quarta-feira, 29 de maio de 2013

A pele de nossos dentes... The Skin of our Teeth...


Não sei já há quantos anos venho adiando esta postagem… Reli (finalmente) „The skin of our Teeth“ (em portugues “A pele de nossos dentes” ) de Thornton Wilder, autor que pertence aos meus preferidos… como gostaria de rever esta produçâo (Leiam minha postagem sobre “Our Town”/”Nossa cidade”).

Wilder recebeu um Pulitzer Prize por este trabalho, uma excelente peça que estreiou em N.Y. em 1942, dirigida por Elia Kazan – grande director mas também um grande “Judas” na história do teatro Americano (Ele delatou muita gente na época do McCarthysmo e ficou com muitos “destinos” em sua consciencia).



No papel principal ninguém menos do que a endiabrada Tallulah Bankhead – que transformou numa miséria a vida de seus companheiros de cena, entre eles Frederic March e um jovensíssimo Montgomery Clift…



O título da peça se refere simplesmente a um pedaço da bíblia (Jó, 19:20):

“Os meus ossos se apegaram à minha pele e à minha carne, e escapei só com a pele dos meus dentes”

Os personangens principais são só 5: George e Maggie Antrobus (do grego, humano), seus dois filhos e Sabina (que aparece como a empregada deles no primeiro e terceiro ato e como uma rainha linda e sedutora no Segundo). Apesar da peça ser passada na cidade fictícia de “Excelsior” e nos tempos atuais (1940’s) ela está cheia de anacronismos que nos levam de volta à pré-história… pulando para a época atual. Jamais esquecerei como um dinossauro passa pela porta deles na hora do “rush”.



Thornton Wilder conseguiu deixar publico e crítica completamentes indefesos e confusos… Por exemplo: o assassinato de Abel é um dos temas centrais do espetáculo… (o nome do filho foi mudado por Wilder de “Cain” para “Adam” para não delatar o enredo tão óbviamente). Já Lilly Sabina é uma referencia ao mito de Lilith e ao estupro das Sabinas, e por aí vai a lista…

Voltando aos palcos em Londres na estacão de 1945/46, Vivien Leigh, sempre procurando novas obras, foi a primeira Sabina “inglesa”.
Esta “aventura” tornou-se o que até hoje é considerado como seu maior desempenho no palco: um papel na realidade de grande comicidade que ela bravorosamente desempenhou (logo ela... no palco Lady MacBeth, Juliet, Lavinia, Blanche, Marguerite Gautier... ) enquanto lutava contra uma forte turbeculose (que a mataria em 1967) – e seus contantes ataques maníacos-depressivos (hoje em dia “bipolaridadde”).

Depois de só 78 apresentações ela teve que retirar-se do show, quando foi internada numa clínica onde, exausta, ficou 9 meses tentando melhorar suas condições mentais e físicas… Pobre Viv.



Nos restam hoje em dia sómente alguns relatos magníficos sobre sua inteligente Sabina (entre eles o do maravilhoso John Gieguld e da talentosíssima Kim Hunter – que trabalharia com Viv na filme de “Um bonde chamado desejo”, em 1950, também dirigido por Kazan) e algumas fotos – pouquíssimas – na qual vemos Viv em “traje de Maillot” com uma faixa de “Miss Atlantic City” – supostamente seu uniforme doméstico… não esqueçamos: por mais glamourosa que seja; ela era a empregada dos Antrobus… Mas esta foto com a escova-de-dentes arrematando o seu penteado não é tudo para este papel?



A peça, que em si, cobre um período de 5000 anos confundiu o público e os críticos. Um enredo que vai da idade glacial à atualidade em Atlantic City
– em meras duas horas –
era realmente uma linguagem muito avançada e ousada para a audiencia de 70 anos atrás…
Viv levou-a numa tournée pela Oceania… Imagino o que o simples público australiano deve ter pensado!



Uma deliciosa estória foi contada por Tallulah: um amigo seu escutou uma conversa durante o intervalo e passou para ela, que uma jovem socialite nova-yorkina estava desesperada: “Eu não estou entendo uma palavra desta peça… não tenho noção do que está acontecendo ou do que é sobre, e voce?”. O companheiro da inteligente loirinha gaguejou um pouco e disse “Sim, eu acho que em termos gerais… é sobre a raça humana”, ao que ela respondeu:

“Oh”, acrescentando depois de uma curta pausa, “então é só isso?”

(P.S. Existem os dois primeiros atos de "Skin" na Internet... Viv trabalhou numa produçâo televisiva de 1959... interessante!)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Richard Burton: remembering "How to handle a woman" e celebrando a individualidade...




