sexta-feira, 6 de maio de 2011

He touched me: Streisand "acontecendo" (mesmo) no Central Park...

Quando técnica demais prejudica...



Nunca fui um grande fã de Barbra Streisand (como voces devem ter notado aqui já que práticamente nunca me referi a ela) mas adoro certos desempenhos musicais seus como em “Funny Girl”, “Hello Dolly!”, “On a clear day you can see forever” e até certos filmes como “What’s up, doc?” (“Esta pequena é uma parada” de Peter Bogdanovich) e o lacrimejante (e bonito) “The way we were” (Acho que no Brasil chamou-se “Nosso amor de ontem"). Parei para pensar e percebi que os personagens "dela" que me realmente encantam são as moças judias (Fanny Brice, Dolly Levi e Kathie de "The way we were"). Yidish... e meu íntimo contato com esta cultura...

Tentei há algumas semanas atrás dar uma nova chance a um DVD que estava bem empoeirado no canto de uma estante e reassisti um show de Barbra de 1994.
Minha opinião sincera? Quase morri de tédio pois achei tudo tãããããããooooo chato…



Explico: não me refiro à Barbra dos anos 60, à Barbra do Brooklyn, à Barbra que adorava dar umas escorregadas no “Jidisch”… Me refiro porém à esta “persona californiana estilizada” criada por ela mesma, à esta persona que fala ingles correta- e eloquentemente, à esta persona “estudada” na qual se transformou… Sinto falta de mais espontaneidade. De "character"...

Quel dommage!

Comparei duas cenas em que canta a mesma canção – 27 anos separam ambas – e a minha decepção não poderia ter sido maior. Não estou falando de juventude, de “breijeirice”. Nem de envelhecer. Não.
Falo, infelizmente, de uma retrogressão como artista. Onde está aquela mulher que “jogava a voz no mundo” e nos abalava e emocionava? Só vejo uma longínqua sombra dela…

A canção? “He touched me” de uma esquecida peça de 1965 (“Drat! The cat !”) com Lesley Ann Warren e Elliot Gould. Ele, marido de Streisand na época, cantava esta música… mas como “She touched me”… Ela ficou com a música e o número #1# da Bilboard! Danadinha...

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Este é um daqueles casos nada frequentes nos quais o progresso técnico não ajuda pois interfere no meridiano das emoções tornando tudo o que era explosivo, sincero e espontaneo numa performance perfeita porém tão controlada até os últimos detalhes que a emoção não mais passa para o público, não "rompe" a quarta parede do palco...

Assistindo-a “hoje” penso que está até ao lado de si como que controlando com um cronometro o tempo de suas canções para que caibam melhor no futuro DVD, no CD... para render mais US$...
Precisa, metódica, técnica. Falhar é humano e bom... Transforma artistas em pessoas reais, humanas...

Não imagino esta Barbra de 1994 dominando um Central Park como o fez magistralmente em 1967…



Vejam ao que me refiro no memorável Show “A happening in Central Park” de 1967.



Streisand voou de Hollywood onde preparava seu primeiro filme – «Funny Girl». Seu "público" era composto de admiradores da Broadway, de televisão e de seus discos… Ao total mais de 40.000 espectadores, 12 (YES, só doze !) seguranças… Tempo anterior è Guerra dois seis (ou sete) dias entre o Egyto e Israel...

Como o mundo era bonito antes do terrorismo…

E essa “menina” de 24 ou 25 anos fazendo todos vibrar, chorar…

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31 comentários:

Anônimo disse...

Um lindo fim de semana para você também.
Eliana

Anônimo disse...

She WAS beautiful, wasn't she? Mike
P.S. She lost so much...

Lorena F. Pimentel disse...

Ricardo, acho que você pontuou bem algumas das impressões que eu tenho à respeito da Barbra e que mal sabia como colocá-las.

Coincidentemente, estive à procura do DVD deste show de 1994 nos últimos dias, e ao assistir alguns videos no youtube, acabei desistindo por sentir falta dessa emoção.

Vou traçar um paralelo que seria mais prudente nem comentar, mas a emoção que falta para a robótica Barbra de hoje, quando canta em frente à uma orquestra e um público massivo, é a mesma emoção que eu vejo na Julie Andrews das últimas duas ou três décadas que se passaram. Eu vejo - e aqui me expressarei melhor em inglês, a real sense of appreciation for her craft - que é o que falta na Barbra dessas últimas décadas.

A de 1968? Emocionava e muito. Mas a ingenué ficou pra trás, não é mesmo?

Ótima reflexão, querido. E adorei o novo look do blog.

Beijos e um ótimo fim de semana,

Lorena
burburinhodeoutrora.blogspot.com

As Tertulías disse...

Lorena...

foi realemnte 68? Eu pensava que tinha sido 67.... As "Tertúlias" sempre aceitam e aceitarao correcoes. De pessoas como voce, Of course!

Bem, 67 ou 68???

amei teu comentário e, acima de tudo, o que voce chamou de "robótica". WOWWWWWWWWWWW voce disse tudo....... Minha amiga...

