo, Anita Ekberg como diva suéca em "La Dolce Vita",
Lina Lamont em «Singin’ in the Rain» e por aí vai a lista…
Talvez seja este o motivo de tanto gostar desta cena abaixo… Não gosto do trabalho de Andrew Lloyd Weber (os seus clichés musicais são demais, até para mim!), nem de “O Fantasma da Ópera” no palco e no cinema MAS amo a qualidade visual desta cena e de tudo que ela exalta.
Carlota. Prima-Donna. Claro, um dos maiores clichés. Desde o Champagne bebido nos sapatos até as jóias e toda a bajulação feita ao redor dela (Incluíndo o cliché do mundo da Ópera em França).
P.S. Adoro a entrada das bailarinas no final... é a única parte na qual a música realmente me agrada!
Adoros mesas de Natal cheias de opulencia, considero o Egito o cliché de um país para uma clássica viagem cultural assim como Paris em abril perfeita (foi o que fiz no meu último aniversário !), fazer compras pré-Natalinas em Londres no Harrods, ir a Portugal e comer bacalhau, assistir «O quebra-nozes» na época do Natal…
Da mesma forma adoro “personas” como Cauby e Angela Maria, o cliché dos “cantores do povo”, malandro de sapatos brancos, cartão postal com vista do Pão-de-Açúcar, prato de borboleta, a janela de minha cozinha no inverno com a vista (cartão postal) de árvores nevadas, “Orfeu Negro” com as mulheres levando latas d’água na cabeça para a favela, Ovo de Páscoa… Clichés…
No mundo das artes adoro o eterno cliché das divas:
Callas, Tebaldi, Schwarzkopf, Pavlova, Duncan, Garbo, Anita Ekberg como diva suéca em "La Dolce Vita",
Lina Lamont em «Singin’ in the Rain» e por aí vai a lista…
Talvez seja este o motivo de tanto gostar desta cena abaixo… Não gosto do trabalho de Andrew Lloyd Weber (os seus clichés musicais são demais, até para mim!), nem de “O Fantasma da Ópera” no palco e no cinema MAS amo a qualidade visual desta cena e de tudo que ela exalta.
Carlota. Prima-Donna. Claro, um dos maiores clichés. Desde o Champagne bebido nos sapatos até as jóias e toda a bajulação feita ao redor dela (Incluíndo o cliché do mundo da Ópera em França).
P.S. Adoro a entrada das bailarinas no final... é a única parte na qual a música realmente me agrada!
terça-feira, 20 de julho de 2010
Dalilas... Sansão e Saint-Saëns
Ouvi falar que a Warner planeja uma versão futurística (!?!?!) da história bíblica “Sansão e Dalila” e dei-me conta das tantas “Dalilas” que já vi ou no cinema ou no palco (Tenho que admitir que nunca li a Bíblia).
Para mim a mais fascinante encarnação (em termos visuais) foi a de Eleanor Parker representando a cantora Marjorie Lawrence cantando minha ária preferida: ♫ ♪ Mon coeur s’ouvre à ta voix… ♫ ♪ de “Sanson et Dalila” de Camille Saint-Saëns (No maravilhoso filme “Interrupted Meldody”, 1955, vide minha postagem de 3.3.2009).
A imagem clássica de uma bela (e falsa) sedutora desempenhada por uma das mais lindas e talentosas mulheres do cinema: Parker, que foi nominada ao Oscar por este trabalho (Mesmo tendo sido dublada pela cantora do “Met” Eilleen Farrell).
A austríaca Hedy Lamarr, ou melhor Hedwig Eva Maria Kiesler, que no apogeu de sua carreira era chamada “The most beautiful woman in the world”, foi a escolhida por Cecil B. DeMille para estrelar no épico “Sansão e Dalila” em 1949 ao lado do canastrérrimo Victor Mature (que era também filho de um austríaco de Innsbruck).
Obs.: Dois fatos imortalizaram mais esta “façanha babilônica” de DeMille do que o próprio filme em si: em “Sunset Boulevard” de Billy Wilder (Crepúsculo dos Deuses, 1950) quando “Norma Desmond” (Gloria Swanson) visita DeMille no Set de um filme que está fazendo são os bastidores, cenários e alguns figurantes de “Sansão” que vemos…
O outro fato (bem mais divertido por sinal) foi o comentário de Groucho Marx: “Não gosto de nenhum filme no qual o peito do ator principal é maior do que o da atriz!” ("I don't like any movie where the leading man's chest is bigger than the leading lady's").
