Ando numa fase na qual redescubro Vivien Leigh; atriz que muito admirei e pesquisei a partir dos anos 80 mas que, de certa forma, tinha caído no meu esquecimento.
Não penso na Vivien, que para muitos é um cliché cinematográfico com sua (por sinal maravilhosa) Scarlett O’Hara de “…e o Vento levou” (Gone with the Wind, 1939).
Nem no seu papel mais duro e cruel (por sua saúde mental ser muito identica à da personagem): Blanche Dubois de “Um Bonde chamado desejo” (A Streecar named Desire, 1950).
Estou ainda “anos luz” de distancia de lindos desempenhos como a linda e doce Myra na “A ponte de Waterloo” (Waterloo Bridge), a infiel e apaixonada Anna Karenina, a jovem, aprendiz Cleopatra (de "Cesar & Cleopatra" de Shaw) e a egoísta, ambiciosa Lady Hamilton em “That Hamilton Woman. Grandes desempenhos… sem dúvida…
Penso porém na Vivien dos palcos.
Especialmente na Vivien que tanto compreendia Shakespeare (como muitos contaram, por exemplo de sua esplendida Lady McBeth) e na Vivien que tinha dois “defeitos” que lutavam contra ela: uma voz fraca (que ela aprendeu a dominar, de certa forma e desenvolver) e, o pior dos erros para uma atriz séria da época: sua magnífica BELEZA… por vezes até assustadora em seu esplendor: por causa dela não era levada a sério…
Vejam este curto relato fotográfico de algumas de suas performances Shakespearianas ao longo dos anos… e falem-me de sua impressão…
(Titania em "Sonho de uma Noite de Verao"/Midsummer's Night Dream/1937)
(Ophelia am "Hamlet"/1937 com Laurence Olivier)
(Juliet em "Romeo and Juliet"/1940, mais uma vez com Laurence Olivier)
(Lady Anne em "Richard III"/1948)
(mais uma vez Lady Anne)
(como Lady McBeth na famosa cena de sonambulismo de "McBeth"/1955)
(Lady McBeth)
(Lady McBeth... como este seu desempenho me interessaria...)
(a ainda composta Lavinia de "Titus Andronicus"/1957)
(a já decomposta, miserável Lavinia em "Titus Andronicus" / 1957 - época na qual andava doentíssima... imaginem a pressão psicológica em fazer este papel... )
(Viola em "Twelfth Night"/1961)
O que mais dizer? Está tudo aí... escrito nesse rosto...
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
sábado, 9 de agosto de 2014
Catherine Sauvage: Nana's Lied (Brecht & Weill)
Dentre as composições da parceria de Bertolt Brecht & Kurt Weill, a minha "all time-favourite" ainda é “Nanas lied”, uma quase homenagem ao meretrício…
Traduções, diz-se, nunca são tão boas quanto os originais ou tão fiéis às idéias originais do autor... pode até ser verdade, pois neste caso a tradução ao frances é, no meu ponto de vista, infinitamente superior ao original em alemão…
Tudo isso fácil de explicar-se: simplesmente pelo fator idiomático muito mais emoção “transborda” de Nana e vem à tona nos tocar...
Por exemplo, o que no original ela, referindo-se à si mesma e à sua “luta” diária, nos conta
Wo sind die Tränen von gestern Abend ?
Wo ist der Schnee vom vergangenen Jahr ?W
(Onde estão as lágrimas de ontem à Noite?
Onde está a neve do ano passado ?)
é maravihosamente (e musicalmente, em termos de sons, principalmente vogais) traduzido em
Hier tu pleures, où sont tes larmes ?
Où est la neige qui tombait l'an dernier ?
O que mais dizer? (Procurem talvez o original em alemão... interessante comparar...
Parte de um eterno disco (que me acompanha já ha quase uma vida inteira!) da brilhante atriz/cantora Catherine Sauvage (1929-1998), «Nanas Lied» se destaca – ou pelo texto melódico ou por seus acordes cheios de emoção que transformam a real (e trágica) situação de sua intérprete num momento de poesia para o espectador/ouvinte…
Brilhante…
Au rayon des amours à vendre
On m'a mise à dix-sept ans
Je n'ai pas cessé d'apprendre
Le mâle était dieu
Et je jouais le jeu
Mais j'en ai gardé gros sur le cur
Et en fin d' compte, je suis un être humain
{Refrain:}
Dieu merci, tout passe ici bien vite
Passe l'amour et passent les regrets
{x2:}
Hier tu pleures, où sont tes larmes ?
Où est la neige qui tombait l'an dernier ?
On a moins de peine à se vendre
À mesure que passe le temps
Les clients se font moins attendre
Mais les sentiments ne sont plus très ardents
Quand on les gaspille à tous les vents
Et en fin d' compte, mes réserves s'épuisent
{au Refrain}
Au rayon des amours qu'on paie
On a beau comprendre vivement
Transformer l' désir en monnaie
C'est jamais marrant
On s'y fait pourtant
Mais un jour, la vieillesse vous surprend
Et en fin d' compte, on n'a pas toujours dix-sept ans
{au Refrain}
Traduções, diz-se, nunca são tão boas quanto os originais ou tão fiéis às idéias originais do autor... pode até ser verdade, pois neste caso a tradução ao frances é, no meu ponto de vista, infinitamente superior ao original em alemão…
Tudo isso fácil de explicar-se: simplesmente pelo fator idiomático muito mais emoção “transborda” de Nana e vem à tona nos tocar...
