sexta-feira, 23 de março de 2012

Tamara Toumanova, Helen Traubel e a música de Sigmund Romberg...

LeighToumanova e Traubel... Duas artistas tão diferentes… e mesmo assim, por terem participado do mesmo filme (Deep in my Heart, MGM 1954) , são a razão desta “Tertúlia”.


Tamara Toumanova era conhecida como “A pérola Negra do Ballet Russo” (eu uma vez me enganei e pensando nas palavras de Selznick sobre Vivien Legh "that scarlett dark horse", chamei Toumanova de cavalo negro... Tatiana Leskova, num momento de humor, me disse: "Cuidado, olhe que o espírito dela volta para se vingar!").
Nasceu em 1919 na Sibéria, de descendencia polonesa e armenia… Não vou colocar aqui o curso que sua vida e carreira tomaram quando fez 9 anos e debutou na Ópera de Paris pois voces poderiam encontrar estas informações em qualquer “Wikipedia”. George Balanchine (Mr.B. – vejam a postagem que fiz no dia 20 passado inclusive com uma Charge sua ao seu lado assim como com Leskova e Igor Stravinsky), reconheceu muito cedo seu talento e muito lhe incentivou…


Sua mae deve ter sido uma pessoa “à parte”: ao que hoje em dia nos referiríamos como “Show Business Mom”… Ela acompanhava a filha em todas as Tournées com os “Les Ballets Russes” e, muito religiosa, ela levava pobre Tamara para o palco, exatamente para o lugar onde naquela noite dançaria seus 32 fouetees… e ali, ajoelhadas, elas rezavam todo um rosário, para que Tamara se sucedesse bem… Desperdício de religião… Pobre também de quem “caísse mal" com mamãe (Sra. Tumanishvili). Numa memorável passagem de sua biografia Tatiana Leskova nos conta de uma surra que quase levou desta meiga Senhora por ter esbarrado (ou coisa do genero) em Tamara durante uma apresentação.


Um fato pouco conhecido: Toumanova trabalhou em vários filmes, sempre em minúsculos papéis que estavam de acordo com o tamanho de seu talento dramático. O que porém todos esqueceram é que ela foi lançada com muita divulgação a até certo alarde em 1944 num esquecido filme chamado “Days of Glory” que tem a única distinção histórica por ser o primeiro filme de Gregory Peck... Este não foi esquecido como ator!


Em “Deep in my Heart” – uma adorável biografia da Metro sobre o austríaco Sigmund Romberg, grande compositor que fez sua carreira no palco musical americano, - Tamara “interpreta” Gaby Deslys, bailarina, cantora, atriz e sensação francesa que conseguiu arrasar com uma das composições mais etéreas de Sigmund Romberg (no filme o fantástico Jose Ferrer) – “Softly, as in the morning sunrise”. Bem, pelo menos assim o filme nos conta… Não posso confirmar este fato…


Li alguma vez que Stanley Donen não conseguiu realmente “dirigir” Tamara e a deixou interpretar de sua forma natural, muito exagerada e afetada, a canção na qual estava sendo dublada.
Propositalmente ele deixou-a transformar o número num hula-hula vulgar, o que coube como uma luva na sua intenção como diretor… O contraste conseguido entre Gaby Deslys e, a amiga do compositor, a dona de um "Café" vienense, Anna Müller, quando esta canta “Softly” é fenomenal.

Mais uma vez Tamara provou a canastrice que a impediu de ter sua “tão cogitada” carreira de atriz…
Li também que Tamara "was not amused" na Première do filme quando viu que Donen tinha feito dela um objeto de "chacota". Apesar de um corpo escultural ela foi motivo de muitos risos. Na época ela só tinha 35 anos e só faria mais uns papéizinhos no Cinema.



Uma dos seus últimos foi no mal sucedido “Hitchcock” de 1966, “Torn Curtain” (A cortina rasgada) ao lado de Julie Andrews e Paul Newman. Toumanova na altura da filmagens só com 46 anos parecia uma pessoa bem mais velha do que era… Ela perdeu muito cedo aquela coisa valiosa, que se chama o "Viço da juventude". Uma pena.

Sobre a bailarina Toumanova nada posso dizer. O material cinematográfico que deixou foi muito pouco para se tirar conclusões. Relatos "verbais", que ouvi de pessoas que a viram no palco, como meu pai ou a atriz bahiana Isabella, não são realmente de muito valor por virem de pessoas que não entendiam realmente de Ballet...


A intérprete que faz o papel de Anna Müller é o soprano americano Helen Traubel.
Traubel, apesar do nome e do visual germanico (seus pais eram alemães) foi uma cantora americana, nascida em 1899 em Missouri…


Traubel era uma magnífica interpréte... mesmo assim, não irei falar dela…
A "Wikipedia" revelaria mais do que eu.
O que qualquer outro dicionário porém não revelaria é este talento supremo, este domínio musical, esta simpatia... tudo isto acompanhado daquelo jeito das "senhoras empoadas" que povoaram nossas juventudes e infancias e hoje não mais existem... Estas memórias me fazem lembrar de uma Senhora, Marianita, alta funcionária do Instituto Rio Branco... amiga, querida, culta, empoada, chique, cheirosa... Traubel me traz estas lembranças!

Só quero pedir uma coisa: TODA a atenção de voces para o momento divino no qual ela canta “Softly, as in the morning Sunrise”.


Um momento de poesia, calor, simpatia, abandono… Ela se transforma numa das mais lindas pessoas que a tela jamais apresentou…

Arte.
Verdadeira, etérea…
Como se Helen estivesse em nossas almas bailando o que Toumanova deixou de fazer!

Como se estivesse transformando em algo divino o que foi tão profanamente abusado nas mãos de «Gaby Deslys» (não nas de Toumanova).

Obrigado, Mrs. Traubel…

Mais sobre esta fantástica cantora numa futura “Tertúlia”.

Obrigado à querida Danielle Crepaldi por ter-me ajudado a conseguir estes raros momentos cinematográficos!!!!! Querida... Voce é um amor!!!!!

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