sábado, 22 de maio de 2010

Callas, Sutherland e "Lucia"

Em 1959 Callas assinou um contrato interessantíssimo com o Covent Garden: Neste estava estipulado que ela cantaria na produção de Zefirelli de “Lucia di Lammermoor” e na produção de Minotis de “Medea” (o que implicava numa troca transatlantica das duas produções entre o Covent Garden e Dallas).
A produção de “Lucia” tinha sido concebida originalmente para o jovem Soprano australiano, Joan Sutherland, que despontava nos palcos de Ópera.
Callas voou de Milão para Londres para assistir o ensaio geral de Sutherland e, sentada na platéia, sem tirar nem seu casaco, nem seu chapéu de arminho (como que preparada para sair a qualquer momento… talvez para sómente dar a impressão de que não estaria ali por muito tempo...), ouviu deslumbrada, concentrada e silenciosa toda a “performance” de Joan: “Eu ficaria enciumada de qualquer pessoa cantando tão bem mas não de voce”, ela disse à mulher que sete anos antes cantou a pequena parte da confidente de “Norma” para a própria Callas.
Imediatamente ela contatou a direção da famosa Casa de Ópera e disse a David Webster: “O que a imprensa disser não importa: Voces tem uma GRANDE “Lucia”. Nunca mais me peçam para cantar «Lucia». Voces tem a sua própria Lucia britanica e deveriam estar mais do que orgulhosos dela!”.
Confrontada com real talento, Maria sempre reconheceu-o, sem vaidade.

(Um episódio contado por Zefirelli: Ele tinha lhe dado um disco antiquíssimo chamado “The golden Age of the Metropolitan”. Ela riu descontroladamente (até chorar) ouvindo Tetrtazzini e Galli-Curci mas quando Rosa Ponselle começou a cantar, ela beijou a capa do disco e manteve-a bem colada ao seu coração!)

Aqui Dame Joan Sutherland, não em “Lucia”, não em “La Traviata” e nem em “Norma” – três das várias Óperas que imortalizou – mas em uma das minhas “preferidas”: a “quase esquecida” Lakmé de Delibes. O “Dueto das Flores”. Um lindo, inesquecível momento!
">
e com Marilyn Horne no mesmo dueto, porém concertante.
">

17 comentários:

Anônimo disse...

Muito grato !

Tenhovários LP e CDs com a Diva maior maior.

Ab.

João

Anônimo disse...

This is just amazing. I was talking about the "forgotten" Lakme just the other night and all of a sudden you write about it... as if you knew. love Mike

com senso disse...

Caro Amigo
Que beleza!
Nao conhecia esse episódio de Callas ouvindo Sutherland e ele é bem revelador da grandeza de Callas, como ser humano!
Gostei muito da forma como esculpiu seu belo texto!
Eu gosto de ouvir Callas em algumas árias! Joan Sutherland para mim é sempre maravilhosa.
Sou daqueles a quem o timbre de Callas afasta um pouco! Embora reconheça que foi uma cantora com dotes vocais e interpretativos extraordinários!
Quanto a Lakmé pela Joan Sutherland, acho que ainda não nasceu quem ainda cante melhor do que ela.
Por algum motivo era designada por "La Stupenda"!
No que se refere a Lucia, aconteceu aqui em Lisboa um episódio bem curioso em 1977. Uma cantora portuguesa chamada Elisete Bayan (agora totalmente esquecida) interpretou esse papel, tendo a seu lado Alfredo Kraus e aconteceu algo de muito raro:
Num palco onde os maiores cantores do mundo já tinham atuado, Elisete após cantar a "cena da loucura", levou todo o público a se levantar, aplaudindo por tanto tempo, que as luzes da sala acabaram se acendendo e todos os seus colegas vieram ao palco aplaudi-la. Foi um dos grandes momentos históricos da òpera em Lisboa, novamente com Kraus, que se estreara aqui, no final da década de 50, ao lado da Callas e que foi uma surpresa imensa para todo o público e até para a própria Diva, pois ele era na altura um desconhecido.
Mais uma vez adorei este seu post e envio-lhe um abraço amigo, despedindo-me até à segunda semana de Junho pois vou fazer umas pequenas férias até ao sul de Portugal, já que estou bem precisando delas.
Até lá!

Tays disse...

Olá Ricardo,

obrigado por passar em meu blog....
A inspiração veio pela propria Moira Shearer... que é lindaa...!!
Foi assim que comecei a pesquisa pra colocar no meu blog, e acabei chegando no seu blog....

Que é bem legal..!!!

Deixa algumas coisas claras... o texto é bem parecido com o seu e retirei algumas fotos, como outras delas que encontrei pela net em outros blogs.....

Mas o texto é uma mistura do seu post, com o do Wikipedia e com alguns textos inglês.

Tem tantas outras coisas que poderia ter colocado...como por exemplo: que ela gostava de assistir Boxe e que ela odio ter feito a Vicky...sabia disso??

