sexta-feira, 27 de março de 2009

Velharias, bugigangas e modêlos ultrapassados: uma tertúlia sobre “Tertúlias”


Há muitos anos atrás uma amiga da nossa família, uma senhora alemã, foi assaltada na Av. Paulista em São Paulo bem perto do Museu de Arte Moderna. O assaltante a um certo ponto dirigiu-se à ela com as seguintes palavras “Me passa aí estas bugigangas !”. Ele estava referindo-se a uma corrente de ouro que tinha pertencido à sua avó. Esta senhora, com aquela “finesse” e delicadeza tao típica dos alemães, começou a bater no assaltante com seu guarda-chuva... Nem tanto pelo fato de estar sendo roubada mas sim pelo motivo de estar furiosa com ele por ter chamado o colar de sua avó de bugiganga... um insulto à uma jóia de família. Ele ainda conseguiu tirar o colar de seu pescoço, mas um pedaço dele ficou prêso da parte posterior do seu pescoço – e este foi transformado numa pulseira.

Um coisa similar aconteceu com as “Tertúlias” na semana passada. Um certo comentário meio depreciativo do tipo “só filmes velhos”. Eu não fiquei tão “passado” quanto esta senhora acima mencionada – e nem vou bater em ninguém com meu guarda-chuva - mas esta opinião deu-me o que pensar, refletir... tentei reavaliar o que tenho feito, escrito aqui... São as “Tertúlias” realmente uma coleção de “velharias e bugigangas”?

Sabem qual foi minha conclusao?

Não consegui dividir esta opinião tão radical.

Filmes “velhos”? Sim... clássicos! ...e ainda um pouquinho de música, artes gráficas, ballet, teatro, TV, literatura... Uma pitada de cada coisa... Não esquecendo do mais importante: a forma quinestética que estes temas tomam, transformando-se as vezes incrívelmente, pelo fato de serem divididos emocionalmente entre todos! Um tal de “dar e receber” aqui (Quanta “troca” existe aqui na realidade!).

Como um amigo meu disse um dia desses: pessoas que só sabem ver as coisas com um “rótulo” (“os filmes velhos”, “me passa aí estas bugigangas” por exemplo), que não enxergam por detrás de “fachadas” por mais que se esforcem, que parecem nao enxergar tres palmos adiante do próprio nariz, que não compreendem e que só se interessam por UM tema (sim... pessoas que só opinam ou deixam comentários em uma espécie de tema), são na realidade “modêlos ultrapassados que estão fora de moda” (Não é ótima esta expressão?).
Por outro lado existem tantas pessoas maravilhosas aqui como Cristina, Eliana, Maurette, Márcia (para citar realmente só algumas) que comentam de “Peach Melba” à “Emma Livry” (passando por Nádia Maria, Dick Farney, Fonteyn, Copacabana e sei lá por que mais!).

Existe um estação de rádio aqui que ouço todos os dias indo para o trabalho: Ö1. Este programa que amo chama-se “Pasticcio”, sim, como a comida mas Pasticcio na música é também a descrição de uma Ópera que, ou foi criada por vários compositores ou é composta por vários trabalhos separados, autonomos de um compositor. Eu “vibro” como este programa aborda os mais diferentes temas – às vezes ao mesmo tempo. Isto sim para mim é uma visão universal de encarar a arte. Sem preconceitos. Sem “rótulos”. “Pasticcio” é de certa forma muito responsável pela forma que as “Tertúlias” tomaram. Ontem mesmo ouvi uma gravação que me impressionou: “Bolero” de Ravel por cima de “Moon River” de Henry Mancini. Antes de ontem trabalhos para piano de Clara Schumann e logo em seguida Gene Kelly (cantando “Singin’ in the rain” pois os trabalhos de Clara eram também dedicados à chuva). Um trabalho moderníssimo de Kurt Weil que levou à uma valsa de “Rondine” de Puccini e que foi, fechando o círculo, comparada à “Valse” de Ravel... Uma coisa levando, abordando a outra, um tema se entrelaçando ao outro, como uma corrente. De uma forma muito aberta, sem preconceitos, sem clichées, quase organica... sem obrigar o ouvinte a pensar só “clássicamente”, muito pelo contrário... Que maravilhosa forma de se admirar e entender ARTE!

Por estes motivos: Quem nao quer “tertuliar” (e só ve aqui "O Ricardo com seus filmes velhos!) e só acha que a opinião dos seus livros fechados empoeirados na estante da sala está “certa” (O que é "certo"?) e que arte só deve ser feita de uma certa maneira pois “sempre se fez assim”, com todo respeito, não perdeu nada por aqui... Eu estaria me contradizendo, contradizendo toda a ideologia das “Tertúlias” se quizesse este radicalismo por aqui.

