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sexta-feira, 25 de abril de 2014
Follies: subindo e descendo escadas...
Inspirações podem ser espontaneas...às vezes não… mas, a verdade é que podemos até esquecer do que as causou...
Adoro um video que foi feito do espetáculo em honra dos 80 anos de Stephen Sondheim em 2010… Sim, o “mestre” nasceu em 1930…
Tantos maravilhosos talentos reunidos numa única noite, num único palco…
Principalmente a cena de “Follies” (que começa com “Beautiful Girls”, grande número…) prendeu completamente minha atenção e abusou de toda minha concentração (e continua com o mesmo efeito, apesar de eu já te-la assistido várias vezes!): David Hyde Pierce canta e introduz as fantásticas, veteranas Patti LuPone, Marin Mazzie, Audra McDonald, Donna Murphy, Bernadette Peters e Elaine Stritch, que simplesmente “arrasam” (Mais sobre as cenas indiduais de cada uma delas em próximas postagens de “As Tertúlias”)!
Como “não existem coincidências” recebi um destes dias o DVD de “Ziegfeld Girl” (MGM, 1941) com Judy Garland, Heddy Lamarr e Lana Turner… será que um garotinho de 11 anos deixou-se inconscientemente inspirar com esta cena de LanaTurner “descendo” as escadas…
O filme, na realidade, possui todo um simbolismo cínico sobre o “descer” e “subir” em volta do personagem de Lana:
ela é descoberta como ascensorista subindo e descendo elevadores, ela sobe aos palcos para ser uma estrela de Florenz Ziegfeld, subindo e descendo escadas, no final do filme infeliz e “mantida” por um homem velho ela “desce” e se volta para o álcool…
O simbolismo das escadas…
Sim será que o garotinho Sondheim se inspirou aqui, inclusive musicalmente?
(Um dia teremos também que falar sobre Bette Davis subindo e descendo as escadas da Warner por 15 anos... ).
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Georges Seurat: "Un dimanche après-midi à l'Île de la Grande Jatte" & “Sunday in the Park with George”
Não é segredo que sou fascinado por (bons) shows da Broadway, também não que amo a música e a sensibilidade de Stephen Sondheim… e muito menos que sou um grande admirador da talentosíssima Bernadette Peters. That’s common knowledge para os Tertuliadores…
Obra teatral, que recebeu o Pullitzer Prize (categoria Drama) em 1985 “Sunday in the Park with George” é um musical incrívelmente “inspirado”, complexo e ao mesmo tempo transportador de uma estória extremamente bem definida e simples linguagem… Linguagem que arrebata o publico e toda sua atenção e concentração.
Este trabalho com música e letras de Stephen Sondheim e “livro” de James Lapine foi inspirado maravilhosamente no quadro de (Georges) Seurat “Uma tarde de domingo na I'lle de la Grand Jatte”… Realmente inspirador…
Obra complexa, que gira ao redor de um Seurat ficcional completamente imerso em seu processo de criação pintando as pessoas e emoções representadas nesta grande obra-prima neo-impressionista.
O trabalho de Seurat, grande representante técnica do “pointilismus”, serve, com sua luz, suas cores, suas nuances, como uma luva para esta delicada estória ficcional. …
A partir do momento em que somos apresentados a George (um jovem Mandy Patinkin, lembram de "Yentl"?), passando pelas fantasias e reclamações de sua amante analfabeta (gloriosamente interpretada por Bernadette Peters) até chegar a personagens dictícios que foram (na realidade) pintados e eternizados neste quadro, é literalmente impossível desprender a atenção da tela... do palco...
Incrível... Magnífico...
Aqui Bernadette como “Dot”, a amante de Seurat, num outro momento típicamente (não só musicalmente) “Sondheimiano”…
O show estreiou for a da Broadway em 1983 (com Patinkin e Peters) e só foi apresentado 25 vezes… Só possuía um ato e este mesmo ainda estava sendo desenvolvido… Sondheim, com louca, maníaca inspiração, perseverança e absurda rapidez, completou o Segundo ato que abriu para as tres últimas apresentações!!!!! Leonard Bernstein (amigo de Sondheim, com quem trabalhou em "West Side Story") lhe escreveu: “ brilliant, deeply conceived, magisterial and by far the most personal statement I’ve heard from you thus far. Bravo”.
Precisa-se de mais incentivo do que isso?