Por exemplo, o que no original ela, referindo-se à si mesma e à sua “luta” diária, nos conta
Wo sind die Tränen von gestern Abend ?
Wo ist der Schnee vom vergangenen Jahr ?W
(Onde estão as lágrimas de ontem à Noite?
Onde está a neve do ano passado ?)
é maravihosamente (e musicalmente, em termos de sons, principalmente vogais) traduzido em
Hier tu pleures, où sont tes larmes ?
Où est la neige qui tombait l'an dernier ?
O que mais dizer? (Procurem talvez o original em alemão... interessante comparar...
Parte de um eterno disco (que me acompanha já ha quase uma vida inteira!) da brilhante atriz/cantora Catherine Sauvage (1929-1998), «Nanas Lied» se destaca – ou pelo texto melódico ou por seus acordes cheios de emoção que transformam a real (e trágica) situação de sua intérprete num momento de poesia para o espectador/ouvinte…
Brilhante…
Au rayon des amours à vendre
On m'a mise à dix-sept ans
Je n'ai pas cessé d'apprendre
Le mâle était dieu
Et je jouais le jeu
Mais j'en ai gardé gros sur le cur
Et en fin d' compte, je suis un être humain
{Refrain:}
Dieu merci, tout passe ici bien vite
Passe l'amour et passent les regrets
{x2:}
Hier tu pleures, où sont tes larmes ?
Où est la neige qui tombait l'an dernier ?
On a moins de peine à se vendre
À mesure que passe le temps
Les clients se font moins attendre
Mais les sentiments ne sont plus très ardents
Quand on les gaspille à tous les vents
Et en fin d' compte, mes réserves s'épuisent
{au Refrain}
Au rayon des amours qu'on paie
On a beau comprendre vivement
Transformer l' désir en monnaie
C'est jamais marrant
On s'y fait pourtant
Mais un jour, la vieillesse vous surprend
Et en fin d' compte, on n'a pas toujours dix-sept ans
{au Refrain}
domingo, 3 de agosto de 2014
“O criado” (The Servant, 1963, Joseph Losey)
“O criado” (The Servant, 1963, Joseph Losey) representou para mim uma das experiencias mais inquietantes e angustiantes pelas quais passei nas últimas semanas…
Um filme cheio de desconforto psicológico para alguns dos personagens (outros usam e abusam do direito de criar este desconforto… ) mas principalmente para o espectador, que está “preso” fora da tela e por este motivo “de mãos atadas”, impotente.
À parte da trama principal me fascina a visão de Losey sobre a “reversão de papéis” - a mesma reversão pela qual Elizabeth Taylor e Mia Farrow passam em “Cerimonia Secreta” (Secret ceremony, 1968) e sobre os papéis da classe rica dominante e dos serventes - o mesmo “jogo” pelo qual passam Julie Christie e Alan Bates em “O mensageiro” (The go-between, 1970). Ambos de Losey.
Em “O criado”, porém, ele trata ao mesmo tmepo estes dois temas, que mais tarde enfocaria separadamente. Fascinante!
Tudo isso me fez compreender o porque de Losey ter dirigido em 1973 “A casa de Bonecas” de Ibsen (A Doll’s House), filme que foi considerado na época como material muito distante do seu habitual caleidoscópio… Nora, oprimida por seu marido, uma “boneca” dentro de uma “casinha de bonecas” (claustrofóbica) sempre sendo movida de lá para cá, e daqui para acolá pelos desejos de seu marido – a cena em que baila a “Tarantella” como se o marido tivesse ligado um botao para comandá-la, é mais do que sintomática – termina o filme (a peça) como a vencedora. Livre do subjugo do esposo. Mais uma vez uma completa reversão de papéis…
De volta a “O Criado”: o filme é desenvolvido sobre um roteiro absurdamente simples. À primeira vista. Hugo Barret torna-se empregado do rico Tony. Ambos parecem felizes nos seus respectivos papéis de “Empregador” e “Empregado”. A namorada de Tony, Susan, desgosta imediatamente de Hugo.
Como que por premonição.
A trama complica-se quando Hugo trás sua “Irmã” Vera para trabalhar também como empregada. Vera, que na realidade é a amante de Hugo, seduz Tony. Este se apaixona por ela. A partir deste momento Tony e Hugo (com a maquiavélica ajuda de Vera) vão , pouco a pouco, invertendo seus papéis… Ele torna-se a "boneca da casinha", subjugado pelos dois...
Mas tudo isso de uma maneira tão “suja”, “vulgar” que nada sobra ao expectador a não ser se sentir desconfortável, até envergonhado pela fraqueza de Tony e pela forma enganosa, falsa de Hugo (e de sua cúmplice Vera).
Tony torna-se uma sombra do que foi, incapaz até de articular-se…
Uma das cenas que nos revela o que “ainda está por vir” é a cena do jantar. Tony e Hugo sentados juntos à mesa. Hugo comendo da panela enquanto Tony elogia a comida. Hugo reclamando da comida. Papéis inversos. Tony tentando agradar Hugo, o empregado. Hugo declinando qualquer agrado de seu empregador.
Todo o filme é repleto de curtas cenas individuais que revelam propositalmente o que realmente está acontecendo… Até o uso do tema musical principal (maravilhosamente cantado pela magnífica, eterna, “jazzy” Cleo Laine) é revelador… e como um caleidoscópio, “muda” em cada vez que é tocado.
As atuações de Dirk Bogarde e James Fox, em seu primeiro papél nas telas, (como os principais masculinos) são impecáveis.
