Os „Sobrinhos do Capitão“ apareceram pela primeira vez numa tirinha do “New York Journal” em Dezembro de 1897! Há quase 113 anos! E até hoje suas “travessuras” ainda são publicadas em alguns jornais norte-americanos!

A “location” das estorinhas é um pouco peculiar: Hans e Fritz são dois meninos levados, peraltas; duas verdadeiras pestes que vivem numa colonia alemã (???) numa ilha tropical (???!!!)
(meu pai chamava-se Fritz e seu melhor amigo de infancia era o Hans… E no final de sua vida tinha um grande amigo que também chamava-se Hans... Hans Göransson, de Penedo)

Em inglês as estorinhas de Rudolph Kirks são chamadas “The Captain and the Kids” (originalmente tinham um nome mais teutonico: “The Katzenjammer Kids”, o que significa literalmente “As Crianças do Gemido de Gato” e quer dizer "Crianças chatas"... existe coisa mais chata do que um gato miando, gemendo?).

Agora, porque chamam-se no Brasil “Sobrinhos do Capitão”?????
Muitas das travessas aventuras dos dois envolviam as deliciosas tortas que eram feitas pela Mama “Chucrutz” (como foi apelidada no Brasil) e roubadas pelos dois (e também pelo Capitão) enquanto esfriavam na janela!

Outras envolviam as “peças” que pregavam em todos, principalmente no Capitão. O “Capitão” era na realidade um hóspede da Pensão da Mama (Na realidade um náufrago que chegou à ilha… e só a partir de 1902) e não era „Tio“ das duas pestinhas. Uma explicação que li uma vez: “Sobrinhos” provávelmente para “moralizar a la brasileira” a não muito bem esclarecida relação entre “Mama” e o “Titio” Capitão.

Hans e Fritz são “descendentes” de duas outras pestinhas da literatura infantil alemã: Max und Moritz, de Wilhelm Busch, que no Brasil foram rebatizados como “Juca e Chico”.

Estes símbolos da infancia sadia, de toda a peraltice e "arte" que se pode fazer, tiveram suas aventuras (em forma de rima) traduzidas em 1915 por ninguém menos do que Olavo Bilac!

A tia dos dois chamava-se em alemão “Witwe Bolte” (em portugues a “Viúva Chaves”, uma boníssima cozinheira) e eles sempre roubavam a comida que ela preparava… ou seja, Rudolph Kirks, realmente pegou emprestadas algumas idéias de Wilhelm Busch para os seus “Katzenjammer Kids”. Vejam abaixo o “roubo das galinhas”.
.png)
(Como em épocas em que a comunicação era mais difícil e o mundo bem “maior” (1897) era mais fácil “plagiar”, não é?)
Pausa para uma lembrança:
Lembro-me de uma casinha pobre em Penedo, bem na entrada, que pertenceu à uma alemã, e tinha/ tem não só as carinhas dos dois pintadas sobre o portão como também chamava-se “Casa Juca e Chico”. Os atuais proprietários não devem nem saber quem foram os dois, o que significam, de onde vem, o que inspiraram... mas, pelo menos, deixaram a plaquinha lá. Eu me lembro de ter passado por lá com um amigo austríaco que ficou abismado ao encontrar no interior do Brasil "Max und Moritz". Também personagens queridos de sua infancia.
As estorinhas completas deles foram publicadas, pela última vez, pela Editora Melhoramentos de São Paulo (Juca e Chico. História de Dois Meninos em Sete Travessuras. tradução: Olavo Bilac) e podem ser lidas no Internet. Simpáticas!
As crianças aqui na Austria, lugar onde as crianças são crianças por um período bem mais longo do que no Brasil de hoje em dia, conhecem até hoje muito bem as “artes” e as aventuras de Max e Moritz.

Um dos meus preferidos restaurantes típicos (Gasthaus) em Viena, chama-se justamente “Witwe Bolte” – com uma cozinha apetitosa que faz justiça à reputação da “Viúva Chaves” e com uma decoração engraçada, simpática… só quadrinhos com aquarelas, capas de livros, tirinhas de estorinhas, coisas colecionadas durante décadas sobre “Max e Moritz”.