O musical foi transferido para a Broadway em 1984, o segundo ato finalmente “congelado” dois dias antes da estréia… As críticas foram “mixtas”. O show não foi “estraçalhado” pela crítica mas também não foi reverenciado devidamente… porém não lhe faltou publico e ele só fechou em 1985, isto depois de 604 espetáculos! Um sucesso de bilheteria!
Apesar de receber o Pullitzer Prize e ser nominado para para dez “Tonys” (recebeu dois) “Sunday” não entrou para a lista dos “eternos Sucessos” da Broadway.
Por isto talvez, tento recuperar um pouco da história perdida e insisto em colocá-lo aqui, brilhando pelo que tem de mais profundo: Sensibilidade.
Mesmo que “Sunday”, hoje em dia, tenha finalmente tornado-se um clássico, a memória do público é curta, muito curta – Temos, como pudermos sempre ajudar a memória, nossa memória…
E na realidade acho que esta é a verdadeira função, o verdadeiro objetivo destas "Tertúlias" frequentes... não deixar que nos esqueçamos...
"Sunday"... Divirtam-se com todo o elenco neste emocionante, fascinante número...
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domingo, 18 de março de 2012
My Broadway Babies: Baby # 2 Bernadette Peters
Jamais perderia tempo escrevendo sobre QUEM é Bernadetten Peters... PETERS é simplesmente "só" um ícone na Broadway (e de certa forma no cinema). Quem não sabe quem ela é… Sinto muito… não tenho tempo, nem paciencia para explicar :-)
Aqui mais um número do meu querido Stephen Sondheim!
Enjoy!!!!!!!!!!!
Aqui mais um número do meu querido Stephen Sondheim!
Enjoy!!!!!!!!!!!
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sexta-feira, 9 de março de 2012
My Broadway Babies: Baby # 1 Marin Mazzie
De certa foma sou um „late Bloomer” no que diz respeito a Stephen Sondheim…
Já bem adulto descobri mesmo o trabalho dele com todas suas nuances, pensamentos entre vírgulas (coisa aque só conheço em Richard Strauss), insinuações...
Não que não o conhecesse. Eu simplesmente nunca tinha lhe dado a devida, correta atenção…
Desde o início dos 90 estou neste interminável “love affair” com sua música…
"Follies", "Sunday in the Park with George", "Company", "A little Night Music" só para citar alguns...
Aqui, uma outra descoberta recente (para mim): a maravilhosa Marin Mazzie que inicia a minha nova “série” das Tertúlias”: MY BROADWAY BABIES!
(na foto acima Marin ao lado de Bernadette Peters , outra Broadway Baby, Mandy Patinkin e do próprio Stephen na comemoração do seu octagésimo aniversário em 2010 !!!).
Marin possui uma qualidade muito especial no palco... e como amo seu sorriso.
Consciente do perigo de que possam me chamar de piegas ou de "cafona", tenho que chamar o que vejo no final de sua performance pelo nome que me vem imediatamente à cabeça: ela é MEIGA!
Já bem adulto descobri mesmo o trabalho dele com todas suas nuances, pensamentos entre vírgulas (coisa aque só conheço em Richard Strauss), insinuações...
Não que não o conhecesse. Eu simplesmente nunca tinha lhe dado a devida, correta atenção…
Desde o início dos 90 estou neste interminável “love affair” com sua música…
"Follies", "Sunday in the Park with George", "Company", "A little Night Music" só para citar alguns...
Aqui, uma outra descoberta recente (para mim): a maravilhosa Marin Mazzie que inicia a minha nova “série” das Tertúlias”: MY BROADWAY BABIES!
(na foto acima Marin ao lado de Bernadette Peters , outra Broadway Baby, Mandy Patinkin e do próprio Stephen na comemoração do seu octagésimo aniversário em 2010 !!!).
Marin possui uma qualidade muito especial no palco... e como amo seu sorriso.
Consciente do perigo de que possam me chamar de piegas ou de "cafona", tenho que chamar o que vejo no final de sua performance pelo nome que me vem imediatamente à cabeça: ela é MEIGA!
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domingo, 14 de agosto de 2011
I'm still here... Follies, Sondheim, Carlotta, Postcards, Shirley & Co.
