Mostrando postagens com marcador Allen Woody. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Allen Woody. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Entrando num Cinema... Uma boa lembrança... Uma gostosa lembrança...

Um dia desses fiz uma pergunta ao Antonio (do excelente Blog “O Falcão maltês”): „Voce se lembra da primeira vez em que entrou num cinema?”


Talvez para gerações mais novas seja um pouco “arcaico” e irrelevante o que quiz sugerir mas eu ainda me lembro muito bem do “acontecimento” de “ir-se ao cinema” e na minha cabeça passa um filme no qual vejo salas e saguões de cinemas como o “Roxy”, “Copacabana”, “Rian”, “Caruso”, “Bruni” mas principalmente o “Metro Copacabana”. Sim o meu querido Metro; aquele “templo” da sétima arte com seu tapete macio e alto, suas paredes de mogno, suas fotos das “estrelas” da Metro, seus espelhos, seu “baleiro” elegante e o melhor ar-condicionado do Rio de Janeiro. Nesse templo assisti “festivais” de Operetas, de Garbo… e nos primeiros domingos do mes o festival «Tom and Jerry» às dez da manhã.

Lá assisti pela primeira vez “O Mágico de Oz”, “Lili” (só esses dois já são dois "marcos" na minha vida), "A grande Valsa", "Oh! Marietta", "Rosemarie" (sendo filho de autríaco assisti, melhor, tive que assistir toda e qualquer Operetta já produzida nesse planeta!) e tantos, tantos outros... até “The Boyfriend” com Twiggy no início dos anos 70… Que templo…


O Metro não "cheirava" a Rio de Janeiro e sim a uma Hollywood enfeitada de sorrisos de Jeanette MacDonald, de olhares afetados de Miliza Korjus, de notas maravilhosas e bem cantadas de Ilona Massey (como p.e. em "Balalaika"), do mistério de Garbo, do glamour de Billie Burke como "Glinda" no "O Mágico de Oz", dos sons de Luis Gravet fazendo-se de Strauss na "A Grande Valsa" ao lado da austríaca Luise Rainer, da inocencia (no grande desempenho) de Caron em "Lili"... de "Cinema"....


Esta cena de “Radio Days” traduz em imagens tudo o que tento dizer: esta sensação maravilhosa e inesquecível de entrar num Cinema…
Estas imagens (do Radio City Music Hall, esta preciosidade do Art Deco) me fazem “voar” de volta a um tempo em que a vida parecia ser mais descomplicada, bem... para mim, pelo menos... Saudades!

Muito Obrigado, Woody Allen, por ter eternizado esta sensação, este momento aqui! No Radio City ou no Metro Copacabana a emoção era a mesma!

Eu e milhões de outras pessoas "com mais de quarenta" ainda podem se identificar com estes momentos preciosos... sim, o "Cinema", um templo...



quarta-feira, 13 de abril de 2011

Seems like old times: Uma canção e „Annie Hall“ ( ou “Memórias e os Ovos”? )

Sabemos, e está provado, que o olfato desperta nossas mais antigas e profundas memórias… Toda vez que chego ao Rio e no aeroporto do Galeão, sorry, Tom Jobim entro num taxi, sinto “cheiro de Rio” – aquela exagerada humidade do ar, misturada com o verde da baía de Guanabara e toda aquela fascinante poluição unida à pitoresca “sujeira” que nos dá as “Boas-Vindas” à cidade maravilhosa.

A caminho da Zona Sul sempre me “pego” relembrando coisas que se passaram já há décadas… Old times… Viagens para Penedo, aquele caminho antigo pela Avenida Brasil para pegar a Dutra em direção a São Paulo, adolescencia... Como era bom sair do Rio...

A música exerce sobre mim o mesmo efeito e estranhamente “tropecei” numa velha memória, que ainda por coincidência cita ostentativamente “old times”…



"Seems Like Old Times" é uma lindíssima, romantica canção popular bem emocional... música e letra de Carmen Lombardo & John Jacob Loeb de 1945.

Ela não foi gravada muitas vezes (fala-se de uma boa versão de Ella Fitzgerald de 1968) e eu só vim conhece-la através de “Annie Hall” (bobamente chamado no Brasil de “Noivo neurótico, Noiva nervosa”), sensível filme de Woody Allen de 1977 no qual ela tem um papel central no enredo – também nas memórias do personagem masculino principal “Alvy Singer” (Allen).





