quarta-feira, 25 de abril de 2012

Auf Wiedersehen... knowing no word like "Good-bye"...

Deep in my Heart...

Já há algumas semanas eu coloquei aqui um video maravilhoso que incluía uma mesma canção sendo «assassinada» por Tamara Toumanova e «glorifcada» pelo maravilhoso soprano Helen Traubel.

Esta semana conversando com uma amiga que vive nos U.S.A., Gloria Costa, "filosofamos" um pouco sobre a vida e as despedidas… aquelas que doem porque so definitivas, aquele «não mais se rever». Eu disse: «Nossa, Glorinha, parece que começamos a nos despedir no dia que nascemos…”.


Decidi hoje, em homenagem a todas às vezes que tivemos que dizer «Adeus» em nossas vidas, colocar aqui esta eterna “Lied” de Sigmund Romberg – que estava destinada à uma outra “Tertúlia”… Ela é mais do que perfeita para os pensamentos que compartinhamos ontem (Gloria e eu). Não por sua simples linha melódica (o que não é “um mero acaso” e sim fruto do grande talento de Romberg) mas por ela menciona e tem como título a palavra em alemão para o “Adeus” – Auf Wiedersehen – que significa nada mais nada menos do que “Até um rever”, “Até nos rever-mos”.

Nada definitivo.

Pensamento este que me aquece e conforta imensamente neste dia frio de primavera austríaca.
Para voces todo o talento e sensibilidade de Helen Traubel, o maravilhoso Jose Ferrer e a linda Merle Oberon aqui, se despedindo docemente, em “Deep in my Heart” (MGM 1954).

Um momento muito lindo – cheio de paz!



Para voce, Glorinha e para a querida amiga Danielle Crepaldi que,
como sempre "made it all possible"!!!!!
Thanks!
Ricardo

domingo, 22 de abril de 2012

Le Corsaire: Natalia Osipova & Ivan Vasiliev

Osipova & Vasiliev, jovens talentos do Bolshoi...


That good old (and very well known) feeling of standing in the wings to watch a marvelous performance for free...

Aquele velho (e muito bem conhecido) "feeling" de estar na coxia vendo um espetáculo maravilhoso gratuitamente...

"The Telegraph" escreveu sobre Vasiliev depois de um espetáculo na "Royal Opera House":

“Such special artists come along only once in a generation. But now, here's Ivan.”

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Crazy World...

Ontem „deu uma vontade“ de rever „Victor, Victoria“ (Blake Edwards, 1982) e,
depois de anos sem ver este filme, amei rever minha queridíssima Julie Andrews, o brilhante
Robert Preston e a « danadinha » Lesley-Ann Warren.


Ri muito, me «esbaldei», admirei os números musicais e a direção de Blake Edwards
e me emocionei muito ao reouvir uma canção que não ouvia já há muito tempo… Crazy World

Como o passar dos anos nos presenteia com um “outro entendimento” de textos que já conhecíamos e que agora,
já que estamos mais amadurecidos, entendemos de uma forma diferente,
às vezes até mais intensamente… muito mais...


Gosto do início
“Crazy world Full of crazy contradictions like a child
First you drive me wild
And then you win my heart with your wicked art”

e esta descrição que compara o mundo à uma criança
que nos deixa malucos com suas peripécias e «artes»
mas que conquista imediatamente nosso amor e coração…



Depois como que o comparando a um amor, talvez não muito feliz

”One minute tender, gentle
Then temp'remental as a summer storm”


e até de certa forma decepcionante
”Just when I believe your heart's getting warmer
You're cold and you're cruel”



Aquele amor que nos coloca até numa posição de
humilhação… sempre cheios de esperança…
”And I like a fool, try to cope
Try to hang on… TO HOPE...”



E, no final, a séria e definitiva constatação do que é realmente o mundo
”Crazy world, ev'ry day the same old roller coaster ride”

Com a mais emocionante frase de toda a canção

”But I've got my pride
I won't give in
Even though I know I'll never win”


e a honesta, honrada e linda afirmação da canção e
deste eterno “affaire de cœur” que temos com ele…


”Oh, how I love this crazy world”

Yes… I do…



Sim... como o passar dos anos nos presenteia com um “outro entendimento” de textos que já conhecíamos e que agora,
já que estamos mais amadurecidos, entendemos de uma forma diferente, as vezes até mais intensamente…

muito mais...

domingo, 15 de abril de 2012

Lakmé... Aniversário, Joan Sutherland e tanta beleza...