Os olhos e sorrisos cínicos de Bogarde “delatando” a verdadeira personalidade de Hugo. Wendy Craig e Sarah Miles (como as secundárias femininas) também perfeitas. Susan a moça fina, de família. Vera, uma sórdida “tramp” de baixo nível, repugnante moralmente, melhor descrita só por palavras de baixo calão.
É óbvio que a real dinamica do filme acontece dentro da relacão, do diálogo entre Hugo e Tony. Os críticos da época “pescaram” e citicaram o sugerido homossexualismo da relação deles. Mas, ainda mais importante do que as duas mulheres secundárias, a presença da “casa” é importantíssima!
A pressão quase claustrofóbica que ela exerce sobre os personagens (e sobre os espectadores) é extraordináriamente realçada pela fotografia/cinematografia em preto-e-branco de Douglas Slocombe. A casa, desta forma, transforma-se num microcosmo de desequilíbrio, inquietude, neurose, batalhas psicológicas e depravação. Um filme doente mas brilhantemente encenado/dirigido.
Quando o filme terminou permaneci sentado no meu sofá, no silencio barulhento de uma noite fria de chuva de verão vienense. Só para recolocar a cena final, as últimas imagens - Aquela sombra do que Tony foi é trágica… aquela sombra que Hugo planejou e executou com auxílio do álcool, tão íntimo “amigo” de Tony e ferramenta de extrema importancia no plano maquiavélico do "servente".
Obra-prima de Losey!
Mas repito: uma das experiencias mais inquietantes e angustiantes pelas quais passei nas últimas semanas…
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domingo, 27 de julho de 2014
Auntie Mame: Life is a banquet
“Um clássico perdido”, como hoje em dia este livro é mencionado…
Já há muito tempo penso em escrever sobre este tema… mas não conseguia me decidir COMO, já que ele se diversifica em tantos outros… “Auntie Mame”, o livro, o personagem, a peça de teatro, o filme, Rosalind Russell, Angela Lansbury, Bea Arthur, Lucille Ball e, acima de tudo, Patrick Dennis (Edward Everett Tanner III, 1921-1976, o maravilhoso, “flamboyant”, genial autor!).
Para ser muito sincero ainda não sei ao certo onde e como realmente começar…
Me ocorre porém que, ao redescobrir o livro “Auntie Mame” há alguns anos (Graças a Deus este título foi redescoberto e “tirado do fundo do baú” para ser mais uma vez publicado!) não só o “devorei” como também o presenteei a vários amigos.
Uma destas pessoas (uma alemã, daquelas "estacionadas” em 1968), que infelizmente tem aquele tipo de “postura” literária “cliché” que tenta se definir como “muito aproximada a um certo intelectualismo”, torceu o nariz e me deu a entender que não o tinha lido até o final… Uma pena – para ela - , pois perdeu uma das melhores oportunidades de ler “uma lição de vida” regada ao molho de bom-humor, positivismo, felicidade, diversão e “chic”. E isto por causa de seu preconceito. Exatamente uma das coisas que Mame Dennis mais detestava na vida…
Sim. Mas, porque este cliché que filosofia só pode ser pensada, respirada e articulada por caras lavadas como, por exemplo, Simone de Beauvoir? Ora… não machuca ninguém ser mais aberto para outras facetas da vida… E é esta a real filosofia de Mame Dennis: Life is a banquet and most poor sons-of-bitches are starving to death!!!!
Mame Dennis, “filha” da era da depressão, é um dos personagens mais deliciosos da literatura Americana – uma glamourosa, energética, incansável socialite (descrita por Patrick Dennis como “intoxicatingly perfumed”; ela considerava as 9:00 hs da manhã como “o meio da noite”), que luta batalhas não só pela felicidade mas também por justiça social e contra os preconceitos da chamada “classe média”… Uma delícia!
Patrick Dennis narra a estória e nos fala de imortais personagens como Vera Charles, Agnes Gooch, Ito, Mr. Babcock e Beauregard Jackson Pickett Burnside… Esta foi a razão do porque deste livro ter sido recusado por 19 editores… Não “se narrava” um livro… Depois de publicado em 1956 “Auntie Mame” esteve por dois anos na lista dos best-sellers do New York Times, junto com “Guestward, Ho!” e “The loving couple”, trasformando assim Dennis no primeiro autor a ter tres livros ao mesmo tempo nesta lista. Por sinal: a primeira edição de “Auntie Mame” vendeu mais de 2 milhões de exemplares transformando-o, da noite para o dia, num milionário!
Muitos sucessos vieram – inclusive “Little me” (uma deliciosa biografia sobre uma péssima atriz – de certa forma muito próxima à imagem de Zsa Zsa Gabor) que como “Mame” se transformaria num musical da Broadway. Mas, um dia Dennis saiu de moda, separou-se de sua família assumindo sua homossexualidade, perdeu toda sua mal-administrada fortuna, caiu na obscuridade e acabou sua vida trabalhando como mordomo, inclusive para a família Ray Kroc (fundador do McDonald’s). Dennis comentou uma vez sériamente: “I would rather serve these people than have to talk to them” (Prefiro servir estas pessoas do que ter que conversar com elas).
Dennis, que havia (mais uma vez) assumido um novo pseudonimo, Edwards, havia se desfeito de todos seus bens materiais, mantendo consigo sómente um original de “Vanity Fair” de Thackeray, um volume de “Etiquette” de Emily Post (!?!) e um dicionário para “Palavras-Cruzadas”. “Estou embarcando no que sera provávelmente a melhor carreira que já tive”, disse na época.