Interpretada pela "levada" Diane Keaton (que por este filme aliás, ganhou um Oscar), com aquela vozinha dela que “mal chega” mas que é afinadíssima, extremamente efetiva e muito agradável, ela tornou-se um “hino” da minha juventude. Em 1977 o mundo estava todo ali, esperando por mim, esperando para ser descoberto… E eu acho que revi “Annie Hall” no cinema pelo menos umas dez vezes. Adorava o filme e também aquele „LOOKDiane Keaton que na época nos influenciou muito… muito mesmo... (a mim até hoje!)



Gravei as músicas e vários diálogos com meu gravadorzinho, vi uma sessão de “meia-noite” no Caruso ser interrompida porque um morcego estava voando na sala, fui acompanhando o filme até ele acabar sua “tournée” pelo “circuito” dos cinemas do Rio…

Comédia de Woody Allen? Definivamente. Mas também uma das maiores declarações de amor já colocadas nas telas… Um “mundo” composto de N.Y., livros, ativismo político, Mozart, depressão, metafísica, memórias de infancia, crises existenciais, programas de rádio e TV, músicas, ciúme, psiquiatras, amor, reflexões… e aquele descabido amor que Woody sente por N.Y.



Diane Keaton a canta num “Night-Club”, com seu jeito todo pessoal:

">

A segunda vez porém, na qual “Old times” é tocada, somos confrontados com Allen e Keaton, aliás Alvy e Annie, se reencontrando, muito tempo após sua separação, num café em Manhattan (e depois com uma série de sentimentais “flash-backs” dos dois). No final desta cena Woody nos conta uma velha piada de Groucho Marx:

Um homem vai a um psiquiatra e diz
- “Doutor, o meu irmão está maluco, pensa que ele é uma galinha”
("Doc, uh, my brother's crazy; he thinks he's a chicken.")
- “Bem, porque voce não o interna?”
("Well, why don't you turn him in?")
- “Eu o faria... mas preciso dos ovos… “
("I would... but I need the eggs.")

E arremata, terminando o filme com este lindo pensamento (não tão típico para uma comédia mas “Allen” em sua essencia):

“Bem, eu acho que é bem assim o jeito como me sinto sobre as relações; voce sabe, elas são totalmente irracionais e loucas e absurdas… Mas eu acho que seguimos vivendo-as porque, a maioria de nós… precisa dos ovos”
(Well, I guess that's pretty much now how I feel about relationships; y'know, they're totally irrational, and crazy, and absurd, and... but, uh, I guess we keep goin' through it because, uh, most of us... need the eggs)

Tudo isto ao som dos acordes e notas finais de “Seems like old times”.

">

Genio não se discute… Um filme vencedor de 4 Oscars, entre eles os de melhor filme (1977), melhor diretor (Allen) e melhor atriz (Keaton). Woody Allen e seu uso inimitável e original da música americana nos seus filmes!

Detalhe: “Annie” é o apelido com o qual Keaton sempre foi chamada por sua família, “Hall” é seu real sobrenome…
O filme seguinte de Woody foi "Manhattan" (também com Keaton e mais uma cena com a Brooklyn Bridge) - outra declaração de amor... desta vez porém à N.Y.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

REMEMBERING: Grand Hotel (1932) and Grand Hotel - the Musical (1989)

Grand Hotel: „Always the same. People come, people go. Nothing ever happens“

Vicki Baum, a escritora vienense, nunca alcançou um sucesso tão grande como no seu livro „Menschen im Hotel“ (1929), apesar de, hoje em dia, ser considerada uma das primeiras bem-sucedidas autoras da ficção moderna, dos abominados "best-sellers".
Seu trabalho de „pesquisa“ para esta obra foi, ao meu ver, muito nao muito „acadêmico“, até peculiar: ela pegou um emprego como arrumadeira, por seis semanas, num hotel para colher informações e idéias. A própria Baum dramatizou sua „Novella“ para o palco em Berlin (Direção de Max Reinhardt). Em 1930 a tradução americana fez um sucesso tão grande na Broadway que Irving Thalberg comprou os direitos para a MGM como um veículo para Garbo (ironicamente não para sua esposa, Norma Shearer, outra „rainha de MGM“).