Algumas das mais belas canções do teatro musical foram escritas para „Camelot“.

Julie Andrews, Richard Burton e Robert Goulet estreiaram na Broadway no dia 3/12/1960 e o sucesso foi incrível…
principalmente quando John F. Kennedy declarou ser este o seu “show” preferido…
Voces me entendem: Camelot, o estado perfeito, um sonho de democracia…
que, por sinal, desmorona em Camelot… etc. e tal...



Mas esta não é nem a razão nem o porque de estar escrevendo sobre “Camelot”. Quero me referir à uma canção chamada "How to handle a woman", à uma voz, à uma perfeita dicção.
Richard Burton, como Arthur, dá (como Rex Harrison em “My Fair Lady”) uma interpretação mais falada do que cantada… mas que qualidade vocal e sentimental…
e que sotaque britanico, como Andrews, mais do que perfeito!



Sua divisão de sílabas é algo especial, único e inimitável: como seria lindo ouvir as palavras “love her” mais assíduamente como ele as canta…
Sim, como duas palavras individuais e não como o “lov’her” ao qual nossos ouvidos se acostumaram…

Ah, palavras individuais, usadas individualmente…
e me aprofundado mais nesta “individialidade” digo que não é só a importante busca de personagens destes grandes talentos que me faz falta (como, há pouco tempo, Cristina Martinelli muito sábiamente comentou) mas também a técnica individual deles… A diferença entre eles...

É a tendencia dos nossos tempos?
Que todos os atores se pareçam?
Que todos os cantores soem iguais?
Que todos os bailarinos tennhm só o culto pela técnica na cabeça?
Que todas as mocinhas em festinhas apareçam com o “pretinho” com as cabeleiras sem corte puxadas para um lado?



Tantas perguntas mas é realmente a tendencia atual que todos, sejam cantores, bailarinos, atores ou menininhas de pretinho,
pareçam iguais uns ao outros como num batalhão?
Onde estão estes talentos individuais que eram tão diferentes uns dos outros?

Ouçam Burton para entender o que digo…



Bravo, Dick!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O balanço "at Sundown"...




O balanço povoou muito o cinema dos anos 30, tendo tido uma curta „renascença“ nos anos 50...


(acima Joan Crawford e Gary Cooper, 1937, em "Today we live")

Relacionado à emoção e excitação do se balançar “até o alto” ele simbolizou, deu um “rosto” à muitas emoções nas telas cinematográficas: A luxúria de Marie Antoinette interpretada por Norma Shearer numa festa de jardim (Marie Antoinette, MGM 1939), a leviandade de Anne Rutherford e Heather Angel como as irmãs caçulas de Greer Garson em “Pride and Prejudice” (Orgulho e Preconceito, MGM 1940), o amor verdadeiro misturado com felicidade de Jeanette MacDonald em “Maytime” (MGM 1937) e até o ápice sexual de Joan Collins e Ray Milland em “The Girl in the red velvet Swing” (1955).



Meu preferido balanço do cinema é ainda uma curta cena de “Love me or leave me” (Ama-me ou esquece-me, MGM 1955) com Doris Day cantando "At Sundown" (canção que amo da trilha sonora de um filme que adoro! Que voz mais agradável tinha Doris... ), simplesmente balançando-se pelo puro prazer de se balançar… sem nenhuma outra conotação…



Não é necessário estar-mos sempre interpretando, vendo coisas onde elas não existem… não é?

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Cristina Martinelli e Ballet romantico: uma pessoal reflexão...



Pela segunda vez na “história” de «As Tertúlias» um comentário, e toda a reflexão que trás com ele, é tão fascinante e tão profundo que ele transforma-se numa tertúlia por si mesmo…

Comentando uma postagem que eu havia composto há algumas semanas, sobre "La Sylphide", Cristina Martinelli nos presenteou mais uma vez com sua sensibilidade e profundo conhecimento.
Quero eternizar seu comentário aqui pois o considero de extrema importancia para uma nova geração de bailarinos.

Obrigado à amiga e grande artista Cristina Martinelli por nos deixar assim, tão simples- e descomplicadamente e daquela forma tão natural sua, ver um pouco da sua alma e do grande amor que nutre pela Arte!

A Arte está enraizada na sua alma, por isto esta forma tão espontanea, tão natural de escrever. Nada de Esboços, correções, preparações de horas... Admiro talentos assim. Natos. Naturais. Verdadeiros.

Obrigado.