18 comentários:

Anônimo disse...

Querido Ricardo,uma ótima abordagem.
Quando a vida interior é rica,temos sêde de saber e conhecer;quando a mente é aberta e apta,temos imenso prazer em aprender,discutir,trocar
idéias e opiniões.Quando nos situamos
bem no Mundo,tudo que está nele nos interessa.A Arte é atemporal.Feliz quem pode elevar todos os temas à um nível superior e degustá-los...Graças
a Deus,existem pessoas como você,com quem podemos compartilhar
todos os assuntos que permeiam a nossa vida,com seu natural bom gosto e propriedade.Tertúlias tem esta propriedade.Fala-se de tudo em
alto nível.Ignorar isto é uma visão
muito míope da vida.
Como vc bem lembrou,quem pode ignorar aquela maravilhosa postagem
do Peach Melba?Aí está um grande
exemplo do que nos traz Tertúlias!
A Universalidade!
Cristina Martinelli

Olga disse...

Reducionismo é um dos vícios humanos, Ricardo. Eu adoro velharias, pois é delas que conseguimos reinventar o olhar para a vida. Entretenimento clássico geralmente abriga qualidades que não se encontram em obras atuais. O ritmo dos filems antigos, os milagres em montagem e, principalmente, a forma de contar histórias sempre deve ser ser observada e louvada.
Adoro bugigangas, tralhas e quinqulharias. Quem as têm é porque guarda um pouco de história.
beijo.

Suely Mesquita disse...

querido, como dizia o grande filósofo Ibrahim Sued: os cães ladram e a caravana passa. É simples, quem não gosta, procura outro blog.

Continue SENDO :)
o seu blog é diferente por isso.

beijos
Suely, a amiga de colégio (que coisa mais antiga!! UHUUUU!!!)

Efigênia Coutinho disse...

Não consegui dividir esta opinião tão radical.

Filmes “velhos”? Sim... clássicos! ...e ainda um pouquinho de música, artes gráficas, ballet, teatro, TV, literatura... Uma pitada de cada coisa... Não esquecendo do mais importante: a forma quinestética que estes temas tomam, transformando-se as vezes incrívelmente, pelo fato de serem divididos emocionalmente entre todos! Um tal de “dar e receber” aqui (Quanta “troca” existe aqui na realidade!).

Estimado Ricardo, nesta sua abordagem acima, o que acontece com a pessoa que reclamou? Ela talvez nem tenha cultura para entender o que aqui neste parágrafo você escreveu,pois se tivesse, não faria o comentário que fez.

Eu já falei e vou repetir, você não é bom não, é ótimo, seu trabalho tem requinte de textos e imagens, e uma vasta cultura, pois você sabe tocar nos detalhes dos eventos editados,
com admiração,
Efigênia Coutinho

André Paranhos disse...

Inteligente nas palavras e no humor como sempre ! Confesso que me senti atraído a ler pelo título Velharias e Bugigangas, afinal quem não tem ao menos, uma caixinha velha de sapato cheia de recordações ? Melhor ainda, quem não se permite a qualquer tempo fazer uma releitura do que já fez ou viveu ? Nosso Raulzito estaria errado ? Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo ! Na música eletrônica de hoje vemos as releituras de grandes sucessos dos anos 80 e 90. O rap no Brasil incorpora o Samba. Gabriel o Pensador, de hoje, é o Cazuza de ontem e o Noel de anteontem. Impossível desconectá-los. É assim em qualquer manifestação artística. Os gringos cantam em português adicionando seus elementos musicais e culturais. A arte transformadora do Vik que acaba de expor no MAM do Rio abre nossos horizontes. São tantas influências renovadoras na rotina do dia-a-dia que seremos ultrapassados não por lembrar o passado, mas sim por não incorporarmos as mudanças presentes. Viver é ter a mente aberta para inventar um bolo a cada dia, adicionando à receita original um item extra, um toque de originalidade e muito amor no que fazemos. Somos todos Pasticcio no caminho da evolução. E como dizia Chico Xavier - Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
Um Viva ao passado, ao futuro e às Tertúlias !
Aquele abraço, André

mundo azul disse...

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Bem, eu gosto de vir ler seus textos, apreciar as fotos e refletir sobre as mudanças...
Penso que devemos sim, valorizar o clássico, pois dali nasceram todos os "filhotes"... Alguns maravilhosos, outros nem tanto...

Mas, não admiro muito, pois outro dia, alguém comentava sobre o tombamento de algumas construções antigas, aqui em Curitiba, dizendo:
- Que utilidade podem ter essas velharias?

Enfim, nada respondi, pois existem pessoas que não tem mesmo sensibilidade, nem gratidão pelos alicerces da nossa cultura...