Vou estar colocando os créditos assim como de todas as fontes de onde retirei..... pesquisei dias pra ter deito aquele post. OK

Continuarei visitando.... por seu blog é muito legal...!!!

Bjs...

angela disse...

Gostei de saber dessas histórias de Callas. Adimiro pessoas com essa grandeza de alma tão rara.
Os dois videoas estão lindos.
beijos

Fabio de Mello disse...

Olá Ricardo:
quando minha grande amiga me disse que eu ia simplesmente "amar" seu espaço virtual nunca imaginei o tanto que me sentiria impactado por ver tamanha "alma gêmea" em gosto sobre artes cênicas e afins. Muito obrigado por nos oferecer este espaço mágico de nostalgia sadia e tanta reverencia à arte mais sublime do mundo em suas várias formas de expressão. Um grande e carinhoso beijo de um novíssimo fã. Fabio de Mello (não sou o padre...)

Tertúlias... disse...

que maravilha! mas, fábio, quem é a sua grande amiga?

Tertúlias... disse...

Adorei este episódio relatado acima: Eliste Bayan e a cena da loucura de "Lucia". Emocionante!!!!

Anônimo disse...

Querido Ricardo, fiquei lisonjeada com a postagem dedicada a mim e ao
Bicudo.Adoro estas histórias sobre a
Diva Callas.Infelizmente não tive a
oportunidade de ve-la quando cantou
em nosso Theatro Municipal nos anos
50,mas,Ruth que é fanática pela Callas ,a viu e até hoje fala sobre
o que assistiu, e, ela tem todos os
cds dvds da Callas e uma enorme coleção de livros sobre Callas.
Realmente a Sutherland era maravilhosa. Eu assisti,em video,
a despedida dela do Met nos espetáculo do "O Morcego",emocionante!!!
Quanto ao Dueto das Flôres" ouço
diariamente na Radio MEC com a
Jessie Norman pois é o prefixo
de um programa.Merci por tudo e
pelos videos com a Sutherland.
Beijos Adelia/o Pinguim

Maurette disse...

Ricardo, em mais um 'período Callas' da minha vida, essa pequena e preciosa história cai como uma luva. Grandes personalidades, como ela, são alvo permanente de especulações e rótulos de toda sorte. Para mim, cada vez mais a máxima de que a verdadeira arte está acima do Bem e do Mal é a que professo, quando se trata de alguém como Callas. Esse momento que você relata é outra irrefutável prova da grandeza dessa mulher que duelou a vida inteira entre mundos paralelos interiores - e que, no palco, nos entregou a vida.
Voltando à terra: Lakmé está impressa no meu coração desde que ouvi a ária coloratura, há 20 anos atrás, num disco de 33-1/3 rpm, na casa de um senhor operístico de Volta Redonda, que foi fundamental em meus primeiros passos rumo a essa grande arte. Não me pergunte quem cantava, seria exigir demais. Só sei que aquela foi uma verdadeira experiência de beleza, no sentido mais místico possível da expressão. Concordo com o Anônimo acima: Lakmé deveria ser mais lembrada! É muito particular e especial em todos os aspectos!
Beijo
Maurette

Anônimo disse...

Ricardo, bom dia!
Fui lá e não encontrei nenhuma referência a mim... será que não estyou sabendo ver? rsrsrs
Abração
Bicudo

Silvia Vieira disse...

Amigo querido, não sei porque vc lembra do Augusto, meu pai. Sei que ele adorava canto lírico e tinha muito bom gosto. Lakmé de Delibes é uma jóia de extrema beleza, linda de se ouvir e sentir.
Obrigada por me proporcionar mais um lindo momento.
Bjus enormes,
Com carinho,
Marroney.

Marco disse...

Ahhhhhh....
Eu já adoro uma boa história e quando esta boa história vem embalada em uma ótima música, como esta belíssima ária, aí eu fico dois passos dentro do Paraíso...
Excelente postagem! Estou aqui ouvindo e me deliciando com a Joan...
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Marcia Lopes disse...

Ricardo, hoje além de ler o post li também os comentários e fiquei feliz com tantas mensagens carinhosas dedicadas a você. Com sua cultura e sensibilidade você vai cativando! Beijos da Paçoca

Tertúlias... disse...

Minha querida, meus querido todos! Obrigado! Faz um bem... Beijos Ricardo

Marcos Dhotta disse...

Arrepiou, literalmente! Incrível como consegues mantém acesa em nós essa "chama" cultural. E se depender de você, ela tão cedo se apagará. Acho que NUNCA, né não?

Abraços querido!

pinguim disse...

Adoro Callas, adoro Joan Sutherland e achei magnifica a apreciação da Diva acerca da "Stupenda"; deliciei-me também com o episódio comovente do S.Carlos, aqui em Lisboa com a Elisete Bayan (de que me recordo vagamente) e que o nosso amigo comum Com senso contou...