Para mim a mais fascinante encarnação (em termos visuais) foi a de Eleanor Parker representando a cantora Marjorie Lawrence cantando minha ária preferida: ♫ ♪ Mon coeur s’ouvre à ta voix… ♫ ♪ de “Sanson et Dalila” de Camille Saint-Saëns (No maravilhoso filme “Interrupted Meldody”, 1955, vide minha postagem de 3.3.2009).
A imagem clássica de uma bela (e falsa) sedutora desempenhada por uma das mais lindas e talentosas mulheres do cinema: Parker, que foi nominada ao Oscar por este trabalho (Mesmo tendo sido dublada pela cantora do “Met” Eilleen Farrell).
A austríaca Hedy Lamarr, ou melhor Hedwig Eva Maria Kiesler, que no apogeu de sua carreira era chamada “The most beautiful woman in the world”, foi a escolhida por Cecil B. DeMille para estrelar no épico “Sansão e Dalila” em 1949 ao lado do canastrérrimo Victor Mature (que era também filho de um austríaco de Innsbruck).
Obs.: Dois fatos imortalizaram mais esta “façanha babilônica” de DeMille do que o próprio filme em si: em “Sunset Boulevard” de Billy Wilder (Crepúsculo dos Deuses, 1950) quando “Norma Desmond” (Gloria Swanson) visita DeMille no Set de um filme que está fazendo são os bastidores, cenários e alguns figurantes de “Sansão” que vemos…
O outro fato (bem mais divertido por sinal) foi o comentário de Groucho Marx: “Não gosto de nenhum filme no qual o peito do ator principal é maior do que o da atriz!” ("I don't like any movie where the leading man's chest is bigger than the leading lady's").
No palco a última Dalila que assisti foi Agnes Baltsa. Na pequena tela Elina Garanca. E em “discos”, cassettes e CDs tantas outras… Obs.2: Não gosto nada da interpretação de Callas como Dalila.
Mas uma voz especial quiz colocar aqui, tive que… e espero que voces desfrutem: a inesquecível Marilyn Horne que, como sempre digo, possui ao meu ver um “jeito conquistador” já que transmite, passa o que canta sempre como uma “verdade” - independente da condição técnica e do momento de carreira no qual se encontrasse! (E isto mesmo que seja uma mentira como no caso de nossa imoral Dalila… ).
">
19 comentários:
Realmente, esta ária é uma das mais belas, mais pungentes, mais tocantes, ainda que Dalila seja tão falsa... Eu a conheci num disco de Ray Conniff, 'S Classics, ainda pequena. Mesmo com seu inconfundível toque dançante, creio que o maestro Conniff prestou um serviço à música erudita, divulgando-a em esferas pouco prováveis e fazendo que que várias peças marcassem muita gente, como foi o meu caso.
Confesso, assim como você declara não ter gostado da interpretação de Maria (Callas), que esta da grande Marilyn Horne não me comoveu muito... essa é uma chave importante, que, se não for virada dentro da alma, pouco acontece, na verdade. Assisti na infância ao épico com Hedy Lamarr e Victor Mature - aliás, creio que vi todos os épicos do gênero: Quo Vadis? Os Dez Mandamentos, Ben Hur, Cleópatra... eu adorava todos eles, como adorei Sansão e Dalila. Lembro que fiquei penalizadíssima em ver Sansão perecer daquela maneira, as grossas colunas do templo rolando... ah, que época interessante!
Não vi o filme com a gloriosa e glamurosa Eleanor Parker, mas um amigo muito íntimo me prometeu um DVD :)))... Vou esperar, por que sei que vai valer a pena.
Baltsa, uma das minhas preferidas, deve ter sido uma Dalila fantástica. Chapeau pra ela! E delicioso Groucho que me perdoe; embora ele tivesse toda razão, eu criança nunca reparei no físico do Victor Mature com ele :)))...
Preciso descobrir se há registros de Magda Olivero cantando Dalila. A diva completou 100 anos este ano e, sentadinha diante de um microfone, cantou com uma linda, moderna e vigorosa voz de 30 anos! É de emocionar muito. Todo o tempo eu perguntava ao meu amigo Fábio, que me mostrou a fita, se aquilo era mesmo ao vivo, se ele tinha certeza... Que sorte poder testemunhar isso!