Lakmé, ópera em tres atos de Delibes, foi baseada num Libretto frances de Gondine & Gille. Delibes escreveu a música entre 1881 e 82 e a estréia foi 14 de abril de 1883… Lakmé estreiou em Abril de 1883 na Opéra Comique em Paris onde celebrou mais de 500 apresentações !
Meu tio, que cumpriu hoje 86 anos, «descobriu» a música do dueto das flores há muitos e muitos anos na minha casa durante um almoço… Não posso esquecer-me do quão “excitado” ele ficou ao ouvir esta linda música… “Eu sempre quiz sabe o que era isso… Que Ópera é? O que é?”, ele dizia,repetia... E eu lhe contei da simples história de Lakmé… Eu... contando para um grande conhecedor de música algo que ele não conhecia! Como foi bom poder entregar-lhe hoje, pessoamente, um CD duplo de Joan Sutherland cantando "Lakmé".
Baseada num livro do meio do século 19 chamado “Rarahu”, Lakmé conta a história da filha de um sacerdote Brahmin, na India do século 19. Época na qual muitos hindus foram obrigados a praticar sua religião em segredo… De um “certo” exotismo “Lakmé” significa para o mundo da Ópera o que “La Bayadère” (material sobre o qual já também escrevi) significava para o mundo do Ballet. Cores, cheiros do Oriente, flores exuberantes, Cerimonias hindús, templos, florestas sub-tropicais… Um curto resumo (ahhh, como adoro contar estórias!):
Nilakantha – um alto sacerdote Brahmin tem uma filha chamada Lakmé (nome derivado do nome em sanscrito “Lakshmi” e que é o nome de uma amiga querida que tenho no Sri Lanka). Esta e sua empregada Mallika, a caminho de uma cerimonia hindú vao colher flores para esta e cantam o duo mais conhecido da Ópera. Para mim em particular, um dos “hinos” à harmonia, beleza, paz, tranquilidade, serenidade… Voces o ouvirão ao final desta postagem…
Chegando perto do rio, Lakmé remove suas jóias, as coloca encima de um banco e vai colher mais flores… Dois oficiais ingleses com suas respectivas namoradas (e sua governanta) passam por este banco e vendo estas jóias as moças pedem um desenho delas… (Hoje em dia as roubariam!). Gérald se oferece a faze-lo e fica ali, fazendo um esboço: Lakmé retorna e inicialmente se assusta, grita por socorro só para mandar embora as pessoas que correram a ajudá-la pois ela de certa forma ficou “fascinada” e se sente atraída por este estrangeiro, que, como ingles “ocupando a India", é inimigo do Hinduísmo e do seu povo…
Eles "começam" a apaixonar-se. Quando Nilakantha volta da cerimonia (a qual, como voces notaram, Lakmé não foi…) e é informado do que aconteceu, jura viingança para restaurar a “honra” de Lakmé (que, aliás, ainda não perdeu-a).
No segundo ato, no Bazaar, Nilakantha força Lakmé a cantar (A “canção do Sino”, a aria mais conhecida de toda a Ópera) para “atrair” o estrangeiro. Quando Gérald aparece, Lakmé desmaia, dando assim “a bandeira” de quem ele é. Nilakntha agora, sabendo quem ele é, apunhala Gérald, ferindo-o gravemente… Lakmé o leva para um esconderijo no qual ela o trata até recuperar sua saúde.
No último ato Lakmé foi apanhar “água sagrada”, o que reconfirmará os votos dos amantes. Enquanto está ausente Fréderic (outro nome frances para um soldado ingles!) visita Gérald e o faz recordar suas obrigações perante o regimento britanico e à Coroa.
Quando Lakmé retorna ela imediatamente pressinte uma certa mudança em Gérald e em seu comportamenteo. Ela sabe que o amor dele por ela foi perdido, acabou… Sem querer continuando a viver sem honra (voces sabem, a velha estória, no esconderijo eles não só cantaram... ), ela morre com honra comendo uma folha de uma flor linda porém venenosa: Dantura…
“Lakmé” é extremamente convencional mas MUITO agradável visual- e musicalmente. E já que a moda (da época) tendia a este “exotismo” sua orquestração é extremamente delicada, de uma leveza quase etérea com “cores leves e harmonicas”, de uma riqueza melódica de fazer inveja a muitos compositores! Considero “Lakmé” O EXEMPLO da Ópera romantica francesa do século 19: Um arco-íris oriental usando e abusando de preces, encantos, danças, cenas de mercado… mas MUITO sutilmente. A aria “Canção do sino” ("Où va la jeune Hindoue?") tornou-se um “tour-de-force” para todo soprano de coloratura (e incrívelmente possui uma tradução italiana chamada "Dov'e l'indiana bruna?").
Mas não vou tocá-la aqui: Prefiro o “Dueto das Flores” apesar de voces deverem conhece-lo de anúncios (aqui, na Austria, da geléia “D’arbo” e até da British Airways!!!!!). Assistam, a maravilhosa e única, Joan Sutherland (com Huguette Tourangeau), em 1976 "abusando do direito" de cantar bem! Para certos momentos de ARTE só posso dizer: VIVA!!!!) Tudo isso dedicado ao querido Dr. Karl Becherer, que cumpriu hoje seu octagézimo-sexto aniversário e da casa de quem acabamos de chegar!!!!
ALLES GUTE ZUM GEBURTSTAG, MEIN LIEBER CHARLIE!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Salomé... Oscar Wilde e sua alusão à Lua!

