quarta-feira, 17 de outubro de 2012

REMEMBERING "Isadora": Vanessa Redgrave - perfeita!

Vanessa Redgrave não é uma bailarina e “Isadora” também não é um filme sobre Dança.

Ele usa a Dança da americana Isadora Duncan (1877 - 1927) para pontear, cronológica- e precisamente a vida desta alma livre que até hoje fascina o mundo das Artes, o mundo de muita gente… inclusive o meu.

Mesmo que a linguagem seja um pouco antiquada por delinear suas memórias num “Flash-Back” da exata, precisa duração de todo o filme, ele capturou em celulóide o movimento e o espírito tão peculiar deste genero de Dança…


Eu gosto deste filme.
E não só pela fabulosa e, na época, linda Vanessa Redgrave.

Pensemos que existem sómente alguns segundos de registro «em celulóide» da Arte de Duncan (dançando numa Garden-Party em Londres) e que toda sua “escola”, seu “estilo” foi transmitido por suas alunas (As «Isadorables» ?) através de gerações.


Muito ao contrário do que muitos dizem, não considero Duncan a “mãe da Dança contemporanea”. Sua dança evocava vasos e Afrescos da velha Grécia. O mundo "clássico" (!!!!).
Eu prefiro deixar este título acima, esta honra para outros personagens da Dança do século XX.

Mas Duncan criava liberdade ao dançar… Não havia uma técnica no sentido clássico da palavra (Falo de Ballet e ela abominava-o) e com o passar dos anos a “Diva”, que foi envelhecendo rápidamente por causa de uma vida muito bohemia e desregrada, foi adaptando sua dança às condições de seu corpo: à perda de elasticidade, às suas coxas e a seus braços mais “roliços”… num puro movimento organico de mudança, de adaptação à novas situações, talvez barreiras, mesmo que estas tenham sido trazidas pela idade.

Existe coisa mais natural do que envelhecer? É o ciclo da vida – e Isadora adaptou-o muito bem à sua carreira. Gosto deste pensamento, desta atitude.

O filme nos leva de San Francisco à Europa, pelo seu Debùt nos grandes palcos (descalça e mostrado as pernas nuas… imaginem só; um escandalo na época!), pela sua primeira gravidez, pelas suas dúvidas sobre ser “mãe solteira” em 1906, pelos seus sucessos, por sua fase mais burguesa (quado esteve ligada a Paris Singer – sim o milionário, herdeiro das máquinas de costura),


pela morte de seus filhinhos num trágico acidente no Seine em 1913, pela sua fase vermelha na Rússia, pelo seu casamento mal-sucedido com o poeta russo Sergei Jessenin, sua “volta” à uma America que lhe “acusou” de comunismo (o que ela realmente era) e a cruelmente repudiou (e para a qual ela mostrou seus seios nus, conseguindo chocar as mais "tradicionais" almas de Boston), sua triste derrocada psicológica e física em companhia íntima do alcóol, de muito alcóol e, depois, sua morte brutal, só poucos momentos após ter gritado : "Adieu, mes amis. Je vais à la gloire!" (apesar de existir uma versão de uma amiga que clama que ela haveria dito «Je vais à l’Amour», comentário muito «ousado» para a época já que ela se encontrava na companhia de um belo italiano e em Nice haviam muitos «hotéis de hora». E o que importa ? What the hell. As duas versões são bonitas… Morrer "a caminho do Amor"... Ora, belíssimo! Bastante mais "humano" e real do que a "Glória", à qual ela supostamente se referiu...).

“Isadora” (1968) foi dirigido por Karel Reisz e foi um “pequeno” sucesso de bilheteria. Mesmo a nomeação de Redgrave para o Oscar de melhor atriz naquele ano (Katharine Hepburn e Barbra Streisand “empataram”) não ajudou muito à bilheteria... O filme realmente não foi concebido para a “massa” por tratar muito especialmente de um tema muito especial sobre uma pessoa extremamente especial...

Confiram o Trailer:



Ele foi “rebatizado” em “The loves of Isadora” tentando assim que esta “sugestão” de “sexo e pecado” melhorasse a bilheteria. Não melhorou.


Vanessa passou por um lindo trabalho de corpo para este filme. Nunca devemos nos esquecer: ela é uma ATRIZ, não uma bailarina !


Num dos momentos, para mim, mais lindos do filme ela faz sua «Première» em Londres ao som do segundo movimento (o Allegretto) da sétima Sinfonia de Beethoven. Amo-a naquela "correria" pelo palco, toda soltinha, relaxada, linda…



E para quem tiver interesse em imagens da verdadeira Isadora e nos seus poucos segundos registrados em filme, aqui um interessante vídeo!



Correção: as últimas imagens (de um carro) não são do carro em que Isadora faleceu - como erroneamente dito no video - porém do carro em que suas crianças se acidentaram no desastre no Seine.

2 comentários:

Ivone Feijoo disse...

seu trabalho, hoje 16.6.2015 deu encantamento a minha alma em momento que ela vinha entrando em depressão. obrigado

As Tertulías disse...


Obrigado Ivone, uma pena voce nao ter entrado aqui antes... por um acidente milhares de comntáros (e isto nao é um exagero) foram aagados... Bem-Vinda!