Hoje em dia Dennis, com esta “resurreição” dos últimos anos, é considerado como uma espécie de “Noël Coward Americano” (apesar de eu não gostar deste tipo de comparações).
O personagem Mame Dennis foi criado como um “espírito livre” que mostra ao seu sobrinho como viver a vida ao máximo… e neste processo ela inclúi lições nada ortodoxas (o próprio Dennis tirou um dia seus filhos da escola e levou-os para assistir o “Folies Bérgère” dizendo para sua professora: “Eles aprenderão mais comigo”). Por este e vários outros motivos é mais do que óbvio que, apesar de várias Senhoras da família de Dennis terem clamado ser “a inspiração para Mame Dennis”, a deliciosa tia não é ninguém menos ou mais do que o alter ego do próprio Patrick Dennis.
A (também) deliciosa Rosalind Russell deu vida à Mame no palco da Broadway em 1956 – e seguiu para Hollywood para mais uma vez entrar na alma da sua criação no filme que mais renda deu em 1958. Para mim Roz Russell é a eterna Mame, sua mais pura personificação.
Em 1966 o musical “Mame” foi criado para Angela Lansbury que teve que ceder seu lugar para Lucille Ball no homonimo filme de 1974. O início dos anos 70 não era realmente o solo mais fecundo para a personalidade de Mame Dennis, não depois de “Hair”e Woodstock – mesmo assim “Mame” foi um grande sucesso de bilheteria… apesar da crítica não ter sido nada gentil com “Lucy”.
Comparando porém as “Mames” de Russell e Ball (em celulóide) nota-se uma diferença crucial: Russell é “Comédia sotisficada” até debaixo das unhas do pé, Ball é mais “Pastelão”… Mesmo assim, cada filme tem suas virtudes e em ambos a mensagem principal existe: LIVE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Abaixo Roz no palco e num still publicitário do filme. Abusando do direito de ser charmosa...
Finalizo esta “Tertúlia” com duas exclamações feitas sobre Dennis. A primeira de Matteo Codignola da Editora italiana “Adelphi”: “Uma das razões do seu (“Auntie Mame”) sucesso é a sua clara mensagem – Não tem que se viver como ovelhas de um rebanho. Voce pode reinventar sua vida. Ela pode ser bizarra e livre, e um pouco mais aprazível“.
A segunda de seu filho Michael Tanner (1956): „Ele (Dennis) queria ser uma pessoa convencional… e ele simplesmente não era“.
Assim como Auntie Mame… Life is a Banquet!
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domingo, 20 de julho de 2014
domingo, 13 de julho de 2014
Piaf...La vie en rose...
Hoje acordei com saudades de minha amiga Suely e do meu amigo Ricardo, seu marido... acordei pensando muito neles...
E me peguei "viajando" e sonhando com a feirinha de antiguidades na Gávea... onde estivemos, no ano passado, num dia gostoso de inverno.
Sim, um daqueles dias no quais as cores parecem ter mais cor e se diferenciam fortemente umas das outras pois a luz está mais clara, mais "branca".
Lá ouvimos por acaso, numa barraquinha de discos, Piaf... e ficamos ali, paradinhos, caladinhos, observadores, curtindo o momento como que encantados pela voz de Edith nos contando da "La vie en rose" num dia de cores tao lindas e distintas, pelo qual passávamos... num momento regado por coisas extremamente valiosas: tempo e amizade...
Ah, como eu gosto da poesia destes momentos do cotidiano...
Inesquecível.
P.S. Depois eu quero saber se voces lá estiveram, hoje... existem coincidencias?
sexta-feira, 4 de julho de 2014
“De Amor também se Morre” (“The Constant Nymph”, 1943): será?
Quando a autora de “De Amor também se Morre”, Margaret Kennedy, deixou no seu testamento o desejo que o filme baseado no seu livro fosse apenas exibido em Universidades e Museus (quando sua carreira comercial terminasse), fomos, em consequencia, privados de assistir esta obra por quase 70 anos...
O filme só recebeu a autorização de ser apresentado em público em 2011, para um festival do “Turner Classic Movies”. Incrível...
Semana passada tive a chance de ver este filme pela primeira vez e, apesar de ter achado certas partes meio lentas e sem dinamica, fiquei encantado com o resultado final...
Mais uma vez volto a repetir: que fascinante descobrir “novas” coisas que me motivam à pesquisas, novas leituras, novos horizontes...
O “plot” é bastante simples:
A família Sanger vive longe das convenções da sociedade da época.
O patriaca, músico, morre, deixando suas filhas, acostumadas à uma vida no campo, na Suiça, aos cuidados dos tios em Londres.
Tessa (Fontaine), uma das filhas é secretamente apaixonada por um amigo da família, Lewis (Charles Boyer); que também é músico. Ele porém pensa estar apaixonado por uma prima das meninas, a lindíssima Florence (interpretada pela fascinante e "alluring" Alexis Smith).
Tessa e a irmã são enviadas para Englaterra, para estudar num internato mas sentindo-se presas e infelizes, fogem para a casa de Lewis (e Florence).
Ele, encontrando-se numa crise criativa, transforma Tessa na sua fonte de inspiração para a completa insatisfação de sua esposa, que na realidade não é capaz de compreendê-lo como Tessa.
Como o título sugere, Kennedy usou a mitologia grega como fonte: ao contrário dos deuses, ninfas são mortais e, geralmente, possuem espíritos felizes, considerados divinos.