(Cristina Martinelli, Les Sylphides)

Agradeço tambem a Tíndaro Silvano , coreógrafo e ex-bailarino, pelas suas palavras - que deram-me a final motivação para esta tertúlia:
"Prezado Ricardo, voltei só pra dizer que, depois deste comentário da Martinelli a gente fica até sem palavras e tudo o que eu disser será redundante. Concordo com tudo o que ela falou;
além do mais eu a acho A grande autoridade dos papeis românticos da dança clássica do nosso país.
Se ela falou, eu assino em baixo."



(Cristina Martinelli & Mark Silver, Giselle)



Rio de Janeiro, 12 de abril de 2013

Ricardo querido,

antes de mais nada, te cumprimento pela linda e trabalhosa postagem, adornada com lindas gravuras e fotos.

As sílfides, todas elas, a meu ver, simbolizam o sonho, seres etéreos e de um requinte ímpar...tradução também de uma delicadeza infinita.

Quanto a sua critica sobre a falta de interpretação/emoção/condução devida do personagem/, concordo inteiramente, ressaltando ser este um desgosto meu atualmente. Não só em Viena,mas nos quatro cantos do mundo.

Não é a técnica que me preocupa...é o culto a técnica e tão somente a ela que é grave.
A técnica está a serviço da dança, não está acima.
Não creio que seja por falta de tempo dos bailarinos... é a falta de um olhar mais profundo da parte deles, da busca do personagem, da sua Voz!

Atualmente todos os bailarinos possuem técnica, pernas altas, belos pés e trocentas piruetas, mas falta arte e a condição maior: ser artista! São muitos executantes e poucos dançantes.

Há pouco tempo conhecí,aqui no Brasil,um jovem bailarino,na realidade ele tem apenas 16 anos, chamado Gustavo Carvalho, que me causou profunda emoção, justamente por aliar uma técnica apurada com um estudo profundo do personagem, um mergulho mesmo. Dançou o Lago dos Cisnes completo lindamente, apesar da sua pouca idade, falta de experiência artística e de vida, ali ele se revelou maduro, sem técnica acrobática mas com grande conteúdo artístico.

Acho que é disso que estamos falando.

Não...ginástica não...por favor..! Não vou comentar sobre La Sylphide pois você já o fez magistralmente, mas admiro muitíssimo o trabalho de M.Legris, ainda mais sendo quem é e vindo de onde veio.
Acho seu legado a Ópera de Viena de valor inestimável,principalmente no que diz respeito ao repertório mas acho triste sentar para ver um ballet deste porte e não encontrar aquela magia que nos transporta para além deste pequeno mundinho, para o sonho de sílfides, o drama de Giselle, a gruta dos Cisnes, a emoção de Julieta, o embate de Des Grieux...

Sem dúvidas,Michael Denard era um excepcional bailarino,cheio de luz e tridimensional sim, em todos os sentidos.

Lindas as fotos do Corpo de Baile... e Flavia Soares encarnando exatamente a delicadeza e o sublime de uma sílfide. Já por sua posição nesta foto, vê-se sua qualidade como bailarina dentro do personagem.

Acho que todos os bailarinos da atualidade precisam de um coach para iniciá-los no estudo da interpretação dos seus papéis... não um coach de 21 anos... mas um que tenha real experiência artística e conhecimento dos papéis títulos e da história dos ballets de repertório...e caso não seja possível ter este coach,recomendo que vejam vídeos, muitos vídeos, com a condição única de não olharem para a técnica, mas sim observar principalmente o estilo,qual a voz deste personagem...

Belo post Ricardo para uma grande reflexão.

Mil beijos

Cristina Martinelli

quarta-feira, 1 de maio de 2013

La Fontaine: A Cigarra (ou O Gafanhoto) e a Formiga...

Tendo a cigarra cantado durante o verão, Apavorou-se com o frio do inverno Sem mosca ou verme para se alimentar, Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha, pedindo-lhe alguns grãos para aguentar Até vir uma época mais quentinha! - "Eu lhe pagarei", disse ela, - "Antes do verão, palavra de animal, Os juros e também o capital." A formiga não gosta de emprestar, É esse um de seus defeitos. "O que você fazia no calor de outrora?" Perguntou-lhe ela com certa esperteza. - "Noite e dia, eu cantava no meu posto, Sem querer dar-lhe desgosto." - "Você cantava? Que beleza! Pois, então, dance agora!"



