sábado, 29 de dezembro de 2012
O Galope do Champagne: Feliz Ano Novo!
Para todos os amigos das "Tertúlias" meus melhores desejos para um 2013 cheio de alegrias, paz, amor, harmonia e saúde!
O ano chega ao final com esta "tertúlia" da nossa "Konzerthaus" com o maravilhoso Galope do Champagne de Strauss tocado pela Filarmonica de Viena... uma forma animada, bem-humorada e cheia de energia para começar o próximo Ano!
...e como não poderia deixar de ser, aqui o final do Concerto de 2010, regido pelo magnífico Georges Prêtre (aqui aos seus 85 anos!): a Marcha Radetzky... acreditam que esta é a maior razão porque as pessoas pagam fortunas por seus ingressos no dia primeiro de janeiro? Não é pela Valsa do Danúbio Azul (outro "Must" de todos os anos)! Mas não é sempre que o "público" pode colaborar, não é?
Feliz Ano-Novo, queridos!
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
FELIZ NATAL: The Sound of Christmas.
O Natal de 1987 nos trouxe um lindo Show na Televisão: Julie Andrews, Placido Domingo e John Denver nos encantaram em „The Sound of Christmas“, show americano filmado inteiramente na Austria na frente do cenário natural de Salzburg com suas montanhas e arredores…
Quero colocar aqui para voces sómente o “Medley” do final; medley este que nos tira espiritualmente por alguns minutos do Stress, do Panico “pré-Natalino”… Coisas que estão muito longe do real Espírito do Natal.
Há poucos dias escrevi o seguinte no Facebook:
"As ruas frias estão cheias e em vez de paz, harmonia e Espírito de Natal estarem presentes, mais uma vez o "panico e o stress de Natal" atacaram a Plebe ignara (como diria Stanislaw Pontepreta)... Todos nervosos, agressivos, desesperados, afobados e querendo comprar o que não querem e o que (às vezes) nem podem...
MEU Natal em casa corre tranquilo... adoramos passar o dia cozinhando, ouvindo músicas, conversando, bebericando um vinho... juntos simplesmente!
…e se nos damos presentes, estes foram comprados durante o ano, quando também pensamos uns nos outros. A gente não pode deixar isso só para o dia 24.12., não é? Natal é como Aniversário: a gente não deseja felicidade, amor e saúde para os que queremos bem só num dia do ano, estão de acordo?
ABAIXO O PANICO E STRESS DO NATAL!
Peace on Earth!"
Aqui o “Medley Natalino” de "Sound" cantado com divina seriedade na Igreja do “Mondsee” (Lago da Lua) – a mesma igreja na qual Julie havia casado-se 23 anos antes em “The Sound of Music” (“A Noviça rebelde”) com o Baron von Trapp – para um público local que foi convidado como “figuração” (Gosto das Senhoras dos arredores de Salzburg com seus trajes típicos e chapéus altos, concentradas, principalmente na voz de Domingo - minha avó, Klara, tinha um chapéu parecido... apesar de ser de outro estado: Ober-Österreich, lugar no qual sempre me sinto "em casa").
Linda apresentação que me emociona de forma simples, aquece minha alma e sempre enriquece algum dia anterior ao Natal na nossa casa! God bless!
Bem, neste sentido, quero desejar a todos um lindo Natal, cheio de Luz, Harmonia, Amor, Aconchego, Pureza e Sorrisos. Que Tudo isto se prolongue durante todo o Ano para voces e para os Seus! Estes são meus votos para um Feliz Natal 2012!
Sinceramente
Ricardo Leitner
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Wiener Staatsballet: 2012,Nov 30th: MEISTERWERKE DES 20. JAHRHUNDERTS
Before you start reading the text bellow, please notice that I have nearly no pictures of THIS particular performance. That is the reason why I have used other dancers’ in order to illustrate this performance.
One November 30th I had the privilege (and luck) to receive 2 tickets for the Opera from my friend Vladimir Shishov. After a hard week full of problems and hard work, I was really looking forward to a relaxing evening… I had much more than that!