Fontaine dá vida à essa “ninfa” (como faria alguns anos mais tarde com “Lisa” de “Carta de uma desconhecida) uma menina de 14 anos, que “morre” de amor...
Joan Fontaine, uma atriz que nunca foi realmente bela, é a perfeita incarnação para esta menina que, segundo as palavras do diretor Edmund Goulding, deveria ser „consumptive, flat-chested, anemic and fourteen!“ (tísica, sem peito, anemica e quatorze!”) dando-lhe uma magnífica dinamica corporal, como uma verdadeira criança – mesmo em cenas nas quais a pobre Tessa fica sem ar ou se sente mal por causa de sua condição cardíaca...
Quando Goulding, durante um jantar privado mencionou à Joan suas dificuldades em encontrar uma atriz adequada para fazer "Tessa" (e como a "via" - tísica, sem peito, anemica e com quatorze anos) ela disse: "Como eu" e ganhou o papel...
Fontaine (que na época já tinha 26 anos) transforma-se diante dos nossos olhos nessa menina de 14: ela é travessa, brincalhona, desorientada e patéticamente apaixonada por “aquele” homem mais velho interpretado por Boyer!
Não consigo imaginar as atrizes que foram cogitadas para este papel como Merle Oberon, Margaret Sullavan, Olivia deHavilland (irmã e “Nemesis” de Joan) e Joan Leslie nos “enganando” tão descaradamente como Joan o faz... Transfromando-se assim...
Detalhe: a "glamourosa" Joan do poster do filme não existe no filme...
Boyer, não se encontra muito à vontade, o que é compreensível. Seu papel, extremamente unidimensional, não lhe dá possibilidades...
Já Alexis Smith (linda) perde as suas por não saber usá-las apropriadamente... Seu ciúme nos dá a impressão de uma neurose pior, não sómente causada pela relação, que nunca é cristalizada, entre Tessa e Lewis (em resposta à uma tentativa de beijo, ela diz a Lewis: “Não, esta é a casa da minha prima e tenho que respeitá-la!”).
Mas Smith ainda estava em sua fase de “treino” na Warner (junto à ninguém menos do que Eleanor Parker) que esperava ter nela uma de suas futuras estrelas, estrelas de uma geração “pós” Bette Davis...
Smith foi bastante conhecida mas nunca teve, ao contrário de Parker, esta indescritível “qualidade estelar”.
Charles Coburn e Peter Lorre (assim como Dame May Whitty) estão "bem", adequados aos seus papéis mas não criam personagens novos... senti-me como revendo-os em vários papéis que já haviam criado antes...
Belos cenários e figurinos, as eternas “escadas da Warner” (sinonimo de seus filmes, principalmente dos de Bette Davis), uma bela trilha sonora de Korngold (que, porém, evoca muitos outros filmes da Warner)e uma ótima, sútil fotografia em preto-e-branco são fatores que muito enriquecem este esquecido trabalho...
Joan Fontaine foi nominada para um "Oscar" (haveia recebido um no ano anterior) mas perdeu para a magnífica Jennifer Jones em "The song of Bernadette".
Mas uma única pergunta perdura:
por que este título em portugues? Tessa não morre de amor e sim de sua condição cardíaca...
Se morre de amor?
domingo, 29 de junho de 2014
Nureyev Gala: June 28th 2014, Wiener Staatsoper
A Gala...
Usually an evening full of excitement, joy, expectations and even nervousness... and I was, sort of “travelling back" to the 80’s and to N.Y. and to the Met and to the ABT Galas… lovely, happy times in my life... filled with Baryshnikov, Makarova, Kirkland, La Fosse, Bissel, van Hamell...
Well, yesterday’s one was more than that… it was like a ceremony of happiness closing an extremely successful season for the Opera, for the Ballet, for the company, for Monsieur Legris!
Because of its mood of celebration I do not believe that Galas should be analysed, scrutinized, criticized…
well, at least I am not in the mood for that… I would just like to tell you about it from the point of view of one “average every day ballet goer” to another!
The whole “ceremony” took nearly 4 and a half hours and the audience had the chance; in fact, the honour to travel through many choreographic “worlds”, languages and eras; specially concerning style... very special, delicious!
The challenging programme, exquisitely chosen by Manuel Legris, was an unique, intelligent choice and combination of pieces which meant absolute delight and joy to the audiences (just beside me, two brazilian ladies, which in fact had no idea at all nor of ballet and neither of what the evening was going to bring us , were simply delighted, ecstatic of what they were witnessing… ). The precise conception of the evening reminded me somehow a good vitamin pill: yes, all the right ingredients, in the right measure! Perfect!
I would just like herewith to write down the programme and mention the brilliant dancers that gave wonderful performances (and many of them very intelligent "readings" of certain roles):
- Raymonda (Nureyev after Petipa)/ Valse fantastique: Liudmilla Konovalova, Robert Gabdullin, Alice Firenze & Nina Tonoli. Brilliant!
- Flower Feast in Genzano (Bournville): Ioanna Avraam & Dumitru Taran - simplicity combined with precise technique.
- Le Souffle de l’esprit (Jiri Bubenicek): Eno Peci & Masayu Kimoto. I wonder how Greig Matthews would have performed the third role…
- Swan Lake (Petipa)/ Black Swan pas de deux: with lovely Anna Tsygankova and Matthew Golding, guests at the Staasoper and with whom I had the chance to have a lovely talk during the Premiere party… Such normal, down-to-earth persons...
- Other Dances (Robbins): Kyoka Hashimoto & Deny Cherevychko, both simply filled with "Star-Quality"!
