quarta-feira, 3 de abril de 2013

Minhas "queridas": Margaret Rutherford


Todos nós temos um ou outro bailarino, ator, diretor, cantor, escritor, pintor, compositor preferido em nossas vidas… Eu particularmente me refiro aos meus preferidos como os meus/as minhas “queridos”/”queridas”… Coisa de carinho e respeito à memória de tantos que nos deram tanto prazer na vida…



Para muitos que me conhecem sempre é uma surpresa quando “assumo” minha admiração por Margaret Rutherford.
Deliciosa atriz comica que até hoje me encanta… Mas a maioria dos meus amigos só me acha capaz de querer bem e admirar pessoas nas quais a estética esteja escrita no rosto. Não é bem assim…



Dame Margaret Taylor Rutherford faleceu aos 80 anos em 1972 deixando uma maravilhosa carreira teatral e várias interpretações cinematográficas… Apesar de ter debutado no teatro (com o Old Vic) aos 33 anos (muito tarde) e depois no West-End aos 41, ela só foi sériamente reconhecida como atriz em 1939 como Miss Prism em “The importance of being Earnest” de Oscar Wilde e em 1941 como a hilária, deliciosa vidente Madame Arcadi em “Blithe Spirit” de No l Coward respectivamente aos 47 e 49 anos de idade…

Óbviamente, por motivos físicos, nunca cogitou-se que Margaret assumisse papéis romanticos ou de heroína na tela e no palco… Ela estabeleceu-se como a maravilhosa comica da qual nos recordamos com carinho e apego até hoje. Gosto porém do fato dela nunca ter entendido realmente seu “appeal” como o publico. Ela uma vez disse: “I never intended to play for laughs. I am always surprised that the audience thinks me funny at all!” (Eu nunca intencionei atuar para ganhar risos. Estou sempre surpresa quando o publico me considera engraçada”).



Sua carreira no palco foi muito distinta… como gostaria de te-la assistido em papéis como Mrs. Candour em “The school for Scandal” ou até como a sinistra Mrs.Danvers numa produção teatral de “Rebecca” em 1940, papel bem “against type” para ela…

Rutherford foi casada uma só vez, com o ator Stringer Davis. Casando-se em 1945, eles apareceram em várias produções juntos… para ele ela não era sómente um grande talento mas também uma grande beleza (!!!!!!). Como é bonito o amor… ele passava todo o tempo possível ao seu lado exercendo os papéis de marido, secretário e até de enfermeiro: Ele cuidou dela através de longos períodos de depressão, que foram durante o percurso de sua vida escondidos do público. Estes períodos envolveram longas estadias em hospitais para doenças mentais, tratamentos de choque elétrico… Nos anos 50 Rutherford e Davis adotaram o escritor Gordon Langley Hall, então com seus vinte e poucos anos. Depois de uma cirurgia para mudar de sexo, ele transformou-se em Dawn Langley Simmons e escreveu uma biografia de Rutherford em 1983.



Margaret ficou porém eternizada em nossas mentes como “Jane Marple” nos quatro filmes que fez para a divisão britanica da Metro Goldwyn Mayer. Curioso é o fato dela ter insistido em usar suas próprias roupas como Miss Marple e ter exigido que seu amigo e ajudante fosse interpretado por seu marido… Em 1963 Agatha Christie dedicou-lhe seu livro “The mirror crack’d” (“To Margaret Rutherford in admiration”) apesar de Christie abertamente não gostar da interpretação que Margaret deu à sua Miss Marple por ser um tanto comica e não fiel ao original.



Mas no filme “The V.I.Ps” é que Margaret Rutherford se colocou definitivamente na minha memória: como a Duchess of Brighton ela recebeu um Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1963. Esquecida, à beira da falencia, meio abilolada, dependente de pilulas e calmantes, hilária, ela é a única real diversão num filme chato e esquecível de Terence Rattingan…



Jamais esquecerei-a gritando para a aeromoça, já dentro do avião: “ Condutora, condutora!!!”.

