segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Vamos hoje (sor)rir com Mikhail Baryshnikov?

Push comes to shove (Twyla Tharp, 1975 para o American Ballet Theatre), é um destes Ballets incríveis, demoníacos,inventivos, enlouquecidos, bem-humorados e cheios de alegria, energia e ritmo. Sou um grande fã do trabalho de Tharp.
Este primeiro encontro de Mikhail Baryshnikov, „Misha“, com uma linguagem mais contemporanea de dançar foi imortalizado alguns anos depois nesta filmagem.
Do Cast original (Mikhail Baryshnikov, Martine van Hamel, Marianna Tcherkassky – que também supreendeu - e o magnífico Clark Tippet) só Misha. Van Hammel substituída por Susan Jaffe, Tcherkassky por Elaine Kudo e Tippet por Robert La Fosse, que abandonou cedo o ABT por não aguentar a „pressão“ exercida sobre os Bailarinos. Uma nota: Gelsey Kirkland estava "escalada" para o papel principal mas recusou-se a fazer parte deste Ballet. Tcherkassky teve um grande sucesso no seu lugar.

Depois do „prelúdio“ ao som de um Ragtime (que boa escolha), que introduz a figura masculina central e suas duas bailarinas, como „Vaudevillians“, o Ballet assume quase uma outra linguagem ao som de outro compositor austríaco Haydn – como só Twyla poderia ter usado a musicalidade do Mestre. Este primeiro solo já „delata“ o genio de Twyla e requer uma virtuosidade absurda misturada vezes com uma „casualidade“ tentadora. Fascinante combinação.

Um trabalho longe de ser „convencional“ e nada similar ao resto do repertório do ABT na época, "Push" chocou muito partes do público habituè da época. „Push“ foi coreografado para Mikhail Baryshnikov, então num auge impressionante de sua carreira. Numa daquelas fazes que nos fazia querer que o tempo passa-se mais devagar para poder-mos aproveitar por muitos mais anos a glória deste magnífico Bailarino.

Vamos hoje (sor)rir com Mikhail Baryshnikov?
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Música Joseph Lamb (Bohemia Rag) e Franz Joseph Haydn (Sinfonia Nr. 82 em C "The Bear")
Coreografia Twyla Tharp
Figurinos Santo Loquasto

Premiere mundial: Uris Theatre, New York, 9/ 1/ 1976

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Um trabalho coreográfico simplesmente fascinante!

14 comentários:

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Querido e doce amigo, beleza... você coloca em palavras a grandiosodade deste bailarino.
Eu tive o prazer de conheçer dançando.Magnífico!
Beijos da praia, desta praia um pouco cheia de mais para o meu gosto.

caminada disse...

Ricardo, este é um encontro de gênios, de criadores que estavam e estão renovando o ballet clássico, mostrando o quanto ele é, sempre foi, contemporâneo de seu tempo histórico.
Isso sim, pode ser chamado de "desconstrução", porque usa a sólida e verdadeira construção da técnica clássica para ser desconstruída, revista, enriquecida, atualizada.
Não se desconstrói o que jamais foi construído.
Não conheço outros intérpretes do papel principal de Push Comes to Shove mas, sinceramente, tenho a impressão de que a performance de Barishnikov jamais será igualada, que dirá superada. Bjsss.

angela disse...

Que presente Ricardo!
Beijos

pinguim disse...

Sorrir e aplaudir...fortemente!!!!

Lorena F. Pimentel disse...

Querido Ricardo, espero que você tenha tido um fabuloso Natal.
Estou na correria, mas volto mais tarde para conferir os vídeos postagos.

Beijos!

paçoca disse...

Ricardo,
Que delícia!!! Nunca pensei que se pudesse rir numa apresentação de Ballet! Eu adoro ver o Ballet através dos seus olhos de conhecedor. Obrigada por tudo um beijo da Paçoca

Tertúlias... disse...

Também nao conheco outro interprete, bem, nunca assisti nenhum outro... e nao consigo imaginar nunguém mais neste papel... será que quero imaginar alguém mais dancando "Push"? Se sou sincero, acho que nao...

Anônimo disse...

I had nearly forgotten thsi Ballet. It is such fun! Wonderful idea to have it back here! I have heard that the Pennsylvania Ballet added it to its repertoire... Can it be? Mike

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Oi Ricardo [adoro seu nome] estou ainda em punta del Leste, parto rumo a minha grande aventura que começa por Jeruzalém dia 3 de janeiro.
beijossssss
FELIZ ANO NOVO MEU QUERIDO AMIGO, COISAS DO BEM DESEJO PARA VOCÊ

Anônimo disse...

Amei. Fiquei até sem palavras,por isso nem te respondi. O que me passou pela cabeça foi “Como essas pessoas trabalham....”

Bj
Mauri

Tong Zhi disse...

Um excelente 2010 recheado de bons posts, como é teu hábito.
Abraço

Leslie disse...

Oi Ricardo
Adoro Baryshnikov, assim que tive a internet gravei tudo que encontrei dele no Youtube, ele é fantástico, tenho tudo guardado, inclusive achei um vídeo que ele erra um passinho...hahaha...voltei mil vezes para verificar se não tinha sido um delírio...eu estava nesse meu retorno...como são difíceis os retornos...e foi uma benção ver MIsha errar, me fez sentir menos insignificante.
Beijos
JU

Anônimo disse...

Que coisa mais incrível!!!!!!!!!!

Maurette disse...

É, Ricardo... Que prazer e que privilégio ver Baryshnikov nessa atuação! Você disse muito bem; a gente não quer mesmo que o tempo passe ao vê-lo nessa esplêndida forma e num surto único de criatividade!
A relação sutil da introdução com a música de Haydn é muito interessante. O prelúdio, pelo que pude perceber, anuncia de fato uma "discussão em movimento" sobre o classicão versus a sua desconstrução (como bem pontuou Eliana), que neste balé é, ela própria, desconstruída mais ainda, porém com rigor, técnica, estilo! E que estilo! Acho que uma boa parte dos "mudernos" que se dizem hoje coreógrafos recorreriam ao suicídio profissional coletivo se vissem este trabalho. Ficaria tão evidente o quanto é necessário ser mestre na técnica para desconstrui-la, recriá-la e inovar...
Meu Deus, o que é o primeiro solo haydiano de Baryshnikov! Ao vê-lo ali, pude captar, ainda que em ínfima fração, aquela íntima alegria - "joy" mesmo, que pra mim é muito mais forte como palavra - pelo simples e divino fato de poder dançar, dar movimento à alma... Ele está nesse nível de êxtase, feliz como um querubim, como um menino de rua do País da Dança, que só quer saber de espaço para poder ser maior que si mesmo... E te confesso, nesse momento a gente espera que entre alguém interessante, alguém único, alguém da estirpe de uma Cristina Martinelli para fazer par com ele e transformar aquela alegria essencial num pas-de-deux de puro delírio... Não é o que acontece, rola um trio que também é ótimo, mas é diferente do que a coreografia, a música e a intensidade me anunciaram. Recomeça o duelo elegante entre o clássico absoluto e as necessidades novas de movimento do artista em ebulição. Acho oportuna e lindamente representada no ballet. Ah, pena, pena mesmo que não está inteiro... arruma aí pra gente ver tudo! Eu adoraria ver tudo!
Obrigada, obrigada, mil vezes obrigada, meu querido amigo tão sensível!
Beijo
Maurette