“Ligações perigosas” (Dangerous Liaisons), filme baseado na peça homonima de Christopher Hampton que por sua vez foi baseada na novela também homonima do século XVIII “Les Liaisons dangereuses” de Pierre Choderlis de Laclos, me fascina.
Dirigido em 1988 por Stephen Frears, este filme tem um lugar distinto, muito especial entre os meus favoritos: é o único filme que prefiro ver dublado em alemão do que em seu ingles original… estranho? Pode ser, mas mais estranho encontro os sotaques americanos de todos os principais atores… e isto na corte de Louis XV. Por esta razão prefiro assistí-lo com uma boa e séria dublagem.
Mas esta não é a razao desta postagem.
Nem a trama do filme inteiro – Quem não o conhece, aconselho a assistí-lo.
“Tropecei” porém,de novo e por acaso, sobre a cena final. Mais uma vez a fabulosa Glenn Close me fascinou com sua força, carisma e imenso talento. Um momento soberbo de uma grande atuação! Magistral!
Um filme sobre o poder. Poder adquirido via mentiras, intrigas, maldades, sexo… Mas até que ponto?
No final do filme a Marquise de Merteuil (Close) descobre o fato que o Vicomte de Valmont (John Malkovich) e Madame de Tourvel (Michelle Pfeiffer) morreram.
Ela de amor, ele num duelo.
Apesar de mortos eles “ganharam” pois estão reunidos em algum lugar onde a maldade da Marquise não os alcançará. Estão juntos.
Ela perdeu.
E mal sabe ela que ainda perderá mais. O Vicomte tratou, antes de sua morte, de colocar todas as cartas da Marquise para ele, em circulação pela sociedade parisiense.
Cartas que revelam um plano odioso, sua força maquiavélica, seu espírito diabólico.
A última cena é maravilhosa. Impressionante.
Ela. Só. Em sua casa.
Se arrependimento matasse…
Definitivamenre uma das grandes cenas do cinema dos ano 80.
E fico pensando nas pessoas que são assim: que machucam deliberadamente os outros…
Só quando retiram a maquiagem podemos ver seu verdadeiro rosto.
Só assim vemos como são feias.
Antes não eram assim para nossos olhos. Como a própria Marquise abaixo...
Como somos cegos às vezes...
Acabam sós, esquecidas dentro de suas quatro paredes.
Como suas vidas e destinos devem ser tristes.
Elas constroem pouco o pouco o inferno e a prisão nos quais se trancam para sempre!
Na realidade dignas de pena...
Nos anos 80, mais precisamente em 1987, estive lá. Viajei do Norte ao Sul mas o que mais me impressionou, me lembro nítidamente, foi Hiroshima. Impressionante o Parque no Centro da cidade, bem próximo ao “T” onde a bomba caiu. Um Parque todo dedicado à Paz. Uma cidade repleta de cegos. Uma cidade fascinante pelo seu lado humano.
Lá visitei “o Sino da Paz” e me emocionei muito ao ler as seguintes frases (abaixo 3 fotos pessoais minhas no Japão):
Óbviamente subi e o toquei uma vez. Queria bate-lo fortemente para a Paz Mundial. Tão intensamente que queria que ouvissem-o até no Brasil... Me lembro de um grupo de russos que subiu logo após de mim. Estávamos ainda no auge da “guerra fria” e este grupo trocou comigo olhares da paz, de amizade, de entendimento, de fraternidade…
Quando me distancei um pouco do sino dei-me conta que estava em frente a um templo… e por todos os lados estavam penduradas garças feitas de papel, nas diferentes cores do arco-íris. Comecei a chorar.
Quando eu era menino recebi um livro que se chamava “Suzuki e as 1000 garças”. Era um livro em alemão (que na realidade chamava-se “Suzuki und die tausend Kraniche”). O livro contava a estória desta menininha que, doentinha como milhares de outras crianças depois da “bomba de Hiroshima” (e Nagazaki), era tratada num hospital. Como terapia ocupacional as crianças eram incentivadas a dobrar MIL pássaros de papel que depois seriam pendurados num templo (Shrine) com seus pedidos para curarem-se… Quem dobrasse e fizesse MIL pássaros ficaria sarado de sua doença. Até hoje acredita-se no Japão que dobrando mil, desejos serão atendidos (Minha amiga Lícia me explicou que esta arte em papel chama-se Origami. Eu não sabia).
Acompanhamos com muita curiosidade, apego e amizade os pensamentos, os fatos da vida, o dia-a-dia de nossa querida Suzuki. Éramos crianças, ela também. Logo nos tornamos os mais queridos dos companheiros, amigos. A leitura, para uma criança de seus 7, 8 anos de idade era difícil e o livro – para minha idade – relativamente longo.
Pois bem: Chegando ao último capítulo fomos confrontados com o destino de Suzuki… Ela dobrou e fez com todo amor 999 pássaros… e aí morreu. Não teve sua "chance" pois não dobrou 1000.
Que injusto. Que dor. Que triste. Quando revi todos aqueles pássaros pendurados em frente ao templo e todas aquelas cartinhas dirigidas a Deus com pedidos, lembrei-me desta então esquecida amiga de infancia e de seu destino. Comecei a chorar e entre soluços consegui explicar ao meu acompanhante de viagem o porque daquela reação. Um momento de pura emoção. Quando penso em Suzuki ainda vejo o rosto que "ela tinha" enquanto eu lia o livro...
