sábado, 19 de março de 2011

Pensando no Japão, em "Suzuki e as 1000 garças" e em tantas outras coisas...

Pensando no Japão…



Nos anos 80, mais precisamente em 1987, estive lá. Viajei do Norte ao Sul mas o que mais me impressionou, me lembro nítidamente, foi Hiroshima.
Impressionante o Parque no Centro da cidade, bem próximo ao “T” onde a bomba caiu. Um Parque todo dedicado à Paz. Uma cidade repleta de cegos. Uma cidade fascinante pelo seu lado humano.

Lá visitei “o Sino da Paz” e me emocionei muito ao ler as seguintes frases (abaixo 3 fotos pessoais minhas no Japão):


Óbviamente subi e o toquei uma vez. Queria bate-lo fortemente para a Paz Mundial. Tão intensamente que queria que ouvissem-o até no Brasil... Me lembro de um grupo de russos que subiu logo após de mim. Estávamos ainda no auge da “guerra fria” e este grupo trocou comigo olhares da paz, de amizade, de entendimento, de fraternidade…



Quando me distancei um pouco do sino dei-me conta que estava em frente a um templo… e por todos os lados estavam penduradas garças feitas de papel, nas diferentes cores do arco-íris. Comecei a chorar.

Quando eu era menino recebi um livro que se chamava “Suzuki e as 1000 garças”. Era um livro em alemão (que na realidade chamava-se “Suzuki und die tausend Kraniche”). O livro contava a estória desta menininha que, doentinha como milhares de outras crianças depois da “bomba de Hiroshima” (e Nagazaki), era tratada num hospital. Como terapia ocupacional as crianças eram incentivadas a dobrar MIL pássaros de papel que depois seriam pendurados num templo (Shrine) com seus pedidos para curarem-se… Quem dobrasse e fizesse MIL pássaros ficaria sarado de sua doença. Até hoje acredita-se no Japão que dobrando mil, desejos serão atendidos (Minha amiga Lícia me explicou que esta arte em papel chama-se Origami. Eu não sabia).



Acompanhamos com muita curiosidade, apego e amizade os pensamentos, os fatos da vida, o dia-a-dia de nossa querida Suzuki. Éramos crianças, ela também. Logo nos tornamos os mais queridos dos companheiros, amigos. A leitura, para uma criança de seus 7, 8 anos de idade era difícil e o livro – para minha idade – relativamente longo.

Pois bem: Chegando ao último capítulo fomos confrontados com o destino de Suzuki… Ela dobrou e fez com todo amor 999 pássaros… e aí morreu. Não teve sua "chance" pois não dobrou 1000.

Que injusto. Que dor. Que triste.
Quando revi todos aqueles pássaros pendurados em frente ao templo e todas aquelas cartinhas dirigidas a Deus com pedidos, lembrei-me desta então esquecida amiga de infancia e de seu destino. Comecei a chorar e entre soluços consegui explicar ao meu acompanhante de viagem o porque daquela reação. Um momento de pura emoção. Quando penso em Suzuki ainda vejo o rosto que "ela tinha" enquanto eu lia o livro...



Hoje penso na tragédia que mais uma vez tomou conta daquela linda terra.

E paro para pensar nos livros que nos davam para ler quando éramos ainda tão «puros», tão «verdes» em relação ao mundo :

o tristíssimo «O meu pé de laranja lima»,



o trágico «Os meninos da Rua Paulo» (do mesmo Molnár de «O Cisne»).



Até uma novela chegou a ser cruel conosco: a “Pequena Orfã” (acho quera da “finada” TV Excelsior) na qual uma menininha (Patrícia Aires) era maltratada pela madrasta (a ótima atriz Riva Nimitz), que batia tanto na pobrezinha que esta vivia dizendo “Não me bate, não me bate!”. Coitadinha. Seu único amigo era o “Velho Gui” (Dionísio Azevedo).



Já então nos mostravam como cruel e injusta a vida pode ser.

Será que era esta a forma de quererem nos preparar para as “durezas e tristezas” da vida?

Se era, não acho que conseguiram. Os desastres neste nosso frágil e vulnerável mundo parecem agravar-se a cada dia. Preparados nunca estaremos…

Mesmo assim acredito num fato que o “passar dos anos” nos dá: com a idade descobrimos que somos capazes de sobreviver às dores, às injustiças e às decepções da vida…

Mas, como diz a canção? "Cada Garça que voa, me faz chorar..."

Pensando no Japão…



Lícia, minha amiga de toda a vida, a voce dedico hoje esta postagem. A voce, que me acompanhou lado a lado e dividiu, na época do primário, tudo isso… e que como um “presente” retornou à minha vida para trazer muita LUZ!

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