Com o passar dos anos - Thank God - vamos compreendendo melhor certas coisas que, as vezes, até nem julgávamos tão triviais… Eu disse “certas coisas”. Outras não… Palavras que já eram densas tornam-se ainda mais fortes. Isso me aconteceu ouvindo um dias destes ♫ ♪ “I’m still here”! ♪ ♫
Já há alguns anos escrevi sobre o maravilhoso “Follies” de Stephen Sondheim, de como foi inspirado, do fracasso que foi, das atrizes “velhas” que usou… Uma verdadeira obra de arte. Uma obra muito densa de arte.
Vide minha postagem de agosto de 2008... Follies...
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Uma obra bastante incompreendida na época de sua estréia original…Agora “Follies” está de volta à Broadway de novo (com minha querida Bernadette Peters) e eu, que estive em maio em New York ( e perdi Peters em "A little Night Music"), estou aqui em Viena. Um triste caso – nada incomum comigo - de “bad-timing”! Ave.... struz!
♫ ♪ “Ainda estou aqui” (“I'm Still Here”) é mais do que uma canção para parar um show e provocar aplausos (apesar de ter este efeito sobre a platéia). Contada por um personagem (Carlotta) que “esteve lá”, que “viu tudo” e cantada por uma atriz, já não mais tão jovem, que adiciona seus anos reais de “show-business” aos do personagem, ela “mexe” com todos os membros do público… ♪♪ ♫
♪ ♫ Aqueles que “estiveram lá” podem se identificar profundamente com Carlotta e com a constatação que ainda “estão aqui”. Aqueles que ainda são muito jovens podem admirar a coragem e determinação de alguém que viveu e viveu para poder contar – e cantar - esta estória com uma paixão eletrificante! ♫ ♪
♫ ♪ Originalmente escrita para o personagem “Carlotta” (na produção original desempenhada pela deliciosa Yvonne de Carlo, para muitos conhecida “só” como Lilly Munster de “Os Monstros”) esta canção foi reescrita por Sondheim para adaptar-se ao personagem de Shirley MacLaine em “Postcards from the Edge” (1990, baseado no livro escrito em 1987 por Carrie Fischer), aqui interpretando uma des suas melhores amigas, Debbie Reynolds, a verdadeira mãe de Miss Fischer. ♫ ♪
Parece-me porém que com o decorrer dos anos, menos e menos pessoas entendem as referencias do texto – uma decorrencia idiomática e cultural bem comum… Infelizmente… Quem era “Zanuck”? O que é “Stock”? E “Camp” e “true blue Tramp”??? (e este é o texto “fácil”, o que foi reescrito para o filme… o “original” é bem mais complexo… )
Já há alguns anos escrevi sobre o maravilhoso “Follies” de Stephen Sondheim, de como foi inspitrado, do fracasso que foi, das atrizes “velhas” que usou… Uma verdadeira obra de arte. Uma obra muito densa de arte. Uma obra bastante incompreendida na época de sua estréia original…Agora “Follies” está na Broadway de novo com minha querida Bernadette Peters) e eu, que estive em maio em New York, estou aqui em Viena. Um triste caso – nada incomum - de “bad-timing”!
♫ ♪ “Ainda estou aqui” (“I'm Still Here”) é mais do que uma canção para parar um show e provocar aplausos (apesar de ter este efeito sobre a platéia). Contada por um personagem (Carlotta) que “esteve lá”, que “viu tudo” e cantada por uma atriz, já não mais tão jovem, que adiciona seus anos reais de “show-business” aos do personagem, ela “mexe” com todos os membros do público… E MacLaine aqui, entre nous, está sensacional! ♪♪ ♫
Mesmo assim, para todos aqueles que podem compreender toda a complexidade do contexto, ela vale muito. No meu caso até acho que a compreendo mais e mais a cada dia… Bem, eu também “Ainda estou aqui”… E (como Streisand uma vez disse), uma das coisas positivas em se ficar velho é constatar que se pode sobreviver às decepções da vida...
I`M FEELING TRANSCENDENTAL
AM I HERE?
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Já há alguns anos escrevi sobre o maravilhoso “Follies” de Stephen Sondheim, de como foi inspirado, do fracasso que foi, das atrizes “velhas” que usou… Uma verdadeira obra de arte. Uma obra muito densa de arte.
Vide minha postagem de agosto de 2008... Follies...
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Uma obra bastante incompreendida na época de sua estréia original…Agora “Follies” está de volta à Broadway de novo (com minha querida Bernadette Peters) e eu, que estive em maio em New York ( e perdi Peters em "A little Night Music"), estou aqui em Viena. Um triste caso – nada incomum comigo - de “bad-timing”! Ave.... struz!