Todos conhecemos a estória bíblica de Salomé, enteada de Herodes, filha de Herodias que (para a consternação do padrasto e deleite da mãe) pediu numa bandeja de prata a cabeça de Jokanaan (João Batista) como recompensa por ter dançado a erótica “Dança dos sete véus” para Herodes. O fabuloso e único Oscar Wilde escreveu sua versão teatral, em frances (fato até hoje não muito bem explicado) em 1891. Os ensaios para a primeira produção Londrina comecaram em 1892 mas foram parados quando a peça foi vetada por Lord Chamberlain “por uso ilegal de personagens bíblicos” e “imoralidade”.
A peça foi publicada pela primeira vez em 1893 em Paris e um ano depois na Inglaterra com uma (pobre) tradução feita pelo amante de Wilde, Lord Alfred “Bosie” Douglas e ilustrações do magnífico Aubrey Beardsley. Estas ilustrações viriam a inspirar a “louquíssima” Alla Nazimova no seu filme de 1923… Até hoje é fascinante o uso do “preto e branco” no figurino deste filme… este baseado fielmente nos desenhos de Beardsley, os quais são, para mim as imagens DEFINTIVAS de Salomé… O traço e o tratamento extremamente erótico do material são qualidades únicas de Beardsley que poderia ter tido uma carreira magnífica não tivesse morrido aos 25 anos de idade!
A primeira produção estreiou em França, mais precisamente em Paris, em 1896, época na qual Wilde já se encontrava na prisão… Apesar de algumas poucas apresentações em Londres (todas em caráter privado), “Salomé” só iria estreiar oficialmente para o publico em 1931 – a proibição da peça por Lord Chamberlain durando, na Inglaterra, quase 40 anos. Tanto tempo esperou esta Obra-prima, esta alusão à Lua, pelos palcos londrinos... “Salomé” inspirou muitas outras obras.
Mais notávelmente a Ópera de Richard Strauss.
Uma atriz chamada Maud Allan criou em Viena em 1906 uma produção chamada “Visão de Salomé”, baseada livre- e vagamente na “Salomé” de Wilde. Principalmente a dança dos sete véus transformou esta peça num evento “notório”, quase pornográfico, para a época. Um processo foi aberto contra Adams por “promover imoralidades sexuais” no palco.
A diretora/atriz russa-americana de “vanguarda”, Alla Nazimova, atuou o papel feminino principal de “Salomé” num "delírio" de Art-Deco, Ballets Russes, Beardsley e Vanguarda. Seria sua última "aventura" Hollywoodiana depois de "Camille" (com Valentino). Dois fracassos consecutivos foram o suficiente para acabar com Alla, que só voltaria nos anos 40 como a mãe de Tyrone Power em "Sangue e Areia" às telas. Baseado fielmente no texto de Wilde, o filme foi uma espécie de homenagem a Oscar Wilde: todo o elenco era homosexual – o que, ampla- e abertamente mencionado pela “mídia” da época, transformou o filme num certo “escandalo”. Principalmente o fato de Alla ter querido usar Rudoph Valentino no papel de João Batista – o que “confirmou” de certa forma os boatos que circulavam sobre a sexualidade do jovem galã…
Interessantemente um fato é sempre esquecido ou ignorado: na realidade a peça e a maioria das versões cinematográficas é dominada pelo personagem de Herodes, este sendo na realidade o “principal ator” da obra. Ken Russell dirigiu uma outra versão cinematográfica em 1988, chamada “Salome’s Last Dance” na qual uma apresentação de “Salomé” é feita especialmente para Oscar Wilde. Num bordel. Herodes dominando a apresentação. Mas com todo o respeito e carinho por Hollywood tenho que admitir que uma das coisas mais ridículas e absurdas da história do Cinema é a versão com Rita Hayworth, Charles Laughton como Herodes, Judith Anderson como Herodias, Stewart Granger como um soldado romano pelo qual Salomé se apaixona e Aland Badel como João Batista. Apesar de ser baseada no Novo Testamento o filme não segue de nenhuma forma o texto bíblico…
João Batista acusa Herodias de adultério por ter-se casado com Herodes, irmão de seu ex-marido (!!!). Salomé apaixona-se por um soldado romano que se converteu ao Cristianismo (!!!). Exatamente por motivos completamente contrários aos citados na Bíblia Salomé dança para Herodes para SALVAR João Batista (!!!!) mas não se sucede e fica horrorizada… Ela renuncia sua mãe, Herodias, que planejou tudo e ordenou a execução de João, e transforma-se também numa cristã! A última cena nos mostra Salomé e o soldado ouvindo Cristo num sermão. Agora eu me e lhes pergunto: eu aguento um absurdo destes?????? Salomé uma moça boa, religiosa e comportada????? Esta, infelizmente, nem EU posso desculpar em Hollywood...