Rutherfrod faleceu em 1972, aos 80 anos, incapacitada de trabalhar por estar com Alzheimer. Foi homenageada por inúmeros colegas de profissão – e de toda uma vida – como John Gieguld, Robert Morley… A grande Lady Sybil Torndike (a original Jean D’Arc de Shaw), então com mais de 90 anos, falou do enorme talento de sua amiga e lembrou que Rutherford “jamais disse algo hórrido sobre alguém”. Caráter. Sim, uma «querida minha».

sexta-feira, 29 de março de 2013

I wanna be a dancing Man: Fred Astaire e perfeição

Que título mais supérfluo para Fred Astaire cantar: "I wanna be a dancing Man". Como se não vissemos nele a dança...



Em „The Belle of New York” (1952) a MGM resolveu refilmar esta cena dele, “I wanna be a dancing man”, pois a impressão geral foi que a roupa de Fred nao fazia justiça à sua fama de “debonair”.

Verdade.

Quando “That’s Entertaimment III” (1994) foi feito, os diretores tiveram a maravilhosa, genial idéia de colocar as duas cenas (a original tendo sido reencontrada nos arquivos da Metro), uma ao lado da outra…



Assim o público pode, caso nao lhe fosse conhecido, concientizar-se não só da maravilhosa arte de Astaire como também de sua extrema precisão, perfeição em termos de ensaio… Que maravilha! Um indescritível cronometro humano!



Como sou grato por poder, às vezes, assistir cenas assim… O que Mr. astaire faz é também abusar do direito de ter charme...

Happy Easter!!!!

terça-feira, 26 de março de 2013

Therpsicore & Apollo


"Apollo" (originalmente "Apollon musagète") é um ballet em dois tableaux composto entre 1927 e 1928 por Igor Stravinsky.
Foi coreografado em 1928 por Mr.B. (George Balanchine), o cenário e o figurino originais feitos por André Bauchant.
O figurino foi porém substituído em 1929 pelo trabalho de Coco Chanel.



“Apollon musagète” foi apresentado pela primeira em Paris no dia 12 de junho de 1928 pelo “Ballets Russes de Diaghilev” no Théâtre Sarah Bernhardt.
É o ballet mais antigo de Balachine a ter sobrevivido e começou a sua significante colaboração com Igor Stravinsky.
Pela primeira apresentou-se num palco o que viria a ser chamado de “estilo neoclássico”, marca registrada de Mr.B.



Em “Apollo” ele enfoca o Deus num “momento de mudança” em sua vida.
Transição…
Símbolo do que a magia de Balanchine fazia com o universo da Dança…

Encontrando através do argumento (e da técnica) uma maneira de fundir a tradição clássica do Ballet russo com uma economica austeridade do modernismo, ele cria uma nova “Mistura” e esta é exatamente a que o levaria à base da evolução deste “novo classicismo” que transformaria-se na base, na marca pessoal de Balanchine e do New York City Ballet. Um novo mundo!

No Pas de Deux com Therpsicore, a musa da música e da dança, vemos Peter Martins ao lado da magnífica Suzanne Farrell.



Nunca me havia dado conta do quanto a dança de Martins, sua técnica, dotes físicos (pés acima de tudo) não mais se identificam com padrões atuais, do quanto envelheceram... Como reassistir "La dolce Vitta" de Fellini, envelhecido.
Estranho isso, exatamente por se reconhecer que um contemporâneo seu, Mikhail Baryshnikov ainda tem uma presença atualíssima… mesmo em videos que datam desta época.
(Como com que "Casablanca": eterno filme que não envelhece!).
Engraçado como (bem colocado por uma pessoa daepoca) naqueles anos "Everyone, women and men, was in love with Peter Martins!". Como os tempos mudam...




E Farrell… como gostava dela...