♫ ♪ “Ainda estou aqui” (“I'm Still Here”) é mais do que uma canção para parar um show e provocar aplausos (apesar de ter este efeito sobre a platéia). Contada por um personagem (Carlotta) que “esteve lá”, que “viu tudo” e cantada por uma atriz, já não mais tão jovem, que adiciona seus anos reais de “show-business” aos do personagem, ela “mexe” com todos os membros do público… ♪♪ ♫
♪ ♫ Aqueles que “estiveram lá” podem se identificar profundamente com Carlotta e com a constatação que ainda “estão aqui”. Aqueles que ainda são muito jovens podem admirar a coragem e determinação de alguém que viveu e viveu para poder contar – e cantar - esta estória com uma paixão eletrificante! ♫ ♪
♫ ♪ Originalmente escrita para o personagem “Carlotta” (na produção original desempenhada pela deliciosa Yvonne de Carlo, para muitos conhecida “só” como Lilly Munster de “Os Monstros”) esta canção foi reescrita por Sondheim para adaptar-se ao personagem de Shirley MacLaine em “Postcards from the Edge” (1990, baseado no livro escrito em 1987 por Carrie Fischer), aqui interpretando uma des suas melhores amigas, Debbie Reynolds, a verdadeira mãe de Miss Fischer. ♫ ♪
Parece-me porém que com o decorrer dos anos, menos e menos pessoas entendem as referencias do texto – uma decorrencia idiomática e cultural bem comum… Infelizmente… Quem era “Zanuck”? O que é “Stock”? E “Camp” e “true blue Tramp”??? (e este é o texto “fácil”, o que foi reescrito para o filme… o “original” é bem mais complexo… )
Já há alguns anos escrevi sobre o maravilhoso “Follies” de Stephen Sondheim, de como foi inspitrado, do fracasso que foi, das atrizes “velhas” que usou… Uma verdadeira obra de arte. Uma obra muito densa de arte. Uma obra bastante incompreendida na época de sua estréia original…Agora “Follies” está na Broadway de novo com minha querida Bernadette Peters) e eu, que estive em maio em New York, estou aqui em Viena. Um triste caso – nada incomum - de “bad-timing”!
♫ ♪ “Ainda estou aqui” (“I'm Still Here”) é mais do que uma canção para parar um show e provocar aplausos (apesar de ter este efeito sobre a platéia). Contada por um personagem (Carlotta) que “esteve lá”, que “viu tudo” e cantada por uma atriz, já não mais tão jovem, que adiciona seus anos reais de “show-business” aos do personagem, ela “mexe” com todos os membros do público… E MacLaine aqui, entre nous, está sensacional! ♪♪ ♫
Mesmo assim, para todos aqueles que podem compreender toda a complexidade do contexto, ela vale muito. No meu caso até acho que a compreendo mais e mais a cada dia… Bem, eu também “Ainda estou aqui”… E (como Streisand uma vez disse), uma das coisas positivas em se ficar velho é constatar que se pode sobreviver às decepções da vida...
I`M FEELING TRANSCENDENTAL
AM I HERE?
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Burlesque at its best: Gypsy
Só uma curta reflexão antes de começar…
Muito me admirou quando, há alguns anos, falei com um chamado diretor de musicais que estava encantado pois havia “descoberto” um musical.
Ele estava mais do que excitado e parecia Colombo descobrindo a América.
Já que tenho uma “relação” muito intensa com o “Musical” desde minha tenra infancia (Já contei que esta é também uma “herança” que recebi dos meus pais? Mais uma delas…) fiquei curioso e qual foi minha surpresa quando ele disse, com grave eloquencia, que tinha “descoberto” “Gypsy”!
No primeiro momento não pude acreditar que ele se referia à esta obra-prima do teatro musical, como se fosse uma grande novidade.
Perguntei ingenuamente se ele se referia ao disco da produção original com Ethel Merman ou ao filme com Rosalind "Roz" Russell e Natalie Wood. Seu olhar me revelou que ele não tinha a menor idéia a quem eu me referia…
- Não, não… o filme com Bette Midler!, respondeu
Vou ser muito sincero: se alguém me disser que não conhece e nunca assistiu “Gypsy”, não me importarei muito.