"As Tertúlias" saludam La Fontaine, Walt Disney, todos os Tertuliadores e todas as formiguinhas da vida e deste Mundo no dia do Trabalho!
Dedico esta "Tertúlia" a todos os bailarinos... Que gente trabalhadora...



sábado, 27 de abril de 2013

Ciúme, aquele monstro de olhos verdes: Gene Tierney em „Leave her to heaven“/”Amar foi minha ruína”


Hoje só uma curta lembrança… Um filme que há pouco reassisti!
Magnífico...
Recomendo…



Um clássico do “film noir” (apesar de ser em cores!) “Leave her to heaven” (Fox, 1945, direção John M.Stahl) conta a estória nada convencional de uma mulher levada por um ciúme que é, na realidade, mais do que uma doentia obsessão… Ela abandona todo e qualquer sentido de “moral” para conseguir o que quer – ou o que imagina querer!



Gene Tierney (“Laura”) causou um grande impacto com sua atuação – principalmente numa época em que atrizes eram constantemente “rotuladas” pelos papéis que faziam… Mas a Fox e um pequeno círculo de magníficos atores como Gene, Tyrone Power, Vincent Price, Anne Baxter, Clifton Web, entre outros, faziam quase um “exercício” teatral pulando de filme para filme nos mais diferentes papéis… sistema praticado em recentes anos também por Woody Allen que durante muitos anos trabalhou com os mesmos atores, usando sua versatilidade! Pensemos em alguns “Clássicos” que foram produzidos neste período na 20th Century Fox…
entre eles “The Razor’s Edge”(O Fio da Navalha) de Maughan e o excelente filme (também noir) “Laura”.
Sim Clássicos com "C" maiúsculo mesmo!



Gene – que foi indicada por este filme para um Oscar – está soberba no papel.
Um verdadeiro monstro (de olhos verdes) envolto por uma rara beleza.
Engraçado é que com o passar do filme, no qual vamos descobrindo pouco a pouco a feiúra de seu caráter, ela deixa de ser esta pessoa linda e glamurosa que amávamos nas telas e transforma-se em algo horripilante, grotesco, mal… Ellen...



Mas voces devem estar se perguntando: seria esta mulher realmente tão imoralmente má?
Não contarei nada, voces devem assistir o filme. Só coloco aqui um curto “hint”… de um de seus pecados…



E uma foto que adoro: aqui Gene, num intervalo de filmagem, no dia em que uma das cenas mais chocantes do Cinema (será que só na época?) foi filmada, relaxando langorosamente no sol…



sábado, 20 de abril de 2013

Midsummer's Night Dream/ Sonho de uma Noite de Verão (Volksoper, 18.04.2013) p.s. William S. would have liked that very much…


A delicious performance, a delightful evening...

“Midsummer’s Night Dream” seem to be one piece of ballet which agrees very much with the atmosphere (and audience) from the “Volksoper”.
Funny, witty…
The whole ensemble surprised me, much more than three years ago…
Jorma Elo’s choreography is inventive, dynamic, ful of surprises… and very, very musical!



Uma deliciosa apresentação, uma noite prazerosa…
“Sonho de uma Noite de Verão” parece ser uma peça de Ballet que está muito de acordo com a atmosfera (e público) da “Volksoper”.
Engraçada, espirituosa…
Toda a companhia me surpreendeu, muito mais do que há tres anos atrás…
A coreografia de Jorma Elo é inventiva, dinamica, cheia de surpresas… e muito, muito musical!

Olga Esina
, perfect as Titania (I don’t know why but I always “think” of Titania as a blonde): her far-away looks and her distant manner suit this role perfectly.


(above Olga Esina, programme picture)

Roman Lazik, a sensual Oberon, very much in the Rupert Everett-manner (who played the role n the last film version). I would have liked very much to have seen my friend Vladimir Shishov again in this role…




(above Vladimir Shishov as Oberon, programme picture)

Prisca Zeisel, Greig Matthews
( Hermia & Lysander), Rui Tamai and Dumitru Taran ( Helena & Demetrius) as the two couples that in fact “move” the play forwards, strong key roles, showed lots of humour, sense of timing and, although this was the first time that Miss Zeisel danced the role with Mr. Matthews, in full command of the roles… Greig Matthews was lst year’s “boy-sensation”, now with 19 years old he turned into a man and a very fine dancer…
I am sure that we will be hearing/seeing a lot of Prisca Zeisel and Greig Matthew in the near future!
(By the way: Congratulations to Greig Matthews and Dumitru Taran’s perfect Arabesques. Such lines…).


(above Natalie Kusch & Greig Matthews – picture „Staatsballet Wien“)

Olga Esina
perfeita como Titania (Não sei porque mas sempre “penso” em Titania como uma loira): seus olhares longínquos, sua maneira distante são perfeitas para este papel.


(above Anita Louise in Max Reinhardt’s 1935 film version)

Roman Lazik, um Oberon sensual, muito na mameira de Rupert Everett (que fez este papel na última versão cinematográfica).