quinta-feira, 5 de abril de 2012

HAPPY EASTER!!!!!!!!

Desejo a todos os “Tertuliadores” Feliz Páscoa:

cheia do charme e elegancia de Fred Astaire, da música de Irving Berlin e do colorido da Metro!!!!


Lindos Feriados!!!!!

domingo, 1 de abril de 2012

Originais e Liquidações? Até na MGM… Uma "Tertúlia" para quem gosta da Metro!

Falando sinceramente????


Sempre ao rever „Singin’ in the rain” (MGM, 1952, Stanley Donen) e “Deep in my Heart” (MGM, 1954, também de Donen) tenho aquela sensação desagradável, que já aconteceu com todos nós, em algum ponto de nossas vidas...

Ver vendidas numa barata „liquidação” roupas que compramos caras…

Ver num manequim de uma vitrine de "lojinha" a roupa que vimos ano passado num desfile...


Stanley Donen poupando os custos da MGM e usando – assuntosamente – o mesmo guarda-roupa de "Rain" em "Heart"??? Que coisa… E ninguém percebeu... Ora, Donen...



Anyways, «Especial P.S.»: divirtam-se com Debbie Reynolds (e tantas «beautiful girls»)


assim como com a louca desvairada Ann Miller rodopiando (prospositalmente não uso «dando piruetas») com muitas outras «girls» (e dando um dos melhores gritos da história do Cinema - comparável só ao de Carol Haney em "Steam Heat")).

A "cor" da foto para os cinemas da época "disfarça" um pouco o "uso" do guarda-roupa... já a foto do "still" do video "dá a bandeira total" do uso - só dois anos dpois - de tão vasto figurino...

Reparem na "Vamp" que usa a roupa (também de Singin’ in the rain ) da «Olga Mara», nome cheio de clichèes Hollywoodianos - seria esta uma proposital menção à Theda Bara???? (sabiam que seu nome era um "anagrama" para "Arab Death"????) Entre nous: existe lugar mais louco do que Hollywood? Olga Mara será um anagrama para que? Maga Rola?

Mais uma vez um grande Obrigado à Danielle Crepaldi por me possilitar este video: Dani voce reparou que o vestido VERDE de Charisse em "Singin' in the Rain" também está aí?????

E ainda tem um outro (meio de melindrosa, com franjas... ) que me é conhecido mas de onde??????
Uhmmm...
Lembrei...
Também de "Singin' in the rain": antes da entrada de "Olga Mara" na Premiere do início do filme somos introduzidos ao personagem "Zelda Zanders", uma magnífica "Flapper" interpretada por ninguém menos do que a magnífica Rita Moreno!

Mas a "liqudação" foi tão barata que até a capa de chuva amarela da abertura de "Rain" e um pullover do número "Moses" estão aí... Haja economia!!!!! Não é à toa que Donen era tão "querido" na Metro!

Mais uma vez o agradecimento das "Tertúlias" à Daniele Crepaldi, pois sem sua ajuda esta postagem não teria sido feita... sem as imgens de "Heart" seria impossível!!!!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Kay Nielsen - East of the Sun and West of the Moon...

