Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Anthony Dowell - the last prince / o último príncipe


Jamais esquecerei a primeira vez que vi Anthony Dowell dancando... Lembro-me que foi num daqueles terríveis espetáculos de Ballet organizados por Dalal Achcar. Depois tive o prazer e a oportunidade de ve-lo muitas outras vezes. Que grato sou por estas experiencias: Com ele estava "on stage" Merle Park. Anthony - já na época um bailarino incrível, de grande fama internacional. - entre outros. Esta fama só nao foi maior porque Nureyev chegou nos anos 60 também ao Royal Ballet e oprimiu o desenvolvimento de muitas carreiras (como a de Christopher Gable - vide minha postagem "The boy friend" - que retirou-se completamente do mundo do ballet). Dowell sempre será uma estrela do ballet: com sua técnica imcomparável e muito, muito inglesa - ah, aqueles arabesques precisos aonde o braco frontal está um pouco baixo, realmente em direcao ao solo (para tudo existe um simbolismo) - nada de 90 graus, nem de 110 como os russos mas aqueles elegantes 80, 75 graus que dao toda uma dignidade... uma grande nobreza aos movimentos... o corpo, a cabeca olhando para baixo, para o braco... por cima do braco... estar acima de alguma coisa... que elegancia!!!!!!!!Jamais o esquecerei ( e como poderia? assisto o DVD pelo menos uma vez por mes...) em "Lago dos Cisnes" em 1977 com Natalia Makarova...
Eu o assisti ao vivo pela última vez em Londres em "La Bayadére" - mas aí ele já estava trabalhando como bailarino de caráter (além de "só" ser o diretor do Covent Garden... um homem culto e refinado - o que sempre se notou nos seus movimentos... ) .
O espetáculo no Rio foi em 1975 e até hoje nao o esquecerei. Estava no camarote de Walter Clark, entao no seu apogeu "Global", e depois fomos todos "backstage" cumprimentar os maravilhosos artistas do Royal Ballet. Que excitante! Um novo mundo se abriu para mim naquele dia, naquela hora, no momento em que apertei a mao de Anthony Dowell: Ele sorriu abertamente, conversou longa- e afetuosamente comigo, um menino de 14 anos, e me presenteou esta foto... Sim eu queria também fazer parte daquele mundo. Eu queria pegar o primeiro voo para Londres e entrar para o Royal Ballet. Sim! Um ano depois comecei a fazer aulas de danca... e guardo esta lembranca do último REAL principe do ballet ( o penúltimo foi Michel Dennard da Opera de Paris, que vi muitas vezes no Rio) com muito orgulho e carinho! Obrigado Anthony por toda a inspiracao e por todo este talento que nao canso de rever! God bless!

16 comentários:

Anônimo disse...

I also loved Anthony... is this what it is all about here in this post of yours???? I wish I could understand more portuguese... Have you met him in 1974? Is that right? I did in 1988 and we had quite a time "together" in England. Big kiss Mike

Anônimo disse...

Querido Ricardo,
Obrigada pelo artigo e pelas informações. Eu não conheci este bailarino... que pena. Aí está o link de um artigo que, por sua inspiração, acabo de encontrar. Muito bonito!
Bjs
Maurette

Elliana Alves Rio de Sonhos disse...

Texto muito bom,uma ótima leitura.
Te adoro viu,bjssssssss querido e bom dia!!!

bueno disse...

uma inspiracao. a minha foi... ah, nem vale mais a pena mencionar!

Violeta disse...

Há momentos assim, que nos marcam para sempre; como certas pessoas.

Anônimo disse...

Anthony (now "Sir" Anthony) Dowell epitomizes our ideal of the English male dancer - exquisite lines, masculine, understated elegance. I saw him perform many times with the Royal Ballet at Covent Garden during the 4 years that I lived in London (between 1975 and 1979)and he was (is) truly one of the finest classical dancers of all times - a dancer with class!

Anthony, we love you!
Ricardo, thank you for the posting!

Colleen

Rim disse...

Querido Ricardo

Parabéns por tudo que você tem
feito de comentários. São
sempre interessantes e
de bom gosto. Você é um ótimo
crítico com conhecimento de causa.
Bravo.
Vera Mayerle

Anônimo disse...

Querido Ricardo,
Obrigada pelo artigo e pelas informações. Eu não conheci este bailarino... que pena. Aí está o link de um artigo que, por sua inspiração, acabo de encontrar. Muito bonito!
Bjs
Maurette

Olga disse...

Querido Ricardo, pegue meu e-mail aqui (mas depois apague): olgademoura@gmail.com.
Vamos trocar nossos telefones cariocas?
beijo

Angela Ursa disse...

Ricardo, hoje, aprendi mais sobre esta grande arte aqui :)) Beijo da Ursa

paçoca disse...

De vez em quando passo por aqui e sempre tem algo interessante. Que bonita lembrança de seus 14 anos. Também gosto muito do Zweig. Pude entender um pouco da desesperança dele em relação ao mundo quando li "O mundo que eu vi". Um beijo da Paçoca

Anônimo disse...

oh dear, oh dear... what's HE doing here???? :-))

mundo azul disse...

Que delicia ler o que você escreveu! Adoro ballet, mas, não entendo muito da técnica... Você é um conhecedor e amante da nobre arte! Parabéns!

Quando era menina, meu maior sonho era estudar ballet, infelizmente, um sonho que não realizei... Ficará para a próxima...


Beijos de luz e o meu carinho!

Anônimo disse...

Eu também o vi no Rio, mas no Municipal. Que "danseur" brilhante, que personalidade...
Tudo de bom (continue nos dando estes maravilhosos posts... uma delícia!). Tudo de bom!
Juca

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

É lindo!
Aproveite suas férias.Você encantou muitas pessoas com este texto.Aproveite as férias.

tertulías disse...

Um comentário maravilhoso que recebi por e.mail - nao pude resistir e tive que colocá-lo aqui! Obrigado Eliana!!!!

Di 07.10.2008 02:45

Ricardo, postei lá meu comentário. Ainda pretendo falar alguma coisa sobre Dowell (que adoro, até mais nos personagens literários como Des Grieux ou Kuliguin, do que como príncipe de clássicos de repertório) e sobre o balllet russo.
Ah, Ricardo, não resisto. Que bom que o mundo é tão diversificado, tão amalgamado, que ingleses amam Tchecov e Pushkin, e russos são fascinados por Shakespeare. Que bom que raças tão diferentes se complementam naquilo que a outra não tem.
Permita Deus, que o mundo continue com a dança espetacular, grandiloqüente, extrovertida da Rússia, contida, sutil, sensual sim, tragicômica da Inglaterra de Chaplin, de Diekens, de Shaw, com a dança mistura de champanhe, erotismo e tragédia da França, com a dança autosuficiente, um tanto atlética e assexuada de Balanchine dos EUA (para mim eles não são a América, porque sou duas vezes americana: latina e do sul), com a dança vira-lata do Brasil, que tudo entende e a tudo confere seu sotaque peculiar, com a dança cafona de Cuba, autêntica na sua cafonice...
Já pensou que insuportável um mundo todo sofisticado, refinado, sem qualquer vestígio da cafonice inocente do povo?
Bjsss.
Eliana