The seats were marvelous, exactly in the fourth row, even though quite unusual for me: I normally choose seats on the first balcony for the Ballet… I like to be a bit “above” the stage. Unfortunately it is not always a pleasure to sit there and be aware of the formations which are usually intended by the choreographer… last March at “Glass pieces” the company hadn’t been properly rehearsed for the 3rd piece (a part of “Echnaton” from Glass) and I nearly regretted to be seated in my favourite box of the Opera…
Anyways, this time I had a completely different experience: not only has the company been “growing and growing” in artistic terms, repertoire and internationality, it has been working a lot… and rehearsing a lot… and DANCING a lot! Monsieur Legris…
The first part of the evening – and main reason of this review - “Suite en Blanc”(Serge Lifar) is one of my all-time favourites. I hadn’t seen this ballet in years until it premiered again in Vienna last February. I was at that time very much impressed with Shane Wuerthner’s performance (bellow with Liudmila Konovalova and Alexis Forabosco). Unforgettable.
When the curtain opened, guess whom I saw first. My dear frined Flavia Soares, her delicate fairy-like figure and inimitable smile. What a pleasure!
Copyright: Wiener Staatsoper
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Once more Vladimir Shishov (above) showed us why he is in the Premieur Danseur rank. His stage presence, his “Persona” shines… When he enters on stage, the whole Opera House seems to belong to him. He demands our full concentration… and everything seems to be done at such ease, with incredible naturality and poise:
Premier Danseur. It could not be any othe way.
He and Olga Esina (below) were marvelous at the “Adage”.
Mais uma vez Vladimir Shoshov (acima) nos mostrou o porque do seu Status de Premieur Danseur. Sua presença no palco, sua “persona” brilha… Quando ele entra no palco, toda a Ópera parece lhe pertencer. Ele atrai toda a nossa concentração… e tudo parece ser feito com facilidade, com incrível naturalidade e porte: Premier Danseur. Não poderia ser de outra forma.
Ele e Olga Esina (abaixo) estiveram maravilhosos no “Adage”. "Poise" is the key-word.
Copyright: Wiener Staatsoper
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I was also very impressed with Denys Cherevychko’s (below) strong performance in “La Mazurka” (Denys was a short time ago at the Paris Opera as Basil in “Don Quixote” ).
Always a pleasure to look at, Davide Dato (“Pas de Cinq”), “growing” more and more and everyday as an artist. Every time I see him on stage, he surprises me agin.
Exact, technically stronger every day and a beautiful, dynamic personality on stage.
Enchanting Prisca Zeisel (below), one of the few Austrians in the company, impressed the public with her musicality and lines in “Thème varié”).
Precious Precociousness!
Copyright: Wiener Staatsoper.
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The revelation of the evening for me was Alexis Forabosco (below).
Although I had seen him already many times on stage, this time I sort of “concentrated” more on his performance, he caught my full attention. His French background and technique give him a full understanding of “Suite” – combine these qualities and add presence, musicality and beautiful lines, mix them on a stage while slowly adding the music of Edouard Lalo and you’ll have what just delighted me and the audience on the last November 30th in “Thème varié”.
A beautiful performance by a very gifted and very sensual dancer. Bravo, Monsieur Forabosco.
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After the first intermission another “jewel” by the Swedish choreographer Nils Christe. Inventive work to a very difficult music from Bohuslav Martinu – really VERY difficult.
Two of the dancers which had just only been on stage in “Suite” were again on stage. Much energy required after the technically demanding “

Copyright: Wiener Staatsoper
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Above Eno Peçi & Ketevan Papaya as well as Misha Sosnovischi in “Nightfall”.
Unfortunately the evening came to an end with “L’Arlésienne” (below) which I consider a boring ballet, a big bore really – as many others from Roland Petit.
This choreography does not appeal to me at all. And the evening should have started and not finished with it.
But this review is coming to an end and I would like to dedicate to the Prima-Ballerina Cristina Martinelli, who danced (the full version of “Suite en Blanc” for the firsttime in Brazil) at the "Adage". Unfortunately the only time it was ever shown in Brazil, at Rio de Janeiro’s “Theatro Municipal”, her artistic home for many, many years... During which she reigned as Brazil's "Majesty"!
Cristina Martinelli's private collection.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
REMEMBERING: Look for the silver Lining - acordes de esperança?
Existe em Alemão uma expressão que é “Not macht erfinderisch” (A emergencia provoca a criatividade). Gosto disso… desde os “Old-Timers” que ainda são conduzidos pelas ruas de Cuba ao “jeitinho” brasileiro que é de uma criatividade impressionante… Mas não usamos dizer em portugues “emergencia criativa”?