Especialmente na minha adolescencia o trabalho de Kay Nielsen muito me inspirou.

Até hoje ele muito me impressiona.


Seu traço poético é repleto de uma elegante e fascinante magia que até hoje não sei como descrever. Suas linhas, longas expressam algo que me é extremamente "conhecido"... mas o que? Me faltam palavras...
Mais um daqueles momentos em quais elas fogem, não existem…
E voce «sente e sente» - apesar « aquilo» que está sentido nâo ter nem nome nem nenhuma descrição objetiva.

Eem especial esta ilustração abaixo sempre me fez pensar num Ballet.
Me faz até hoje…
Porque ninguém se inspira e o faz ?


Ela também me faz lembrar de “Legende” de Cranko com Haydèe e Richard Cragun… O porque? Esta "verticalidade" inexpicável das árvores que leva de volta a um movimento inesquecível que Marcia fez com seu braço direito... Movimento aquele que indicava toda esta verticalidade que une o solo ao céu...
Maluquices? Não sei... Pode ser! Memórias da adolescencia? Sem dúvida...

A única “dica” que posso dar sobre esta gravura é uma única referencia que consta como “Foot Note” na página em que está ilustrada:

“And then she lay on a little green patch in the midst
of the gloomy thick wood”


(East of the Sun and West of the Moon)

Lindo…

Que felicidade ter trocado, com meu amigo da adolescencia Luís Roberto, toda minha "coleção" de "Tin-Tins" por 4 ou 5 livros de arte - entre eles o de Kay Nielsen - que até hoje me "aompanham".

sexta-feira, 23 de março de 2012

Tamara Toumanova, Helen Traubel e a música de Sigmund Romberg...

LeighToumanova e Traubel... Duas artistas tão diferentes… e mesmo assim, por terem participado do mesmo filme (Deep in my Heart, MGM 1954) , são a razão desta “Tertúlia”.


Tamara Toumanova era conhecida como “A pérola Negra do Ballet Russo” (eu uma vez me enganei e pensando nas palavras de Selznick sobre Vivien Legh "that scarlett dark horse", chamei Toumanova de cavalo negro... Tatiana Leskova, num momento de humor, me disse: "Cuidado, olhe que o espírito dela volta para se vingar!").
Nasceu em 1919 na Sibéria, de descendencia polonesa e armenia… Não vou colocar aqui o curso que sua vida e carreira tomaram quando fez 9 anos e debutou na Ópera de Paris pois voces poderiam encontrar estas informações em qualquer “Wikipedia”. George Balanchine (Mr.B. – vejam a postagem que fiz no dia 20 passado inclusive com uma Charge sua ao seu lado assim como com Leskova e Igor Stravinsky), reconheceu muito cedo seu talento e muito lhe incentivou…


Sua mae deve ter sido uma pessoa “à parte”: ao que hoje em dia nos referiríamos como “Show Business Mom”… Ela acompanhava a filha em todas as Tournées com os “Les Ballets Russes” e, muito religiosa, ela levava pobre Tamara para o palco, exatamente para o lugar onde naquela noite dançaria seus 32 fouetees… e ali, ajoelhadas, elas rezavam todo um rosário, para que Tamara se sucedesse bem… Desperdício de religião… Pobre também de quem “caísse mal" com mamãe (Sra. Tumanishvili). Numa memorável passagem de sua biografia Tatiana Leskova nos conta de uma surra que quase levou desta meiga Senhora por ter esbarrado (ou coisa do genero) em Tamara durante uma apresentação.


Um fato pouco conhecido: Toumanova trabalhou em vários filmes, sempre em minúsculos papéis que estavam de acordo com o tamanho de seu talento dramático. O que porém todos esqueceram é que ela foi lançada com muita divulgação a até certo alarde em 1944 num esquecido filme chamado “Days of Glory” que tem a única distinção histórica por ser o primeiro filme de Gregory Peck... Este não foi esquecido como ator!