Beijos
Maurette
Ricardo, é sempre bom passear pelas Tertúlias.
Como vai? E Neyde?
Um beijo.
eliana
Maurette, falando sobre os "épicos".... e "O Manto Sagrado"???? Viu????
Curiosamente minha mãe tinha uma paixão pelo filme de 1949, penso que por causa do Mature... morrendo de pena por ele ter sido atraiçoado pela cabeleireira Dalila! Gostos!!!!
Curiosamente também partilho da sua opinião quer relativamente à excelência da interpretação de Horne, quer ao sentimento pela versão da Callas, que a mim também não me agrada muito.
A Ária é, na verdade, das mais belas árias de Ópera que existem.
Gostei muito, como já é costume, deste belíssimo post!
Quando assisti de criança Sansão e Dalila me emocionei muito, com Victor Mature e tudo...etc e não gostei de vê-lo morrer daquele jeito. Achei injusto, hoje em dia já compreendo melhor essa raiva, porém continuo achando que não vale a pena.
Adorei a Marlyn cantando. Divina!
beijos
Na parte operática só me recordo de ter visto a cena de "Melodia Interrompida"; mas recordo-me da Hedy Lamarr do filme de deMille e semprei achei Victor Mature um canastrão mesmo (nem bonito era).
Esta sua entrada, julgava eu que estava completa, como é seu timbre, até ler os comentários que motivou...
Uma autêntica tertúlia...
...só falta (ou não?) qualquer coisa para beber!
rsrsrs
Abraço,
António
Oi,Ricardo
Pensando na sua frase "a Warner planeja uma versão futurística (!?!?!) da história bíblica “Sansão e Dalila”,imagino que seja algo apocalíptico,no mínimo.
Bom,ao ler seu interessantíssimo post,concluí que na verdade faltou uma intérprete capaz de dar certa vida à personagem Dalila,um colorido especial,já que Sansão é privilegiado pelo físico,com destaque para a famosa cabeleira.
Bjs
Lícia
PS: Merci beaucop pelo comentário da postagem "Feia" lá nas minhas abobrinhas. Tb convivo com umas figuras assim no dia-a-dia...hehehe
Adoro a Callas cantando Dalila
Mauri
Sansão e Dalila..assisti com meu pai ainda criança! Fiquei com vontade de rever para refrescar a memória!
bjs,
Ricardo, que voz bonita a da M. Horne! Adorei também as fotos deste tópico. Beijos da Ursa :))
What else can I say? I am just sitting back with my feet up and enjoying. Thanks for bringing back such memories, actresses, films, operas, singers... life to me! Mike
Adorei passar por aqui. Obrigada por este belo momento.
Prezado Ricardo,
estas "tertúlias" representam um mundo que desaparece pouco a pouco.
Mesmo assim, enquanto este mundo existir, existirão seres dignos que respeitam e dão imenso valor às artes em todas suas concebíveis formas.
Este é um salão de altíssimo nível cultural e intelectual e eu passo horas deliciando-me nele e, acima de tudo, não só relembrando mas também muito aprendendo. Muito aprecio como "uma coisa leva à outra" e da forma como voce nos leva no passeio pelas suas divagações intelecutuais.
Seu trabalho tem muito valor. Aprecio-o imensamente assim como os comentários de seus diferentes e ilustres visitantes. Meus parabéns por representar em seus escritos aquilo que ainda é bom.
Sempre de forma digna, com um extremos bom-gosto e com tanto carinho e amor que estes são não só perceptíveis como também quase palpáveis.
Com muita admiração,
sua "fã"
Maria Augusta Sá
prezada Maria Augusta, já estávamos com saudades... desde seu último comentário por ocasiao da tertúlia feita sobre a querida e talentosa cristina martinelli voce nao tinha mais nos dado o prazer, melhor, a honra de receber seus comentários. espero que voce se torne uma habitué deste espaco - é um prazer recebe-la aqui neste salao (e SEI que nao falo só por mim! muitos queridos "tertuliadores" ficaram impressionados com teu comentário tao sábio e tao "inside" do que aconteceu! nao suma de novo!) Bem-Vinda! Ricardo
Brilhante Amigo:
Mais um post notável bem ao seu extraordinário estilo.