No palco a última Dalila que assisti foi Agnes Baltsa. Na pequena tela Elina Garanca. E em “discos”, cassettes e CDs tantas outras… Obs.2: Não gosto nada da interpretação de Callas como Dalila.
Mas uma voz especial quiz colocar aqui, tive que… e espero que voces desfrutem: a inesquecível Marilyn Horne que, como sempre digo, possui ao meu ver um “jeito conquistador” já que transmite, passa o que canta sempre como uma “verdade” - independente da condição técnica e do momento de carreira no qual se encontrasse! (E isto mesmo que seja uma mentira como no caso de nossa imoral Dalila… ).
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Para mim a mais fascinante encarnação (em termos visuais) foi a de Eleanor Parker representando a cantora Marjorie Lawrence cantando minha ária preferida: ♫ ♪ Mon coeur s’ouvre à ta voix… ♫ ♪ de “Sanson et Dalila” de Camille Saint-Saëns (No maravilhoso filme “Interrupted Meldody”, 1955, vide minha postagem de 3.3.2009).
A imagem clássica de uma bela (e falsa) sedutora desempenhada por uma das mais lindas e talentosas mulheres do cinema: Parker, que foi nominada ao Oscar por este trabalho (Mesmo tendo sido dublada pela cantora do “Met” Eilleen Farrell).
A austríaca Hedy Lamarr, ou melhor Hedwig Eva Maria Kiesler, que no apogeu de sua carreira era chamada “The most beautiful woman in the world”, foi a escolhida por Cecil B. DeMille para estrelar no épico “Sansão e Dalila” em 1949 ao lado do canastrérrimo Victor Mature (que era também filho de um austríaco de Innsbruck).
Obs.: Dois fatos imortalizaram mais esta “façanha babilônica” de DeMille do que o próprio filme em si: em “Sunset Boulevard” de Billy Wilder (Crepúsculo dos Deuses, 1950) quando “Norma Desmond” (Gloria Swanson) visita DeMille no Set de um filme que está fazendo são os bastidores, cenários e alguns figurantes de “Sansão” que vemos…
O outro fato (bem mais divertido por sinal) foi o comentário de Groucho Marx: “Não gosto de nenhum filme no qual o peito do ator principal é maior do que o da atriz!” ("I don't like any movie where the leading man's chest is bigger than the leading lady's").
No palco a última Dalila que assisti foi Agnes Baltsa. Na pequena tela Elina Garanca. E em “discos”, cassettes e CDs tantas outras… Obs.2: Não gosto nada da interpretação de Callas como Dalila.
Mas uma voz especial quiz colocar aqui, tive que… e espero que voces desfrutem: a inesquecível Marilyn Horne que, como sempre digo, possui ao meu ver um “jeito conquistador” já que transmite, passa o que canta sempre como uma “verdade” - independente da condição técnica e do momento de carreira no qual se encontrasse! (E isto mesmo que seja uma mentira como no caso de nossa imoral Dalila… ).
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sábado, 22 de maio de 2010
Callas, Sutherland e "Lucia"
Em 1959 Callas assinou um contrato interessantíssimo com o Covent Garden: Neste estava estipulado que ela cantaria na produção de Zefirelli de “Lucia di Lammermoor” e na produção de Minotis de “Medea” (o que implicava numa troca transatlantica das duas produções entre o Covent Garden e Dallas).
A produção de “Lucia” tinha sido concebida originalmente para o jovem Soprano australiano, Joan Sutherland, que despontava nos palcos de Ópera.
Callas voou de Milão para Londres para assistir o ensaio geral de Sutherland e, sentada na platéia, sem tirar nem seu casaco, nem seu chapéu de arminho (como que preparada para sair a qualquer momento… talvez para sómente dar a impressão de que não estaria ali por muito tempo...), ouviu deslumbrada, concentrada e silenciosa toda a “performance” de Joan: “Eu ficaria enciumada de qualquer pessoa cantando tão bem mas não de voce”, ela disse à mulher que sete anos antes cantou a pequena parte da confidente de “Norma” para a própria Callas.