Material destinado a muito sucesso, o filme „Grand Hotel“ estreiou em 1932, a primeira produção da história do cinema com um „all-star cast“ - "fórmula", aliás, que provou-se muito eficaz e até hoje é imitada... pensem nos filmes de "Agatha Christie":
Para Vicki Baum o „Hotel“, símbolo da sociedade moderna, é o centro de todos os acontecimentos e o lugar onde diferentes tipos, personalidades de distintas classes sociais e grupos se encontram, se misturam, vivem emoções, se agridem e então se despedem.
Cada personagem é em si um arquétipo. Grusinskaya (Garbo), a bailarina de „certa idade“ num período de profunda depressão; Barão Felix von Geygern (John Barrymore), um nobre e um ladrão;
o diretor-geral Preysing (Wallace Beery), um homem de negócios, primitivo, sem escrúpulos e moral; Frida Flamm („Flaemmchen“, Joan Crawford) uma estenografista disposta à qualquer coisa, contando que „suba“ na vida e deixe o „Millieu“ onde habita;
Otto Kringelein, o incrível Lionel Barrymore, um velho judeu, uma encantadora pessoa, morrendo de uma doenca terminal, com todo seu dinheiro na carteira, querendo „aproveitar a vida“; Suzette (personagem práticamente retirado do filme, transfomou-se na produção da MGM numa „empregada“), a dama-de-companhia de Grusinkaya, secretamente apaixonada por ela (só sabemos deste fato quando lemos o livro); Dr. Otternschlag (Lewis Stone),um solitário homem viciado em morfina que passa seus dias na recepção do „Grand Hotel“, observando os passantes e fala a famosa linha final da peça/filme:
"Grand Hotel. Always the same. People come, people go. Nothing ever happens."
… e isto depois de uma noite na qual amores nasceram, roubos e fraudes aconteceram, um assassinato foi cometido, estupro, mentiras e intrigas se espalharam pelo interior do hotel e… o filho do porteiro nasceu.

E Garbo? As reações de Grusinskaya são bem mais claras e compreensíveis no livro (e no musical) do que no filme: o fato de uma jovem bailarina tê-la imitado para caçoar dela (fazendo dela uma feia caricatura cheia de afetações da qual o público riu) é um dos componentes para o seu desespero d’alma – não só a carreira chegando ao fim, cansaço e fatiga. Garbo nunca esteve tão afetada como atuando Grusinskaya. Como se, depois de ter lido o livro, tivesse realmente acreditado na imitação que a jovem bailarina fez e transformado o personagem nesta caricatura. Esta minha „interpretação“ sobre o personagem parece-me ser a mais provável. Garbo já tinha deixado os exageros dos filmes mudos e dois anos antes tinha criado uma „palpável“ Anna Christie de Eugene O’Neil.
Afetada ou não… Garbo está especialmente linda na cena em que encontra pela primeira o ladrão… e ele declara seu amor por ela.

Como ela está vulnerável… sendo roubada mas não abrindo mão de querer acreditar neste „amor“ que ele está a lhe confessar. Quando revirem um dia este filme, prestem atenção no „Close-up“ (ao som de „Wien, Wien, nur Du allein…“). Garbo num de seus momentos, para mim, mais „translúcidos“. Um olhar húmido, um instante, um "suspiro", um momento curtíssimo de reflexão e ao mesmo tempo introspecção, inexplicávelmente bonito para mim (Foi muito difícil encontrar esta foto deste exato momento – vide abaixo. O mencionado momento refletido não só no olhar mas também em sua boca).
Uma segunda versão de „Grand Hotel“ chamada „Week-End at the Waldorf“ (também da MGM) foi feita em 1945 com Ginger Rogers, Van Johnson, Walter Pidgeon e Lana Turner entre outros. Esqueçam este filme, o mundo inteiro esqueceu. Há muito tempo.

Em 1988 estreiou na Broadway o fantástico „Grand Hotel – the Musical“ que eu tive a oportunidade de ver (Abaixo uma série de fotos do meu programa. Eu guardo tudo…).