Bjs Ricardo

Lorena F. Pimentel disse...

Menino, eu só coloquei que era 68 porque vi no título do video, mas acabei dando uma procuradinha e o ano procede. A data do show foi 17 de Junho de 1968.

bjs!

pinguim disse...

Posso ser lamechas, mas adoro "The way we were"...

Renato Hemesath disse...

Oi Ricardo!

Eu não conheço o trabalho dela como cantora. Como atriz já vi alguns filmes, e achei fantástico! a personagem dela em "Nosso amor de ontem" é bastante singular. Gosto daqueles diálogos políticos, "pseudo moralistas" e bem humorados também :)

Obrigado pelo comentário no Cine Freud. Seja bem vindo!
Um ótimo final de semana prá ti.
Abração!

Daniele Moura disse...

Ricardo, eu , pelo contrário, sempre fui encantada pelos filmes dela e pela voz, mas ainda não escrevi nada sobre ela. Vi Yentl outro dia e é um fascínio!

Tem texto novo lá. Visite. Deixe seu comentário!
www.telaprateada.blogspot.com

Abraço
Dani

As Tertulías disse...

Menina, e eu pensava que era 1967... ótimo, agora corrigi!!!!!!
Um beijo e um obrigadao!!!!!!
Ricardo

Silvia Vieira disse...

Oi Richney! Concordo com vc totalmente. Que diferença!!!!!!!
Que pena que alguns artistas fantásticos acabam perdendo sua expontaneidade e EMOÇÃO.

Bju grande da Marroney

Anônimo disse...

Querido Ricardo.Suas Tertúlias maravilhosas!!!
Não são necessários meus comentários,porque são
todos preciosos.Saio um pouco fora do que você tão
sábiamente nos disse e envio carinhosamente um
artigo sofisticado,fútil mas,bonito e semcompromisso.
Beijos,sempre sucessos!!! Regina Ferraz

angela disse...

Ricardo, vendo e ouvindo os dois videos a diferença é realmente grande. Comecei pelo mais antigo e depois ouvi o mais recente. Quando dei por mim olhava minhas unhas e pensava que precisava faze-las. Desliguei completamente.
Uma pessoa que se recusou a fazer plástica no nariz e foi em frente a despeito da opinião de muitos produtores da época acabou fazendo plástica em sua voz.
beijos

As Tertulías disse...

Angela querida,
nossa... que comentário mais sábio. Perfeito... nao me ocorreu isso... a plástica recusada do naziz e esta "plástica na voz, na maneira de se projetar". Voce como sempre super "agucada". Thank you!!!!! Beijo Ricardo

As Tertulías disse...

Eu mesmo revi a cena.... ohhhh Barbra, como voce se perdeu.....

Lícia Marques disse...

Oi,Ricardo

Tem razão,amigo: mudança radical. Comparando,concluí que ela perdeu o brilho,talvez por tédio,e o brilho da voz - será que a falta de plástica no nariz tem a ver com isso?
Ou ela criou calos nas cordas vocais?

Bom,de um jeito ou de outro,Barbra perdeu geral. Lamentável.

Bjs

Lícia

As Tertulías disse...

Sim, perdeu geral... that's it!

Anônimo disse...

Também não sou lá grande fã da Barbra. Elas faz, quase sempre, personagens judias, porque ela é judia.
Mas, esse email,além de ser para V., é mais especial para a Neydinha, a quem quero cumprimentar pelo dia 8 de Maio – Dia das Mães.
Mary

Danielle disse...

Oi Ricardo.

Primeiramente, mande Feliz dia das Mães para a dona Neide!

Faço minhas as suas palavras todinhas. A Barbra "belter", que canta com Judy Garland vestida de marinheiro, e a diva do "Barbra Streisand: the concert" são duas personas artísticas bem diferentes (infelizmente). Pus pra ver o show (premiado, aliás) dela e precisei correr vários trechos: achei ultra chato, intencionalmente elegante e politicamente correto demais. Barbra deixou de ser entertainer com "e" maiúsculo para se tornar a cantora dos presidentes e das celebridades. Que dó...

Bjinhos e inté logo
Dani

As Tertulías disse...

Querida amiga, vou imediatamente dizer para a "Neydinha" que voce manou as lembrabcas para ela. Para sua querida mae, também, OK?

Triste mesmo ver Barbra assim - como voce sábiamente colocou "a cantora dos presidentes". Uiiii..... essa até doeu... :-)) Bravo Danielle! Como sempre vpce coloca em meia duzia de palavras os pensamentos mas complexos - talento... Chapeau!!!!!

Beijo
Ricardo

As Tertulías disse...

Ave... struz! Parece que eu nao sei mais escrever!!!!! :-))

Anônimo disse...

He put his hand near mine... Then he touched me!!!
Guto De Castro

Danielle disse...

Querido, transmitirei suas lembranças pra minha mãe também! E obrigada pelas palavras! Barbra é digna de piedade, ainda mais porque está satisfeita com o papel que se impôs. Quando tenho vontade de vê-la, vou para todos esses filmes ótimos que você mencionou ou então para o "On a clear day you can see forever", outro que acho uma maravilha.