Imediatamente ela contatou a direção da famosa Casa de Ópera e disse a David Webster: “O que a imprensa disser não importa: Voces tem uma GRANDE “Lucia”. Nunca mais me peçam para cantar «Lucia». Voces tem a sua própria Lucia britanica e deveriam estar mais do que orgulhosos dela!”.
Confrontada com real talento, Maria sempre reconheceu-o, sem vaidade.
(Um episódio contado por Zefirelli: Ele tinha lhe dado um disco antiquíssimo chamado “The golden Age of the Metropolitan”. Ela riu descontroladamente (até chorar) ouvindo Tetrtazzini e Galli-Curci mas quando Rosa Ponselle começou a cantar, ela beijou a capa do disco e manteve-a bem colada ao seu coração!)
Aqui Dame Joan Sutherland, não em “Lucia”, não em “La Traviata” e nem em “Norma” – três das várias Óperas que imortalizou – mas em uma das minhas “preferidas”: a “quase esquecida” Lakmé de Delibes. O “Dueto das Flores”. Um lindo, inesquecível momento!
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e com Marilyn Horne no mesmo dueto, porém concertante.
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A produção de “Lucia” tinha sido concebida originalmente para o jovem Soprano australiano, Joan Sutherland, que despontava nos palcos de Ópera.
Callas voou de Milão para Londres para assistir o ensaio geral de Sutherland e, sentada na platéia, sem tirar nem seu casaco, nem seu chapéu de arminho (como que preparada para sair a qualquer momento… talvez para sómente dar a impressão de que não estaria ali por muito tempo...), ouviu deslumbrada, concentrada e silenciosa toda a “performance” de Joan: “Eu ficaria enciumada de qualquer pessoa cantando tão bem mas não de voce”, ela disse à mulher que sete anos antes cantou a pequena parte da confidente de “Norma” para a própria Callas.
Imediatamente ela contatou a direção da famosa Casa de Ópera e disse a David Webster: “O que a imprensa disser não importa: Voces tem uma GRANDE “Lucia”. Nunca mais me peçam para cantar «Lucia». Voces tem a sua própria Lucia britanica e deveriam estar mais do que orgulhosos dela!”.
Confrontada com real talento, Maria sempre reconheceu-o, sem vaidade.
(Um episódio contado por Zefirelli: Ele tinha lhe dado um disco antiquíssimo chamado “The golden Age of the Metropolitan”. Ela riu descontroladamente (até chorar) ouvindo Tetrtazzini e Galli-Curci mas quando Rosa Ponselle começou a cantar, ela beijou a capa do disco e manteve-a bem colada ao seu coração!)
Aqui Dame Joan Sutherland, não em “Lucia”, não em “La Traviata” e nem em “Norma” – três das várias Óperas que imortalizou – mas em uma das minhas “preferidas”: a “quase esquecida” Lakmé de Delibes. O “Dueto das Flores”. Um lindo, inesquecível momento!
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e com Marilyn Horne no mesmo dueto, porém concertante.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
To like it or not to like it, this is… NO question! Só uma questão de gosto... Uma Tertúlia enlouquecida…
Curioso, como às vezes, por ter-se uma opinião diferente da opinião geral, o que é a coisa mais natural do mundo, pode-se chegar até a chocar e insultar uma pessoa.
Lembro-me de ter dito uma vez para amigos em Berlim : „Não suporto a música de Tchaikowsky e aquela repetição incansável e chata de temas melodramáticos“. Meus amigos ficaram boquiabertos: „Mas como? Não gostar de Tchaikowsky? Que absurdo!“. Senti-me por alguns momentos como um assassino, um bandido, um vilão terrível, vestido com uma capa preta, torcendo a ponta dos bigodes enquanto sorria malignamente… Talvez muitos deverão estar neste momento vendo-me assim mesmo...

Tudo bem. Tenho, por causa do Ballet e do „Lago“, também uma outra conexão com Tchaikowsky. O „Lago“ é para mim o „Lago“ por causa do Ballet, a música vem para mim em segundo plano. Mas considerando o resto da obra de Peter Iljitsch (das sinfonias aos seus concertos para piano, de „Pique Dame“, „Onegin“ ao „Quebra-Nozes“) acho-o chato, exageradamente sentimental, piegas e como disse acima, repetitivo ao extremo. Sua música, muitas as vezes, é infestada de uma simplicidade barata, de uma banalidade fora do comum. Pobre enfim. Quem realmente entende de música concordará comigo. Se eu penso na música e na inventividade de um Schumann, de um Liszt, de um Brahms, de um Rachmaninoff… Nossa, nao é óbvio? Mas isto, repito, É uma tertúlia... lugar onde podemos opinar sobre tudo!