Como dói ve-la assim, tão jovem, antes da artrose, que acabou com sua carreira, ter corroído seu corpo, sua dança…

sexta-feira, 22 de março de 2013

Pentimento: Lillian Hellmann



"Old paint on canvas, as it ages, sometimes becomes transparent. When that happens it is possible, in some pictures, to see the original lines: a tree will show through a woman's dress, a child makes way for a dog, a boat is no longer on an open sea. That is called pentimento because the painter "repented", changed his mind"

"Pintura velha sobre uma tela, à medida que envelhece, às vezes torna-se transparente. Quando isso ocorre, é possível, em algumas imagens, ver-se as linhas originais: uma árvore se mostrará através de um vestido de mulher, uma criança cede espaço a um cachorro, um barco não mais estará num mar aberto. Isto chama-se "pentimento" porque o pintor, "arrependeu-se", mudou de idéia"



"Perhaps it would be as well to say that the old conception, replaced by a later choice, is a way of seeing and then seeing again"

"Talvez seria tanto quanto dizer que o velho conceito, substituído por uma escolha posterior, é uma forma ver e então de ver de novo"

Lillian Hellman, 1973.
(Tradução livre para o portugues por Ricardo Leitner)

BRAVO Lillian! Como sempre suas preciosas linhas, simplesmente tiradas da vida e da experiencia que deveríamos tirar todos os dias dela.
BRAVO, esquecida Lillian!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Steppin' out... que delícia sorrir...


Why am I alone tonight
when I should be stepping out?




No ano de 1991 tivemos esta especial surpresinha…
Um filme delicioso com Liza e um monte de talentos da Broadway
como Jane Krakowsky, Julie Walters, Bill Irving só para citar alguns nomes…

Um filme despretensioso, simples mas cheio de momentos gostosos, felicidades inesperadas,
supreendentes emoções… Daquele tipo que te deixa sorrindo por horas… e voce só se dá conta quando por mero acaso ve alguém sorrindo para voce na rua e então, só então se dá conta do seu próprio reflexo numa vitrine qualquer da rua.



Gosto disso. Como é gostoso estar feliz. Descomplicadamente feliz.



Gosto também de talentos e como eles aqui despretensiosamente brincam uns com os outros.
Ah… e Liza… numa fase linda…
Saudades deste tempo…
Sim, no ano de 1991 tivemos esta especial surpresinha… e até hoje fico feliz ao rever esta cena…


Dedico esta Tertúlia à minha amiga Claudia Büthe-Gaiser, que hoje aniversaria e que nos trouxe muita felicidade e carinho com sua visita à Viena e com sua forma delicada, educada de ser!
Happy Birthday, querida Cláudia!!!




domingo, 10 de março de 2013

Um Divertissement: o Bolshoi no "Arts Chanell" (1986)


Hoje uma tertúlia „fora da norma“. Só para mostrar alguns videos...

Hoje o dia está nublado, com cara de chuva (ou neve),frio... nenhum dia é tão perfeito assim para se "cascavilhar" velhos pertences, ler cartas que estão guardadas dentro de uma caixinha ou de baús, rever desenhos esquecidos, fotos amareladas, recados colocados num livro, flores secas entre páginas de escritos que estavam destinados a "mudar o mundo"... adoro esses dias... cheios de memórias empoeiradas!

Reorganizando velhos videos antes de passá-los para DVDs, catalogando coisas, me desfazendo de muitas, encontrei por acaso esta gravação de uma apresentação do Bolshoi, pela primeira vez depois de 12 anos, na Inglaterra em 1986!



Já que se trata mesmo de uma raridade (daquelas que a gente gravava ao vivo da televisão) e neste caso até de um canal extinto de televisão “The Arts Chanell” (que senão me engano fazia parte do “Sky Chanell” e não existe mais na Austria desde os anos 90... para voces verem que não é só no Brasil que se "nega" Arte), resolvi colocar aqui uma boa parte do video… que eu mesmo coloquei no Youtube… Não especialmente por conter momentos “imperdíveis” de Ballet mas só por seu valor histórico… Memórias minhas...