Hoje penso na tragédia que mais uma vez tomou conta daquela linda terra.
E paro para pensar nos livros que nos davam para ler quando éramos ainda tão «puros», tão «verdes» em relação ao mundo :
o tristíssimo «O meu pé de laranja lima»,
o trágico «Os meninos da Rua Paulo» (do mesmo Molnár de «O Cisne»).
Até uma novela chegou a ser cruel conosco: a “Pequena Orfã” (acho quera da “finada” TV Excelsior) na qual uma menininha (Patrícia Aires) era maltratada pela madrasta (a ótima atriz Riva Nimitz), que batia tanto na pobrezinha que esta vivia dizendo “Não me bate, não me bate!”. Coitadinha. Seu único amigo era o “Velho Gui” (Dionísio Azevedo).
Já então nos mostravam como cruel e injusta a vida pode ser.
Será que era esta a forma de quererem nos preparar para as “durezas e tristezas” da vida?
Se era, não acho que conseguiram. Os desastres neste nosso frágil e vulnerável mundo parecem agravar-se a cada dia. Preparados nunca estaremos…
Mesmo assim acredito num fato que o “passar dos anos” nos dá: com a idade descobrimos que somos capazes de sobreviver às dores, às injustiças e às decepções da vida…
Mas, como diz a canção? "Cada Garça que voa, me faz chorar..."
Pensando no Japão…
Lícia, minha amiga de toda a vida, a voce dedico hoje esta postagem. A voce, que me acompanhou lado a lado e dividiu, na época do primário, tudo isso… e que como um “presente” retornou à minha vida para trazer muita LUZ!
Não estou «Making History» (Título aliás do fabuloso livro de Stephen Fry, que muito recomendo) e nem tentando corrigí-la. Estou porém corrigindo a ordem dos fatos, como nos estão expostos, estes sim injustamente «mudando o curso a história». Como já disse uma vez, aqui nas «Tertúlias» : « Nunca tive e nunca terei qualquer ambição didática com este Blog“.
Tenho porém desta vez quase que dar „o braço a torcer“ porque, com minha querida amiga Eliana Caminada, consegui desvendar algo que não está corretamente colocado em várias plataformas da Internet e até em vários livros e Enciclopédias!!!!
Tudo começou com minha postagem do dia 24 de fevereiro de 2011 sobre “La Bayadère” (postagem, aliás, que eu achava que ninguém iria ler e que se transformou na melhor sucedida que fiz até hoje…): „La Bayadère“ era considerada um clássico na Russia mas no mundo ocidental completamente desconhecida. Segundo a “história”, a primeira “impressão” que o público ocidental teve deste trabalho foi quando o Ballet Kirov apresentou “The Kingdom of the Shades” (O Reino das Sombras) em 4 de julho de 1961 no Palais Garnier em Paris”. Quase dois anos e meio depois, em novembro de 1963 como consta, Nureyev apresentou a cena (ou melhor, o terceiro ato – ou segundo, dependendo da versão) para o Royal Ballet com Margot Fonteyn como Nikiya.
Tenho aqui em Viena o raríssimo livro “O Ballet no Brasil” de Edméa A. Carvalho, comprado ainda nos anos 70 num daqueles maravilhosos e imensos “sebos” de dois andares da Rua do Rosário ou em outras paralelas (ainda existem?). Tatiana Leskova, Eliana Caminada e várias outras pessoas tiveram este livro, um dos primeiros sobre Ballet no Brasil, mas de alguma forma todos “sumiram” (por isso mantenho meu princípio: discos e livros não empresto!) e lá encontrei uma foto da maravilhosa Bertha Rosanova e de meu querido mestre Aldo Lotufo em “Bayadera” no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Bem, mais do que isso não “precisamos” (a sabida e maravilhosa Eliana Caminada e eu – curioso “par excellence”)... Tenho que adicionar que à esta pesquiza se juntou minha querida Danielle Crepaldi, sempre atenta, esperta e inteligente.
Na primeira versão no Brasil conseguimos descobrir, no livro de Edméa, quem estava no corpo de baile: Alda Acioli, Sonia Barroso, Luciana Bogdanocich, Rojan Cavina, Oneide Craveiro, Maria Enamar, Wanda Garcia, Therezinha Goulart, Eunice Khoury, Helena Lobato, Nair Moussatche, Helna Nogueira, Irene Orazem, Estella Reigas, Julia Rodrigues e Clélia Serrano.
Mas o livro é de certa forma “pobre” em termos de datas, revela pouco.
Um dia chegou um impressionante e.mail de Eliana, no qual mal pude acreditar e que tenho que aqui citar:
Ricardo, Aldo Lotufo está aqui em casa e me esclareceu que dançou, com Bertha Rosanova, o Ato das Sombras de La Bayadère, em uma versão de Chabukiani, estreando no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 12 de abril de 1961 (de acordo com o livro de Edgard de Brito Chaves Junior"Memórias e Glórias de um Teatro").
A versão foi extraída do filme de Chabukiani com Dudinskaya, mas Aldo comenta que muita coisa foi colocada por Dona Genia (comentário meu: Eugenia Feodorova) a partir de suas próprias lembranças e do conhecimento que tinha do estilo do ballet.