Bjinhos e inté
Dani

As Tertulías disse...

Eu entendo... é como se fosse a "finada" Barbra, nao é? Voce assistiu a sequencia de Funny Girl", "Funny Lady"? A crítica da época acusou Barbra de parecer um travesti se fazendo de Barbra Streisand :-) Bem, certa razao eles tem... mas eu gosto dos números musicais!!!!
Beijos minha flor!
Ricardo

Anônimo disse...

Olá Ricardo,
Guto De Castro commented on your link.
Guto wrote: "I just read your blog and could not disagree more! The impression I got is that you don't know much about her career or background."

As Tertulías disse...

:-) Ao contrário Guto, acho que já a conhecia bastante bem antes de voce nascer... :-))

Nao se deve confundir ser "fa" de uma pessoa e nao olhá-la críticamente... Mas respeito que voce goste dela - eu admito gostar da "velha" Barbra - nao desta nova persona californiana que é taooooo chata... Mas goto, querido, nao se discute!

E se alguém conheceu e estudou bem "her career and background" aqui estou eu... Um lindo dia!

Ricardo

Anônimo disse...

Epa, que besteira! Ela virou uma chata de pedra mesmo! A "rainha" dos gays! Rita

David C. disse...

Barbra tiene un no se que, que me gusta. saludos.

Anônimo disse...

interessante os dois vídeos dela vistos simultaneamente: o dos anos 60 mostra o frescor, a naiveté, a inocência mesmo daqueles anos; o dos anos 90 tem um ar de adolescente-velho, algo meio decadente, uma tentativa falha de não-envelhecer e amadurecer.
Roberto Alves de Oliveira

Anônimo disse...

Guto de Castro disse: Como ela sempre falou: it is a lot easier to criticize than it is to praise. Eu sei que a Barbra tem varios defeitos, como todos nos, mas nao acho que procurar a perfeicao signifique necesseriamente que ela seja plastica ou esteja fugindo ...das raizes aschenazim do brooklyn, das quais ela tem orgulho e tira troca o tempo todo.

Se ela continuasse a ser quirky a uma idade mais avancada teriam a criticado dizendo que ela estaria dando uma de irreverente e original pra ser continuar tendo sucesso commercial.

Eu fui no primeiro show dela em nyc (duas vezes!), depois de 27 anos sem fazer show la. Foi muito bonito, um reencontro com o publico de nyc. E na epoca nao lembro de uma critica ruim, mesmo da galera que nao curti a Barbra.

Eu tb conheci a Barbra que foi super gentil, educada, sofisticada mas acima de tudo simples e real, a NY gal not a Hollywood star.

Eu poderia escrever mais mas como voce mesmo disse, cada um tem a sua opiniao. A minha opiniao eh que eu nao acho queba busca da perfeicao e do aperfeicoameto e de um compprtamento sofisticado signifque necessariamente perca da originilidade ou de estilo, principalmente no caso da Barbra. Acho que eu nao curtiria ela tanto hoje se ela ainda se comportasse como os dias do BonSoir ou estivesse gravando more pop material.

Ademas, acho ela que ela eh uma vencedora que batalhou pra conquistar o espaco dela sem ajuda de ninguem, pelo contrario, teve que ir contra duas carrascas ciumentas: a propria mae e irma, a qual conheci e foi muito desagradavel comigo. Uma estoria muito doida na epoca.

Enfim, eu conheco pessoas que trabalharam com ela e e que me falaram que ela tem um lado muito dificil mas qual diva que nao eh assim.

Quanto ao escrever em ingles, minhas desculpas 'pal', mas nos ultimos 15 anos, escrever bem (in English) foi umas das atividades mais primordias do meu trabalho e as vezes eu nem me dou conta que estou escrevendo em Ingles. E pra te ser sincero, hoje eh mais facil pra mim escrever em Ingles do que em Portugues. E tb como muitos dos meus amigos do fb tb falam ingles, I do not even think about it and no one has ever said anything like that to me. You are the first!

Quanto a seguir a carreira dela, eu acho que ja sai da barriga da minha mae cantando as musicas da Barbra... Com 40 anos hoje, as vezes eu me pergunto como eh que eu ainda escuto a Barbra but 'love is ageless and evergreen', I guess.

As Tertulías disse...

Eu acho lindo como reais "fas" se identificam tanto com seus ídolos qe às vezes passam a pensar como eles...
But this is not the way I think - e o repetiria nao só em ingles como em outos quatro idiomas... :-)
Aqui nao estamos para provar quem é mais "sabido", só para "tertuliar" - o que significa ter uma boa dose de tolerancia sobre opinioes alheias... talvez aos quarenta ainda somos um pouco "jovens" para isso? Pode ser...

As Tertulías disse...

Relendo o texto deste tal Guto: que bobinho, né???? Logo falando para mim do ingles... nao sabendo que falo, escrevo e cozinho em 5 linguas... Mas complexo é difícil de se lutar contra... Ah, Guto de Castro: who are you anyways?