Ah, que tempos… Acho que comprei meu primeiro video em 1985… e que maravilha era poder gravar tantas coisas, ter tantas coisas! Isto era "novo" e eu me esbaldava com tantas coisas! Hoje, se somos sinceros, nos falta espaço e organização para sabermos de tudo que temos gravado… e TEMPO para poder rever certas coisas com mais frequencia! Mas olhem só... Nina Ananiashvili, que eu tinha visto naquele ano no palco só há poucos meses, estava ali... no pas de deux de Aurora!!!!

Divirtam-se com uma curta parta deste “Divertissement” – esta espécie de Noite de Gala que era tão popular nos anos 70 e 80. Fórmula esta usada e reusada pelo Bolshoi até público ter-se cansado totalmente desta espécie de “entertaimment” (Engraçado o fato de há poucas semanas atrás o “Royal” ter dado uma noite destas, cheia de curtos pas de deux etc. no Theatro Municipal do Rio de Janeiro… que coisa mais «passé»).
Aqui um curto «Spring Waters» (que eu possuo também com NOSSA maravilhosa Cristina Martinelli), o (para mim abominável) "Spartacus" e "A bela adormecida", "La Bayadére", "Lago dos Cisnes"... Tudo...
You'll get your money's worth tonight!





sexta-feira, 1 de março de 2013

Lizzie Borden: Assassinatos que inspiraram o Cinema & o Ballet?


O CASO “LIZZIE BORDEN” - 1892

No dia 4 de agosto do ano acima mencionado, Andrew Borden tinha ido ao centro de Fall River, cidadezinha de Massachusetts, para resolver coisas no banco e no correio. Ele voltou à sua casa mais ou menos às 10:45 hs… Lizzie Borden, sua filha, encontrou seu corpo mutilado meia hora depois!



Lizzie, solteirona de 32 anos de idade foi acusada de homicídio. Durante o processo, a empregadinha dos Borden, Bridget Sullivan testemunhou que ela estava deitada, descansando no seu quarto no terceiro andar da casa depois de ter limpado janelas, quando ouviu logo depois das 11:00 hs Lizzie chamando-a e dizendo que alguém tinha assassinado seu pai! Seu corpo foi encontrado na sala de estar, deitado num sofá. Ele tinha sido morto à machadadas…

Logo depois, enquanto a nervosa Lizzie estava sendo acudida por seus vizinhos e pelo medico da família, a mesma empregada descobriu o também mutilado corpo de Abby Borden, a madrasta das irmãs Borden no chão do quarto de hóspedes (sim, Lizzie tinha uma irmã mais velha, Emma Borden, que não estava em casa durante estes acontecimentos!). Ela também tinha sido assassinada. Fortes machadadas deformavam seu cranio, como acontecera com Andrew (o globo ocular deste tinha sido partido em dois!).



Muitas fatos continuam até hoje inexplicados… Um machado sem cabo foi encontrado no porão. Sem nenhuma mancha de sangue. Mas teria sido o cabo retirado por estar ensanguentado?

Nenhuma roupa ensanguentada foi encontrada. Mas porque Lizzie queimou um vestido numa fornalha alguns dias depois do assassinato? Ou haveria cometido os crimes completamente nua como foi sugerido durate alguma fase do processo? Sugestão esta que chocou os U.S.A. na época…

Por algum desconehecido motivo não foi mencionado o fato que Lizzie tentara comprar numa farmácia um frasco de cianeto de hidrogenio (poderoso veneno) para supostamente limpar uma capa de pele de foca um dia antes dos assassinatos. Porque?

Alguns dias antes todos os moradores da casa “Borden” estiveram misteriosamente doentes (restos de comida deixados sobre um fogao estavam deteriorados… disse-se na época…). Todos os moradores da casa foram porém examinados, inclusive os estomagos de Andrew e Abby foram retirados dos cadáveres, para esta investigação. Teria Lizzie tentado envenená-os? Nenhum vestígio de veneno foi encontrado...



Por falta de provas concretas Lizzie foi absolvida e enviada da prisão para casa… Ela continuou morando em Fall River apesar do ostracismo com o qual foi tratada pela população local até sua morte… As irmãs dexaram a casa "do pai (abaixo) e mudaram-se para uma melhor vizihança.



