sábado, 17 de janeiro de 2009

Marília Pêra e Pippin (1974)

No pequeno mundo do teatro musical carioca sempre constou que, sendo voce bailarino, era um horror trabalhar com Marília Pêra… Muitos reconfirmaram-me isto, de atores e bailarinos a produtores de várias produções como “Pippin”, Deus lhe pague” e “A estrêla Dalva”. Ela parece ter “infernizado” a vida de muita gente. Porque? Dizem que ela é uma bailarina frustrada… será? Bem… analizemos esta afirmação:
Eu lembro-bem daquele « Show « chamado « Deus lhe pague » (1976) no Canecão com Marília, Marco Nanini e Valmor Chagas… Nao pode-se realmente chamar aquela produção de uma peça, melhor chamá-la de Show… No final das contas, não estávamos todos nós comendo e bebendo enquanto o cast atuava? Bem… A música era ótima (Vinícius e Edu Lobo) e o personagem de Marília apoiava-se em três canções, por sinal muito boas. Naquela época (o bom tempo de Dona Fernanda, grande professora de canto que colocou não só Marília mas também Marco Nanini e Ronaldo Resedá “tinindo”) Marília estava muito “de bem” com seu instrumento (voz), muito diferente da voz irritante, gasguita e fanhosa que hoje tem (como demonstrou naquela horrível produção sobre Carmen Miranda). Por este motivo o público não incomodava-se muito em vê-la “lutando”, realmente suando e esforçando-se loucamente para acompanhar os bailarinos. Numa certa cena, chamada “Labirinto” (um horror!) ela era levantada todo o tempo por dois ótimos bailarinos, numa boa tradição Zizi JeanMaire, que à partir de um certo ponto de sua vida, não conseguia mais fazer muito e todos faziam tudo AO REDOR dela (Mas Zizi entrou neste esquema aos 60 e tantos de idade, depois de ter dancado muito). Estes dois bailarinos chamavam-se Nestor Ragadale, um argentino que sumiu, e Ronaldo Resedá, que faleceu já há muitos anos (Ronaldo, na época ficou furioso com uma crítica que ignorou completamente o seu “número” que chamava-se “Samblues do Dinheiro” e no qual ele cantava, pela primeira vez – o coitado também estava com faringite na época da estréia – e só se referiu aos dois bailarinos que levantavam Marília como “Dois garbosos bailarinos”).

Bem, de volta à Marília… Um dia destes lembrei-me de uma coisa interessante: Marília Pêra trabalhou na produção do incrível espetáculo, vencedor de muitos "Tonys", de Bob Fosse; “Pippin” (Teatro Adolpho Bloch, 1974, direção Flávio Rangel, com quem eu trabalharia em 1978 no “O rei de Ramos” – vide minha postagem de 18.08.08) também com Marco Nanini assim como Carlos Kleber, Tete Medina, Ariclê Perez, Carlos Koppa entre outros e um “corpo de baile” que incluía Ronaldo Resedá, a linda Rosane Maia, Cecília Badasi (Barbosa da Silva), Cecília Salazar (Muitos que trabalhariam no « Rei ») entre outros.
A verdade é uma : Maríília abandonou a produção poucos tempo depois da estréia – Na época alegou-se que ela não considerava o espetáculo bom… (ou que tinha se acidentado?). Eu particularmente acho que ela estava completamente "perdida" neste producao e que na verdade não deu conta da coreografia de Bob Fosse (trazida para o Rio pelo bailarino e dance-captain Gene Foote), afinal de contas… Não é nada fácil seguir nas pegadas de um papel que foi estrelado na Broadway por Ben Vereen… Realmente não é o “calibre” de Marília Pêra, que como bailarina deveria estar mais à vontade como “corista” de My Fair Lady (Postagem de 17.12.2008). Uma parte linda de Pippin é o "Manson-Trio". Lembro-me de Marília nada à vontade tentando... embarassing!


Um ano depois eu estava no Teatro Casa Grande assistindo um Show seu chamado “Feiticeira” (Muito bonzinho por sinal) quando umas três “tiétes” jogaram uma entrada de “Pippin” no chão do palco… acho que provávelmente para irritar Marília (“tiéte”… ainda usa-se esta expressão? Bem, uma delas virou atriz… veja a postagem à qual me referi acima… ela trabalhou no “Rei” e suas iniciais são MT… Quem solucionará esta charada?). Marília apanhou a entrada, olhou e disse “Cruzes, Pippin…” e fez uma cara de nojo enquanto jogou a entrada para fora no palco, em cima das “tiétes"… Aqui a capa da Manchete da época – mais uma das lembranças da maravilhosa caixinha de recortes que encontrei, que voltam para nos divertir (ou para assombrar Marília, que, nao me compreendam mal, considero uma atriz adequada - apesar de muito repetitiva -, que porém nunca deveria ter tentado um musical).

Marília foi substituída em "Pippin" da noite para o dia por Suely Franco que arrasou como a “Conferencier” num estilo bem “Fosseesco”. E por favor nao esqueçamos do jovem Nanini que foi um excelente Pippin!!!!!

3 comentários:

Carl Schumacher disse...

Não era Carlos Kleber, era Carlos Kroeber.

Anônimo disse...

Monica Torres?????? Mas ela nao é atriz... uma canastrona...

As Tertulías disse...

Obrigado, Carl!