Adoro uma canção de Jerome Kern que sobrevive a difícil prova que o tempo sempre coloca em qualquer obra de arte: “Look for the silver lining”. Ela foi composta em 1919 para um musical que foi um fracasso, chamado “Zip, Goes a Million”.
Só publicada no ano seguinte ela foi reusada num musical de Ziegfeld feito especialmente para Marilyn Miller, “Sally”, que a transformou num popular sucesso!
Talvez por falar de sonhos, fantasias… ou esperanças... talvez... Tento explicar: "silver lining" (na realidade o "forro" prateado) é uma expressão idiomática que significa tanto quanto "um sinal de esperança numa situação difícil, ameaçadora".
Como por exemplo em Every Cloud has a silver lining... Uma versão mais antiga de "Always look on the bright side of life!"
Usada em vários filmes ela deu o nome para um veículo de June Harver na 20th Century Fox em 1949; uma biografia da própria Marilyn Miller, estrela de grande magnitude de Florenz Ziegfeld: „Look for the silver Lining“.
Chat Baker transformou-a num número de Jazz em 1954 e, notávelmente, esta melodia é usada até hoje, como no caso da famosa série da atualidade “Downton Abbey” na qual foi cantada pelos personagens Lady Mary e Matthew Crawley. Infelizmente e por azar a cena se passou no Natal de 1918, ou seja, um ano antes de ter sido composta por Kern…
Talvez sua interpretação mais conhecida seja de Judy Garland, no palco, em “Till the clouds roll by”, biografia bem “livre e criativa” de Kern.
Neste filme ela também aparece como Marilyn Miller e canta não só “Silver Lining” como também a eterna “Who?”.
Judy insistiu na época que seus numeros fossem dirigidos por seu então marido, Vincente Minnelli. A producão se atrazou um pouco e quando chegou finalmente a hora de se filmar “Silver Lining” a barriguinha de uma grávida Judy já estava mais protuberante do que poderia ser aceito pela MGM (Liza estava a caminho!).
Genialmente Minnelli mudou todo o conceito do número e o baseou 100% na atuação de Marilyn Miller dos anos 20. Estando atrás de uma pia cheia de pratos empilhados Judy não estaria totalmente exposta às cameras….
“A emergencia provoca a criatividade”.
Judy está um “mimo” neste número. Abusando do direito de ser talentosa, sonhadora, emocionada, afinada e fazendo muito amor com a camera que tanto bem lhe queria…
Por "coincidencia" a direção musical deste número, o arranjo em si, foi composto pela fabulosa Kay Thompson - atriz, cantora, bailarina, compositora, arranjadora, vocalizadora, professora - talvez por muitos lembrada só por sua participação em "Funny face" (1957) ao lado de Fred Astaire e Audrey Hepburn e no qual ela recebeu uma distinção única no Cinema: Ela roubou descaradamente uma cena na qual contracenava com Astaire.
Sempre penso em Kay quando ouço a expressão "She's bigger than Life". She was. Quer personalidade!
Amissíssima de Minnelli, tornou-se amiga íntima de Judy, virou madrinha de Liza que levou-a para morar com ela na velhice e que lhe dedicou um show, há poucos anos, no qual "cantarola" emotivamente "Silver Lining"... sim, este "cantarolar" era marca registrada da magnífica Thompson e Judy aqui cantarola triunfantemente! Reparem...
Além disto tudo e de uma longa carreira, Kay ainda criou um dos personagens um dos personagens mais simpáticos da história: Eloise! Mas como eu sempre digo: isto já uma outra estória que ficará reservada para uma futura Tertúlia!
Levantemos a cortina para Judy, sua voz, sua emoção, seu talento!
As I wash my dishes, I'll be following a plan,
Till I see the brightness in ev'ry pot and pan.
I am sure this point of view will ease the daily grind,
So I'll keep repeating in my mind.
Look for the silver lining
When e'er a cloud appears in the blue.
Remember some where the sun is shining,
And so the right thing to do,
Is make it shine for you.
A heart, full of joy and gladness,
Will always banish sadness and strife.