Uma musicista da Rádio Mec tirou a partitura de disco para piano e posteriormente foi feita a orquestração.
D. Eugenia remontou o mesmo ato do ballet para sua Fundação Brasileira de Ballet, quando Aldo dançou com Sílvia Barroso.
Bjsss Caminada
Num dicionário mais recente sobre dança, a parte que se refere a este Ballet no Theatro é lamentávelmente erronea. Nem Bertha nem Aldo constam na menção sobre “La Bayadère”. Falta de informação? As vezes existe neste nosso mundo não só falta de informação mas também mal intenções, parcialidade e muita falta de ética..
Mas neste livro está o fato comprovado: "Memórias e glórias de um Teatro: sessenta anos de história do T. M. do Rio de Janeiro" de Edgard de Brito Chaves.
TROCANDO EM MIÚDOS: a Première no mundo Ocidental não foi feita nem pelo Kirov em Paris em 1961 nem pelo Royal Ballet com Fonteyn e Nureyev em 1963 porém no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 12 de abril de 1961.
Como agora vou conseguir manter-me “quieto” e não querer mudar todas as Enciclopédias do mundo? (Pelo menos a Wikipedia em ingles e alemão já mudei oficialmente).
Não é uma questao de orgulho.
Só quero que Dona Eugenia, Bertha Rosanova e Aldo Lotufo tenham seu prestigiado (e justo) lugar na História.
“A César o que é de César”, n’est-ce-pas ?
Idéias?
A minha é simplesmente uma: Passem esta postagem para o maior número posível de pessoas relacionadas ao mundo do Ballet!!!! Vamos prestigiar a memória dos nossos talentos!
Neste momento, no qual a mídia quer nos fazer acreditar que um „Cisne“ é uma nova invenção, um novo tópico de conversação (até como se a interpretação de Odette/Odille, respectivamente cisne branco e negro no "Lago dos Cisnes", pela mesma bailarina fosse única- e exclusivamente uma "descoberta de Hollywood" para o roteiro de “Black Swan”) fiquei refletindo sobre a emoção que um cisne nos passa, sobre o que ele representa, sutil- e simbólicamente…
Era isso o que Anna Pavlova queria nos comunicar neste “Shooting”? (Que aliás "adoro"... Pavlova simples, de cara "lavada", relaxada...)
Pensei muito em várias bailarinas, me perguntando se elas também reflexionaram tanto, seja para o “Lago” ou para “A morte do Cisne”. Se fizeram seu "dever de casa"... Dos solistas ao Corps-de-Ballet... Se o fizeram bem, vemos imediatamente no palco... Não estou falando do lado físico, me entendam. Falo de muito além disso. Falo do “simbolismo” de um cisne como uma obra-de-arte em si próprio.
Vejo um pouco do que sinto na distancia de Makarova no “Lago”,
e até nas incomparáveis “asas quebradas” de Lopatkina na «Morte» (Impressionante momento!). Mesmo assim, só um pouco...
Também pensei em vários bailarinos. Sim – jamais poderemos esquecer a versão do “Lago dos Cisnes” de Matthew Bourne como aqui com Will Kemp
e até de Geo Macia da Miami Contemporary Dance Company na “Morte” (pois não foi no “SBT” a primeira vez que um homem dançou esta curta peça – vídeo aliás que recebi já umas 20 vezes!). Mas não são nem de longe tudo o que imagino...
Me revi e me reinventei nas margens de um lago aqui na Austria olhando para cisnes… para me lembrar...
Dentro de mim uma pergunta se respondia automáticamente – mas poderia eu articular estes sentimentos de forma compreensível? Eu só sabia que não queria mais ver alguém "imitando" um cisne...
E como que “por pura coincidencia” (elas não existem mesmo, não é?) recebi um comunicado da TCM (Turner Classic Movies) no qual notei o lançamento em DVD de “The Swan”, filme maravilhoso (que buscava há muitos, muitos anos mesmo) com um elenco soberbo: Grace Kelly, Alec Guinness, Louis Jourdan, Agnes Moorehead, Jessie Royce Landis (fantástica!), a magnífica Estelle Winwood e Leo G. Carroll) de 1956, dirigido por Charles Vidor e baseado na peça do húngaro Ferenc Molnár (1878-1952). Um filme de uma delicadeza sóbria e de uma apaixonante decepção (pois me envolvi demais com os personagens e acabei sofrendo com sua conclusão). Ontem revi este filme. E a emoção da qual me lembrava (pois faziam pelo menos uns 25 anos desde que o tinha visto pela última vez) foi ainda muito mais forte, intensa, quase abaladora…
Encontrei o que pensava e não precisei mas procurar formas de articular meus pensamentos. Eles estavam ali, na tela, no texto em que ouvia (e “via” concretamente), como se estivessem me recontando algo que havia esquecido dentro de mim.
O diálogo (práticamente um monólogo de Alec Guiness como “Prince Albert”) revela ao personagem de Kelly (Princess Alexandra) o que significa “ser” um cisne, no exato momento em que seu amor “burgues” (o professor de seus irmãos, brilhantemente interpretado por Louis Jourdan) deixa o palácio, saíndo assim eternamente de sua vida. Brilhante metáfora de Ferenc Molnár. Aplaudo de pé… Bravo !!!!!!!!