Gostoso pensar nos verões quentes de Penedo (no Estado do Rio, talvez o único lugar neste planeta onde me sinta realmente em casa) da minha infancia, nas longas caminhadas com meu pai, Fritz Leitner (sobre quem tenho muito que contar... um homem brilhante, com uma cultura fora do comum e que até hoje me inspira nas minhas pesquisas e "buscas"!)

mas também gosto de lembrar das horas depois do almoço (durante as quais estavamos proibidos de nadar) com aquela “moleza” que o calor causa, de cheiro de talco, das sombras generosas de árvores frondosas, d'um copo de limonada e da leitura de estorinhas como as dos “Sobrinhos” ou de “Juca e Chico”. De tempos que nos pareciam ser tranquilos.
Que gostosa, rica lembrança.
P.S. Ter reencontrado no mundo virtual minhas amigas de infancia (e de Penedo!) Marcinha e Mirinha – que estão aqui numa fotozinha que já levo comigo por toda uma vida -

e lembrar-me do maravilhoso baú que tinham com todas as estórias em quadrinhos do mundo (pelo menos parecia-me assim) foi a inspiração desta postagem. Como disse acima: numa boa “Tertúlia”, uma coisa leva a outra e me lembrei até da maravilhosa limonada que Tina (querida amiga, mãe delas) fazia, de um gatinho chamado “Pixuíto”, de aprender a andar de bicicleta, de um girassol (orgulho do pai delas, do querido Walmir), da varanda gostosa cheia de redes, da bomba d'água atrás da cozinha e - muito lindo - da calma, do doce olhar, da voz e do carinho de Dona Nícia (a avó delas e que de certa forma era minha também!). E de tantas outras coisas... Que gostoso este “cheiro aconchegante e familiar” que as boas lembranças trazem consigo… Sou muito grato por te-las. Assim, ainda tão fortes dentro de mim. Ricardo
17 comentários:
Doces lembranças da infância, que prazer relembrá-las!... As minhas mais gostosas são de Nogueira, de Mendes, da Rua Felipe de Oliveira e do Colégio Cruzeiro. Elas englobam toda uma gama de sensações prazeirosas, desde amizades e brincadeiras a comidas, cheiros, experiências e sonhos! São um capítulo especial no livro da minha vida!
Querido Ricardo, vejo que cheguei atrasada para te dar o carinho pelas costelas quebradas. Mas pela bela tertulia vejo que vc já está bem. Achei a postagem de uma ternura ímpar, as fotos tudo. precisava ler algo assim hoje, estava tão tristinha. Um beijo da amiga Márcia Paçoca.
LLLIIIDDDOOOO!!!! você me emocionou muito, que lindo saber que a foto esta junto a ti. Me sinto tão feliz em saber que moramos dentro de seu coração assim como você também mora.
Ricardo que peralta! já pedi para não dar susto, como está agora??? vou te mandar mais um anjinho da guarda para te proteger mais,
bjos e melhoras, meu como poderei dizer Maninho
Marcinha
Ki-dilícia essas lembranças ! Também fizeram parte da minha infância, acalentada e atormentada pela sua amiga Valéria... rsrsrs Quando estive em Frankfurt adorei encontrar a estátua de outro personagem dessa época, um que não cortava os cabelos nem as unhas, lembra ? Aliás, todas essas historinhas serviram para moldar o nosso caráter não é mesmo ? Para o bem e para o mal ! huahuahua
Mostrei o blog para a mamãe, ela adorou, e achou linda as recordações, momentos bons ficam dentro de nós para sempre e nós passamos ótimos e inesquecíveis momentos juntos.
Melhoras e mamãe manda um grande beijo e muitas saudades,
Bjos Márcinha
Ricardo, amei seu post! Eu, como você, sou tremendamente nostálgica - inclusive com relação às histórias de família que não vivi: os piqueniques que minha mãe e meu tio faziam com meus avós (as feijoadas comidas à beira da entrada num tempo em que o perigo parecia não existir), os peixes comidos nos restaurantes à beira do rio. Já vivi e revivi essas histórias passeando pela caixinha de fotos de família, que agora é guardada pela minha mãe. Aliás, minha mãe fala de um baú cheio de gibis que uma conhecida dela tinha, e como ela passava tardes e tardes a ler na casa da tal conhecida junto com as amigas. Como é bom ter coisas suaves como essas para relembrar, não?