So always look for the silver lining,
And try to find the sunny side of life.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
La Bayadère: A morte de Nikiya (e o amargo sabor da injustiça deliberada)
Triste, amargo sabor…
Uma cena em “La Bayadère” sempre me causa um desconforto imenso… analisando objetivamente o que sinto chego a conclusão que é esta vulneribilidade, indefensibilidade, destrutibilidade absurda que tanto me magoa. E esta terrível incapacidade de poder reagir, de poder se defender…
O que sinto quando penso em injustiça é um dos sentimentos que me causam mais dor, quase desespero pois fico realmente sem ar ao presenciá-la, vive-la… Esta reação é talvez equiparável para mim só ao que sinto em relação à inveja ou à deliberada crueldade… Me faltam as palavras para poder expressar o que realmente se passa dentro de mim ao presenciar, saber, tomar conhecimento de injustiças. Sei porém que o que se passa na minha alma é comparável a um furacão…
Um destes dias, quando soube do afastamento do meu querido amigo (e ídolo) Fernando Bicudo da OSB tive práticamente o mesmo quadro de reações físicas…
Desconforto, falta de ar, nervosismo…
Grande injustiça com um grande Homem e Artista que considero um dos poucos no Brasil, não só com a capacidade intelectual, mas também com o imenso talento necessário, condição Sine Qua Non, para um cargo que tão brilhantemente transformou num “trabalho de vida”, trabalho de constantes mudanças, desafios, movimento.
Trabalho que trouxe maravilhosos frutos à nossa Cidade, à nossa cena cultural.
Dedicação pura e pura dedicação à Arte.
Grande, brilhante Fernando, minha admiração e meu carinho.
Sempre, querido amigo.
São estas e outras injustiças que nos deixam boquiabertos, pois como as pessoas normais que somos, não temos a capacidade de compreender atitudes de certos seres que «se dizem» humanos… Da mesma forma como não podemos compreender a inveja de um Salieri ou tantas crueldades deliberadas que são feitas neste mundo. Talvez por isso o «horror» que tenho à esta vulnerabilidade… pois sei que eu, e muitos outros que amo e prezo, poderíamos também ser fáceis vítimas… como já fomos...
Injustiças sociais. Injustiças cívicas. Injustiças feitas inconscientemente mas causadoras de muito dano.. tão daninhas quanto as injustiças deliberadas…
Abaixo uma cena de "La Bayadère":
a cena que tanto me impressiona – ah, se eu não soubesse que o final é feliz e os dois se encontram de novo em Nirvana…
Nikiya recebe na festa de noivado de Solor, o homem que ama, com Gamzatti, uma cesta de flores. Pensando que esta é um presente de Solor ela coloca-se mais “animada”, mais “viva” (ela acabara de dançar muito sombriamente, muito triste… ) para então ser mordida por uma serpente que se encontrava entre as flores (colocada ali propositalmente por Gamzatti e seu pai, o Rajah com a intenção de matá-la). Até o último tempo pensa-se numa possível salvação, pois o sacerdote lhe oferece um antídoto, que ela finalmente nega: ao ver Solor com Gamzatti, ela prefere morrer e não mais ser testemunha do que viu…
Que momento repleto de injustiça (e deliberada crueldade). A bailarina do templo, que só cometeu o erro de estar apaixoanada, a “bayadère” se vai… Uma boa alma se vai – momento na Arte comparável à (também injusta) morte de Liu em “Turandot”.
Suspendamos as cortinas da Ópera de Paris para Isabelle Guerin, bailarina expressiva, atriz, de grande personalidade, como Nikiya, Élizabeth Platel como Gamzatti e Laurent Hilaire como Solor nesta apresentacao de 1994! Bravo!
Para quem quizer saber um pouco mais sobre “La Bayadère” recomendo, de coração, uma postagem que fiz em 24 de fevereiro de 2011… « La Bayadère revisitada : O Reino das Sombras ».
Ou voces usam este Link
ou digitam na janelinha do lado direito chamada «Pesquisar este Blog» simplesmente a palavra «Bayadère». A postagem aparecerá na parte superior da página principal do Blog.
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domingo, 25 de novembro de 2012
Tertúlias: Quo Vadis?
Esta mensagem foi enviada hoje para a maioria dos "Tertuliadores" - uma pergunta que me faço no momento...
Queridos amigos,
nos últimos meses o número de visitas às "Tertúlias" aumentou loucamente... Noto nas estatísticas internas que a cada dia o número de visitantes aumenta.
Isto me deixa muito feliz.