Mas, continue sim, publicando "suas velharias", pois, alimentamos aqui, a sede da nossa saudade e a recordação do que foi tão bom!


Beijos no coração, querido Ricardo!

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tertulías disse...

...eu acho que na realidade nao fui compreendido por todos nesta postagem... "velharias" é exatamente como "bugigangas"... olha que e tiro o meu guarda-chuva... :-)) cristina, voce me entendeu...

tertulías disse...

...e efigenia também!

Dani Antunes disse...

Velharia? Aff... Essa gente não tem o que falar! Não entende de cultura e não procura entender.
Se parasse pra pensar na merda que tá falando... Aff.
Aliás, Ricardo querido, hoje fiquei até mais feliz pq consegui, mesmo que com certa dificuldade, ver teu blog pelo Firefox. Estranho que eu antes conseguia normalmente. Mas, se vc quer saber, acho que já sei por quê. Agora que eu notei ali na coluna esquerda um vídeo do Youtube em tamanho normal. Já tentou redimensionar? =)
Please, try it! ;)

Voltando ao post... Oh, fica tranquilo. Vc escreve muito bem sobre coisa muito boa. E tem que ter um cérebro de ovo pra ter o topete de criticar isso.

Eu já vi vários blogs que falam de filmes antigos, mas só leio o teu.

Algum motivo tem, né?! =)
Tu é bom com as palavras e pronto. Não se deixa abater!

*Sugestão de post: Avenida Q, o musical. Assisti domingo a adaptação brasileira desse musical e me apaixonei!*

Beijos

Anne M. Moor disse...

Tertúlias,
Cheguei aqui a partir do Sem Margens do António, entrei, sentei, li e adorei. Posso ficar? O teu escrever é uma delícia - flui... E "velharias e bugigangas" são a soma de nossas vidas e quem não sabe dar valor às memórias perdeu o bonde!!! Vou me tornar freguesa assídua de tuas Tertúlias...

Beijos

Pena disse...

Genial e Talentoso Amigo Ricardo:
VOCÊ deixa-me sempre "fulminado" de admiração nos Posts extraordinários, sensíveis e puros que "constrói" dedicada e brilhantemente.
Este, é mais um. Simplesmente, fabuloso.
"Alucinado" pelas suas palavras maravilhosas e repletas de sensatez, sobriedade e de um bom gosto Gigante no seu sonho imenso que é arte pura....

Abraço de imensa estima e respeito.
Com cordialidade enorme.

pena

Bem-Haja, amigo, pela sua "entrega" à imensa Blogosfera que sen si ficaria mais pobre e desencantada.
Bem-Haja, Amigo!

ICH LÍEBE DÍCH-1 disse...

Agradecendo sua visita....
Também gostei daqui....interessante,muito bem escrito...Com um toque de humor....porque, de nos merecemos!
Voltarei....
Beijos..
Dina

A.Tapadinhas disse...

Filmes velhos? Como Charlot, Citizen Kane? Quadros velhos? Como "O julgamento de Páris"? Como " As Meninas"?
Só o tempo dá verdadeira dimensão à obra de arte. É como o nosso Vinho do Porto: o que é bom, só melhora com o passar do tempo. O outro azeda...
Abraço.
António

Alice Barth disse...

Ricardo, basta seguir seu sonho e nós outros sonharemos junto!
´Os sonhos que você ousa sonhar realmente se tornam realidade!´...
Abraço,
Alice

Eu quis postar este comentário em ´Back to my own yellow brick road´ mas não consegui...

cristinasiqueira disse...

UAU!!!!!!!!!

Ricardo que infeliz e pobre esta senhora que desconhece que nos guardados respira a nossa raiz,o nosso acêrvo que nos identifica em civilização e humanidade.
Voce Ricardo é nobre,sensível,apaixonadoe graças a Deus GENEROSO.
Sempre em frente neste MIX de saudade e novidade.
Obrigada,

Cristina Siqueira

tertulías disse...

Querida Cristina,
Senhora? :-))
Voce é fogo, hein?

caminada disse...

Ricardo, a carta testamento era particular, mas você gostou, então postei.
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Ricardo querido, sabe de uma coisa? Precisei reler sua postagem de sexta feira para entendê-la.

De que se reclama? Quem reclama?

Fiquei passada sim. Lembrando-me do guarda-chuva do Allan de La Fille Mal Gardée (inevitável lembrar daquele chapliniano personagem tão bem desenvolvido por Ashton a partir do original de Dauberval) tive vontade de bater sim, no descontente, com uma sombrinha.

Lembra-se de quando ou quem chamava guarda-chuva de sombrinha? A propósito, antigamente guarda-chuva tinha hífen, e agora? Eu já sou uma órfã do hífen.

