quarta-feira, 17 de junho de 2015

Cinderella: uma metáfora social ou só uma estorinha infantil ?


Numa aula de história, bem antes do “vestibular”, um professor muito eloquente nos falou sobre a metáfora “atrás” da simples estória de “Cinderella”.
Jamais esqueci esta fascinante teoria.
Hoje gostaria de “revisitá-la”…


Simbólicamente, dentro do contexto da revolução francesa, o personagem Cinderella representa a burguesia oprimida, suja, com fome e frio, dentro de seu próprio país – no caso de Cinderella até dentro de suas quatro paredes, já que ela, como herdeira da casa havia perdido o pai e ficara “à merce” da madastra e de suas filhas – que aqui simbolizariam a Nobreza e o Clero, naturais opressores da burguesia francesa.

Cinderella/a Burguesia se transformará mais tarde no “Terceiro Estado”, que conhecemos dos anos “pós-revolução”

O príncipe é o encontro de Cinderella, da burguesia com o poder e com a "liberdade".


O sapatinho de cristal, levado para dentro do palácio pela abóbora, é o chamado “Reino do Terror” levado por Robespierre também para dentro do palácio…
e que agiu com aqueles que não acreditavam na Revolução francesa da mesma forma que a Nobreza e Clero haviam agido com a burguesia; tirando-lhe a Liberdade…


Engraçado pensar-se que uma abóbora representa Robespierre e que esta mesma foi transformada numa carruagem pela fada para levar Cinderella (com o sapatinho de cristal) de encontro ao príncipe…


A fada madrinha, sim a linda fada que aparece am forma de luz, é o símbolo do próprio espírito do iluminismo…
Causa intelectual e inspiradora para a Revolução!
Linda, poética metáfora…

No final da estória o sapatinho de cristal (O Reino do Terror) cabe perfeitamente no pé de Cinderella (a Burguesia). Infelizmente esta metáfora não transformou-se numa bonita realidade já que o Reino do Terror não deu ao “Terceiro Estado” a Liberdade que este procurava…


Mas voltando ao meu brilhante professor de história: que maravilhosa e interessante sua interpretação de um conto que foi escrito na Itália por Gianbattista Basile em 1634, se referindo ao reino de Nápoles, e foi repetido em França por Charles Perrault em 1697, quase UM SÉCULO ANTES da Revolução francesa!

Ao descobrir esse fato, todo um mundo de conhecimento, no qual acreditava desde minha adolescência, desmoronou para mim…

Porém, pensando bem, temos que admitir que os paralelos entre o conto italiano e a revolução francesa são incrívelmente analógicos levando-me até a pensar (e querer acreditar) que os revolucionários franceses que haviam lido este conto se prenderam subconscientemente a ele…
Mas esta é uma interpretação minha, ousada e muito psicológica, sem nenhuma prova histórica, muito “esperançosa” e, entre nós, altamente improvável…


No final das contas: é “Cinderella” então só uma estória “inofensiva” ou um dilema, uma análise social?

Penso que para olhos “mal-educados” (no sentido de “aprendizado”) Cinderella possa parecer uma estórinha qualquer, como muitas outras…

Para olhos mais intelectuais podemos interpretá-la quase de forma mítica. Sim, toda essa analogia sobre opressão, poder, triunfo – que ainda alimenta muito a alma humana, pois de certa forma ou de outra o mundo – nesse sentido – não mudou muito…


Mas pode também ser que estemos interpretando mais do que deveria ser interpretado?
Que originalmente talvez as intenções de Basile e Perrault tenham sido apenas de colocar em palavras um “conto de fadas” para crianças?


Quem sabe…

P.S. E notem que ainda nem comecei a falar sobre outras revoluções e seus paralelos com Cinderella - a Burguesia chegando ao poder... Na Rússia, em Cuba!
E sobre o livro “Cinderella Complex” e “Pretty Woman” e “My fair Lady” etc. etc.
E até sobre as péssimas novelas da Globo que usam e abusam deste tema…
Muito “pano para manga” neste tema…

P.S.2 A estória de Rhodopis, uma escrava grega que se casa com o Rei do Egito, é a mais antiga "fórmula de Cinderella" conhecida... escrita em 7 BC!

13 comentários:

M.A. disse...

Já foi ver o novo da DisneY?

Adorei!!!!

E tem uma Kate Blanchet...u lá lá!!!

bj

As Tertulías disse...

:-) mas este nao é o tema...

Camilla Veilchen Oliveira disse...

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Marilia Barbosa disse...

Adorei a postagem, muito obrigada por essa novidade em reflexão! Beijo!

Mary Castro disse...

Muito interessante e bem colocada a analogia que o seu professor apresentou sobre esse conto de fadas tão bonito e tão pungente.

Mais interessante ainda foi a coerência com que Você comparou-o com outros episódios históricos sobre o mesmo tema.



Gostei muito.

As Tertulías disse...

...e eu pensando que me achariam "maluco" por postar isso. He he he!
Obrigado!

Marcia Souza disse...

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Sabine Teuber disse...

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Lilly Tichy-Scheuermann disse...

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Lourdes Bastos disse...

Lourdes Bastos gosta disso no Facebook.

Regina Ferraz disse...

Ricardo querido.Maravilhoso!!!! Cinderela.

Quem pensaria assim? Só mesmo você,com seu

Garbo e inteligência.Coin​cidentemente o mundo

de hoje vive igual a história de Cinderela.Uma grande revolução mundial!!! Beijos carinhosos.Estou sempre atrasada,numa vida atribulada....Tudo de Bom!!!

Claudia Gaiser disse...

Olá meu querido amigo:
interessante colocação! Nos faz pensar...
Beijos saudosos,
Claudia

As Tertulías disse...

Minha querida,
voce é uma das raras pessoas que gostam de pensar (para nao ser injusto tenhoi que dizer que os tertuliadores SAO pessoas que pensam!). Por isso nos entendemos tao bem! P.S. Ainda nao combinamos Paris, né?
Beijos
Ricardo