Foi dificílimo conseguir entradas na época – apesar de ser „o sucesso do momento“ eu consegui assisti-lo tres vezes em sete dias! Não me arrependo. Uma das melhores produções musicais que assisti até hoje na Broadway.
Grusinskaya foi interpretada por Lilliane Montevecchi, bailarina clássica da companhia de Roland Petit junto a Leslie Caron (que aliás foi "Grusinskaya" na producao de Berlin), vedette do Folies Bergére, atriz e dançarina de Hollywood e da Broadway. Louquíssima, mas em „Hotel“ contida, controladíssima. Liliane foi depois substituída por Cyd Charisse (Com quem tinha dancado muito secundáriamente em „Meet me in Las Vegas“).
O Barão foi David Carrol, um bom tenor de uma boa e viril presença no palco.
A „dama-de-companhia“ de Grusinskaya é interpretada pela maravilhosa atriz (e cantora) da Broadway Karen Akers (Se lembram dela como a cantora em „A rosa púrpura do Cairo“ de Woody Allen?). Que voz linda tem Miss Akers.
(Detalhe: o nome original deste personagem era „Suzette“. A atriz que a interpretou na versão da MGM chamava-se Rafaela Ottiano: Para a produção do musical na Broadway o nome do personagem foi transformado em Rafaella Ottanio (não Ottiano), nome aliás imponente. Sua canção, na qual comenta seu amor por Elizavetta, também é linda!)

Jane Krakowsky, hoje em dia conhecida mais por sua aparição na série „Ally McBeal“, já mostrava o talento que iria trazer-lhe algumas nominações para o „Tony“ (ela recebeu-o por „Nine“) antes de intalar-se na California. Ela, no papel secundário de „Frida Flamm, a estenotipista“ tem tres números musicais simplesmente maravilhosos (quase „Show-Stoppers“) e práticamente „rouba“ o Show (bem, pelo menos a parte feminina). Ela foi nominada para um Tony por sua „Flaemmchen“.

Jane, nos seus primeiros anos no teatro (e no cinema… ela apareceu como uma enfermeira sapateadora com Liza Minelli em „Steppin’ out“) tinha um físico muito diferente do que tem hoje em dia. Bem mais magra. Adoro sua „figurinha“ e pernas nestes figurinos de „Flapper“ dos anos 20. Uma figura muito „limpa“ no palco!
Mas quem roubou mesmo o Show foi Michael Jeter. O ator que faleceu em 2003 de AIDS deu uma interpretação toda especial ao seu „Mr. Otto Kringelein“, que é mais do que tridimensional.
Aqui um raro vídeo, apresentado por Kathleen Turner (Tony Awards), onde todos os personagens da produção original de 1988 podem ser rápidamente vistos e um „Show-Stopper“ com Michael Jeter e Brent Barret – um dos vários “ Baron von Geygern “ em “We’ll take a glass together”. EMOCIONANTE!!!! Que trabalho de corpo!!!!!!!!

(Nota: a postagem segue depois dos vídeos…)
">
Ficaram curiosos? Aqui um melhor vídeo (sem a cena de abertura!)
">
Direção, produção e coreografia do fantástico Tommy Tune!!!!
Tommy, num destes momentos inspirados fez com que todos os números musicais competicem uns com os outros, como se todos estivessem acontecendo ao mesmo tempo… como num hotel, onde tudo realmente acontece ao mesmo tempo. Tommy conta muito desta produção em sua biografia “Footnotes” (nome inspirado para a biografia de uma bailarino/ coreógrafo/ diretor). Livro que já presenteei várias vezes e muito recomendo!
P.S. Existe toda uma estória incrível sobre este Show…
de como foi complicada sua montagem pois os autores não queriam modificar a concepção que tinham criado em 1958 para o fatídico „At the Grand“ – que nunca chegou a estreiar na Broadway, de como Tommy Tune teve que despedí-los, de como várias canções e números musicais tiveram que ser reescritos, de como o Show teve 31 (!!!) Pré-estréias, de como David Carrol morreu de AIDS no banheiro enquanto gravava o disco do Show, das várias mudanças no Cast…
mas também do grande sucesso em que se transformou, dos doze Tony Awards para os quais foi nominado (ganhando 5) e de como transformou-se num dos raros musicais que teve mais de 1.000 apresentações na Broadway! Mas para contar tudo isto necessito de uma outra postagem…

Eu trabalho em turismo… Imaginem o que um “Grand Hotel” significa para mim…

">