Gostaria muito de ter revisto meu amigo Vladimir Shishov neste papel…


(above “Oberon” in the 1935 Max Reinhardt’s film version)

Prisca Zeisel, Greig Matthews ( Hermia & Lysander), Rui Tamai e Dumitru Taran ( Helena & Demetrius) como os dois casais que “movem” a peça adiante, fortes papéis “chave”, mostraram muito humor, noção de tempo, apesar de ter sido a primeira vez que Miss Zeisel dançou este papel com Mr.Matthews, em total controle dos papéis… Greig Matthews foi o “menino sensação” do ano passado, agora com 19 anos ele transformou-se num homem e num refinado bailarino… Tenho certeza que vamos ouvir/ver muito de Prisca zeisel e Greig Matthews no futuro próximo!
(Nota: Meus parabéns para os perfeitos arabesques de Greig Matthews e Dumitru Taran. Que linhas…)


(above Dick Powell & Olivia deHavilland as Lysander & Hermia in Max Reinhardt’s 1935 film version)

Ryan Booth
, also due to his height, an impressive Theseus.

Alexis Forabosco, a dancer I admire very much, stayed in the Corps de Ballet, for the most time but had the chance to show his precise French technique and great stage presence, with Gala Jovanovic as one of the “Athenian” couples…

Ryan Booth, também por causa de sua altura, um Theseus imponente.


(above a picture from the 1935 film version which reminded me of Mr. Forabosco’s T-torso)

Alexi Forabosco, um bailarino que muito admiro, ficou quase todo o tempo no corpo de baile mas teve a chance de mostrar sua precisa técnica francesa e grande presença cenica, com Gala Jovanovic como um dos pares de Athenas…


(above Alexis Forabosco by Casanova Sorolla)

But the Star of the evening, the real Star of “Midsummer’s Night Dream” is (and will always be) Mihail (Misha) Sosnovschi: this very gifted dancer from Moldavia is THE perfect incarnation of Puck, a – also technically – very demanding role! His rapport with the audience is incredible and there was not only applause for him yesterday but also screams of joy! A beautiful, exciting performance!
Audiences simply LOVE “Midsummer’s Night Dream”!!!!!!


(above Mihail Sosnovschi as “Puck”, pictures: "Wiener Staatsballet")

Mas a verdadeira estrela da noite de “Sonho de uma Noite de Verão” é (e sempre será) Mihail (Misha) Sosnovischi: este muito dotado bailarino da Moldavia é A perfeita incarnação de Puck , um – também técnicamente – papel muito “exigente”! Seu relacionamento com o público é incrível e não houve só aplauso para ele ontem como também gritos de felicidade!
Uma apresentação linda e excitante!
O público simplesmente AMA “Sonho de uma Noite de Verão”!!!!!!!


(above Mickey Rooney in Max Reinhardt’s 1935 film version)

The choir, the violin soloist ( Bettina Gradinger), the children, the sets and costumes (Sandra Woodall/Jorma Elo) simply perfect. It all reminded me of the old film by Max Reinhardt, austrian… such a magical atmosphere… William S. would have liked that very much…

Bravo!



O coro, a solista do violino (Bettina Gradinger), as crianças, os cenários e figurinos (Sandra Woodall/Jorma Elo) simplesmente perfeitos.
Tudo me lembrou o velho filme de Max Reinhardt, austríaco… que atmosfera mágica… William S. teria gostado muito disso…



How wonderful to be a witness of such a performance… even tough Lorenz C. Aidner conducted Mendelssohn Bartholdy’s music so quickly – making it quite hard for the dancers – as if he was playing for himself… Can you believe that the performance finished nearly twenty minutes earlier? And that the Corps de Ballet Dancers couldn’t nearly close a position? Perhaps he had a date for supper?



Que maravilha poder ser testemunha de tal apresentação… mesmo se Lorenz C. Aidner regeu a música de Mendelssohn Bartholdy tão rápidamente – fazendo a coisa muito difícil para os bailarinos – como se ele estivesse tocando só para si… Podem acreditar que o espetáculo acabou quase 20 minutos antes do previsto? E os bailarinos do Corps de Ballet mal podiam fechar uma posição ? Talvez ele tivesse algum compromisso para jantar?