Concordar e discordar!
Mas porque reagimos assim? Acho que as vezes não questionamos mais „racionalmente“ certas coisas que conhecemos já de toda uma vida. Aceitamos o fato porque „sempre foi assim“.
Feijoada é comida na quartas-feiras porque sempre foi assim, no Natal come-se Perú porque sempre foi assim, citar socialmente a arte de Nureyev e Fonteyn ou a linda (considerada por conhecedores como a mais feia „grande“ ) voz de Callas porque sempre foi assim… Sempre se fala isso...
Tudo uma questão de gosto. E falta de questionamentos. Quem lê este meu espaço, sabe que sou apaixonado loucamente por muitas coisas. Sou também muito criticado por opinar sincera- e livremente sobre temas que parecem estar „acima“ de qualquer crítica. Como se fosse um pecado não estar de acordo com a maioria. Por exemplo, quando refiro-me ao „Cinema-Novo“. Muitos falam da qualidade „artesanal“ desta época do cinema nacional. „Qualidade artesanal“ é „conversa mole para boi dormir“ e só serve para justificar a falta de técnica daqueles filmes que envelheceram rápidamente antes do tempo ("Casablanca" de 1943 envelheceu?). Cinema-Novo era uma chatura mesmo. Glauber Rocha também. Maria Bethania outra, Novelas da Globo ainda mais. Os musicais de Andrew Lloyd Weber me deixam irritado (talvez com exceção de „Sunset Boulevard“). Enjoei de Barbra Streisand, desta „Persona“ californiana que ela inventou, tão distante da encantadora judiazinha do Brooklyn que ela foi.
Sempre achei Dercy Goncalves um horror e considero Jo Soares um péssimo entrevistador (isto, só se voce tem uma opinião diferente da dele e não está dizendo o que ELE quer ouvir!). Muitas coisas de Chico Buarque me cansam pois são quase como cápsulas de vitamina – com todos os elementos corretos, certos e adequados na mais perfeita dosagem para conseguir o efeito desejado do sucesso – agradando muitas vezes Gregos e Troianos. Sim um outro que, apesar de ter coisas lindas, também é muito repetitivo.
Estes sao só alguns exemplos que tentei relacionar ao Rio/Brasil... existem muitos outros...
Vamos ser sinceros, porque nao pode-se dizer que nao se gosta de certos personagens mesmo que sejam (como uma vez me disseram) ícones? O que sao "ícones" da música brasileira? Bethania? Buarque? E o que aconteceu a Villa-Lobos? Bidú Saiao? e a Paulo Forte, Dick Farney e Dolores Duran? Só para citar tres "bem diferentes"......
Acho as descrições de Dostojewskij longas, desnecessárias e cansativas (principalmente em "Crime e Castigo") e por falar em livros, sei que esta não vai agradar mesmo: Não suporto „O primo Basílio“ (1878) de Eça de Queirós. Um livro considerado um grande "clássico" e um dos meus grandes „desamores“ literários.

Acho os personagens, quase sem exceção, repugnantes, nojentos. Juliana, o montsro, foi concebida como uma pessoa repugnante. OK mas todo o resto? Eça de Queirós não foi nada gentil com a sociedade lisboeta. Luísa é um dos personagens por quem menos nutri qualquer tipo de simpatia, empatia ou afeição enquanto lia um livro. Pelo contrário. Ela é „vazia“, „oca“, sem sensibilidade e superficial. Sua relação com „o primo“ é enfocada sob uma luz que não deixa outra opção ao leitor a não ser considerá-la como mais um caso de „só“ sexo. Mas não foi a intenção de Eça de Queirós que ficássemos penalizados com dela, principalmente quando Juliana começa a transformá-la em sua própria empregada? Comigo seu „enfoque“ não funcionou, não me „tocou“. Luísa me irrita. Ela parece não ser feita de carne e sangue.