- Le Spectre de la Rose (Nureyev after Fokin): Ezster Ledán & Mihail Sosnosvschi - style...
- Labyrinth of Solitude (de Bana) : a « premiere » for the Staatsoper with Kirill Kourlaev, who simply « stole the show » from everyone and was the STAR of the evening…
- La Dame aux Camelias (Neumeier): with marvelous Isabelle Ciaravola & Friedemann Vogel ( Opera de Paris & Stuttgarter Ballet) as the second guest “couple”. Simply perfectly emotional!
- Paquita (Petipa): Anna Tsygankova and Matthew Golding as well as Natascha Mair, Nina Tonoli, Alice Firenze, Ioanna Avraam and Rui Tamai (who is going back to Japan after this season): a pure joy and celebration!
- Cinderella (Nureyev): Ketevan Papava. I wonder how Vladimir Shishov would have perfomed the role of the prince.
- Swan Lake (Nureyev): La Polonaise… his very own dreams becoming reality on stage. Amazing. Powerful! Wonderful!
- 5 Tangos (Hans van Manen): Denys Chrevychko (bringing down the house…)
- Die Fledermaus (Roland Petit): Ketevean Papava and Manuel Legris… Yes, simply an historical moment… Incredible! I am definitely proud to have witnessed this incredible moment...
And finishing the evening, a questionable but extremely appropriate choice… one can just understand that after "feeling" the whole conception of the programme.... yes, for sure...
- La Bayadère (Nureyev after Petipa): Anna Tsygankova, Liudmilla Konovalova (in the ungrateful and even sometimes unflattering role of Hamsatti), Vladimir Shishov & Marat Davletshin. Delightful!
After the performance and during the party given on stage Natascha Mair and Nina Tonoli were appointed “demi-soloists” and lovely, gifted Ioanna Avraam was made into a “soloist” – a position that she has been occupying for quite a time already. Well deserved.
After the “stage party” there was this “get together” at the Operngasse and friends made me go along with them.
Destiny played a funny trick on me and instead of sitting together with friends to whom I wanted to chat, I spent the most of the evening in a small “circle” of friends of Monsieur Legris (including one of my "idols", Isabelle Guérin/ Opera de Paris, whom I did not recognize; my fault, I fear!), getting to know him a bit better and enjoying a lot his wit, charm and intelligence.
So glad about this 2013/14 Season… looking forward to the next ones!
Well, what else can I say? (and I have said it many times): Merci, Monsieur Legris! (for the last seasons, for this fantastic one and for the upcoming ones!)
All pictures (except curtain call ones) © Wiener Staatsoper programme.
Usually an evening full of excitement, joy, expectations and even nervousness... and I was, sort of “travelling back" to the 80’s and to N.Y. and to the Met and to the ABT Galas… lovely, happy times in my life... filled with Baryshnikov, Makarova, Kirkland, La Fosse, Bissel, van Hamell...
Well, yesterday’s one was more than that… it was like a ceremony of happiness closing an extremely successful season for the Opera, for the Ballet, for the company, for Monsieur Legris!
Because of its mood of celebration I do not believe that Galas should be analysed, scrutinized, criticized…
well, at least I am not in the mood for that… I would just like to tell you about it from the point of view of one “average every day ballet goer” to another!
The whole “ceremony” took nearly 4 and a half hours and the audience had the chance; in fact, the honour to travel through many choreographic “worlds”, languages and eras; specially concerning style... very special, delicious!
The challenging programme, exquisitely chosen by Manuel Legris, was an unique, intelligent choice and combination of pieces which meant absolute delight and joy to the audiences (just beside me, two brazilian ladies, which in fact had no idea at all nor of ballet and neither of what the evening was going to bring us , were simply delighted, ecstatic of what they were witnessing… ). The precise conception of the evening reminded me somehow a good vitamin pill: yes, all the right ingredients, in the right measure! Perfect!
I would just like herewith to write down the programme and mention the brilliant dancers that gave wonderful performances (and many of them very intelligent "readings" of certain roles):
- Raymonda (Nureyev after Petipa)/ Valse fantastique: Liudmilla Konovalova, Robert Gabdullin, Alice Firenze & Nina Tonoli. Brilliant!
- Flower Feast in Genzano (Bournville): Ioanna Avraam & Dumitru Taran - simplicity combined with precise technique.
- Le Souffle de l’esprit (Jiri Bubenicek): Eno Peci & Masayu Kimoto. I wonder how Greig Matthews would have performed the third role…
- Swan Lake (Petipa)/ Black Swan pas de deux: with lovely Anna Tsygankova and Matthew Golding, guests at the Staasoper and with whom I had the chance to have a lovely talk during the Premiere party… Such normal, down-to-earth persons...
- Other Dances (Robbins): Kyoka Hashimoto & Deny Cherevychko, both simply filled with "Star-Quality"!
- Le Spectre de la Rose (Nureyev after Fokin): Ezster Ledán & Mihail Sosnosvschi - style...
- Labyrinth of Solitude (de Bana) : a « premiere » for the Staatsoper with Kirill Kourlaev, who simply « stole the show » from everyone and was the STAR of the evening…
- La Dame aux Camelias (Neumeier): with marvelous Isabelle Ciaravola & Friedemann Vogel ( Opera de Paris & Stuttgarter Ballet) as the second guest “couple”. Simply perfectly emotional!
- Paquita (Petipa): Anna Tsygankova and Matthew Golding as well as Natascha Mair, Nina Tonoli, Alice Firenze, Ioanna Avraam and Rui Tamai (who is going back to Japan after this season): a pure joy and celebration!