(above Michelle Pfeiffer as Titania in the last film version)


But… to be honest: It is a nice feeling to go home, still smiling, after a beautiful performance…
I had not enjoyed such a Ballet evening in a long time…

Para ser muito sincero: É uma coisa boa ir para casa, ainda sorrindo, depois de uma linda apresentação…
Eu nao tinha apreciado uma Noite de Ballet assim há muito tempo…

quinta-feira, 11 de abril de 2013

La Sylphide: Wiener Staatsoper /Ópera de Viena (05.04.2013)



Oh… the thoughts that “La Sylphide” evoke…

most of them about Filippo Taglioni, his gifted daughter Marie and their times in Vienna…



Oh… os pensamentos que “La Sylphide” evoca…

a maioria deles sobre Filippo Talgioni, sua talentosa filha Marie e seus tempos em Viena…




I was last April 5th at the Opera. It was sort of a treat that I gave to myself… A nice seat in a box very near to the stage – from where I could, due to the nearness, enjoy more the characters and their acting…
Something necessary in this ballet. I had seen “La Sylphide” for the last time in 2011. Irina Tsymbal (somebody once said “Die Personifizierung der Poesie / the personification of poetry” about her) impressed me a lot… She gave “her” Sylphide many dimensions, extraordinary qualities.


(above Irina Tsymbal, 2011/12 Season, Photo: Staatsoper)

Estive no ultimo 5 de abril na Ópera. Foi uma espécie de presente a mim mesmo… Um bom lugar num camarote bem perto do palco – de onde eu poderia, pela proximidade, disfrutar mais dos personagens e suas atuações dramática, algo necessário nesse ballet…
Tinha visto “La Sylphide” pela última vez em 2011 com Irina Tsymbal (alguém disse “Die Personifizierung der Poesie / a personificação da poesia” sobre ela) me impressionou muito… Ela deu à “sua” Sylphide muitas dimensões, qualidades extraordinárias.



(above Irina Tsymbal, 2011/12 Season, Photo: Staatsoper)

Reading the programme, just before the lights went down, I could catch a marvellous phrase which I would like to refer here to:
“Die Sylphide ist das Sinnbild der weiblichen Verführung, mit allen, was die Epoche der Romantik uns an Leichtigkeit, Anmut, Lieblichkeit, Frivolität und verdorbener Unschuld hinterlassen hat” (The Sylphide is an allegory of the feminine seduction, with all that the romantic period left us to think about lightness, grace, suaveness, frivolity and foul innocence).
I think that in this one sentence all has been said about the character... and how exciting it should/could/would be to recreate such a character on stage...


(above Roman Lazik & Irina Tsymbal, 2011/12 Season, Photo: Staatsoper)

Lendo o programa, pouco antes das luzes se apagarem, consegui pegar uma maravilhosa frase à qual gostaria agora de me referir: „Die Sylphide ist das Sinnbild der weiblichen Verführung, mit allen, was die Epoche der Romantik uns an Leichtigkeit, Anmut, Lieblichkeit, Frivolität und verdorbener Unschuld hinterlassen hat“ (A Sylphide é uma alegoria à sedução feminina, com tudo o que o período romantico nos deixou sobre leveza, graça, suavidade, frivolidade e suja inocencia). Eu penso que nesta frase tudo foi dito sobre o personagem… e que excitante deveria/poderia/ teria que ser recriar tal personagem no palco…


(above Shane A.Wuerthner & Maria Yakovleva, 2011/12 Season, Photo: Staatsoper)


(above M. Yakovleva, 2011/12 Season, Photo: Staatsoper)



But back to the reason why I am writing this today:
my main point of criticism nowadays towards the Viennese Opera Ballet. Probably due to the hurried schedule and many performances of, dancers seem not to have enough time to develop into their characters, understand them, live with them, know what they are doing (when I remember the “one note exercise” from Actor’s Studio, N.Y…). And then, all of a sudden you are watching a performance with no “sap”, no acting, no feeling... just bodies dancing to music (If I’d had wanted wanted that I could as well have watched some Balanchine DVDs at home). That all may be OK for the customary viennese audiences, still in need to develop its ballet knowledge, but it is not enough to someone who understands a bit more about Ballet.
I felt extremely uneasy during the Sylphide’s “dying-scene”. One of the most emotional moments EVER put in ballet… the poor thing loosing her little wings and there it was: no feelings at all on stage, just a dancer trying to look beautiful regardless of the bad luck and injustice that her character is being put through. This made me really sad. Lack of emotions makes me sad.