Em “Deep in my Heart” – uma adorável biografia da Metro sobre o austríaco Sigmund Romberg, grande compositor que fez sua carreira no palco musical americano, - Tamara “interpreta” Gaby Deslys, bailarina, cantora, atriz e sensação francesa que conseguiu arrasar com uma das composições mais etéreas de Sigmund Romberg (no filme o fantástico Jose Ferrer) – “Softly, as in the morning sunrise”. Bem, pelo menos assim o filme nos conta… Não posso confirmar este fato…


Li alguma vez que Stanley Donen não conseguiu realmente “dirigir” Tamara e a deixou interpretar de sua forma natural, muito exagerada e afetada, a canção na qual estava sendo dublada.
Propositalmente ele deixou-a transformar o número num hula-hula vulgar, o que coube como uma luva na sua intenção como diretor… O contraste conseguido entre Gaby Deslys e, a amiga do compositor, a dona de um "Café" vienense, Anna Müller, quando esta canta “Softly” é fenomenal.

Mais uma vez Tamara provou a canastrice que a impediu de ter sua “tão cogitada” carreira de atriz…
Li também que Tamara "was not amused" na Première do filme quando viu que Donen tinha feito dela um objeto de "chacota". Apesar de um corpo escultural ela foi motivo de muitos risos. Na época ela só tinha 35 anos e só faria mais uns papéizinhos no Cinema.



Uma dos seus últimos foi no mal sucedido “Hitchcock” de 1966, “Torn Curtain” (A cortina rasgada) ao lado de Julie Andrews e Paul Newman. Toumanova na altura da filmagens só com 46 anos parecia uma pessoa bem mais velha do que era… Ela perdeu muito cedo aquela coisa valiosa, que se chama o "Viço da juventude". Uma pena.

Sobre a bailarina Toumanova nada posso dizer. O material cinematográfico que deixou foi muito pouco para se tirar conclusões. Relatos "verbais", que ouvi de pessoas que a viram no palco, como meu pai ou a atriz bahiana Isabella, não são realmente de muito valor por virem de pessoas que não entendiam realmente de Ballet...


A intérprete que faz o papel de Anna Müller é o soprano americano Helen Traubel.
Traubel, apesar do nome e do visual germanico (seus pais eram alemães) foi uma cantora americana, nascida em 1899 em Missouri…


Traubel era uma magnífica interpréte... mesmo assim, não irei falar dela…
A "Wikipedia" revelaria mais do que eu.
O que qualquer outro dicionário porém não revelaria é este talento supremo, este domínio musical, esta simpatia... tudo isto acompanhado daquelo jeito das "senhoras empoadas" que povoaram nossas juventudes e infancias e hoje não mais existem... Estas memórias me fazem lembrar de uma Senhora, Marianita, alta funcionária do Instituto Rio Branco... amiga, querida, culta, empoada, chique, cheirosa... Traubel me traz estas lembranças!

Só quero pedir uma coisa: TODA a atenção de voces para o momento divino no qual ela canta “Softly, as in the morning Sunrise”.


Um momento de poesia, calor, simpatia, abandono… Ela se transforma numa das mais lindas pessoas que a tela jamais apresentou…

Arte.
Verdadeira, etérea…
Como se Helen estivesse em nossas almas bailando o que Toumanova deixou de fazer!

Como se estivesse transformando em algo divino o que foi tão profanamente abusado nas mãos de «Gaby Deslys» (não nas de Toumanova).

Obrigado, Mrs. Traubel…

Mais sobre esta fantástica cantora numa futura “Tertúlia”.

Obrigado à querida Danielle Crepaldi por ter-me ajudado a conseguir estes raros momentos cinematográficos!!!!! Querida... Voce é um amor!!!!!

terça-feira, 20 de março de 2012

Wiener Staatsoper: Balanchine & Robbins (e a adorável arrogancia de Manuel Legris!)

No dia 16 passado, estive na Ópera de Viena para assistir uma Gala de “Balanchine & Robbins”, coreógrafos, genios, artistas incomparáveis…


Antes da apresentação um habitual Champagne no Bar do Hotel Sacher, papos e até piadas… (p.s. aqui já estávamos na Ópera, para "mais um" champagne... )




Conhecem o que contou Beatrice Arthur (lembram dela? Das “Golden Girls”?) sobre Jerome Robbins? Não?
Ela disse abertamente num Show seu: "The man was a genius, but he really wasn't a very nice person. Actually, he was the only director who ever made me cry. He was really a dreadful human being" (foto abaixo).