E “vejo”, "revejo" finalmente meu cisne perfeito na interpretação de Grace Kelly…
Curioso o fato de eu não conseguir ve-lo assim no Ballet porém num filme, numa atriz... e num ator! (Sim, Guinness também me recorda um cisne aqui, um cisne mais sábio que conhece os "por ques"!). Logo eu...
Aqui o diálogo original e uma livre tradução minha.
Leiam e assistam a cena abaixo. Sei que entenderão o que quiz dizer.
Um lindo momento cinematográfico - cheio de emoção. Grande Arte pode ser o cinema...
Prince Albert: Your father used to call you his swan, or at least so I am told. I think that's a good thing to remember. Think what it means to be a swan. To glide like a dream on the smooth surface of the lake, and never go on the shore. On dry land, where ordinary people walk, the swan is awkward, even ridiculous. When she waddles up the bank she painfully resembles a different kind of bird, n'est-ce-pas?
Princess Alexandra: A goose.
Prince Albert: I'm afraid so. And there she must stay, out on the lake; silent, white, majestic. Be a bird, but never fly; know one song but never sing it until the moment of her death. And so it must be for you, Alexandra. And high, cool indifference to the staring crowds along the bank. And the song? Never. "> Príncipe Albert: Seu pai costumava lhe chamar de seu cisne, ou pelo menos foi o que me disseram. Eu acho que isto é uma coisa boa para se relembrar. Pense no que significa ser um cisne. Deslizar como um sonho na suave superfície de um lago e nunca ir à sua margem. No terra seca, onde gente comum caminha, o cisne é desajeitado, até ridículo. Quando anda bamboleando-se ele dolorosamente assemelha-se a um outro tipo de pássaro, n’est-ce-pas?
Princesa Alexandra: A um ganso.
Príncipe Albert: Temo que sim. Então lá ele deve se manter, fora no lago; silencioso, branco, majestoso. Sendo um pássaro porém nunca voando; sabendo uma única canção mas nunca cantando-a até o momento de sua morte. E assim deve ser com voce, Alexandra. E altiva e gélida indiferença para as massas que lhe olham fixamente ao longo da margem. E a canção? Nunca.
Hoje acordei tarde (tirei o dia livre !) e com vontade de ouvir a trilha sonora de «The Boy Friend», filme divertidíssimo, louco e alucinado de Ken Russell para a MGM de 1970.
Russell usou a estória que estava desde 1954 nas prateleiras da Metro, acrescentou uma peça dentro do filme e colocou o original não mais como “roteiro principal” porém com uma estória paralela “por trás dos bastidores”, já que o original seria "pueril" demais (e o "tom" cínico dos anos 50 seria mal compreendido nos 70).
Uma delícia de filme, uma declaração de amor ao filme musical.
“Polly” o personagem central, tinha sido criada na Broadway por uma mocinha inglesa de 19 anos, em 1954: Julie Andrews, que causou um grande impacto (e causaria um ainda maior no ano seguinte, em “My fair Lady”) tonando-se da noite para o dia "Broadway's darling". Para a versão cinemaográfica Julie não foi cogitada – já não tinha idade para ser uma “ingenue” e andava numa fase muito triste de sua carreira, com muita falta de exito... O disco do “original Broadway cast” de 1954 é uma destas delícias que um “tem que ter” e foi exatamente esta gravação que ouvi hoje pela manhã…
Twiggy (que na época foi chamada de ”deliciosamente amadora”) é Polly Brown, o grande e já falecido bailarino do Royal Ballet, Christopher Gable (sobre quem já algumas vezes escrevi aqui), é o “Namoradinho”. Um ótimo elenco coadjuvante liderado por Max Adrian (trabalhou muito com Russell), Moyra Fraser (enlouquecida como Madame Dubonnet), Antonia Ellis (que "arrasa" num Charleston... Antonia transformou-se depois na produtora de “Sex and the City”), Georgina Hale (com quem assisti muitos filmes... Seu número "It's never too late to fall in love" é uma delícia!), Barbara Windsor (fantástica como a empregada francesa!), Tommy Tune numa de suas raras aparições no cinema e até (pasmem) Glenda Jackson!!!! (como a real "estrela" do show que prende a perna num trilho de bonde... o que implica que sua "substituta" (Twiggy) tenha que entrar em cena... Que besteira!!! Que maravilha!!!)
Uma jóia de filme, bem empacotado dentro de um palquinho mágico onde tudo pode acontecer! Como uma caixinha de música!
(Sei que meu querido amigo Mauri vai gostar de rever estas ceninhas – dedico a ele esta “Tertúlia”!)
Há alguns dias atrás reencontrei numa velha «Dance Magazine» de 1983 fotos de um dos meus grandes ídolos, Richard (Rick) Cragun, que imediatamente escaneei e enviei para ele por email
Uma delas é este ótimo portrait acima e a outra uma foto de “Poème de L’extase”, Ballet de John Cranko que foi feito em 1970 para Margot Fonteyn e Richard – e que tem um «quoi» todo Gustav Klimtiano no seu décor e figurinos… Já contei que moro há 50 metros da última casa de Klimt? (No mínimo umas dez vezes...)