Por temperamento, e certa falta de talento, fui procurar uma definição para Tertúlia e não encontrei nada que me satisfizesse. Mas, lendo um senhor chamado Carlos Brito
aprendi que a palavra é de origem castelhana, provavelmente atribuída no séc. XVII à parte do teatro onde se situavam os espectadores mais cultos, que citavam Tertuliano nos seus discursos, sendo por isso chamados de tertulianos.

Entretanto, o significado mudou tanto que preferi continuar com minha idéia de que tertuliar era participar com amigos, do prazer de trocar idéias sobre vários assuntos, sem ordem definida, remetendo também a qualquer coisa do tipo sarau. Sarau no sentido de uma casa particular onde as pessoas se encontram para se expressarem ou se manifestarem. No seu caso, quase sempre será uma manifestação artística, claro.

Mas como particular se estamos na Internet? Bem, por causa da peculiaridade do Tertúlias, da sua frequência (quero meu trema de volta), da cor de sua página, dos assuntos abordados.

E voltamos ao reclamante.

Ricardo, eu, ao contrário dele, amo entender o meu presente através dos retalhos de passado com que você nos brinda várias vezes por semana. Já me remeti a meu avô, um radical ouvinte de música erudita que só ouvia Wagner e árias de ópera, que não gostava da voz de Caruso e amava Gigli. Ele tinha aqueles álbuns enormes de discos de 78 rotações (como se abrevia rotações?). Era uma trabalheira, mas ele tinha prazer nessa operação demoradíssima.

Retornei, o farei sempre, para meu pai e minha mãe. E Dadá. Com eles eu viajo sem limites e compreendo o ofício que escolhi, o homem com quem casei, o filho que criei. Lembrando deles através de você vivo três dimensões que, para mim, não existem sozinhas: passado, presente e futuro. Com eles os nomes seriam infinitos, começando pelos cantores. Eu teria que falar em Del Monaco, em Claudia Musio, em Tito Gobbi, Tebaldi, Capuccilli, Magda Olivero, etc. E ia ter que lembrar desde Sílvio Caldas a Maria Bethânia, que papai ainda conheceu cantando Carcará. Vou parar, senão escrevo um livro por conta do reclamente.

E estarei aqui aguardando velharias e bugigangas que me fazem voltar a hoje e gostar de uma música dos Titãs. É isso mesmo, dos Titãs. É verdade que é só uma, mas gosto, ponto.

Por conta de papai não resisto e lhe mando o link do final de It’s a wonderful life: http://www.youtube.com/watch?v=ErrzjGCi3gY&feature=related

Sabe, amigo, o anjo Clarence se tornou um personagem de casa. Toda vez que estávamos/estamos aflitos chamávamos/chamamos Clarence, o anjo que precisava salvar uma vida para ganhar um par de asas.

A refilmagem não interessa. Não é dirigida por Frank Capra, não é com James Stewart nem Donna Reed, tampouco com Lionel Barrymore.

Ah, se encontrar, coloca também A foggy day, de George e Ira Gershwin, se possível com Lena Horne (segue a letra, existe mais charmosa?). Papai e mamãe amavam. Nos seus últimos dias mamãe lembrou-se dessa canção e a cantarolava. Isso quando não cantava Gonzaguinha: “Viver, e não ter a vergonha de ser feliz...”

Mais uma coisa do nosso nó de amigos, artistas, assuntos. Acabei de achar Judy Garland cantando A foggy day. Será coincidência que a postagem de ontem é com Judy em Mágico de Oz? O link dela cantando?

http://www.youtube.com/watch?v=3D832AMwsZE&feature=related

Viu como tudo se entrelaça entre nós, tertulianos? Reclamante bobo, sem assunto.

Bjsss.


A Foggy Day


I was a stranger in the city
Out of town were the people I knew
I had that feeling of self-pity
What to do, what to do, what to do
The outlook was decidedly blue

But as I walked through the foggy streets alone
It turned out to be the luckiest day Ive known

A foggy day, in London town
Had me low, had me down
I viewed the morning, with much alarm
British museum, had lost its charm

How long I wondered,
Could this thing last
But the age of miracles, hadn’t past
For suddenly, I saw you there
And through foggy london town,
The sun was shining everywhere

bueno disse...

Criticar é fácil.Enquanto criticam, o artista cria. Pensar que faria melhor é um pensamento que dura até comecar a fazer, poque na verdade, como se diz coloquialmente, o buraco é mais em baixo. Sempre vao existir pessoas invejosas, que nao conseguem "fazer" nada. Teu blog ganhou publico e este parece admirar aquilo que voce faz. Tem coisa melhor que isso?
Musica: Jair Rodrigues, Deixa que digam, que pensem, que falem...