- Cinderella (Nureyev): Ketevan Papava. I wonder how Vladimir Shishov would have perfomed the role of the prince.
- Swan Lake (Nureyev): La Polonaise… his very own dreams becoming reality on stage. Amazing. Powerful! Wonderful!
- 5 Tangos (Hans van Manen): Denys Chrevychko (bringing down the house…)
- Die Fledermaus (Roland Petit): Ketevean Papava and Manuel Legris… Yes, simply an historical moment… Incredible! I am definitely proud to have witnessed this incredible moment...
And finishing the evening, a questionable but extremely appropriate choice… one can just understand that after "feeling" the whole conception of the programme.... yes, for sure...
- La Bayadère (Nureyev after Petipa): Anna Tsygankova, Liudmilla Konovalova (in the ungrateful and even sometimes unflattering role of Hamsatti), Vladimir Shishov & Marat Davletshin. Delightful!
After the performance and during the party given on stage Natascha Mair and Nina Tonoli were appointed “demi-soloists” and lovely, gifted Ioanna Avraam was made into a “soloist” – a position that she has been occupying for quite a time already. Well deserved.
After the “stage party” there was this “get together” at the Operngasse and friends made me go along with them.
Destiny played a funny trick on me and instead of sitting together with friends to whom I wanted to chat, I spent the most of the evening in a small “circle” of friends of Monsieur Legris (including one of my "idols", Isabelle Guérin/ Opera de Paris, whom I did not recognize; my fault, I fear!), getting to know him a bit better and enjoying a lot his wit, charm and intelligence.
So glad about this 2013/14 Season… looking forward to the next ones!
Well, what else can I say? (and I have said it many times): Merci, Monsieur Legris! (for the last seasons, for this fantastic one and for the upcoming ones!)
All pictures (except curtain call ones) © Wiener Staatsoper programme.
Nurejev Gala 2014 - On stage videos from DelbeauFilm on Vimeo.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Do I Love You Because You're Beautiful? (or are you beautiful because I love you?)
Sem dúvida, uma das mais lindas canções de Rogers and Hammerstein e composta especialmente para o musical de televisão „Cinderella“ (1957).
Quando foi “ao ar”, os U.S.A. literalmente pararam por uma hora e meia…
Todo o país teve a chance de ver "a mocinha” que, desde o ano interior, tornara-se a “rainha da Broadway” em “My fair Lady”: Julie Andrews…
Tudo isso adiconado ao fato de que o mundo ainda estava em tempos nos quais certos espetáculos eram feitos “ao vivo” e justamente por esse motivo não só produziam a impressão de uma estréia como ERAM, na realidade, uma verdadeira estréia!
Um detalhe sobre esta música: quando Rogers e Hammerstein a apresentaram pela primeira vez ao “cast” muitos olhos ficaram húmidos tal a emoção causada pelo texto e música…
Aqui Julie e seu “prince charming”, Jon Cypher, no show original que só foi revisto 47 anos depois de sua estréia, em 2004, quando o DVD desta produção foi lançado… óbviamente para minha grande alegria!
(Photo Copyright: Sony Entertainment)
(Prince):
Do I love you because you're beautiful?
or are you beautiful because I love you?
Am I making believe I see in you a girl too lovely to be really true?
Do I want you because you're wonderful?
or are you wonderful because I want you?
Are you the sweet invention of a lover's dream?
or are you really as beautiful as you seem?
(Cinderella):
Am I making believe I see in you a man too perfect to be really true?
Do I want you because you're wonderful?
or are you wonderful because I want you?
(Both):
Are you the sweet invention of a lover's dream?
or are you really as wonderful as you seem?
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terça-feira, 17 de junho de 2014
Meistersignaturen (Vienna State Opera, June 16th 2014)
Meistersignaturen (Master Signatures) is an evening programme to cherish: the combination of four different ballets, with very different music, very different “languages” and very different conceptions is an interesting, pleasant, warming one and a VERY interesting one, too!
Here just a few words and thoughts to yesterday’s performance at the Opera.
- Le Souffle de L’esprit (Master: Jiri Bubenicek): the use of Bach’s music is one that gives the challenging choreography a sort of musicality (in its movements) that is very singular, very pleasant. Soloists and Corps de Ballet were in very good shape and precisely rehearsed. Denys Cherevychko was a bit uneasy and his movements did not flow naturally, as if he was having a sort of problem in translating Bubenicek’s language to his own body. I was wondering why; he has been dancing this piece since 2011... But any normal person may have a bad day, isn't it?
On the other hand, one of the most pleasant moments of the evening belonged to Dumitru Taran. Mr. Taran completely in his element. He absorbed the choreography in such a way that its “language” was completely natural to him, nearly becoming his own! Using an expression that used to be common in Portuguese in my youth: “Parecia que havia bebido azeite” (“It seemed that he had drunk oil” meaning the his movements were smooth, his flexibility immense, that he was "at home" doing what he was doing). Mr.Taran’s dance is an intelligent one. I like that!
- Vaslaw (Master: John Neumeier): there are many different opinions about this work – many consider it boring, updated... I personally like it very much because of its great insight, its small details, its “mood”.
Mayasu Kimoto with his great stage presence, showed us once more his precise technique and appeal to the audience!
Also once more Dumitru Taran gave us a beautiful performance – in fact nearly without time to change between “Souffle” and “Vaslaw”.