Photo: Wiener Staatsoper

Mas de volta ao motivo de estar escrevendo isso hoje:
meu motivo central de crítica hoje em dia ao Ballet da Ópera de Viena. Provavelmente por uma escalonação muito cheia de pressa e muitas apresentações, os bailarinos não tem tempo suficiente de se desenvolver dentro de seus personagens, entende-los, viver com eles, saber o que estão fazendo (quando me lembro do exercício das notas do Actor’s Studio). E então, derepente, voce está assistindo uma apresentação sem “seiva”, sem atuações, sem sentimentos… só corpos se movendo para a música (Se tivesse querido isso no dia 5, poderia ter ficado em casa e assistido DVDs de Balanchine). Talvez tudo isso seja OK para a o público vienense, ainda necessitado de desenvolver seus conhecimentos sobre ballet, mas não é suficiente para alguém que entende um pouquinho mais sobre ballet.
Senti-me extremamente desconfortável durante a cena de morte da sylphide. Um dos momentos mais emotivos jamais colocados no ballet… a pobrezinha perdendo suas asinhas e lá estava: nenhum sentimento no palco, só uma bailarina fazendo-se de bonita sem levar em conta o azar e injustiça pela qual seu personagem está passando. Isto me colocou triste. Falta de emoções me coloca triste.




It is extremely difficult to retain the audience’s attention during La Sylphide”. First because the technical challenges may not impress audiences very much, second because the plot may be understood as “too long”. But it is not this way...

The pas de trois (La Sylphide, James and Effie, who was played by Kyoka Hashimoto) from the first act is impressive – and was surely an inspiration
To the pas de trois from “La Dame aux Camelias” from John Neumeier in which Marguerite, Manon and Des Grieux dance together while Marguerite (and Manon) are dying… You really feel the response of the audience – perhaps one of my favourite moments… But, as I said before: it is really extreme difficult to retain the audience’s attention during the whole length of the ballet.

Sad to sit and watch while such characters as James and La Sylphide are turned into an one-dimensional display of one-dimensional emotions – without any of the intended choreographic nuances… It reminded me of what the great Dorothy Parker said once about a performance of a (very young) Katharine Hepburn: She runs the gamut of emotions from A to B".
Sad to watch such characters be turned into simple imitations of themselves...


(above NIna Polakova, Roman Lazik & Maria Yakovleva, 2011/12 Season, Photo: Staatsoper)

É muito difícil reter a atenção do público durante “La sylphide”. Primeiro porque os desafios técnicos podem não impressionar muito o público, segundo porque o enredo pode ser entendido como “muito longo”. Mas nao é bem assim…

O pas de trois (La Sylphide, James and Effie, que foi interpretada por Kyoka Hashimoto ) do primeiro ato me impressiona e foi certamente uma inspiração para o pas de trois de “La Dame aux Camelias” de John Neumeier no qual Marguerite, Manon e Des Grieux danam juntos enquanto Marguerite (e Manon) estão morrendo… Pode-se sentir a reação da platéia – talvez um dos meus momentos preferidos … Mas, como eu disse antes: é muito difícil reter a atenção do público durante a extensão total do Ballet.

Triste estar sentado e ver como tais personagens como James e la Sylphide são transformados numa aparição unidimensional de emoções unidimensionais – sem as intencionadas nuances coreográficas… Lembrou-me do que Dorothy Parker uma vez disse sobre uma apresentação de (uma muito jovem) Katharine Hepburn: ela toca a gama de emoções de A a B”.
Triste ver como tais personagens são transformados em simples imitações deles mesmos…

E, ainda por cima, personagens tao ricos… sobre La Sylphide já escrevi mas James… ele é tao tridimenional: sua recusa a aceitar a realidade se apaixonando por “aquela” linda criatura é de certa forma tao supreendente e tao atual…



(above Andrey Kaydanovskiy as "Madge", 2011/12 Season, Photo: Staatsoper)

James is not the character that requires the “grandiosity” of a Premier Danseur with such presence as Vladimir Shishov. James was extremely well-played in the 2011/12 season by Shane A.Wuerthner and Roman Lazik. Both not really danseurs noble but very, very good dancers…
But on the other hand… Michaël Denard was such a great Danseur Noble and he was also a very good, believable, down-to-earth James… a three dimensional man.


(above Shane A.Wuerther, 2011/12 Season. Photo: Staatsoper))

James não é o personagem que pede a “grandiosidade” de um Premier Danseur com tal presença como a de Vladimir Shishov. James foi extremamente bem interpretado na estação de 2011/12 por Shane A.Wuerthner e Roman Lazik. Ambos não são na realidade Danseurs Noble mas muito, muito bons bailarinos… Mas por outro lado… Michaël Denard foi um grande Danseur Noble e também um muito bom, crível James de “pés no chão”… Um homem tridimensional.