O Mundo dos sonhos da Arte e das suas figuras míticas.
Nomes sonantes que já não ouvia falar há muito tempo.
Parabéns.
Deve ser uma "montanha" de Cultura que transmite com sublime talento.
Bem-Haja, pela amabilidade da sua visita.
É extraordinário o que concebe de forma admirável.
Abraço amigo de imenso respeito e consideração.
Sempre a tê-lo na maior estima pela magia gigante de si e do que é.
pena
Excelente!
Ah... Lembro que "Sansão e Dalila", do De Mille, foi o último filme que assisti no finado cinema Pax, em Ipanema. Tempos depois ele seria demolido para a construção de um shopping...
A Eleanor Parker está uma deusa na foto!
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.
Tenho de comentar novamente, Ricardo. É mais do que preciso. Assisti a essa jóia que é Melodia Interrompida, em companhia do Fábio, na quarta-feira à noite. Que maravilha de filme! Há todo um bom gosto, um refinamento nas cenas... figurinos impecáveis, um cuidado com a beleza que vai do início ao fim.
Com tudo isso, acrescido da beleza e da presença de La Parker e de um Glenn Ford em ótima forma, da força da história e da fibra da personagem, a maior alegria de todas é, sem dúvida alguma, ouvir as magníficas gravações de Eileen Farrell, cuja história - apresentada por você, como quase sempre - é tocante demais! Eu ouvia aquela profusão de maravilhas, aquela voz que vai praticamente de um extremo a outro da escala várias vezes sem soçobrar e pensava na quantidade de coisas que essa mulher cantou! Ela foi muito longe mesmo! Pensava também nela em pé em seu último recital, cantando com toda a elegância e sofrendo calada as dores horríveis do osso quebrado... Uma vida que merecia vários filmes. Agradeço por mais essa oportunidade de me extasiar e me emocionar profundamente.
Só não posso concordar é com o título do filme: afinal, a personagem não interrompe nada! É tão guerreira que cantou onde pôde, como pôde e de todo jeito! A cena final... ahhhhhhh! Sem palavras!
Beijo
Maurette muito grata mesmo
Tenho de comentar novamente, Ricardo. É mais do que preciso. Assisti a essa jóia que é Melodia Interrompida, em companhia do Fábio, na quarta-feira à noite. Que maravilha de filme! Há todo um bom gosto, um refinamento nas cenas... figurinos impecáveis, um cuidado com a beleza que vai do início ao fim.
Com tudo isso, acrescido da beleza e da presença de La Parker e de um Glenn Ford em ótima forma, da força da história e da fibra da personagem, a maior alegria de todas é, sem dúvida alguma, ouvir as magníficas gravações de Eileen Farrell, sem dúvida uma grande voz que vai praticamente de um extremo a outro da escala várias vezes sem soçobrar. Que enormidade de de coisas essa mulher cantou! Agradeço por mais essa oportunidade de me extasiar e me emocionar profundamente.
Destaque para a direção cuidada, a eloquência dos cortes e o figurino impecável.
Só não posso concordar é com o título do filme: afinal, a personagem não interrompe nada! É tão guerreira que cantou onde pôde, como pôde e de todo jeito! A cena final... ahhhhhhh! Sem palavras!
Beijo
Maurette muito grata mesmo
P.S. = Sobre "Mon Coeur S'ouvre a ta Voix", devo me redimir após ter assistido à interpretação de Marilyn Horne na gala "Metropolitan Centennial". É uma coisa de arrepiar até a medula óssea! E mais lindo ainda é o gesto final; com várias das maiores divas do passado sentadinhas ao fundo, inclusive a nossa amada Bidú Sayão, Horne vai direto até Rise Stevens, a intérprete dessa canção no filme O Soldado de Chocolate, ao lado de Nelson Eddy, e lhe dá um abraço muito sentido e emocionante.
Postar um comentário