Mas ouvir esta exclamação vinda de um “pretenso diretor” de musicais realmente é uma coisa meio esquisita. Trabalhador, conheça o seu ofício!
Como querer declamar Shakespeare sem ter aprendido o ABC? Como tocar um prelúdio de Chopin sem conhecer as notas? Como querer dar piruetas sem conhecer uma quarta ou a segunda posição - como muitos russos? (Adoro, por sinal estas piruetas saídas de um "seconde"... ).
É como tentar andar sem ter aprendido a engatinhar…
Como uma pessoa relacionada à musicais não conhece um musical que por muitos críticos e escritores é considerado o melhor musical de todos os tempos (e que por “coincidencia” foi dirigido e coreografado originalmente por Jerome Robbins, one of the best) é para mim uma interrogação. Não. Me corrijo: Uma total falta de preparação.
(Infelizmente este não é um fato único. O teatro aqui na Europa está cheio de pessoas assim… qual o resultado? Produções de baixo nível em termos de direção, críticas horrendas, peças que são retiradas de cartaz antes da tempo, atores e bailarinos que perdem seus empregos… Sim, «Trabalhador, conheça o seu ofício”, mesmo que seja na província, e tenha mais responsabilidade com os destinos alheios…).
Bem, o "prólogo" acabou, aqui "Gypsy"
Bette Midler não é e nunca será “Mama Rose” (descrita como “one of the few truly complex characters in the American musical…”). Ela é Bette Midler querendo afastar-se da forte “persona” Bette Midler num filminho feito para a TV.
“Gypsy” foi baseada na auto-biografia da Striper “Gypsy Rose Lee” :
Uma mulher bem inteligente que além de se despir em público ("The Queen of Burlesque") também escreveu, entre outros, um livro chamado “The G-String Murders” (1941). Adoro!
Este livro inspirou o filme “The Lady of Burlesque” (1943): um filme “policial” e interessantíssimo, passado nos bastidores do burlesco, e que deu à seríssima Barbara Stanwick a chance de interpretar um papel bem diferente das suas “neuróticas” personagens. Fabulosa. E faz uns Spagats com uma facilidade louca... Uma coisa que era inesperada em Barbara...
Em “Gypsy” o personagem principal não é nem “Louise” nem sua irmã “Baby June” (que realmente fugiu das garras da mãe aos quinze anos para se casar com um rapazinho… Baby June, na realidade, transformou-se depois na atriz de razoável sucesso de musicais da 20th Century Fox nos anos 40 : June Harver). Toda a peça gira a redor de “Mama Rose”, a maior Show-Business-Mama da história, que não exita por um segundo, quando ve a chance de “estrelato”, mesmo que seja no Burlesco, em colocar a própria filha para fazer Stripteases na frente de uma platéia de homens nojentos, que mais parecem lobos famintos, babando… Aquele tipo de homem que tem que ver «shows» pois certas coisas lhes são negadas debaixo do próprio teto. Repito. “Mama Rose is one of the few truly complex characters in the American musical…”. Pano para muita manga. Motivo para “se descascar muitos abacaxis”.
Como eu gostaria de ter visto Ethel Merman neste papel… Sim, Merman, a primeira Mama Rose de uma longa linha de maravilhosas atrizes:
Rosalind Russell (fabulosa) na primeira versão cinematográfica, que no Brasil chamou-se “Em busca de um Sonho” (Mervin LeRoy, 1962) com Karl Malden e Natalie Wood (que corpinho!).
Angela Lansbury
Patti LuPone
E quebrando a tradição que Mama Rose só poderia ser encarnada por uma “belter”, aqui a minha querida Bernadette Peters na última produção que a Broadway viu de “Gypsy” há alguns anos atrás…
Liza sempre quiz interpretar Mama Rose…
Para finalizar desta vez DOIS vídeos do Youtube:
O primeiro mostrando a “ascenção ao estrelato” de Louise/Gypsy Rose Lee (ou, como outros também justamente interpretam, o “declínio de sua moral”) do filme de 1962.
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…e o segundo de um espetáculo de Gala em Londres mostrando o número das tres “Stripers” de Burlesco que mostram à Louise o que é necessário para um bom Striptease (You gotta have a Gimmick). Entre elas a própria Bernadette Peters como uma das Stripers (as outras duas as fabulosas Julia McKenzie e Ruthie Henschall nas pontas!!!!). Bernadette simplesmente "arrasa". Fabulosa!!!! "Once I was a "schleppa", now I'm Miss Mazeppa"... Que texto...