Infelizmente há uma mudança drástica no que diz respeito aos comentários... a cada dia o número deles diminui.
Começo a me perguntar se o conceito que foi usado quando comecei este Blog ainda é "atual": "Tertuliar", discutir assuntos de arte, discordar, concordar...
Sinto que o nosso mundo anda cada vez mais rápido e vejo que as pessoas a cada dia tem menos tempo...
Por este motivo não estou aqui querendo "cobrar" nada, muito pelo contrário. Falo sinceramente.
Eu sinto que se torna também para mim mais difícil o fato de poder sentar-me com paz e concentração para poder fornecer alguns momentos de observação crítica para voces todos... Por isto estou me fazendo a seguinte pergunta: vale a pena continuar com este projeto?
Ele, ao longo do tempo transformou-se práticamente num "monólogo", super distante de sua idéia, do seu conceito inicial:
promover uma reunião entre amigos e apreciadores de arte - seja ela cinema, ballet, ópera, sapateado ou estórias em quadrinhos - para manter em movimento nosso lado crítico, apreciador, "tertuliador"...
Tudo isto neste "salão virtual".
Quiz fazer hoje este comunicado pois começo a ver no horizonte um final para este projeto.
Quero porém frisar que durante muito tempo, muitos anos na realidade, as Tertúlias foram para mim uma grande, maravilhosa diversao... causa de muita felicidade.
Algumas idéias para as próximas semanas ainda estão guardadas. Vamos ver o que ainda faço.
Espero que voces compreendam o porque desta minha reação.
Antes de tudo não desejo que ninguém sinta-se incomodado ou obrigado por mim a "ter que escrever", não é isso.
É simplesmente o fato desta avaliação do momento... deste ver que me afastei completamente de uma idéia inicial e da qual colhi muitos frutos.
Frutos que me trouxeram muitia felicidade nestes últimos anos.
But we have to move on...
Um lindo domingo deseja
Ricardo Leitner
Queridos amigos,
nos últimos meses o número de visitas às "Tertúlias" aumentou loucamente... Noto nas estatísticas internas que a cada dia o número de visitantes aumenta.
Isto me deixa muito feliz.
Infelizmente há uma mudança drástica no que diz respeito aos comentários... a cada dia o número deles diminui.
Começo a me perguntar se o conceito que foi usado quando comecei este Blog ainda é "atual": "Tertuliar", discutir assuntos de arte, discordar, concordar...
Sinto que o nosso mundo anda cada vez mais rápido e vejo que as pessoas a cada dia tem menos tempo...
Por este motivo não estou aqui querendo "cobrar" nada, muito pelo contrário. Falo sinceramente.
Eu sinto que se torna também para mim mais difícil o fato de poder sentar-me com paz e concentração para poder fornecer alguns momentos de observação crítica para voces todos... Por isto estou me fazendo a seguinte pergunta: vale a pena continuar com este projeto?
Ele, ao longo do tempo transformou-se práticamente num "monólogo", super distante de sua idéia, do seu conceito inicial:
promover uma reunião entre amigos e apreciadores de arte - seja ela cinema, ballet, ópera, sapateado ou estórias em quadrinhos - para manter em movimento nosso lado crítico, apreciador, "tertuliador"...
Tudo isto neste "salão virtual".
Quiz fazer hoje este comunicado pois começo a ver no horizonte um final para este projeto.
Quero porém frisar que durante muito tempo, muitos anos na realidade, as Tertúlias foram para mim uma grande, maravilhosa diversao... causa de muita felicidade.
Algumas idéias para as próximas semanas ainda estão guardadas. Vamos ver o que ainda faço.
Espero que voces compreendam o porque desta minha reação.
Antes de tudo não desejo que ninguém sinta-se incomodado ou obrigado por mim a "ter que escrever", não é isso.
É simplesmente o fato desta avaliação do momento... deste ver que me afastei completamente de uma idéia inicial e da qual colhi muitos frutos.
Frutos que me trouxeram muitia felicidade nestes últimos anos.
But we have to move on...
Um lindo domingo deseja
Ricardo Leitner
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Show Boat & Cabaret: Anna Kendrick & The Kit Kat Girls divinamente decadentes...