Greig Matthews did his best out of a very ungrateful solo: very challenging and without that “certain” effect which keeps audiences concentrated. I wonder why Mr. Matthews is always getting such parts – like for example the prince’s solo on “Sleeping Beauty” (also another very difficult, ungrateful, impactless dance).
Ketevan Papava and Robert Gabdullin on top form! (I liked very much to hear, from a colleague of Miss Pavava, a refference made to her: “She is an artist”. And this articulated with great respect!)
- Alegro Brillante (Master: Balanchine): what a pleasure to watch Liudmila Konovalova in such a night like this. Precise, brilliant, musical, daring, effortless and so much in the Balanchine mood and style…
Robert Gabdulin, an attentive partner, also at ease with Mr. B’s vocabulary.
Natascha Mair and specially Suzan Oppermann (with Marat Davletshin) were “shining” on stage.
- Vier letzte Lieder (Master: Rudi van Dantzig): Just the presence of the sopran Olga Bezmertna on stage was reason enough to relax, “put your feet up” and enjoy this marvelous piece.
Kyoka Hashimoto/Mihail Sosnovschi, Ioanna Avraam/Mayasu Kimoto, Ketevan Papava/Kirill Kourlaev gave emotional performances.
The only uneven couple was Alice Firenze and Roman Lazik:
She, a real joy to watch in her vital, sensitive, substantial, strong performance and lovely, clean technique. He, (again) making suffering faces all the time (a very boring and very old-fashioned tendency - to turn dancing into suffer - that I had't experienced anymore in years) and very strangely made up. His Make-up was so "white" that it made his eyes "disappear". Normally Mr. Lazik is not an ugly man.
Perhaps the audience still remembered Shane Wuerthner in the “solo” role - the Angel of Death - and how he made it his own (he is still pictured on the programme’s cover).
Even so Eno Peci gave a fine performance because of the impact of his very strong stage presence that obviously appeal to many ballet-goers.
Not trying to quote the Marx Brother’s film, I must say:
One NIGHT at the Opera – another fine present for us from the “Legris’ era”!
It is GOOD to be an eye witness of all this...
Here just a few words and thoughts to yesterday’s performance at the Opera.
- Le Souffle de L’esprit (Master: Jiri Bubenicek): the use of Bach’s music is one that gives the challenging choreography a sort of musicality (in its movements) that is very singular, very pleasant. Soloists and Corps de Ballet were in very good shape and precisely rehearsed. Denys Cherevychko was a bit uneasy and his movements did not flow naturally, as if he was having a sort of problem in translating Bubenicek’s language to his own body. I was wondering why; he has been dancing this piece since 2011... But any normal person may have a bad day, isn't it?
On the other hand, one of the most pleasant moments of the evening belonged to Dumitru Taran. Mr. Taran completely in his element. He absorbed the choreography in such a way that its “language” was completely natural to him, nearly becoming his own! Using an expression that used to be common in Portuguese in my youth: “Parecia que havia bebido azeite” (“It seemed that he had drunk oil” meaning the his movements were smooth, his flexibility immense, that he was "at home" doing what he was doing). Mr.Taran’s dance is an intelligent one. I like that!
- Vaslaw (Master: John Neumeier): there are many different opinions about this work – many consider it boring, updated... I personally like it very much because of its great insight, its small details, its “mood”.
Mayasu Kimoto with his great stage presence, showed us once more his precise technique and appeal to the audience!
Also once more Dumitru Taran gave us a beautiful performance – in fact nearly without time to change between “Souffle” and “Vaslaw”.
Greig Matthews did his best out of a very ungrateful solo: very challenging and without that “certain” effect which keeps audiences concentrated. I wonder why Mr. Matthews is always getting such parts – like for example the prince’s solo on “Sleeping Beauty” (also another very difficult, ungrateful, impactless dance).
Ketevan Papava and Robert Gabdullin on top form! (I liked very much to hear, from a colleague of Miss Pavava, a refference made to her: “She is an artist”. And this articulated with great respect!)
- Alegro Brillante (Master: Balanchine): what a pleasure to watch Liudmila Konovalova in such a night like this. Precise, brilliant, musical, daring, effortless and so much in the Balanchine mood and style…
Robert Gabdulin, an attentive partner, also at ease with Mr. B’s vocabulary.
Natascha Mair and specially Suzan Oppermann (with Marat Davletshin) were “shining” on stage.
- Vier letzte Lieder (Master: Rudi van Dantzig): Just the presence of the sopran Olga Bezmertna on stage was reason enough to relax, “put your feet up” and enjoy this marvelous piece.
Kyoka Hashimoto/Mihail Sosnovschi, Ioanna Avraam/Mayasu Kimoto, Ketevan Papava/Kirill Kourlaev gave emotional performances.
The only uneven couple was Alice Firenze and Roman Lazik:
She, a real joy to watch in her vital, sensitive, substantial, strong performance and lovely, clean technique. He, (again) making suffering faces all the time (a very boring and very old-fashioned tendency - to turn dancing into suffer - that I had't experienced anymore in years) and very strangely made up. His Make-up was so "white" that it made his eyes "disappear". Normally Mr. Lazik is not an ugly man.
Perhaps the audience still remembered Shane Wuerthner in the “solo” role - the Angel of Death - and how he made it his own (he is still pictured on the programme’s cover).
Even so Eno Peci gave a fine performance because of the impact of his very strong stage presence that obviously appeal to many ballet-goers.
Not trying to quote the Marx Brother’s film, I must say:
One NIGHT at the Opera – another fine present for us from the “Legris’ era”!
It is GOOD to be an eye witness of all this...
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