„Madame Bovary“ (Flaubert, 1857), outra „infiel“ da época, apesar de não brilhar por sua inteligencia e honestidade, nos atrai de certa forma. Ela quer sair do Millieu que habita e como uma grande sonhadora engana a si mesma com ilusões de amor. Notem, aqui falei de amor. Ela se mata por nao ver remédio para sua situação, para suas dívidas. Ela não se mata por amor porém.

„Anna Karenina“ (Tolstoi, 1877/78), mais uma traidora, que junto aos dois personagens citados anteriormente representa a essencia das amantes trágicas e infiéis do século XIX, era pelo menos (de certa forma) uma mulher mais inteligente e muito mais apaixonada – ela na realidade não se mata por sua situação ser irreversível e irreparável, porém por causa de ter sido abandonada pelo seu „amante“.
Na hora da sua morte Anna não pensou sobre seu filho, só pensou em si, no seu amor. Egoísta porém apaixonada. Apesar de eu achar particularmente que Tostoi nao muito entendia da complexa psicologia das mulheres: Anna e toda sua auto-estima, todo seu egoísmo e vaidade, jamais se lançaria à morte aniquilando radicalmente com aquilo quem mais tinha e que atraía todos: Beleza.
Mas, outra vez „amor“, desta vez relacionado a Anna, palavra que nunca posso usar nas relações de Luísa – nem com seu amante „o primo“, nem com seu marido.
Mas „tertuliar“ é realmente um exercício louco de „conexões“. Pelo menos comecei na Rússia com Tchaikowsky, de quem nao gosto, e terminei de novo lá com „Anna“, um livro que sempre me fascina.
Lembro-me de ter dito uma vez para amigos em Berlim : „Não suporto a música de Tchaikowsky e aquela repetição incansável e chata de temas melodramáticos“. Meus amigos ficaram boquiabertos: „Mas como? Não gostar de Tchaikowsky? Que absurdo!“. Senti-me por alguns momentos como um assassino, um bandido, um vilão terrível, vestido com uma capa preta, torcendo a ponta dos bigodes enquanto sorria malignamente… Talvez muitos deverão estar neste momento vendo-me assim mesmo...

Tudo bem. Tenho, por causa do Ballet e do „Lago“, também uma outra conexão com Tchaikowsky. O „Lago“ é para mim o „Lago“ por causa do Ballet, a música vem para mim em segundo plano. Mas considerando o resto da obra de Peter Iljitsch (das sinfonias aos seus concertos para piano, de „Pique Dame“, „Onegin“ ao „Quebra-Nozes“) acho-o chato, exageradamente sentimental, piegas e como disse acima, repetitivo ao extremo. Sua música, muitas as vezes, é infestada de uma simplicidade barata, de uma banalidade fora do comum. Pobre enfim. Quem realmente entende de música concordará comigo. Se eu penso na música e na inventividade de um Schumann, de um Liszt, de um Brahms, de um Rachmaninoff… Nossa, nao é óbvio? Mas isto, repito, É uma tertúlia... lugar onde podemos opinar sobre tudo!
Concordar e discordar!
Mas porque reagimos assim? Acho que as vezes não questionamos mais „racionalmente“ certas coisas que conhecemos já de toda uma vida. Aceitamos o fato porque „sempre foi assim“.
Feijoada é comida na quartas-feiras porque sempre foi assim, no Natal come-se Perú porque sempre foi assim, citar socialmente a arte de Nureyev e Fonteyn ou a linda (considerada por conhecedores como a mais feia „grande“ ) voz de Callas porque sempre foi assim… Sempre se fala isso...
Tudo uma questão de gosto. E falta de questionamentos. Quem lê este meu espaço, sabe que sou apaixonado loucamente por muitas coisas. Sou também muito criticado por opinar sincera- e livremente sobre temas que parecem estar „acima“ de qualquer crítica. Como se fosse um pecado não estar de acordo com a maioria. Por exemplo, quando refiro-me ao „Cinema-Novo“. Muitos falam da qualidade „artesanal“ desta época do cinema nacional. „Qualidade artesanal“ é „conversa mole para boi dormir“ e só serve para justificar a falta de técnica daqueles filmes que envelheceram rápidamente antes do tempo ("Casablanca" de 1943 envelheceu?). Cinema-Novo era uma chatura mesmo. Glauber Rocha também. Maria Bethania outra, Novelas da Globo ainda mais. Os musicais de Andrew Lloyd Weber me deixam irritado (talvez com exceção de „Sunset Boulevard“). Enjoei de Barbra Streisand, desta „Persona“ californiana que ela inventou, tão distante da encantadora judiazinha do Brooklyn que ela foi.