Este é definitivamente meu número preferido de toda a peça: grande trabalho de Jules Styne (que depois seria responsável por "Funny Girl" e pelo "carro-chefe" de Streisand: "People") – e pela primeira vez um trabalho de um jovem compositor… Stephen Sondheim, que admiro demais. Um genio!
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Muito me admirou quando, há alguns anos, falei com um chamado diretor de musicais que estava encantado pois havia “descoberto” um musical.
Ele estava mais do que excitado e parecia Colombo descobrindo a América.
Já que tenho uma “relação” muito intensa com o “Musical” desde minha tenra infancia (Já contei que esta é também uma “herança” que recebi dos meus pais? Mais uma delas…) fiquei curioso e qual foi minha surpresa quando ele disse, com grave eloquencia, que tinha “descoberto” “Gypsy”!
No primeiro momento não pude acreditar que ele se referia à esta obra-prima do teatro musical, como se fosse uma grande novidade.
Perguntei ingenuamente se ele se referia ao disco da produção original com Ethel Merman ou ao filme com Rosalind "Roz" Russell e Natalie Wood. Seu olhar me revelou que ele não tinha a menor idéia a quem eu me referia…
- Não, não… o filme com Bette Midler!, respondeu
Vou ser muito sincero: se alguém me disser que não conhece e nunca assistiu “Gypsy”, não me importarei muito.
Mas ouvir esta exclamação vinda de um “pretenso diretor” de musicais realmente é uma coisa meio esquisita. Trabalhador, conheça o seu ofício!
Como querer declamar Shakespeare sem ter aprendido o ABC? Como tocar um prelúdio de Chopin sem conhecer as notas? Como querer dar piruetas sem conhecer uma quarta ou a segunda posição - como muitos russos? (Adoro, por sinal estas piruetas saídas de um "seconde"... ).
É como tentar andar sem ter aprendido a engatinhar…
Como uma pessoa relacionada à musicais não conhece um musical que por muitos críticos e escritores é considerado o melhor musical de todos os tempos (e que por “coincidencia” foi dirigido e coreografado originalmente por Jerome Robbins, one of the best) é para mim uma interrogação. Não. Me corrijo: Uma total falta de preparação.
(Infelizmente este não é um fato único. O teatro aqui na Europa está cheio de pessoas assim… qual o resultado? Produções de baixo nível em termos de direção, críticas horrendas, peças que são retiradas de cartaz antes da tempo, atores e bailarinos que perdem seus empregos… Sim, «Trabalhador, conheça o seu ofício”, mesmo que seja na província, e tenha mais responsabilidade com os destinos alheios…).
Bem, o "prólogo" acabou, aqui "Gypsy"
Bette Midler não é e nunca será “Mama Rose” (descrita como “one of the few truly complex characters in the American musical…”). Ela é Bette Midler querendo afastar-se da forte “persona” Bette Midler num filminho feito para a TV.
“Gypsy” foi baseada na auto-biografia da Striper “Gypsy Rose Lee” :
Uma mulher bem inteligente que além de se despir em público ("The Queen of Burlesque") também escreveu, entre outros, um livro chamado “The G-String Murders” (1941). Adoro!
Este livro inspirou o filme “The Lady of Burlesque” (1943): um filme “policial” e interessantíssimo, passado nos bastidores do burlesco, e que deu à seríssima Barbara Stanwick a chance de interpretar um papel bem diferente das suas “neuróticas” personagens. Fabulosa. E faz uns Spagats com uma facilidade louca... Uma coisa que era inesperada em Barbara...
Em “Gypsy” o personagem principal não é nem “Louise” nem sua irmã “Baby June” (que realmente fugiu das garras da mãe aos quinze anos para se casar com um rapazinho… Baby June, na realidade, transformou-se depois na atriz de razoável sucesso de musicais da 20th Century Fox nos anos 40 : June Harver). Toda a peça gira a redor de “Mama Rose”, a maior Show-Business-Mama da história, que não exita por um segundo, quando ve a chance de “estrelato”, mesmo que seja no Burlesco, em colocar a própria filha para fazer Stripteases na frente de uma platéia de homens nojentos, que mais parecem lobos famintos, babando… Aquele tipo de homem que tem que ver «shows» pois certas coisas lhes são negadas debaixo do próprio teto. Repito. “Mama Rose is one of the few truly complex characters in the American musical…”. Pano para muita manga. Motivo para “se descascar muitos abacaxis”.
