Eu lembro-bem daquele « Show « chamado « Deus lhe pague » (1976) no Canecão com Marília, Marco Nanini e Valmor Chagas… Nao pode-se realmente chamar aquela produção de uma peça, melhor chamá-la de Show… No final das contas, não estávamos todos nós comendo e bebendo enquanto o cast atuava? Bem… A música era ótima (Vinícius e Edu Lobo) e o personagem de Marília apoiava-se em três canções, por sinal muito boas. Naquela época (o bom tempo de Dona Fernanda, grande professora de canto que colocou não só Marília mas também Marco Nanini e Ronaldo Resedá “tinindo”) Marília estava muito “de bem” com seu instrumento (voz), muito diferente da voz irritante, gasguita e fanhosa que hoje tem (como demonstrou naquela horrível produção sobre Carmen Miranda). Por este motivo o público não incomodava-se muito em vê-la “lutando”, realmente suando e esforçando-se loucamente para acompanhar os bailarinos. Numa certa cena, chamada “Labirinto” (um horror!) ela era levantada todo o tempo por dois ótimos bailarinos, numa boa tradição Zizi JeanMaire, que à partir de um certo ponto de sua vida, não conseguia mais fazer muito e todos faziam tudo AO REDOR dela (Mas Zizi entrou neste esquema aos 60 e tantos de idade, depois de ter dancado muito). Estes dois bailarinos chamavam-se Nestor Ragadale, um argentino que sumiu, e Ronaldo Resedá, que faleceu já há muitos anos (Ronaldo, na época ficou furioso com uma crítica que ignorou completamente o seu “número” que chamava-se “Samblues do Dinheiro” e no qual ele cantava, pela primeira vez – o coitado também estava com faringite na época da estréia – e só se referiu aos dois bailarinos que levantavam Marília como “Dois garbosos bailarinos”).

Bem, de volta à Marília… Um dia destes lembrei-me de uma coisa interessante: Marília Pêra trabalhou na produção do incrível espetáculo, vencedor de muitos "Tonys", de Bob Fosse; “Pippin” (Teatro Adolpho Bloch, 1974, direção Flávio Rangel, com quem eu trabalharia em 1978 no “O rei de Ramos” – vide minha postagem de 18.08.08) também com Marco Nanini assim como Carlos Kleber, Tete Medina, Ariclê Perez, Carlos Koppa entre outros e um “corpo de baile” que incluía Ronaldo Resedá, a linda Rosane Maia, Cecília Badasi (Barbosa da Silva), Cecília Salazar (Muitos que trabalhariam no « Rei ») entre outros.
A verdade é uma : Maríília abandonou a produção poucos tempo depois da estréia – Na época alegou-se que ela não considerava o espetáculo bom… (ou que tinha se acidentado?). Eu particularmente acho que ela estava completamente "perdida" neste producao e que na verdade não deu conta da coreografia de Bob Fosse (trazida para o Rio pelo bailarino e dance-captain Gene Foote), afinal de contas… Não é nada fácil seguir nas pegadas de um papel que foi estrelado na Broadway por Ben Vereen… Realmente não é o “calibre” de Marília Pêra, que como bailarina deveria estar mais à vontade como “corista” de My Fair Lady (Postagem de 17.12.2008). Uma parte linda de Pippin é o "Manson-Trio". Lembro-me de Marília nada à vontade tentando... embarassing!

Um ano depois eu estava no Teatro Casa Grande assistindo um Show seu chamado “Feiticeira” (Muito bonzinho por sinal) quando umas três “tiétes” jogaram uma entrada de “Pippin” no chão do palco… acho que provávelmente para irritar Marília (“tiéte”… ainda usa-se esta expressão? Bem, uma delas virou atriz… veja a postagem à qual me referi acima… ela trabalhou no “Rei” e suas iniciais são MT… Quem solucionará esta charada?). Marília apanhou a entrada, olhou e disse “Cruzes, Pippin…” e fez uma cara de nojo enquanto jogou a entrada para fora no palco, em cima das “tiétes"… Aqui a capa da Manchete da época – mais uma das lembranças da maravilhosa caixinha de recortes que encontrei, que voltam para nos divertir (ou para assombrar Marília, que, nao me compreendam mal, considero uma atriz adequada - apesar de muito repetitiva -, que porém nunca deveria ter tentado um musical).
Marília foi substituída em "Pippin" da noite para o dia por Suely Franco que arrasou como a “Conferencier” num estilo bem “Fosseesco”. E por favor nao esqueçamos do jovem Nanini que foi um excelente Pippin!!!!!
10 comentários:
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O ego dos artistas por vezes, acaba atrapalhando mesmo!
Gostava de Marília Pera como atriz, hoje, acho que ela perdeu o fio da meada...
Não conhecia essa história...Obrigada!
Vou sempre levando embaixo do braço, mais uma novidade...
Beijos no coração!