Sempre achei Dercy Goncalves um horror e considero Jo Soares um péssimo entrevistador (isto, só se voce tem uma opinião diferente da dele e não está dizendo o que ELE quer ouvir!). Muitas coisas de Chico Buarque me cansam pois são quase como cápsulas de vitamina – com todos os elementos corretos, certos e adequados na mais perfeita dosagem para conseguir o efeito desejado do sucesso – agradando muitas vezes Gregos e Troianos. Sim um outro que, apesar de ter coisas lindas, também é muito repetitivo.
Estes sao só alguns exemplos que tentei relacionar ao Rio/Brasil... existem muitos outros...
Vamos ser sinceros, porque nao pode-se dizer que nao se gosta de certos personagens mesmo que sejam (como uma vez me disseram) ícones? O que sao "ícones" da música brasileira? Bethania? Buarque? E o que aconteceu a Villa-Lobos? Bidú Saiao? e a Paulo Forte, Dick Farney e Dolores Duran? Só para citar tres "bem diferentes"......
Acho as descrições de Dostojewskij longas, desnecessárias e cansativas (principalmente em "Crime e Castigo") e por falar em livros, sei que esta não vai agradar mesmo: Não suporto „O primo Basílio“ (1878) de Eça de Queirós. Um livro considerado um grande "clássico" e um dos meus grandes „desamores“ literários.

Acho os personagens, quase sem exceção, repugnantes, nojentos. Juliana, o montsro, foi concebida como uma pessoa repugnante. OK mas todo o resto? Eça de Queirós não foi nada gentil com a sociedade lisboeta. Luísa é um dos personagens por quem menos nutri qualquer tipo de simpatia, empatia ou afeição enquanto lia um livro. Pelo contrário. Ela é „vazia“, „oca“, sem sensibilidade e superficial. Sua relação com „o primo“ é enfocada sob uma luz que não deixa outra opção ao leitor a não ser considerá-la como mais um caso de „só“ sexo. Mas não foi a intenção de Eça de Queirós que ficássemos penalizados com dela, principalmente quando Juliana começa a transformá-la em sua própria empregada? Comigo seu „enfoque“ não funcionou, não me „tocou“. Luísa me irrita. Ela parece não ser feita de carne e sangue.
„Madame Bovary“ (Flaubert, 1857), outra „infiel“ da época, apesar de não brilhar por sua inteligencia e honestidade, nos atrai de certa forma. Ela quer sair do Millieu que habita e como uma grande sonhadora engana a si mesma com ilusões de amor. Notem, aqui falei de amor. Ela se mata por nao ver remédio para sua situação, para suas dívidas. Ela não se mata por amor porém.

„Anna Karenina“ (Tolstoi, 1877/78), mais uma traidora, que junto aos dois personagens citados anteriormente representa a essencia das amantes trágicas e infiéis do século XIX, era pelo menos (de certa forma) uma mulher mais inteligente e muito mais apaixonada – ela na realidade não se mata por sua situação ser irreversível e irreparável, porém por causa de ter sido abandonada pelo seu „amante“.

Na hora da sua morte Anna não pensou sobre seu filho, só pensou em si, no seu amor. Egoísta porém apaixonada. Apesar de eu achar particularmente que Tostoi nao muito entendia da complexa psicologia das mulheres: Anna e toda sua auto-estima, todo seu egoísmo e vaidade, jamais se lançaria à morte aniquilando radicalmente com aquilo quem mais tinha e que atraía todos: Beleza.

Mas, outra vez „amor“, desta vez relacionado a Anna, palavra que nunca posso usar nas relações de Luísa – nem com seu amante „o primo“, nem com seu marido.
Mas „tertuliar“ é realmente um exercício louco de „conexões“. Pelo menos comecei na Rússia com Tchaikowsky, de quem nao gosto, e terminei de novo lá com „Anna“, um livro que sempre me fascina.
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