Até hoje ainda existem especulações sobre as mortes de Andrew e Abby Borden… Muitas sugestões sobre desavenças entre os familiares, por motivos financeiros, são até hoje cogitadas.

De qualquer forma. Julgamento ou não, assassinato premeditado por Lizzie ou não, este caso transformou-se numa “cause célèbre americaine” e inspirou uma rima até hoje cantada por criancinhas (que coisa mais mórbida!):


Lizzie Borden took an axe,
gave her mother forty whacks.
When the job was neatly done,
(ou “When she saw what she had done”)
she gave her father forty-one.


Lendas urbanas… na verdade sua madastra "só" sofreu 18 ou 19 machadadas e seu pai 11!

Lenda porém não é o fato que os cranios de Andrew e Abby foram separados dos corpos, para serem usados como prova durante o processo (Lizzie desmaiou ao ve-los) para depois serem enterrados junto aos corpos, mas não perto dos ombros senão ao pé da cova perto dos pés dos cadáveres!)

FALL RIVER LEGEND – o Ballet (1948)

Eu assisti só uma vez a alguns pedaços do Ballet “Fall River Legend” baseado na vida de Lizzie Andrew Borden.
Um dos trabalhos mais conhecidos do “ícone” da dança Americana, Agnes de Mille, ele tem a distinção de ainda ter a assinatura de Morton Gould na parte musical.



O ballet teve sua Premiere com o American Ballet Theatre e com Alicia Alonso no papel de Lizzie (simplesmente chamada na obra “a acusada”) em 1948. Outras “Lizzies” seguiram seus passos como por exemplo Nora Kaye (esposa do diretor de Cinema Herbert Ross e, mais tarde, diretora do ABT)



e mais recentemente Julie Kent



e Gillian Murphy na temporada de 2007 no New York City Center!



Os pedaços que assisti há alguns anos atrás eram porém com o Dance Theatre of Harlem com a magnífica Virginia Johnson no papel principal…
"Legend" é um trabalho para uma bailarina/atriz de grande personalidade, assim como que Blanche em "Um bonde chamado desejo", Lizzie é um personagem complexo, de muitas nuances, muit difícil de ser interpretado... Personagem digno de um Ferri, de uma jovem Haydée e no Brasil de uma Martinelli... sim trabalho para uma bailarina/atriz de grande personalidade!



(Coincidencia que neste curto "pot-pourri" da dramática Johnson, grande bailarina do Dance Theatre of Harlem, estejam incluídos, ao lado de Lizzie, papéis como Desdemona e Blanche DuBois?)

Um Ballet forte, doído, emocional, visceral… mas com um erro histórico tão fatal para a verissidade da estória, que me deixa desagradavelmente incomodado… De Mille alterou o curso histórico dos fatos quando deixou Lizzie ser declarada culpada das mortes pelo tribunal… Certas liberdades são “un peu trop”. Não acham?



THE LEGEND OF LIZZIE BORDEN – o Filme (1975)

O (interessante) filme para a televisão de 1975 nos dá um “insight” mais preciso e amplo do caráter de Lizzie – mas esta Lizzie do filme também é uma culpada, uma assassina sem pudor ou moral (No filme foi usada a “suposta” nudez enquanto matava suas duas vítimas a machadadas!). Mas, fielmente à história e aos fatos, ela permanece porém livre. O final do filme nos faz crer que Lizzie era uma fria e calculista assassina… mas se ela não foi assim na realidade?



Quase tão interessante como a própria “lenda” sobre Lizzie é o fato de Elizabeth Montgomery, conhecida de “A feiticeira” (Bewitched) ter sido usada no papel de Lizzie (que alguns anos depois do processo, passou a chamar-se “Lizbeth A. Borden” para evitar a atenção sobre sua pessoa, já que ao longo de sua vida vários livros com teorias sobre o crime foram escritos.

Elizabeth Montgomery (Liz? Lizzie?) encontrou mais uma forma de liberar-se como atriz definitivamente das algemas de “Samantha Stevens”.