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(above Natalie Kusch, Shane A. Wuerthner & Maria Yakovleva 2011/12 Season, Photo Staatsoper)

I can’t say much about Mayasu Kimoto’s James – there were no feelings to reach to… But, very honestly, it may be that I am the one who’d have preferred to see James played by a more Scottish looking dancer! But we can’t go into that…
To summarize: I wish dancers here should/could/would have more Workshops to develop the characters they are playing… This is so important. Maybe someday I’ll concentrate on coaching… The company is being brought through an extreme work process since Monsieur Legris is here… but my impression is that not so many thoughts are being given to showmanship as to technique… and they are equally important!


(above Irina Tsymbal, 2011/12 Season. Photo: Staatsoper/Kurier)

Não posso dizer muito sobre o James de Mayasu Kimoto. Não haviam sentimentos para se alcançar… Mas muito honestamente, pode ser que seja eu quem teria preferido ver James interpretado por um bailarino de aparencia mais escocesa! Não podemos e não vamos nos aprofundar nisso…
Resumindo : Como desejaria que bailarinos devessem/pudessem/tivessem mais Workshops para desenvolver os personagens que atuam… Isto é tão importante. Talvez algum dia eu me concentre em instruir… A companhia está sendo levada por um processo de trabalho extremo desde que Monsieur Legris está aqui… Maravilha… mas minha impressão é que os suficientes pensamendtos não estao sendo dados à desempenhos como em relação à técnica… E ambos são igualmente importantes!



(above Natalie Kusch, Shane A. Wuerthner & Maria Yakovleva 2011/12 Season, Photo Staatsoper)

Contrary to the audiences’ opinion Andrey Kaydanovskiy did not impress me as Madge. Strangely enough this Madge walks long steps and then uses her stick… Normally, anyone using a stick uses it, leaning on it, before taking a long step… I tried his version of walking when I arrive home and I tell you: this is NOT easy (and it looks very strange und quite unreal on stage!). This was a cronic case of not knowing how to walk on stage.


Yes... sad...


Ao contrário da opinião da platéia Andrey Kaydanovskiy nada me impressionou como Madge. Estranhamente esta Madge dá longos passos para então usar sua bengala… Normalmente, qualquer pessoa usando uma bengala usa-a, apoiando-se nela, antes de dar um passo… Eu tentei esta versão de caminhar quando cheguei em casa e lhe digo: Nada fácil (e parece muito estranho e bem irreal no palco). Para mim caso cronico de não saber andar no palco.


(above Irina Tsymbal & Roman Lazik, 2011/12 season: Photo Kurier/Staatsoper)

But let us speak about the Highlights of the Evening… I want to say something positive about April 5th…

Misha Sonovschi was once more brilliant in the pas de deux from the first act… Contemplative. Two years ago, in the company of Maria Allati, he was a joy to watch. This time a new partner was quite a surprise for me: Ioanna Avraam, a lovely, very gifted dancer from Cyprus, gave us her role début in this nice – and refreshing – part of the first act.


(above Maria Alatti & Mihail Sonovschi, 2011/12 Season: Photo Staatsoper)

Mas falemos das Highlights desta Noite… Quero dizer algo positivo sobre 5 de abril…

Misha Sosnovschi esteve mais uma vez brilhante no pas de deux do primeiro ato… contemplativo. Dois anos atrás, em companhia de Maria Allati, foi um prazer ve-lo. Desta vez sua nova parceira foi uma grande surpresa para mim: Ioanna Avraam, uma linda e talentosa bailarina de Chipre, nos deu no seu début no papel nesta agradável e refrescante parte do primeiro ato.



(above Maria Alatti & Mihail Sonovschi, 2011/12 Season: Photo Staatsoper)

I was also very impressed by the wonderful dancers of the corps de ballet in the second act. The delicacy of some, lovely Flavia Soares for instance, is so “bigger than life” that all of a sudden you are wondering why there is another plot going on, why soloists you do not really relate to, are dancing all the time.

To be very honest: the pas de deux from the first act with Sosnovschi and Avraam as well the wonderful, delicate, precise work of the corps de ballet (the real Star of the evening) in the second made this evening a real joy!!!! Thank you, “girls”!


(above Flavia Soares 2012/13 Season)


(above the corps de ballet during this years's April 5th's performance)

Também fiquei muito impressionado com as maravilhosas bailarinas do Corps de Ballet no segundo ato. A delicadeza de algumas, a cativante Flavia Soares por exemplo, é tão “maior do que a vida”que derepente voce se pega ponderando porque existe um enredo acontecendo e porque solistas, com os quais voce não se identifica, estão dançando todo o tempo.

Para ser muito honesto: o pas de deux do primeiro ato som Sosnosvschi e Avraam assim como o maravilhoso, delicado, preciso trabalho do Corps de Ballet (a real estrela da noite) no segundo transformou esta noite numa real alegria!!!! Obrigado, “meninas”!



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