A foto de "Poème" (acima) é bastante conhecida mas como conheço muito bem bailarinos, sei que muitos são completamente desapegados às coisas terrestres e nunca guardaram suas fotos e que apesar de não viverem numa «louca busca» para reencontrá-las, se alegram ao reve-las… só pelo fato de reve-las...
Uma coisa leva à outra (típico de uma "tertúlia pessoal") e acabei revendo esta (maravilhosa) cena do Baile dos Capulettos de “Romeu e Julieta” de Cranko… e aí me dei conta do que deveria me dar conta todos os dias: ahhhhh… que imensas saudades de Marcia Haydée, Richard Cragun, Egon Madsen, Reid Anderson, de todo esse «Ensemble», deste momento especial na história do Ballet. Que saudades destes enormes talentos que revolucionaram nesta certa época o mundo da dança. Quantas saudades, quanto respeito...
Meu querido amigo, Antonio Negreiros, dançou “Paris” no TheatroMunicipal com Makarova (e na sua modéstia nunca toca nesse assunto! Assunto aliás sobre o qual deveria um dia dissertar longamente conosco!).
Amo o pas-de-deux de Julieta e Paris... um momento "filigrana". Perfeito. Genial!
Que fascinação a coreografia de Cranko ainda exerce sobre mim. Trabalho de genialidade, criatividade, sensibilidade e musicalidade quase incomparáveis… Take a sit, put your feet up, relax and enjoy…
Há exatamente tres anos atrás, no dia 28 de fevereiro de 2008 comecei aqui o que se transformaria nas nossas “Tertúlias”. De um simples exercício tímido para que não esquecesse meu portugues (Vivo fora do Brasil desde 1981)…
Muito aconteceu no meio tempo…
Tive fases nas quais não parava de escrever, outras em que me resumi práticamente a mostrar um video… ou uma foto. Fases de teatro, de estorinhas em quadrinhos, de música, de livros, de Ópera, de culinária, de Ballet… E fases nas quais estava saturado de tanto Ballet… Fases em que a necessidade de comunicar-me foi intensa, fases nas quais estive mais recluso… Fases nas quais ganhei muitos amigos novos aqui e outras nas quais perdi alguns que na realidade não eram… Triste presenciar como o ciúme e a inveja são sentimentos destrutivos: quando essas pessoas notaram que o número de "seguidores” estava começando a se desenvolver ou que alguma postagem estava tendo um certo “sucesso” (como a última), não perderam a oportunidade para me "chatear" mostrando ao mundo todo sua "inveja"... Como se esta atitude pudesse restaurar-lhes o “ego” ferido.
“Só o mudo inveja o falador“ (Khalil Gibran)
Infelizmente li estes comentários cínicos, que me fizeram mal, tipo “Voce “é” a Arte rsrsrsrs…“ (Isto justamente de uma pessoa que uma vez me escreveu chamando-me de “O guardião das Artes”, expressão que muito me agradou na época…). Infelizmente tenho que confessar que perdi a paciencia... E como alguém tem que me "atazanar" para eu perde-la... Essa pessoa conseguiu. E eu reagi feio. E escrevi o que não queria... Me arrependo de ter deixado ela tirar minha "contenance". Bem, aconteceu... sou humano.
Mas, voces estarão se perguntando: e qual é a conclusão de tudo isso?
Nenhuma… :-))
Só cheguei à uma única: que estou falando do tema errado... Deveria sim estar é falando das coisas boas e positivas que acontecem aqui, de seres humanos inteligentes que dividem idéias e pensamentos – e não perdendo tempo comentando pessoas que nunca foram sinceras comigo. Decepções doem – mas prefiro te-las do que continuar acreditando em mentiras. Até isso pode ser positivo.
De volta ao lado positivo da vida e ao porque desta postagem de “Aniversário”... Sim, é só abrirem a última postagem sobre “La Bayadère” e verão imediatamente ao que me refiro. O que considero positivo:
Sincero Obrigado Lícia, Marco, Syl, Mauri, Maurette, Jussara, Eliana, Ricardo, Mary, Ida, Pinguim, Claudia-Louise, Angela, Marcos, Mike, Colleen, Suely, Tatiana Leskova, Márcia, Anna, Sandra Barsotti e muitos outros como Danielle, Lorena, Angela Ursa, Fernando Bicudo, Rosangela, Aurea, Clau, João Meneres, Ju, Pena, Antonio, Moysés, Zélia, Martha, Antonio, Clarisse, Efigenia, Stella e tantos outros – desculpem-me se falhei e deixei de mencionar alguns nomes – nao é proposital!
Obrigado pelo prestígio, carinho, apoio, dicas, comentários, papos, força, amizade e pelo fato de participarem desta “roda” tão gostosa, informal, descomplicada e, ao mesmo tempo, rica; sim, das “Tertúlias”.
Feliz tres anos para todos nós!!! Sem voces este espaço não seria o que é!
“Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre” (Albert Einstein)
Poucas coisas me deixam tão animado, cheio de energia e excitado como pesquisar, aprender…
„Vibro“ literalmente ao encontrar (ou neste atual caso „reencontro“) um tema ao qual queira me dedicar por um (bom) tempo. A “excitacão” de estar aprendendo, conhecendo, toma conta de mim… fico feliz. Lembro com saudades da época à partir dos meus 14, 15 anos de idade… quando o aprendizado era constante, 24 horas por dia, pois os livros, as peças, os filmes, os ballets, os quadros, os poemas, os pensamentos estavam todos ali esperando por serem descobertos. Com o passar do tempo a gente se torna mais seletivo muitas vezes por uma questão de “gosto”, interesses… Mas mesmo assim…
Nunca tive e nunca terei qualquer ambição didática com este Blog (apesar da postagem de hoje poder dar esta impressão): não estou aqui para ensinar nada a ninguém – senão este Blog não chamaria-se “Tertúlias”, nome que implica numa “troca” de opiniões e acima de tudo na aceitação de opiniões alheias, diferentes das suas. Me disseram que não sei aceitar opiniões diferentes das minhas… Discordo. Questionar opiniões e discutí-las não significa “não aceitá-las” porém “querer compreende-las melhor, sentí-las e até aprender com elas” mas para isto temos que chegar a um ponto de aprendizado e compreensão pessoal no qual estamos completamente livres dos nossos próprios egos, orgulhos e do lado "emocional"…
Estou aqui para dividir com todos coisas que me tocam, coisas das quais gosto, coisas que admiro e coisas que talvez até “abomine” e “convido” todos para deixar aqui seus relatos, discutí-los abertamente...
Infelizmente o tempo torna-se cada vez mais curto para todos e sinto demais a tendencia que muitos tem em “se resumir” num vídeo ou curto pensamento (já li coisas do tipo "estou com calor") que é colocado, sem qualquer outro comentário ou opinião adicional, em plataformas à la “Facebook”. Distancio-me cada vez mais deste tipo de comunicação monologar (e vezes monossílabica) e volto a escrever mais longamente aqui e, quem sabe, talvez um dia me vá até daqui e retorne realmente a escrever só para mim… Coisas d’alma… Não quero a restrição da superficialidade da “obrigação de ser rápido e curto” (“senão ninguém vai ler o que escrevi!”).
Se tudo na vida fosse assim para que existiria o verbo “dissertar”?
Limpando umas prateleiras em casa “caiu” literalmente nas minhas mãos um velho VHS – da montagem de 1992 de Nureyev para a Ópera de Paris de "La Bayadère". Como há anos não assistia nenhum VHS resolvi colocá-lo, mas principalmente (não posso mentir!) para testar se o aparelho ainda funcionava… A febre de “La Bayadère” transformou-se numa "mania", numa epidemia dentro das minhas “quatro paredes”. Há poucos dias comecei a tirar livros de estantes, a imprimir toda e qualquer informação sobre este Ballet (só o relato da Wikipedia tem 28 páginas), a rever outras versões que tinha, estudar um pouco a partitura e cheguei até a encomendar do Amazon algumas outras versões que não conheco. Fascinante como de um momento para o outro nossa mente encontra mais um ponto de “interesse”. Amo estes momentos, estas fases… Claro que descobri muitas coisas interessantes, que se adicionaram ao meu humilde conhecimento deste Ballet – este fato transformou esta postagem um longo relato…
Gosto de contar «estórias» :
Em 1839 uma companhia de autenticas bayadères indianas (e hindus) visitou Paris. Théophile Gautier escreveu inspiradas páginas descrevendo a principal dançarina Amani. Muito depois em 1855 Gautier soube da trágica morte da bailarina que se enforcou num acesso de depressão numa nublada Londres por estar com saudades de sua terra natal… Como homenagem à bayadère ele escreveu o libretto para o Ballet “Sacountala”. O Ballet foi montado em Paris pelo irmão de Marius Petipa, Lucien. Este é o trabalho que muitos consideram como a real inspiração para a “La Bayadère” de Marius Petipa…
Nas últimas semanas “redescobri” para minha extrema satisfação “La Bayadère”, Ballet com música de Ludwig Minkus (que apesar de ter passado 15 anos como compositor oficial do Ballet Imperial Russo, tendo composto “La Bayadère”, “Don Quixote” e “Le Corsaire” - pelos quais ele foi extremamente identificado com a “alma” do ballet russo - era um Vienense que não só nasceu como também morreu aqui).
A linha da estória é simples porém bem melodramática com todos os elementos “amados” pelas platéias de então (La Bayadère estreiou em 1877, no mesmo ano do original "O Lago dos Cisnes", não da versão de Petipa): lugares “exóticos” (India), espíritos (como em Giselle) capazes de coisas sobrenaturais, amor não realizado, intriga, morte, justiça/vingança (no Ballet época muito confundidas...)
A bailarina de templo (a bayadàre) Nikiya e o soldado Solor juram amor e eterna fidelidade. O sacerdote (o Alto Brahmin) está porém apaixonado por Nikiya. O Rajah Dugmanta seleciona Solor para casar com sua filha, Gamzatti, e pobre Nikiya sem desconfiar disso aceita dançar num “noivado”.