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Querido Ricardo,obrigada pelo mail,porem!estou em desacordo com voce,Marilha fez a Escola de Dança,foi escolida entre as mais adiantadas,para entrar no ballet Etudes de H,Lander em 1960 no c.de baile,como tamben ela fazia
minha aula de tarde com bastante frequencia junto com a irmao,esta sim sem grandes conhiecimentos.E bem
poswsivel que ela depois de ser conhecida fosse uma chata,dificil artista,mas dançar classico,ela sabia....
Sempre é interessante de ter opinioes de outros,sem todos vissem e pensase igual,o mundo seria sem graça ......
Um abraço
Atenciosamente,
Tatiana Leskova
QUERIDO RICARDO,QUANTO A ESTA ÉPOCA QUE VC SE REFERE NADA POSSO DIZER,POIS NÃO ASSISTÍ ESTES ESPETÁCULOS.MUITOS ARTISTAS SÃO PESSOAS DIFÍCEIS DE SE LIDAR E ISTO NÃO É INCOMUM...POREM,DEPOIS DESTA DATA CITADA ASSISTÍ A "VIDA ESCRACHADA "DE JOHNNY STOMPANATO,NA QUAL ELA CONTRACENOU COM NANINI,"APARECEU A MARGARIDA",TEXTO DE AUTOR BRASILEIRO NO QUAL ELA INTERPRETAVA UMA PROFESSORA SOLTEIRONA E SOLITÁRIA,"DOCE DELEITE",NOVAMENTE COM NANINI E A
MAGISTRAL "MASTER CLASS"NA QUAL ELA ESTAVA DIVINA.ALÉM DE "O MISTÉRIO DE IRMA VAPP"QUE FOI DIRIGIDA POR ELA E MARAVILHOSAMENTEI NTERPRETADA POR NANINI E LATORRACA,COM SUCESSO DE 2
ANOS EM CARTAZ.ACRESCENTO AINDA SUA BRILHANTE INTERPRETAÇÃO COMO
DALVA DE OLIVEIRA EM "ESTRÊLA D'ALVA.QTO A PERFORMANCE COMO BAILARINA A OPINIÃO ACIMA DE TATIANA LESKOVA ME ESCLARECEU.
ALGUMAS PESSOAS QUERIDAS CITADAS
POR VOC~E INFELIZMENTE JÁ SE FORAM COMO MINHA AMIGA ROSANE MAIA...NESTOR RAGADALE CASOU-SE E FOI MORAR NO NORTE E NUNCA MAIS SOUBEMOS DELE.
UM GRANDE BEIJO
CRISTINA MARTINELLI
Einbildung ist auch 'ne bildung!Marilia cansou. Bom mesmo, era na época do Cafona que eu seguia tao fielmente. Anregung: whatever happened to Djenani Machado????
Eu soube que Djenane superou seu problema com as drogas... e que toda sua família morreu... o pai, a mae e o zeca que trabalhou com a gente no Rei de Ramos...
Querido Ricardo,
imagino que estes episódios tenham sido fruto de imaturidade, acho que atualmente Marília não mais seria o terror dos bailarimos. Ela me parece uma pessoa equilibrada e generosa. Mas reconheço que certos artistas são verdadeiros demônios quando colocam suas fraquesas e seguranças em jogo, digo em cena.
Bjs
Que o Canecao apresente um show, tudo bem mas "Minister"... Nossa, como os tempos mudaram, né?
Desculpe-me pelo fraquesas com "s" foi mesmo uma fraqueza!!!
Ora Márcia... e eu lá posso criticar alguém depois de viver, trabalhar, respirar, escrever alemao há 28 anos??????????
Eu gosto de Marília. Simpatizo com ela, ciente de sua fama de difícil, etc. Na verdade eu a vi mais em novelas, mas mesmo nelas eu não me canso de admirar a capacidade dos nossos artistas num veículo tão complicado como a tevê. Há momentos divinos nas novelas, momentos de arte, de verdade, quando eles nem tem a energia do público para sustentá-los, mas apenas a (fria) câmera em close. Marília fez recentemente uma novela chamada Duas Caras em que atuou muito bem, contida, num personagem aparentemente pueril mas ao qual ela soube dar dimensão. No teatro, Estrela Dalva, onde ela me pareceu muito bem. É limitada como show-woman, mas sabe dar o seu recado porque a atriz compensa muita coisa. Não sabia dos detalhes esclarecidos por D. Tânia, mas contam a favor dela. Uma vez ela fez uma declaração, numa entrevista, sobre amor e desejo, que eu guardei comigo. Ela falava que gosta mesmo é de família, de casa cheia, de acordar em casa, tomar café em casa etc. O que a excita é a simplicidade, não as coisas mirabolantes. E contou que num avião, uma vez, havia uma criança chorando sem parar e a mãe, impaciente ou inexperiente, não sabia lidar com aquilo. Ela então levantou-se, ofereceu-se para ninar o pequeno e, em pouco tempo, ele dormia. Não a conheço, não posso afirmar, mas quando ouvi essas coisas eu pensei que não devia ser ruim. Isso me marcou. Como atriz, gosto muito. Ela ainda me comove de verdade.
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