O programa reuniu quatro Ballets: “Glass Pieces” e “In the Night” – o único que eu não conhecia e que me encantou – ambos de Jerome Robbins, genio conhecido no cinema pela sua maravilhosa coreografia de “West Side Story” (no Brasil “Amor, sublime Amor”).


e “Stravinsky Violin Concerto” e “Themes and Variations” estes de George Balanchine (in short, Mr. B., foto acima) e com os quais tenho uma relação de certa forma “oblíqua”.
“Violin Concerto” é “oficialmente de 1972” mas poucos sabem que Mr.B. retrabalhou um Ballet que tinha tido sua Première em 1941 em New York, só dez anos depois de “Violin Concerto” ter sido composto por Stravinsky! Esta empoeirada peça de museu chamou-se na época “Balustrade” e, além de contar com a presença do próprio Igor (Stravinsly) regendo a orquestra, foi dançado pela “pérola negra” Tamara Toumanova (mais sobre ela brevemente) e por uma jovem Tatiana Leskova – que este ano celebrará seu nonagésimo aniversário. Fui seu aluno. Ela mesmo me deu esta “Charge” que uma vez comentei – acho que apaguei a Tertúlia quando ela fez mais uma de suas grosserias comigo...
"Coices" não fazem parte da minha filosofia de vida... Agora, a "pessoa histórica" Leskova é interessantíssima. A pessoa histórica.

De qualquer forma: Tatiana e Tamara ao lado de Mr. B e Stravinsky himself… Não é divina a charge?


Bem, comecemos “a descacar um abacaxi”

“Glass Pieces” é um trabalho chato e presunçoso… Ele tenta ser “contemporaneo” todo o tempo e acaba nos deixando a impressão de que o que foi tentado todo o tempo, não se realizou. Complexos por causa do trabalho de Twyla Tharp? No Idea... Não sei realmente qual a intenção de Robbins foi, principalmente musicalmente… Não sou fã da música de Philipp Glass: as duas primeiras partes (“Rubric” e “Façades”) são infinitamente chatas… lembrando até os programas da (finada) Rádio Jornal do Brasil FM…
Shane A. Wuerthner me chamou muito a atenção na primeira parte – por sua forma de interpretar e entender Robbins… Não sei de que compania Shane vem, mas ele é americano e – querendo ou não – tem mais experiencia com o trabalho do NYCB.

Na segunda parte, práticamente um Pas-de-Deux, Olga Esina – bailarina famosa no momento, da nova geração - estava excelente e Kirill Kourlaev, e seu magnífico físico, como sempre muito correto.

Olga tem uma coisa comparável, em termos de “secura”, à Antoinette Sibley… seu perfil as vezes “delata” isso… Mas este é o problema de uma pessoa que muito se “encosta” só na técnica… My opinion...


Musicalmente a terceira parte é mais interessante (uma parte de “Echnaton” de Glass) mas eu me assustei com a falta de ensaio do Corps-de-Ballet. Esta falha foi de certa forma tão óbvia e visível, que até Erich, que me acompanhou e não é uma pessoa “de Ballet”, notou… Linhas, filas, direções, principalmente as cabeças não foram respeitadas e devidamente ensaiadas… infelizmente uma Performance muito “suja”. Eu pensei… Se continuar assim, vou para casa!

O seguinte Ballet iria porém me recompensar o “fiasco” do primeiro. A única obra que eu não conhecia “In the Night” foi a que mais me fascinou.
Nocturnos de Chopin…
Tres Pas-de-Deux…
Uma «quarta parte» na qual todos os tres casais dividem o mesmo Nocturno (O número 2 op.9, meu predileto).
A musicalidade e delicadeza da coreografia me impressionaram demasiado! Que trabalho mais complexo e mesmo assim, trabalho que “passa” toda uma simplicidade que, nós sabemos, só è alcançada à base de muito ensaio e trabalho… Chapeaux!


O segundo Pas-de-Deux foi dançado por bailarinos que não conhecia e que estavam fazendo seu “Debùt” na Ópera: Alena Klochkova e Igor Milos – escrevam estes nomes, voces ouvirão deles no futuro…

A “estrela” maior foi para mim o incrível Eno Peci. Bailarino da Albania, muito inteligente, perspicaz, brilhante e MUITO versátil… como leremos em seguida… Uma estrela de grande bilho!!!!!

Então chegou o momento esperado por mim “Stravinsky’s Violin Concerto” (e minha comparação é com um DVD que tenho de uma velhíssima e maravilhosa “fita de vídeo” com Peter Martins… ). Fiquei deliciado com o que assisti… Temos que comentar uma coisa antes e para explicar o que quero dizer, tenho que me referir a um comentário de um tenista sobre Björn Borg (sim, juro!). Ele disse: “We are playing Tennis, he’s playing something ele!”.