Por algum motivo, o filme foi considerado "chocante" na época em que apareceu na televisão. Eu lembro-me de te-lo assistido atentamente. Revendo-o depois de mais de 35 anos há pouco tempo não fiquei nada desapontado: a direção é boa, precisa, com a correta porção de “suspense”, sarcasmo, morbidez… e Elizabeth Montgomery magnífica como a solteirona Lizzie.



Mas de volta à Lizzie Borden… o fascinante mistério continua até hoje não resolvido…
E se Lizzie foi na realidade inocente dos crimes dos quai foi acusada...
Tanta suposição a troco de nada?

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Tchaikovsky's PDD

Anna Sobeshchanskaya, prima Ballerina do Bolshoi que foi escalada para a quarta apresentação de “O Lago dos Cisnes” em Moscou em 1877, pediu a Tchaikovsky material adicional para o terceiro ato… ou melhor, para “enriquecer” sua Odille (O cisne negro). Pjotr Iljitsch rápidamente compos um novo „número“...



Mas esta é só uma versão da estória… Nada é realmente tão fácil na vida…

Conta-se de forma mais complexa e apurada que Mme. Sobeshchanskaya estava muito insegura com a crítica que a coreografia original (de Julius Reisinger) havia recebido… (“As danças de Monsieur Reisinger são extremamente fracas… Incoerentes oscilações e balanços que continuam ao longo de quatro horas… isto não é uma tortura ? O corpo de baile fica todo o tempo saltitando no mesmo lugar, acenando os braços como as ventoinhas de um moinho enquanto os solistas pulam pelo palco usando passos dignos de ginástica”) e para “salvar” o Ballet foi para St. Petersburg pedir ajuda do ilustre coreógrafo Marius Petipa.

Ela pediu que cria-se um novo pas de Deux para o terceiro ato, o que Petipa fez.
Porém com música de Ludwig Minkus, o que deixou Tchaikovsky mais do que furioso.
Ele finalmente concordou em compor o pas de Deux, mas teve que se limitar e usar barra por barra, segur nota por nota como no original de Minkus para que a coreografia de Petipa pudesse ser preservada…

Sobeshchanskaya ficou tão encantada com o resultado que pediu a Pjotr Iljitsch que criasse ainda mais uma variação adicional e é esta a versão completa que conhecemos hoje em dia…

Como a composicão não era parte original do “Lago” e não foi publicada com o resto da partitura, foi esquecida por mais de 70 anos… sendo reencontrada nos arquivos do Bolshoi sómente em 1953.

Uma pena, de certa forma... porém…

Do outro lado do oceano mas informadíssimo sobre tudo o que se passava no mundo do Ballet na União soviética, Mr. B. (George Balanchine) pediu (e conseguiu) a permissão de usá-lo para sua própria coreografia para o New York City Ballet, que estreiou no City Center of Music and Drama em 29 de Março de 1960.



Tchaikovsky’s Pas de Deux foi descrito na época de sua Premiére como "an eight-minute display of ballet bravura and technique" (uma exibição de oito minutos de coragem e técnica de Ballet).

Aqui a eterna Patricia MacBride (apesar de muito esquecida hoje em dia por gerações mais jovens, um grande exemplo da bailarina “Balanchineana” em épocas nas quais não só a técnica contava... uma bela bailarina, de muita personalidade!) e Mikhail Baryshnikov num video que, até então, me era completamente desconhecido. Que grande prazer encontrá-lo! (apesar de TPDD não pertencer aos meus prediletos... )

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

REMEMBERING: You were meant for me... Um "Happy Valentine" atrasado...

Existem momentos muito especiais no mundo do Cinema… E este é um deles! Saudades de quando o vi pela primeira vez nos anos 70… no „finado“ Cinema II na Raul Pompéia, no Rio de Janeiro, em companhia de amigos como Mari, Flávia, João, Mayr, Brigitte, Ana Valéria, Mauro…



Mas antes uma pequena explicação… Ontem, exatamente no Valentine’s day, recebi um e.mail desaforado de uma pessoa que já há muito tempo coloquei para fora da minha vida. Não há razão para ninguém ter que aturar uma pessoa agressiva, neurótica, invejosa, desaforada por toda uma vida… N'est ce pas?