O Sacerdote ciumento quer que Solor seja morto e conta ao Rajah a verdade sobre o amor de Nikiya e Solor mas, “o tiro sai pela culatra” e o Rajah ordena a morte de Nikiya. Gamzatti que estava escutando a conversa dos dois ordena que Nikiya venha ao palácio. Quando esta porém descobre sobre o “noivado” de Gamzatti com Solor pega uma faca, numa reação não pensada, e tenta matar Gamzatti, sendo impedida pela Aya desta
Assim como seu pai Gamzatti decide que Nikiya vai morrer.
O segundo ato começa com celebração do noivado na qual Nikiya dança tristemente… quando porém recebe uma cesta de flores, pensa que esta vem de Solor e se alegra. Mal sabe que dentro dessa cesta encontra-se uma víbora, colocada ali por ordem do Rajah e de Ganzatti. Ela coloca a cesta tão próxima ao seu rosto que a cobra a ataca mordendo seu pescoço. O Sacerdote lhe oferece um antídoto mas Nikiya prefere a morte que encontra nos braços de Solor…
No terceiro ato Solor fuma opium e numa euforia de sonho-delírio (ou não?) tem a visão do “Reino das Sombras” (espíritos). Ali ele se reúne a Nikiya.
O quarto ato (ao qual nos referiremos mais tarde) se passa no templo no qual o casamento de Solor e Gamzatti acontecerá. O espírito de Nikiya está presente… Quando o Sacerdote une as mãos do casal em casamento os Deuses se vingam pelo assassinato de Nikiya e destruem não só o templo como também todos seus ocupantes.
FIM
Em algum momento da história, o quarto ato foi “perdido” e o final do Ballet passou a ser o final do III ato, ou seja no “sonho” do “Reino das Sombras” – o que tira muito da dramaticidade desta obra.
Alguns historiadores citaram as possíveis causas para esta drástica mudança: alguns acreditam que depois das enchentes de 1924 em Petrograd (St.Petersburg) a maioria dos cenários e guarda-roupa do IV ato, como encenado no Teatro Mariinsky, foi perdido. Outros dizem que numa Rússia « pós-revolução » não haveriam verbas suficientes para o suntuoso IV ato do Ballet. Uma outra explicação é a falta de técnica nesta fase (pois maquinarias estavam quebradas e não havia dinheiro para consertá-las) para produzir a destruição do templo… Uma última “explicação” sugere que o regime soviético da época não aprovava, por questão de princípios, uma apresentação teatral que incluísse temas como Deuses hindús destruíndo um templo.
Seja qual for a verdadeira razão, só em 1980 o mundo voltaria a ver um quarto ato e o ballet práticamente completamente restaurado…
Eu me lembro que em 1980 Natalia Makarova (acima) recuperou todo o “desaparecido” quarto ato tendo porém que mandar “reconstruir” muito da música pois a partitura se julgava perdida. Ironicamente esta partitura estava na íntegra na Rússia e só Nureyev em 1991 teve acesso a ela para sua versão para a Ópera de Paris em 1992 – apesar dele mesmo ter mantido o que chamou na época de “tradição russa” e ter encenado o Ballet SEM o quarto ato… sem sua “tragédia” final. A ironia é que esta chamada “tradição russa” foi imposta em épocas do comunismo – regime que Nureyev tanto abominava… Eu acho porém que a Nureyev talvez lhe faltaram «forças» - explico depois…
Apesar de « La Bayadére » sempre ter sido considerada um clássico na Russia o “Oeste” não conhecia este Ballet. A primeira apresentação do “Reino das Sombras” (que é na realidade a parte mais conhecida do Ballet e algumas vezes, cada vez mais raramente, encenada independente do Ballet) foi no Palais Garnier em Paris, em 1961. Dois anos mais tarde Nureyev remontou a cena para o Royal Ballet com Margot Fonteyn como Nikiya.
No Brasil muitos bailarinos e público, com exceção daqueles poucos privilegiadaos que tiveram a chance de assistir a montagem de Makarova no ABT, viram pela primeira vez «O Reino das Sombras» no cinema ! Sim, na cena de abertura do filme «The turning Point» (Momento de Decisão, 1977). (Correção do autor em 25.02.2011: Eugenia Feodorova havia montado o terceiro ato no Theatro Municipal com Berta Rosanova e Aldo Lotufo e 16 bailarinas no corpo de baile. Quem tiver a informação do ano desta montagem, por favor entre em contato comigo! Obrigado.)
Eu muito prezo várias partes da crítica que a inteligentíssima crítica de Dança Arlene Croce fez quando comentando a versão de Makarova para o American Ballet Theatre. Aqui um curto pedaço, repleto de percepção e sensibilidade:
“A coreografia, criada 17 anos antes do “definitivo” "Lago dos Cisnes”, é considerada como a maior expressão em grande escala do “sinfonismo” na dança. A matéria do “Reino das Sombras” não é realmente a Morte apesar de que todos, com exceção do herói, estão mortos. É felicidade encenada na eternidade. A sequencia de entrada com seus intermináveis “Arabesques” lentos cria a impressão de um grande «Crescendo» que parece aniquilar o tempo. Não há razão que possa impedir as bailarinas de continuar para sempre… Ballets passaram por gerações como lendas, adquiriram a pátina do ritualismo mas La Bayadère é um ritual real, um poema sobre a dança, a memória e o tempo. Cada dança parece adicionar algo à dança prévia, como um idioma sendo aprendido. O Ballet cresce rápidamente com esta constatação, que no início é sómente uma elocução primordial, e que na “Coda” explode com um explendor articulado” (Livre tradução minha)
Por causa do palco relativamente “pequeno” do Met (em relação ao do Mariinsky) Makarova foi forçada a reduzir o número de bailarinas no “Reino das Sombras” a 24 (originalmente eram 32 – e na “revival” de 1900 de Marius Petipa foram até 48!). O seu maior desafio foi porém o último “perdido” ato já que, como préviamente dito, pensava-se que a partitura original estava perdida. Natalia Makarova não tentou recriar o original de Petipas – apesar deste ter sido mudado infinitas vezes ao passar dos anos, até por Vaganova – e coreografou-o ela mesmo.