Como eu gostaria de ter visto Ethel Merman neste papel… Sim, Merman, a primeira Mama Rose de uma longa linha de maravilhosas atrizes:
Rosalind Russell (fabulosa) na primeira versão cinematográfica, que no Brasil chamou-se “Em busca de um Sonho” (Mervin LeRoy, 1962) com Karl Malden e Natalie Wood (que corpinho!).
Angela Lansbury
Patti LuPone
E quebrando a tradição que Mama Rose só poderia ser encarnada por uma “belter”, aqui a minha querida Bernadette Peters na última produção que a Broadway viu de “Gypsy” há alguns anos atrás…
Liza sempre quiz interpretar Mama Rose…
Para finalizar desta vez DOIS vídeos do Youtube:
O primeiro mostrando a “ascenção ao estrelato” de Louise/Gypsy Rose Lee (ou, como outros também justamente interpretam, o “declínio de sua moral”) do filme de 1962.
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…e o segundo de um espetáculo de Gala em Londres mostrando o número das tres “Stripers” de Burlesco que mostram à Louise o que é necessário para um bom Striptease (You gotta have a Gimmick). Entre elas a própria Bernadette Peters como uma das Stripers (as outras duas as fabulosas Julia McKenzie e Ruthie Henschall nas pontas!!!!). Bernadette simplesmente "arrasa". Fabulosa!!!! "Once I was a "schleppa", now I'm Miss Mazeppa"... Que texto...
Este é definitivamente meu número preferido de toda a peça: grande trabalho de Jules Styne (que depois seria responsável por "Funny Girl" e pelo "carro-chefe" de Streisand: "People") – e pela primeira vez um trabalho de um jovem compositor… Stephen Sondheim, que admiro demais. Um genio!
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sábado, 31 de julho de 2010
A Little Night Music: Bernadette Peters & Elaine Stritch
Uma querida amiga acabou de chegar de N.Y., onde pode assistir a nova produção de „A little Night Music“ de Stephen Sondheim.
Ela está ainda „delirando“ com a „cachoeira de talentos“ que pode presenciar…
Mas não é para menos…
No Cast:
Broadway's Darling # 1 Bernadette Peters como Desirée Armfeldt e
Elaine Stritch como Madame Armfeldt!
Elaine substituiu a incomparável Angela Lansbury!
(Assim como Bernadette substituiu Catherine Zeta-Jones - não a imagino em "Night", aliás não imagino-a na Broadway! Se eu tivesse minha escolha - e uma varinha de condão - gostaria de ver Bernadette e Angela juntas apesar de amar Stritch... )
Aqui algumas fotos desta produção que, pelo que parece, deve ser impecável! Será que ainda poderei ve-la em fevereiro? Com Bernadette?
E aqui tres fotos com o elenco original: Zeta-Jones & Lansbury!
Finalizando com minha querida, eterna Bernadette, só dando um "gostinho" de "Send in the Clowns" (com sua eterna indagação "Isn't it rich?" e sua eterna exclamação "My fault I fear!" - que belo, sensível trabalho... Como amo Stephen Sondheim!)
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Ela está ainda „delirando“ com a „cachoeira de talentos“ que pode presenciar…
Mas não é para menos…
No Cast:
Broadway's Darling # 1 Bernadette Peters como Desirée Armfeldt e
Elaine Stritch como Madame Armfeldt!
Elaine substituiu a incomparável Angela Lansbury!
(Assim como Bernadette substituiu Catherine Zeta-Jones - não a imagino em "Night", aliás não imagino-a na Broadway! Se eu tivesse minha escolha - e uma varinha de condão - gostaria de ver Bernadette e Angela juntas apesar de amar Stritch... )
Aqui algumas fotos desta produção que, pelo que parece, deve ser impecável! Será que ainda poderei ve-la em fevereiro? Com Bernadette?
E aqui tres fotos com o elenco original: Zeta-Jones & Lansbury!
Finalizando com minha querida, eterna Bernadette, só dando um "gostinho" de "Send in the Clowns" (com sua eterna indagação "Isn't it rich?" e sua eterna exclamação "My fault I fear!" - que belo, sensível trabalho... Como amo Stephen Sondheim!)
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
Quem vê cara não vê coração...
...ou neste caso "Quem ouve canção não vê coração"?