Quando Jerome Kern escreveu o eterno „Show Boat“, para mim a maior obra do teatro Musical Americano (que estreiou em 1927 na Broadway), jamais pensou que um dia sua divertida canção “Life upon the wicked stage” (“A vida sobre o palco perverso”) seria um dia apresentada assim…
Originalmente o personagem, Ellie, cantava este leve número para suas fãs, contando as os perigos e as “árduas” tarefas e obrigações de uma jovem na vida artística”… Nas duas primeiras versões cinematográficas de “Showboat” (1929 e 1936) ele foi retirado, na versão de 1951 (MGM) colocado numa outra parte da estória como número “estelar” para Marge & Gower Champion.
Alguns anos antes a MGM filmou “Till the clouds roll by” (1946), uma “bem criativa” biografia de Kern, que começava com o “Opening” de Show-Boat” na Broadway: nesta cena a maravilhosa Virginia O’Brien – que jamais sorriu nas telas – cantou “Wicked Stage”…
Bem... um pouco longe do “feeling” original mas pelo menos a canção não foi esquecida…
Realmente recomendo ver este video com O'Brien para uma "comparação" no final da postagem.
Em 1998, houve um grande acontecimento na Broadway: The leading Ladies, show moderado por Julie Andrews, que apresentava várias das Leading Ladies que naquele ano se apresentavam na Broadway em diversos Shows.
Nesta versão de 1998 Anna Kendrick (na época com uns 12 ou 13 anos) canta o número numa versão “compartida” com as Kit Kat Girls (para quem não se lembra as Kit Kat Girls são as dançarinas de “Cabaret” que depois de dançar exercem uma outra profissão no "Kit Kat Club"), que na produção daquele ano na Broadway estavam mais decadentes do que nunca: sujas, com marcas roxas nos corpos; umas indicando pancadas, outras indicando práticas sexuais mais brutais, roupas rasgadas, arranhões, cabelos despenteados e sujos, axilas não depiladas… Deliciosos horrores. Ótimas bailarinas e atrizes!
No meio delas esta “menininha”, esta criaturinha meiga e pueril, que tem como linhas de entrada:”Mama thinks I’m living in a convent” (A primeira linha da canção de Sally Bowles (“Don’t tell Mama”) em “Cabaret”, que no filme seria substituída por “Bye Bye, mein lieber Herr”, motivo há pouco tempo de uma outra “Tertúlia”.
O resto do número, o único que reúne dois números de diferentes obras, deve ser assistido. Só assim é possível apreciá-lo:
idéia genial e endiabrada.
Inspirada.
P.S. os acordes iniciais e (práticamente) finais (normalmente usados enquanto as bailarinas andam ou movem suas cadeiras… assim como foram usados para Liza no filme, em “Bye Bye, mein lieber Herr”) são extremamente associados aos compositores de “Cabaret”: Kander & Ebb… Um dia destes revendo “Lola Montez” (de Max Ophüls) filme de 1955 (ou seja bem anterior à obra teatral “Cabaret” de 1966) fui confrontado com os mesmos acordes, enquanto Lola anda “pelo circo de sua vida” – mas esta “inspiração” para a dupla Kander & Ebb já uma outra estória…
Originalmente o personagem, Ellie, cantava este leve número para suas fãs, contando as os perigos e as “árduas” tarefas e obrigações de uma jovem na vida artística”… Nas duas primeiras versões cinematográficas de “Showboat” (1929 e 1936) ele foi retirado, na versão de 1951 (MGM) colocado numa outra parte da estória como número “estelar” para Marge & Gower Champion.
Alguns anos antes a MGM filmou “Till the clouds roll by” (1946), uma “bem criativa” biografia de Kern, que começava com o “Opening” de Show-Boat” na Broadway: nesta cena a maravilhosa Virginia O’Brien – que jamais sorriu nas telas – cantou “Wicked Stage”…
Bem... um pouco longe do “feeling” original mas pelo menos a canção não foi esquecida…
Realmente recomendo ver este video com O'Brien para uma "comparação" no final da postagem.
Em 1998, houve um grande acontecimento na Broadway: The leading Ladies, show moderado por Julie Andrews, que apresentava várias das Leading Ladies que naquele ano se apresentavam na Broadway em diversos Shows.