Como estava te dizendo, eu me recusei a entrar pra adolescência até pelo menos os 14 anos - até então, não trocava por nada meu bermudão, chinelos e camiseta larga, as árvores de frutas das casas dos vizinhos, as "expedições desbravadoras" nos terrenos abandonados. Eu era uma completa Jane - me virava melhor por cima das árvores que por terra. Que bom relembrar de tudo isso!
Beijinhos e melhoras!
Dani
PS: Seu post ganhou um toque especial com o reply da sua amiga Marcinha!
Is that you and your dad? Mike
Que ternura de post!!!
E é diferente: pegar nuns bonequinhos, que eu ainda recordo aparecerem por vezes nos livros de quadradinhos da minha infância e chegar depois à tua meninice, à tua família. Que bonito... é sempre bom ver como eram os nossos amigos quando eram petizes, a sua família, enfim cria mais fortes laço se amizade.
Tudo de bom para ti e para os teus, meu bom Ricardo.
Querido Ricardo, recebo estas palavras de recordação com lágrimas nos olhos... saber que você se lembra de mim e de minha família já é muito gratificante, mas saber que você se recorda da limonada, do girassol e da bomba de água da casa em Penedo isto é encantador! Agradeço a Deus por ter encontrado uma forma de nos comunicarmos outra vez. Muitos beijos querido amigo.
Adorei a postagem! obrigada por lembrar de coisas tão simples mas tão maravinhosas como limonada da mamãe e o girassol do papai!! beijossss
Myriam
Oi Rick,nessa casa, do Juca e Chico desde que as alemãs se foram...não sei se p/ o Universo ou de volta p/ Alemanha,mora D.Nica, - mãe da Denilza, irmã da Mari, e ela com certeza conhece a história do Juca e Chico e preservou o quanto pode a casa da mesma forma.sua memória é maravilhosa e as fotos tb. bjks,talita
MUITO BOM....AS LEMBRANÇAS TRAZEM OS MOMENTOS QUE REALMENTE IMPORTAM...É COMO UM ROMANCE QUE SE INICIA....O BAU É UMA COISA QUE JAMAIS VOU ESQUECER....PARA MIM TINHA O MUNDO EM QUADRINHOS E MAIS UM POUCO....BJ GRANDE VC É DEMAIS.
CARINHO,
NANÁ
Perfeito! Voltei a minha infância.
Adoravel postagem querido.Aqui é "prato cheio", restaurante cinco estrelas mesmo.
Nossa, como me lembro....e como era bom ser criança...
Macungo querido,
A casa Juca e Chico... que lembranca mais gostosa! Na proxima vez que voce vier por aqui, temos que ir a Penedo e dancar no clube finlandes.
Beijaradas mil
Adriana
Belas memórias e muito boa escrita. Parabéns pelo blogue.
Oi,Ricardo
Passeando pela internet,fui premiada com a descoberta desse seu Salão maravilhoso,repleto de cultura e bom-humor refletidos nos textos,tão leves e agradáveis,os quais me proporcionaram horas de excelente leitura.Parabéns,adorei suas Tertúlias!
Nessa visita,seu sobrenome e a foto com seu pai em Penedo me levaram a uma pergunta: você estudou no ISPA em Copacabana?
Se a resposta é "Sim",fomos colegas do Jardim ao Admissão;caso contrário,desculpe o incômodo.
De um jeito ou de outro,voltarei sempre a esse delicioso Salão virtual.
Felicidades & Sucesso pra vc,sempre.
Lícia
Querido Ricardo
Que maravilha te reencontrar, ainda que virtualmente. Estou muito feliz por isso, e também pela presteza da sua resposta.
Muito obrigada por tantas alegrias.Ah,já virei Seguidora de Tertúlias.
Que bom que você se lembra de mim, e me recordo bem de você, um menino super-inteligente, meu amiguinho que gostava de conversar bastante comigo sobre desenhos, HQs e música (este último item,já por volta dos nossos 10 aninhos. Claro,destaque para os Beatles), que tempo bom,e que saudades!
Muito obrigada. Anotei seu i1/2,e vou mandar por ele uma outra mensagem especial. Espero que goste.
Por medida de segurança virtual, não publiquei seu comentário no blog, mas a resposta segue por i1/2.
Um beijo
Da velha amiga de sempre
Lícia
Postar um comentário