Finalizando uma série de postagens sobre "Pennies from Heaven" (25.07.2010, 11.06.2010 e 30.07.2009) mais uma cena favorita...
"It's a sin to tell a lie" com a sensacional Jessica Harper!
E uma vez mais um agradecimento imenso à querida Danielle que nos possibilitou rever "Pennies"! (e indiretamente fez-me ver e reconhecer como no trabalho - hi hi - ando bem parecido à Harper desta cena...)
Finalizando uma série de postagens sobre "Pennies from Heaven" (25.07.2010, 11.06.2010 e 30.07.2009) mais uma cena favorita...
"It's a sin to tell a lie" com a sensacional Jessica Harper!
E uma vez mais um agradecimento imenso à querida Danielle que nos possibilitou rever "Pennies"! (e indiretamente fez-me ver e reconhecer como no trabalho - hi hi - ando bem parecido à Harper desta cena...)
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Let's face the music and dance...
Esta tertúlia não é dedicada a Fred & Ginger. Ela não quer fazer comparações. E não quer nem elogiar nem criticar ninguém… Esta não é, em absoluto, a razão desta tertúlia! Todos sabemos que Fred & Ginger são incomparáveis, inimitáveis – e neste ponto não me refiro à “técnica” porém à “química” que existia quando os dois apareciam nas telas, nunca igualada por outra dupla de bailarinos na história dos musicais.
Repito: não quero me referir à dupla Bernadette Peters & Steve Martin (ele, aliás, nunca dançou!) em relação à magnífica dupla da RKO.
Quero porém mencionar esta cena, elogiar a linguagem cinematográfica e, acima de tudo, esta fabulosa idéia.
Graças à Danielle, que recuperou para nós cenas de “Pennies from Heaven” (1981), posso dar continuação às minhas postagens de 30.07.2009 e de 11.06.2010.
Um inteligente roteiro que, como “idéia” central, tem seus personagens “dublando expontaneamente” canções da época da depressão (época na qual o filme é também passado) como que esta fosse sua única possibilidade de expressão. Maravilhoso "veículo" para o casal (da época) Peters & Martin. Acima numa foto também de 1981.
“Pennies” é um filme especial. Para conhecedores de bom cinema. Para cinéfilos.
Nunca me esqueci da primeira vez que o assisti. Num quarto de hotel em Hong-Kong com uma vista maravilhosa. Mas o filme me prendeu mais naqueles instantes...
Gosto especialmente deste número. Principalmente do momento no qual os personagens de Peters & Martin sobem ao palco e dançam na frente da tela paralelamente a Astaire & Rogers (reparem no “detalhe” do lencinho sendo jogado – perfeito em sincronização).
Uma linguagem cinematográfica muito especial. Muito delicada – combinada com muito talento e longos ensaios – não só para os bailarinos como também para a camera.
Acho que deveríamos “redescobrir” “Pennies
Repito: não quero me referir à dupla Bernadette Peters & Steve Martin (ele, aliás, nunca dançou!) em relação à magnífica dupla da RKO.
Quero porém mencionar esta cena, elogiar a linguagem cinematográfica e, acima de tudo, esta fabulosa idéia.
Graças à Danielle, que recuperou para nós cenas de “Pennies from Heaven” (1981), posso dar continuação às minhas postagens de 30.07.2009 e de 11.06.2010.
Um inteligente roteiro que, como “idéia” central, tem seus personagens “dublando expontaneamente” canções da época da depressão (época na qual o filme é também passado) como que esta fosse sua única possibilidade de expressão. Maravilhoso "veículo" para o casal (da época) Peters & Martin. Acima numa foto também de 1981.
“Pennies” é um filme especial. Para conhecedores de bom cinema. Para cinéfilos.
Nunca me esqueci da primeira vez que o assisti. Num quarto de hotel em Hong-Kong com uma vista maravilhosa. Mas o filme me prendeu mais naqueles instantes...
Gosto especialmente deste número. Principalmente do momento no qual os personagens de Peters & Martin sobem ao palco e dançam na frente da tela paralelamente a Astaire & Rogers (reparem no “detalhe” do lencinho sendo jogado – perfeito em sincronização).
Uma linguagem cinematográfica muito especial. Muito delicada – combinada com muito talento e longos ensaios – não só para os bailarinos como também para a camera.
Acho que deveríamos “redescobrir” “Pennies
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