Agora, eu pergunto: não é reação extremamente sintomática o fato dela me escrever exatamente no “Valentine’s day”? Não é que eu realmente ligue nem para esse dia, nem para todo o comércio que ele trás consigo… mas, logo ela, “psicóloga”, uma pessoa (em suas próprias palavras) “interiorizada”, dá a “bandeira” da sua insatisfação exatamente neste dia… “Physician, heal Thyself!”!

Fico assustado como uma pessoa pode tranformar-se nessa pessoa amargurada, frustrada, feia, mentirosa, cheia de raiva, possuída pela inveja que é… Fui advertido há alguns anos, quando ela esteve aqui me visitando. Chamaram-me a atenção ao fato dela, em mais de uma semana na minha casa, não ter aberto sua carteira nenhuma vez, nem para pagar um café ou uma passagem de bonde e ter-se aproveitado de mim, da minha hospitalidade, boa fé, generosidade…



Por isso aqui minha resposta ao seu e.Mail: Uma dedicaão atrasada de “Valentine” a todos os meus reais amigos! Um momento de amor no Cinema… bem, na realidade, bem mais do que só amor: um momento de paz, cheio de mágica, inventividade, imaginação, poesia… Sim, uma resposta com carinho e amor às pessoas que realmente significam muito e tem seu lugar bem definido na minha vida!

Gene Kelly, vindo do grande sucesso de “An American in Paris” (MGM, 1951) – estranhamente chamado “Sinfonia em Paris” no Brasil – jogou-se no grande projeto “Singin’ in the rain” (chamado “o melhor filme de todos os tempos” por François Truffaut) e arriscou mais uma vez o papel principal feminino com uma (práticamente) desconhecida: Debbie Reynolds (Debbie, ainda hoje viva, tinha feito uma pontinha como Helen Kane (Boo-boo-pi-doo) em “Three little Words” em 1950 e tido um pequeno papel como irmã caçula de Jane Powell em “Two weeks with Love” em 1951). Debbie que “sabia dar seus passinhos de dança” não era realmente uma “bailarina” e não, neste sentido, a do filme… Gene deu grande destaque à Cyd Charisse, que, depois de “Rain”, tornou-se uma estrela de maior magnitude… Detalhe: me referi acima com “mais uma desconhecida” à Leslie Caron, que em 1951, ao lado de Gene, fez seu début em “American in Paris”, o filme do ano, vencedos do Oscar de melhor filme de 1951, graças ao talento de Vincente Minnelli!



De volta à esta simples cena (exatamente nesses momentos, nos quais Gene transforma sua dança numa plataforma simples e pura, ele me fascina ao máximo… precisamente como em “Our Love is here to stay” de “American”):

quando Gene (Don Lockwood) entra com Debbie (Kathy Selden) no studio deserto para lhe fazer uma declaração de amor, usa as luzes suaves para criar um efeito de luar, a escada como um balcão, mais luzes como um jardim florido e estrelas, ventiladores como uma suave brisa, névoa das montanhas distantes… criando aquele momento precioso em que o dia, ao por-do-sol, já não é mais dia mas ainda não é noite… Perfeito. O cenário está pronto para ele dizer o que quer…



Sim, atrasado mas de coração: um Happy Valentine… para voces!!! Cheio desta aconchegante simplicidade… desta criatividade que nos permite transformar tudo num momento especial, que faz com que o amor transforme todos os dias do ano num “Valentine”, independente da data…

(E quanto à gorda Senhora Ana LeRavia (anagrama), supere esta fase do “amor-próprio ferido” - no way, you are out of my life! - e fique feliz por inspirar-me com um personagem que algum dia usarei em algum conto ou livro: a gorda, amarga, invejosa “Mme. LeRavia”… LeRavia => la rabia “en castellano” => a raiva… ).

Muito, muito Obrigado pela inspiração para esta “tertúlia”!