Nesta versão de 1998 Anna Kendrick (na época com uns 12 ou 13 anos) canta o número numa versão “compartida” com as Kit Kat Girls (para quem não se lembra as Kit Kat Girls são as dançarinas de “Cabaret” que depois de dançar exercem uma outra profissão no "Kit Kat Club"), que na produção daquele ano na Broadway estavam mais decadentes do que nunca: sujas, com marcas roxas nos corpos; umas indicando pancadas, outras indicando práticas sexuais mais brutais, roupas rasgadas, arranhões, cabelos despenteados e sujos, axilas não depiladas… Deliciosos horrores. Ótimas bailarinas e atrizes!
No meio delas esta “menininha”, esta criaturinha meiga e pueril, que tem como linhas de entrada:”Mama thinks I’m living in a convent” (A primeira linha da canção de Sally Bowles (“Don’t tell Mama”) em “Cabaret”, que no filme seria substituída por “Bye Bye, mein lieber Herr”, motivo há pouco tempo de uma outra “Tertúlia”.
O resto do número, o único que reúne dois números de diferentes obras, deve ser assistido. Só assim é possível apreciá-lo:
idéia genial e endiabrada.
Inspirada.
P.S. os acordes iniciais e (práticamente) finais (normalmente usados enquanto as bailarinas andam ou movem suas cadeiras… assim como foram usados para Liza no filme, em “Bye Bye, mein lieber Herr”) são extremamente associados aos compositores de “Cabaret”: Kander & Ebb… Um dia destes revendo “Lola Montez” (de Max Ophüls) filme de 1955 (ou seja bem anterior à obra teatral “Cabaret” de 1966) fui confrontado com os mesmos acordes, enquanto Lola anda “pelo circo de sua vida” – mas esta “inspiração” para a dupla Kander & Ebb já uma outra estória…
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Music Hall: Burlington Bertie from Bow...
Um dos meus números prediletos do “Music Hall” ingles, "Burlington Bertie from Bow" (1915) é uma paródia sobre uma outra canção, também de “Music Hall”, de 1900: “Burlington Bertie” (número sobre um jovem aristocrata que levava uma vida de prazeres no West End de Londers).
“Burlington Bertie from Bow” foi apresentada pela primeira vez em 1915 por uma cantora chamada Ella Shields, vestida em roupas masculinas! Ao contrário da canção original este Bertie, um vagabundo, morava no “Bow”, parte pobre do East End de Londres, o que contradiz totalmente todas suas ambições de requinte!
Esta canção tornou-se um clássico: foi cantado por Betty Grable no filme “Mother wore tights” (1947),
por Bertie Muppet no “Muppet Show”
e notávelmente na Royal Variety Performance de 1981 por Anita Harris. Ainda acho engraçado e peculiar como tudo parecia fazer sentido naquela noite...
I'm Burlington Bertie, I rise at ten thirty
and Buckingham Palace I view.
I stand in the yard while they're changing the guard
and the queen shouts across "Toodle loo"!
The Prince of Wales' brother along with some other
slaps me on the back and says "Come and see Mother"
A rainha… o Príncipe de Gales… seu irmão…
(existe o "rumor" que na linha 'The Prince of Wales brother along with some other' o "some other" se refere a Jack the Ripper. Mas isto é uma "lenda" do teatro)
Anita porém “trouxe a casa abaixo” quando cantou a linha “I’ve just had a Banana with Lady Diana”… Apesar de originalmente a “Diana” mencionada ter sido a Socialite Lady Diana Cooper (que morreu no “Titanic”), Príncipe Charles tinha-se casado naquele ano com Lady Diana Spencer que esta estava presente no público…
Minha versão predileta ainda é a de Julie Andrews no fracassado “Star!” de Robert Wise (1968) - como não poderia ser?
Julie, que já havia cantado “Bertie” num esquecido disco de 1962 chamado “Heartrending Ballads & Raucous Ditties”, parece esbaldar-se neste número…
Detalhe: Maravilhoso trabalho de corpo que Michael Kidd fez com ela neste filme... ela está precisa, soltinha...
It is simply SO English e ela está brilhante! Julie, Star!
Aqui um video que, sei, acharão interessantíssimo!
Observação: para quem conhece o filme “Easter Parade” é interessante saber que “Burlington Bertie from Bow” foi predecessora à canção “A couple of Swells” de Irving Berlin (interpretada no filme maravilhosamente por Judy Garland e Fred Astaire) que também trata de dois vagabundos com ambições de requinte…
Coincidencia? Ou foi Berlin inspirado por “Bow”? We’ll never know…
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