E é exatamente assim que me sinto em relação à Dança de Mr.B.! Não é nada fácil dançar seus Ballets se voce não teve o devido “treino” (de anos) da escola do New York City Ballet… Tarefa comparável à dificuldade de aprender o real estilo de Bournville… Admiro a coragem de todos estes bailarinos da Ópera, entrando em terreno tão desconhecido, ajudados por uma certa «arrogancia» (no bom sentido) de Manuel Legris – que está fazendo um trabalho maravilhoso com o Corps-de-Ballet da Ópera aqui… Agora, quem não tenta não consegue (ou não falha) e é por este motivo que admiro esta sua arrogancia de colocar todos estes bailarinos, que tem uma escola “do leste”, dançando coisas do NYCB que nem Bailarinos do ABT (American Ballet Theatre) se atreveriam a dançar!!!!! Chapeau, Monsieur Legris!


Olga Esina teve momentos maravilhosos – e dificílimos por sinal. Muito trabalho a frente ainda para poder “entender” Balanchine… Mas quando penso em Olga como “Aurora”, outra bailarina… e então aqui, numa fantástica performance no que eu considero um Balanchine “danadinho”. Parabéns!
Nina Poláková me surpreendeu. Não “sigo” muito sua carreira, seus “passos”… Mas ela me tirou a respiração algumas vezes…


O querido do público, "L'enfant Terrible” da Ópera de Viena, Mihail Sosnovschi, demonstrou mas uma vez que ele pode fazer o que quer… Bailarino talvez de proporções físicas não muito clássicas, ele nos faz (assim como Haydée fazia) esquecer destas “trivialidades”, destes "pormenores" e nos coloca baixo uma corrente elétrica de alta voltagem enquanto dança… Apesar de uns “russismos circenses” nos braços – que não tem muito o que ver com o estilo de Balanchine – ele deu uma ótima apresentação…


Já há muito queria aqui fazer uma homenagem a ele… Bem, vamos ver o que encontro para publicar brevemente!
Emocionado me deixou a Performance de Eno Peçi – que antes do intervalo principal já nos tinha regalado com um grande “presente” de sensibilidade em “In the Night”. De todos os bailarinos da noite foi nele que vi o maior trabalho em termos de estilo Balanchiniano… Foi ele o que mais alcançou esta “metamorfose” de “bailarino clássico” que se transforma em “bailarino clássico de Balanchine”. Que linhas e principalmente que braços !!!!! Foi um grandíssimo prazer assistí-lo !

A parte final começou e eu já sabia que seria o maior sucesso com o público (e inclusive com Erich): Temas e Variações, uma obra de Mr.B. da qual realmente desgosto…

Tinha a esperança de que Vladimir Shishov danæasse a parte principal – pois Vladimir, a quem conheço pessoalmente – faz de qualquer coreografia uma obra de arte.


Infelizmente um bailarino nada apropriado para este trabalho, Denys Cherevychko, interpretou o “Lead”. Não vejo Cherevychko, neste tipo de papéis. Para mim, por causa do seu físico, ele seria um ótimo bailarino de caráter… Nada mais.

Este é um fato da realidade que deve ser reconhecido - por mais que doa...

Como gostaria de ter assistido Vladimir! (foto abaixo)



Duas pessoas ainda faço questão de mencionar aqui: Não porque seja uma amiga pessoal, mas a linda Flavia Soares realmente “desponta” no Corps-de-Ballet… Não tenho uma foto apropriada de sua particpação em “Temas e Variações” por isto colocarei outras aqui…



Ela possui uma coisa muito, muito especial no palco. Uma luz, uma simpatia, uma beleza (muito Audrey por sinal) combinadas com uma certa seriedade, linhas de fazer inveja à qualquer “Prima” e uma ótima técnica! Uma bonita personalidade no palco e é isso o que o público busca… Aquela coisa especial, aquele “it” que não pode ser descrito em simples palavras…


Outra “Luz” para meus olhos foi o jovem Greig Matthews:


despontando aqui desde alguns meses (acho que só desde setembro) este jovem menino escoces de 18 anos mostrou – (nos dois Ballets de Mr.B.) o que é “style”… Acho que, junto a Shane A. Wuerthner, ele era realmente um dos únicos que intuitivamente sabiam o que é realmente interpretar Mr. B. & Robbins…



O "Resumée":


mais uma “Night at the Opera” e uma noite adorável…. Esta foto no Bar do "Sacher" depois do espetáculo. Erich, Obrigado pelo convite!