A première em 1980 foi triste: Makarova que também dançava o papel de Nikiya, machucou-se durante o primeiro ato e foi substituída por seu “second cast”, Marianna Tcherkassky. Solor foi bailado pelo explendido e incomparável Anthony Dowell e Cyntia Harvey deu vida à Gamzatti.
Makarova encenou «La Bayadère» para o Royal Ballet, para o Ballet do La Scala em Milano, para o Australian Ballet, para o Royal Swedish Ballet, para o Royal Dutch Ballet, para o Ballet do Teatro Colón em Buenos Aires e para o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com Cecília Kerche e Thiago Soares (informação da querida Eliana Caminada, um “dicionário” de Ballet que possuo como querida amiga!). Abaixo Baryshnikov como Solor.
A versão do “Reino das Sombras” que veremos abaixo é da versão de 1992 de Rudolph Nureyev: A administração da Ópera de Paris sabia que esta produção seria o último presente de Nureyev ao mundo, já que sua saúde estava deteriorando-se rápida- e progressivamente pelo seu estado avançado de HIV positivo.
Exatamente por isso, a administração cultural da Ópera deu-lhe uma enorme verba para esta produção com mais fundos vindos de várias doações privadas transformando a produção numa ainda mais suntuosa do que préviamente concebida. Que bonito. Chapeau! Abaixo Sylvie Guillem como Nikiya.
A produção foi um grande sucesso, aclamado pelo público e pela crítica. Apenas tres meses após a estréia Nureyev faleceu.
Aqui o tão comentado “Reino das Sombras”
Mais da próxima vez sobre "O Ídolo de Ouro" (ou como na versão de Makarova "O Ídolo de Bronze").
Desde que me lembro fui seu fã de carteirinha... carioquíssimo, copacabanense assumido... Uma vez quase chegamos a trabalhar juntos... O projeto era "Os sete pecados capitais" de Brecht dirigido por e com Louise Cardoso... mas eu vim para cá... Será que este projeto foi a frente? Tenho que perguntar uma vez à Louise...
Eu não o assisti em "Desgraças de uma criança" e acho que foi nos anos 70 que li pela vez seu nome para saber quem era o compositor de „Alô, Alô“(„Quem fala, é do Brasil? Alô, Alô, Alô… é da terra do anil?”) com a qual Marília Pêra parecia se esbaldar no palco do Teatro Casa Grande durante uma apresentação de “Feiticeira”… Depois ouvi mais uma de suas canções no Show “Camarim” de Ronaldo Resedá no Teatro Opinião.
Quem não se lembra dele num daqueles festivais de música cantando de ceroulas e asas de anjo “Nostradamus”?
Seus textos (inteligentíssimos por sinal) são
espirituosos (♫ ♪ “Levanta me traz um café, que o mundo acabou” ♫ ♪ ),
críticos (♪ ♫ “Troque o seu cachorro por uma criança pobre” ♫ ♪ ),
gaiatos (♪ ♫ “...quando cantava todo mundo ria. Só conseguiu emprego numa Churrascaria ♪ ♪),
bem compostos (♫ ♪ “Cachaça, Batida e Blitz, Mercedinho repleto de Vips, Joaninha, academia de Jiu-Jitsu… “♪ ♫ ),
"históricos" (♫ ♪ “foi encontrada na madrugada, fechadona com um tatú, caidona na calçada, recolhida pelo DLU♫” ou “ ♫ Liguei prum “Toque e Tenha” qualquer e não tinha…”♪)
e muito espirituosos ( ♪“O Mar passa saborosamente (O Que?) a língua (Aonde?) na areia…”♫ ♪). Textos maravilhosamente levados!
Mas quem mais se lembra de um Duardo sério, romantico, apaixonado? Só eu?
“Meu Olhar Brasileiro” foi uma linda demonstração deste seu lado também tão rico…
Minha canção preferida foi e ainda é “Eu velejava em Voce”. Uma Linda metáfora cheia de poesia…
A descobri num disco de vinil numa ida ao Brasil nos anos 80. E ainda o tenho. Desde então esta música me acompanha. Hoje mesmo ouvi-a no carro, ao caminho do trabalho. Duardo cantando “Velejava”. Bom como se pode aquecer a alma num dia frio de inverno como hoje…
Como ele mesmo diz:
♫ ♪ “Minha’alma cansada não faz cerimonia… Voce pode entrar sem bater!” ♪ ♫
e aqui a gravação que conheci através de um disco de vinil... lindo arranjo, principalmente o "Sax" tão usado nos anos 80... Viva Dusek e sua brilhante eloquencia!